13 de fev de 2015

Blind Guardian - Beyond the Red Mirror (2015)

sexta-feira, fevereiro 13, 2015

Há muito tempo, era uma vez na cidade do veludo e da seda, quatro alemães que se tornaram lendas por conta de suas aventuras pelo mundo crepuscular. Por cenários fantasiosos que se tornaram cada vez mais complexos, desde epopéias sobre anéis, guerras até discussões religiosas e infinitas dimensões, o Blind Guardian se estabeleceu não apenas entre os maiores contadores de histórias do heavy metal, como se mantém há três décadas como um dos mais vanguardistas artistas de sua vertente e responsáveis por ainda manter o power metal interessante.

Beyond the Red Mirror é o décimo álbum da banda, e apresenta um conceito com relação direta ao clássico Imaginations from the Other Side (1995). Envolvendo realidades paralelas, fantasia e ficção científica em proporções épicas, é o primeiro desde At the Edge of Time (2010) e foi lançado pela Nuclear Blast no último dia 30 de janeiro, mantendo a tendência extremamente rebuscada e dramática dos últimos trabalhos.

Imagine-se sobrevoando uma paisagem que se estende por muito mais do que a vista alcança. Campos, vilarejos, lagos, montanhas, florestas, reinos, tudo é apresentado pelo coral de “The Ninth Wave” enquanto o sol se põe. Mas muito mais do que isso, esse universo também é formado por seres vivos, humanos e criaturas, política e fantasia, uma frágil paz, intrigas e revoluções complexas sobre um pano de fundo equilibrado de forma tênue entre o power metal no formato que apenas o Blind Guardian faz, a interpretação operística e os arranjos orquestrais com mais importância do que nunca. 

“Twilight of the Gods” traz o abandono final dos deuses, uma combinação dos momentos mais épicos do At the Edge of Time com a sempre remanescente herança dos tempos de salões crepusculares e lugares distantes. O anúncio de tempos negros que estão por chegar ressoa em “Prophecies” através das dimensões ligadas pelo espelho na forma do híbrido entre o dinamismo musical recente dos alemães e a aura carregada de Nightfall in Middle-Earth.

A confusão incompreensível das visões em “At The Edge of Time” apresenta uma banda completamente orquestral, uma narração literal e musical que dá prosseguimento à história de forma muito mais grandiosa e funcional do que já havia sido apresentado em “And Then There Was Silence” ou “Wheel of Time”, com profundidade que a torna peça singular em toda sua trajetória. E tratando-se em singularidade, “Ashes of Eternity” remete a A Twist in the Myth com uma roupagem menos palatável e mais intrigante, em ritmo marcial que remete diretamente às tragédias, campos de batalha e consequências do desenrolar do conceito.

O momento da última luta e do sacrifício vem em “The Holy Grail”, o derradeiro suspiro do personagem é uma reverência a Imaginations From the Other Side e tudo o que levou a este momento, os ritmos frenéticos, de andamentos e mudanças de margens pouco definidas, mas sempre acompanhadas por aquela melodia extremamente característica. A ascensão rumo ao clímax épico continua com “The Throne”, praticamente um musical complexo, uma peça artística que depende de inúmeros fatores para funcionar da forma devida. Muito semelhante aos momentos mais diversificados e interpretativos de A Night at the Opera, trabalha em prol da narrativa de forma que apenas os bardos conseguem fazer.

“Sacred Mind”, com sua letra corruptiva seria uma personificação do que poderia ter acontecido com o som do grupo em uma dimensão paralela, onde eles se enveredaram pela progressivo antes de terem se desgarrado tanto de suas influências primordiais, e talvez por isso remeta ainda mais àquela época mais crua. A balada “Miracle Machine”, conduzida pelo piano e acompanhada de um sutil arranjo orquestral, traz aquela reverência ao Queen, facilmente a mais marcante e com mais potencial composição do tipo desde o clássico intocável “The Bard’s Son – In the Forest”. Simples e no momento certo, precede o encerramento megalomaníaco de “The Grand Parade”, um epílogo digno de uma produção monumental em seus riquíssimos nove minutos.

