16 de jan de 2015

A história de Betty Davis, o furacão que mudou a vida de Miles Davis

sexta-feira, janeiro 16, 2015
Linda, sensual e com uma voz única, Betty Davis é uma das figuras mais influentes da história do funk. Nomes hoje consagrados como Red Hot Chili Peppers, Prince, The Roots, Rick James, Outkast, Erykah Badu e Macy Gray apresentam inegável influência da música repleta de personalidade e sensualidade da cantora, e não soariam como soam hoje caso Betty Davis não tivesse existido.

Nascida em 26 de julho de 1945 na cidade de Durham, no estado norte-americano da Carolina do Norte, Betty Mabry (seu sobrenome de batismo) mudou-se para Nova York no início da década de 60 e lá começou a trabalhar como modelo, realizando editoriais para revistas como Seventeen, Ebony e Glamour. O trabalho como modelo a projetou no cenário de celebridades da Big Apple, e a partir de 1966 Betty passou a frequentar as festas mais disputadas da cidade. Foi nesses eventos badalados que a bela modelo topou com artistas do porte de Sly Stone, Jimi Hendrix e Miles Davis, encontros que mudaram a sua vida para sempre.

A afinidade com Hendrix e Miles foi quase instantânea. Logo transformou-se em grande amiga do primeiro, fazendo parte do seu círculo íntimo. Em relação a Miles, a amizade evoluiu para um tórrido romance e os dois acabaram se casando em setembro de 1968. Com o casamento, Betty alterou o seu sobrenome para Davis, enquanto Miles mergulhou em uma das fases mais criativas e inovadoras de sua longa carreira.


O impacto do relacionamento entre Miles e Betty pode ser sentido com bastante evidência na trajetória do mítico trompetista. O álbum Filles de Kilimanjaro, lançado em 29 de janeiro de 1969, traz uma foto de Betty Davis na capa, além de uma faixa chamada "Mademoiselle Mabry (Miss Mabry)", gravada no mesmo mês do casamento dos dois e dedicada à cantora. Em sua autobiografia, Miles Davis credita a Betty, sua segunda esposa, a semente fundamental que o levou a explorar novos caminhos musicais no final dos anos sessenta, apresentando-o ao rock psicodélico da Jimi Hendrix Experience e ao funk inovador de Sly & Family Stone. A influência da música de Hendrix e de Stone na obra de Miles pode ser sentida em toda a sua plenitude no fantástico álbum duplo Bitches Brew, lançado em abril de 1970. Nesse disco, Miles Davis reinventou sua música, fundindo o jazz ao rock e ao funk em um trabalho que é considerado por muitos como o responsável pela criação de um novo gênero, o fusion.

Betty Davis também influenciou o visual de Miles no período em que esteve casa com o músico. Seu cabelereiro e seu estilista transformaram-se também no cabelereiro e no estilista de Miles, renovando a imagem e o figurino do trompetista, que passou a desfilar com um visual que refletia as inovações sonoras que estava produzindo naqueles anos, contrastando com o modo de vestir sóbrio e elegante dos tempos de Kind of Blue, de 1959.

O casamento chegou ao fim devido aos boatos e às desconfianças de Miles a respeito de um provável caso de Betty com Jimi Hendrix, affair esse sempre negado pela cantora. O fato é que Miles e Hendrix haviam se aproximado bastante e alimentavam a ideia de gravar juntos, plano esse que não se concretizou devido à morte precoce do genial guitarrista, em 28 de setembro de 1970.


Com a separação, Betty Davis mudou-se para Londres, onde retomou a sua carreira de modelo. Os anos ao lado de Miles fizeram com que Betty, que sempre gostou de música, se interessasse ainda mais pela coisa, e ela começou a compor algumas canções ainda na Inglaterra. De volta aos Estados Unidos, rumou para Los Angeles com a intenção de gravar um álbum ao lado do guitarrista Carlos Santana, mas isso acabou não acontecendo. A cantora, então, reuniu um grupo de talentosos músicos de funk da costa oeste e, com a ajuda de feras como Neal Schon (na época na banda de Santana), Larry Graham, Sylvester e as Pointer Sisters, registrou as canções que iriam fazer parte de seu primeiro álbum.

