8 de mai de 2014

Veredito Collectors Room: Black Label Society - Catacombs of the Black Vatican (2014)

quinta-feira, maio 08, 2014
Nossa equipe escolheu o novo álbum do Black Label Society como o lançamento mais representativo do mês de abril. E, por isso, analisamos o disco de maneira coletiva, expondo a opinião de cada um de nossos redatores.

Abaixo você lê cinco reviews distintos, cada um com uma avaliação diferente. No final, somamos todas as notas, dividimos pelo número de participantes e chegamos ao nosso veredito final sobre Catacombs of the Black Vatican.

Você, é claro, está intimado a contar para a gente, nos comentários, o que achou do novo trabalho de Zakk Wylde e sua turma.


Catacombs of Black Vatican é um disco sintomático para o Black Label Society não por ser o primeiro de estúdio com o novo baterista, Chad Szeliga, porque afinal a rotatividade neste posto tem sido bem grande desde a saída de Craig Nunenmacher em 2010. No entanto, é sintomático por ser o primeiro sem a presença de Nick Catanese, o guitarrista que era uma espécie de alma gêmea de Zakk Wylde, seu grande complemento, sócio, amigo. Mesmo assim, mesmo sem a sua base precisa, o disco inteiro funciona bem, podendo ser considerado mais um passo rumo à evolução de uma sonoridade própria e única para o Black Label Society. "Hearts of Darkness", por exemplo, é aquela canção tipicamente BLS, pesada, corpulenta, com uma melodia ampla e que preenche todos os espaços - tão forte quanto "Damn the Flood", o primeiro single "My Dying Time" ou a porrada "Fields of Unforgiveness", que abre o disco convidando a bater cabeça. É aquela combinação de densidade soturna herdada do Black Sabbath com um sabor de rock sulista. O lance é que a gente já sabia do talento de Wylde como guitarrista. O que não é a coisa mais esperada do mundo é vê-lo melhorando, gradativa e sensivelmente, em sua outra função na banda: a de vocalista. Este instrumento ele vem aprimorando e tratando com tanta paixão quanto a que dedica às seis cordas. Em uma balada como "Angel of Mercy", o camarada solta a voz com uma textura diferente, mais sutil, entregando uma interpretação emocional e emocionada e, por que não dizer, doce. Na acústica "Scars", ele exerce um lado bem mais melancólico. E naquele que eu considero o melhor momento de todo o álbum, na última canção da bolacha, "Shades of Gray", Wylde assume sua faceta mais blueseira e derrama doses fartas de talento e emoção em quase sete minutos de música muito, mas muito boa. Nota 9,5 (Thiago Cardim)

Muitas gratas surpresas no novo do Black Label Society. No ano em que Pride & Glory completa 20 anos, Zakk Wylde mostra que existe Buchecha sem Claudinho e segura as pontas como uma verdadeira letra A no Teste de Macho. Sem Nick Catanese, seu parceiro de longa-data, Zakk tem em mãos a oportunidade de registrar algo de identidade inquestionável, e Catacombs of the Black Vatican arremata todas as marcas registradas do guitarrista numa mistura de fácil digestão e que não agride o estômago. Os harmônicos artificiais (aqueles "gritinhos" feitos na guitarra) não aparecem à exaustão e rola até certa quebra de expectativa nos finais de alguns compassos — aleluia! No tocante à voz, é bom ouvir Wylde cantar como se não estivesse com três bolas de sinuca dentro da boca e o que se ouve é muito mais um bêbado de beira de estrada com talento e bagagem o bastante para conquistar muito mais do que o necessário para mais uma dose. E o que esperar de um cara que batiza o próprio filho de Sabbath Page? Canções influenciadas tanto por Led ("Fields of Unforgiveness") quanto por Sabbath ("Damn the Flood"), no mínimo. O canto do cisne, porém, vem na forma da emotiva "Shades of Gray", na qual Zakk empunha o violão para uma base de country-blues óbvia e enfia o pé na porta em um dos melhores solos de toda a sua carreira. Nota 8 (Marcelo Vieira)