Independente se o power metal se tornou obsoleto em um mundo cada vez mais preocupado com a brutalidade da realidade, em que as pessoas parecem ter criado prioridades vazias e perderam o tempo para simplesmente pensar e imaginar. Independente se hoje todos aqueles coros, orquestras, dragões, reinos, espadas lendárias e guerras heroicas não passam de uma nostalgia agradável, uma lembrança de uma época de nossas vidas em que as coisas pareciam mais simples. Independente que tenhamos ficado mais velhos e desbravado outros mundos musicais universo afora. Algumas bandas continuam sendo de alguma forma relevantes para sempre, e o Blind Guardian é uma delas.

Em Beyond The Red Mirror os alemães não apenas agregam de forma equilibrada praticamente todas as influencias que os acompanham ao longo destas três décadas de atividade (impossível não citar os álbuns a cada música analisada), como depois de todo esse tempo permanecem criativos dentro de sua proposta, intencionalmente agregando elementos que tornam a sua música algo cada vez mais completa e grandiosa dentro da conhecida singularidade, marcada por uma interpretação e uma dramaticidade que há muito não se ouvia.

Não apenas por conta dos arranjos orquestrais, muito mais reais e desempenhando papel mais importante do que nunca, e da noção de fugir das supostas amarras que o estilo havia ficado preso em seu ápice de saturação, mas também por todo o cuidado em escrever um conceito interessante, uma coerência entre cada uma das faixas e esmigalhar os limites entre suas dimensões de forma que cada segundo seja riquíssimo e inesperado.

O único porém permanece com relação à produção, novamente abafando o trabalho do percussionista Frederik Ehmke em detrimento das infinitas camadas de vozes e guitarras, tirando parte considerável do potencial em diversos momentos do álbum, principalmente no que diz respeito ao peso necessário para determinadas passagens. E infelizmente parece ter se tornado um vício difícil de ser corrigido.

Em todo caso, estamos diante de mais um capítulo de um legado histórico de clássicos indubitáveis da música, uma evolução que permanece intrigante e em ascensão a cada novo trabalho, explorando novos caminhos por um labirinto de espelhos que, se confuso no início, aos poucos se torna o seu próprio reino, de múltiplos e infinitos reflexos dentro deste mundo.

Um mundo onde o Blind Guardian reina sozinho.

Nota 9

Por Rodrigo Carvalho

Debate Collectors Room: o power metal ainda está vivo?

sexta-feira, fevereiro 13, 2015
Vocês, leitores, são a essência e a razão de ser da CR. Por este motivo, estamos criando uma nova série de posts onde a participação de cada um de vocês será essencial. A ideia é criar um grande debate virtual, com troca de argumentos e pontos de vista, sobre uma questão proposta pelo site.

Pra começar: o power metal ainda está vivo? Existe, atualmente, alguma banda fazendo algo realmente novo e inovador dentro do estilo, desenvolvendo-o e tirando-o da estagnação facilmente perceptível dos últimos anos? O gênero responsável pela formação de uma geração de ouvintes ainda tem algo de bom a entregar aos nossos ouvidos, ou dessa praia não sai mais nada?

Pra participar, basta ir até os comentários e expor a sua opinião. Vamos, juntos, tentar responder essa pergunta é descobrir novos sons dentro do bom e velho metal melódico, que foi tão marcante para muita gente (incluindo esse que vos escreve e pergunta).

12 de fev de 2015

Os melhores discos lançados em janeiro segundo o Heavy Metal About

quinta-feira, fevereiro 12, 2015
Alguns anos começam devagar, com poucos lançamentos de qualidade. Não é o caso de 2015, que chegou metendo o pé na porta. Leia abaixo as nossas escolhas para os melhores discos de metal lançados em janeiro.