Lançado em 1973, Betty Davis, o disco, é um clássico incontestável do funk setentista. A principal característica do play é a alquimia perfeita entre grooves cheios de balanço e guitarras pesadas, como fica claro na faixa de abertura, a antológica "If I´m Luck I Might Get Picked Up". A voz de Betty varia entre momentos mais raivosos e gritados (como na já citada faixa que abre o disco) e outros mais sensuais e sussurrados, como em "Anti-Love Song". Outros destaques são "Walkin´ Up the Road", "Your Man, My Man", "Steppin´ in Her I Miller Shoes" (que fala sobre uma jovem garota vinda do interior com grandes sonhos, mas que acaba sendo vítima da indústria do entretenimento - segundo a própria Betty, a música fala de Devon Wilson, que namorou Jimi Hendrix no período em que o guitarrista e Betty eram grandes amigos. Wilson também foi homenageada por Hendrix na canção "Angel") e "Game is My Middle Name".


O álbum gerou reações contraditórias na imprensa. Ao mesmo tempo em que elogiavam os dotes vocais de Betty e o talento dos músicos de sua banda, os críticos reclamavam das letras sugestivas, repletas de insinuações sexuais, e da própria postura de Betty Davis, sexualmente explícita. Lembrem-se: estamos falando de uma cantora negra no início dos anos setenta nos Estados Unidos, falando abertamente de sexo. Imaginem só o reboliço que isso não causou!

O disco gerou dois singles, "If I´m Luck I Might Get Picked Up / Steppin´ In Her I Miller Shoes" e "Ooh Yeah / In the Meantime". "If I´m Luck I Might Get Picked Up" tocou bastante nas rádios, indo além dos limites da audiência negra. Mesmo assim, o trabalho não vendeu muito e acabou ficando fora de catálogo por quase vinte anos, até ser relançado em 1993 pelo selo Vinil Experience em CD e LP. Em 2007 o álbum ganhou uma bela versão em CD e LP pela gravadora Light in the Attic, que trouxe como bônus três faixas - "Come Take Me", "You Won´t See Me in the Morning" e "I Will Take That Ride".


Em 1974 chegou às lojas o seu segundo álbum, com o provocativo título de They Say I´m Different, embalado em uma capa onde Betty está vestida com um figurino que remete à mitologia egípcia. Menos rock e mais funk que a estreia, They Say I´m Different abre com a sensualíssima "Shoo-B-Doop and Cop Him", recheada pelos vocais manhosos da cantora. Esse segundo disco mantém a consistência do trabalho de Betty Davis e apresenta várias faixas de destaque, como a já citada "Shoo-B-Doop and Cop Him", "He Was a Big Freak", a sensacional "Don´t Call Her No Tramp", "70´s Blues", a balada "Special People" e a poderosa faixa-título.

Foi lançado apenas um single para o play, da faixa "Git in There", e a boa repercussão do álbum, aliada às performáticas apresentações ao vivo de Betty, fizeram seu nome crescer bastante entre os aficcionados pelo funk e pela então nascente cultura da dança, que levava multidões de jovens aos clubes noturnos de Nova York naquela primeira metade dos anos setenta e que culminaria, alguns anos mais tarde, com o surgimento da disco music.

O impacto positivo fez com que Betty Davis fosse contratada pela Island Records, deixando a Just Sunshine, gravadora que havia lançado seus dois primeiros discos. A estreia da cantora em uma major ocorreu com o lançamento de Nasty Gal, em 1975. O álbum mantém as características marcantes dos dois primeiros trabalhos, acrescentando marcantes tintas psicodélicas ao funk rock sensual de Betty. A capa explorava mais uma vez seu sex appeal, e o conteúdo do disco deixava isso ainda mais evidente. Entre as dez faixas do play, destaco a que dá nome ao álbum, "Talkin´ Trash", "Dedicated to the Press", a espetacular "F.U.N.K." - uma paulada visivelmente influenciada por Jimi Hendrix, e onde Betty clama pela presença do guitarrista de forma personalíssima -, a contagiante "Shut Off the Lights" e "This is It!". Dois singles foram lançados - "Shut Off the Lights / He Was a Big Freak" e "Talkin´ Trash / You and I" -, sendo que "Shut Off the Lights" tornou-se uma faixa obrigatória nos sets dos DJs mais antenados daquela época.

