13 de dez de 2014

Galeria de fotos: os últimos anos dos Beatles

sábado, dezembro 13, 2014
Oficialmente, os Beatles se separaram em 10 de abril de 1970, data em que Paul McCartney comunicou ao público que estava fora da banda. No entanto, esse processo vinha se arrastando há pelo menos dois anos, com os músicos cada vez mais distantes e com as suas diferenças levadas a um ponto crítico - há relatos inclusive de agressões físicas entre eles.

Essa galeria de fotos é dedicada aos dois últimos anos da carreira dos Beatles, 1969 e 1970. Aqui, o quarteto está muito diferente da imagem de seis anos antes, quando conquistaram o planeta com o seu primeiro LP, lançado am 1963. Nada de rostinhos bonitos. Sombrios, cobertos por longas barbas e cabelos desgrenhados, os quatro jovens ingleses deixavam transparecer a tensão e disputa interna pelas quais passavam.

John Lennon surge mais magro, cabeludo e com um ar de junkie justificado pelo seu consumo cada vez maior de heroína no período, droga a qual foi apresentado por Yoko Ono. Paul McCartney de cara limpa porém um tanto inchado, demonstrando no visual a diferença que tinha com os outros três integrantes - no fim das contas, a briga jurídica foi entre ele e o trio remanescente. George Harrison mergulhado em sua espiritualidade e mostrando ao mundo um rosto que se assemelhava ao de um messias religioso. E Ringo, que aqui começava o seu inferno pessoal no álcool, batalha que só venceria nos anos 2000.

Com vocês, os Beatles em seus últimos anos de vida:




 
 
 

Por Ricardo Seelig

12 de dez de 2014

Os melhores discos de 2014 na opinião de Guilherme Gonçalves

sexta-feira, dezembro 12, 2014
O ouvido do Guilherme é exigente. Foi criado em uma realidade repleta de riffs selvagens e guitarras agressivas, mas não se contenta com pouco, quer sempre mais. E vai atrás, todos os dias, de sons que conduzem o heavy metal por novos caminhos. Mas, simultaneamente, mantém-se sempre atento para a música de qualidade, seja lá onde ela esteja e de onde ela possa vir. Dono de um dos melhores textos da imprensa especializada brasileira - sim, sou baba ovo e fã pra caramba do seu estilo, assim como o do Rodrigo Carvalho -, o Guilherme conta pra gente, na lista abaixo, quais foram os melhores discos de 2014 na sua opinião. E também na do seu ouvido.

Para ouvir os discos, clique nos links.

Morbus Chron - Sweven

A Doença de Chron é uma enfermidade que, por meio de células imunológicas, ataca o intestino, causando a corrosão do tubo digestivo e da parede gastrointestinal. Uma das hipóteses é de que trata-se de um distúrbio autoimune, no qual o sistema de defesa agride o indivíduo. De certa forma, foi exatamente isso que o Morbus Chron provocou em sua sonoridade com o surpreendente Sweven. Fazendo jus ao próprio nome, a banda sueca obliterou parte do que criou em seu álbum de estreia e expeliu uma nova estética death metal. Muito mais ácida e original. Se Sleepers in the Rift (2011) apostava alto nos ensinamentos de Entombed, Grave, Carnage e Dismember, o novo trabalho rompe com esse caráter de simples tributo, extrapola a zona de conforto e expande com louvor as fronteiras do gênero.

Sharon Jones & The Dap-Kings - Give the People What They Want

Sharon Jones é a versão feminina de Charles Bradley. Ambos compartilham ao menos cinco aspectos que os aproximam de forma irrevogável: têm uma voz maravilhosa, contam com uma banda de apoio espetacular, iniciaram a carreira de forma tardia, integram o cast da Daptone Records e lançaram os melhores discos de música negra dos últimos anos. Give the People What They Want é um deles. Em seu novo trabalho, a cantora esbanja categoria e entrega ao mundo uma obra-prima do soul, do funk e das raízes da música norte-americana como um todo. O álbum pulsa e faz pulsar. Transborda energia, melodias geniais e um naipe de metais acachapante. Nem parece que Sharon acabou de sair de uma bem sucedida batalha contra o câncer. Ou, vai ver, foi justamente esse o catalisador de toda essa inspiração.

