Show: Balaclava Fest | 9 de novembro de 2016 | Bar Opinião | Porto Alegre


Porto Alegre é tida por muitos como a cidade do rock, mas à exceção dos grandes shows em estádios ou shows de bandas na linha stoner/metal em bares, anda carente de boas opções em matéria de shows de médio porte, principalmente dentro do que se pode chamar genericamente de indie rock.

Por isso, foi muito bem-vinda a mobilização, através das redes sociais, que resultou nos shows do Balaclava Fest, realizado no Opinião, uma das mais tradicionais casas de shows da capital do RS. No line up, a banda paulistana Ombu, a canadense TOPS e, como headliner da noite, a londrina Yuck.

Abrindo a noite, o Ombu apresentou, ainda para um público reduzido, o repertório do recém-lançado EP intitulado Pedro, onde apresenta influências de post-rock. Logo em seguida, a canadense TOPS apresentou seu dream pop, com muito uso de sintetizadores acompanhados do belo vocal de Jane Penny. O show segue de forma bastante linear até o final, onde a vocalista assume a guitarra e o repertório ganha em empolgação, tanto da banda como da plateia, especialmente em “Way to Be Loved”.

Finalizando a noite, já com um público razoável, o quarteto Yuck fez a sua primeira apresentação em terras gaúchas, com um show correto, com músicas de todos os discos de sua curta carreira, iniciada em 2009, e que pode ser dividida entre antes e depois da saída do membro fundador e vocalista Daniel Blumberg. Daniel gravou com a banda vários EPs e o auto-intitulado disco de estreia, lançado em 2011. 

O som é uma colcha de retalhos de várias influências que remetem imediatamente aos anos 1990, processadas de uma forma levemente mais pop, e se sobressai justamente nos momentos em que a banda executa as músicas do primeiro disco, como "Get Away", que teve uma das melhores recepções da noite. As faixas dos discos mais recentes, em especial de Stranger Things (2016), perdem muito em qualidade e, consequentemente, a resposta do público foi mais fria. Destacam-se em algumas canções os belos vocais da baixista Mariko Doi.

Com um line up razoável, com uma banda nacional ainda desenvolvendo sua sonoridade e duas internacionais que, se não são as melhores da atualidade, ao menos apresentam boas referências na sua sonoridade, o Balaclava Fest se coloca como uma boa opção para os fãs indies. 

Importante destacar também que todas as bandas tocaram no horário, num local tradicional na noite de Porto Alegre, o que deixa ainda maior a expectativa para mais iniciativas do tipo, na esperança de tenhamos um descanso das mesmas atrações que lotam as casas de shows da capital gaúcha, ano após ano.

Por Virgílio Moraes Migliavacca

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