Ao mesmo tempo em que caía na graça de DJs e da juventude mais mente aberta, Betty Davis sofria críticas e boicotes por parte de grupos religiosos conservadores, que não gostavam nada de sua atitude abertamente sexual e de suas performances provocativas em cima dos palcos. Betty gravou em 1976 seu quarto álbum, Crashin´ from Passion, mas o trabalho não chegou a ser lançado. Desanimada, a cantora retirou-se da cena musical.


Com o passar dos anos os discos de Betty Davis foram redescobertos por colecionadores de todo o mundo, e um culto em torno da cantora começou a surgir. Esse renascimento alcançou o seu ápice em 1 de maio de 2007, quando a gravadora Light in the Attic Records relançou os dois primeiros LPs, Betty Davis e They Say I´m Different. A demanda foi tamanha que a Light in the Attic repetiu a dose em 2009, recolocando no mercado o terceiro disco de Betty, Nasty Gal, e o até então quarto trabalho dela, cujo título original era Crashin´ from Passion mas que foi relançado como Is It Love or Desire?. Todos esses relançamentos foram remasterizados e incluem extensos encartes com muitas informações. Um fato interessante é que Crashin´ from Passion, considerado por uma grande parcela dos críticos e pelos próprios músicos que o gravaram como o melhor trabalho da carreira de Betty, não viu a luz do dia por longos 33 anos, já que foi gravado em 1976 e lançado apenas em 2009. Para quem se interessar, em 2000 foi lançada uma excelente coletânea chamada Anti-Love: The Best of Betty Davis, que serve como perfeita introdução ao universo sonoro da cantora.

Betty Davis é, indiscutivelmente, uma das artistas mais influentes surgidas nos anos 1960 e 1970. Figura fundamental na transformação estética e sonora de Miles Davis, mutação essa que gerou obras-primas como In a Silent Way, Bitches Brew e Tribute to Jack Johnson, possui também uma ótima, apesar de curta, carreira solo, com discos sensacionais que merecem ser descobertos por toda e qualquer pessoa que gosta de música. Se você é uma delas, mergulhe agora mesmo em seus discos e descubra um universo repleto de balanço, groove e muita sensualidade.

Playlist Collectors Room: Shine Prog

sexta-feira, janeiro 16, 2015
Atendendo a pedido dos leitores, uma playlist dedicada totalmente ao rock progressivo. Mais de 40 faixas em quase 7 horas de músicas, passando por nomes clássicos e canções marcantes. 

Faltam faixas, é claro, principalmente King Crimson, que não está disponível no Spotify por decisão do próprio Robert Fripp. E tem bastante Pink Floyd por decisão minha mesmo, por ser um grande fã da banda ;-)

Como sempre, sugestões para futuras inclusões nessa playlist são bem-vindas.

Aumente o volume, abra as portas da percepção e mergulhe em um mar de música.

Old Man Gloom - The Ape of God (2014)

sexta-feira, janeiro 16, 2015
Aos desavisados, o Old Man Gloom é uma espécie de “supergrupo do lodo”, contando com o guitarrista e vocalista Aaron Turner (do finado e aclamado Isis), o baixista e vocalista Caleb Scofield (Cave In, Zozobra), Nate Newton na guitarra (Converge), além do baterista Santos Montano. Estes quatro estão juntos desde 1999 e unem elementos de sludge-metal, post-rock, crust, doom, noise e música ambiente. Algo realmente sujo e contemplativo.

