27 de mai de 2016

Os Melhores Discos de Todos os Tempos: 1992

sexta-feira, maio 27, 2016

O ano consolidou o crescimento do grunge, amparado pelo lançamento do segundo álbum do Alice in Chains, o excelente Dirt, e pelo filme (e sua trilha) Singles, que documentou o gênero para as futuras gerações.

No heavy metal, o Megadeth transformou a sua música em Countdown to Extinction, enquanto o Dream Theater se mostrou ao mundo com Images and Words. O Iron Maiden colocou nas lojas Fear of the Dark e o Black Sabbath retomou a parceria com Ronnie James Dio com o cultuado Dehumanizer.

Madonna seguiu causando no mundo pop colocando doses enormes de erotismo em Erotica, que veio acompanhado de um livro repleto de fotos provocantes. Withney Houston consolidou-se como uma força respeitável na indústria com a platinada trilha do filme O Guarda-Costas, enquanto o hip hop experimentou picos de criatividade e popularidade tendo Dr. Dre à frente. Falando no gênero, Ice-T montou o Body Count e uniu o estilo ao metal de maneira até então inédita, gravando um disco histórico.

No rock, o R.E.M. manteve a sua ascensão, enquanto o Black Crowes escreveu o belo segundo capítulo de sua carreira. Kyuss, Sleep e Trouble mostraram ao mundo o que era stoner, e o Rage Against the Machine estreou despejando a sua raiva em uma excepcional mistura de gêneros.



Os principais fatos do ano foram:

- no dia 11 de janeiro o Nirvana chegou pela primeira vez ao topo da parada norte-americana, com Nevermind assumindo a primeira posição no Billboard 200 e marcando o início do domínio do grunge, que se estenderia por boa parte da década de 1990

- após um longo boicote cultural em protesto à segregação racial e que envolveu até a ONU, Paul Simon tornou-se o primeiro artista de grande porte a se apresentar na África do Sul, tocando no país no dia 11 de janeiro

- o Mötley Crüe anunciou a saída de Vince Neil no dia 18 de fevereiro

- Kurt Cobain e Courtney Love casaram-se em 24 de favereiro

- em 20 de abril aconteceu no estádio de Wembley, em Londres, o The Freddie Mercury Tribute Concert, que teve toda a renda arrecadada aplicada em pesquisas a respeito da AIDS. Tocaram no evento nomes como Metallica, Def Leppard, Guns N’ Roses, U2, David Bowie e os remanescentes do Queen, que foram acompanhados por diversos artistas em um show emocionante em memória a seu falecido vocalista

- David Bowie e a modelo Iman Abdulmajid casaram-se no dia 24 de abril. Bowie ficaria com a esposa até o final da vida

- no dia 6 de maio Rob Halford anunciou a sua saída do Judas Priest

- em 7 de maio John Frustrante anunciou a sua saída do Red Hot Chili Peppers. O guitarrista retornaria à banda em 1998

- “November Rain”, do Guns N’ Roses, entrou para o Guinness Book no dia 11 de julho como a mais longa canção lançada como single, com 8 minutos e 57 segundos de duração

- em 8 de agosto James Hatfield sofreu sérias queimaduras após um acidente com os efeitos de pirotecnia durante um show do Metallica no Estádio Olímpico de Montreal, no Canadá. A apresentação teve a sua segunda hora cancelada, e o Guns N’ Roses, que deveria tocar na sequência, também cancelou o seu show devido a problemas na garganta de Axl Rose. Os fatos causaram uma grande revolta no público, que promoveu um quebra-quebra generalizado no local e nas ruas da cidade canadense

- em 18 de agosto nasceu Frances Bean Cobain, primeira e única filha de Kurt Cobain e Courtney Love

- Frank Zappa realizou a sua última aparição pública em 17 de setembro no Frankfurt Festival, na Alemanha. O músico, debilitado por um severo câncer de próstata, foi ovacionado por mais de 20 minutos pela audiência

- em 15 de novembro Ozzy Osbourne realizou o último show de sua turnê de despedida, na California. Como sabemos, ele continua na ativa

- Bill Wyman anunciou a sua saída dos Rolling Stones no dia 3 de dezembro



Foram formadas em 1992 bandas como Amon Amarth, Atari Teenage Riot, The Atomic Bitchwax, Blink-182, Charlie Brown Jr., Collective Soul, Edguy, Elastica, Everclear, Gorgoroth, Gotthard, Grandaddy, Jamiroquai, Lordi, Millencolin, Moonspell, Pato Fu, P.O.D., Porno for Pyros, Pro-Pain, Puddle of Mudd, Spiritual Beggars, Spock’s Beard, Stereophonics, Three Days Grace e Weezer. Encerraram suas atividades durante o ano Armored Saint, Atheist, Europe (a banda se reuniria em 1998), Fine Young Cannibals, MC5, Sanctuary, Slade, Styx, The Sugarcubes, Temple of the Dog e White Lion.

