20 de mar de 2015

Debate Collectors Room: o que deve ser levado em conta na hora de analisar um disco?

sexta-feira, março 20, 2015
Vamos dividir uma questão que sempre entra em pauta quando analisamos um disco, quando escrevemos um review: o que devemos levar em conta na hora de elaborar uma resenha? A criatividade? A inovação? Os novos caminhos propostos pelo artista? A releitura de elementos do passado com precisão?

Não acho que exista uma fórmula para escrever um review. Comigo, funciona assim: vou ouvindo o álbum e, com o passar das audições, vou criando raciocínios e chegando a conclusões. Depois disso, sento na frente do computador e coloco tudo na tela e, em seguida, no site. Não sei dizer o que pesa mais na minha avaliação. Tenho as minhas preferências pessoais, gosto de bandas que fogem do óbvio, não curto muito quem só recicla o passado, mas tento equilibrar as coisas.

Você não precisa ser um crítico musical para responder a pergunta, para participar deste debate. Basta contar pra gente como você chega à conclusão de que um disco é bom ou ruim, o que faz você gostar ou não de um trabalho. Tem um lance subjetivo no meio, todos sabem disso, mas vai ser interessante trocar ideias sobre o assunto.


Vamos lá, mãos à obra!

O rockeiro oco

sexta-feira, março 20, 2015
Você conhece o tipo: o cara diz que é fã, doente pelo Led Zeppelin, e só conhece “Stairway to Heaven”, “Rock and Roll” e “Black Dog”. O indivíduo se declara apaixonado pelo Deep Purple, mas não sabe citar nenhuma canção da banda além de “Smoke on the Water” e “Highway Star”. É um fanático pelo Black Sabbath, mas não conhece nada além de “Paranoid" e “War Pigs”. É o fã do Metallica que pode escolher o que a banda irá tocar em um show, mas escolhe “Enter Sandman” e todas as de sempre pela milionésima vez. É o headbanger que tem certeza de que o heavy metal se resume a Iron Maiden, e ponto final.

Há anos o acesso à música mudou, e ficou muito mais fácil. Antigamente, era preciso comprar LPs ou qualquer outro formato, e o compartilhamento de canções de dava apenas através de outras mídias, como as fitas-cassete e os CD-Rs. Hoje, basta colocar o nome da qualquer banda no Google, no YouTube e em qualquer serviço de streaming para ter acesso instantâneo à praticamente tudo que o artista gravou.

Vai ver que a gente é que é diferente. E provavelmente seja isso mesmo. A imensa maioria das pessoas escuta música apenas de forma casual, como trilha para outras atividades. Só uma minoria se aprofunda de maneira substancial nas carreiras e trajetórias de seus ídolos.

O mais interessante disso tudo é que o estereótipo do fã de rock, a figura que está no inconsciente coletivo quando pensamos no personagem, está muita mais aliado com a imagem que o rockeiro oco citado no início do texto procura transmitir do que com o que o cara que realmente ouve música mais a fundo realmente é. Pessoas andando nas ruas com coturnos, coletes jeans e camisetas pretas do Nirvana, Legião e Raul Seixas (isso sofre apenas pequenas variações, com um Iron Maiden aqui e um Guns N’ Roses acolá) enquanto a temperatura namora os 40 graus são um clichê das ruas brasileiras, e representam com exatidão esses indivíduos.


Claro que cada um tem a sua maneira de se relacionar com a música, como já defendemos diversas vezes em outros posts aqui no site. Mas não deixa de ser estranho, e até mesmo burro e estúpido, que os doentes por Led, Sabbath e Purple ainda não tenham dado o passo além de “Stairway”, “Paranoid” e “Smoke”. E, na boa, provavelmente nunca darão …

19 de mar de 2015

Motley Crüe tocará no Rock in Rio

quinta-feira, março 19, 2015
O Rock in Rio anunciou hoje que a banda norte-americana Motley Crüe tocará na edição deste ano do festival. O grupo subirá ao palco dia 19 de setembro, mesmo dia do Metallica.

