6 de nov de 2015

A relação entre Quanto Mais Idiota Melhor e “Bohemian Rhapsody”, hackeando o iPhone 6 e a nova biografia do Zé do Caixão

5 de nov de 2015

Os Melhores Discos de Todos os Tempos: 1970

quinta-feira, novembro 05, 2015


O sonho acabou: o grande evento musical de 1970 foi o fim dos Beatles. A maior banda da história anunciou oficialmente a sua separação no dia 10 de abril, pela voz de Paul McCartney, deixando órfãos milhões de fãs em todo o mundo. Outro grande choque foram as mortes de Jimi Hendrix e Janis Joplin, ambos por overdose de drogas. No outro lado da moeda, logo no início do ano, na sexta-feira 13 de fevereiro, o Black Sabbath estreou e deixou o rock muito mais sombrio e pesado, trazendo o heavy metal para os corações e mentes de todo o mundo. Teve ainda o The Who gravando o seminal Live at Leeds, a estreia do Mountain e muitos outros eventos marcantes.

Foram formadas em 1970 bandas clássicas como Aerosmith, America, Blackfoot, Cactus, Derek & The Dominos, The Doobie Brothers, Dixie Dregs, Electric Light Orchestra, Emerson Lake & Palmer, Gentle Giant, Kraftwerk, Queen, entre outras. No outro lado da moeda, encerraram suas atividades em 1970 os Beatles, Blind Faith, The Electric Prunes, The Jimi Hendrix Experience, Simon & Garfunkel, Taste e Vanilla Fudge, além de outras.

Os cinco maiores hits do ano foram “Let It Be” dos Beatles, “In the Summertime” do Mungo Jerry, “Bridge Over Troubled Water” de Simon & Garfunkel, “Venus" do Shocking Blue e “Whole Lotta Love” do Led Zeppelin. Outros grandes sucessos de 1970: “ABC”, “I Want You Back”, “I'll Be There" (Jackson 5), “After Midnight” (J.J. Cale), “Ain't No Mountain High Enough” (Diane Ross), “All Right Now” (Free), “American Woman” (The Guess Who), “Be My Baby” (Andy Kim), “Black Magic Woman”, “Evil Ways" (Santana), “Black Night” (Deep Purple), “The Boxer”, “El Condor Pasa" (Simon & Garfunkel), “Come and Get It” (Badfinger), “Cry Me a River” (Joe Cocker), “Fire and Rain” (James Taylor), “Get Up (I Feel Like Being a) Sex Machine” (James Brown), “I'm a Man” (Chicago), “Immigrant Song” (Led Zeppelin), “Instant Karma!” (John Lennon), “Little Green Bag” (George Baker Selection), “Lola" (The Kinks), “The Long and Winding Road” (The Beatles), “Looking Out My Back Door”, “Travellin' Man”, “Up Around the Bend”, “Who'll Stop the Rain" (Creedence Clearwater Revival), “Mississippi Queen” (Mountain), “My Sweet Lord” (George Harrison), “Ohio”, "Woodstock" (Crosby, Stills, Nash & Young), “Paranoid" (Black Sabbath), “Raindrops Keep Fallin’ On My Head” (B.J. Thomas), “See Me, Feel Me”, “Summertime Blues" (The Who), “Something" (Shirley Bassey), “Son of a Preacher Man” (Aretha Franklin), “Spill the Wine”, “Tobacco Road" (Eric Burdon & War), “The Thrill is Gone” (B.B. King), “Up On Cripple Creek” (The Band), “Voodoo Chile” (Jimi Hendrix) e “Yellow River” (Christie).

A décima-segunda edição do Grammy premiou como gravação do ano o The 5th Dimension por “Aquarius/Let the Sunshine In”, Disco do Ano para Blood, Sweat & Tears (da banda homônima), Canção do Ano para “Games People Play” de Joe South e Melhor Artista Novo para Crosby, Stills & Nash.

Nasceram em 1970 Zack de la Rocha (12/01), John Frusciante (05/03), Beck (08/07), Macy Gray (09/09) e Susan Tedeschi (09/11). Os principais falecimentos relacionados à música durante o ano foram os de Slim Harpo (31/01), Tammi Terrell (16/03), Otis Spann (24/04), Booker Ervin (31/07), Alan Wilson (03/09), Jimi Hendrix (18/09), Janis Joplin (04/10), Baby Huey (28/10) e Albert Ayler (25/11).