Horrendous - Ecdysis

Um album de death metal à moda antiga, com todos os predicados para figurar entre os pilares do gênero na transição entre as décadas de 80 e 90, mas ainda assim completamente inovador. Ecdysis, segundo e mais novo trabalho forjado pelo Horrendous, une tradição e vanguarda. Luz e sombra. Mescla o que de melhor já foi feito na cena da Flórida e na Escandinávia, sem abrir mão de uma pegada mezzo heavy/hard, mezzo progressiva. O carro-chefe são as linhas de guitarra, que transitam por riffs que poderiam ter saído da mente maligna de Chuck Schuldiner, da escola sueca ou até mesmo da fase Ride the Lightning, do Metallica. O disco, como um todo, é impregnado por variações e alternâncias construídas com precisão, mas de forma orgânica, natural e sem a necessidade de músicas longas, quilométricas.

Agalloch - The Serpent & The Sphere

Degustar um novo álbum do Agalloch é sempre prazeroso. E desafiador, acima de tudo. Existem bandas que fazem o básico e são geniais. Existem bandas que forçam uma certa complexidade e jogam tudo pelo ralo. Exatamente no meio do caminho, existe esse quarteto de Portland, nos Estados Unidos, que é dono de uma musicalidade impressionante e que consegue a façanha de ser rebuscado e objetivo ao mesmo tempo. Uma fórmula black metal, folk e post-rock que trilha por caminhos tortuosos, mas que chega nítida e redonda ao tímpano. Luz e sombra que se apresentam por meio de uma sinestesia encantadora e eficaz. Tem sido assim há quase 20 anos. E foi assim novamente neste belo The Serpent & The Sphere.

Jenny Lewis - Voyager

Qual o segredo para se fazer um disco pop bem legal, com canções bacanas e que encantam de imediato? Jenny Lewis certamente tem a resposta e a usou em Voyager. Melodias simples, mas inspiradas são um bom começo. O novo álbum da cantora, ex-Rilo Kiley, tem isso e muito mais. É despretensioso, direto e deixa as próprias composições falarem por si só, algo fundamental. Música boa é assim. Entra no cérebro sem tanto propósito, agrada e não sai mais. Tem hora que o singelo suplanta qualquer coisa. Na verdade, quase sempre é assim. E Jenny sabe bem fazer isso. Indo de Bowie a Patti Smith num instante.

The Admiral Sir Cloudesley Shovell - Check 'Em Before You Wreck 'Em

Nome esquisito, capa esquisita, mas o que o The Admiral Sir Cloudesley Shovell continua fazendo em seu segundo álbum é bastante simples: heavy/hard rock com tempero psicodélico. Ora rápido e direto, ora cadenciado e com uma veia doom, Check 'Em Before You Wreck 'Em bebe na fonte de onde vieram Blue Cheer, Sir Lord Baltimore, Black Sabbath, Bang e outros nomes da época embrionária do metal. As músicas mais trabalhadas são o destaque. Pesa a favor da banda o vocal singular de Johnny Gorilla, também responsável pelos riffs que sustentam toda a engrenagem desse trio britânico.

Temples - Sun Structures

A fórmula anda batida, não há quase nada de original, mas e daí? O poder das doze faixas presentes em Sun Structures é grande o suficiente para colocar o disco entre os melhores do ano. Não entre os mais inventivos e ousados. E ainda bem que não há essa pretensão. Nem sempre é preciso reinventar a roda para ser excelente. Claro que o Temples se deu bem por trilhar um caminho antes explorado por Tame Impala e até pelos goianos do Boogarins. Porém, o disco de estreia do quarteto britânico vai além do pop psicodélico e da obsessão pela fase Revolver, dos Beatles. Há uma mescla muito bem feita de soft rock, power pop e até glam 70's. Esse último, sobretudo no aspecto visual. Se a banda não se perder, pode ir longe.

Pallbearer - Foundations of Burden

Foundations of Burden não é um álbum fácil de se lidar. Arrastado, denso, frio e sorumbático são alguns dos adjetivos possíveis de serem empregados para classificar o segundo trabalho do Pallbearer. Você ouve duas, três vezes e as músicas ainda assim demoram a engrenar. Mesmo para um disco de doom metal. Entretanto, quando a ficha cai, pode esquecer. Aí o grande desafio passa a ser parar de mergulhar nas entranhas de cada uma das seis longas canções que o constituem. As guitarras de Devin Holt e Brett Campbell, extremamente graves, conduzem a trama que compõe o som desse quarteto, melancólico até a medula. O vocal tem um quê de Ozzy Osbourne, mas sem soar forçado ou pedante. Belo e complexo disco.

