23 de out de 2015

Os Melhores Discos de Todos os Tempos: 1967

sexta-feira, outubro 23, 2015


Para muitos, 1967 foi o melhor ano da história do rock. Pode ser um exagero, mas certamente o rock viveu um de seus melhores 12 meses. Motivos para isso não faltam: os Beatles lançaram o disco que mudou o mundo, Jimi Hendrix apareceu, os Doors estrearam, o Velvet Underground colocou o seu primeiro álbum nas lojas, o Pink Floyd veio ao mundo, o Cream lançou a sua obra-prima. A explosão da psicodelia e do Flower Power fizeram do ano uma grande celebração na cronologia da música.

Os cinco grandes hits do ano foram "A Whiter Shade of Pale" do Procol Harum, "I'm a Believer" dos Monkees, "All You Need is Love" e "Strawberry Fields Forever" dos Beatles, e "Light My Fire" do The Doors. Outros grandes sucessos de 1967 foram “Penny Lane”, “A Day in the Life”, “Hello Goodbye" (todas dos Beatles), “People Are Strange”, “Break on Through” (The Doors), “Let's Spend the Night Together”, “Ruby Tuesday”, “She's a Rainbow" (Rolling Stones), “Mellow Yellow” (Donovan), “Gimme Some Lovin’" (Spencer Davis Group), “Respect”, “Chain of Fools" (Aretha Franklin), “Somebody to Love”, “White Rabbit” (Jefferson Airplane), “San Francisco (Be Sure to Wear Flowers in Your Hair)” (Scott McKenzie), “San Francisco Nights” (Eric Burdon & The Animals), “Brown Eyed Girl” (Van Morrison), “I Say a Little Prayer” (Dionne Warwick), “I Can See for Miles”, “Happy Jack”, “Pictures of Lilly" (The Who), “Daydream Believer”, “(I’m Not Your) Stepping Stone" (The Monkees), “I Heard It Through the Grapevine” (Gladys Knight & The Pips), “Judy in Disguise (With Glasses)” (John Fred & His Playboy Band), “Ain't No Mountain High Enough” (Marvin Gaye & Tammi Terrell), “Happy Together” (The Turtles), “Heroes and Villains” (The Beach Boys), “Itchycoo Park” (Small Faces), “My Back Pages”, “So You Want to Be a Rock ’n' Roll Star (The Byrds), “Nights in White Satin” (The Moody Blues), “Soul Finger” (The Bar-Kays) e “Waterloo Sunset” (Kinks), entre outros.

O disco mais vendido do ano foi Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band, dos Beatles, enquanto o single número 1 foi "Release Me", de Engelbert Humperdinck.

Diversos nomes que se transformariam em músicos importantes, conhecidos e influentes no futuro nasceram em 1967, como Dave Matthews, Kurt Cobain, Billy Corgan, John Popper (Blues Traveler), Mike Portnoy, Chuck Schuldiner, Noel Gallagher, Dave Navarro, Glen Benton (Deicide), John Petrucci, Serj Tankian, Jeff Tweedy (Wilco) e Steven Wilson. O ano ficou marcado também pela perda de artistas como John Coltrane, J.B. Lenoir, Brian Epstein, Woody Guthrie e Otis Redding.

Vieram ao mundo em 1967 bandas importantíssimas, como Blue Cheer, Blue Öyster Cult, Chicago, Creedence Clearwater Revival, Fleetwood Mac, Genesis, James Gang, Jethro Tull, Procol Harum, Santana, Sly & The Family Stone, Spirit, Status Quo, The Stooges, T. Rex e Van der Graaf Generator.

O Grammy realizou a sua 9ª edição, premiando como Gravação do Ano a canção "Strangers in the Night" de Frank Sinatra, e como Álbum do Ano A Man and His Music, também de Sinatra. O prêmio de Canção do Ano foi para "Michelle", dos Beatles.

Como sempre, para chegar à lista de melhores discos do ano, fizemos um levantamento em diversos estudos similares, identificando os principais lançamentos do período. Tendo uma pré-lista com mais de uma centena de títulos nas mãos, jogamos todos estes dados em nosso banco de dados e aplicamos as notas do Rate Your Music, All Music e de uma terceira fonte (geralmente a Rolling Stone, mas quando não conseguimos encontrar a avaliação da revista variamos entre DownBeat, Sputnik Music e Pitchfork). 


