27 de fev de 2015

Debate Collectors Room: o retorno das mesmas bandas versus a falta de espaço para novas atrações na agenda de shows realizados no Brasil

sexta-feira, fevereiro 27, 2015
Neste semana, o Metallica foi anunciado como uma das atrações da edição de 30 anos do Rock in Rio, que acontecerá daqui há alguns meses. A reação dos fãs variou entre aqueles que gostaram (que pareceu ser uma minoria) e os que criticaram a volta da banda para o festival (a maioria).

Não sei quantas vezes o Metallica já tocou aqui em nosso país. Foram muitas, isso tenho certeza. Assisti a banda em 1999, em Porto Alegre, na turnê do Garage Inc., e o show foi ótimo, como acontece na maioria das vezes em que James Hetfield e companhia trazem o seu thrash de arena para cá.

A questão, no entanto, é outra. Por mais que eu goste de Metallica e não veja maiores problemas em a banda tocar frequentemente aqui no Brasil, o comodismo dos promotores e do próprio público (o que ocorreu em uma das últimas passagens do quarteto por aqui, quando o grupo deu a oportunidade de os fãs escolherem o que queriam ouvir e o resultado final mostrou as mesmas músicas de sempre, foi emblemático) faz com que as atrações anunciadas aqui no Brasil acabem girando em torno dos mesmos nomes de sempre, com poucas variações e um espaço cada vez mais limitado para nomes mais novos e que vem fazendo um trabalho muito bom já há alguns anos - como o Mastodon, talvez o mais marcante destes casos, que ainda não tocou aqui no BR.

O que queremos saber nessa edição do Debate Collectors Room é a sua opinião sobre toda essa situação. Você se incomoda com o retorno constante dos mesmos artistas ao Brasil? Acha que é preciso abrir mais espaço para outras atrações? Há público para bandas mais “novas”, ou o brasileiro quer ver mesmo os mesmos artistas, sempre? Quem você gostaria que viesse para o nosso país realizar shows?

Deixe a sua opinião nos comentários, e juntos vamos trocar ideias sobre o tema.

Blackberry Smoke - Holding All the Roses (2015)

sexta-feira, fevereiro 27, 2015
Gravado em apenas duas semanas, Holding All the Roses é o quarto álbum da banda norte-americana Blackberry Smoke e sucede o justamente aclamado The Whippoorwill (2012). Produzido pelo renomado Brendan O’Brien, que já assinou trabalhos de nomes como AC/DC e Bruce Springsteen, mantém o alto e crescente nível apresentado pelo grupo desde a sua fundação, em 2000.

Com uma pegada ligeiramente mais sulista que o disco anterior, o que quer dizer que temos rocks em profusão temperados com aquele sempre agradável tempero country e ótimas melodias, Holding All the Roses traz doze faixas que cairão como uma luva nos ouvidos de quem gosta de um rock honesto e sem frescuras.

Transbordando autenticidade e não precisando lançar mão de artifícios fajutos para conquistar novos admiradores, o Blackberry Smoke caminha com autoridade na estrada que deu ao mundo bandas da linhagem de Lynyrd Skynyrd e Black Crowes. Tendo como figura central o vocalista e guitarrista Charlie Starr, o quinteto mostra mais uma vez um estupendo talento para a composição, dando ao mundo outro disco coeso e excelente.

As canções variam entre rocks como “Let Me Help You (Find the Door)”, “Living in the Song" e “Rock and Roll Again” e baladas de fina estirpe como “Woman in the Moon” e “Lay It All On Me”, acrescentando detalhes deliciosos como guitarras slides e elementos de blues, além de explorar a sempre presente influência da música country.

Pessoalmente, ainda prefiro The Whippoorwill, principalmente pela presença de duas faixas específicas - “Pretty Little Lie” e “One Horse Town” -, que ao meu ver não encontram sucessoras neste novo trabalho. No entanto, e isso é uma grande verdade, Holding All the Roses é mais um excelente disco do Blackberry Smoke e mantém, com imensa propriedade, acesa a imortal chama do southern rock.