Utilizando a mesma metodologia das listas anteriores, fizemos um levantamento inicial com os principais discos do ano e aplicamos as notas do Rate Your Music, All Music e Discogs. Em cima disso, chegamos ao resultado final abaixo.

Com vocês, os melhores álbuns lançados em 1970:

50 Donald Byrd - Electric Byrd
49 Os Mutantes - A Divina Comédia ou Ando Meio Desligado
48 The Doors - Morrison Hotel
47 James Gang - Rides Again
46 Trapeze - Medusa
45 Herbie Hancock - Fat Albert Rotunda
44 Syd Barrett - The Madcap Laughs
43 The Beatles - Let It Be
42 Groundhogs - Thank Christ for the Bomb
41 Funkadelic - Free Your Mind … and Your Ass Will Follow
40 Free - Fire and Water
39 Antônio Carlos Jobim - Stone Flower
38 Willie Dixon - I Am the Blues
37 Nico - Desertshore
36 The Kinks - Lola Versus Powerman and the Moneygoround (Part One)
35 Elton John - Tumbleweed Connection
34 Funkadelic - Funkadelic
33 Demon Fuzz - Afreaka!
32 Little Feat - Little Feat
31 Kriss Kristofferson - Kristofferson
30 Amon Düül II - Yeti
29 Wilson Pickett - In Philadelphia
28 Deep Purple - In Rock
27 Alice Coltrane - Ptah, the El Daoud
26 The Allman Brothers Band - Idlewild South
25 Spirit - Twelve Dreams of Dr. Sardonicus
24 Cat Stevens - Tea for Tiellerman
23 Simon & Garfunkel - Bridge Over Troubled Water
22 Jorge Ben - Força Bruta
21 Derek & The Dominos - Layla and Other Assorted Love Songs
20 Black Sabbath - Black Sabbath
19 The Velvet Underground - Loaded
18 John Lennon - Plastic Ono Band
17 Grateful Dead - Workingman’s Dead
16 Santana - Abraxas
15 Lee Dorsey - Yes We Can
14 Grateful Dead - American Beauty
13 Crosby, Stills, Nash & Young - Déjà vu
12 Freddie Hubbard - Red Clay
11 Led Zeppelin - III
10 Nick Drake - Bryter Layter
9 Soft Machine - Third
8 Van Morrison - Moondance
7 Creedence Clearwater Revival - Cosmo’s Factory
6 George Harrison - All Things Must Pass
5 Neil Young - After the Gold Rush
4 Curtis Mayfield - Curtis
3 Miles Davis - Bitches Brew
2 The Stooges - Fun House
1 Black Sabbath - Paranoid

Gostei da lista final, mas a ordem em que os discos ficariam mudaria um pouco na minha. Abaixo, meu top 10 de 1970:

1 Miles Davis - Bitches Brew
2 Derek & The Dominos - Layla and Other Assorted Love Songs
3 Creedence Clearwater Revival - Cosmo’s Factory
4 John Lennon - Plastic Ono Band
5 Black Sabbath - Black Sabbath
6 Neil Young - After the Gold Rush
7 Led Zeppelin - Led Zeppelin III
8 George Harrison - All Things Must Pass
9 Crosby, Stills, Nash & Young - Déjà vu
10 Santana - Abraxas

E aí, o que você achou disso tudo? Quais são os seus álbuns preferidos de 1970? E as canções lançados durante o ano, quais você mais curte? O que está achando desta série de posts? Enquanto pensa em o que postará nos comentários, ouça a playlist que preparamos com os grandes hits e as principais músicas lançadas em 1970.





4 de nov de 2015

As aventuras de um DJ amador nas décadas de 1980 e 1990

quarta-feira, novembro 04, 2015


Você pegava todas as suas caixas de discos, colocava no carro e levava para o local da festa. E lá, sentado atrás de todos aqueles mixers, amplificadores e vitrolas, usava a imaginação para combinar uma música com a outra, mantendo a atenção do público sempre constante. Quando acabava, carregava tudo de novo de volta pra casa, com direito a algumas manchas de bebidas e marcas nas capas - afinal, discos são feitos pra ouvir e curtir e não pra serem expostos na prateleira, certo?

