6 de fev de 2015

Playlist Collectors Room: jazz para iniciantes

sexta-feira, fevereiro 06, 2015
O jazz é um gênero apaixonante. No entanto, suas inúmeras variações criam uma barreira às vezes quase intransponível, dificultando o ouvinte não habituado ao estilo. 

Pensando nisso e atendendo a diversos pedidos dos leitores, montamos uma playlist com algumas das canções que funcionam como porta de entrada para o jazz. Clássicos, faixas de assimilação mais simples e não tão complexas, que colocam na roda toda a sutileza, elegância e bom gosto do gênero.

Be cool!

Playlist Collectors Room: tocando ZZ Top

sexta-feira, fevereiro 06, 2015
Preparamos uma seleção de versões para canções do ZZ Top, mostrando diferentes interpretações para os clássicos dos barbudos mais famosos do Texas.

Há desde o peso do metal até a melodia do country, passando pela profundidade do blues e a energia do rock, sempre desconstruindo e dando novas cores para canções que fazem parte da vida de todo fã de música.

Pra fechar, um pedido: se você conhecer e souber de algum cover que não está nessa playlist, por favor indique nos comentários e nós iremos atrás para tornar tudo ainda mais completo.

Aumenta!

5 de fev de 2015

Collectors Room Apresenta: Sons of Bill

quinta-feira, fevereiro 05, 2015
Banda natural de Charlottesville, na Virginia. 

Estados Unidos, é claro.

10 anos de carreira, quatro álbuns.

O som é classificado com Americana, mas dá pra traduzir como algo entre R.E.M. e Wilco, meio na praia do Decemberists.

Ou seja, rock com pitadas de country, melodias fortes, sentimento grudado nos acordes. E uma melancolia que sempre bate bem.

Pra limpar a cabeça e pegar a estrada sem rumo.

Ouça os discos nos players abaixo, e conte pra gente a sua impressão sobre o grupo nos comentários.

Discografia Comentada: KoЯn

quinta-feira, fevereiro 05, 2015
Apontados como um dos pioneiros do tão massacrado movimento nu-metal, o KoЯn vem demonstrando, com o passar dos anos, ser maior que o próprio gênero que ajudou a parir. Surgidos na Califórnia com uma espécie de som calcado em ritmos, afinações baixas e um vocal extremamente emotivo e sentimental, a banda fez sucesso nos anos de ouro do gênero, vendendo milhões de cópias de seus discos clássicos. Passados esses anos, o grupo seguiu em frente, lançando álbuns que passearam por influências diversas.

Formado atualmente pelo vocalista Jonathan Davis, James "Munky" Shaffer e Brian "Head" Welch nas guitarras, Reginald "Fieldy" Arvizu no contra-baixo e Ray Luzier na bateria, vêm de um disco lançado no ano de 2013 e, hoje, serão alvo de uma discografia comentada.


Ao todo são 10 discos de estúdio, dois discos ao vivo e três compilações, que serão brevemente comentadas no final da matéria. 

 KoЯn (1994)

O primeiro disco do KoЯn também é comumente apontado como o legítimo ponto de partida para o movimento nu-metal (mesmo que alguns críticos apontem Roots, do Sepultura, como sendo o primeiro, coisa que discordo). Desde a capa já se observa que este não é um álbum de clima suave, o que se evidencia nos temas das músicas, todas muito introspectivas e que contam a história de um oprimido Jonathan Davis, vítima de abuso sexual na infância e motivo de chacotas na escola por seu visual estranho.

No quesito instrumental  já notava-se que a banda tinha personalidade própria. As guitarras eram agora meros instrumentos para fazer bases e efeitos sonoros. Quem ditava as ordens eram os instrumentos de percussão, e nessa categoria o baixo se encontra como o protagonista. "Fieldy" não tem pena e simplesmente espanca as cordas como se fossem um conjunto percussivo, dando um clima funk muito bem-vindo a todas as músicas.

A interpretação vocal de Jonathan merece um parágrafo a parte. Extremamente sentimental e emotivo, Jonathan entrega um desempenho sensacional mas, acima de tudo, sincero. Ele sussurra, grita e canta com muita categoria, e não é de se exagerar que ele seja, atualmente, um dos grandes vocalistas de seu tempo.