Em agosto, a banda, através da sua gravadora Profund Lore, enviou o álbum para a imprensa – 3 meses antes do lançamento. Pode até ser um procedimento padrão usado por alguns artistas para ganhar releases, mas no caso do Old Man Gloom foi uma verdadeira jogada de marketing. Esta versão enviada à imprensa era falsa, uma condensação cuidadosamente editada de dois álbuns de mesmo nome, e isso foi revelado apenas uma semana antes da data de lançamento real (11 de novembro). Uma estratégia feita para irritar especificamente os sites que ganharam este “presente”, já que na mesma semana a versão fake já estava circulando em páginas de downloads – fazendo um protesto inteligente contra a pirataria e a falta de informação que a internet apresenta hoje.

O primeiro dos dois álbuns é um suspiro em meio a estímulos de uma violência dinâmica. “Fist of Fury” ascende o caos, com drones sendo construídos amargamente e os instrumentos sendo liberados aos poucos. Gritos profundos e desesperados são cortados. Já os nove minutos de “Shoulder Meat” conseguem trazer selvageria até nos momentos mais calmos, enquanto “Promise” brinca com atmosferas nebulosas e oscilantes. Mas talvez “Simia Dei” seja a faixa mais emblemática do registro, principalmente por alcançar a explosão em um terço do tempo que o Isis demoraria para chegar.

O segundo álbum é uma grotesca meditação sobre a fragilidade humana. “Burden” inicia esta segunda etapa com uma marcha de 13 minutos rumo a um abismo cada vez maior, onde ondas de ruídos são jogadas a quem quis se aventurar na obra. “Predators” trabalha na construção de camadas, enquanto os 12 tensos minutos de “A Hideous Nightmare Lies Upon the World” se preocupam mais em hipnotizar e energizar. Além disso, a colossal “Arrows to Our Hearts” expõe uma triste paranóia, provando mais do que nunca que essa dupla jornada de quase 90 minutos valeu a pena.

Nota 9

Por Giovanni Cabral, do Trajeto Alternativo

15 de jan de 2015

A história por trás da capa de Sgt. Peppers, o maior clássico dos Beatles

quinta-feira, janeiro 15, 2015
Provavelmente o disco mais famoso da história, e também um dos mais influentes álbuns já gravados, Sgt Peppers Lonely Hearts Club Band tem uma história tão rica quanto o seu impacto não só na música, mas na cultura pop como um todo.

Lançado originalmente em 1 de junho de 1967, Sgt Peppers virou o rock de cabeça para baixo com suas treze faixas, que traziam um refinamento e uma ousadia poucas vezes ouvida até então. Mas, além da música, outro aspecto de Sgt Peppers também chamou muita atenção: a sua capa. Criada pelo artista plástico e pintor Peter Blake, a capa traz uma montagem de imagens com diversas personalidades do século XX – nomes como Albert Einstein, Aleister Crowley, Bob Dylan, Edgar Allan Poe, Karl Marx, Lewis Caroll, Marilyn Monroe, Marlon Brando, Oscar Wilde, Tony Curtis, entre outros – ao lado de uma foto de John Lennon, Paul McCartney, George Harrison e Ringo Starr vestidos como sargentos, clicada pelo fotógrafo Michael Cooper.


Mas de onde surgiu a inspiração que fez Blake criar uma das imagens mais marcantes da história da música? A resposta está na Idade Média, mais precisamente no século XVI, na obra O Enterro do Conde de Orgaz, de autoria do pintor, escultor e arquiteto grego Doménikos Theotokópoulos. Pintada em 1586, a obra foi uma encomenda de Dom Andrés Núñez de Madrid em homenagem ao Senhor de Orgaz, Gonzalo Ruiz de Toledo, um dos maiores benfeitores da paróquia de Santo Tomé, na Espanha. O quadro foi concebido para ficar na capela onde localiza-se o túmulo do Senhor de Orgaz e até hoje permanece no mesmo local – a capela de Nossa Senhora da Concepção, na Igreja de Santo Tomé, em Toledo, na Espanha.