Como todo colecionador de discos, sempre gostei de ouvir música. Isso é óbvio. Mas eu gostava, e ainda gosto, de ouvir música de um jeito diferente: uma canção de cada artista, na construção de uma playlist infinita. Fazia isso com os meus LPs, depois fiz com os CDs, e agora faço com as playlists que crio no Spotify. Mas, é claro, com os discos de vinil a coisa era bem mais complexa.

Pra começo de conversa, uma caixa cheia de LPs pesa pra caramba. Sempre tive muitos discos, e a minha coleção de vinis tinha por volta de 2 mil títulos, guardados naquelas caixas plásticas em que se carregavam frutas, verduras e legumes. Não lembro direito, mas acho que cada uma dessas caixas tinha capacidade para uns 300 ou 400 itens. Pra fazer uma festa, fazia uma pré-seleção e ia com mais ou menos uns 1.000 LPs para o local do evento - sim, sempre fui exagerado e gostava de ter cartas na manga (outro ponto importante: tudo era feito na espontaneidade, sem seleções pré-definidas. Gosto mais assim, acho que tudo fica mais verdadeiro. Enfim …)

Eu e minha turma éramos de uma cidade bem pequena - Espumoso, lá no interior do Rio Grande do Sul, com os seus 15 mil habitantes. Quando não havia nenhum evento pra gente, nós mesmos organizávamos uma festa em algum local - a garagem da casa de um amigo, o Clube Aquático, a boate do clube da cidade, qualquer lugar. E, quase todas as vezes, eu estava lá brincando de ser DJ.

Você ficava atrás de um amplificador, um mixer e dois pratos de vinis. Ao seu lado, umas três caixas cheias de discos. E, bem próximos às vitrolas, uma luz pra iluminar. Então, um fone de ouvido que você usava pra colocar a agulha no lugar exato do LP, segurando a rotação e largando suavemente, pra que a próxima canção encaixasse exatamente no final da anterior. E ai de quem chegasse perto de toda essa parafernália: era enxotado dali, afinal, poderia bater acidentalmente no local e fazer a agulha deslizar loucamente pela superfície do vinil, estragando tudo.

O que a gente tocava era rock. Mas não apenas rock “pra dançar”: rock de modo geral. E a gente então dançava o rock, mesmo o que não era primordialmente feito pra dançar. Lembro perfeitamente: “School”, clássico do Supertramp, tocando a pleno volume. E então chega a parte central da música, com aquele solo de piano do Rick Davies e um amigo, alto como o som, sai girando de braços abertos pelo salão, em um transe musical intenso. Ou então quando “The End”, dos Doors, sai dos alto-falantes lá pelas 3 da manhã e outro chapa faz o seu próprio swing, enquanto equilibra o copo de cerveja que teima em escapar de sua mão.

Na trilha destas festas inesquecíveis estavam canções que marcaram minha adolescência - e espero que também a dos amigos que nelas estavam -, e volta e meia retornam aos meus ouvidos. Faixas como “Crushing Day” de Joe Satriani, “Don't Wanna Let You Go” do Quiet Riot, “I Was Made For Lovin’ You” do Kiss, “Princess of the Dawn” do Accept, “Alexander the Great” do Iron Maiden, “Lady in Black” do Uriah Heep, “I Can Feel Him in the Morning” do Grand Funk, “Down Down” do BTO, “Breaking All the Rules” do Peter Frampton, e muitas outras.

Todo esse povo que estava presente nessas festas hoje está espalhado pelo Brasil. Um é promotor no RS, outro é médico em SP, outro é um pai de família lá no interior. Mas, quando nos reunimos, voltamos a ser o que nunca deixamos de ser: amigos eternamente adolescentes e apaixonados por música e uma boa conversa regada a cerveja gelada. Tenho vontade de reunir todo esse povo novamente e reviver os tempos do passado, ouvindo canções que todos nós conhecemos, relembrando histórias, escutar novamente aquelas risadas saudosas.

Enquanto isso não acontece, as velhas canções fazem o atalho para a parede da memória, fazendo das lembranças um quadro que não se apaga jamais.