Os destaques ficam para os singles liberados, porém, destaco principalmente "Shoots and Ladders", com uma gaita de fole no início e uma levada bem atípica até chegar em uma baita pancadaria grooveada. Além dessa, "Blind" com seu início clássico de toques no prato de condução e um riff estranho, para entrar em uma porradaria das boas. Além destas, "Ball Tongue" e o beat box mais estranho que já ouvi, "Clown" e "Faget", porém, o disco todo se nivela por cima, sendo uma boa porta de entrada para a musicalidade do KoЯn e influência para inúmeros conjuntos que quiseram se aventurar pelo novo estilo de heavy metal. Nota 8

Life is Peachy (1996)

Pouco mais de um ano: este foi o tempo necessário para que o KoЯn voltasse aos estúdios após sua estreia bem sucedida e uma turnê com o Biohazard e House of Pain. As dúvidas sobre a capacidade criativa de uma banda após debutar com um disco no mínimo ótimo são inevitáveis e podem gerar certa pressão por parte dos músicos e até da gravadora, querendo material equivalente ao primeiro álbum. Para nossa sorte, a prova de fogo foi cumprida, apesar de apresentar material um pouco mais irregular que sua estreia.

O disco já começa estranho com a curtíssima "Twist", mais um beat box de Jonathan e uma crítica aos que falaram mal de "Ball Tongue" do primeiro disco. Após a abertura não há pausa e já se inicia "Chi", uma paulada das melhores no seu início até entrar em mais uma ótima interpretação vocal de Jonathan em seu final. Na sequência, "Lost" mantém o nível em uma música bem climática, méritos para a dupla de guitarras, que conseguem encaixar sons até mesmo atmosféricos e cheios de efeitos, um dos destaques do disco.

"Swallow" é outro destaque imediato, com uma levada de baixo em menor evidência, ritmo mais acelerado até chegar em seu refrão, marcante e com mais uma ótima atuação de Jonathan. "Good God" foi um dos primeiros singles retirados e de longe é a melhor música do disco. Pesadíssima e com o baixo marcando o ritmo da música para que as guitarras entrem com sons aleatórios e climáticos, porém, o que transforma essa em uma das faixas mais ameaçadoras da banda é a interpretação vocal de Jonathan, que sussurra, berra e canta como se fosse um louco em um hospício. Outro single de sucesso retirado desse disco foi "A.D.I.D.A.S.", com um clipe legal e também um dos destaques.

Lá no começo eu mencionei que esse foi um bom sucessor, porém, mais irregular, e é justamente isso que irei explicar agora. A começar com "Porno Creep", curta instrumental com algumas vocalizações ao fundo e que não acrescentam nada ao disco. Juntam-se a ela a confusa "Mr. Rogers" e "K@#0%#", apenas um monte de palavrões cuspidos em uma música de ritmo bacana, mas nada marcante. O último single retirado do disco é "No Place to Hide", e que considero um dos mais fracos da banda pelo excesso de ideias que permeiam seus pouco mais de três minutos e meio. Dali para frente nada que se destaque muito, além de um cover de "Lowrider" do War e o encerramento com "Kill You", uma música obscura e um trabalho de guitarras interessante.

Apesar de conter alguns equívocos notáveis e não ser tão bom quanto sua estreia, esse disco já dava mostras de que a banda não ficaria acomodada em uma sonoridade que outrora dera certo. Nota 7,5

Follow the Leader (1998)

A crítica e até mesmo os próprios fãs sentem a necessidade de apontar o magnum-opus de uma banda, na intenção de tentar resumir, em apenas um disco, todas as características que essa banda fez anteriormente e subsequentemente. Não foi diferente com o KoЯn, que lançou, em 1998, seu melhor disco até o momento.

O tempo entre turnê e estúdio foi praticamente o mesmo entre o primeiro e o segundo disco, ou seja, pouco mais de um ano, suficiente para reunir, em estúdio, a síntese da sonoridade do KoЯn até aquela data, nem tão groove e homogêneo quanto a estreia, não tão "experimental" e variado quanto o antecessor. O resultado foi o seu melhor desempenho comercial até hoje: vendeu até agora cerca de 9 milhões de cópias apenas em solo norte-americano.