O resultado final está abaixo, e vem com uma playlist de bônus com os maiores hits e as canções mais marcantes do ano. Com vocês, os 50 melhores discos de 1967:

50 Don Cherry - Symphony of Improvisers
49 Sam & Dave - Soul Men
48 Tim Buckley - Goodbye and Hello
47 The Incredible String Band - The 5000 Spirits to the Layers of the Onion
46 Jackie McLean - Action
45 Wilson Pickett - The Wicked Pickett
44 Nico - Chelsea Girl
43 Pat Martino - El Hombre
42 The Left Banke - Walk Away Renée/Pretty Ballerina
41 The Monkees - Pisces, Aquarius, Capricorn & Jones Ltd.
40 The Moody Blues - Days of Future Passed
39 Cream - Disraeli Gears
38 McToy Tyner - The Real McCoy
37 Phil Ochs - Pleasures of the Harbor
36 William Bell - The Soul of a Bell
35 Nina Simone - High Priestess of Soul
34 Antônio Carlos Jobim - Wave
33 Big John Patton - Let ‘Em Roll
32 Albert King - Born Under a Bad Sign
31 Charley Musselwhite - Stand Back!
30 The Byrds - Younger Than Yesterday
29 Sam Rivers - Contours
28 Jefferson Airplane - Surrealistic Pillow
27 Magic Sam - West Side Soul
26 Wayne Shorter - Adam’s Apple
25 James Carr - You Got My Mind Messed Up
24 Captain Beefheart - Safe as Milk
23 The Kinks - Something Else by The Kinks
22 Love - Forever Changes
21 Fifty Foot Hose - Cauldron
20 Miles Davis - Sorcerer
19 Small Faces - There Are But Four Small Faces
18 Don Ellis - Electric Bath
17 Buffalo Springfield - Buffalo Springfield Again
16 Miles Davis - Miles Smiles
15 The Beatles - Magical Mystery Tour
14 Moby Grape - Moby Grape
13 The Rolling Stones - Between the Buttons
12 Lee Morgan - Cornbread
11 Bob Dylan - John Wesley Harding
10 The Who - The Who Sell Out
9 Nina Simone - Nina Simone Sings the Blues
8 Pink Floyd - The Piper at the Gates of Dawn
7 Aretha Franklin - I Never Loved a Man the Way I Love You
6 Jimi Hendrix - Axis: Bold as Love
5 Leonard Cohen - Songs of Leonard Cohen
4 The Doors - The Doors
3 The Beatles - Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band
2 Jimi Hendrix - Are You Experienced
1 The Velvet Underground & Nico - The Velvet Underground & Nico

Sobre o resultado final: entendo a importância e a influência do primeiro disco do Velvet Underground, mas ele não está entre os meus preferidos do ano. O meu top 10 de 1967 ficaria assim

1 The Beatles - Sgt. Peppers Lonely Hearts Club Band
2 Jimi Hendrix - Axis: Bold as Love
3 The Doors - The Doors
4 Cream - Disraeli Gears
5 The Beatles - Magical Mystery Tour
6 Nina Simone - Nina Simone Sings the Blues
7 The Byrds - Younger Than Yesterday
8 Jimi Hendrix - Are You Experienced
9 The Who - The Who Sell Out
10 Bib Dylan - John Wesley Harding

Nos comentários, o convite de sempre: conte pra gente qual é o seu top 10 de 1967.

“Hello”, nova música de Adele

sexta-feira, outubro 23, 2015

A garota inglesa responsável por causar, sozinha, uma revolução na indústria fonográfica com seu último disco, 21 (2011) - cujas vendas alcançaram resultados tão altos que injetaram um mar de grana no mercado -, está de volta.

Adele divulgou o clipe de “Hello”, primeiro single de 25, seu novo álbum. O disco será lançado dia 20 de novembro em todo o mundo.