Pra curtir e dançar todos os rocks, uma playlist com sons que rolavam nestas festas de anos e anos atrás.


3 de nov de 2015

Os melhores discos lançados em outubro segundo o About Heavy Metal

terça-feira, novembro 03, 2015

Outubro é tradicionalmente um dos melhores meses em se tratando de lançamento de álbuns de heavy metal, e 2015 não foi exceção. Muitos títulos poderiam figurar no nosso top 5 do período, em uma disputa sadia e que tem um único vencedor: o ouvinte.


Deafheaven - New Bermunda

Sombrio e belo, estridente e cintilante, torturante e confiante. New Bermuda traz 46 minutos de uma sensação que se assemelha a dirigir contra a chuva em um carro com o para-brisa quebrado. Os vocais dolorosamente agressivos dão o tom e, como as guitarras, muitas vezes vão da violência a momentos mais suaves, em redemoinhos sonoros donos de uma beleza singular. New Bermuda é mais consistente e mais refinado que Sunbather. Os elementos de black metal são mais sutis, mas seguem presentes. No entanto, é a grandeza do disco que emoldura as letras do vocalista George Clarke, repletas de desilusão e desencanto. Não há demônios e nem feitiçaria aqui, exceto aqueles que residem dentro de nós mesmos.


Clutch - Psychic Warfare

Em Psychic Warfare, o Clutch tira fora dois elementos fundamentais de sua música: os riffs espetaculares e aquela que talvez seja a melhor seção rítmica da atualidade. No lugar, surge o storytelling inimitável do vocalista Neil Fallon, ancorado em um ar de superioridade bluesy. O disco traz a banda norte-americana entregando uma das melhores performances de sua carreira em um álbum altamente infeccioso e agradável. Eles partiram do topo alcançado no trabalho anterior, Earth Rocker, e não é preciso raio-x para enxergar o belíssimo resultado alcançado.


Kylesa - Exhausting Fire

O Kylesa já está aí há um bom tempo, e com seu sétimo disco a banda mostra que continua amadurecendo. O álbum apresenta a mais variada coleção de canções do grupo até agora, e é uma espécie de tour de force auditiva. Talvez a melhor faixa é a que soa mais familiar, “Lost & Confused”. Os efeitos no vocal de Laura Pleasant navegam por cima de riffs feitos sob medida para bater cabeça, em uma das melhores músicas que a banda já gravou. O Kylesa continua evoluindo treze anos após a sua estreia, e mostra que está longe de esgotar a sua criatividade.


Vhol - Deeper Than Sky

Com integrantes do YOB, Agalloch e Hammers of Misfortune, o Vhol executa uma enegrecida mistura entre thrash e punk. Em seu segundo álbum, a química entre os integrantes permanece absoluta, com a banda ajustando o seu estilo e adicionando doses ainda maiores de metal na receita. O Vhol poderia ser uma atração limitada, como um grupo de amigos se divertindo e tentando fazer algo legal em um curto espaço de tempo. Mas, em vez disso, se transformou em uma banda legítima e capaz de andar com as próprias pernas. Isso não é tanto uma evolução, parece mais uma reformulação, renovando o seu som original com recursos atualizados. Deeper Than Sky mais do que iguala o alto padrão de qualidade apresentado pelo grupo até agora, é um grande disco.


Horrendous - Anareta

O Horrendous fez um estrago sério no death metal com o seu disco anterior, Ecdysis. Anareta chega quase um ano mais tarde e prova que o trio está apenas começando a arranhar a superfície de seu imenso potencial. O novo trabalho dá um passo gigantesco em relação ao anterior, explorando novos domínios em uma progressão admirável. As raízes permanecem fortemente fincadas no death, mas muitas vezes a banda se aventura para bem longe, trilhando as searas do black metal melódico e até mesmo do power metal. Elementos de thrash, uma saudável ambição e o sentimento épico do heavy metal clássico completam uma união complexa de gêneros. Essa complexidade, no entanto, é traduzida e decodificada através de dos elementos básicos do death metal: riffs pesados e agressivos, solos ardentes e um poder sonoro violento. O Horrendous está surgindo como uma possível lenda do futuro, fiquem de olho.

(tradução de Ricardo Seelig)

O homem branco naquela foto, o novo filme de James Bond e a luta contra a homofobia no futebol

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