Passados quatro anos de Order of the Black, o melhor disco do Black Label Society desde o espetacular The Blessed Hellride (2003), a gang liderada pelo agora sóbrio Zakk Wylde enfrentou intermináveis mudanças. Diversos bateristas passaram pela banda em um curto período de tempo e, mais notavelmente, a saída do parceiro de longa data Nick Catanese. Invariavelmente, todos estes fatores podem afetar de alguma forma o direcionamento musical no novo trabalho, e é o que parece ocorrer em Catacombs of the Black Vatican: o que se ouve aqui é um Black Label Society mais introspectivo, contido e reflexivo, construído sobre andamentos arrastados que esbarram no grunge, no doom e no sludge, mergulhados em atmosferas pantanescas, ainda mais insalubres por causa do ar pesado, contaminado e desértico. Uma viagem hipnótica entre riffs profundos e intermináveis, e contemplativas passagens southern e soul, como atravessar áridas paisagens desoladas sob um céu fechado de nuvens negras. Catacombs of the Black Vatican é o BLS em uma personificação diferente, mas ainda assim forte, determinado e impiedoso até o osso. E para sempre. Nota 8 (Rodrigo Carvalho)

Após um intervalo de quatro anos desde seu último lançamento de inéditas, o guitar hero levantador de pesos, ex-alcoólatra e ex-fiel escudeiro de Ozzy Osbourne, Zakk “fucking” Wylde está de volta com mais uma pedrada, intitulada Catacombs of the Black Vatican. Cada vez mais afastado da sombra de seu padrinho madman, o guitarrista apresenta neste trabalho a mesma fórmula que norteou toda sua carreira solo. Baseado no conceito de “luz e sombra” de Jimmy Page, um de seus maiores mestres, Wylde consegue neste trabalho a proeza de manter sua identidade e seus trabalhos coesos com uma sequência de músicas recheadas de riffs matadores mescladas com baladas tocantes e solos repletos de feeling com seus característicos harmônicos. Muitos comentaram sobre a falta e a saída de seu parceiro nas seis cordas Nick Catanese, que não é percebida aqui, uma vez que Zakk Wylde sempre gravou todas as guitarras em estúdio. Porém, mesmo com toda a fúria de seus últimos lançamentos, este é o que apresenta suas melhores composições desde o imbatível e espetacular Mafia, de 2005. Sem o excesso de efeitos que o encobriu em trabalhos anteriores, o vocalista e guitarrista consegue apresentar sua melhor performance vocal e instrumental desde então. Os destaques ficam por conta do peso descomunal da faixa de abertura “Fields of Unforgiveness”, “Damm the Flood” e das levadas de bateria zeppelianas em “Hearts of Darkness”. As baladas “Angel of Mercy” e “Scars”, apesar de suas estruturas bastante semelhantes, refletem todo o sentimento e capacidade de compor baladas emocionantes do dono da Sociedade do Black Label. O flerte com o grunge à la Alice in Chains na obscuridade de “Empty Promises” também é digno de nota. Apesar das demais músicas não comprometerem o trabalho, a baladinha “Shades of Grey”, que encerra o trabalho, soa levemente inferior às demais. Caso tenha oportunidade, procure pela versão deluxe que conta com mais duas excelentes faixas bônus que poderiam perfeitamente figurar no tracklist principal deste trabalho: “Dark Side of the Sun” e The Nomad”. Sem grandes alterações em sua fórmula de sucesso, este é Zakk Wylde soando matador e lançando até agora um dos melhores discos do ano. Como sempre, aliás! Nota 8,5 (Tiago Neves)

Vou ser sincero com vocês: a música do Black Label Society nunca me disse nada. Nunca ouvi nada que me chamasse atenção vindo da banda. Acho Zakk Wylde um bom guitarrista, gosto de seus discos com Ozzy e, na minha opinião, os trabalhos de sua vida continuam sendo Book of Shadows (1996) e o excelente primeiro e único álbum do Pride & Glory, lançado em 1994. Após escutar algumas vezes Catacombs of the Black Vatican, nada disso mudou. O disco tem algumas boas músicas, os solos são, de modo geral, bastante interessantes, mas Zakk continua não me dizendo nada, não falando ao meu coração. No entanto, o problema nessa história toda sou eu, não a banda, admito. Por tudo isso, pensei em nem mesmo participar deste Veredito, mas acabei mudando de ideia na última hora. Para ser justo com a banda e com os fãs, vou aplicar a nota média que vejo sendo atribuída ao álbum mundo afora. Ouçam e cheguem às suas próprias conclusões. Nota 8 (Ricardo Seelig)

Nosso veredito final sobre o álbum é 8,4

Equipe Collectors Room

7 de mai de 2014

Playlist Collectors Room: grandes solos de guitarra

quarta-feira, maio 07, 2014
A guitarra é o instrumento chave do rock. Ela fez heróis, criou deuses, desafiou limites, nos levou a descobrir novos mundos. Em homenagem a essa instrumento tão importante e que está no sangue e no DNA de qualquer pessoa que gosta de rock, preparamos um longo playlist com alguns dos nossos solos preferidos e aqueles que consideramos os melhores de todos os tempos.

