4 de mar de 2016

Ihsahn: lenda norueguesa está na capa da nova Terrorizer

sexta-feira, março 04, 2016


A nova edição da revista inglesa Terrorizer, especializada em metal extremo, traz como destaque de capa o lendário músico norueguês Ihsahn. O líder do Emperor, hoje em uma frutífera carreira solo, fala sobre a sua trajetória e tudo que envolve seu novo álbum, Arktis, previsto para sair neste início de março.

O número 268 da Terrorizer tem também matérias com Rotting Christ, Anthrax, Cradle of Filth, Inverloch, Opeth, Fleshgod Apocalypse, Deströyer 666 e uma análise sobre o trabalho gráfico de John Baizley no Baroness. A revista vem com dois CDs de brinde.



Playlist: Todo Mundo Tocando Metallica

sexta-feira, março 04, 2016


Master of Puppets, terceiro álbum do Metallica, acaba de completar 30 anos de vida. Um dos discos mais importantes e influentes da história do heavy metal, colocou a banda em um novo patamar e é considerado o seu maior clássico.

Pra comemorar, criamos uma playlist diferente. Seguindo a ordem cronológica das faixas presentes nos álbuns do Metallica, compilamos covers de canções do quarteto executadas por diferentes artistas. E, no final, algumas faixas bônus pra seguir no banging.

Faltam algumas canções nessa cronologia, e o motivo foi não encontrarmos versões para elas (pelo menos no banco de dados do Spotify, onde a playlist foi criada). É aí que você entra: os comentários estão à disposição para você indicar covers que passaram batidos pela playlist, principalmente as releituras das faixas que estão ausentes nessa sequência, sacou?

Pra ouvir, só dar play e seguir lá no Spotify:

Miles Davis: filme sobre o músico é destaque na nova DownBeat

sexta-feira, março 04, 2016

A nova edição da revista norte-americana DownBeat, a mais tradicional e importante publicação especializada em jazz do planeta, traz como destaque de capa Miles Ahead, cinebiografia de Miles Davis escrita, dirigida e estrelada por Don Cheadle. A película, que estreará dia 1 de abril, é apontado pela revista como o mais aguardado filme sobre jazz em décadas.

O número 82 da Downbeat vem também com matérias sobre Esperanza Spalding, Arturo Sandoval, Julian Lage, Roy Hargrove e outros.



Discoteca Básica Bizz #027: Brian Eno - Another Green World (1975)

sexta-feira, março 04, 2016

O barulho acompanha a formação do universo, a grande explosão primeira, os sons da natureza, fontes de terror, fascínio que o homem procurou dominar para dar forma aos rituais de sacrifício, festa, guerra, luto. A partir dos sons arquitetou-se a música, que foi evoluindo através dos séculos. 

No século XX, redescobriu-se a dissonância (Stravinski), apareceram os sons eletrônicos (Varése, Stockhausen, Cage) e concretos (Schaeffer), mas a abordagem popular da música derivada do folclore sempre se manteve dentro de padrões essencialmente conservadores, cada geração curtindo um estilo, uma moda (blues, jazz, rock, soul), todas variações em torno de uma mesma estrutura básica. Com o advento do sintetizador e a evolução das técnicas de gravação em estúdio, o rock and roll foi se sofisticando, as bandas injetando eletricidade em torno da mesma estrutura, procurando desesperadamente renovar a música dita pop.

É justamente em 1975, ano considerado o menos criativo da década, que Brian Eno sugere (melhor do que lança) Another Green World, após quatro anos de provocações e extravagâncias glitter, dois dos quais passados a colocar o Roxy Music nos trilhos. 

Poderia ter sido mais um LP de pop music. Os nomes dos músicos convidados podem enganar: Robert Fripp, o inevitável Phil Collins e John Cale (ex-Velvet Underground), para citar os mais famosos. O que se descobre é um álbum de quatorze canções e miniaturas instrumentais, onde os climas se alternam em tons e semitons suaves, em que a eletrônica tem um papel básico. As melodias são simples, as harmonias são reduzidas ao mínimo de notas, os instrumentos se sobrepõem por camadas (Eno toca sozinho metade das faixas), e todos, sem exceção, sofrem um tratamento específico, tem sua sonoridade alterada, seus timbres modificados. Onde o Pink Floyd, por exemplo, recorre a efeitos acústicos para fins ilustrativos, Eno incorpora sintetizadores, vozes e efeitos como um todo orgânico. Estamos ouvindo, pela primeira vez, um disco de rock em que a preocupação principal é com a textura dos sons, linhas do tecido musical, como meio de criação de uma atmosfera.


