19 de fev de 2016

Jaco Pastorius: ouça a trilha do documentário sobre o lendário baixista

sexta-feira, fevereiro 19, 2016

Jaco, documentário sobre a carreira do lendário baixista norte-americano Jaco Pastorius, já está com a sua trilha sonora disponível em streaming.

Com 16 faixas que transitam entre a carreira solo de Pastorius, composições de sua época no Weather Report e participações em canções de nomes como Joni Mitchell e Ian Hunter, a trilha conta também com músicas de outros artistas como a dupla Rodrigo y Gabriela.

Dirigido por Stephen Kijak e Paul Marchand, o documentário tem como um dos produtores Robert Trujillo, baixista do Metallica. O filme estreou nos cinemas norte-americanos no final de 2015 e segue inédito no Brasil.

Ouça abaixo a trilha sonora de Jaco:

Rival Sons: assista ao ótimo show da banda no Rock am Ring 2014

sexta-feira, fevereiro 19, 2016

Um dos mais tradicionais festivais europeus, o Rock am Ring acontece todos os anos na Alemanha. O local mudou algumas vezes, e atualmente o evento acontece na base aérea de Mendig.

Pelo palco do Rock am Ring já passaram grandes nomes como U2, David Bowie, The Cure, The Black Crowes, Van Halen, Bob Dylan, Metallica, Oasis, Iron Maiden e inúmeros outros.

Um dos grandes momentos recentes do festival aconteceu em 2014, quando a banda norte-americana Rival Sons subiu ao palco. Lançando o seu quarto disco, Great Western Valkyrie, o grupo desceu a lenha e entregou uma de suas melhores performances. Com um setlist de apenas oito canções - “Electric Man”, “Good Luck”, “Secret”, “Play the Fool”, “Pressure and Time”, “Keep on Swinging”, “Face of Light” e “Open My Eyes” -, os caras mostraram o porque de serem apontados como um dos nomes mais promissores do rock atual.

Vale lembrar que atualmente o Rival Sons está abrindo os show da turnê The End, o último giro do Black Sabbath pelo mundo.

Assista abaixo:

Discoteca Básica Bizz #020: Lou Reed - Berlin (1973)

sexta-feira, fevereiro 19, 2016

Discos conceituais já não eram novidade no início da década de 70. Eles funcionam como trilhas sonoras de ideias, de conceitos - daí o nome. O LP conceitual é um todo orgânico, um corpo constituído por vários elementos (cada um exercendo uma função em prol da ideia central): a capa, o título, as letras, a ordem das músicas e até (nos países civilizados) a divulgação.

Berlin, terceiro disco solo de Lou Reed, é talvez o exemplo mais bem acabado de um álbum conceitual. É uma viagem pelo cotidiano do underground, da marginália dos centros urbanos, tudo contado num tom de poesia cruelmente direta e fria.

A produção e os arranjos são de Bob Ezrin (que tinha acabado de produzir os melhores LPs de Alice Cooper). Ezrin escolheu a dedo músicos, estúdios de gravação, fez a mixagem e ainda uma edição brilhante: transformou as duas horas de material gravado, através de cortes e emendas, numa matriz de cinquenta minutos.

O LP abre com o tape de uma voz que anuncia: "Eins, zwei, drei..." e pronto, estamos em Berlim (a música em questão é a faixa-título). Bons tempos aqueles, conclui Lou. Mas a realidade é outra - e os climas que se seguem não são indicados para suicidas em potencial.

A segunda é "Lady Day", um clássico de Reed, e, para quem está ouvindo o disco, a certeza de que dificilmente um produtor conseguirá reunir de novo um naipe de instrumentistas desse nível. São músicos vindos de formações diversas: Steve Winwood, Jack Bruce, Aynsley Dunbar, os irmãos Brecker e Steve Hunter - só para citar os mais famosos.

Com "Men of Good Fortune" as coisas vão ficando amargas ("Homens afortunados / muitas vezes causam quedas de impérios / enquanto homens de pobres começos / muitas vezes não podem fazer nada"). Com "Caroline Says I”, Lou começa a contar histórias sobre as pessoas que o cercam ("Ela me trata como se eu fosse um imbecil / mas para mim ela ainda é uma rainha germânica"). Em "How Do You Think It Feels" e "Oh, Jim" o assunto são drogas, solidão e desespero, tudo contado num tom isento e desleixado pela primeira pessoa (são comuns, ao longo do LP, frases como "mas eu não ligo" ou "pra mim tanto faz").