Thaw - Earth Ground

Não se sabe exatamente quando o Thaw foi formado. O certo é que a banda polonesa é recente e tem em Earth Ground, seu segundo álbum, um trabalho digno de aplausos, já que mesclar black metal e noise é para poucos. Muitos vêm tentando, mas, quase sempre, sem sucesso. O novo trabalho do grupo, por sua vez, encontra uma boa dose de equilíbrio, já que alterna com êxito passagens velozes, típicas do black metal norueguês, e outras mais atmosféricas, que conferem um certo diferencial à obra. Esqueça todo o barulho exagerado que se criou em cima do Deafheaven em 2013. Ouça Thaw e não olhe para trás.

Radio Moscow - Magical Dirt

Parker Griggs recrutou dois novos comparsas para o acompanhar em sua nave sedenta por hard rock 70's e adentrou 2014 ao lado de caras que certamente o desafiam como músico. Único membro da formação original do Radio Moscow, o guitarrita estava acostumado a atrair todos os holofotes. Contudo, o baixista Anthony Meier e, principalmente, o baterista Paul Marrone não só deram conta do recado, como também puseram suas marcas nas novas músicas. Isso fica nítido no quinto álbum de estúdio do grupo. Se talvez não possa ser considerado um trabalho brilhante do início ao fim, Magical Dirt se mostra forte e lembra alguns dos melhores momentos do Cactus. Isso sem falar em Black Sabbath. Se tivessem caprichado um pouco mais nas linhas vocais, talvez o disco estivesse cotado em uma posição melhor nessa lista.

Brasil, o país do heavy metal picareta

sexta-feira, dezembro 12, 2014
Em abril de 2012, o Metal Open Air deixou todo mundo com a boca aberta e as calças na mão ao prometer um festival de primeiro mundo, com dezenas de atrações, e entregar tudo, menos isso. Infra-estrutura precária, áreas de camping construídas em estábulos (com direito ao agradável odor destes recintos), equipamento de som inapropriado e o pior: das 40 bandas anunciadas, menos da metade tocou para o público. E, arrotando arrogância e sentindo-se acima de tudo isso, a cabeça (teoricamente) pensante por trás do festival saiu distribuindo ironias e xingamentos nas redes sociais, negando a sua responsabilidade sobre os fatos. Para relembrar ou saber o que rolou, aqui está o link com tudo o que publicamos sobre o MOA.

Não queria retomar esse assunto. Mas, passados mais de dois anos de todos estes acontecimentos, nada mudou. Os responsáveis pelo MOA seguem livres, leves e soltos, transitando por aí como se nada tivesse acontecido. Se duvidar, o cabeludo paulista que foi para o Maranhão atrás de um parceiro para realizar o festival, está à frente de uma das produtoras de shows ou agências de casting que trazem bandas gringas para o país desde então. Corporativista como a cena metal brasileira é, ninguém fala nada, todo mundo deixa assim, e ganha uns ingressos e umas cervejas geladas pra ficar quieto. É assim que funciona aqui neste país tropical.

Mas então acontece todo o rolo do Zoombie Ritual. Um festival com anos de história, e que descambou totalmente em sua edição 2014, que está acontecendo (ou deveria acontecer, vai saber …) neste fim de semana em Rio Negrinho (SC). Bandas cancelando seus shows a cada minuto, produtor sumido, grupos estrangeiros usando as redes sociais para denunciar as picaretagens dos produtores, músicos dando socos no responsável pelo evento (não sei se é verdade, mas se for não terá sido surpreendente).

Esta é a cena brasileira de heavy metal. Dominada por dois ou três grupos, revistas, gravadoras e sites, que lavam as mãos umas das outras em uma troca de favores infinita e cheia de rolos, maracutaias por baixo dos panos e falcatruas. Tem a revista que circula em todo o Brasil e apresenta para as bandas uma tabela de preços para resenhar seus discos. Quanto mais alto o valor, maior a nota. Tem a revista que, em troca de três anúncios em suas páginas, dá uma entrevista de brinde para o artista. Tem sites e publicações que constroem relações com gravadoras em troca de receber gratuitamente os seus materiais, e em contrapartida sempre elogiam os lançamentos destes selos, não importando se eles sejam bons ou ruins. Tem o conservadorismo do maior portal brasileiro dedicado ao rock e à música pesada, que posta matérias sobre Guns, Maiden e Metallica várias vezes por dia, como se o gênero se resumisse apenas aos nomes veteranos. Há um protecionismo, um grupo fechado, que domina tudo isso e dita o que o fã deve ouvir e, efetivamente, ouve - pelo menos uma grande parte deste público. 