A similaridade entre a obra de El Greco e a colagem de Peter Blake é evidente. Não se pode provar que Blake se inspirou conscientemente em O Enterro do Conde de Orgaz para conceber a capa de Sgt Peppers Lonely Hearts Club Band, mas é correto supor que, ainda que inconscientemente, Peter Blake tenha encontrado uma referência na obra de El Greco, já que a pintura era largamente conhecida em todo o mundo em 1967.


De uma forma geral, ambas as composições tem o mesmo conceito: uma cena central sendo observada por personalidades. Na obra de El Greco estão presentes personagens como Santo Estevão, Santo Agostinho, monges e sacerdotes, dispostos em fileiras, uns sobrepondo os outros, exatamente da mesma maneira que Blake faria quatro séculos depois.

Como curiosidade, vale citar que O Enterro do Conde de Orgaz sofreu poucos reparos ao longo dos séculos. Em 1672 a obra teve a sua primeira limpeza e em 1975 sofreu uma grande restauração. O local em que está localizada é aberto para visitação, então, se você estiver dando uma volta por Toledo, vale a pena dar uma passada pela Igreja de Santo Tomé e conferir, ao vivo, uma das pinturas mais famosas da história e que serviu, mesmo de maneira inconsciente, como inspiração para uma das imagens mais emblemáticas do século XX.

Playlist Collectors Room: The Rolling Stones

quinta-feira, janeiro 15, 2015
50 faixas passando por todos os discos de estúdio da banda mais emblemática da história do rock. Uma, duas, três de cada álbum, começando em The Rolling Stones (1964) e chegando até A Bigger Bang (2009), e depois fazendo a viagem de volta. 60 anos de música em 3h30 de puro prazer.

Afinal, é apenas rock and roll, mas a gente adora!

14 de jan de 2015

Collectors Room Apresenta: Stone Machine

quarta-feira, janeiro 14, 2015
Quarteto norte-americano formado no início da década na cidade de Huntington.

O som é um hard rock setentista na veia de Free e Bad Company.

A banda já lançou três discos - Stone Machine (2012), American Honey (2012) e Rock Ain’t Dead (2014) -, todos trilhas perfeitas para pegar a estrada sem rumo.

Empunhe a sua air guitar e aumente o volume!

Playlist Collectors Room: Thin Lizzy

quarta-feira, janeiro 14, 2015
O Thin Lizzy foi uma das bandas responsáveis por popularizar e desenvolver a arte das guitarras gêmeas, elevando-a a outro patamar. Mas a banda não se resumia às seis cordas. O vocal de Phil Lynott, meio falado meio cantado, era único, assim como a bateria de Brian Downey, dona de uma batida singular.

A seguir, uma pequena playlist pra você ter contato ou relembrar o som do grupo, com vinte canções que estão entre o melhor que a banda produziu em toda a sua carreira. Uma coisa: a seleção vai até o álbum Black Rose: A Rock Legend (1979), e a razão é simples: considero os três últimos discos dos caras - Chinatown (1980), Renegade (1981) e Thunder and Lightning (1983) - muito abaixo dos demais, com uma sonoridade diferente, quase como se tivessem sido gravados por outra banda.

Aumente o volume!

13 de jan de 2015

Checklist #006

terça-feira, janeiro 13, 2015
O primeiro checklist de 2015. Aquela passada saudável nas bancas de revistas de todo o mundo, trazendo o que de melhor anda rolando nas principais publicações. Lembrando que todas as edições abaixo possuem versões mobile e/ou estão disponíveis para compra nos próprios sites de cada título.














Nova edição de Physical Graffiti chegará às lojas em fevereiro

terça-feira, janeiro 13, 2015
Dando sequência aos relançamentos de todos os álbuns da discografia do Led Zeppelin, a nova edição de Physical Graffiti chegará às lojas no próximo 24 de fevereiro repleta de atrativos. 

