19 de jul de 2014

Incantation: crítica de Dirges of Elysium (2014)

sábado, julho 19, 2014
O Incantation não está entre os pilares do death metal em termos de genialidade ou apelo. Não é sucesso de crítica, tampouco público. Há quem diga que seja do segundo escalão do gênero, o que, provavelmente, faz sentido. Porém, a banda capitaneada pelo maestro John McEntee alcançou algo tão ou mais importante do que qualquer reverência estética: respeito e credibilidade.

McEntee, uma das lendas do underground norte-americano, formou a banda em 1989. São pelo menos 25 anos empunhando a bandeira de um estilo que passou por mutações, absorveu influências diversas e ainda se mostra um tanto quanto vigoroso, apesar das intempéries. É nítido que o death metal reagiu melhor ao tempo, sempre implacável, do que o thrash e o black, seus irmãos de sangue.

Em meio a tudo isso, o Incantation conseguiu forjar uma trajetória linear. Regular ao extremo, não oscilou entre álbuns acima da média e trabalhos decepcionantes, como alguns de seus pares. Sempre constante, desenvolveu sua identidade, ainda que a mesma não prime pela originalidade absoluta. No fim das contas, poucas bandas mantiveram-se tão fiéis a uma sonoridade. Algo que tende a ter prós e contras, mas que comprova a ciência de causa que McEntee já demonstrava desde os primórdios.

Décimo trabalho de estúdio, Dirges of Elysium entrega um Incantation em plena forma. Lançado no início de junho via Listenable Records, o disco exala a proposta primordial da banda, calcada na mescla de passagens rápidas e cadenciadas. Tal mistura, friamente calculada, faz a sonoridade transitar entre o death altamente veloz e algo mais lento, que, às vezes, se assemelha ao viés doom de nomes como Autopsy e Asphyx. Tudo, naturalmente, comandado pela guitarra de John McEntee. Riffs gordurosos e lamacentos são o carro-chefe. Sempre executados de forma catedrática.

Quer um exemplo? "Carrion Prophecy", cujo início é como uma aula de alguma matéria batizada de "death/doom metal e suas relações históricas". Arrastada e dona de um peso descomunal, é rapidamente alçada à condição de um dos destaques do álbum. Antes dela, "Debauchery" e "Bastion of a Plagued Soul" sucedem a intro "Dirges of Elysium" e também merecem honras.

Do meio para o final, chama atenção a obscura "From a Glaciate Womb" e toda sua licença poética, seja na letra ou nos tremolos que a constituem, bem como "Impalement of Divinity", claramente influenciada por Slayer da fase Hell Awaits (1985). "Portal Consecration" é apenas mediana. Já "Charnel Grounds" e "Dominant Ethos" passam um pouco batidas. Sobretudo se comparadas à epica "Elysium (Eternity Is Night)" e seus 16 minutos (!) de duração. Sim, um baita exagero. Não precisava ser tão longa. Mas o final dela é qualquer coisa de estupendo, arrebatador.

O baterista Kyle Severn, fiel escudeiro de John McEntee desde 1994, não é nenhum monstro ou uma referência do instrumento, mas faz um trabalho deveras eficiente. O mesmo vale para o baixista Chuck Sherwood e o guitarrista Alex Bouks, que inclusive se desligou do Incantation logo após o término das gravações. Algo normal na rotina da banda, conhecida pelas inúmeras (dezenas?) formações diferentes ao longo dos anos. Um substituto ainda não foi anunciado e, ao que tudo indica, devem se estabelecer novamente como um trio. Ao menos por enquanto.

O que pega um pouco na avaliação geral do Incantation é o vocal. Se na guitarra McEntee se mostra um exímio riffmaster, ao cantar seu desempenho não é semelhante. Além de seu gutural ser quase que ininteligível - mesmo acompanhando as letras no encarte -, não há maiores variações nas linhas vocais, o que, em determinados momentos, gera certo incômodo e monotonia.

Nada, entretanto, que comprometa o resultado final de Dirges of Elysium. Não trata-se de um novo paradigma dentro do death metal, mas de um disco que segue a linha do ótimo Vanquish in Vengeance (2012), seu antecessor, e luta para beliscar uma vaga no top 5 do Incantation, ficando atrás de Decimate Christendom (2004), Onward to Golgotha (1992), Mortal Throne of Nazarene (1994) e, no máximo, mais um ou dois trabalhos. A bela arte da capa é de autoria do israelense Eliran Kantor, que já desenhou para Atheist, Sodom, Master, dentre outros.

No fim do ano a banda volta o Brasil. Mais uma oportunidade para vê-los em ação...