Vocês sabem que eu transito por este meio há bastante tempo - desde 2004, pra ser mais exato. Neste período, tive contato com um monte de pessoas diferentes, escrevi para diversos sites e revistas, e vi coisas legais e outras nem tanto acontecendo. Por esse motivo, me afastei de veículos para os quais colaborei durante determinado período por justamente não concordar com os caminhos editoriais que eles seguiam, além de outros aspectos e políticas que me incomodavam e julgava incorretas. Assim, vim pra cá, pra Collectors, local onde tento levar aos leitores, todos os dias, o que julgo interessante e relevante na música. Ao lado dos colaboradores do site, temos o objetivo de sair do óbvio e mostrar que a música é muito mais do que aquilo que está na superfície. E, para nossa alegria, cada vez mais leitores tem embarcado com a gente neste processo.

Mas então, voltando lá para o início do texto, mais de dois anos depois do MOA acontece algo semelhante no ZOA - o que não deixa de ser irônico. Nada mudou no heavy metal produzido aqui no Brasil. Ele segue repleto de picaretas e pessoas más intencionadas. Segue repleto de músicos mimados que não toleram críticas. Segue longe, muito longe, de ser de fato uma cena com algo de profissional. Não temos uma imprensa especializada. Nossas revistas dedicadas ao gênero, e a grande maioria dos sites, são veículos saudosistas conduzidos por fãs. Não temos bandas relevantes mundo afora. A grande maioria repete fórmulas e dá voltas ao redor do próprio rabo, com sonoridades sem identidade. As que se destacam todo mundo sabe quem são, pois recebem elogios merecidos em todos os continentes - você sabe os nomes, não preciso dizer quem são. Não temos fãs de música pesada. Temos headbangers saudosistas, incapazes de montar um setlist diferente do Metallica, por exemplo, quando a banda dá carta branca para que eles façam as suas escolhas - e então, escolhem ouvir as mesmas músicas de sempre. Temos indivíduos que desfilam com bandanas como se estivessem deslocados no tempo e no espaço, rebolando pela Sunset Strip. Tênis de cano alto e coletes jeans que remetem à cena thrash com os mesmos nomes de sempre. E lojistas e gravadoras despreparados, desinformados e sem conhecimento, que enchem suas vitrines e catálogos com discos de artistas há anos irrelevantes, que possuem nicho de mercado apenas aqui neste país tropical.

Seria ótimo se o heavy metal aqui no Brasil fosse tratado de maneira mais profissional. Mas isso está longe de acontecer. Enquanto tivermos MOAs, ZOAs e coroas dando às cartas, tudo será cada vez mais estereotipado e ridículo, infelizmente.

Vamos esperar sentados. Pela mudança que não virá, e pelo próximo fiasco que acontecerá.

11 de dez de 2014

Os 20 melhores discos de heavy metal de 2014 segundo o About.com

quinta-feira, dezembro 11, 2014
Chad Bowar e a equipe especializada em Heavy Metal do portal About.com divulgaram a sua lista de melhores discos do ano. Tirando algumas escolhas questionáveis (o que o Judas Priest faz em um levantamento de melhores de 2014 segue sendo um mistério indissolúvel para nós), temos uma lista de respeito. A matéria original pode ser lida aqui.