Ótima notícia ;-)

Pergunta: o Motley Crüe já tocou alguma vez aqui no país? Não me lembro, respondam nos comentários, por favor.

18 de mar de 2015

Playlist Collectors Room: os sons que fazem parte da história do site

quarta-feira, março 18, 2015
Uma playlist com bandas que fazem parte da vida dos leitores da Collectors Room. Coisas que você descobriu aqui, artistas que estão entre os preferidos da casa, sons legais que são a cara do site e fazem parte da vida de quem faz a CR todos os dias - do lado de cá e do lado de lá.

Ouça aqui, e conta pra gente o que, e quem, faltou.



Beatles e Stones em quadrinhos nas bancas brasileiras

quarta-feira, março 18, 2015
Quem gosta de música, também goste de quadrinhos. Pelo menos, grande parte deste povo compartilha a paixão também pelos quadrinhos. Por isso, uma ótima notícia vem da Editora Ideal, que está lançando no Brasil duas HQs sobre duas das maiores bandas da história do rock: os Beatles e os Rolling Stones.

Escritas e desenhadas pelo cartunista finlandês Mauri Kunnas, as edições retratam as duas lendárias bandas inglesas de maneira inédita. Beatles com A: o nascimento de uma banda é quase uma biografia do Fab Four, enquanto Mac Moose e os Stones conta uma história de ficção tendo os Stones como coadjuvantes.

Ambos os livros são curtos - Beatles com 76 páginas e Stones com 56 - e já estão disponíveis nas bancas de todo o Brasil.

17 de mar de 2015

Debate Collectors Room: quais são as bandas fundamentais do heavy metal?

terça-feira, março 17, 2015
A ideia desse debate é simples: queremos saber quais são as 10 bandas fundamentais da história do heavy metal, aquelas que apresentaram novos caminhos e possibilidades para o gênero, influenciando-o de maneira profunda e definitiva.

Parecem escolhas óbvias, mas não é tão fácil assim. Vamos definir como ponto de partida para o heavy metal o disco de estreia do Black Sabbath, lançado em 13 de fevereiro de 1970 (o que já coloca a banda como uma das dez escolhidas, certo?). Depois disso, cabe a você ir aos comentários e contar pra gente quais são as dez bandas fundamentais do metal (heavy metal, não hard rock, vamos tentar dividir) e argumentar porque escolheu tal artista.

Vai ser uma troca de ideias divertida, onde podemos vir a escutar nomes consagrados a partir de outras perspectivas. No final, vamos contabilizar as escolhas dos leitores e chegar em um top 10 conjunto.

Fechado? Então mãos à obra!

16 de mar de 2015

Ame a música, não o formato

segunda-feira, março 16, 2015
O debate que propusemos sobre o valor dos CDs aqui no Brasil levantou vários pontos interessantes, inclusive alguns que se relacionam diretamente com a Collectors Room. Por esse motivo, acho pertinente esclarecer alguns aspectos.

Pra começar, uma breve história. Sou colecionador de discos desde que ouvi rock pela primeira vez, em 1985. Ou seja, lá se vão trinta anos juntando coisas e aprendendo todos os dias. Já tive uma coleção de mais de 2.500 LPs, que me desfiz quando da popularização do CD. Hoje, possuo algo em torno de 1.500 CDs, uns 200 DVDs e uma centena e pouco de livros sobre música. Há uns dois anos atrás recomecei a comprar discos de vinil, o que faz com que hoje aproximadamente uma centena de LPs estejam comigo.

Como sempre gostei de música e sempre fui colecionador, isso acabou me levando a escrever sobre o assunto. Foi assim que criei a Collectors Room lá em 2005, ainda nos tempos em que colaborava com o Whiplash, inspirado na seção Minha Coleção da finada revista Bizz. A coluna cresceu, tornou-se uma das mais lidas do site, e acabou virando um blog em 2008. Entrevistei mais de 100 colecionadores de discos do Brasil e do mundo, e o resto vocês já sabem.