Nota: 8


Faixas

1 Dirges of Elysium 2:12 (instrumental)
2 Debauchery 4:03
3 Bastion of a Plagued Soul 2:40
4 Carrion Prophecy 4:29
5 From a Glaciate Womb 7:38
6 Portal Consecration 3:17
7 Charnel Grounds 2:17
8 Impalement of Divinity 3:44
9 Dominant Ethos 2:42
10 Elysium (Eternity Is Night) 16:23

Por Guilherme Gonçalves

18 de jul de 2014

O fundamentalismo metálico

sexta-feira, julho 18, 2014
Você não escolhe o heavy metal, o heavy metal escolhe você”. Li essa frase dia desses em uma rede social. Ela expressa, infelizmente, o pensamento de uma parcela considerável de fãs de metal: a de que são apreciadores de uma forma de arte superior, que são “escolhidos” e “agraciados” com o dom e a capacidade de curtir a música pesada. Um tremendo papo furado, como qualquer pessoa com meio neurônio sabe bem.

Música é apenas música. Ela não está nem próxima da religião, apesar de a religião a utilizar como ferramenta em certos momentos. Música não é fanatismo, longe disso. Música é, antes e acima de tudo, liberdade. É o prazer de encontrar uma canção que traduz o que se está sentindo, que casa com aquele momento da sua vida e o acompanha até o último dos seus dias. Música é pessoal e subjetiva. O que eu gosto é o que eu gosto. O que você gosta é o que você gosta. E ponto final. Ou seja, não combina com fanatismo, com regras, com visões distorcidas da realidade.

O heavy metal é farto em exemplos de radicalismo. Quando usado como elemento de inspiração para a música em si, geralmente produz ótimos frutos. Está aí o black metal norueguês para não me deixar mentir. Estão aí bandas como o ótimo Petra, que traduziu a sua fé em excelentes canções. Existem exemplos aos montes, e em todos os extremos. Porém, quando o radicalismo é traduzido em cegueira, indubitavelmente gera uma visão de mundo distorcida e doentia. É o que ocorre com quem acredita na frase que inicia este texto.

Em certos momentos, o heavy metal se assemelha a um culto, a uma religião extremista, e isso não é um elogio. São tantas regras, tantos preconceitos, tantos “não pode”, que o que realmente importa, que é a música, parece ser o último dos elementos. Exemplos disso não faltam, e, devo confessar, já ouvi diversos deles aplicados a minha pessoa. Escrevo sobre música já há alguns anos (desde 2004, para ser mais claro), e sempre fui bastante franco com minhas opiniões. Nunca deixei de escrever o que estava pensando, em nenhum momento. E isso, é claro, ao mesmo tempo em que atraiu leitores, também fez meu nome cair na antipatia e na lista negra de diversas pessoas e veículos.

Alguns exemplos:

O Seelig ouve outros estilos, ele não pode escrever sobre heavy metal
Ele não gostou do disco, deve ser pagodeiro
As opiniões desse cara são um lixo, ele só quer polêmica
Como um cara que elogia um disco da Lady Gaga pode criticar um álbum do Iron Maiden?

Como dito antes, a música é uma arte subjetiva. O que bate para mim pode não bater, necessariamente, para você. No entanto, ao analisar um disco, procuro não deixar que o gosto pessoal seja o fator predominante de minha análise. Eu não gosto do Megadeth, nunca curti, mas já cansei de elogiar os discos da banda porque tenho o discernimento e a capacidade de perceber a qualidade da obra de Dave Mustaine (apesar de sua voz de Pato Donald ... sorry ...). Eu gosto muito do Iron Maiden, mas não há argumentos capazes de defender bombas atômicos como The X Factor e Virtual XI. E o fato de gostar ou não de um disco ou artista jamais será motivo de impedimento para elogiar ou criticar outro.

Porém, dentro do universo distorcido e da visão de mundo, digamos, peculiar, de grande parte dos fãs de heavy metal deste país tropical, indivíduos que sentem orgulho em vestir calças de couro em um calor de 40 graus, as coisas não são tão simples. Idiotas de 40 anos que se comportam como meninos mimados, espinhudos e virgens de 12, cujo elemento central de suas vidas limitadíssimas é o eterno e equivocado “deus metal”. Homens barbados e imaturos que levam como ofensa pessoal uma avaliação negativa de suas bandas favoritas. Neandertais que tem a certeza de que o Iced Earth é a melhor banda do mundo, Ripper Owens é um bom vocalista e Yngwie Malmsteen é o supra-sumo da guitarra.

Vou fazer uma revelação chocante, preparem-se: o “deus metal” não existe! Nesse aspecto, sou ateu desde criancinha e rejeito qualquer tipo de conversão. O metal não me escolheu, não apontou o dedo para mim. E, se um dia fizer isso, terei o imenso prazer de virar as costas para ele. Fui eu que encontrei o heavy metal pelo caminho e abri as portas da minha vida para ele. E, ao seu lado, fui caminhando passo a passo, andando em frente e descobrindo novas formas de abordar a música e produzir sons. A música já fez eu me sentir mais próximo de Deus inúmeras vezes, e em nenhuma delas o heavy metal foi o elemento catalisador. “Bohemian Rhapsody”, “Stairway to Heaven”, “Free Bird”, “Comfortably Numb”, “So What”, “A Love Supreme”, “Jesus etc”, “Tiny Dancer”: todas escadarias para o paraíso, luzes divinas que nos pegam nos braços em diversos momentos de nossas vidas. Algo que o heavy metal, por mais forte, emocional e apaixonante que possa ser - e realmente é -, jamais chegou perto de conseguir.