Abaixo, o top 20 de Bowar e companhia:

20 Eyehategod - Eyehategod
19 Evergrey - Hymns for the Broken
18 Truckfighters - Universe
17 Incantation - Dirges of Elysium
16 Behemoth - The Satanist
15 Machine Head - Bloodstone & Diamonds
14 Opeth - Pale Communion
13 Midnight - No Mercy for Mayhem
12 Mastodon - Once More Round the Sun
11 Misery Index - The Killing Dogs
10 Godflesh - A World Lit Only by Fire
9 Morbus Chron - Sweven
8 Primordial - Where Greater Men Have Fallen
7 Cannibal Corpse - A Skeletal Domain
6 Panopticon - Roads to the North
5 Judas Priest - Redeemer of Souls
4 Blut Aus Nord - Memoria Vetusta III: Saturnian Poetry
3 Pallbearer - Foundations of Burden
2 YOB - Clearing the Path of Ascend
1 Triptykon - Melana Chasmata

Wilco - What’s Your 20? Essential Tracks 1994-2014 (2014)

quinta-feira, dezembro 11, 2014
Celebrando vinte anos de carreira, o Wilco lançou no último dia 17 de novembro a primeira compilação retrospectiva de sua história. What’s Your 20? Essential Tracks 1994-2014 traz trinta e oito faixas em dois discos, construindo um painel bastante completo do que de melhor a banda norte-americana entregou ao mundo nestas duas décadas de vida.

Organizado em forma cronológica, o álbum duplo mostra o desenvolvimento da sonoridade do Wilco, inicialmente calcada no alt. country mas que foi agregando elementos com o passar dos anos, resultando em uma identidade forte e única. Sempre melancólica e sentimental, a música da banda liderada pelo vocalista e guitarrista Jeff Tweedy apresenta uma profundidade inquietante, soando sempre em movimento.

Da influência inicial do country até os flertes explícitos com o psicodelismo, passando pelo namoro com o folk, pitadas de blues e a onipresença do rock, o Wilco pintou um quadro sonoro que coloca o grupo, de maneira fácil e sem muitas discussões, entre os principais nomes de sua geração. Figura central e fundamental do country alternativo ao lado do Whiskeytown de Ryan Adams, a banda de Chicago soube conduzir a sua carreira sem cair no lugar comum e na acomodação. Prova cabal disso é o fato de seu trabalho mais ousado, Yankee Hotel Foxtrot (2002), recusado pela Warner pelo fato de a gravadora não entender e não acreditar no disco, acabou se transformando em seu álbum mais emblemático e de maior sucesso.

What’s Your 20? Essential Tracks 1994-2014 faz jus a todos os clichês aplicados às coletâneas: é um ótimo apanhado sobre a carreira da banda e a melhor porta de entrada para quem ainda não conhece o Wilco.

Altamente recomendável.

Nota 9

Metal Hammer revela a sua lista de melhores álbuns de 2014

quinta-feira, dezembro 11, 2014
A nova edição da Metal Hammer, a principal revista especializada em heavy metal do planeta, traz a lista com os melhores discos do ano na opinião de sua equipe. Muitos você teve contato durante todo o ano aqui na Collectors, enquanto outros estão sendo apresentados aos nossos ouvidos apenas agora. Ou seja, está aí um ótimo guia para sangrar os ouvidos nas próximas semanas.

Abaixo, os 50 melhores discos de 2014 na opinião da Metal Hammer:

50 Accept - Blind Rage
49 Anaal Nathrakh - Desideratum
48 Autopsy - Tourniquets, Hacksaws and Graves
47 Bigelf - Into the Maelstrom
46 Black Label Society - Catacombs of the Black Vatican
45 Black Moth - Condemned to Hope
44 Black Stone Cherry - Magic Mountain
43 Blues Pills - Blues Pills
42 Bong - Stoner Rock
41 Crowbar - Symmetry in Black
40 Down - IV Part II
39 Godflesh - A World Lit Only by Fire
38 Hellyeah - Blood for Blood
37 Judas Priest - Redeemer of Souls
36 Killer Be Killed - Killer Be Killed
35 Mayhem - Esoteric Warfare
34 The Dwarves - The Dwarves Invented Rock ’n' Roll
33 The Haunted - Exit Wounds
32 Upon a Burning Body - The World is My Enemy
31 Xerath - III
30 Messenger - Illusory Blues
29 Pallbearer - Foundations of Burden
28 Orange Goblin - Back From the Abyss
27 Skindred - Kill the Power
26 Voices - London
25 Grand Magus - Triumph and Power
24 Beartooth - Disgusting
23 Casualties of Cool - Casualties of Cool
22 Architects - Lost Forever // Lost Together
21 Wovenhand - Refractory Obdurate
20 At the Gates - At War With Reality
19 Winterfylleth - The Divination of Antiquity
18 YOB - Clearing the Path of Ascend
17 Swans - To Be Kind
16 Scott Walker + Sunn O))) - Soused
15 Primordial - Where Greater Men Have Fallen
14 Alcest - Shelter
13 Devin Townsend - Z2
12 Suicide Silence - You Can’t Stop Me
11 Triptykon - Melana Chasmata
10 King 810 - Memoirs of a Murderer
9 Anathema - Distant Satellites
8 Marmozets - The Weird and Wonderful Marmozets
7 Electric Wizard - Time to Die
6 Opeth - Pale Communion
5 Sólstafir - Ótta
4 Slipknot - .5: The Gray Chapter
3 Mastodon - Once More Round the Sun
2 Machine Head - Bloodstone & Diamonds
1 Behemoth - The Satanist