Napalm Death - Apex Predator - Easy Meat

O Napalm Death continua não apenas intenso, com um line-up estável ao longo dos anos, mas sobretudo soa inquestionavelmente relevante. Ao invés de requentar as ideias que os fãs parecem desejar ad nauseum, a banda segue refinando constantemente a sua música e esse tendência continua a pleno vapor em Apex Predator - Easy Meat.

O álbum bate de imediato, mas a audição repetitiva torna a sua apreciação e entendimento muito mais profundos. Apex Predator - Easy Meat traz um Napalm Death furioso o suficiente para começar uma grande revolta, esmagando e saqueando tudo com o seu poderoso death metal e, simultaneamente, trazer diversos elementos para tornar o seu som ainda mais forte. Todo mundo tem o seu disco preferido do Napalm Death, e esse novo trabalho deve levantar algumas dúvidas sobre escolhas que pareciam definitivas.


Periphery - Juggernaut: Alpha & Omega

Juggernaut: Alpha & Omega mescla ainda mais o peso e a emoção dos discos anteriores da banda. Tendo em conta que tratam-se de álbuns de metal, o Periphery entrega algumas de suas canções mais pesadas até o momento.

Ambos os discos devem ser ouvidos na ordem e em conjunto para se compreender o grande alcance emotivo e a competência musical da banda. Juggernaut: Alpha & Omega é facilmente o ápice da carreira do Periphery e um forte concorrente, já, a álbum do ano.

Sylosis - Dormant Heart

Como em todos os lançamentos do Sylosis, os riffs de Josh Middleton são de alto nível e com alto potencial para quebrar pescoços. Ele executa perfeitamente a transição entre riffs pesados e intensos e guitarras metodologicamente trabalhadas. Josh também apresenta uma clara evolução em seus vocais guturais, além de compor grande parte das melodias do trabalho. Ele acrescenta melodias limpas e eficazes em faixas como “Overthrown" e “Mercy”, e isso acrescente ainda mais diversidade para o disco. 

Dormant Heart não apresenta muitas mudanças em relação ao trabalhos anteriores, mas traz o Sylosis afinando a sua mistura de thrash com death melódico, tornando-a ainda mais eficiente. Explorando a faceta progressiva de sua música, como na incrível “Quiescent”, os caminhos estão abertos para tornar o próximo álbum da banda ainda mais interessante.

Caïna - Settler of Unseen Shores

Uma almágama de black metal e post-metal com intervenções calmas e melodias introspectivas, o Caïna, do Reino Unido, tem geralmente recebido elogios em seus seis discos anteriores. Antes um projeto de um homem só, Andrew Curtis-Brignell, responsável por todos os vocais e instrumentos, o Caïna retorna com o vocalista Laurence Taylor (Cold Fell) dividindo as funções.

O resultado, Settler of Unseen Shores, é mais sombio do que a maioria dos trabalhos anteriores da banda, com uma ênfase maior em um black metal cheio de blastbeats, dissonâncias e vocais agressivos. Com apenas seis faixas, incluindo um encerramento com uma composição de 15 minutos, o álbum também apresenta alguns trechos mais calmos, mostrando a capacidade de Curtis-Brignell em reunir diversos elementos do gênero na construção de um resultado coeso.

Lord Dying - Poisoned Altars

A banda de Portland não apresenta exatamente novos caminhos em seu segundo álbum, mas produz um trabalho muito sólido - com a ajuda do produtor Joel Grind, do Toxic Holocaust -, mostrando uma evolução clara em relação à sua estreia, solidificando o seu som. 

O grupo também faz bom uso de amigos como Aaron Beam, do Red Fang, que participa de “An Open Sore”, uma das melhores músicos do álbum. Outros destaques são “A Wound Outside of Time” e “Suckling at the Teat of a She-Beast”.