No lado B, Lou, cantando sempre com voz baixa e triste, retrata o caráter violento do narrador - o próprio Reed - na continuação "Caroline Says II": "Caroline diz - enquanto ela se ergue do chão / você pode me bater o quanto quiser / mas eu não te amo mais". Daí pra frente a barra pesa mesmo. Em "The Kids", em meio às dissonâncias do baixo, à melodias atonais de uma flauta doce e aos gritos desesperados e autênticos de "Mamãe!" feitos por crianças, Lou conta a história de uma mulher que perdeu a custódia dos filhos. Só que, dessa vez, a postura do narrador não é tão neutra: "E desde que ela perdeu sua filha / são seus os olhos que se enchem de água / e dessa maneira eu fico mais feliz".

A letra de "The Bed" fala por si: "Esse é o lugar onde ela pegou a lâmina / e cortou seus pulsos naquela noite estranha e malfadada / e eu disse oh, oh, oh, que barato". E encerrando o disco com chave de ouro, outro clássico deprê de Lou Reed, "Sad Song", com um brilhante arranjo orquestral de Ezrin.

Todas as faixas de Berlin são lentas, mas isto, de fato, não importa muito. Este disco não é menos emocionante, impressionante e influenciador por causa disso. E tampouco deixa de ser o primeiro LP conceitualmente "deprê" do rock and roll. 

Uma visão que rompeu tabus e abriu novos caminhos na música pop: a realidade das ruas dos grandes centros pode ser cantada e transformada em música. Não é à toa que o Berlin é disco de cabeceira de gente como Siouxsie, Budgie, Iggy Pop e o pessoal do New Order.

(Texto escrito por Thomas Pappon, Bizz #020, março de 1987)

18 de fev de 2016

Metallica anuncia relançamentos de Kill e Ride com diversos bônus

quinta-feira, fevereiro 18, 2016


O Metallica anunciou o início do relançamento de sua discografia. Os primeiros títulos a ganharem novas versões serão os dois primeiros, Kill ‘Em All (1983) e Ride the Lightning (1984). As novas edições, totalmente remasterizadas, chegarão às lojas no dia 15 de abril.

As novas edições de Kill ‘Em All e Ride the Lightning serão disponibilizadas em três formatos: CD, vinil e em um box de luxo. O box conterá, além dos discos, material extra vindo da coleção dos próprios músicos, incluindo gravações nunca ouvidas antes, além de fotos raras.

O box de Kill ‘Em All trará quatro LPs, cinco CDs, um DVD, um livro de capa dura com fotos e um patch. Já o de Ride the Lightning virá com quatro LPs, seis CDs, um DVD, um livro de capa dura com fotos, um mini-livro com as letras escritas à mão por James Hetfield e três pôsteres. Ambos os boxes serão numerados, terão edição limitada e já estão em pré-venda na loja oficial da banda.

Abaixo, o tracklist completo das novas edições de Kill ‘Em All e Ride the Lightning:


KILL 'EM ALL - REMASTERED DELUXE BOX SET

VINYL: KILL 'EM ALL (REMASTERED)
1 Hit The Lights
2 The Four Horsemen
3 Motorbreath
4 Jump In The Fire
5 (Anesthesia) – Pulling Teeth
6 Whiplash
7 Phantom Lord
8 No Remorse
9 Seek & Destroy
10 Metal Militia

VINYL: LIVE AT ESPACE BALARD, PARIS, FRANCE - FEBRUARY 9TH, 1984 (2 LP)
Previously Unreleased
1 The Ecstasy of Gold
2 Hit the Lights (Live)
3 The Four Horsemen (Live)
4 Jump in the Fire (Live)
5 Phantom Lord (Live)
6 No Remorse (Live)
7 Ride the Lightning (Live)
8 Motorbreath (Live)
9 (Anesthesia) - Pulling Teeth (Live)
10 Whiplash (Live)
11 Seek and Destroy (Live)
12 Metal Militia (Live)

VINYL: JUMP IN THE FIRE (PICTURE DISC)
1 Jump In The Fire
2 Seek & Destroy (“Live” at The Automatt)
3 Phantom Lord (“Live” at The Automatt)

CD: KILL 'EM ALL (REMASTERED)
1 Hit The Lights
2 The Four Horsemen
3 Motorbreath
4 Jump In The Fire
5 (Anesthesia) – Pulling Teeth
6 Whiplash
7 Phantom Lord
8 No Remorse
9 Seek & Destroy
10 Metal Militia