Os melhores discos de 2014 na opinião de Rodrigo Carvalho

quinta-feira, dezembro 11, 2014
O Rodrigo tem um dos ouvidos mais inquietos do jornalismo musical brasileiro. Curioso, desafiador, aventureiro, está sempre em busca de sons surpreendentes, que fujam do óbvio e apresentem algo novo. Colaborador de longa data da Collectors, Rodrigo Carvalho revela na lista abaixo quais foram os melhores álbuns de 2014, na sua opinião.


Para ouvir os títulos, basta clicar nos links.

Bem diferente de 2013, 2014 foi um ano quase parado. Claro, a quantidade de lançamentos permaneceu em ritmo praticamente impossível de ser acompanhado. Mas comparando com o anterior, aparentemente não tivemos nenhum tipo de unanimidade ou presença garantida nas listas de fim de ano. Se isso é ruim? Claro que não. Há mais espaço para bandas que em outra situação ficariam injustamente de fora por conta do hype em cima de outras. E descobrir sons novos ou algo que ficou para trás é, sempre foi, e sempre será o mais interessante quando lemos este tipo de compilação.

Opeth – Pale Communion

Pale Communion é como um livro. Daqueles de linguagem rebuscada, capítulos longos e tramas complexas. Ao mesmo tempo em que a história intriga, é praticamente impossível deixá-la de lado ou deixar de pensar sobre o que vai acontecer assim que se fecham as páginas. E o álbum consegue despertar a mesma sensação de ser surpreendido a cada segundo, uma personificação das inspirações mais obscuras da banda, que mantém a exploração musical de suas raízes e identidade intactas. Não importa qual a ambição ou o foco do Opeth a cada trabalho, mas sim que, assim como uma história imemorial, contada ao longo de gerações, ele vem se tornando cada vez mais interessante com o passar do tempo.

Sólstafir – Ótta

Uma compilação de poemas sobre a Islândia em si, cada nota e cada verso de Ótta representam de forma contemplativa a sua própria ancestralidade, com o folclore e a história enveredados por entre as negras terras vulcânicas e os vales de gelo, levando a uma experiência meditativa que consegue unir a comunhão de si mesmo com todo o ambiente ao seu redor. Basta fechar os olhos. Entre a beleza e o caos, está a mais profunda viagem musical do ano.

Wolves Like Us – Black Soul Choir

Certos álbuns, quando ouvidos a primeira vez, podem se mostrar passageiros, ignoráveis e fadados a caírem no esquecimento, como uma pequena brasa que insistentemente permanece ardendo. Porém, devidamente cuidada, com o tempo é possível que essa centelha se torne um incêndio fora de controle e deixe severas sequelas em quem for atingido. Black Soul Choir é exatamente como essa brasa: na simplicidade de seus arranjos que mesclam hardcore, sludge e rock alternativo se esconde uma variedade de detalhes que funcionam como o combustível necessário para que as chamas se alastrem pela sua mente, e ali permaneçam queimando por muito tempo. 

Anaal Nathrakh – Desideratum

Uma besta biomecânica em rota de colisão com o universo, de proporções tão animalescas que é praticamente impossível mensurá-la com a mediocridade de nossas tecnologias. Como um instrumento do apocalipse, V.I.T.R.I.O.L. e Irrumator compõe a consciência deformada, o híbrido entre o que há de mais putridamente brutal no grindcore e no black metal e o incompreensível catalisado pelos efeitos eletrônicos e ambientações. O Anaal Nathrakh guia em direção ao iminente fim de uma forma que apenas as mais doentias mentes poderiam conceber.