São 110 músicas em pouco mais de 10 horas de som, em grande parte distribuídas de forma cronológica, mostrando a evolução da abordagem do instrumento ao longo dos anos.

Antes de você ouvir, algumas considerações: com exceção do Black Sabbath, não há bandas de heavy metal nessa seleção. Elas serão abordadas no futuro. E outro ponto essencial: como o Rdio (e o Deezer e o Spotify também, se não me engano) não disponibilizam gravações dos Beatles, Led Zeppelin e AC/DC, essas três bandas infelizmente ficaram de fora da lista.

Para ouvir, clique aqui.

E, nos comentários, conte pra gente quais são os seus solos de guitarra favoritos.

Boa viagem!

Por Ricardo Seelig

6 de mai de 2014

Apanhado sludge/doom/stoner/post-metal de abril

terça-feira, maio 06, 2014


Como sugerido, estamos inaugurando agora um apanhado com as notícias mais interessantes e relevantes sobre o que aconteceu no mês anterior, nos moldes do que o nosso colega Guilherme Gonçalves faz com death, thrash e black metal. Porém, aqui vaguearemos através dos obscuros, soturnos, arrastados, esfumaçados, mórbidos, experimentais e confusos campos do doom, sludge, stoner e post-metal (e eventualmente algo a mais).

De novos discos a novas músicas, de nomes clássicos como o Eyehategod e seu retorno triunfal, ao emergente e impactante The Great Old Ones, confira abaixo o que tivemos de mais assombroso no subterrâneo do metal em abril de 2014:

Eyehategod





Uma das maiores figures (se não a maior) do sludge/hardcore de New Orleans e uma das mais influentes bandas da história do estilo, o Eyehategod lançará o seu primeiro disco em 14 anos no próximo dia 27 de maio (pela Housecore Records).

Produzido aos pedaços por Billy Anderson (o mesmo de Dopesick), Phil Anselmo e Stephen Berrigan, o autointitulado álbum conterá o trabalho final do baterista Joe LaCaze, falecido no ano passado e substituído por Aaron Hill (do Missing Monuments e Mountain of Wizard).
A porradaria de “Robitussin and Rejection” pode ser ouvida logo abaixo:




Bombus





Dando início a sua turnê pelos Estados Unidos, o quarteto sueco Bombus lançou o vídeo para “Let Her Die”, uma das faixas que compõe The Poet and the Parrot, o seu excelente segundo álbum lançado pela Century Media Records no ano passado.

O trabalho mantém a mesma estética pós-apocalíptica que acompanhou o stoner punk de Enter the Night, mas com boas doses psicodélicas. Vejam só:




Corrosion of Conformity



O Corrosion of Conformity confirmou para o dia 24 de junho o lançamento de seu novo trabalho, simplesmente nomeado IX, pela Candlelight Records. O álbum marca o segundo do grupo americano desde o seu retorno em 2010 sem a participação de Pepper Keenan (atualmente concentrado apenas no Down, aparentemente), sucedendo o bom auto-intitulado de 2012.

Conforme Mike Dead, Reed Mullin e Woodroe Weatherman, a ideia é trazer para as gravações em estúdio toda a crueza de suas apresentações ao vivo, devendo manter em suas 11 faixas todos os elementos de doom, punk, stoner e southern já característicos de seu legado.