Nasceram em 1992 Selena Gomez (22/07), Frances Bean Cobain (18/08), Demi Lovato (20/08), Mallu Magalhães (29/08) e Miley Cyrus (23/11). Faleceram durante o ano Jerry Nolan (14/01), Willie Dixon (29/01), Astor Piazzolla (04/07), Jeff Porcaro (05/08), John Cage (12/08) e Albert King (21/12).

Foram induzidos ao Rock and Roll Hall of Fame em 1992:

Booker T. and The MG’s
Johnny Cash
Sam & Dave
The Isley Brothers
The Jimi Hendrix Experience
The Yardbirds

Os vencedores das principais categorias da 34ª edição do Grammy foram:

Gravação do Ano e Canção do Ano: “Unforgettable, de Natalia Cole e Nat King Cole
Álbum do Ano: Unforgettable … with Love, de Natalie Cole
Melhor Artista Novo: Marc Cohn

Nas listas de melhores do ano das principais revistas de música do período, os vencedores foram:

Kerrang!: Dirt, do Alice in Chains
Melody Maker: Automatic for the People, do R.E.M.
NME: Copper Blue, do Sugar
Rolling Stone: Automatic for the People, do R.E.M.
Spin: Slanted and Enchanted, do Pavement



Os cinco maiores hits do ano foram “I Will Always Love You” de Whitney Houston, “Smells Like Teen Spirit” do Nirvana, “End of the Road” do Boyz II Men, “Rhythm is a Dancer” do Snap! e “To Be With You” do Mr Big.

Também fizerem muito sucesso durante o ano as seguintes músicas:

“Baker Street”, do Undercover
“Be Quick or Be Dead”, "Fear of the Dark" e "Wasting Love", do Iron Maiden
“Come As You Are” e “In Bloom", do Nirvana
“Connected”, do Stereo MCs
“Don’t Talk Just Kiss” e “I'm Too Sexy, do Right Said Fred
“Dur dur d’être bébé”, de Jordy
“Drive” e “Man on the Moon", do R.E.M.
“Erotica”, da Madonna
“Free Your Mind”, do En Vogue
“Friday I’m In Love”, do The Cure
“How Do You Do!”, do Roxette
“Human Touch”, de Bruce Springsteen
“I Drove All Night”, de Roy Orbison
“Iron Lion Zion”, de Bob Marley
“It's My Life”, do Dr Alban
“Keep the Faith”, do Bon Jovi
“Midlife Crisis”, do Faith No More
“My Name is Prince” e “Sexy MF", de Prince
“Nuthin' But a ‘G' Thang”, de Dr. Dre e Snoop Dogg
“Please Don’t Go”, do Double You
“Sweat (A La La La La Long)”, do Inner Circle
“Take a Chance on Me”, do Erasure
“Tears in Heaven”, de Eric Clapton
“The One”, de Elton John
“Too Funky”, de George Michael
“Viva Las Vegas”, do ZZ Top
“Why”, de Annie Lennox



A parada norte-americana foi dominada pelo country durante boa parte do ano. Ropin’ the Wind, terceiro disco de Garth Brooks, ficou durante 10 semanas no topo, enquanto The Chase, seu quarto disco, foi líder por 7 semanas. Some Gave All, estreia de Billy Ray Cyrus, permaneceu na primeira posição durante 17 semanas consecutivas, de metade de junho até o início de outubro. Outros grandes best sellers foram Adrenalize do Def Leppard (5 semanas na primeira posição) e a trilha do filme O Guarda-Costas, de Whitney Houston (3 semanas). 

O single mais vendido no mercado norte-americano em 1992 foi “End of the Road”, do Boys II Men, enquanto Ropin’ the Wind, de Garth Brooks, foi o disco mais vendido.