Silver Snakes – Year of the Snake

Longe das praias, do centro comercial e dos estúdios de cinema em Los Angeles, há aquele subúrbio afastado, onde pessoas vivem de forma mais simples e com dramas bem diferentes da megalomaníaca extravagância que a cidade exporta para o mundo. Year of the Snake é quase uma trilha sonora para o entardecer de domingo destas regiões, uma variedade que vai do post-hardcore e do punk ao sludge e ao blues, que apenas a inspiração na própria realidade poderia proporcionar.

The Atlas Moth – The Old Believer

A reconstrução do The Atlas Moth nos últimos anos está muito além do nível musical. A sua jornada através de lugares assombrados, nublados e enevoados é resultado de uma overdose psicodélica que toca os mais frágeis pontos de uma mente já fragilizada. A equação é invertida em The Old Believer, e a atmosfera sobrepõe-se ao rastejar agonizante do composto de sludge, doom e black metal, mas ainda assim permanece perdida por sombras indecifráveis e em busca de uma luz em meio aos escombros que cobrem sua própria cabeça. 

Evergrey – Hymns for the Broken

Poucas bandas são capazes de transmitir sentimentos de forma tão sincera e angustiante quanto o Evergrey, principalmente em uma época em que as pessoas parecem estar cheias de dúvidas ou certezas questionáveis. Se a sua mais sombria fórmula progressiva permanece em plena ascensão a favor da interpretação, o transbordar de questões subjetivas e perturbações humanas parece mais fora de controle do que nunca. E é exatamente com essa libertação que os suecos reerguem-se para reivindicar o trono ao qual sempre tiveram direito.

Destrage – Are You Kidding Me? No.

Imagine que você tenha uma massa de pizza vazia e a simples missão de colocar nela tudo aquilo que mais gosta. Doce, salgado, amargo, azedo ou qualquer outra coisa, não importa. É basicamente o que o Destrage faz aqui, mas da forma mais bagunçada possível, com os ingredientes esparramando-se um sobre os outros e tornando-se algo que pode não ser bonito, mas inexplicavelmente tem um sabor bizarramente único e dos mais agradáveis

Soen – Tellurian

O mundo crepuscular ao qual o Soen é capaz de inserir se mostrava ainda um lugar cru, desolado e inexplorado em seu início. Mas Tellurian é como a ambientação natural da visão em relação a iminente escuridão: uma ferramenta capaz de lentamente enxergar a paisagem rica que se abre a sua frente com o passar do tempo, vasta e de impressionantes detalhes ocultos – a herança rítmica latina, a atmosfera opressora e as hipnotizantes vozes – que passariam despercebidos sob outra iluminação.


Encarar a morte de frente em um processo lento e agonizante possivelmente é a experiência mais perturbadora que um ser vivo pode passar. Ou você definha até o último suspiro ou vence e reergue-se com mais força do que nunca. The Satanist é a proclamação final dos poloneses, um urro direcionado ao mais profundo abismo e ao mais iluminado céu na forma de uma das mais dinâmicas e belíssimas obras de arte extrema. Uma obra que intriga e incomoda, mas com uma mensagem bem simples: o Behemoth escolheu viver. 

10 de dez de 2014

Nêmesis, de Mark Millar e Steve McNiven

quarta-feira, dezembro 10, 2014
Com roteiro de Mark Millar (Kick-Ass, Os Supremos, Guerra Civil, O Velho Logan e muitos outros) e arte de Steve McNiven (Guerra Civil, Guardiões da Galáxia, Novos Vingadores), Nêmesis foi lançada no Brasil em 2013 pela Panini Books, divisão responsável pelos álbuns de luxo da editora. 

A trama conta a história de um bilionário com traumas na infância que sai em busca de aventuras e vingança. Psicopata como o Batman, mas que escolheu o outro lado da força, atuando fora da lei e se transformando em um super vilão. Violenta, doentia e repleta de sangue - e quando eu digo isso, é necessário frisar: sangue, muito sangue, sangue mesmo! -, a história parece um roteiro de Quentin Tarantino dirigido por Michael Bay. Traduzindo: tem muita violência, é divertida e pra lá de exagerada. E por isso é tão legal!