Nota 8,5

As bandas de rock mais curtidas no Facebook

sexta-feira, fevereiro 27, 2015
Pelo terceiro ano, trazemos este levantamento pra os nossos leitores. Atualizamos os dados e revelamos quais são as bandas de rock mais populares no Facebook. Mais do que apenas uma curiosidade, estes números são uma das variáveis que mostram qual o tamanho, proporção e popularidade das bandas abaixo, principalmente para a faixa de público que usa o FB com afinco.

Para você comparar o crescimento e a variação em relação anos anteriores, veja também as listas de 2014 e 2013.

Encerrando, apenas um adendo: decidimos tirar da lista o Coldplay e o Maroon 5, que, em nosso ponto de vista, se enquadram mais como artistas pop do que dentro do rock.

Abaixo, as 30 bandas de rock mais populares no Facebook:

1 Linkin Park - 61.268.858 curtidas
2 The Beatles - 43.404.202
3 Metallica - 39.254.105
4 Green Day - 34.367.180
5 AC/DC - 31.439.906
6 Guns N’ Roses - 31.248.925
7 Pink Floyd - 30.679.366
8 Nirvana - 29.692.005
9 Queen - 29.613.970
10 Red Hot Chili Peppers - 29.363.598
11 Bon Jovi - 27.535.722
12 Evanescence - 24.755.720
13 System of a Down - 21.191.521
14 The Rolling Stones - 20.427.756 
15 Nickelback - 20.324.417
16 Slipknot - 18.680.491
17 U2 - 18.357.082
18 Avenged Sevenfold - 18.286.597
19 Muse - 18.259.668
20 The Doors - 17.412.769
21 Aerosmith - 16.687.906
22 John Lennon - 16.558.119
23 KoRn - 13.739.525
24 Iron Maiden - 13.714.304
25 Led Zeppelin - 13.631.529
26 Kiss - 13.241.327
27 Ozzy Osbourne - 12.642.060
28 Radiohead - 12.367.637
29 Black Sabbath - 12.198.746
30 My Chemical Romance - 12.108.213



Novo álbum do Iron Maiden já está gravado e será lançado em 2015

sexta-feira, fevereiro 27, 2015
Em entrevista a uma rádio da Flórida, o baterista Nicko McBrain revelou mais detalhes sobre o novo disco de estúdio do Iron Maiden, sucessor do bom The Final Frontier (2010): “O álbum já está gravado. Esperamos lançar ainda este ano. Tínhamos uma agenda pronta, mas agora estamos segurando os planos até que Bruce se recupere. Isso deve acontecer nos próximos meses. Queremos vê-lo em pé e correndo”.

Sobre o problema de saúde de Bruce Dickinson, diagnosticado com um câncer na língua, Nicko também revelou como a banda recebeu e está tratando da questão: "Ficamos surpresos quando soubemos. Mas ele está em boas mãos, os oncologistas estão sendo bem positivos, assim como Bruce. Não nos falamos nas últimas semanas, mas nosso manager está otimista, considerando a agressividade da radiologia e as três sessões de quimioterapia. Foi difícil, mas aparentemente está tudo certo. Ele esteve no escritório quarta-feira passada e foi ao pub depois. Não conseguia sentir o gosto da cerveja, mas ao menos sabia que era uma Trooper (risos)”.

Com informações da Van do Halen

King Crimson - Live at the Orpheum (2015)

sexta-feira, fevereiro 27, 2015
Enquanto a maioria das grandes bandas de rock progressivo dos anos 1970 já encerraram as suas atividades - e as poucas que seguem se arrastam em lançamentos sofríveis, como o último do Yes - o King Crimson retorna, novamente, e continua provando a sua relevância na música. Um gigante de agora sete cabeças.

O grupo estreava em 1969 com In the Court of the Crimson King, pedra fundamental do prog e, para muitos, o mais icônico registro do gênero. A fusão de música erudita, jazz e heavy metal com um clima sombrio e experimental que abalou, e abala, até hoje quem ouve o registro.