CD: INTERVIEW & RADIO IDS
Previously Unreleased
1 Metal Forces Interview With Lars, January 1984
2 Radio IDs With Lars, James & Cliff From 1984

CD: ROUGH MIXES FROM LARS’ VAULT, BOOTLEG TRACKS & WHIPLASH REMIX EP
Previously Unreleased except “Jump In The Fire,” “Whiplash (Special Neckbrace Remix),” “Seek & Destroy (“Live” at The Automatt)” and “Phantom Lord (“Live” at The Automatt)”
1 Motorbreath (Rough Mix)
2 Hit The Lights (Rough Mix)
3 (Anesthesia) – Pulling Teeth (Rough Mix)
4 Seek & Destroy (Rough Mix)
5 Whiplash (Rough Mix)
6 The Four Horsemen (Rough Mix)
7 Seek & Destroy (NOT Live from The Automatt)
8 Phantom Lord (NOT Live from The Automatt)
9 Jump In The Fire
10 Whiplash (Special Neckbrace Remix)
11 Seek & Destroy (“Live” at The Automatt)
12 Phantom Lord (“Live” at The Automatt)

CD: LIVE AT J BEES ROCK III, MIDDLETOWN, NY - JANUARY 20TH, 1984
Previously Unreleased
1 The Four Horsemen (Live)
2 Jump in the Fire (Live)
3 Fight Fire With Fire (Live)
4 Ride the Lightning (Live)
5 Phantom Lord (Live)
6 Seek and Destroy (Live)
7 Whiplash (Live)

CD: LIVE AT THE KEYSTONE, PALO ALTO, CA - OCTOBER 31ST, 1983
Previously Unreleased
1 Hit the Lights (Live)
2 The Four Horsemen (Live)
3 Jump in the Fire (Live)
4 Fight Fire With Fire (Live)
5 Ride the Lightning (Live)
6 Phantom Lord (Live)
7 When Hell Freezes Over (“The Call of Ktulu”) (Live)
8 Seek and Destroy (Live)
9 (Anesthesia) – Pulling Teeth (Live)
10 Whiplash (Live)
11 Creeping Death (Live)
12 Guitar Solo (Live)
13 Metal Militia (Live)

DVD: LIVE AT THE METRO IN CHICAGO ON AUGUST 12TH, 1983
Previously Unreleased except “No Remorse” and “Metal Miltia”
1 Hit the Lights (Live) (Video Only/No Audio)
2 The Four Horsemen (Live) (Video Only/No Audio)
3 Jump in the Fire (Live) (Video Only/Partial Audio)
4 Phantom Lord (Live)
5 No Remorse (Live)
6 (Anesthesia) - Pulling Teeth (Live)
7 Whiplash (Live)
8 Seek and Destroy (Live)
9 Guitar Solo (Live)
10 Metal Militia (Live)


RIDE THE LIGHTNING - REMASTERED DELUXE BOX SET

VINYL: RIDE THE LIGHTNING (REMASTERED)
1 Fight Fire With Fire
2 Ride The Lightning
3 For Whom The Bell Tolls
4 Fade To Black
5 Trapped Under Ice
6 Escape
7 Creeping Death
8 The Call Of Ktulu

VINYL: LIVE AT THE HOLLYWOOD PALLADIUM, LOS ANGELES, CA – MARCH 10TH, 1985 (2 LP)
Previously Unreleased
1 The Ecstasy of Gold
2 Fight Fire With Fire (Live)
3 Ride the Lightning (Live)
4 Phantom Lord (Live)
5 (Anesthesia) – Pulling Teeth (Live)
6 For Whom the Bell Tolls (Live)
7 No Remorse (Live)
8 Fade to Black (Live)
9 Seek and Destroy (Live)
10 Creeping Death (Live)
11 Am I Evil? (Live)
12 Motorbreath (Live)

VINYL: CREEPING DEATH (PICTURE DISC)
1 Creeping Death
2 Am I Evil?
3 Blitzkrieg

CD: RIDE THE LIGHTNING (REMASTERED)
1 Fight Fire With Fire
2 Ride The Lightning
3 For Whom The Bell Tolls
4 Fade To Black
5 Trapped Under Ice
6 Escape
7 Creeping Death
8 The Call Of Ktulu

CD: METALLICA INTERVIEWS
Previously Unreleased
1 Metal Forces Interview with Lars, November 1984
2 WUSC Cleveland Radio Interview with Cliff & Kirk, February 1985
3 Metal Madness Interview with Lars, March 1985