Ouvir música não tem nada a ver com radicalismo. É uma experiência pessoal, com significados diferentes para cada um. Por isso, você não tem o direito de, em nenhum momento, esboçar qualquer comentário a respeito do modo como eu vejo a música. Você,  que acredita de maneira cega que o mundo se resume a guitarras pesadas e vocais gritados, não tem o direito, o ingresso e a permissão de emitir qualquer opinião sobre as minhas opiniões. Você, que é um radical chato, um fanático idiota e indivíduo limitado, recebe, a partir deste momento, o mesmo tratamento irracional e sem concessões que adora aplicar a pessoas como eu, apontando o dedo e julgando tudo sem argumentos convincentes. O seu fanatismo ganha de volta, com orgulho e com a minha assinatura embaixo, uma intolerância fanática e tão imbecil quanto a sua. Resumindo: vá catar coquinho! Tire as fraldas e cresça. Saia debaixo da saia da sua mãe. Arrume uma mulher. Se não gostar, encontre o seu homem, não importa. Mas abra a sua cabeça e perceba que o mundo, a vida e os dias são muito maiores, complexos e coloridos do que a sua ignorância acredita.

Pegue o seu fundamentalismo musical e enfie bem fundo no meio do seu c*. Ali, ao lado dos seus excrementos, ele estará bem acompanhado e com o odor adequado. Suma daqui, delete a Collectors dos seus favoritos, não participe das nossas redes sociais. Siga falando m... a meu respeito e a respeito do site, porque essa seguirá sendo a maior alegria e a razão de ser da sua vida. Continue apoiando revistas que vendem reviews e cobram por entrevistas. Continue acessando sites que vendem suas opiniões. Siga ouvindo bandas ridículas como o Angra, que defecam pela boca, pelos dedos e por todos os poros do corpo desde o primeiro dia de suas vidas. Esse tipo de heavy metal, sem cérebro, sem senso crítico e sem evolução, é a sua cara. Você merece toda essa merda que está nas bancas brasileiras, nos sites do nosso país e no seu aparelho de som. Vá para bem longe daqui pra nunca mais voltar. Fica ao lado dos “escolhidos”, já que você é um deles.

Sigo ateu. Com minhas opiniões e o meu modo de pensar. E muito melhor sem a sua companhia.

Por Ricardo Seelig

Anathema: crítica de Distant Satellites (2014)

sexta-feira, julho 18, 2014
e.mo.ção: 1 - Complexo estado moral que envolve modificações da respiração, circulação e secreções, bem como repercussões mentais de excitação ou depressão; nas emoções intensas as funções intelectuais se desorganizam. 2 - Comoção, abalo (sentido físico ou moral).

Emoções são reações extremamente pessoais, um processo único sobre como cada um se sente em determinada situação. Mesmo tratando-se de simples acontecimentos, como a chuva batendo na janela, a cena de um filme, um banco vazio em um parque, ou a música que ouvimos, interpretamos cada uma delas de forma diferente. O mesmo vale para Distant Satellites, décimo disco de estúdio dos ingleses do Anathema, lançado pela Kscope Music no último dia 09 de junho.


Um ritmo incessante e repetitivo introduz a primeira parte de “The Lost Song”, uma hipnótica espiral sem direção definida que se torna cada vez mais brusca e incontrolável, um processo como atravessar de forma brutal a linha entre o adormecer e o sonhar. E depois de adentrado o mundo onírico, vem a sensação de estar flutuando, carregado lentamente até pousar sobre uma planície interminável, uma paisagem pura e simples que se estende até onde a vista alcança, representada pela segunda parte da música. Com uma das mais belas melodias criadas por Lee Douglas desde “A Natural Disaster” (a música, sim), o cenário muda aos poucos para algo mais carregado, um céu tomado por nuvens cinzentas enquanto a tranqüilidade se esvai.

“Dusk (Dark is Descending)” é o choque da percepção, de estar em um lugar ao qual não exatamente se pertence, quando é necessário tomar um tempo para fechar os olhos, respirar fundo e se concentrar enquanto a noite cai – e tanto a escuridão quanto a reflexão parecem trazer um alívio, de alguma forma. Como se uma distante lâmpada permanecesse acesa, um ponto iluminado a ser buscado (e talvez essa seja a sua razão de estar lá, de qualquer forma) que pinta de vermelho toda a sua volta. Há algo de esperança em “Ariel” e em como aquela luz no céu parece cada vez mais próxima quando finalmente se abre os olhos.


A jornada se encerra com “The Lost Song – Part 3”, a revelação e o alcance daquilo que se procurava, seguida por um crescente caos que se assemelha a versão reversa da espiral do início, puxando aos poucos para a realidade (interessante notar como as cinco primeiras faixas parecem formar uma única e longa suíte, calcada no mesmo ritmo personificado em infinitas variações de execução). Uma ideia que parece fazer ainda mais sentido com “Anathema”, música que leva o nome da banda (quase duas décadas e meia depois de sua formação e no ápice da carreira, parece justo) e, que muito além de parecer iniciar uma nova parte do álbum, traz uma aura autobiográfica, metalinguística à própria trajetória do grupo.
Talvez a representação da sua história até agora, e que algo pode mudar daqui pra frente.