Por Chad Bower, do Heavy Metal About

Tradução de Ricardo Seelig

Collectors Room Apresenta: The Cadillac Three

quinta-feira, fevereiro 12, 2015
Trio norte-americano.

Terra natal: Nashville.

Som: southern rock, com alguns flertes com o hard e com o country, como tem que ser.

Só um disco, por enquanto.

Tennessee Mojo foi lançado em 2013 e recebeu ótimas críticas e boa aceitação do público, culminando em uma turnê conjunta com o ZZ Top.

Rock pra ouvir alto e ouvindo Jack Daniels.

Record Store Day revela data e embaixador da edição 2015

quinta-feira, fevereiro 12, 2015
O tradicional Record Store Day, o famoso dia das lojas de discos, terá sua edição 2015 no dia 18 de abril e contará com Dave Grohl com embaixador oficial, posto que já foi ocupado por nomes como Ozzy Osbourne, Jack White e Iggy Pop em edições anteriores.

Vale lembrar que o RSD é cultuado entre os colecionadores não apenas por manter viva a magia e a força da cultura das lojas independentes de discos, mas também por contar com inúmeros lançamentos em edições limitadas, disponíveis apenas na data do evento e que costumam atingir valores elevados quando disponibilizadas em sites de vendas online.

Led Zeppelin: vídeo unboxing da nova edição de Physical Graffiti e música “inédita"

quinta-feira, fevereiro 12, 2015
O Led Zeppelin disponibilizou online a faixa “Brandy & Coke”, versão e mix original do que viria a ser a clássica “Trampled Under Foot”. Posso estar errado, mas a minha memória aponta algumas mudanças na letra. Confere, produção?

E para babar de vez, a banda também publicou um breve vídeo unboxing mostrando todo o material da edição Super Deluxe do disco das janelinhas.

O material chegará às lojas no próximo dia 23 de fevereiro nos formatos CD duplo, CD triplo, LP duplo, LP triplo e em um box com as edições em CD e vinil do álbum, mais livro e materiais de memorabília.

Delicie-se abaixo:

11 de fev de 2015

Playlist Collectors Room: Neil Young

quarta-feira, fevereiro 11, 2015
Um dos compositores mais influentes e emblemáticos do rock, em uma playlist feita especialmente para os seus ouvidos. 33 faixas pinçadas de toda a sua discografia, do início da carreira até os álbuns mais recentes.

Pra quem é fã, relembrar. Pra quem não conhece, se apaixonar.

Dê play e embarque no mundo de Neil Young com a gente!

Checklist #009

quarta-feira, fevereiro 11, 2015
As principais novidades das bancas esta semana incluem a nova edição da Paste, as gatas do hard e metal na Revolver, SNL na Rolling Stone, entre outras revistas bem interessantes. Vale lembrar que a grande maioria destas revistas possuem versões específicas para tablets e smartphones, e também podem ser adquiridas através dos seus sites oficiais.


Qual é a sua capa favorita?












10 de fev de 2015

Angra - Secret Garden (2015)

terça-feira, fevereiro 10, 2015
Secret Garden, oitavo disco de estúdio do Angra e o primeiro a contar com Fabio Lione (Rhapsody of Fire) nos vocais, chega em um momento conturbado para o grupo, que viu a saída de Edu Falaschi e Ricardo Confessori (voz e bateria, respectivamente) após uma apresentação patética no Rock in Rio 5, além de tensões internas mal resolvidas.

Apesar de todos os problemas, a banda segue em frente com o novo álbum que conta com várias participações ilustres e uma abordagem sonora ligeiramente diferente. Esse panorama conturbado e a mudança na sonoridade poderiam tornar essa análise difícil de ser feita mas, curiosamente, não é o que ocorre.