CD: DEMOS & ROUGH MIXES FROM LARS’ VAULT
Previously Unreleased
1 Ride the Lightning (Studio Demo)
2 When Hell Freezes Over (“The Call Of Ktulu”) (Studio Demo)
3 Creeping Death (Studio Demo)
4 Fight Fire With Fire (Studio Demo)
5 Ride the Lightning (Garage Demo)
6 When Hell Freezes Over (“The Call Of Ktulu”) (Garage Demo)
7 Fight Fire With Fire (Garage Demo)
8 Ride the Lightning (Boom Box Demo)
9 Blitzkrieg (Rhythm Track Rough Mix)
10 Am I Evil? (Rhythm Track Rough Mix)

CD: LIVE AT KABUKI THEATRE, SAN FRANCISCO, CA – MARCH 15TH, 1985
Previously Unreleased on CD
1 Fight Fire With Fire (Live)
2 Ride the Lightning (Live)
3 Phantom Lord (Live)
4 The Four Horsemen (Live)
5 (Anesthesia) – Pulling Teeth (Live)
6 For Whom the Bell Tolls (Live)
7 No Remorse (Live)
8 Fade to Black (Live)
9 Creeping Death (Live)
10 Guitar Solo (Live)
11 Am I Evil? (Live)
12 Motorbreath (Live)

CD: LIVE AT THE LYCEUM THEATRE, LONDON, UK - DECEMBER 20th, 1984
“Phantom Lord,” “The Call Of Ktulu,” “Creeping Death” and “Guitar Solo” Previously Unreleased. All Other Songs Previously Unreleased on CD.
1 Phantom Lord (Live)
2 The Four Horsemen (Live)
3 (Anesthesia) – Pulling Teeth (Live)
4 For Whom the Bell Tolls (Live)
5 No Remorse (Live)
6 The Call of Ktulu (Live)
7 Seek and Destroy (Live)
8 Whiplash (Live)
9 Creeping Death (Live)
10 Guitar Solo (Live)
11 Metal Militia (Live)

CD: LIVE AT CASTLE DONINGTON, UK – AUGUST 17TH, 1985
Previously Unreleased on CD
1 Creeping Death (Live)
2 Ride the Lightning (Live)
3 For Whom the Bell Tolls (Live)
4 The Four Horsemen (Live)
5 Fade to Black (Live)
6 Seek and Destroy (Live)
7 Whiplash (Live)
8 Motorbreath

DVD: METAL HAMMER, DAY ON THE GREEN & DANISH TV

LIVE AT THE METAL HAMMER FESTIVAL IN ST. GOARSHAUSEN, GERMANY - SEPTEMBER 14, 1985
Previously Unreleased except “The Four Horsemen,” “Fade to Black” and “Seek & Destroy”
1 Creeping Death (Live)
2 Ride The Lightning (Live)
3 Disposable Heroes (Live)
4 No Remorse (Live)
5 (Anesthesia) – Pulling Teeth (Live)
6 For Whom The Bell Tolls (Live)
7 The Four Horsemen (Live)
8 Fade to Black (Live)
9 Seek and Destroy (Live)
10 Whiplash (Live)
11 Fight Fire With Fire (Live)
12 Guitar Solo (Live)
13 Am I Evil? (Live)
14 Motorbreath (Live)

LIVE AT MTV'S DAY ON THE GREEN AT OAKLAND STADIUM, OAKLAND, CA - AUGUST 31, 1985
Previously Unreleased except “For Whom the Bell Tolls”
1 Creeping Death (Live)
2 Ride the Lightning (Live)
3 For Whom the Bell Tolls (Live)
4 MTV Day On The Green Interview with Lars and James

DANISH TV
Previously Unreleased
1 “Lars Ulrich When He Was Young” *Lars’ first television interview
2 “SPOT – Lars Ulrich”

16 de fev de 2016

Discoteca Básica Bizz #019: Kraftwerk - Radio-Activity (1975)

terça-feira, fevereiro 16, 2016


Kraftwerk - o primeiro grupo pop moderno. Dizemos moderno para associá-lo à era contemporânea, à era da máquina, da eletrônica e do computador. Radio-Activity trata de um dos aspectos mais marcantes da contemporaneidade - as revoluções ocorridas no campo da comunicações.