No Reino Unido, “I Will Always Love You” vendeu mais de 1 milhão de cópias e foi o single mais vendido, enquanto Stars, do Simply Red, foi o disco mais vendido do ano.



Mantendo a mesma metodologia dos anos anteriores, realizamos uma pesquisa em levantamentos similares publicados nos mais diversos veículos com o objetivo de identificar os discos mais significativos do ano. Feito isso, submetemos cada um desses títulos às notas atribuídas a eles por revistas e sites especializados em música, lançamos em nossa planilha e chegamos ao resultado abaixo.

Com vocês, os melhores discos lançados em 1992 (apenas discos de estúdio, pois como é padrão neste tipo de listas, álbuns ao vivo e compilações não entram):

50 Gary Moore - After Hours
49 Screaming Trees - Sweet Oblivion
48 Iron Maiden - Fear of the Dark
47 En Vogue - Funky Divas
46 Sonic Youth - Dirty
45 Danzig - Danzig III: How the Gods Kill
44 Vários - Singles Soundtrack
43 Brutal Truth - Extreme Conditions Demand Extreme Responses
42 Joe Satriani - The Extremist
41 L7 - Bricks Are Heavy
40 Suicidal Tendencies - The Art of Rebellion
39 Lucinda Williams - Sweet Old World
38 Kiss - Revenge
37 Obituary - The End Complete
36 Blind Melon - Blind Melon
35 W.A.S.P. - The Crimson Glory
34 White Zombie - La Sexorcisto: Devil Music Vol. 1
33 Sleep - Sleep’s Holy Mountain
32 Lemonheads - It’s a Shame About Ray
31 Social Distortion - Somewhere Between Heaven and Hell
30 Neil Young - Harvest Moon
29 Morrissey - Your Arsenal
28 Sugar - Copper Blue
27 Solitude Aeturnus - Beyond the Crimson Horizon
26 Helmet - Meantime
25 Roger Waters - Amused to Death
24 Pavement - Slanted and Enchanted
23 Trouble - Manic Frustration
22 Tori Amos - Little Earthquakes
21 Stone Temple Pilots - Core
20 Dream Theater - Images and Words
19 Darkthrone - A Blaze in the Northern Sky
18 Blind Guardian - Somewhere Far Beyond
17 Body Count - Body Count
16 Uncle Tupelo - March 16-20, 1992
15 Ministry - Psalm 69
14 PJ Harvey - Dry
13 The Jayhawks - Hollywood Town Hall
12 Black Sabbath - Dehumanizer
11 Faith No More - Angel Dust
10 The Black Crowes - The Southern Harmony and Musical Companion
9 Kyuss - Blues for the Red Sun
8 Megadeth - Countdown to Extinction
7 Rage Against the Machine - Rage Against the Machine
6 Leonard Cohen - The Future
5 Beastie Boys - Check Your Head
4 R.E.M. - Automatic for the People
3 Dr. Dre - The Chronic
2 Alice in Chains - Dirt
1 Pantera - Vulgar Display of Power

Meu top 10 do ano é esse:

1 The Black Crowes - The Southern Harmony and Musical Companion
2 R.E.M. - Automatic for the People
3 Leonard Cohen - The Future
4 Pantera - Vulgar Display of Power
5 Alice in Chains - Dirt
6 Rage Against the Machine - Rage Against the Machine
7 Faith No More - Angel Dust
8 Body Count - Body Count
9 Dream Theater - Images and Words
10 Megadeth - Countdown to Extinction

Abaixo você tem uma playlist com os maiores hits e as músicas mais significativas do ano. E nos comentários queremos saber quais foram os melhores discos lançados em 1992 na sua opinião. Poste a sua lista!

Roadies: nova série sobre música criada por Cameron Crowe

sexta-feira, maio 27, 2016

Cameron Crowe, diretor de Quase Famosos, Vanilla Sky, Jerry Maguire e Singles, é a mente por trás de Roadies, nova série do canal norte-americano Showtime. A trama, como o título deixa claro, foca nos roadies, profissionais essenciais na indústria da música e responsáveis desde por montar um palco até serem uma espécie de braço direito dos músicos. A produção tem J. J. Abrams, o cara de Lost, e o elenco conta com nomes como Luke Wilson, Carla Cugino, Imogen Poots e Rafe Spall.