A versão deluxe do disco das janelinhas (também conhecido como o melhor álbum de rock de todos os tempos :-)) foi totalmente remasterizada pelo próprio Jimmy Page e traz sete faixas inéditas: novas versões para “In My Time of Dying” e “Houses of the Holy”; uma nova mixagem para “Trampled Under Foot” batizada como “Brandy & Coke”; e também novos takes de “Boogie with Stu”, “Kashmir" (um mix cru da orquestra com oito minutos de duração), “In the Light” com uma letra alternativa e “Everybody Makes It Through”.

Considerado por grande parte da crítica e dos fãs como o ápice criativo do Led Zeppelin, Physical Graffiti recebeu nada mais nada menos do que 16 certificados de platina somente nos Estados Unidos. A nova edição (tripla), assim como os relançamentos anteriores, traz uma nova arte de capa, além de encarte atualizado.

Collectors Room Apresenta: John J. Presley

terça-feira, janeiro 13, 2015
Outro Presley. Mas passa longe daquele que você conhece.

O negócio aqui é blues. Cavernoso, pesado, sombrio. E dos bons.

Uma mistura entre Muddy Waters e Howlin’ Wolf, acontecendo agora.

John J. Presley tem 27 anos e é inglês. De Birmingham, a mesma terra que deu ao mundo o Black Sabbath e o Judas Priest.

O cara lançou apenas dois singles até agora, ambos em 2014: “Honeybee" e “Left”. Ao todo, são só quatro músicas registradas - além das duas que dão nomes aos singles, também “Devil's Daughter” e “All That’s in Between”. 

O som é um blues soturno, com balanço e groove, além de uma bem-vinda dose de peso. O timbre de voz de Presley vai na escola de lendas como Captain Beefheart, Johnny Cash e Tom Waits, com aquele tom grave cativante. Já o instrumental é uma mistura de Jimi Hendrix com Black Keys.

Promete, e muito. 

Ouça abaixo:

12 de jan de 2015

Playlist Collectors Room: Ignorância

segunda-feira, janeiro 12, 2015
Ignorância. É a palavra que vem à mente quando ouvimos determinadas canções. Aquelas que mostram as bandas no auge de seus poderes, intensas em todos os sentidos. No peso, na agressividade, no feeling, ou tudo ao mesmo tempo e agora.

A ideia dessa playlist surgiu em um papo com o Chico, pai 2 do Matias, em uma conversa regada a música e cerveja - como sempre, diga-se de passagem. E ela foi aplicada por ele para definir a canção que abre essa seleção, a fantástica "People, Let's Stop the War", do Grand Funk. Partindo dela, listei mais quarenta e tantas, disponíveis abaixo pra você.

Faltou alguma? Certamente. Daí, cabe a você dizer o que também poderia entrar nos comentários.

Pra começar o ano com boa música, sempre.

Rob Zombie, o diretor de cinema

segunda-feira, janeiro 12, 2015
Robert Bartleh Cummings nasceu na pequena cidade de Haverhill, localizada no interior dos Estados Unidos, no estado de Massachusetts, em 12 de janeiro de 1965. Durante a década de 1980, Robert se tornou conhecido ao liderar uma banda que chamou bastante atenção na música pesada. Já com a alcunha Rob Zombie, esteve à frente do White Zombie por 13 anos, período em que lançou cinco discos que se destacaram por conter uma sonoridade que unia, sem maiores cerimônias, o peso do heavy metal à batidas eletrônicas, tudo amarrado por uma estética e letras que exploravam o universo dos filmes B – ou, se preferir, os chamados 'trash movies'. Entre os álbuns do White Zombie, recomendo La Sexorcisto: Devil Music Vol. 1 (1992) e Astro-Creep: 2000 – Songs of Love, Destruction and Other Synthetic Delusions of the Electric Head (1995).

Após o encerramento das atividades da banda, em setembro de 1998, Rob iniciou uma bem sucedida carreira solo seguindo a mesma sonoridade, porém apresentando ainda mais elementos teatrais em seus shows, transformando-se em uma espécie de Alice Cooper moderno. Entre os seus discos solo, valem uma audição os ótimos Hellbilly Deluxe (1998) e Zombie Live (2007), esse último ao vivo.