As atmosferas claras, luminosas de "St. Elmo´s Fire" (com solo perfeito de Fripp) ou "I'll Come Running" se alternam com as atmosferas inquietantes de "Sky Saw", que abre o álbum com uma base de quatro notas econômicas de guitarra "digital", ou "In Dark Trees", instrumental em que as guitarras recriam o efeito da buzina de um veículo em movimento. Além dos teclados, sintetizados ou não, Eno toca uma série de instrumentos inusitados: uma guitarra "serpente", outra "desértica" e até uma chamada "porrete", órgãos "encrespados", piano "incerto", um gerador de ritmos tratados, percussões elétricas, sintéticas, peruanas, "espasmódicas", "elementos elétricos", sons "não naturais" e fitas constam da ficha técnica.

Em 1982, Eno chegou a tecer alguns comentários a respeito: "Neste disco, procurei inscrever cada composição numa paisagem específica, de modo que o ambiente determinasse as formas de atividade instrumental que poderiam ocorrer. Isto se deu com mais frequência por meio de efeitos de eco mecânicos e eletrônicos e delays. Ecos de curta repetição sugerindo espaços urbanos retilíneos, por exemplo, e até hoje essas possibilidades têm sido usadas realisticamente para evocar espaços que fossem reconhecíveis. De Another Green World em diante, voltei meu interesse para o exagero e a invenção mais do que para a reprodução de espaços, experimentando em particular várias técnicas de distorção do tempo".

O álbum teve uma repercussão razoável quando lançado, mas abriu novos horizontes para "um outro mundo verde", cuja influência é determinante para a música deste final de século.

(Texto escrito por Jean Yves Neufville, Bizz#027, outubro de 1987)

3 de mar de 2016

Rolling Stones: os lindos pôsteres da turnê pela América Latina

quinta-feira, março 03, 2016


O giro dos Stones pela América Latina, com shows no Chile, Uruguai, Argentina, Peru e Brasil, lotou estádio e ficou marcada na história.

Além da comoção generalizada por estarmos bem próximos de uma das maiores bandas da história, outro fato chamou a atenção: os incríveis pôsteres oficiais para cada uma das apresentações.

Com belas artes explorando temas locais característicos de cada cidade por quais a banda passou, os pôsteres são altamente colecionáveis. 

Não consegui descobrir quem é o designer responsável pelo trabalho. Não tenho a confirmação definitiva, mas li alguns textos afirmando que as artes seriam de Theodora, uma das filhas de Keith. Mas, como disse, não sei se isso é verídico ou não, então se alguém souber de algo a respeito, poste nos comentários.

Abaixo, todos os lindos pôsteres da turnê dos Rolling Stones pela América Latina:













Free: 25 minutos fantásticos da banda ao vivo em 1970

quinta-feira, março 03, 2016

Promovendo o seu terceiro álbum, o clássico Fire and Water (1970), o Free participou do programa Doing Their Thing da Granada TV, emissora inglesa. 

Essas raras gravações foram lançadas no DVD Free Forever (2006), e portanto não são inéditas. Mas a qualidade do material e a classe da banda são motivos mais do que suficientes para assistir os caras tocando “Ride on Pony”, “Mr. Big”, “Songs of Yesterday”, “I'll Be Creepin’" e “All Right Now” mais uma vez.

Discoteca Básica Bizz #026: Caetano Veloso - Transa (1972)

quinta-feira, março 03, 2016

No fim da década de 1960, a música brasileira passava por um impasse. A força inovadora da bossa nova - a possibilidade de se fazer uma leitura sofisticada e universal do samba - já havia passado do auge. Os continuadores da bossa descambavam para a chamada "música de protesto". Na vertente oposta, a versão local do "iê-iê-iê", a jovem guarda, não primava pela criatividade. A tropicália implodiu a questão quando fez a ponte entre essas duas atitudes aparentemente inconciliáveis. A liberdade formal do tropicalismo foi um sopro de novidade. Se estendia desde a escolha dos ingredientes de sua geléia geral - de Vicente Celestino aos Beatles, passando (claro) por João Gilberto, - até roupas e capas de disco, fortemente influenciadas pelo psicodelismo.