A série estreará no próximo dia 26 de junho no Showtime, canal que tem algumas de suas produções transmitidas no Brasil pela HBO, como Ray Donovan e Penny Dreadful.

Pelo que dá pra sentir nos dois trailers já divulgados, Roadies parece ser uma espécie de Vinyl mais light e com uma pegada muito mais positiva.

Assista aos trailers abaixo:

25 de mai de 2016

24 de mai de 2016

Dillo: assista ao criativo clipe de “Mamãe, Mamãe”

terça-feira, maio 24, 2016

O excelente Dillo, vocalista e guitarrista brasiliense cujo trabalho indicamos recentemente no Sala de Som, nosso canal no YouTube, lançou o clipe da faixa “Mamãe, Mamãe”, dando fim a um hiato de quatro anos sem material inédito.

A canção, vencedora da categoria Melhor Letra no Festival de Música da Rádio Nacional FM em 2015, ganhou um clipe muito criativo, cheio de metalinguagem e com uns toques de surrealismo. Cantada a partir do ponto de vista de uma garota que está passando pela puberdade, a canção é uma ótima prévia do novo disco do artista, intitulado apenas Dillo e com data de lançamento prevista para o mês de julho.


A direção é de André Gonzales (vocal do Móveis Coloniais de Aracaju) em parceria com o fotógrafo André Miranda. Assista abaixo, porque vale muito a pena!

Reviews: Miles Davis, Amon Amarth, Ace Frehley, Cyndi Lauper e Criolo

terça-feira, maio 24, 2016

Uma passada geral em alguns discos lançados nas últimas semanas e que ainda não foram comentados aqui no site. Reviews rápidos e diretos, pra você sacar o que cada um contém e atiçar a curiosidade para ouvi-los. 


Bom apetite!


Miles Ahead Soundtrack (2016)

Trilha sonora do filme dirigido e estrelado por Don Cheadle, e que conta a história do genial Miles Davis. Canções de Miles intercaladas com diálogos do filme. A trilha traz onze faixas do lendário jazzista, começando em 1953 e indo até 1981. Algumas estão editadas - casos de “Solea”, “Seven Steps to Heaven”, “Nefertiti”, “Duran”, “Black Satin” e “Black Seat Betty” -, e funcionam como pinceladas generosas no vasto catálogo de Miles. E ainda temos clássicos do quilate de “So What”, brilhando em todo o seu esplendor. Completam o tracklist canções do pianista Taylor Eigsti e quatro novas composições escritas por Robert Glasper, pianista e produtor norte-americano, com destaque para “What's Wrong With That?”, onde Glasper toca ao lado de Keyond Harrold, Herbie Hancock, Wayne Shorter, Esperanza Spalding, Antonio Sanchez e Gary Clark Jr. Nunca ouviu Miles Davis? Nunca escutou jazz? Essa trilha pode ser um primeiro passo para se apaixonar pelo gênero.


Amon Amarth - Jomsviking (2016)

Décimo álbum da banda sueca, um dos principais expoentes do metal viking. Produção do respeitado Andy Sneap (Opeth, Trivium, Dimmu Borgir) em um trabalho conceitual que versa sobre os jomsvikings, uma ordem de mercenários do século X. Liricamente, histórias de heroísmo, lutas, confronto e derramamento de sangue. Musicalmente, enormes doses de melodia caminham lado a lado com peso e brutalidade, criando canções cinematográficas e altamente cativantes. Um dos melhores discos do Amon Amarth.


Ace Frehley - Origins, Vol. 1 (2016)

Novo álbum solo do lendário guitarrista da formação clássica do Kiss, uma espécie de Keith Richards do hard rock. O disco traz doze releituras para clássicos do rock, passando por canções do Cream, Rolling Stones, Jimi Hendrix, Free, Thin Lizzy, Steppenwolf e do próprio Kiss. Com participações especiais de Slash, Lita Ford, Mike McCready e John 5, além do chapa Paul Stanley, o Spaceman gravou um disco honesto e que explora as suas principais influências. Rock dos bons e pra lá de divertido!