Assista abaixo:

Novas músicas: Anthrax, Rush, Coheed and Cambria, Leslie West, The Temperance Movement e Ghost acústico

sexta-feira, outubro 23, 2015

Surpresa boa pra começar o dia: o Anthrax divulgou a inédita “Evil Twin”. A música estará no novo disco da banda, ainda sem título definido, e que será lançado no início de 2016.

Já o Rush colocou na roda a versão para a clássica “Close to the Heart”, uma das músicas mais cultuadas de seu repertório, presente no vídeo R40 Live. A voz de Geddy Lee dá uma deslizadas feias, mas tá valendo (ou não) … O material chegará às lojas dia 20 de novembro.

O Cohhed and Cambria disponibilizou o vídeo de “Island”, single de seu novo álbum, The Color Before the Sun. Belíssima composição, mantendo a alta qualidade característica da banda.

A lenda Leslie West (Mountain) liberou a sua releitura para a clássica “People Get Ready”, de Curtis Mayfield. A canção faz parte do novo álbum do guitarrista, Soundcheck, com data de lançamento marcada para o dia 20 de novembro.

Os ingleses do The Temperance Movement vem com uma prévia geral de seu novo disco, White Bear, que será lançado dia 16 de janeiro pela Earache.

E fechando o pacote, temos o Ghost em duas lindas versões acústicas gravadas ao vivo em uma sessão para a 100.3 The X, rádio de Idaho. "If You Have Ghosts" e "Jigolo Har Megiddo" estão de arrepiar, apenas ouça.

22 de out de 2015

Playlist: Metal 2015

quinta-feira, outubro 22, 2015

Uma playlist longa, com mais de sete horas e superando as 80 músicas, tudo pra compilar o que de melhor o heavy metal já produziu em 2015. Tem nomes consagrados, emergentes e novidades, passando pelas mais diversas variações da música pesada. 

Faltou algo? Provavelmente. É só ir até os comentários e dar a dica.

Aumente o volume que é pra você |m|

10 opiniões sobre Battering Ram, novo álbum do Saxon

quinta-feira, outubro 22, 2015

Após 21 discos, o Saxon não mostra sinais de enfraquecimento. Mesmo que nenhuma canção mostre potencial para se transformar em clássica, Bettering Ram traz uma abundância de faixas memoráveis.
Loudwire

Não há surpresas em Battering Ram. Trata-se apenas de uma obra-prima de heavy metal, o disco que se esperaria de uma banda como o Saxon.
Knac.com

O Saxon entregou exatamente o que se esperava da banda: heavy metal inglês bem feito e sem frescura.
New Noise Magazine

Não importa se você não era nascido quando o Saxon lançou o seu primeiro disco ou possui idade suficiente para ter testemunhado toda a carreira da banda: este disco é para você.
Metal Wani

Sem faixas fracas e um par de destaques, Battering Ram é uma adição valiosa ao extenso catálogo do Saxon.
Heavy Metal About

Talvez não seja possível ensinar novos truques a um cachorro velho, mas Battering Ram mostra uma banda ágil e com grande apetite. Parece que ainda há uma considerável quantidade de combustível para o Saxon queimar.
Angry Metal Guy

Enquanto algumas bandas mais famosas da New Wave of British Heavy Metal cometem deslizes feios, o Saxon se mostra fiel as origens, ao mesmo tempo que consegue entregar um álbum inovador e atemporal.
Whiplash

Vinte e um discos mais tarde, o Saxon ainda é capaz de proporcionar alegrias aos seus seguidores, mantendo a tradição da velha escola britânica. Battering Ram não decepciona e deve ser conferido por todos os fãs do estilo proposto. Sem esperança de novidades, mas a fórmula ainda oferece resultados interessantes.
Van do Halen

O Saxon consegue manter a sua posição em nível elevado com o seu novo disco. A mina de ouro para a inspiração de Battering Ram é a rica tradição metálica do Reino Unido.
Muzoic

O Saxon mostra um renovado senso de poder e carisma em Battering Ram. Quase quatro décadas e 21 discos depois, o Saxon ainda se mostra capaz de criar algo que ative a fúria headbanging de seus fãs!
Examiner

20 de out de 2015

Os Melhores Discos de Todos os Tempos: 1966

terça-feira, outubro 20, 2015


1966 ficou marcado por diversas razões. Foi o último ano em que os Beatles fizeram shows, incomodados pelo fato de a plateia pouco se importar com o que eles tocavam no palco - bastava aparecer para a histeria ser coletiva. 