O power metal dá as caras em momentos esparsos e de forma quase discreta. A influência de metal progressivo é latente no disco todo, desde as linhas truncadas da bateria, aqui a cargo do competente Bruno Valverde, até o trabalho vocal de Fábio Lione, quase idêntico ao de James LaBrie. Em vários momentos, tive a impressão de se tratar de um disco do Dream Theater.

A facilidade em chegar a uma conclusão sobre este disco tem uma razão simples: todas as 10 faixas são apenas composições esquecíveis, nada memoráveis e extremamente derivativas. Não foram poucos os momentos que não sabia mais em que música o álbum estava.

As várias participações especiais espalhadas pelo disco pouco ou nada contribuem para o resultado final. A faixa-título, interpretada pela linda Simone Simons é apenas uma balada genérica, idêntica a peças compostas pela própria em sua banda principal, o Epica. Doro Pesch aparece dividindo os vocais com Lione em "Crushing Room", uma música que tem alguns riffs interessantes mas é apenas genérica e, como dito anteriormente, completamente esquecível. Nem comentarei nada sobre os backing vocals do ridículo Detonator (Bruno Sutter) e não por serem horríveis, mas por estar me perguntando até agora onde eles estão (pois creditado ele foi).

Os fãs do Angra "das antigas" irão se sentir em casa com "Perfect Symmetry" e "Black Hearted Soul", os únicos momentos unicamente power metal do disco. A primeira, uma boa música, que cumpre o seu papel, enquanto a segunda é ruim, muito devido a fraca interpretação de Fabio Lione.

Outro ponto que pesa contra o álbum são os vocais de Lione, quase um clone de James LaBrie, algo que por si só não é um elogio. Monótonos durante todos os 50 minutos do disco, não passam a intensidade e a potência que um vocal deste gênero pedem (ouvir "Storm of Emotions" foi torturante).

Dentre os poucos momentos dignos de maiores atenções, merece destaque "Final Light", que possui riffs potentes, andamentos cadenciados e um bom trabalho percussivo. O restante das músicas possuem destaques individuais, como os trabalhos percussivos e de bateria e as linhas de baixo de Felipe Andreoli, porém, é muito pouco para sustentar um álbum.

Mesmo que possua algumas passagens em que a intensão da banda era claramente fugir da obviedade, o disco, no geral, é apenas fraco e está longe de ser representativo frente a outras obras do próprio Angra. Recomendado apenas para os fãs mais ferrenhos. Caso você não se enquadre nesse grupo, deixe a audição para outra hora, mesmo que você esteja interessado em conferir algo de metal progressivo. Se este foi o caso, existem coisas muito mais interessantes para os seus ouvidos.

Nota 4

Por Alisson Caetano, do The Freak Zine

9 de fev de 2015

AC/DC e o triunfo da reconstrução

segunda-feira, fevereiro 09, 2015
19 de fevereiro de 1980. Ronald Belford Scott, vocalista do AC/DC, é encontrado morto dentro do seu carro, um Renault 5, sufocado pelo próprio vômito após uma noite de intensa bebedeira - como tantas outras de sua vida, algo comum até então.

25 de julho de 1980. Back in Black, sexto álbum do AC/DC, é lançado em todo o mundo e transforma-se em um fenômeno de vendas, alcançando as primeiras posições em diversas áreas do planeta. Segundo dados da indústria fonográfica, o disco é o segundo álbum mais vendido de todos os tempos - dependendo da fonte, o título ocupa o primeiro posto.

Pouco mais de cinco meses. Esse é o período entre o choque pela morte de Scott e a renascimento com Back in Black. Não dá meio ano. E mudou o AC/DC para sempre. O trabalho anterior, Highway to Hell (1979), já havia colocado a banda em outro status, como uma das maiores e mais promissoras do hard rock. Mas foi o improvável passo seguinte que levou o AC/DC, de maneira permanente, ao olimpo do rock. Foi Back in Black que transformou o AC/DC em lenda.