1. Brand New Sleep
2. Elphyn
3. Denmark Vesey
4. The Nectar
5. Interlude
6. On Your Way
7. Trucker
8. The Hanged Man
9. Tarquinius Superbus
10. Who You Need To Blame
11. The Nectar Revised


Greenleaf



Já tendo contado com membros do Dozer, Demon Cleaner e Truckfighters em seus discos, a realidade é que o Greenleaf se tornou uma instituição colaborativa entre diversos artistas do cenário stoner sueco. Atualmente contando com Tommi Holappa, Arvid Jonsson, Sebastian Olsson e Bengt Backe, o grupo lançará no dia 13 de junho o seu quinto disco, Trails & Passes, pela Small Stone Recordings. A faixa de abertura “Our Mother Ash” pode ser conferida diretamente no bandcamp da banda.

Afinal de contas, stoner sueco esfumaçado com aquele espírito setentista nunca é demais.

Insomnium



A banda Insomnium liberou o vídeo oficial para “While We Sleep”, presente em seu novo álbum Shadows of the Dying Sun, lançado pela Century Media Records nos dias 28 e 29 de abril.

O belo vídeo foi filmado na Polônia em conjunto a Grupa 13 (que já trabalhou com Behemoth e Kreator) e se encaixa perfeitamente com o melodic death de severas tendências doom e atmosféricas que os finlandeses apresentaram em seu mais recente álbum (e um dos melhores de sua discografia). Confira abaixo:




Red Fang




O quarteto alcoolizado de Portland dará início a uma turnê americana ao lado das bandas American Sharks e Big Business neste próximo mês. E não apenas isso, em parceria com a Scion A/V eles distribuirão gratuitamente em seus shows um disco de 7” contendo a faixa inédita “The Meadows”, disponibilizada também para audição e download no player abaixo.

A faixa não foge muito do padrão Red Fang: vozes embriagadas e riffs massacrantes, que têm se tornado ainda mais distorcidos e ruidosos desde o razoável Whales and Leeches, do ano passado.




Serpentine Path



Uma das bandas mais violentas do catálogo da Relapse Records (como vocês devem saber, isso não é pouca coisa), os nova-iorquinos do Serpentine Path apresentaram “Disfigured Colossus”, uma das sete músicas que estarão em seu segundo trabalho. E a julgar por esta faixa, o grupo não perdeu nem um pouco da morbidez brutal já presente em seu disco de estreia.

A ser lançado no dia 27 de maio, Emanations foi produzido pelo próprio baixista Jay Newman e será o primeiro registro a contar com o guitarrista Stephen Flam (do cultuado Winter). A belíssima arte (principalmente a versão em vinil) ficou a cargo de Orion Landau, responsável também por outras diversas capas de música extrema.

1. Essence of Heresy
2. House of Worship
3. Treacherous Waters
4. Claws
5. Disfigured Colossus
6. Systematic Extinction
7. Torment





Septicflesh



Passados três anos desde o belíssimo e perturbador The Great Mass, os gregos do Septicflesh anunciaram o lançamento de Titan, seu nono álbum de estúdio (e o terceiro após o reinício das atividades em 2007) que deve ser lançado pela Season of Mist e Prosthetic Records no próximo dia 20 de junho. 

A nova faixa “Order of Dracul” foi liberada para audição, e mantém o Septicflesh como um dos grupos que melhor consegue montar um mórbido híbrido com elementos de death, black e doom metal costurados pelos onipresentes arranjos orquestrais. E a expectativa por Titan torna-se ainda maior:




The Great Old Ones



Os cultistas lovecraftianos do The Great Old Ones disponibilizaram a audição completa de Tekeli-Li, o seu segundo álbum de estúdio, lançado pela Les Acteurs de l’Ombre Productions no dia 16 de abril. Produzido por Cyril Gachet (do year of No Light) e masterizado por Alan Douches (responsável apenas por algumas obras do Cannibal Corpse e The Dillinger Escape Plan), o novo disco do franceses é completamente baseado em “Nas Montanhas da Loucura”, uma das grandes obras do escritor americano.


E assim como os seus contos, a música apresentada pelo The Great Old Ones alterna entre o absoluto caos gélido e atmosferas assimétricas, assombradas por um mal indescritível e um ritmo arrastadíssimo e perturbador. Definitivamente uma experiência absolutamente bizarra, severamente recomendável:

1. Je ne suis pas fou
2. Antarctica
3. The Elder Things
4. Awakening
5. The Ascend
6. Behind The Mountains




The Great Sabatini



Um dos promotores canadenses da mais pura imundice sludge, o The Great Sabatini não apenas soltou os detalhes de seu próximo disco, como também uma das faixas que estarão no tracklist. Dog Years será o seu terceiro trabalho, produzido por Sean Pearson, e deve sair em junho pela gravadora francesa Solar Flare Records.