O LP é de 1975, mas é impressionante como o disco vai ficando cada vez mais atual a cada ano que passa. Ele serve para mostrar a posição única do grupo como o pioneiro da música eletrônica dentro do cenário pop. A eletrônica já estava invadindo a música alemã desde a década de 1950, no centro de pesquisas eletrônicas de Darmstadt, fundado por Stockhausen. Foi deste centro de pesquisas que saíram Holger Czukay e Schmidt para fundar o Can. Ao lado do Kraftwerk, o Can foi a outra espinha dorsal do rock alemão da década de 1970, embora os dois grupos propusessem utilizações diferentes da eletrônica.

Os integrantes do Kraftwerk são de Düsseldorf. Começaram no início dos anos 1970 como uma dupla formada por Ralf Hütter e Florian Schneider, ambos de formação clássica. No começo, usavam instrumentos eletrônicos ao lado de equipamentos convencionais. Tornaram-se totalmente eletrônicos por volta de 1973, quando entraram Karl Bartos e Wolfgang Flur na percussão eletrônica. Eles montaram um estúdio próprio, o Kling Klang, que hoje em dia é totalmente computadorizado e portátil.

Kraftwerk - o primeiro grupo pop contemporâneo. O mundo, nos últimos 86 anos, mudou mais rápida e irreversivelmente do que em qualquer outro período da história. A música neste século também sofreu esse processo de mudanças. Os instrumentos acústicos, que nos acompanham durante séculos, evocam associações com uma realidade que era relativamente estável. Neste século, a progressiva substituição do mundo natural pelas criações do homem provocou rupturas na concepção de realidade, que passo a ser vista como construção do homem.

É interessante notar que os integrantes do Kraftwerk se consideram tanto músicos quanto técnicos - capazes, portanto, de inventar e/ou alterar a realidade. A simples eletrificação dos instrumentos, ocorrida neste século, produziu alterações radicais em nosso ambiente sonoro. Mas a ruptura efetiva com o passado só foi ocorrer com o aparecimento do som eletrônico. O Kraftwerk realizou essa ruptura no campo do pop. Sua influência se estendeu para o rock anglo-americano dos anos 1980 - para citar alguns: David Bowie, Ultravox, Afrika Bambaata e New Order.


Radio-Activity é o sexto LP do grupo. A faixa-título começa com uma pulsação. Entra um coro celestial. Começa a melodia e declara-se que estamos num mundo transformado. Nos intervalos da música, um código morse. É uma delícia. As melodias e letras são simples e se repetem muito. Vão se insinuando na cabeça e ficam lá. "Radioland", com sua batida que lembra um ritual, liga esse novo mundo às nossas origens.

Cada faixa tem um papel e uma função acabada. "Airwaves" é uma celebração de potencial, de parâmetros alargados. Tem um pique meio de rock, com efeito hilariante. Do lado B, "Antenna" é uma amostra linda da originalidade dos sons produzidos por instrumentos eletrônicos. Sons que derretem, arranham e viram do avesso, mil coisas que não caberiam na música até então. "Radio Stars" é penetrante. Dois anéis de som, fora de sincronia, são revolvidos na mixagem e se repetem infinitamente. Duas vozes os acompanham. Uma é praticamente um zumbido. A outra declama em cima, fortemente distorcida e ligada a um teclado. É uma maravilha de música.

Kraftwerk - o primeiro grupo plenamente do século XX. O primeiro grupo no contexto do pop a tomar consciência do problema do "moderno", da contemporaneidade, e o primeiro a descobrir a solução.

(Texto escrito por Peter Price / Thomas Pappon / Bia Abramo, Bizz#019, fevereiro de 1987)

15 de fev de 2016

Scorpions: Tour Edition de Return to Forever com faixas bônus e DVD duplo

segunda-feira, fevereiro 15, 2016


Return to Forever (2015), último disco do Scorpions, ganhará uma Tour Edition comemorativa pela Century Media. A nova edição será lançada dia 22 de abril e trará sete faixas bônus, além de dois DVD contendo dois shows completos gravados durante a turnê do trabalho - um no festival francês Hellfest e outro ocorrido em Nova York, no Barclays Center. A apresentação na cidade norte-americana contou com a inusitada participação especial de Brandon Niederauer, prodígio da guitarra com apenas 12 anos de idade, que tocou a clássica “No One Like You” junto com a banda.

Além disso, o material traz um mini-documentário com 15 minutos de duração, intitulado On the Road in America, dirigido por Dennis Dirksen e mostrando a banda na estrada.

Return to Forever Tour Edition será disponibilizado com uma nova arte de capa e em embalagem digipack contendo CD e 2 DVDs, além de uma versão digital.

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