O ano viu o surgimento de bandas que seriam importantíssimas nos anos seguintes, como The Bar-Kays, Jeff Beck Group, Buffalo Springfield, Cream, Jimi Hendrix Experience, Iron Butterfly, Moby Grape, Monkees, Mutantes, Slade, Soft Machine, Steve Miller Band, Ten Years After, Taste, Vanilla Fudge e muitos outros. Por outros lado, alguns artistas encerraram suas carreiras, os mais notáveis sendo The Ronettes e Gerry and the Pacemakers.

Entre os grandes hits do ano, destaque para “We Can Work It Out”, Day Tripper”, “Yellow Submarine”, “Eleanor Rigby”, “Nowhere Man”, “Taxman”, “Paperback Writer" (todas dos Beatles), “Barbara Ann”, “Good Vibrations”, “God Only Knows”, “Sloop John B", "Wouldn't It be Nice" (dá-lhe Beach Boys), “The Sound of Silence” (Simon & Garfunkel), “I Got You (I Feel Good)” (James Brown), “These Boots Are Made For Walking” (Nancy Sinatra), “California Dreamin’”, “Monday Monday" (The Mamas & The Papas), “I Fough the Law” (Bobby Fuller Four), “Secret Agent Man” (Johnny Rivers), “Rainy Day Women #12 & 35” (Bob Dylan), “When a Man Loves a Woman” (Percy Sledge), “Paint it Black” (Rolling Stones), “Wild Thing” (The Troggs), “Sunsine Superman”, “Mellow Yellow" (Donovan), “I'm a Believer”, “Last Train to Clarksville" (Monkees) e “You Keep Me Hangin On’” (The Supremes), entre outros.

A notícia triste foi a morte de Mississippi John Hurt. O bluesman faleceu no dia 2 de novembro de 1966. Entre os nascimentos, nomes como Marco Hietala (Nightwish), Jeff Healey, Marc Ford (Black Crowes), Jason Bonham, Jeff Buckley, Sinéad O’Connor, Dexter Holland (Offspring) e Chris Robinson (Black Crowes).

Para chegarmos na lista abaixo, elaboramos uma pré através de pesquisa em outros artigos do gênero. Então, aplicamos as notas do Rate Your Music, All Music e da Rolling Stone, e chegamos a uma média. Três fontes diferentes, três modos distintos de ver a música.


Abaixo, os 50 melhores discos de 1966. E, como bônus, uma playlist com as canções marcantes do ano:

50 The Who - A Quick One
49 Sergio Mendes & Brasil ’66 - Heb Alpert Presents Sergio Mendes & Brasil ’66
48 Tim Hardin - Tim Hardin 1 
47 Gordon Lightfoot - Lightfoot!
46 The Blues Project - Projections
45 Cream - Fresh Cream
44 The Byrds - Fifth Dimension
43 Small Faces - Small Faces
42 Lee Hazlewood - The Very Special World of Lee Hazlewood
41 Wilson Pickett - The Exciting Wilson Pickett
40 Simon & Garfunkel - Parsley, Sage, Rosemary and Thyme
39 Jackie McLean - Right Now!
38 Art Blakey - Indestructible
37 Hank Mobley - Dippin’
36 Sonny Rollins - Alfie
35 Joe Henderson - Inner Urge
34 The Yardbirds - Roger the Engineer
33 Joe Henderson - Mode for Joe
32 Big Mama Thornton - In Europe
31 Bobby Hutcherson - Components
30 Love - Da Capo
29 Merle Haggard and The Strangers - Swinging Doors and the Bottle Let Me Down
28 The Mamas & The Papas - If You Can Believe Your Eyes and Ears
27 Skip James - Today!
26 Duke Pearson - Wahoo!
25 The 13th Floor Elevators - The Psychedelic Sounds of The 13th Floor Elevators
24 Donovan - Sunshine Superman
23 The Sonics - Boom
22 Larry Young - Unity
21 Doc Watson - Southb’und
20 The Paul Butterfield Blues Band - East-West
19 Archie Shepp - Mama Too Tight
18 Wayne Shorter - The All Seeing Eye
17 Don Cherry - Complete Communion
16 The Monks - Black Monk Time
15 John Coltrane - Meditations
14 Roscoe Mitchell - Sound
13 Cecil Taylor - Unit Structures
12 The Rolling Stones - Aftermath
11 John Mayall - Blues Breakers with Eric Clapton
10 The Mothers of Invention - Freak Out!
9 The Kinks - Face to Face
8 Herbie Hancock - Maiden Voyage
7 Otis Redding - Complete & Unbelievable: The Otis Redding Dictionary of Soul
6 Wayne Shorter - Speak No Evil
5 Lee Morgan - Search for the New Land
4 John Coltrane - Ascension
3 The Beach Boys - Pet Sounds
2 Bob Dylan - Blonde on Blonde
1 The Beatles - Revolver