O que diferencia a banda de qualquer outra que toca rock progressivo é a inquietação e a estranha desconstrução em relação a qualquer obra do passado. Basta notar as diferenças entre o introspectivo Islands (1971); a aproximação mais explícita com o heavy metal em Larks’ Tongues in Aspic (1973) e Red (1974); a fase new wave na década de 1980; ou quando traz influências de quem o próprio grupo influenciou - como Porcupine Tree e Tool - em The Power to Believe (2003). Com o guitarrista Robert Fripp sempre na liderança, poucas formações ficaram fixas, e a lista de músicos que já passaram pela banda tem lendas como Bill Bruford, Greg Lake e David Cross.

No line-up atual estão nomes que acompanham Fripp há algumas décadas, caso do baixista Tony Levin e do baterista Pat Mastelotto; e há também quem foi uma adição recente ao grupo, caso de Gavin Harrison (Porcupine Tree) na bateria e percussão, Bill Rieflin (R.E.M., Nine Inch Nails, Ministry) também na bateria e percussão, e Jakko Jakszyk (21st Century Schizoid Band) na guitarra e vocal. O registro marca o retorno do saxofonista Mel Collins, que foi membro do King Crimson no início dos anos 1970.

Live at the Orpheum é uma curta  demonstração dessa renovação: são apenas 41 minutos com músicas tiradas dos shows de 31 de setembro e 1º de outubro no Orpheum Theater, em Los Angeles. E "Walk On: Monk Morph Chamber Music" inicia o álbum soando como uma estranha colagem de ritmos em dois minutos e meio. São algumas curtas improvisações que têm o intuito de ambientar o ouvinte. "One More Red Nightmare" traz o trio de bateristas se revezando e acentuado os pontos mais pesados, além de Collins solando livremente no sax.

Aliás, Collins agrega e muito aqui, sendo o elemento responsável por trazer um frescor em alguns momentos mais "duros". Exemplo disto é "The ConstruKction of Light", onde o saxofonista traz rajadas de harmonias extras em meio ao duelo de arpejos técnicos do baixo de Levin, contra as melodias de Jakko e Fripp nas guitarras.

"Banshee Legs Bell Hassle" é um interlúdio de solos de bateria que serve para expor a técnica dos três músicos, mas que não acrescenta muito. Já "The Letters" transmite bem a essência melancólica e dramática da canção original, enquanto a instrumental "Sailor's Tale” evidencia um lado mais jazz, cheia de ondulações no baixo, mudanças de andamento e uma selvageria de Fripp.

"Starless", talvez o único clássico da banda aqui presente, fecha o álbum. A introdução no mellotron continua linda e misteriosa, mas a voz de Jakko decepciona por não conseguir trazer um aspecto comovente como John Wetton fazia. O clímax construído ainda é envolvente, mas o
final não é tão impactante como outrora foi.

Nota 8,5

Faixas:
1. Walk On: Monk Morph Chamber Music
2. One More Red Nightmare
3. Banshee Legs Bell Hassle
4. The ConstruKction of Light
5. The Letters
6. Sailor’s Tale
7. Starless


Por Giovanni Cabral, do Trajeto Alternativo

26 de fev de 2015

Rock in Rio 2015 confirma Queen com Adam Lambert na primeira noite do festival

quinta-feira, fevereiro 26, 2015
Mais uma atração confirmada na edição 2015 do Rock in Rio, comemorativa aos 30 anos do festival. O Queen, com Adam Lambert nos vocais, tocará na noite de abertura do evento, dia 18 de setembro. Será a primeira vez que a lendária banda se apresentará no Brasil com o vocalista.

Já estão no RiR deste ano Metallica, Slipknot e Queens of the Stone Age, entre outros.


Torche - Restarter (2015)

quinta-feira, fevereiro 26, 2015
Quarto álbum do Torche, Restarter traz a banda norte-americana aprimorando ainda mais o seu peculiar heavy metal. Com canções curtas (a única exceção é a faixa-título) e pesadíssimas, o grupo dá um passo além de seu último trabalho, o excelente Harmonicraft.