Cyndi Lauper - Detour (2016)

Caso você não acompanhe o que Cyndi Lauper andou fazendo nos últimos anos, o susto em ouvir seu novo disco será grande. Após se aventurar por álbuns de blues, a cantora que ficou famosa pelo pop vigoroso na segunda metade da década de 1980 aposta em country e em um tempero western em seu novo álbum. Ainda que o resultado não seja brilhante, Detour mostra a versatilidade de Cyndi, seja explorando novas sonoridades ou dividindo o microfone com nomes como Willie Nelson, Emmylou Harris, Vince Gill, Jewel e Alison Krauss. Vale a audição.


Criolo - Ainda Há Tempo (2016)

Ainda Há Tempo é a regravação do primeiro álbum de Criolo, lançado em 2006, atualizando a sua sonoridade com uma nova produção, a cargo do parceiro Daniel Ganjaman. Limpando o excesso do disco original (das 22 faixas, apenas 9 estão na nova versão), essa nova versão resgata boas canções desconhecidas do público e dá um tratamento mais adequado às ideias do início da carreira do rapper. Indicado principalmente pra quem é fã da faceta mais hip hop do artista, que em discos como Nó na Orelha (2011) e Convoque Seu Buda (2014) experimentou com diversos outros gêneros (na maioria dos casos com resultados excelentes, diga-se de passagem), deixando um pouco de lado a sonoridade pela qual surgiu. Enquanto não vem o novo disco, Ainda Há Tempo aplaca a sede.

Discoteca Básica Bizz #047: Talking Heads - Talking Heads: 77 (1977)

terça-feira, maio 24, 2016


Uma história verdadeira: era uma vez uma banda que, sem sombra de dúvida, merecia ter os seus quatros primeiros álbuns em qualquer lista de melhores de todos os tempos. Sob este aspecto, além de sua formação relativamente recente, este fato se tornaria ainda mais incrível ao constatar-se que seus membros - depois de incursões solo e/ou com outros músicos e grupos - voltariam a se reunir para apresentar durante a década seguinte um sólido trabalho que, se já não possuía o mesmo teor inovador de sua fase anterior, ainda primava pela coesão e integridade.

Pois bem. O nome desta banda era Talking Heads e os álbuns acima citados intitulavam-se Talking Heads: 77 (1977), More Songs About Building and Food (1978), Fear of Music (1979) e Remain in Light (1980). Estes três últimos LPs, porém, já contavam com as mãos do não-músico Brian Eno na produção. Eno, que anteriormente havia produzido uma fita demo com o Television - algo como uma banda-gêmea dessa primeira fase dos Heads -, partiu desta experiência abortada para uma profícua e crescente colaboração com as cabeças falantes e especialmente com seu band leader, David Byrne (que se estenderia inclusive ao LP My Life in the Bush of the Ghosts, feito em colaboração com Eno em 1980). Esta conjunção levaria o som dos Heads para oceanos musicais nunca dantes navegados e, em sua gradativa fusão de sons eletrônicos com polirritmia percussiva, influenciaria de modo incisivo o panorama da música pop dos anos 1980.

No entanto, a gênese dessa estética já estava condensada na despojada instrumentalização e na força das composições de seu LP de estreia, Talking Heads: 77. Um álbum que transcendia por sua criatividade os próprios limites do cenário insurgente do punk-rock nova-iorquino, depurando esta energia através da sutileza instrumental e com isso conseguindo um resultado excepcionalmente original dentro de um contexto de absoluta efervescência criativa, em que despontavam nomes como Patti Smith, Ramones, Blondie e outros que tornaram legendário o então obscuro clube noturno CBGB, em Nova York.



No caso dos Heads, o núcleo inicial surgiu quando David Byrne decidiu formar uma banda, junto com seu colega da Rhode Island School of Design, Chris Frantz, também baterista. Eles chegaram a fazer algumas apresentações, às vezes denominando-se The Artistics, e outras, The Autistics. Mas a ideia só tomou fôlego quando convocaram a namorada de Chris, Martina Weymouth, para o baixo, e mudaram-se para Nova York, em 1974. Já como Talking Heads, o trio começou a se destacar no circuito local, mas foi a entrada de Jerry Harrison (ex-Modern Lovers) na segunda guitarra e teclados que daria um formato definitivo ao som da banda.

Com essa formação eles entraram em um pequeno estúdio durante janeiro de 1977 para as sessões de gravação de seu primeiro LP, um álbum extraordinário, dadas as circunstâncias em que foi feito. O clima no estúdio era de tensão permanente entre a banda e um dos produtores, Tony Bongiovi, que a princípio queria outros músicos tocando os instrumentos no disco por não considerá-los suficientemente competente. Por seu lado, Byrne recusava-se a gravar qualquer vocal com a presença de Bongiovi no estúdio. 