Transa é o segundo LP do Caetano Veloso pós-tropicalista e o primeiro depois de seu exílio em Londres. Se o tropicalismo foi uma resposta pop aos tradicionalistas da MPB, Transa é uma espécie de reflexão em tons cinzentos sobre esse período. Na edição original era um disco-objeto: a capa se dobrava de maneira a formar um poliedro triangular. Foi produzido por Ralph Mace, o inglês que já havia produzido em Londres o seu álbum anterior (Caetano Veloso, de 1971).

Transa é um disco bilingue. Não só pelo fato de ser cantado em inglês e português, mas por transitar em duas linguagens musicais: o rock e a MPB. Mesmo recheado de referências e citações aos Beatles ("Woke up this morning / singing an old beatle song", em "It's a Long Way") e da bossa nova (trecho de "Chega de Saudades" que Gal canta em "You Don't Know Me"), ele declara sua independência de compromissos com qualquer forma de fazer música. Afinal, é como diz uma de suas mais belas canções, "Nine Out of Ten" (onde pela primeira vez ouvimos falar em reggae): "the age of music is past".


Assim, faixas com uma estrutura mais convencional convivem neste disco com canções como "Triste Bahia", um longo diálogo entre baixo e berimbau com trechos de um poema do poeta baiano oitocentista Gregório de Mattos ("Triste Bahia / Oh, quão dessemelhante / estais e estou no mesmo antigo estado / a ti tocou-te a máquina mercante / que em tua larga barra tem entrado") e de cantos de capoeira e afoxé - mais de seis minutos de uma longa litania que acaba num crescendo angustioso.

Ou então uma linda versão de "Mora na Filosofia", de Monsueto, com um brilhante arranjo que alterna momentos de economia - apenas baixo, violão e voz - com climaxes ("Pra que rimar amor com dor") com a percussão. Aqui, Caetano repete uma ideia utilizada no tropicalismo: a de recuperar pérolas esquecidas da MPB, re-arranjadas de forma moderna - e às vezes bastante inusitada -, coisa que irá repetir ao longo de sua carreira.

As letras falam o tempo todo de desterro - não o que ele viveu realmente, mas uma espécie de desterro tanto em relação à cultura brasileira quanto em relação à cultura pop. Começa com "You Don't Know Me" (em que Caetano faz um trocadilho com "at all" e Apple, a gravadora dos Beatles). Daí vem "I'm alive / vivo / muito vivo" - com o duplo sentido de "I'm alive / I'm a lie" - para concluir depois: "That's what rock and roll is all about", sempre invadidos por trechos de canções folclóricas e tradicionais.

Transa é um exemplo de como podem ser inteligentemente trabalhadas as referências folclóricas e as cosmopolitas, o simples e o sofisticado. O resultado é o melhor disco de Caetano Veloso - que, apesar dos "meninos do Rio" e outras babas afins posteriores, já teve momentos realmente brilhantes como compositor e letrista. E uma dica para quem tem má vontade com a música brasileira.

(Texto escrito por Bia Abramo, Bizz#026, setembro de 1987)

2 de mar de 2016

Metallica: os 30 anos de ‘Master of Puppets’ em destaque na Metal Hammer grega

quarta-feira, março 02, 2016

A nova edição da Metal Hammer grega tem como principal destaque os 30 anos do clássico Master of Puppets, terceiro disco do Metallica, lançado em 1986. Definido pela publicação como “o álbum que define perfeitamente o metal”, o título ganhou um especial de trinta páginas falando sobre a gravação, o legado, as letras, os riffs, as melodias e as histórias vividas pelo quarteto durante aquele período. Fechando a homenagem, a nova Metal Hammer grega vem com um CD tributo intitulado Greek Master of Puppets, com a participação de diversas bandas do país regravando as faixas do trabalho.