O loop infinito do classic rock

terça-feira, outubro 20, 2015

Tony Iommi fala sobre as chances de Bill Ward voltar ao Black Sabbath. Max Cavalera afirma que reunião do Sepultura era pra ter acontecido há dez anos atrás. Keith Richards diz que o Led Zeppelin é uma banda inócua. Fontes não oficiais afirmam que a formação clássica do Guns N’ Roses tocará no Rock in Rio Lisboa. Gene Simmons dá mais uma declaração polêmica.

Todas essas notícias, por incrível que pareça, foram publicadas nos últimos dias em alguns dos principais sites sobre música aqui do Brasil. Não, não estamos em 1970. Nem em 1980. Muito menos em 1990. Estamos em 2015, ainda que, passando os olhos de maneira rápida, a localização temporal não fique clara.

Sou um crítico do crescimento da demanda pelo classic rock. Acho desproporcional, desnecessário, um tanto sem sem sentido. Como se a única possibilidade pra quem ouve rock é ficar em Stones, Beatles e Doors. Acho que as coisas podem ser melhor equilibradas. Há espaço para todos, não apenas para os mesmos nomes de sempre. Não quero saber qual foi a última bobagem dita por Gene Simmons, prefiro ser informado sobre as novidades do novo álbum do Baroness. Pouco me importa se Bill Ward tocará ou não com o Black Sabbath, amei o último disco da banda e não senti a mínima falta dele. Analiso a estratégia de dar declarações polêmicas para promover um novo álbum (e aí você pode colocar o Keith Richards falando mal de um monte de gente, além de mais uma penca de músicos que usa esse mesmo artifício pra ganhar espaço na mídia) totalmente ultrapassada, acho mais produtivo eu mesmo escutar o trabalho e chegar às minhas próprias conclusões.

A alta procura pelo classic rock tem lá as suas explicações, como o apego excessivo ao passado e o desprezo quase que total pelo que é novo. Exemplo simples, porém eficaz: folheando a última edição da única revista dedicada ao heavy metal que temos em nosso mercado, leio a declaração de um dos jornalistas da publicação afirmando que “está começando a gostar de Lamb of God”. Contextualizando: o Lamb of God foi formado em 1994 e lançou o seu primeiro álbum em 2000. Ou seja: quem quer escrever a sério sobre música, sobre heavy metal, há muito tempo não apenas conhece e está familiarizado com a banda, como sabe que o quinteto de Virginia é, hoje, um dos mais importantes nomes do metal norte-americano. Enfim, não dá pra “começar a gostar agora” do grupo se você se define como um jornalista especializado.

E é justamente esse o principal problema da popularização excessiva do classic rock. O ouvinte casual, que consome música de maneira menos profunda, não tem a mínima obrigação de saber quem é a nova sensação inglesa, o novo fenômeno sueco, a nova promessa brasileira. Ele está bem, acomodado em sua zona de conforto, variando entre os mesmos nomes de sempre. Mas quando essa postura chega até o jornalismo musical, a coisa muda de figura.