Confira o vídeo da ruidosa “Munera”:

1. The Royal We
2. Guest Of Honor
3. Nursing Home
4. Periwinkle War Hammer
5. Reach
6. Akela
7. Munera
8. Pitchfork Pete
9. Ditch Diggers Unlimited
10. Life During Wartime





The Scimitar



Formado pelo vocalista e guitarrista Darryl Shepard e pelo baixista David Gein (acompanhados de Brian Banfield na bateria) enquanto o Black Pyramid está “on hold”, o The Scimitar dá continuidade ao stoner doom carregadíssimo deixado em aberto em Adversarial, de sua banda antiga.


O disco de estreia do novo projeto se chamará Doomsayer, foi produzido por Glenn Smith no Amps VS Ohms Studios e mixado por Benny Grotto, devendo ser lançado nos próximos meses pela Hydro-Phonic Records. A banda, porém, liberou a faixa “World Unreal” para audição: uma mistura de High On Fire com Motörhead de sérias envergaduras sabbathicas, que pode ser ouvida no player abaixo.




Tombs



Responsável por Path of Totality, uma das mais absurdas pedradas de 2011, o quarteto americano Tombs prepara o lançamento de seu terceiro disco, Savage Gold, que sairá em 10 de junho pela sempre atenta Relapse Records.

Elevando ainda mais o dinamismo e brutalidade dos álbuns anteriores, o novo trabalho deve levar o post-metal do grupo a um novo patamar com a inserção ainda mais presente de post-punk e black metal em sua sonoridade. E considerando o que podemos ouvir em “Edge of Darkness”, algo bem interessante (e diferente) vem aí.

1. Thanatos
2. Portraits
3. Seance
4. Echoes
5. Deathtripper
6. Edge of Darkness
7. Ashes
8. Legacy
9. Severed Lives
10. Spiral





Wolvhammer



O grupo formado por membros e ex-membros das bandas Shaidar Logoth, Abigail Williams e Across Tundras anunciou detalhes de seu terceiro álbum, que recebeu o ótimo título de Clawing Into Black Sun. Gravado na Hideaway Studio e produzido por Dan Jensen, o disco marca a continuidade do blackened sludge com tendências hardcore apresentado em Black Marketeers of World War III (de 2010) e no mais do que excelente The Obsidian Plains (de 2011).


Clawing Into Black Sun teve a sua capa desenvolvida por Stavros Giannopoulos (responsável pela arte de bandas como Twilight e The Atlas Moth) e será lançado no dia 08 de julho pela Profound Lore.

1. The Silver Key
2. Clawing Into Black Sun
3. Slaves To The Grime
4. The Desanctification
5. Lethe
6. In Reverence
7. Death Division
8. A Light That Does Not Yield


Por Rodrigo Carvalho

5 de mai de 2014

Primal Fear: crítica de Delivering the Black (2014)

segunda-feira, maio 05, 2014
Delivering the Black, o décimo álbum de estúdio do quinteto germânico Primal Fear, é o que se pode chamar de ponto de atenção na discografia dos caras. Grandes expoentes do chamado power metal, acabaram sendo uma das muitas bandas de talento estranguladas em meio a uma centena de outros grupos sem originalidade que surgiram aos montes no começo dos anos 2000, tentando repetir a mesma fórmula. Mas provaram que a sua força era maior, que seu potencial era muito mais amplo e que sua visão era de longo alcance.

Para marcar seu território, lançaram o excelente Seven Seals (2005), um poderoso manifesto que trazia o DNA do power metal, com peso e melodia nas medidas certas, transbordando talento mas apostando em experimentações e variações que deram um outro sabor ao seu som, mais sofisticado, mais épico. Parecia, de fato, um passo à frente do que os genéricos estavam fazendo.

Depois, no entanto, parece que a trupe comandada por Mat Sinner e Ralph Scheepers deu um passo atrás. Os discos seguintes, New Religion (2007), 16.6 (2009) e Unbreakable (2012), estão longe de ser obras ruins, entendam. É o Primal Fear sendo Primal Fear, e isso já é bem legal. Só que ainda é pouco. Apesar de alguns raros momentos de brilhantismo (como a emocionante faixa "The Man", por exemplo), nenhum deles pode ser considerado um marco. O mesmo acontece com Delivering the Black - que, detalhe, ainda sofre de um problema crônico de falta de punch. Demora a pegar no tranco. Demora, de fato, a começar a empolgar. E quando finalmente acontece, bingo, o disco termina. E não diz a que veio - à exceção de três momentos que merecem destaque.