O número 375 da revista tem também uma longa matéria sobre o novo e grandioso álbum do Dream Theater e textos sobre Anthrax, Rhapsody, Borknagar, Entombed e Fleshgod Apocalypse, além de dois belos pôsteres: um em homenagem a Master of Puppets e outro trazendo Phil Lynnot.







Black Sabbath e Deep Purple: a genealogia intercalada das duas bandas inglesas

quarta-feira, março 02, 2016


Recebi um e-mail de um leitor chamado Hermes Nascimento dizendo que, em conversas com amigos, ele e sua turma perceberam o quanto as carreiras do Black Sabbath e do Deep Purple são intercaladas. E então, pra exemplificar tudo isso, ele criou um diagrama com toda a genealogia envolvendo as duas lendárias bandas inglesas.

Abaixo está o JPG mostrando esse compartilhamento de integrantes entre as famílias Sabbath e Purple. E aos interessados, é possível baixar o arquivo PDF com uma resolução maior clicando aqui. Tudo autorizado pelo Hermes, é claro.

Divirtam-se!


Genesis: nova edição da Prog celebra carreira de Phil Collins

quarta-feira, março 02, 2016

A nova edição da revista inglesa Prog, publicada pela mesma editora da Classic Rock e da Metal Hammer, celebra a longa carreira de Phil Collins. Trazendo uma profunda análise de toda a trajetória do vocalista e baterista desde os seus tempos de Genesis até a sua multi-platinada carreira solo, a publicação fala também das parcerias de Collins com nomes como Peter Gabriel, Eric Clapton e Led Zeppelin. Como bônus, a revista reavalia o álbum A Trick of the Tail, que completa 40 anos em 2016 e marcou a estreia de Phil como vocalista do Genesis, substituindo Gabriel.

O número 64 da Prog tem também uma entrevista exclusiva com Alan Parsons e matérias com bandas como Headspace, Shearwater, FM, Lucifer’s Friend, Steven Wilson, Tesseract e outras, além de um CD com faixas de artistas como Galahad, Gentle Knife e Antimatter.


Bruce Springsteen: Rolling Stone italiana traz The Boss em sua capa

quarta-feira, março 02, 2016

A edição de março da Rolling Stone italiana tem como destaque de capa Bruce Springsteen. A revista traz uma entrevista com o músico, onde Bruce fala do relançamento do álbum The River e também da autobiografia que está escrevendo.

A publicação vem também com matérias sobre Iggy Pop, Chris Martin, Michael Fassbender e outros.



Anthrax: 10 opiniões sobre ‘For All Kings’, novo álbum da banda

quarta-feira, março 02, 2016


Lançado em 26 de fevereiro, For All Kings, décimo-primeiro álbum do Anthrax, marca a estreia do guitarrista Jon Donais (Shadows Fall) substituindo Rob Caggiano (que foi para o Volbeat). O disco tem produção de Jay Ruston e um belo trabalho do ilustrador Alex Ross em sua capa.

Compilamos abaixo dez opiniões sobre o álbum, retiradas de veículos nacionais e estrangeiros. Pessoalmente, gostei do disco, mas ainda preciso ouvir mais vezes para formar uma opinião mais concreta. E você, o que achou de For All Kings?


For All Kings soa decepcionante. É a definição perfeita de um disco feito apenas para os fãs. Há a habitual competência musical e de produção, mas faltam ideias originais. For All Kings soa como um disco para cumprir obrigações contratuais e atender a demanda dos consumidores, distante de toda a glória alcançada pela banda no passado.
Consequence of Sound

Cheio de coros e riffs contagiantes, For Al Kings deixará os fãs satisfeitos. Em alguns aspectos é um trabalho mais focado que Worship Music, com desvios ocasionais para longe da agressividade e aproximando-se do hard moldado para as chamadas rádios rock. É uma mistura que combina com a banda e com o vocalista Joey Belladonna em particular. No entanto, é nos momentos mais rápidos que o Anthrax  alcança o mais difícil, mostrando-se um dos poucos nomes veteranos a ainda demonstrar um amor renovado pelo lado escuro do metal.
The Guardian

Os riffs são incisivos, a bateria é implacável, nenhuma nota é desperdiçada. O Anthrax atinge o equilíbrio entre a arte e o lado comercial de sua música, demonstrando porque é uma força de elite do heavy metal.
All Music