Afinal, “You’re Not Alone”, com seu formato de fita enroscada assombrada pelo espírito do Porcupine Tree, é como um programa que parece ter chegado ao seu limite, um loop interrompido inesperadamente para dar passagem ao instrumental “Fireflight” e sua sucessão de notas esquisitas e incômodas, assemelhando-se à introdução de um velho filme esquecido sobre o espaço, cuja base permanece como o plano de fundo para “Distant Satellites”. E como se esse velho filme estivesse iniciando apenas agora, cria-se a imagem de um cosmonauta despertando de um estranho sonho, a bordo de uma máquina que já deixou de funcionar. Incapacitado, ele levanta-se e olha através do vidro da estação para uma longínqua luz, que um dia já foi a sua casa. A casa para qual ele jamais retornará.


A conflitante combinação de arranjo de cordas e efeitos eletrônicos mantém-se em evidência no desfecho de “Take Shelter”, uma faixa que poderia ter sido parte de We’re Here Because We’re Here, como o último fechar de olhos do personagem antes de se tornar parte da própria luz que se observava, tornando-se o observador. Uma belíssima metáfora (intencional ou não), tão subjetiva em sua interpretação quanto às próprias emoções e sentimentos que o disco passa.


Aparentemente o Anathema vem passando por um processo reverso nos últimos anos. Enquanto o doom primordial permanece como uma distante memória, o ápice atmosférico parece ter sido atingido, e gradativamente os ingleses vêm buscando um equilíbrio entre as infinitas camadas musicais, a melodia e o sentimento. E se Weather Systems se mostrava muito bem balanceado, essa exploração não apenas é continuada em Distant Satellites, como o grupo parece tentar sutis novas possibilidades e combinações, diferentes maneiras de representar a sua identidade. Além disso, conceitualmente se assemelha a um trabalho de reflexão, uma revisão de sua história e o início do planejamento sobre o primeiro passo daqui pra frente. Nada mal para uma banda repensar suas próprias idéias depois de mais de vinte anos em atividade – é ótimo, aliás.


Mas muito mais profundo do que isso, a subjetividade inerente a cada uma das composições e em como ela se desenvolve ao longo de Distant Satellites é assombrosamente uma experiência peculiar. Cada trecho e mudança de andamento podem impactar de uma forma pessoal e única cada um que acompanha a jornada do álbum, assim como pode ser diferente dependendo da situação em que se encontra em sua própria vida. E esta conexão musical que o Anathema pode proporcionar é algo que vem se tornando mais impressionante a cada novo trabalho.


Basta fechar os olhos. Respirar fundo. E deixar a música fluir.

Nota 9


1. The Lost Song – Part 1
2. The Lost Song – Part 2
3. Dusk (Dark is Descending)
4. Ariel
5. The Lost Song – Part 3
6. Anathema
7. You’re Not Alone
8. Firelight
9. Distant Satellites
10. Take Shelter


Por Rodrigo Carvalho

17 de jul de 2014

Espaço do Leitor: dúvidas, pedidos, sugestões

quinta-feira, julho 17, 2014
Salve amigos da Collectors Room. Bem, venho através desta elogiar o trabalho de vocês, belas matérias, etc ... Mas há tempos venho sentindo falta das entrevistas com colecionadores. Sou adepto do velho bolachão e curto muito a seção. Abraço.

Vidal Neto
via e-mail


Olá, Vidal. Obrigado pelo elogio e pelo apoio. As entrevistas com colecionadores foram importantes para a história da Collectors, mas não estão mais em nossos planos e em nossa pauta. O principal motivo é a absoluta falta de tempo para produzi-las. Siga acompanhando o site, tem mais coisas legais acontecendo por aqui também.

Olá. Tenho um encarte da programação do Rock in Rio I original da época e gostaria de saber se vocês conhecem algum colecionador que queria adquirir este produto.

Giselle Lourenço
via e-mail


Oi, Giselle. Publicamos a sua mensagem para esclarecer uma dúvida frequente dos leitores: não vendemos e nem compramos itens. Não somos uma loja, somos apenas um site dedicado à música.


Escrevo apenas para elogiar o incrível trabalho de vocês. Sou fã de longa data do site e admiro a equipe do Collectors Room pelo compromisso e trabalhoso respeitoso que vocês exercem em meio ao jornalismo musical. Nós, fãs, agradecemos. O nível dos reviews, dos debates e artigos, sem contar a organização textual, é muito acima do que vemos por aí. Continuem sempre assim. Felicidades a todos vocês, vocês merecem. Mesmo! Um abraço!

Jouberth Maia
via e-mail


Valeu, Jouberth. Mensagens como a sua não apenas nos dão incentivo para continuar, mas sobretudo a certeza de que estamos no caminho certo. Abraço!