Canções como "King For a Day" (que abre o CD), "Inseminoid" (que fecha os trabalhos) e a faixa-título representam a quase totalidade do álbum. Têm uma boa dose de porradaria, têm um trabalho competente do time de guitarristas formado por Magnus Karlsson e Alex Beyrodt e, obviamente, trazem o vozeirão de Scheepers em plena forma. Só que o grande problema é que são canções formulaicas. Que poderiam estar em qualquer disco do Primal Fear ou, em alguns casos, de qualquer banda de power metal mais talentosa. Falta-lhes personalidade.

A prova da personalidade que o Primal Fear consegue imprimir em seu trabalho quando quer pode ser brevemente vista, por exemplo, em "When Death Comes Knocking", faixa que ousa pisar no freio da aceleração máxima do power metal e que tem riffs de guitarra cheios de brilho,  fazendo conexão direta com o som do Judas Priest. Ou na balada "Born With a Broken Heart", com participação de Liv Kristine (Theater of Tragedy, Leaves's Eyes) e na qual Scheepers arrisca um lado mais suave e sutil de seu potente alcance vocal.

Mas o melhor, a prova definitiva do tipo de música que o Primal Fear REALMENTE consegue fazer, ficou para o final, no épico de mais de 9 minutos "One Night in December". Um refrão avassalador, uma performance de bateria que dá gosto (Randy Black merecia um prêmio!) e a utilização, na medida certa, de elementos sinfônicos. Fácil, fácil, uma das canções mais belas da carreira dos caras. Um das grandes músicas de heavy metal do ano.

Dá para imaginar um disco no qual eles se arriscam tanto quanto em "One Night in December"? Arrisco dizer que, de partida, teria tudo para ser uma obra-prima.

Talento não falta ao Primal Fear. O que falta é eles começarem a se desafiar um pouco mais. Porque só quando um músico desafia a si mesmo é que ele começa a desafiar os ouvidos de sua audiência.

Nota 7,5

Tracklist:
1. King for a Day
2. Rebel Faction
3. When Death Comes Knocking
4. Alive & On Fire
5. Delivering the Black
6. Road to Asylum
7. One Night in December
8. Never Pray for Justice
9. Born with a Broken Heart
10. Inseminoid 

Por Thiago Cardim

Sebastian Bach: crítica de Give 'Em Hell (2014)

segunda-feira, maio 05, 2014
Confesso: sou muito fã do Sebastian Bach. Sério. Adoro o trabalho que ele fez à frente do Skid Row, acho que o sujeito manteve uma carreira artística coesa e de qualidade, indo até parar em musicais da Broadway e arriscando papéis em produções televisivas, com méritos inquestionáveis. Sempre o achei um cara inteligente, divertido, sarcástico, brilhando em entrevistas que insistiam em colocá-lo em saias justas. E quando finalmente colocou a sua carreira-solo na rua, o começo foi imensamente promissor, roubando a cena nos shows de abertura para o Guns n' Roses e lançando o pesado e intenso Angel Down, de 2007. Cada faixa tinha um "agora vai!" gritando alto e claro. Quando veio o segundo disco, Kicking & Screaming, a empolgação continuou. Revestindo-se de uma bem-vinda modernidade, mas sem pedantismo, e sem medo de explorar outras vertentes musicais, Bach estava mesmo mostrando a que veio.

Mas eis que, este ano, somos apresentados a Give 'Em Hell. E, apesar do título provocativo, que sugere uma explosão de peso e fúria, o que temos como resultado final está muito mais próximo da esquisitíssima imagem de capa: questionável. Give 'Em Hell parece mesmo ser o resultado de um Bach mais pesado e furioso do que outrora, envelhecendo e querendo pegar mais forte. Mas o direcionamento, o foco de tamanha porradaria, meus velhos, é tudo nesta vida. Neste sentido, Bach atira para todos os lados e parece não conseguir acertar nenhum alvo em particular. Por mais que tenha conseguido colocar ao seu lado o baixo de ninguém menos do que Duff McKagan (ex-Guns n' Roses) e, em algumas faixas, a guitarra do talentoso e por vezes subestimado Steve Stevens (Billy Idol, Michael Jackson).