O Anthrax lançou um álbum bom o suficiente para seguir a tradição de discos como Among the Living e State of Euphoria. Na parte final de sua carreira, a banda demonstra energia e juventude renovadas, como uma turma de faculdade que se reencontra anos depois. 
Angry Metal Guy

For All Kings destaca-se com o poderoso thrash metal que é o som distinto do Anthrax. É difícil imaginar a banda de bermudas coloridas que gravou canções com um lado cômico tão evidente como “I'm the Man” fazendo esse disco.
PopMatters

O disco traz a sonoridade pela qual a banda é conhecida, mas também mostra o Anthrax explorando outras vias sonoras sem perder contato com o núcleo do seu som.
Loudwire

De modo geral, For All Kings possui momentos interessantes e músicas que se sobressaem, porém fica bem abaixo tanto de Worship Music quanto de We’ve Come For You All, seus dois antecessores diretos.
Van do Halen

O grande mérito de For All Kings é conseguir unir o thrash ao metal moderno com grandiosos refrãos e não soar forçado em nenhum deles. A banda já teve diversos vocalistas e se Joey Belladonna não é o seu favorito é bem possível que isso estrague um pouco de sua experiência com o álbum. Se você não tem problemas com isso, então 2016 está começando pesado, denso, divertido e com um ótimo exemplo de metal que vale a pena ser ouvido.
Escuta Essa

For All Kings é um álbum muito agradável. Ele vai fazer você se sentir nostálgico, mas também traz alguns truques novos na manga. Você só precisa manter a mente aberta e dar uma chance para que o disco o conquiste mais e mais a cada nova audição.
Metal Wani

Scott Ian afirmou que For All Kings é o disco mais metal gravado pelo Anthrax nos últimos anos. Apesar do enorme clichê que essa afirmação carrega, ele não está mentindo. A banda fez mais uma vez um álbum excelente, pra encher de vergonha seus acomodados colegas de geração.
Sputnik Music

Discoteca Básica Bizz #025: Jimi Hendrix - Electric Ladyland (1968)

quarta-feira, março 02, 2016

Hendrix transformou a linguagem e expandiu os horizontes da guitarra elétrica no rock. Sua concepção musical transpunha as fronteiras das classificações, resgatando toda a tradição da música negra, ao mesmo tempo que apontava as principais tendências que viriam a emergir na década de 1970 (heavy metal, jazz rock, progressivo). A naturalidade com que arrancava - de inúmeras maneiras - inacreditáveis solos de sua Fender e criava melodias com efeitos de pedais e microfonias, era espantosa. Jimi ao vivo - incendiário em Monterey ou lançando bombas no hino nacional americano em Woodstock - fazia de sua guitarra uma extensão de seu próprio corpo e alma.

Mas também existia um outro Jimi, aquele dos estúdios e jam sessions, um experimentador fascinado pelo desenvolvimento das técnicas de gravação e efeitos, e que mais tarde montaria seu próprio estúdio (o Electric Lady, em Nova York). 

A interação mais perfeita dessas duas facetas de Jimi ocorre exatamente no terceiro e último álbum que ele gravou com o Experience, o duplo Electric Ladyland. O seu primeiro LP era pura explosão, uma transposição para o vinil da energia em estado bruto que emanava do som de Hendrix. Depois veio Axis: Bold as Love com seus temas lisérgicos e maior elaboração no trabalho de estúdio, através de recursos técnicos então inovadores como o pan (efeito de estéreo em que um som passa de um canal ao outro).


Em Electric Ladyland estes experimentos de estúdios foram levados adiante. Mais do que nunca, Jimi sentia-se à vontade para ousar. Isso já se nota na superposição de efeitos da vinheta introdutória "And the Gods Made Love". "Você já esteve na terra das mulheres elétricas / O tapete mágico espera por você / Então não se atrase", canta Jimi na faixa título. É o convite para uma imagem que segue através do tráfego da cidade e depois envereda pelo blues rasgado em "Voodoo Chile". 

O lado 2 começa com duas boas canções, mas menores em relação ao conjunto: "Little Miss Strange" (do baixista Noel Redding) e "Long Hot Summer Night". Mas ganha corpo novamente a partir de uma versão de "Come On" de Earl King, e torna a brilhar no funk sincopado de "Gipsy Eyes" e nas linhas melódicas de "The Burning of the Midnight Lamp".