A principal característica que difere os dois álbuns é o uso menor de melodias em relação ao disco de 2012. As novas canções são mais arrastadas, uma espécie de stoner com alguns sutis toques de doom (bem sutis mesmo) amparadas por uma parece espessa de guitarras, quase intransponível. A influência de Black Sabbath, presente em toda banda de metal, aqui é atualizada e transportada para os dias atuais, ficando quase irreconhecível mas, mesmo assim, perceptível.

Se em Harmonicraft haviam canções mais alegres e felizes como “Letting Go” e “Kicking”, aqui elas inexistem - e isso não é, necessariamente, um demérito. Cuspindo riffs em profusão, o Torche soa como uma esmagadora máquina que despeja toneladas de distorção nos alto falantes. O resultado é uma audição não apenas agradável, mas, sobretudo, necessária e indicada para qualquer pessoa que tenha o mínimo de interesse não só pelo heavy metal, mas pela própria música pesada.

Entre as faixas, destaques para “Annihilation Affair”, “Minions" (sim, eles gravaram uma canção com esse título), “Loose Men”, “No Servants” e a excelente faixa que dá nome ao álbum, um exercício de tensão contínua que evolui durante mais de oito minutos.

Restarter é diferente de Harmonicraft, e isso é ótimo. A banda explora novos caminhos sem perder a sua identidade, mostrando-se inquieta e criativa.

Como de costume, altamente recomendável.

Nota 8,5

Helloween anuncia novo álbum

quinta-feira, fevereiro 26, 2015
My God-Given Right, novo disco do Helloween, será lançado dia 29 de maio pela Nuclear Blast. O décimo-quinto trabalho de estúdio da banda alemã tem produção assinada por Charlie Bauerfeind (Angra, Gamma Ray, Blind Guardian) e foi gravado entre outubro e fevereiro no MiSueno Studio, localizado na cidade espanhola de Tenerife.

A capa foi criada pelo ilustrador Martin Hãusler e mostra um cenário futurístico tomado pelo gelo, meio na linha do filme O Dia Depois do Amanhã.

My God-Given Right sucede o bom Straight Out of Hell, de 2013.

Filme conta a história de Brian Wilson

quinta-feira, fevereiro 26, 2015
Será lançado no próximo dia 5 de junho Love & Mercy, filme contando a história do genial Brian Wilson, líder e principal compositor do The Beach Boys. Dirigido por Bill Pohlad, traz Paul Dano (Os Sopranos) e John Cusack (Alta Fidelidade) no papel de Wilson, além de Elizabeth Banks e Paul Giamatti no elenco.

O trailer pode ser assistido abaixo, e olha, a coisa promete:

25 de fev de 2015

O caso Keeper e a nostalgia injusta

quarta-feira, fevereiro 25, 2015
A discussão sobre a renovação do power metal me levou de volta a dois discos que há anos não frequentavam os meus ouvidos: os dois volumes de Keeper of the Seven Keys, do Helloween. A dupla responsável pela criação do chamado metal melódico, com velocidade e harmonia espirrando pelos poros. E a audição não apenas destes dois álbuns, mas também dos trabalhos lançados pela banda alemã após a saída de Michael Kiske e a chegada de Andi Deris, concretizou uma certeza: a nostalgia é injusta.

É claro que não dá para diminuir a importância das duas primeiras partes da saga do guardião das sete chaves. Além de formatarem um novo estilo, elas apresentaram ao mundo uma nova maneira de fazer heavy metal, unindo melodia, técnica e agressividade (essa última, pero no mucho). E, mais do que isso, tiveram impacto duradouro e tornaram-se referência para toda uma geração, que tem estes dois trabalhos do Helloween como parte importante de suas vidas - para uma boa parcela, principalmente aqui no Brasil, estes dois discos estão na trilha definitiva de seus dias.

No entanto, passados quase 30 anos de lançamento dos Keepers 1 e 2, não apenas o mundo mudou, mas a música também. Particularmente, não sei se a idade e os anos ouvindo sons como se fossem o ar que respiro fizeram os meus ouvidos ficarem diferentes de quando eram quando escutei a banda alemã pela primeira vez. E, como disse lá no primeiro parágrafo, fazia anos que não colocava os ouvidos nos Keepers outra vez, o que fiz novamente nas últimas semanas. E saí dali com uma sensação estranha.