Nesse ponto, vale voltar alguns anos no passado, entrar novamente em uma sala de aula ou mergulhar mais uma vez nos livros, e pesquisar sobre qual é o papel e a função da imprensa. Resumindo em apenas uma palavra: informar. O papel do jornalista, seja ele de qual área for, é trazer até o leitor/espectador o maior número de informações sobre um assunto. Nem vou entrar muito na questão do jornalismo imparcial, que na minha opinião não existe e é apenas uma utopia, já que, no meu modo de ver, ao pesquisar e absorver a informação que irá passar adiante, muitas vezes o jornalista já insere, mesmo que de leve ou de maneira inconsciente, a sua opinião e o seu ponto de vista (é o que diz a sabedoria popular: toda história tem três lados - o meu, o seu e o verdadeiro). E é justamente isso que falta em um mercado cada vez mais pautado pelo classic rock: a informação.

Ao ler um veículo especializado em música, o que se espera encontrar são informações sobre os mais variados aspectos do segmento que ele cobre. Em um site especializado em heavy metal, sei que vou ler matérias sobre Sabbath, Maiden e Metallica, mas esse não pode ser, em nenhum momento, o conteúdo total levado até o leitor. É preciso dar espaço para novas bandas, ter capacidade de reconhecer quem está vivendo o seu auge atualmente, equilibrando tudo isso com os nomes clássicos. E, levando essas informações até o leitor, vamos conseguir apresentar novos nomes e possibilidades até mesmo para aquele ouvinte casual de música, que vive deitado no berço esplêndido da sua zona de conforto.

Se não fizemos isso, o loop infinito do classic rock vai nos levar sabe pra onde? Pra lugar nenhum.

19 de out de 2015

Como a música ficou grátis, os melhores filmes dos últimos 25 anos e uma passada pela New York Comic Con

Fábulas #21, de Bill Willingham e Mark Buckingam (Panini, 2015)

segunda-feira, outubro 19, 2015

Uma das melhores e mais aclamadas séries dos quadrinhos está chegando ao seu final. Fábulas, criação do roteirista Bill Willingham e do desenhista Mark Buckingham, chega ao seu volume 21 nas bancas brasileiras, na penúltima edição da série.

Pra quem não está familiarizado com a trama, um breve resumo: a história é centrada nas fábulas dos contos infantis (coloque aí Branca de Neve, Lobo Mau, Cinderela, Pinóquio e toda a turma), que foram expulsas do seu mundo por um inimigo em comum. Assim, todos esses personagens são forçados a viver na nossa realidade, disfarçados. Esse é o ponto de partida de uma HQ brilhante, que ganhou o coração de milhões de fãs em todo o mundo e serviu de inspiração, por exemplo, para a criação da série Once Upon a Time.

O arco final é centrado em um dos mais queridos integrantes do universo imaginado por Willingham: Bigby Lobo, o Lobo Mau do imaginário popular, aqui casado com Branca de Neve e pai de uma matilha de filhotes. Ressuscitado após um combate mortal, Bigby tem a sua humanidade sobrepujada por sua natureza selvagem, e transforma-se em uma máquina de matar. Simultaneamente, o eterno conflito entre Branca e Rosa Vermelha, sua irmã, entre em seu capítulo decisivo, com cada uma das duas assumindo um lado em uma luta conclusiva.

A arte de Buckingham segue magnífica, colocando a série em um nível superior. E Willingham brinca com elementos da cultura pop - quando um personagem exige um julgamento em combate “porque isso está na moda”, é impossível não lembrar de Game of Thrones -, tornando tudo ainda mais interessante e divertido. Há ainda um grande número de pequenas histórias ao longo das mais de 200 páginas, arcos curtos que fecham as jornadas de uma série de personagens em um par de páginas.

Como sempre, temos uma edição caprichada, com papel de qualidade, lombada quadrada e reprodução das belas capas originais, agregando ainda mais qualidade a tudo.

A próxima edição sairá nos próximos meses, concluindo a fantástica história criada por Bill Willingham e Mark Buckingham. Se você ainda não leu Fábulas, aproveite que a Panini está relançando os primeiros volumes e embarque nessa série fantástica.

Não há como se arrepender.





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