O segundo disco começa com a longa introdução tendendo para o blues de "Rainy Day, Dream Away”. O lado 3 conta apenas com mais duas músicas, que na verdade são uma única suíte, na qual vários climas se sucedem de maneira sublime. 

No último lado do disco há "Still Raining, Still Dreaming" - uma recriação da faixa que abre o lado 3 - que é seguida pelo pique de "House Burning Down", para encerrar-se com duas faixas geniais: "All Along the Watchtower", a versão definitiva da canção de Dylan, e "Voodoo Child (Slight Return)", outra recriação estupenda que abre espaço para novos vôos de Hendrix. 

Esse disco expõe as drogas mais pesadas que fizeram sua cabeça: blues, funk e rock and roll. Uma fórmula simples, que ele dosava com sua guitarra, seu fuzz e seu wah-wah. Só mesmo Syd Barrett conseguiu (um ano antes) pintar com cores psicodélicas um painel tão significativo, tão adiante das manias musicais da época - como o blues branco e o rhythm & blues.

O lançamento de Electric Ladyland coincidiu com o fim do Experience (Jimi, Noel e Mitch Mitchell na bateria). Hendrix iria montar a Band of Gypsys com o baixista Billy Cox e batera Buddy Miles (ex-Electric Flag), gravando um álbum ao vivo no show realizado no Fillmore East (em Nova York) na noite de ano novo de 1969/1970. Novamente com Mitchell no lugar de Buddy Miles, Jimi faria The Cry of Love, seu último disco antes de morrer repentinamente aos 27 anos em 18 de setembro de 1970. Uma vida curta, um enorme legado.

(Texto escrito por Celso Pucci, Bizz #025, agosto de 1987)

1 de mar de 2016

Decibel Tour: atrações deste ano em destaque na nova edição da Decibel

terça-feira, março 01, 2016


A nova edição da revista norte-americana Decibel, especializada em metal extremo, traz como destaque de capa as atrações da The Decibel Magazine Tour 2016. Anualmente, a publicação promove uma turnê pelos Estados Unidos, e este ano as atrações serão Abbath, High on Fire, Skeletonwitch e Tribulation.

O número 138 da Decibel vem também com matérias sobre o Megadeth, Carcass, Rotting Christ, Fates Warning, Church of Misery e outros, além de um flexy-disc (tipo um disco de vinil mais flexível) do Tribulation.



Conheça a Iron Fist, revista inglesa especializada em metal da década de 1980

terça-feira, março 01, 2016

Criada em 2012, a Iron Fist é uma revista inglesa que tem como foco principal a cena heavy metal dos anos 1980. À frente da revista estão Will Palmer (baixista do Angel Witch desde 2008) e Louise Brown (ex-editora da Terrorizer). O primeiro número chegou às bancas em setembro de 2012, e desde então já foram lançadas dezesseis edições.

Apresentando-se como “a bíblia para quem não consegue viver sem jeans e couro”, a Iron Fist chama a atenção por trazer pautas originais e que não são vistas de maneira habitual em outras publicações direcionadas ao público heavy metal. Geralmente, a revista traz matérias especiais com análises extensas sobre períodos específicos das carreiras das bandas, apresentando novas informações e abordagens a respeito de épocas adoradas pelos fãs. 

Ao mesmo tempo em que estampa em sua capa nomes lendários como W.A.S.P., Venom, Megadeth, Saxon, Judas Priest, Bathory, Dio, Motörhead e outros, a Iron Fist também abre espaço para grupos atuais como Watain, In Solitude, Horisont, Gentleman’s Pistols, Kadavar e mais um monte de gente que traz em sua música aspectos que remetem ao som característico da primeira metade da década de 1980.

Sem focar em um estilo específico, a revista abre espaço para bandas de metal tradicional, thrash, death, black, doom e outros, sempre privilegiando artistas com uma pegada mais old school.

Aos interessados, é possível adquirir números avulsos ou assinar a Iron Fist no site da publicação.

Abaixo, algumas capas pra sentir o clima e a proposta da Iron Fist.