Meu nome é Patrick Bitencourt, tenho 36 anos, sou médico e um grande entusiasta de boa música, mas principalmente de rock and roll e do metal e seus subgêneros. Esse email é apenas para manifestar meu apoio e admiração pelo trabalho que desenvolvem no site de vocês, parabéns, continuem o bom trabalho. Ah, e Killer be killed é realmente muito phoda. Abraço a todos.

Patrick Bitencourt
via e-mail


Obrigado pela mensagem, doutor. Seguiremos receitando doses generosas de boa música aos leitores.


Olá Ricardo e demais editores da Collectors Room, gostaria que vocês falassem um pouco sobre os relançamentos e reedições, se realmente vale a pena comprar novamente os mesmos discos (com faixas extras, versões alternativas das músicas e novos encartes), como por exemplo a coleção Discovery do Pink Floyd ou os relançamentos do Led Zeppelin, queria saber a opinião de vocês a respeito disso. Desde já obrigado pela atenção. Saudações.

Jadson Queiroz
via-email


Oi, Jadson. Se você é um colecionador e sente prazer em adquirir itens diferenciados, esses exemplos que você citou são aquisições muito interessantes para o seu acervo. Agora, pessoalmente, penso que não vale a pena nem continuar comprando itens físicos, já que os serviços de streaming como Spotify, Rdio e Deezer saciam plenamente o meu apetite musical. Parei de comprar itens faz tempo, e esse caminho é irreversível, ao menos para mim.


Fala Pessoal da Collectors! Tudo blz?  Gostaria de parabenizar o site pela excelente qualidade das matérias postadas. Eu tenho o site como referência para indicações de novos sons, e matérias informativas que são muito completas.  Conheci o site com as indicações de Shuggie Otis e Baby Huey e a partir daí, acompanhei quase diariamente tudo o que a Collectors publica. Acho muito importante a indicação de novas bandas, as seções As Novas Caras do Metal e Novas Bandas Brasileiras são algumas das minhas favoritas, porém gostaria de mais indicações de grupos soul, blues, funk e rock das antigas como os artistas já citados acima e também Phil Upchurch, Betty Davis, Sir Lord Baltimore, Pluto entre outras que eu conheci através da Collectors. Muito obrigado pelo espaço.

Rodrigo Silveira
via e-mail


Oi, Rodrigo. Está nos planos um mergulho profundo por esses caminhos que você citou, e ele deverá ser feito em breve. Falo apenas por mim, não pelos outros integrantes da equipe da CR, mas não tenho mais o mesmo tesão de antes para escrever sobre heavy metal. Adoro o gênero e o ouço diariamente, mas cansei de falar com o público de metal do Brasil, por uma série de motivos. É aquela clássica frase: o metal é o legal, o que estraga é o fã. Siga acompanhando o site que coisas boas virão pelo caminho.

Olá, galera da Collectors! Sou assíduo leitor do blog e, com absoluta certeza, devo, antes de tudo, agradecê-los pelo auxílio na formação do meu gosto musical, seja através de bandas novíssimas ou antigas - aquelas obscuridades maravilhosas -, e com isso pude abrir os ouvidos aos mais diversos gêneros musicais. Contudo, sem mais delongas, a questão é uma só: por que o rap/hip-hop não tem algum destaque maior? Com exceção ao Yeezus, e alguma citação em lista de melhores (desculpe-me, não sou bom para lembrar), não me recordo de mais nada relacionado a esse estilo tão fundamental quanto os outros.

Um abraço!

Pietro Mirandez
via e-mail


Pietro, não falamos muito de rap e hip hop por uma razão bastante simples: não conhecemos o suficiente deste mundo. Afora algumas audições esparsas, o gênero não é consumido por nenhum integrante de nossa equipe. Obrigado pelo apoio e pela mensagem.


Por Ricardo Seelig

Serpent Venom: crítica de Of Things Seen & Unseen (2014)

quinta-feira, julho 17, 2014
Prato cheio para maníacos por doom metal, o Serpent Venom é a prova cabal de que o gênero segue em alta ebulição, ainda que o estrondo gerado pela grande demanda occult rock tenha saturado um pouco as coisas nos últimos anos. De um lado está a música. Do outro, a estética. No entanto, por mais que ambas se entrelacem constantemente através de uma equação binária, no caso desse quarteto pesa muito mais a primeira variável. O que é salutar, diga-se.

Oriundo de Londres, um dos principais berços do doom, o Serpent Venom faz valer suas raízes. Porém, remete aos Estados Unidos a fonte primordial de influência na sonoridade da banda: Saint Vitus. Já havia sido assim quando da estreia com Carnal Altar (2011) e agora isso se repete em Of Things Seen & Unseen, lançado no final de junho. Outra referência, naturalmente, é o Black Sabbath. Warning e Pallbearer também são parâmetros válidos.