Nota-se maior equilíbrio de ideias em todas as faixas. Todas elas seguem o padrão de estruturas grooveadas e influenciadas pelo funk, mas sem deixar de apresentar novas sonoridades e mudanças, sendo a mais perceptível o papel das guitarras e o destaque dado para o baixo. Se nos dois discos anteriores haviam riffs em todas as faixas, aqui eles são deixados de lado para dar destaque pleno à parte percussiva, onde inclui-se o baixo. Às guitarras, coube o papel de criar climas, sons dissonantes e efeitos, auxiliando na construção de músicas mais soturnas.

Os destaques vão para "It's On" e seu ataque furioso de guitarras e baixo, "Freak on a Leach", sendo o single de sucesso do trabalho, além de "Got the Life" e seu ótimo trabalho de slaps de Fieldy. "Dead Bodies Everywere" e "Justin" também se sobressaem, sendo a segunda uma homenagem da banda a um pequeno fã do KoЯn que, à época, sofria de um tipo de câncer terminal (o minuto de silêncio antes de o trabalho iniciar foi em sua homenagem).

Mesmo sendo seu trabalho mais bem sucedido e, por consequência, seu melhor trabalho até a data, algumas faixas poderiam ter ficado de fora da relação, caso da parceria com o rapper Ice Cube em "Children of the KoЯn", que não acrescenta grandes pontos ao saldo final.

Este é o disco mais indicado para se conhecer os trabalhos do grupo, além de ser o resumo, a síntese dos trabalhos gravados até aquela data, mas não o resumo de tudo o que o KoЯn registrou em sua carreira. Nota 9,5

Issues (1999)

Sem perder muito tempo entre estúdio - disco - estúdio, a banda libera, um ano após sua maior conquista em termos de vendagens, seu quarto disco, o primeiro com Brendan O' Brien na produção.

Dou destaque para a produção, pois é um dos pontos que mais salta aos ouvidos logo nos primeiros minutos de "Falling Away From Me", faixa que realmente dá início ao novo álbum: o grave, que sempre era acentuado em todos os discos, aqui aparece saturado. Algumas notas do contrabaixo chegam a encobrir os outros instrumentos e até os vocais, tornando a apreciação do disco de certa forma incômoda.

Falando sobre as composições de modo geral, elas aparecem um pouco mais sombrias e com menos velocidade, mais cadenciadas, porém, sem apresentar grandes inovações se visto em comparação aos trabalhos anteriores.

Os destaques ficam por conta dos singles liberados, em especial a depressiva "Falling Away From Me" e "Somebody Someone". "Bag for Me" também destaca-se por ter um bom trabalho de bateria e refrão forte, da mesmo forma que o single "Make Me Bad".

Mesmo com início empolgante e singles que teriam, futuramente, presença obrigatória em seus shows, o álbum perde o ritmo, com algumas músicas que poderiam ser facilmente retiradas, à exemplo das várias vinhetas espalhadas por todo o álbum. "Hey Daddy" também é um dos equívocos, onde Jonathan perde a linha e exagera na sua interpretação.

Um disco irregular que tem como agravante a sua péssima gravação. Mesmo assim, merece ser conferido, principalmente pelos singles que contém. Nota 6

Untouchables (2002)

Este foi o maior período sem lançamentos da banda (3 anos), algo que, de certa forma, acabou ajudando, tendo em vista o resultado final alcançado em Untouchables. A gravação é anos-luz melhor do que o que foi visto em Issues, mas não é apenas esta a melhora.

As composições retornam mais experimentais, os andamentos são menos convencionais e há maior ênfase de efeitos e elementos eletrônicos. Como sempre, a banda mantém o alto nível dos singles, a começar com "Here to Stay", uma bela paulada e que serve de abertura do trabalho. "Thoughtless" aposta no refrão forte e uma base de baixo e bateria sólidos. Já "Alone I Break" é de longe o single mais atípico de todos: uma ótima composição acústica unida a efeitos eletrônicos, destaque positivo do álbum.

Excetuando os singles, o disco consegue manter o bom nível das composições, passando por "Make Believe", "Blame" e "Hating". Porém, cai de produtividade em sua parte final, a começar com "Beat It Upright" e "I'm Hiding" e seus excessos de breakdowns, enquanto "Wake Up Hate" é um equívoco eletrônico.