Tirando a poeira do tímpano: 20 novas bandas de rock pra curtir

terça-feira, março 01, 2016


Obviamente, rock bom não é apenas rock antigo. Tem muitas bandas excelentes fazendo discos legais agora mesmo, e em todo o mundo. Basta não ficar preso somente aos mesmos nomes de sempre, abrir os ouvidos e perceber como a música segue forte.

Abaixo estão vinte bandas recentes que gravaram álbuns excelentes nos últimos anos. Tem nomes novos e outros já habituais de quem gosta de garimpar novidades. Tem blues, tem blues rock, southern, hard - pra todos os gostos.

Leia no volume máximo!


John J. Presley

Um Presley pra começar. Mas não aquele que você conhece. Este nem norte-americano é. John J. Presley vem de Birmingham, terra do Black Sabbath e do Judas Priest. Mas não faz rock pesado. O lance aqui é blues. Cavernoso, pesado, sombrio - dos bons. Com um timbre vocal que parece uma mistura entre Howlin’ Wolf e Tom Waits e composições que são uma amálgama entre Jimi Hendrix e The Black Keys, o rapaz tem os elementos necessários para conquistar novos admiradores já na primeira audição. Com apenas dois singles e um EP (White Ink, lançado em 2015), John J. Presley mostrou a que veio. E que veio pra ficar.





Miraculous Mule

Trio inglês. Blues com influências claras da sonoridade de New Orleans, o que dá um certo toque gospel em alguns trechos. A banda lançou apenas dois discos até o momento - Deep Fried (2013) e Blues Uzi (2014), ambos muito interessantes.





Kill It Kid

Ingleses tocando blues rock, com uma voz feminina e outra masculina. O Kill It Kid já lançou três discos - a estreia auto-intitulada em 2009, Feet Fall Heavy (2011) e You Owe Nothing (2014). Este último caiu nas graças do pessoal da Classic Rock, que deu uma respeitável nota 9 para o álbum. Melodia aliada à rispidez, com influência de Black Keys e Janis Joplin, principalmente pelo timbre da vocalista e tecladista Stephanie Ward.




Henry’s Funeral Shoe 


Mais blues, só que agora galês. O Henry’s Funeral Shoe é um duo de guitarra e bateria e vem com influências de White Stripes e Black Keys. O som é um hard blues feroz, que esbanja pegada e uma brutalidade até certo ponto punk. Dois discos na carreira, e como tempero especial um certo tempero que remete ao The Who.






Buffalo Killers

Banda natural de Cincinnati, Ohio. O centro do Buffalo Killers são os irmãos Gabbard, Andrew (guitarra) e Zachary (baixo), que se alternam nos vocais. Um som com influências da neo-psicodelia, pesado, empoeirado e lisérgico. Ecos de Neil Young, The Band, The Byrds e Rolling Stones, além do sempre agradável clima do southern rock. É aumentar o volume e curtir!





Deap Vally

Duo feminino, bateria e guitarra, auto-denominado como “um encontro entre o White Stripes e o Led Zeppelin”. Ouvindo o até agora único disco lançado pelo Deap Vally, Sistrionix (2013), não há muito o que discutir. Música cativante, cheia de energia e refrãos fortes. Vem junto!





Dead Sara

Hard rock vindo de Los Angeles, com vocais femininos e ótimas canções. O Dead Sara foi formado em 2005 e desde então gravou dois discos: a estreia auto-intitulada (2012) e Pleasure to Meet You (2015). Influências de blues e o vocal visceral da bela Emily Armstrong são ingredientes especiais na sonoridade do quarteto.





Crobot

Certas bandas você ouve e já sabe que vão te acompanhar por um bom tempo. Este é o caso do Crobot. São quatro nerds barbudos naturais da Pensilvânia, cujo disco de estreia (e até agora único registro do grupo) foi um dos grandes álbuns lançados em 2014. Something Supernatural traz influências de gigantes como Led Zeppelin, Black Sabbath, Soundgarden e Clutch, em onze faixas pesadas e cativantes.





Monster Truck

Naturais da pequena cidade canadense de Hamilton, o Monster Truck tem chamado a atenção a cada novo lançamento. Executado um hard rock gorduroso e cativante, o quarteto já liberou dois EPs e dois álbuns, sendo que o último, Sittin’ Heavy, acabou de sair. Um dos nomes mais legais da nova geração.