Cheia de reviravoltas, a trama prende o leitor de maneira fácil, com a leitura das mais de 100 páginas fluindo de maneira rápida. A empatia com Nêmesis e seu contraponto, o respeitável e admirado chefe de polícia de Washington, é instantânea, com ambos disputando para ver quem conseguirá superar o outro em cada quadro. A arte de McNiven explora os aspectos da trama de Millar com perfeição, entregando páginas repleta de cores, montando um painel que enche os olhos. A escolha em vestir Nêmesis com um uniforme branco, devidamente banhado de litros de sangue enquanto a história se desenvolve, evidencia não somente a violência da trama mas também o rico aspecto visual da história. Já o texto de Millar é curto e direto, sem gorduras e diálogos desnecessários, conduzindo o leitor de maneira hipnotizante.

Sem maiores pretensões do que a diversão pura e simples, Nêmesis é uma leitura divertida, e essa característica fica ainda mais forte com a belíssima edição nacional lançada pela Panini, com capa dura e papel de luxo - além de posfácio de Millar, galeria de capas e rascunhos com os estudos dos personagens.

(Papel de luxo, lombada quadrada, capa dura, 116 páginas, formato 17x26)



9 de dez de 2014

Spin revela sua lista de melhores discos de 2014

terça-feira, dezembro 09, 2014
A revista norte-americana Spin também divulgou a sua lista de melhores do ano, e foi outro veículo a colocar o The War on Drugs no topo. 

A matéria original pode ser lida neste link, e a lista completa está abaixo:

50 Schoolboy Q - Oxymoron
49 Tacocat - NVM
48 Ben Frost - Aurora
47 TV on the Radio - Seeds
46 Hundred Waters - The Moon Rang Like a Bell
45 Eric Church - The Outsiders
44 Shabazz Palaces - Lese Majesty
43 Chali XCX - Sucker
42 Mac DeMarco - Salad Days
41 Lana Del Rey - Ultraviolence
40 Real Estate - Atlas
39 Afghan Whigs - Do to the Beast
38 Azealia Banks - Broke With Expensive Taste
37 Cymbals Eat Guitars - Lose
36 Young Thug & Bloody Jay - Black Portland
35 Homeboy Sandman - Hallways
34 Taulor Swift - 1989
33 Andy Stott - Fain in Strangers
32 Joyce Manor - Never Hungover Again
31 Sylvan Esso - Sylvan Esso
30 Ariel Pink - Pom Pom
29 Flight Facilities - Down to Earth
28 Ryan Adams - Ryan Adams
27 Pallbearer - Foundations of Burden
26 St. Vincent - St. Vincent
25 Freddie Gibbs & Madlib - Piñata
24 Protomartyr - Under Color of Official Right
23 Aphex Twin - Syro
22 Cloud Nothings - Here and Nowhere Else
21 FKA Twigs - LP1
20 ASTR - Varsity EP
19 Miranda Lambert - Platinum
18 YG - My Krazy Life
17 Swans - To Be Kind
16 Todd Terje - It’s Album Time
15 Sia - 1000 Forms of Fear
14 Against Me! - Transgender Dysphoria Blues
13 How to Dress Well - What is the Heart?
12 Spoon - They Want My Soul
11 Betty Who - Take Me When You Go
10 The New Pornographers - Brill Bruisers
9 Tune-Yards - Nikki Nack
8 Tinashe - Aquarius
7 Future Islands - Singles
6 Sun Kil Moon - Benji
5 Caribou - Our Love
4 Jenny Lewis - The Voyager
3 Run the Jewels - Run the Jewels 2
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8 de dez de 2014

Galeria de Fotos: 10 anos sem Dimebag

segunda-feira, dezembro 08, 2014
Dimebag Darrell. Um dos últimos grandes guitarristas do metal. Do rock. Da música. Da vida.

Senhor dos riffs. Dos solos improváveis. Do groove.

O cara que, com a sua guitarra, moldou grande parte do metal produzido a partir da década de 1990.

Sem Dimebag, sem o Pantera, o heavy metal não seria o que é hoje.

Não dá pra entender porque Dimebag foi assassinado. Assim como não dá pra entender porque Mark Chapman matou John Lennon. 

Passaram-se 10 anos, mas segue sendo inacreditável o que aconteceu.

Passaram-se 10 anos, e o Pantera continua fazendo falta.

Passaram-se 10 anos e irão passar mais 100, e ninguém soará igual a Dimebag Darrell.

Sentimos sua falta, brother. E hoje tomaremos um drink por você.












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