Até a morte repentina de Scott, a banda havia trabalhado com ele em algumas das faixas que estariam no disco. No entanto, grande parcela do álbum foi composta e finalizada somente após a partida de Bon, com Brian Johnson assumindo as letras e Angus e Malcolm despejando riffs em memória de seu falecido vocalista.


Esse texto, na verdade, não tem o objetivo de contar a história de Back in Black. Ela está facilmente disponível na internet pra quem estiver interessado. O que buscamos aqui é realçar o quão improvável foi a aceitação e o sucesso do álbum, fruto de um período extremamente complicado e sombrio para o grupo. Basta fazer uma associação com o último disco do AC/DC, o mediano Rock or Bust, lançado no final de 2014 em uma situação digamos que similar, com o afastamento de Malcolm por motivo de saúde. O primeiro é excelente. O segundo é um arremedo do que a banda foi um dia.

Há um fato curioso sobre a edição brasileira de Back in Black. A versão lançada no Brasil teve a ordem das músicas trocada, fazendo que o lado A fosse o lado B, e vice-versa. Assim, uma geração conheceu o AC/DC no Brasil dos anos 1980 através do seu disco de maior sucesso, que aqui em nosso país tropical abria com a clássica faixa-título e seu riff imortal, seguida pela não menos impactante “You Shook Me All Night Long”. Lá fora, a ordem original era outra, com “Hells Bells” abrindo os trabalhos. Isso só foi corrigido quando o disco saiu em CD por aqui, mas aí o estrago já estava feito.


Tenho uma teoria sobre isso. Na minha visão, o impacto imediato de “Back in Black”, a música, é muito maior que a de “Hells Bells”, apesar de as duas serem composições excelentes. E a sequência inspirada, colocando fogo no pavio com “You Shook Me All Night Long”, “Have a Drink on Me”, “Shake a Leg” e “Rock and Roll Ain’t Noise Pollution”, cativou e formou uma geração de fãs apaixonados pelos australianos. Em um exercício de puro devaneio, me pergunto se o impacto sobre aquela geração brasileira da década de 1980, da qual faço parte, teria sido a mesma se a ordem das faixas tivesse sido lançada da maneira correta.

Independente da resposta, o fato é que Back in Black é não apenas o disco de maior sucesso e um dos melhores trabalhos do AC/DC, como, sobretudo, um dos maiores exemplos de superação e volta por cima da história da música. Um álbum que nos dá a lição, a cada nova audição, de que por maior que seja a dificuldade que estejamos passando, sempre é possível seguir em frente. Que a dor é uma fonte de inspiração tão forte, ou até mesmo maior, que a alegria de um novo dia.

Back in Black é eterno. O AC/DC é eterno. Como o rock, como a vida, como a gente.


Playlist Collectors Room: Metal 2015

segunda-feira, fevereiro 09, 2015
2015 mal começou, é verdade. Estamos todos naquela fase de dar uma olhada nos álbuns dos últimos anos, redescobrindo velhas bandas, revisitando uns discos favoritos e tudo mais. Mas os lançamentos, por alguma razão, não param.

Desde o primeiro dia de janeiro, já somos surpreendidos com horas e mais horas de música, suficiente para preenchermos cada segundo de nosso dia. E a ideia desta playlist é exatamente essa: semanalmente atualizaremos com os álbuns que estão sendo lançados e disponibilizados no Spotify – dos mais desconhecidos aos nomes mais clássicos, das estreias aos retornos, de todos os lugares do mundo. Não apenas uma forma de organizar, como também uma boa oportunidade para conhecer novas bandas.


O ano está em movimento. E a viagem tem tudo para ser tão interessante quanto as que já se passaram.


Pra ficar mais fácil acompanhar as atualizações, o link para este post ficará na aba RÁDIOS do menu principal do site.


 


Por Rodrigo Carvalho

ONLINE

PAGEVIEWS

PESQUISE