Porém, o objetivo desse texto não é falar da carreira musical de Rob Zombie, mas sim de uma outra atividade onde ele tem se destacado bastante: a de diretor de cinema. Apaixonado por filmes, o vocalista levou para a sétima arte a mesma estética que explorava em seus álbuns, alcançando resultados muito interessantes.





A estreia de Rob como diretor ocorreu em 2003 com House of 1000 Corpses (A Casa dos 1000 Corpos). O filme, escrito pelo próprio Zombie, se passa em 1977 e conta a história de dois casais que pegam a estrada juntos em busca de aventuras para escrever um livro. No entanto, acabam cruzando com um estranho palhaço chamado Capitão Spaulding (vivido pelo ator Sid Haig) e, a partir daí, acabam conhecendo uma estranha família liderada pela matriarca Mãe Firefly (Karen Black). A família tem hábitos estranhos, cultivam o sadismo e outros costumes não muito corretos. Já dá para imaginar o resto da história, certo?

A recepção da crítica foi negativa, com diversos comentários malhando o debut cinematográfico de Zombie, classificando o filme como confuso e de baixa qualidade. O excesso de personagens contribuiu para isso. Uma parcela do público também não engoliu o filme, porém, com o passar dos anos, A Casa dos 1000 Corpos foi ganhando status de cult.





Após esse início não muito animador, Rob Zombie acertou a mão em sua segunda tentativa. The Devil's Rejects (Rejeitados pelo Diabo, 2005) foi novamente escrito e produzido pelo vocalista. A trama é uma sequência do filme anterior, porém focada nos personagens mais carismáticos de A Casa dos 1000 Corpos: o já citado Capitão Spaulding e dois de seus filhos – Otis (Bill Moseley) e Baby (vivida pela bela esposa de Zombie, Sheri Moon). O filme é um road movie que relata a história de uma família de serial killers, e conta com inúmeras cenas violentas que remetem ao cinema de horror dos anos setenta, principalmente ao clássico O Massacre da Serra Elétrica, de 1974. Amarrando tudo, Zombie montou uma trilha sonora de altíssima qualidade, repleta de clássicos do rock norte-americano, com destaque para o Lynyrd Skynyrd e a Allman Brothers Band. A cena final, ao som da imortal “Freebird”, é antológica.

Como você já percebeu, há uma relação bem próxima com o que faz Quentin Tarantino, porém o que difere o trabalho de Zombie é a exploração muito maior da violência com uma pegada bem 'gore', com litros de sangue e cadáveres em profusão. O filme obteve boa recepção da crítica especializada, inclusive com o aval do cultuado escritor Stephen King, que o classificou como o nono melhor filme de 2005. Enfim, Rejeitados pelo Diabo é um excelente filme, indicado como porta de entrada para quem quer conhecer a carreira cinematográfica de Zombie.





O sucesso atraiu os olhares da indústria para o trabalho de Rob Zombie. Diversos rumores surgiram sobre projetos futuros, até que a Dimension Films anunciou que Rob seria o diretor da nova versão de Halloween, um dos grandes filmes da história do cinema de horror. Lançado em 2007, Halloween é uma pequena obra-prima, e isso se deve não às cenas de assassinato e violência que contém, mas sim à maneira sublime com que Rob Zombie conta a história do pequeno Michael Myers. O filme passa a metade de sua duração construindo o perfil do pequeno Myers (vivido pelo ótimo Daeg Faerch), que aos poucos vai descobrindo e dando vazão ao seu lado sádico, fazendo surgir um psicopata doentio e assustador. Mais uma vez, a presença de Sheri Moon é um dos destaques, como a mãe de Michael. Ao se tornar adulto, o personagem passa a ser vivido por Tyler Mane, ex-lutador norte-americano que ficou famoso ao interpretar o personagem Dentes de Sabre no primeiro filme da série X-Men.