Um trabalho sólido, experimental e que serve para apagar a má impressão de Issues, mesmo com alguns deslizes no transcorrer da audição. Nota 7,5

Take a Look in the Mirror (2003)

Após um álbum ousado, porém de menor aceitação dos fãs, o KoЯn investe em Take a Look in the Mirror em uma volta a sua sonoridade clássica. O resultado: vendas maiores, fãs teoricamente felizes, mas um álbum fraco e que não tem força frente aos discos anteriores.

Um resumo extremamente curto pode ser feito: músicas repetitivas, ideias clonadas dos discos anteriores e passagens que simplesmente não impressionam. Como sempre, os singles são de qualidade e são as poucas faixas que salvam o álbum. "Right Now" acertadamente abre os trabalhos com uma música direta ao ponto, com riffs pesados e destaque para o baixo. "Y'All Want a Single" também investe no básico e acabou sendo a música mais conhecida do disco devido ao seu clipe e letras que criticam as corporações musicais norte-americanas. "Did My Time" é apenas boa, com uma interpretação conveniente de Jonathan no refrão, e só.

Take a Look in the Mirror representa o primeiro deslize criativo do grupo, não havendo grandes motivos para ser conferido nem por quem é fã de longa data. Nota 4

See You on the Other Side (2005)

O susto dos fãs ao fazerem a primeira audição de See You on the Other Side é justificável, pois as mudanças foram várias e em basicamente todos os aspectos. See You on the Other Side pode ser encarado como o passo adiante do que fora feito em Untouchables. Os flertes com música eletrônica e industrial, que eram apenas passagens e pinceladas sutis, aqui são descarados e a principal característica das músicas.

Um fato importante que ocorrera naquele período e que pode ter influenciado, mesmo que indiretamente, neste novo direcionamento, foi a saída do guitarrista e fundador do grupo "Head" por motivos religiosos. Como sempre, os singles mantém a qualidade, a começar por "Twisted Transistor", música que investe nas passagens eletrônica para criar um clima estranhamente dançante. "Coming Undone" tem riffs pesados, palmas ao fundo e um ótimo ritmo, um dos destaques do disco. "Politics" é uma música forte, com batidas diretas e riff certeiro.

O restante das músicas mantém o nível alto e surpreendem pelo clima sombrio e por suas peculiaridades, o que fica mais que evidente em "Hypocrites" e "10 or a 2-Way", com um trecho de gaita de fole arrepiante no seu trecho final, "Love Song" investe alto nos efeitos digitais e "Open Up" passa das linhas de baixo para trechos atmosféricos, sendo uma das músicas mais interessantes do trabalho. O único "deslize" do trabalho é "Liar", que não é ruim, mas soa deslocada do restante das músicas por soar comum demais.

Na opinião do redator, o melhor trabalho do grupo até a data, mas definitivamente o indico apenas para quem já conhece os trabalhos do KoЯn e para aqueles que não possuem nenhum tipo de preconceito musical. Nota 9,5

Untitled (2007)

Em Untitled, como é comumente conhecido o oitavo disco de estúdio da banda, ocorreu mais uma baixa entre integrantes. David Silveria, baterista de longa data, se afastou do grupo para poder passar mais tempo com sua família e administrar sua linha de restaurantes. O posto de baterista foi ocupado temporariamente por Terry Bozzio (Frank Zappa), Brooks Wackerman (Bad Religion) e pelo próprio Jonathan Davis.

Em resumo, é um trabalho majoritariamente de caráter experimental, talvez mais que seu antecessor. Esse fato deve-se em muito pela produção e mixagem de Atticus Ross, conhecido pelo seu trabalho junto de Trent Reznor, do Nine Inch Nails. Do nu-metal do início de carreira, restaram apenas algumas esparsas linhas de baixo características. O que se ouve em Untitled é um álbum de metal industrial em sua essência, algo que fica mais que evidente logo na pequena introdução que abre o trabalho.

Os singles intercalam em músicas muito boas e outras nem tanto. Enquanto "Evolution", primeira música divulgada, possui um refrão facilmente decorável, "Hold On" é uma faixa genérica até em suas tentativas experimentais. "Kiss", o último single liberado, possui um clima calmo peculiar e uma linha de piano de fundo que a tornam outro destaque.