O que se ouve nos pouco menos de 50 minutos do novo trabalho é um doom metal tradicional e que se apega justamente aos conceitos fundamentais do estilo. Ao contrário de outras bandas contemporâneas, o Serpent Venom, formado em 2008, opta por não abrir tanta concessão ao experimentalismo e prefere perseguir uma rápida sedimentação de sua identidade. Algo normal para quem ainda tem menos de seis anos de estrada, mas que já mostra consistência.

Garry Rickett (vocal), Roland Scriver (guitarra), Nick Davies (baixo) e Paul Sutherland (bateria) fazem um som arrastado, mas que escapa tranquilamente da monotonia. Os riffs, pesadíssimos e com um belo timbre, puxam a lista de destaques, seguidos por uma voz característica ao gênero e que casa muito bem com a proposta. Sem invenção, a cozinha se mostra gorda e eficiente.

"The Penance You Pay" abre o disco com um riff doentio, que poderia estar em qualquer composição do mestre Tony Iommi. O ritmo marcial dificilmente se altera, mas cria um clima soturno ao fundir-se perfeitamente com a linha vocal. Em seguida vem "Sorrow's Bastard", totalmente Saint Vitus, pesada como uma bigorna e possivelmente a melhor e mais palatável em uma primeira audição. "Death Throes at Dawn" encerra a trinca inicial com maestria. Três músicas certeiras e que mostram que uma boa composição de doom metal não precisa, necessariamente, ter duração quilométrica.

"The Lords of Life" e "Pilgrims of the Sun" são as mais longas, mas nada que extrapole o bom senso. Há ainda "I Awake", interlúdio com violão acústico, "Let Them Starve", detentora do trecho mais veloz do álbum, e "Burning Free", responsável por um desfecho bastante satisfatório.

Of Things Seen & Unseen convence e se apresenta como uma grande sequência em relação a Carnal Altar, seu antecessor. Se por um lado talvez falte maior ousadia e até a presença de mais passagens rápidas, por outro o Serpent Venom compensa com desempenho inspirado, seja na execução ou no bom gosto das composições. A produção, que ficou a cargo de Chris Fielding (Electric Wizard, Capricorns, Conan, Taint, dentre outros), também é louvável.

Das coisas visíveis e invisíveis, algo é certo: ótimo disco e que, na concorrida seara do doom metal, figura fácil entre os melhores lançamentos de 2014. Ao menos até agora.

Nota: 8,5


Faixas

1 The Penance You Pay 5:26  
2 Sorrow's Bastard 6:01  
3 Death Throes at Dawn 5:34  
4 The Lords of Life 8:13  
5 I Awake 1:14  
6 Let Them Starve 4:47  
7 Pilgrims of the Sun 9:23  
8 Burning Free 7:45

Por Guilherme Gonçalves

16 de jul de 2014

O redentor sem alma do Judas Priest

quarta-feira, julho 16, 2014
4 de janeiro de 1984. Pouco mais de 30 anos atrás. Eu tinha apenas 11 anos na época, e passados 12 meses me apaixonaria perdidamente por uma das razões da minha vida: a música, o rock, o heavy metal. Nesse dia do início de 1984, a banda inglesa Judas Priest lançou o seu nono álbum de estúdio, Defenders of the Faith. Um ótimo trabalho, com canções excelentes como “Freewheel Burning”, “Jawbreaker”, “Rock Hard Ride Free”, “The Sentinel”, “Love Bites”, “Eat Me Alive”, “Some Heads Are Gonna Roll”... enfim, praticamente todo o tracklist é digno de elogios rasgados até hoje.

Passaram-se então dois anos, e em 14 de abril de 1986 desembarcou nas lojas o polêmico Turbo, que chocou os fãs por trazer um som menos pesado e repleto de teclados e guitarras sintetizadas. Lembro que gostei na época. Hoje, no entanto, apenas “Turbo Lover” passou no teste do tempo, e com nota bem mediana.

En 17 de maio de 1988 minha vida era recheada de guitarras pesadas e baterias aceleradas, e o Judas veio com Ram It Down, um trabalho que ouvi e não me chamou a atenção, e que sigo considerando um dos pontos mais baixos de sua discografia. Então, respondendo às críticas e querendo provar que ainda era relevante, a banda soltou em 3 de setembro de 1990 o aclamado (por vocês) Painkiller. Nessa época, faltavam exatos dois meses para eu completar 18 anos. Achei o disco ruim. Ainda acho. 24 anos depois, Painkiller segue soando aos meus ouvidos como uma tentativa desesperada de autoafirmação, com faixas embaladas em uma suposta agressividade e modernidade mas que não passam de canções, quando muito, apenas medianas. A música título, adorada pelos fãs, é o maior exemplo disso.

Então tudo veio abaixo e a banda se desintegrou. Rob Halford saiu do armário, montou o Fight e foi ver como o mundo estava. O quarteto restante ficou em estado de choque por um longo período e apenas colocou a cabeça para fora em 16 de outubro de 1997 com Jugulator. Com 25 anos na época, achei o disco uma M bem grande. E fiquei surpreso ao ver uma banda como o Judas Priest, uma lenda do heavy metal e um dos nomes mais importantes e influentes do gênero, se agarrar em um vocalista de uma banda cover como a salvação da lavoura. Ripper Owens é simpático e coisa e tal, mas como vocalista não passa de um gritador bombado e histérico.