Aqui há de se fazer um parênteses em relação à interpretação do ator Malcolm McDowell. Para quem não sabe, o papel mais famoso da carreira de Malcolm é a do mitológico Alex em Laranja Mecânica (1971), uma das obras-primas do diretor Stanley Kubrick. Em Halloween, McDowell vive o psicólogo Dr. Samuel Loomis, que trata do pequeno Michael e explora a sua história vendendo livros sensacionalistas. A performance de Malcolm é extremamente caricata, construindo um personagem que parece ter o carimbo '171' marcado na testa. Não sei se isso foi proposital ou não, porém tenho a impressão de que McDowell, após um início de carreira fascinante, se revelou um ator limitado que vive do passado, tentando encontrar pelo caminho outro personagem tão emblemático quanto Alex – o que, é óbvio, não irá conseguir.


Rob Zombie conseguiu em Halloween reconstruir de maneira brilhante a história de Michael Myers. É claro que a estética e o clima trash foram mantidos, porém o filme de Zombie coloca Myers novamente em seu lugar como um dos personagens mais assustadores do cinema, e não como a caricatura que se transformou graças às inúmeras continuações lançadas durante a década de 1980.

A crítica teve uma recepção ambígua em relação ao filme. Enquanto uma parcela detonou a película, outra elogiou o trabalho de Zombie. O público curtiu, e fez o filme, que teve um custo de 10 milhões de dólares, render 60 milhões.





O sucesso, é claro, levou a uma sequência. Porém, Halloween II, lançado em 2009, é muito inferior ao filme de 2007. Novamente escrito por Zombie, o filme se perde em sequências pretensiosas que tentam fazer uma ligação sobrenatural entre o pequeno Michael e sua figura adulta. Ainda que contenha algumas passagens interessantes, vale apenas como curiosidade, já que o resultado final é infinitamente inferior à primeira parte, o que é uma pena.

Entretanto, essa sequência de quatro filmes solidificou o nome de Rob Zombie como diretor, atraindo a atenção para o seu trabalho. Isso gerou frutos, como o convite para dirigir um dos episódios da oitava temporada da série CSI: Miami – o de número 16 daquele ano, chamado L.A..





Atualmente, Rob Zombie está trabalhando em um novo filme intitulado The Lords of Salem, com estreia prevista para 2012. Ainda não há maiores informações sobre a trama, a não ser que ela contará a história atual da cidade de Salem, que será infestada por bruxas. O curioso é que o título do filme é o mesmo de uma canção lançada por Zombie em seu terceiro álbum solo, Educated Horses, de 2006.

Independentemente de você ser um fã ou não da carreira musical de Rob, o seu trabalho como diretor merece uma conferida. Há pelo menos dois trabalhos excelentes nessa trajetória – Rejeitados pelo Diabo e Halloween -, que fazem uso de diversos elementos da cultura pop e de trilhas sonoras acima de qualquer suspeita para contar histórias muito interessantes. Caso você ainda não tenha tido contato com a carreira cinematográfica de Rob Zombie, recomendo com entusiasmo essa faceta, já que Rob conseguiu traduzir em imagens o conceito que explorava em seus discos. Portanto, prepare a pipoca, acomode-se no sofá e divirta-se!


(Matéria publicada originalmente em 11 de outubro de 2011, republicada em alusão aos 50 anos de Rob Zombie, comemorados hoje, 12 de janeiro)

Collectors Room Apresenta: Rival State

segunda-feira, janeiro 12, 2015
Quinteto neozelandês.

Rock dos bons.

O primeiro e único disco foi lançado em outubro passado e se chama Youth Tax.

As influências, apontadas pelo próprio grupo, são Rolling Stones, Black Rebel Motorcycle Club, Deftones e hip-hop. 

Ouvindo as seis faixas do debut, percebe-se um som energético e com refrãos fortes, com clara influência da sonoridade do rock alternativo norte-americano da década de 1990 e 2000. Nada que vá mudar o mundo, mas agradável e com grande potencial.

Ouça abaixo:

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