Esse aspecto de oscilação é característica presente em todo o álbum. Nem todas as experimentações eletrônicas acabam funcionando. Enquanto "Startin Over" é uma das músicas mais interessantes da longa carreira do grupo, "Bitch, We Got a Problem" é uma música estranha e que não evolui nenhuma das ideias nela depositadas.

Um disco estranho, de audição dificultosa e que vai se tornando enfadonha com o passar das músicas, mesmo que com algumas boas ideias. Definitivamente indicado apenas a fãs de música industrial, com devidas ressalvas. Nota 5

KoЯn III: Remember Who You Are (2010)

O KoЯn levou pouco mais de três anos para liberar seu nono trabalho, o primeiro contando com Ray Luzier no posto de baterista e o terceiro disco com a produção de Ross Robinson, sendo seu último álbum com a banda o longínquo Life is Peachy.

A produção de Ross Robinson e até o título - relembre quem você é, em tradução livre - evidenciam que este se trata de mais um disco típico de "volta as raízes", o que já deixa os mais espertos com um pé atrás quanto a qualidade de seu conteúdo.

Sonoramente falando, trata-se dos mesmos arranjos clássicos da fase de ouro do KoЯn: muito groove, baixo em evidência, bateria ritmada, riffs fortes em baixa afinação e a clássica interpretação particular de Jonathan Davis. A produção que Ross Robinson trouxe para seu terceiro trabalho com a banda é extremamente direta e crua, sem modificações sonoras no estúdio e muito menos efeitos eletrônicos. O que temos aqui são os quatro integrantes e seus instrumentos fielmente registrados.

Pode-se dizer que III: Remember Who You Are sofre de problemas semelhantes a Take a Look in the Mirror, outro disco de volta as raízes, mas com um agravante a mais. As composições são basicamente releituras de suas melhores faixas, mas sem o mesmo frescor e brilho de seus êxitos passados, porém, o maior problema com este álbum é ele soar datado: se fosse dito que o CD fora gravado há 10 anos e só divulgado agora, ninguém questionaria.

Os singles apresentados são os mais fracos de toda a história da banda: nada memoráveis, sem nenhuma passagem surpreendente, apenas músicas homogêneas em um apanhado de 11 das mais fracas composições da carreira do grupo. O que é mais decepcionante é o disco ser fraco por não apresentar absolutamente nada de novo, diferente do anterior: ruim por sair de sua zona de conforto.

Decepção é palavra que traduz esse álbum para mim. Os fãs do KoЯn clássico terão todos os motivos do mundo para achar este um dos melhores registros da carreira do grupo, mas definitivamente "não colou" comigo. Nota 3

The Path of Totality (2011)

Gosto de dizer que The Path of Totality é uma espécie de Lulu para o KoЯn. Assim como tal, trata-se de um trabalho colaborativo, entre o KoЯn e vários DJ's e produtores de música dubstep. Outra semelhança é o ódio e desprezo de seus fãs para com ele.

O susto com o conteúdo de The Path of Totality é compreensível. A mudança sonora é total, não restando absolutamente nada do nu-metal característico, inclusive o próprio heavy metal é deixado completamente de lado em várias das faixas aqui presentes.

Antes de analisá-lo mais a fundo, devo dizer que sim, este é um bom álbum, desde que compreendido da maneira mais correta. Não se trata de um disco do KoЯn, mas sim de um disco de produtores de dubstep com a participação do KoЯn nas composições.

Estão envolvidos aqui produtores já consagrados deste gênero, como Skrillex, o trio Noisia, Jeff Abel dentre outros, e já pelos singles liberados é nítido que todos colocaram suas marcas registradas de maneira intensa em todas as faixas do álbum.

"Get Up!", o primeiro single liberado e contando com Skrillex na produção, consegue algo que enxergo como sendo uma façanha: dar sentido aos sons industriais sem cabeça das músicas do Skrillex em carreira solo, e de longe é uma das músicas mais fortes do disco todo. "Narcissistic Cannibal" foi o single menos execrado, mas apresenta muita ênfase em efeitos eletrônicos cíclicos, o que puxa a música para baixo. "Way Too Far", com produção de John Dadzie, usa o dubstep a seu favor, essencialmente na construção do clima perturbador de sua estrutura. Por fim, "Chaos Lives in Everything" possui ótimas batidas, bom refrão e uma paulada dubstep em seu trecho final.