"Hell Inside My Head", que abre os trabalhos, até que não é um começo de todo ruim. Uma faixa que, apesar da cacetada na bateria de Bobby Jarzombek, não chega a perder sua melodia tradicional. Mas dura pouco. Apesar da letra provocativa, brincando com sua própria trajetória, ?All My Friends Are Dead" tenta enveredar por uma pegada mais modernosa, em especial nas levadas de guitarra, e na qual o seu tipo de vocal parece não encaixar. Algo ali não combina. O problema persiste ao longo de toda a audição, passando por "Gun to a Knife Fight", "Dominator", "Taking Back Tomorrow". Bach está simplesmente deslocado. Em "Push Away", ele força seus agudos até o limite - e chega a ultrapassá-los, arruinando o refrão de uma canção que tinha tudo para dar certo. E na melodia maliciosa e sacana de "Forget You", ele insiste por uma interpretação que é por demais gritada, berrada - e nos poucos momentos da canção em que entrega uma performance mais comedida, fica claro o caminho que deveria ter seguido. Isso é rock pesado, eu sei. Mas às vezes, menos é mais.

Acho que este é, no fim das contas, o segredo - em Angel Down, Bach conseguiu soar pesado de maneira natural, sem forçar a barra. O flerte com o metal fez todo o sentido, estava bem encaixado. Em Give 'Em Hell, talvez numa tentativa de se distanciar ainda mais dos dias de laquê do Skid Row, Bach parece querer soar ainda mais metal, ainda mais infernal, com cara de malvado, sombrio, tenebroso. Não funciona. E nem precisaria, porque ele nunca teve que provar nada para ninguém. Em seu combo hard rock + heavy metal, ele parece querer deixar o hard rock de lado e privilegiar o metal. Errado, muito errado. Escute a baladinha "Had Enough" e entenda que é muito, mas muito errado um homem renegar as suas raízes.

O ótimo cover para a "Rock 'N Roll is a Vicious Game", da banda canadense April Wine, é o momento mais inesperado de todo o disco, com seu espírito mais country e o acompanhamento de uma gaita e de um piano. E também é aquele no qual Bach se explora de maneira diferente, talvez respirando os ares da reflexão hard rock que sempre permeou os álbuns das bandas dos anos 80. Faltou Sebastian Bach enxergar um pouco mais o seu próprio passado. Ficar dependente do passado é errado, mas não precisa exagerar e tentar fingir que ele não existe. Faltou uma pitada de farofa aqui. E que faria toda a diferença.

Nunca deixei de defender o talento de Sebastian Bach, nem depois do lamentável show no último Rock in Rio, um momento no qual sua voz falhou, não correspondeu ao potencial devido e o colocou uma posição que simplesmente não merecia. Como defendê-lo depois deste Give 'Em Hell, equivocado como nunca deveria ter sido? Não sei. Ele pode até ter tentado. Mas vai ter que fazer por merecer. Mais uma vez.

Nota 5


Faixas:
1. Hell Inside My Head
2. Harmony
3. All My Friends Are Dead
4. Temptation
5. Push Away
6. Dominator
7. Had Enough
8. Gun To A Knife Fight
9. Rock N Roll Is A Vicious Game (April Wine cover)
10. Taking Back Tomorrow
11. Disengaged
12. Forget You

Por Thiago Cardim

Tuomas Holopainen: crítica de The Life and Times of Scrooge (2014)

segunda-feira, maio 05, 2014
Mais do que um fã de cultura pop, Tuomas Holopainen, tecladista, principal compositor e líder da banda finlandesa de metal sinfônico Nightwish, sempre foi um fanático declarado pela Disney. Nunca escondeu isso de ninguém e espalhou referências, ainda que discretas, às obras do estúdio do velho Walt nas canções de seu grupo ("Nemo", alguém?). O disco anterior do Nightwish, Imaginaerum, tornou-se a trilha de um longa-metragem com ares de conto de fadas sombrio, uma mistura de Tim Burton e Alice no País das Maravilhas.