Pra começo de conversa, os discos não são aquilo que eu pensava que fossem, que eu lembrava que eram. Hoje, ambos soam envelhecidos para mim. Os vocais de Kiske, idolatrados como o supra sumo da qualidade e da técnica, me parecem mais exagerados do que qualquer outra coisa. As melodias que faziam a minha cabeça bater impulsivamente, hoje me parecem limitadas e um tanto repetitivas. Entendam: ouvi muito estes dois discos durante vários anos e eles foram parte muito importante na minha jornada dentro do metal. Jamais vou negar isso, assim como não vou negar que, apesar de curtir as suas faixas, ambos hoje me soam datados. Reconheço a sua importância, mas discordo da veneração.

Em contrapartida, basta ouvir os álbuns pós-Kiske lançados pelo Helloween para perceber o quanto a banda soa mais solta e livre para explorar novas possibilidades com Andi Deris. Master of the Rings (1994), The Time of the Oath (1996), Better Than Raw (1998, um exemplo perfeito da união entre técnica, agressividade e peso) e The Dark Ride (2000) mostram os alemães explorando novos caminhos e alcançando, pelo menos na minha opinião, um resultado muito melhor e uma sonoridade muito mais abrangente do que aquela que encontramos nos Keepers of the the Seven Keys. Antecipando em mais de uma década o caminho que Edguy, Avantasia e outros nomes seguiriam a partir da segunda metade dos anos 2000, o Helloween trouxe elementos de hard rock para o power metal, entre outras inovações, mostrando novas possibilidades e enriquecendo o gênero.

Mas essa mudança, que é óbvia e apresenta inegáveis qualidades, obviamente foi execrada por uma parcela considerável dos fãs, que até hoje, passados 22 anos da saída de Michael Kiske da banda, ainda sonham com o seu retorno e desejam que a banda soe como os álbuns de 1987 e 1988. Este aspecto é tão evidente e onipresente na carreira dos caras que levou o próprio grupo a se limitar, talvez até mesmo de uma maneira inconscientemente, a essa sonoridade happy happy Helloween, vide o retorno (saudado efusivamente pelos fãs) ao power metal repleto de melodia mostrado nos últimos trabalhos dos alemães.

Tudo isso levanta um questionamento saudável: até que ponto uma banda, um artista, deve ficar preso à sonoridade e ao estilo que criou? Isso não limita a sua criatividade? Não limita os caminhos que os músicos desejam seguir? Lembrem-se: ao gravar os Keepers, os integrantes do Helloween tinham vinte e poucos anos. Hoje, passadas quase três décadas, beiram os 50. É claro que são pessoas diferentes, com novas visões de mundo e desejos trazidos pela maturidade, pelo passar dos anos.

Pra fechar, uma última coisa: acho que a voz de Michael Kiske envelheceu muito bem. Ele me soa muito mais agradável hoje em dia do que na época dos Keepers, onde seu timbre acabava irritando na maior parte do tempo, ao invés de agradar. O trabalho que Kiske apresenta atualmente ao lado de Kai Hansen no Unisonic mostra um vocalista com um timbre mais maduro, com saudáveis tons graves compondo a sua límpida voz.

Enfim, o texto representa unicamente o meu ponto de vista sobre os dois volumes de Keeper of the Seven Keys, dois discos inegavelmente clássicos e muito influentes para o heavy metal, e em como toda a mítica em torno destes dois álbuns acaba levando uma parcela de fãs do Helloween a não enxergarem as inúmeras qualidades do período em que Andi Deris está na banda - que, diga-se de passagem, já é três vezes maior do que a permanência do idolatrado Kiske no grupo alemão.

Você pode pensar totalmente diferente de mim, e, se esse for o caso, use os comentários para trocarmos uma ideia a respeito. Será interessante.