O disco consegue se manter durante sua 13 faixas totais, possuindo poucas músicas consideradas realmente ruins, porém, o fator "repetitividade" acaba pesando da faixa 6 em diante, pois algumas músicas acabam sendo muito semelhantes umas as outras, mesmo os arranjos eletrônicos não sendo nada iguais de uma faixa à outra.

Resumindo: se você não for fã de música eletrônica (e pretende continuar não sendo) passe longe deste disco. Ouvindo com a devida atenção e com as informações devidamente claras, há boas chances de você notar as qualidades que o disco tem a oferecer. Nota 6,5

The Paradigm Shift (2013)

The Paradigm Shift é o décimo primeiro álbum de estúdio e o primeiro a contar com o guitarrista Brian "Head" Welch após o longínquo Take a Look in the Mirror. Pelas 11 faixas apresentadas neste trabalho, podemos perceber claramente que esta mudança surtiu efeito na banda.

Este talvez seja o disco mais equilibrado em termos de ideias desde Untitled e, com equilíbrio, me refiro a mescla de influências eletrônicas e de outros estilos com a sonoridade característica do grupo, que retorna com força total. O baixo volta com seu protagonismo, as guitarras de riffs pesados e muito groove estão de volta, mas há mais do que isso. A característica emotiva, presente explicitamente em seus primeiros trabalhhos, está de volta aqui, e muito disso se deve a interpretação vocal de Jonathan e ao uso de estruturas e efeitos que acentuam um clima mais intimista.

Estas mudanças já ficam claras nos singles. "Never Never" usa de efeitos eletrônicos para criar uma faixa estranhamente grande (na falta de melhores termos para defini-la). "Love & Meth" é uma faixa com DNA clássico do KoЯn, ao contraponto que "Spike in My Vein", música que remonta a parceria da banda com o trio Noisia, é uma pedrada experimental com um belo equilíbrio de música eletrônica com heavy metal, uma das mais fortes do disco.

Esta tendência de certa forma mais acessível - termo que uso de forma precavida - permeia basicamente todo o trabalho de forma implícita, mas natural. "Prey for Me" tem um bom refrão decorável. "Paranoid and Aroused" possui ritmos quebradíssimos cheios de efeitos de estúdio, mas sempre com uma interpretação sincera de Jonathan nos vocais.


Após vários discos em que a banda passeou pelos mais diversos extremos - da mediocridade previsível para a claustrofobia eletrônica - ouvir um álbum como The Paradigm Shift se torna uma atividade reconfortante. Grande trabalho e um dos melhores desde 2005. Nota 8

Compilações

Até o momento o KoЯn disponibilizou três compilações. A primeira, Greatest Hits, Vol. I, trata-se de um CD e um DVD que cobrem o período de Take a Look in the Mirror para trás e contém apenas os singles de sucesso destes discos e os covers de "Word Up", do grupo funk Cameo, e "Another Brick in the Wall”, do Pink Floyd. O DVD é um trecho de uma apresentação da banda no lendário CBGB. Como se trata de uma compilação dos singles de sucesso, não oferece grandes atrativos para os que já conhecem todos os discos da banda, sendo indicado àqueles que estão começando a descobri-la.

A segunda coletânea, KoЯn: Collected, foi disponibilizada pela Sony em 2009 e é a mais pobre de todas as três. A compilação ignora várias músicas significativas e promove algumas participações com artistas como Nas e Fred Durst, ambas de gosto duvidoso.

The Essential KoЯn, lançada em 2011, traz basicamente a mesma seleção de músicas de Greatest Hits, Vol I, ignorando completamente os singles dos discos lançados após Take a Look in the Mirror. Se for para ter alguma das três compilações, prefira a primeira, que traz um DVD de bônus e exclui várias musicas com participações "especiais".

Discos ao Vivo

O primeiro, Live & Rare, trata-se de uma compilação de músicas ao vivo lançada pela Epic Records logo após o fim do contrato da banda com a mesma. O disco possui várias faixas da apresentação no CBGB, algumas da apresentação no Woodstock '99 e duas registradas em estúdio. Pela falta de um material ao vivo oficial, este acaba sendo o registro mais digno da banda nos palcos, mesmo que algumas das músicas possuam baixa qualidade de áudio. 