Mas, em seu primeiro disco solo, ele foi além — e resolveu criar uma obra conceitual inspirada em The Life and Times of Scrooge McDuck. O disco, de mesmo nome (sem o McDuck, apenas para efeitos autorais), tem total apoio do autor da HQ original – no caso, Don Rosa, o roteirista/ilustrador mais importante dos gibis dos patos da Disney depois do lendário Carl Barks e responsável pela bela imagem exclusiva da capa do álbum. Mas não se engane, querido leitor: The Life and Times of Scrooge não é um disco de heavy metal - seja ele power, sinfônico, gótico ou qualquer coisa assim. É praticamente um disco instrumental, com poucas canções efetivamente cantadas. É uma trilha sonora requintada, sofisticada, de excelente qualidade e com uma produção cristalina, prontinha para o dia que alguém resolver transformar esta HQ em filme.

A trama da história original – que tem 12 capítulos e cerca de 210 páginas no total – gira em torno do passado do Tio Patinhas, em como ele viajou quilômetros e quilômetros nas mais adversas condições e trabalhou duro na mineração de ouro em busca da fortuna que viria muitos anos depois. Os capítulos se espalham do século XIX até a década de 50.

Quando saiu o primeiro single do disco, "A Lifetime of Adventure", com as vozes das vocalistas finlandesas Johanna Kurkela (supostamente, namorada de Tuomas) e Johanna Iivanainen, ficou a impressão de que estaríamos diante, talvez, de um disco que seria uma espécie de evolução do Nightwish - lindo, intrigante, envolvente. Mas The Life and Times of Scrooge é mais do que isso. Desde a introdução com "Glasgow 1877", uma canção com sonoridade tipicamente escocesa na qual Scrooge (interpretado por Alan Reid) se despede da família e ouve o lamento de sua mãe, Downy O'Drake (Johanna Iivanainen), dá para perceber que a proposta aqui tem outro nível.

Em "Into the West", o banjo e a gaita ganham destaque à frente da orquestra (no caso, a London Orchestra, regida pelo mesmo maestro Pip Williams que colaborou com Tuomas nos álbuns Once, Dark Passion Play e Imaginaerum, do Nightwish) em um épico country old school que dá a perfeita sensação de que o personagem está desbravando o Velho Oeste ainda perigoso, desconhecido mas cheio de promessas de uma nova vida. Já a estrutura grandiosa e sombria de "Duel & Cloudscapes", com uma belíssima interpretação do coral Metro Voices, poderia facilmente estar na trilha de qualquer filme d'O Senhor dos Anéis, pela vibração que transmite de uma luta em meio a cenários idílicos.

Em "Cold Heart of the Klondike", Tony Kakko, a voz do Sonata Arctica, assume as vezes de narrador para contar como é a solitária chegada de Scrooge ao Klondike - uma região de Yukon, noroeste do Canadá, a leste da fronteira com o Alasca. É lá, na cidade de Dawson, que ele conhece uma cantora e dançarina que pode ser considerada o grande amor da sua vida, Goldie o'Gilt. A moça é vivida, na obra, por Kurkela, que faz um belo dueto com Reid tanto na megalomaníaca "The Last Sled" quanto na delicada balada violão e voz "Go Slowly Now, Sands of Time", que funciona claramente como a canção da reflexão do herói depois de sua jornada.

Se alguma faixa pode lembrar, ainda que remotamente, o Nightwish, ela seria "Dreamtime", com o onírico teclado característico de Tuomas ditando o andamento, quase como se estivesse ditando os rumos de um sonho, prestes a tornar-se pesadelo. Mas, honestamente, o ideal é ouvir este disco sem ter o Nightwish em mente. Aliás, sem ter qualquer banda bate-cabeça em mente. Este é um momento para curtir música de um jeito diferente. E que faz com que um caminho bastante interessante se abra para o Sr. Holopainen: ele pode pensar seriamente em trabalhar com este negócio de cinema. Ia se dar muito bem. Basta algum figurão de Hollywood ouvir este disco para ter a mesma impressão que eu.

Nota 9

Faixas:
1. Glasgow 1877
2. Into The West
3. Duel & Cloudscapes
4. Dreamtime
5. Cold Heart Of The Klondike
6. The Last Sled
7. Goodbye, Papa
8. To Be Rich
9. A Lifetime Of Adventure
10. Go Slowly Now, Sands Of Time

Por Thiago Cardim

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