Mais quatro anos, e em 16 de julho de 2001 o grupo soltou o segundo trabalho com Owens, Demolition. Exatamente neste mesmo período, saí de vez do Rio Grande do Sul e me mudei em definitivo para Santa Catarina, onde a minha vida deu um giro de 180 graus rumo ao infinito, e além. Mas o Judas continuou na mesma, com outra trabalho beirando a linha entre o ruim e o constrangedor. Então, agora sim para salvar a lavoura de vez, já que tanto a carreira da banda como a de seu ex-vocalista não andava bem das perna$, Rob Halford retornou ao grupo e juntos lançaram Angel of Retribution em 23 de fevereiro de 2005. Retribuindo não sei quem e sendo o anjo de raríssimos indivíduos, o disco foi coerente e manteve a baixa qualidade que o Judas Priest apresentou nos anos anteriores, derramendo litros de água fria e quilos de gelo sobre a cabeça dos fãs.

E provando que poderia descer ainda mais a ladeira, em 13 de junho de 2008 a banda inglesa colocou nas lojas o seu pior trabalho, o constrangedor e repleto de pretensão Nostradamus. Eu havia acabado de ser pai, o Matias tinha quase três meses, e tanto eu quanto ele passamos longe, e cada vez mais longe, das profecias equivocadas dos supostos metal gods.

Então o mundo parou. Por seis anos, tudo ficou em stand by para o Judas. Silêncio esse que foi quebrado em 11 de julho passado com o lançamento de Redeemer of Souls, o décimo-sétimo álbum de estúdio do grupo. E eu, que já não tenho 11 e sim 41 anos, fui ouvir o que essa banda que não lança nada digno de nota há três décadas tinha para os meus ouvidos. Com os dois pés atrás, coloquei o disco para rodar. E, para minha surpresa, ele não era nada daquilo que eu havia lido em vários reviews espalhados pelo mundo. Não há um retorno às origens em Redeemer of Souls. Ao invés disso, há um quinteto que soa como uma banda cover, pegando clichês e macetes do que melhor eles mesmos fizeram em uma passado muito distante e reapresentando ao público.

Trata-se de um álbum que é até difícil dar uma avaliação. É arrastado, sem energia. Um bando de músicos que já foram lendas mas que hoje soam preguiçosos e, com o perdão da palavra, totalmente ultrapassados e fora de contexto. Não há razão para Redeemer of Souls existir, a não ser preencher um vazio no coração de fãs que, assim como a banda, também ficaram parados no tempo. Se você, por ventura, comprar o CD, poderá usá-lo como porta-copos, porque como item musical ele não tem serventia.

E dá-lhe auto-chupação consciente em faixas como “Dragonaut”, o discurso de realidade paralela “Halls of Valhalla” (nem o Manowar teria tanta cara de pau para lançar uma música tão ruim quanto essa) e outras aberrações. Claro, alguém virá aos comentários e dirá que eu tenho que respeitar a banda pelo seu passado. Eu concordo com isso, mas só teria essa atitude se ela mesmo respeitasse a sua história, fato que não faz há pelos menos 30 anos. O papel da Collectors Room não é, nunca foi e jamais será o de passar a mão na cabeça, de esconder os fatos e ser condescendente com qualquer artistas só porque ele “tem uma história”. Eu também tenho, e ela andou pra frente nas últimas três décadas, ao contrário da banda inglesa. O que é “Hell & Back”? Sério que ninguém, um amigo próximo ou um produtor sincero, teve coragem de dizer que aquilo é contrangedor? E “Cold Blooded” então? Jesus ...

Se “Painkiller”, a música, já era questionável, “Metalizer” é pra jogar a toalha e morrer de vergonha alheia. Timbres de guitarra saturados em todo o disco, Halford usando a bengala não apenas para se apoiar, mas também para cantar. E a dupla de guitarristas não sendo cover de si mesma apenas porque um deles saiu fora e foi substituído por um clone de Zakk Wylde.

Não dá pra entender o motivo de Redeemer of Souls ter sido lançado, a não ser o de encher os bolsos com o dinheiro de fãs fanáticos. Mas até nisso ele não fará sentido, já que o mundo é diferente hoje do que era em 1984. Alguém, por favor, avise Halford e companhia que as pessoas não compram mais discos, portanto nem para esse objetivo o novo trabalho servirá.

Talvez eu tenha ficado mais velho e alguns aspectos do heavy metal tenham perdido o sentido para mim. Talvez eu esteja sendo exigente demais com uma banda que redefiniu o estilo. Talvez eu esteja errado e você, que gostou do disco, é que é o certo. Ou talvez eu seja apenas um chato encontrando cabelo em ovo. Em todos os casos, no entanto, não tenho a mínima dúvida em afirmar que esse disco do Judas Priest, o tal Redeemer of Souls, é um dos piores e mais fracos álbuns que eu ouvi na vida. E eu escutei eles várias vezes antes de chegar a essa conclusão, pra ter certeza de que não estava viajando.