The Sheepdogs

Quem está mais ligado já colocou o Sheepdogs entre as suas bandas favoritas há um bom tempo. O grupo canadense surgiu com força em 2007 e desde então lançou cinco discos. O lance aqui é southern rock com generosas doses de Allman Brothers e country. Som pra pegar a estrada, embalando a viagem com excelentes canções.





Night Horse

Quinteto de Los Angeles que executa um hard rock com influência de nomes como ZZ Top e Alice Cooper, bem na linha da safra setentista. Dois discos na carreira, The Dark Won’t Hide You (2008) e Perdition Hymns (2010). Daquelas bandas que você se apaixona já na primeira audição, portanto, cuidado.





Dirty Sweet

Essa banda é especial. De todas indicadas neste post, é a que mais curto. O grupo vem de San Diego e foi formado em 2003. No entanto, apesar do longo tempo de carreira, o Dirty Sweet lançou apenas dois discos, ambos ótimos: … Of Monarchs and Beggars (2007) e American Spiritual (2010). A sonoridade é um southern rock rico em melodias e refrãos fortes, que prende a alma e o coração ao primeiro acorde. Infelizmente, os caras entraram em uma espécie de hibernação nos últimos anos. A boa notícia é que os rumores sobre um novo disco crescem a cada dia. Vamos torcer!





SIMO

Banda do guitarrista J.D. Simo, apadrinhado por Joe Bonamassa. A estreia foi lançada no início do ano e é indicada para quem curte a tradição de power trio lendários como Cream, Jimi Hendrix Experience e Grand Funk Railroad. Música focada na guitarra, que despeja riffs e solos inspirados, todos vindos da rica herança do blues e encorpados com boas doses de peso. Um dos grandes discos deste ano, pode ter certeza.





The Temperance Movement

Contando com um vocalista que parece uma mistura de Bon Scott com Brian Johnson, a banda londrina The Temperance Movement chamou a atenção em 2013 com o seu disco de estreia, batizado apenas com o nome do grupo. Executando um rock básico e com toques de blues e southern, o quinteto excursionou abrindo para os Rolling Stones e fez o seu nome na estrada. O novo álbum dos caras, White Bear, saiu no início de 2016.





The Cadillac Three

Trio natural de Nashville, cuja música é um southern rock que equilibra com maestria hard e country rock. Só um disco na carreira, o ótimo Tennessee Mojo, lançado em 2014. Pra orgulhar a família Van Zant!





The London Souls

Dupla natural do Brooklyn, apesar do nome. Esses nova-iorquinos estrearam em 2011 e lançaram apenas em 2015 o seu segundo disco, intitulado Here Come the Girls. Rock retrô, bem anos 1970, com influência de Led Zeppelin e outros gigantes do período. Pra ficar de olho!





Whiskey Myers

Ao lado do Blackberry Smoke, o Whiskey Myers é um dos principais nomes do southern rock contemporâneo. Na ativa desde 2008, a banda já lançou três discos - Road of Life (2008), Firewater (2011) e Early Morning Shakes (2014) -, todos repletos de ótimas faixas e que caem como uma luva nos ouvidos de quem cresceu ouvindo Lynyrd Skynyrd. Uma das canções da banda, a bela “Ballad of a Southern Man”, já nasceu clássica.





Blackberry Smoke

O Blackberry Smoke já é bem conhecido do povo, mas é sempre bom recomendar a banda para aqueles que ainda não escutaram a sua excelente música. A banda vem de Atlanta e possui quatro álbuns, sendo que o terceiro, o espetacular The Whippoorwill (2012), é considerado de maneira justa e unânime como um dos grandes discos da história do southern rock. Comece por ele e apaixone-se pela sua nova banda favorita!





Weird Owl

Pra fechar, uma musiquinha mais viajante. O lance dos nova-iorquinos do Weird Owl é um rock psicodélico inspirado, cheio de climas e trechos acachapantes. Com uma trinca de belos discos, o grupo tem conquistado mais espaço e reconhecimento ano a ano.

ONLINE

PAGEVIEWS

PESQUISE