No entanto, com o passar dos anos, a Collectors Room foi mudando um pouco a sua proposta. No início realmente éramos um site feito por e direcionado para colecionadores. Mas logo percebi que era preciso ampliar um pouco esse leque, abrangendo mais assuntos. Assim, a CR acabou se transformando em uma espécie de portal sobre música, focada em grande parte no heavy metal e no rock, trazendo notícias, reviews e opiniões sobre o assunto. Hoje, estamos consolidados com essa proposta, de ser uma espécie de blog, site ou portal (chame como quiser, a escolha é sua) que tem como proposta levar música de qualidade aos leitores, apresentando novos sons e trazendo novamente à tona quem fez história no passado, sempre com pautas além do óbvio.

Ou seja, não somos mais um site focado em coleções de discos e feito para colecionadores de discos, e isso já faz alguns anos. Hoje, podemos dizer que somos um veículo destinado a quem gosta de música, principalmente rock e heavy metal.

Assim como a Collectors Room passou por toda essa transformação, a minha forma de se relacionar com a música também mudou com o passar dos anos. Já fui um cara que ficava louco com LPs, já fui apaixonado por CDs, já fui um pouco de tudo. Já comprei 30 LPs de uma vez só, já mantive uma média de adquirir 20 CDs todos os meses, mas hoje as coisas são diferentes. Não sei se isso se deu pelo fato de já ter passado muitos anos nessa toada, mas atualmente o formato físico já não me atrai tanto, e essa relação com LPs e CDs tem diminuído cada vez mais para mim. Mas, que fique bem claro, essa é a minha relação com a música, e somente ela. Cada um de vocês que está lendo este texto se relaciona de maneira diferente com a música.

E é aí que entra o ponto que quero discutir neste texto. Com o passar dos anos, fui largando de mão o apego com a mídia física, seja ela qual for, e fui focando na minha relação com a música propriamente dita. Gosto de pesquisar novos sons, descobrir novas bandas, ir atrás de inovações que estejam sendo feitas. O meu amor pela música se manifesta desta maneira, através da pesquisa constante em novos sons. É assim que funciona para mim.

A música é uma belíssima forma de arte. E, como tal, bate diferente em cada pessoa. Aquela canção que marcou a sua vida, que faz você lembrar do seu primeiro amor ou de momentos marcantes da sua trajetória, provavelmente não tem o mesmo impacto neste que vos escreve. Como uma forma de arte subjetiva, ela está sujeita às interpretações particulares de cada ouvinte. Neste sentido, o debate que propusemos sobre o preço dos CDs aqui no Brasil acabou se transformando em uma grande troca de ideias sobre formatos, desbancando para uma disputa sem sentido entre qual é melhor e mais "verdadeiro": CD, LP, digital, o escambau. Isso é irrelevante. O que vale é ter a música em sua vida, como parte importante dos seus dias. A forma como ela vem embalada é o de menos.

Se formos radicalizar, a própria transposição dos sons para um formato físico, seja ele qual for, fará com que você perca a magia de assistir ao artista executando a sua obra ao vivo. Era isso que deveria passar pela cabeça dos músicos quando os primeiros LPs começaram a ser prensados. E depois as fitas-cassete, os CDs e os tão falados formatos digitais. A questão é que toda pessoa terá uma relação particular com a música. O que funciona para mim, o que é mais conveniente para mim, diz respeito somente à minha relação com a música. Você irá se relacionar de forma diferente com os sons, preferindo os LPs, ou os CDs, ou qualquer outra plataforma que soe mais adequada para a sua realidade.

Acima disso tudo está algo muito mais importante: o amor puro e duradouro pela música. A curiosidade em procurar saber não apenas sobre o gênero que você gosta, mas pela própria história da música de uma maneira mais ampla. A atitude de manter o ouvido sempre curioso para novos sons, sejam eles atuais ou do passado. A certeza de que, por mais canções que você conheça ou por maior que seja a sua coleção - e o formato dela -, você ainda tem muito o que aprender sobre este universo maravilhoso e mágico que é a música.

Ninguém sabe tudo. Ninguém é melhor que ninguém. Nenhum formato é melhor que o outro.

É a música, acima de tudo isso, que realmente importa. Sempre.

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