Seguinte: vão pra casa, Rob, Glenn e companhia. Vocês já fizeram o que precisava ser feito. O que vier pela frente - como tem sido nos últimos 30 anos, é bom frisar - só irá queimar ainda mais o filme de vocês. Larguem o osso, porque está cheio de cachorro grande e com muito mais apetite na fila.

Forte abraço, e obrigado por tudo.

Por Ricardo Seelig

Os melhores discos de junho segundo a Collectors Room

quarta-feira, julho 16, 2014
Um mês farto, com alguns dos melhores lançamentos do ano até agora. Carvalho, Gonçalves, Neves e Seelig contam abaixo quais foram os seus discos favoritos lançados durante o mês de junho e explicam porque.

Caso tenha passado batido por algum deles, ouça já!

The Atlas Moth - The Old Believer

Perdas são processos complicados, por mais ralas ou profundas que sejam. Um ente querido, um objeto que te acompanha há anos, um lugar, uma parte do seu corpo ou uma ideia, tanto faz. A realidade é que jamais saímos ilesos ao lidar com elas – a diferença é como os efeitos são canalizados para continuarmos nossas vidas. E o The Atlas Moth, em seu terceiro disco, é praticamente um reflexo de toda a brutal turbulência pela qual a banda passou nos últimos anos, desde o absurdo An Ache for the Distance (de 2011): o sludge e o doom envoltos pelo black metal do início arrastadamente foi abrindo brechas para inesperadas inserções de elementos cada vez mais progressivos, atmosféricos e flutuantes, de um sentimento negativo assustadoramente natural e longe do habitual.

The Old Believer é praticamente uma jornada de reconstrução, conduzida por uma intrigante psicodelia lúgubre através de paisagens mortas e nubladas, além das influências neuróticas, assombrada por formas indecifráveis e pelas paradoxais vozes das consciências personificadas nos vômitos de Stavros Giannopoulos e na melancolia de David Kush. E assim o The Atlas Moth reergue de seus próprios escombros, em tarefa que pode se mostrar extremamente árdua (inclusive para os que analisam de fora), mas uma experiência necessária para que a crença da própria banda permaneça intacta após o caos. E, talvez além disso, ela se mostra muito mais fortalecida e única. (Rodrigo Carvalho)

Serpent Venom - Of Things Seen & Unseen

Prato cheio para maníacos por doom metal, o Serpent Venom é a prova cabal de que o gênero segue em alta ebulição, ainda que o estrondo gerado pela grande demanda occult rock tenha saturado um pouco as coisas nos últimos anos. De um lado está a música. Do outro, a estética. No entanto, por mais que ambas se entrelacem constantemente através de uma equação binária, no caso desse quarteto pesa muito mais a primeira variável. O que é salutar, diga-se.

O que se ouve nos pouco menos de 50 minutos de Of Things Seen & Unseen, segundo trabalho dessa banda de Londres, é um doom tradicional e que se apega aos conceitos fundamentais do estilo. A principal referência é Saint Vitus. Black Sabbath, Warning e Pallbearer também são parâmetros válidos.

Se por um lado talvez falte maior ousadia e até a presença de mais passagens rápidas, por outro o Serpent Venom compensa com desempenho inspirado, seja na execução ou no bom gosto das composições. Os principais destaques são as pedradas "Sorrow's Bastard", "Let Them Starve", "The Penance You Pay" e "The Lords of Life". Sem dúvida, um dos grandes discos de doom em 2014. (Guilherme Gonçalves)

Jack White - Lazaretto

O novo disco de Jack White é bom pra cacete. (Ricardo Seelig)

Mastodon - Once More ‘Round the Sun

Cercado de grande expectativa por parte dos fãs, o mais novo lançamento de inéditas do Mastodon chegou ao mercado sem a necessidade de provar nada a ninguém. Sim, pois contando com uma discografia impecavelmente formada por trabalhos não menos que excelentes, o quarteto norte-americano decidiu apostar suas fichas em um disco mais acessível e diversificado com Once More 'Round the Sun. A variedade vai do peso oriundo da melhor escola “Iommiana” de riffs em seu primeiro single, “High Road”, passando pelo refrão marcante e de fácil assimilação na excelente “The Motherload”, além de uma forte influência progressiva que fica evidenciada em “Aunt Lisa”, com seus riffs principais copiados descaradamente de “XYZ”, do Rush. Junte a isso tudo um primoroso trabalho vocal  que tem seu ápice em “Asleep in the Deep”. Com tanta qualidade e uma inspiração ímpar no atual cenário da música pesada, tinha tudo pra dar certo. E deu. Muito mais do que um dos melhores lançamentos de junho, este trabalho já vai automaticamente para a minha lista dos melhores do ano fácil, fácil. Se você ainda não se deu o privilégio de apreciar este disco, não perca mais tempo. Aliás, porque não escutá-lo mais uma vez? Lá vou eu! (Tiago Neves)

Equipe Collectors Room

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