Scorpions - Return to Forever (2015)

quarta-feira, fevereiro 25, 2015
Após idas e vindas, turnês globais com duração de mais de 2 anos e um discurso de encerramento de atividades mais fajuto que nota de 3 reais, o Scorpions "ressurge" com Return to Forever, seu vigésimo disco, sucessor do bem recebido Sting in the Tail (2010). Agora, se esse ressurgimento valeu a pena ou se foi apenas uma bela de uma jogada de marketing devido à alta demanda dos fãs por material antes do prenunciado fim, é algo que merece uma análise.

Esteticamente, este disco soa semelhante a seu anterior, tanto no timbre das guitarras quanto na sonoridade: o hard rock mais simples com o qual ficaram famosos durante a década 1980, mas atualizado para os anos atuais. Tecnicamente, todos os instrumentistas estão em ótima forma e cumprem com perfeição suas tarefas. Klaus Meine demonstra muito vigor e técnica vocal apurada ao adaptar sua característica voz às músicas, sem abusar de agudos e alcances vocais não mais possíveis devido a sua idade.

Merece destaque à parte a dupla de guitarras. Os experientes Matthias Jabs e Rudolf Schenker ainda continuam muito bem entrosados, apresentando um leque muito interessante de bases e solos neste trabalho, não se limitando a reciclar melodias e fórmulas pré-estabelecidas por eles próprios anos antes. O restante da banda cumpre bem sua parte: James Kottak fazendo boas bases à frente da bateria, tornando as músicas mais desenvoltas, e Paweł Mąciwoda, o novato da turma, preenchendo as lacunas com o seu baixo sutil, mas eficiente.

Return to Forever começa forte e promissor com "Going Out With a Bang", com uma surpreendente pegada blues, riffs fortes e leve referência de ZZ Top em sua estrutura. "Rock My Car" faz as vezes do hard rock sisudo, com riffs diretos e refrão certeiro e marcante. "Rock n' Roll Band" possui um clima urgente por conta de seu ótimo refrão, também mais um dos destaques. Por fim, "Catch Your Luck and Play" remonta discretamente aos fraseados de guitarra de Uli Jon Roth sem soar pedante, aliada ao andamento cadenciado e riffs pegajosos, tornam-na a melhor música de todo o disco.

Os pontos altos citados acima são realmente muito bons e nos levam a crer que esse retorno foi extremamente frutífero e benéfico para os fãs, mas a banda insiste em cometer os mesmos erros que fizeram com que, ano após ano, fossem perdendo sua relevância no cenário hard rock mundial. A insistência nas baladas radiofônicas tem suas consequências. ”We Built This House" apresenta um refrão grandioso embrulhado em uma balada elétrica que não convence. "House of Cards", por sua vez, é a típica balada acústica insípida, reciclada de ideias diretas do medonho Acoustica (2001). O pior, porém, ficou registrado em "Rollin' Home", disparada uma das piores músicas já registradas pelos alemães, que mais parece uma tentativa desastrosa de soar como grupos pop da atualidade, quase um cover de alguma música do One Direction.

As faixas que não comentei transitam entre o comum ("All for One"), baladas que não fedem nem cheiram ("Eye of the Storm", "Gypsy Life"), e outras que até são boas, mas não deixam de ser completamente insossas e servem para preencher espaço ("The Scratch").

Não posso afirmar que Return to Forever é um álbum ruim, pois os momentos bons contém realmente algumas das melhores composições do Scorpions em anos. Também não poderia dizer que o disco pede replay, pois os momentos ruins comprometem, e muito, a progressão do trabalho. Como saldo final, posso afirmar que Return to Forever é nada mais do que conveniente para o momento em questão. Merece ser escutado pelas qualidades que possui, mas está longe de ser um disco de peso frente ao que a própria banda já produziu no passado.

Nota 6

Por Alissön Caetano Neves, do The Freak Zine

Playlist Collectors Room: Thrash Metal

quarta-feira, fevereiro 25, 2015
Complementando o excelente debate sobre a estagnação ou não do thrash metal, elaboramos uma playlist totalmente dedicada ao estilo. São quase 160 faixas em 12 horas de riffs e mudanças de andamento, tendo como ponto de partida o clássico Kill 'Em All (de vocês sabem quem) e chegando até 2014.

Caia no mosh dando play abaixo:

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