O segundo registro trata-se de um MTV Unplugged e deve ser completamente ignorado. Algumas poucas boas ideias de arranjos até podem ser observados em "Blind" e "Hollow Life", mas o restante são apenas arranjos acústicos com influência espanhola ruins mal encaixados nas músicas.

Agora que você já sacou tudo que o KoЯn produziu, acesse a página da banda no Spotify e mergulhe na discografia dos caras, em uma audição atenciosa de todos os seus discos. 

Por Alisson Caetano Neves, do The Freak Zine

4 de fev de 2015

Playlist Collectors Room: Iron Maiden além do óbvio

quarta-feira, fevereiro 04, 2015
Todo mundo conhece o Iron Maiden. Mas será que conhece mesmo? Nessa playlist de pouco mais de 2 horas, compilamos 30 faixas que contém algumas das gemas um tanto esquecidas do repertório da banda, ausentes nos setlists do grupo inglês há anos. 

Passeamos por toda a discografia da Donzela, incluindo faixas de todos os álbuns de estúdio, e o resultado final é um seleção que, mesmo não contendo os maiores clássicos, mostra de novo e mais uma vez o porque de o Maiden ser considerado um dos maiores nomes da história do metal.

Up the Irons!!!

Veredito Collectors Room: Venom - From the Very Depths (2015)

quarta-feira, fevereiro 04, 2015
Primeira edição do Veredito Collectors Room em 2015, com uma análise coletiva daquele que julgamos o lançamento mais marcante de janeiro. Nossa equipe ouviu e emitiu a sua opinião sobre From the Very Depths, novo álbum do lendário Venom. 


Abaixo você lê o que Guilherme Gonçalves, Rodrigo Carvalho e Ricardo Seelig acharam do disco. E a gente deixa o convite: ouça também e deixe a sua opinião sobre o álbum nos comentários.


From the Very Depths é um disco comum. Medíocre. Na média. O que, para uma banda da importância do Venom, sempre será pouco. Vindo de quem protagonizou algumas das principais revoluções do heavy metal e criou praticamente todos os subgêneros relevantes dentro do estilo, fica devendo, e muito. Há bons momentos, mas que acabam ofuscados por inúmeras passagens e músicas desnecessárias. Ou seja, nada muito diferente de todos os últimos álbuns do Venom. Canções simples, com levadas que mesclam metal tradicional e punk, mas sem a inspiração de outrora. Ganchos óbvios e refrães de uma palavra só, quase sempre o título das 14 faixas - outro exagero sem razão. Sem querer adotar qualquer discurso saudosista, mas não há muita coisa que justifique novos discos do Venom a essa altura do campeonato. Os anteriores já haviam passado batido. De pontos positivos, destaca-se o vocal de Cronos, que jamais soa datado, e algumas poucas músicas, como "Long Haired Punks". Por outro lado, passe longe de "Smoke", "Evil Law", "Grinding Teeth" e da horrorosa capa. Seria melhor ter ido ouvir Welcome to Hell (1981) ou Black Metal (1982). Nota 6 (Guilherme Gonçalves)

Uma das mais influentes bandas das últimas quatro décadas, aquela que a música extrema deve prestar tanta reverência quanto ao próprio Cramunhão, o Venom traz em From the Very Depths nada muito diferente do turbilhão recente de riff blasfêmicos, assombrado por melodias que mais parecem ecos das torturas eternas do inferno e títulos tão demoníacos quanto o que a mente revoltada de um adolescente britânico poderia conceber. Cronos e seus amigos, em 2015, parecem aquele velho que fica encostado no balcão conversando sobre as trivialidades da vida, sempre disposto a contar uma boa história (de novo) ou uma piada suja (mais uma vez) para os jovens. E por mais que de alguma forma essa continue sendo uma boa forma de passar o tempo, elas não só não entretêm como antigamente, como já se contam histórias mais interessantes ou piadas ainda mais sujas por aí. Nota 6 (Rodrigo Carvalho)

Na minha opinião, o último disco do Venom que vale a pena é Metal Black (2006), lançado há quase uma década. De lá pra cá, a banda colocou no mercado discos apenas medianos, que soam como mais do mesmo. From the Very Depths é mais um deles. Quatorze faixas que soam, em sua maioria, insossas e apenas derivativas, como uma espécie de banda cover capenga do Motörhead e do próprio Venom. Como bem disse o Guilherme, a única que se salva é “Long Haired Punks”, e mesmo assim pero no mucho. O trio liderado pelo baixista e vocalista Cronos é o nome mais influente e importante de todo o metal extremo, a Pedra de Rosetta sobre a qual se desenvolveu todo o lado mais sombrio, sujo e demoníaco da música pesada. Por tudo isso, seria bem melhor que, ao invés de seguir lançando álbuns meia boca como seus últimos três trabalhos, o Venom desse um fim mais digno à sua carreira. Nota 4 (Ricardo Seelig)

Nosso veredito é 5,3

Checklist #008

quarta-feira, fevereiro 04, 2015
Novidades quentes nas bancas esta semana. Novas edições da Classic Rock, Metal Hammer e Prog, além de capas interessantes na Terrorizer e Iron Fist. Confira abaixo e também no site de cada uma das publicações - que, em sua maioria, também estão disponíveis em versões para tablets e smartphones.











3 de fev de 2015

Edições da revista Rock, A História e a Glória, digitalizadas e disponíveis para download

terça-feira, fevereiro 03, 2015
Publicada durante os anos 1970, a revista Rock, A História e a Glória, foi uma das primeiras publicações brasileiras especializada em música jovem, muito antes de Bizz, ShowBizz e afins.

Resgatando essa história, o paulista Marco Aurélio Realino realizou um trabalho arqueológico e digitalizou as 19 primeiras edições da revista, disponibilizando-as para download neste link

Uma ótima dica não só para quem quer saber mais sobre a história da crítica musical no Brasil, mas também como funcionava o jornalismo musical há 40 anos atrás.


Se eu fosse você, baixava e lia tudo.

2 de fev de 2015

High on Fire: 10 anos de Blessed Black Wings

segunda-feira, fevereiro 02, 2015
Matt Pike é um ícone da música lamacenta, e isto está estampado neste disco, que é um verdadeiro clássico perdido do gênero. Consagrado por ter sido o guitarrista do Sleep, viu a sua banda cair em ruínas no fim dos anos 90 devido a uma briga com a gravadora, que não estava disposta a lançar um álbum (Dopesmoker) contendo apenas uma música de 60 minutos. A desconstrução de um riff repetitivo em uma hora, da forma mais lenta, agonizante e humanamente possível.

Enquanto seus companheiros de Sleep montaram o projeto experimental Om, Mike decidiu continuar nessa linha stoner/doom formou o High on Fire em 1998, onde também assumiu os vocais. O disco aqui destacado é o terceiro registro da discografia da banda, sucedendo o então aclamado Surrounded by Thieves, de 2002. É o único com o baixista Joe Preston (Sunn O))), ex-Melvins), além de contar com o renomado Steve Albini na produção.

Albini é sempre lembrado por conseguir trazer o melhor som para uma banda, sem deixar de lado as características próprias dela. E é isso que ele consegue também aqui, tendo resultado um clima seco e intenso por todas as frentes. Ao contrário do álbum anterior, aqui o High on Fire não fica totalmente preso ao doom; o som é mais nítido e há momentos mais ágeis, beirando ao sludge-metal em certos pontos.

"Devilution" inicia o registro explicando o motivo das comparações com o Motörhead: a voz de Mike tem grunhidos semelhantes a de Lemmy. Além disto, o baixo e guitarra constroem uma parede sonora que é um soco na cara como só o veterano trio poderia criar. Mas no meio disto tudo, há também um clima mais negro e arrastado semelhante ao que o Slayer fez em "South of Heaven". Já "The Face of Oblivion" soa menos incendiária, não suave o suficiente para ser uma balada.

O álbum cresce a cada audição e não soa monótono, principalmente por fugir de alguns clichês do estilo, como os traços semi-acústicos típicos do Converge em "To Cross the Bridge", por exemplo. Merece ainda destaque a faixa-título, que apresenta 7 minutos épicos, bestiais e apocalípticos; os riffs pesados de "Anointing of Seer"; além da potente instrumental "Sons of Thunder". Um disco que consegue ser explosivo e marca os caminhos que a banda seguiria nos ótimos trabalhos posteriores.


Por Giovanni Cabral, do Trajeto Alternativo 

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