Por sorte, nesse impasse prevaleceu a concepção da banda, que forjou uma trama musical ímpar para as canções de Byrne, repletas de observações cortantes a respeito das relações interpessoais ("Tentative Decisions", "The Book I Read", "Pulled Up") e perpassadas pela mais fina ironia ("No Compassion", "Don't Worry About the Government"). 

Em resumo, um álbum único, assim como cada um dos três que o sucederam. Ou, como afirmava o próprio Byrne em "Psycho Killer": "diga algo uma vez / para que dizê-lo novamente?”.

(Texto escrito por Celso Pucci, Bizz #047, junho de 1989)

23 de mai de 2016

Quadrinhos: Cavaleiro das Trevas III e Mulher-Maravilha: Sangue

segunda-feira, maio 23, 2016


Cavaleiro das Trevas III - A Raça Superior é, como o próprio título já antecipa, a terceira parte da aclamada e clássica série criada por Frank Miller em 1986, e que redefiniu o Batman a partir de então. Após uma controversa continuação lançada em 2001, Miller retorna ao universo futuro (e apocalíptico) de seu Batman em uma história desenvolvida ao lado do roteirista Brian Azzerello (100 Balas, Hellblazer). A série, que começou a ser publicada no mercado norte-americano em novembro de 2015, chega agora ao Brasil através da Panini, e seguindo o mesmo formato dos Estados Unidos: 8 edições mensais de 36 páginas em formato americano, com capa cartão e papel couché. Cada edição vem com uma mini-revista em seu interior, com uma história curta focada em um personagem específico e que complemente a trama principal.

Neste primeiro volume (que está nas bancas com quatro opções de capa diferentes) somos apresentados à trama, com foco na Mulher-Maravilha e os frutos da sua relação com o Superman, enquanto Batman está, supostamente, morto. A arte de Andy Kubert emula o traço caracteristicamente disforme de Miller, enquanto o próprio Frank assina a arte da primeira mini-revista, focada no Átomo e seu microverso.

O enredo é apresentado e mostra-se bastante interessante, atiçando a curiosidade do leitor e deixando pontas que serão desenvolvidas nas próximas edições. Vale dizer que a série ainda está em desenvolvimento nos Estados Unidos (por lá os quatro primeiros números já chegaram às bancas), o que é um ponto a mais para a Panini, que decidiu não esperar o final da publicação no mercado norte-americano para lançar DK III no Brasil. 

Aguardemos os próximos números, já que esse primeiro volume se mostrou muito interessante.



Mulher-Maravilha: Sangue, escrita por Brian Azzarello e com arte de Cliff Chiang, compila o arco inicial da heroína na iniciativa Os Novos 52, reboot implantado pela DC Comics em 2011 e que tinha o objetivo de reintroduzir seus personagens para um novo público, reiniciando suas cronologias e, em alguns casos, até mesmo suas origines. Pessoalmente, curti muito tudo que já li dos Novos 52, e com a Mulher-Maravilha não foi diferente.

Sangue é um volume em capa dura com 160 páginas e papel couché, que reúne  seis primeiras edições da revista Wonder Woman, publicada originalmente em 2011. Aliás, essa é a única crítica negativa do material: por que demorar cinco longos anos para lançar no mercado brasileiro um material que foi instantaneamente aclamado lá fora? 

A história, repleta de ação e com uma arte excepcional a cargo de Chiang, mostra Diana em um arco bastante interessante enquanto reconta a origem da Mulher-Maravilha, com diferença substanciais em relação à origem clássica da personagem. Explorando os mitos e deuses gregos, o enredo de Azzarello é excelente, prendendo o leitor a cada diálogo. O trabalho editorial primoroso deixa tudo ainda mais forte, evidenciando a qualidade de todo o material. É a típica história recomendada para quem quer iniciar a ler quadrinhos e quer saber mais sobre a personagem (que ganhará um filme solo no ano que vem e ficou em evidência após Batman vs. Superman). 

Agora, é esperar que a Panini lance os próximos volumes em breve aqui no Brasil, já que este arco foi publicado em seis encadernados nos Estados Unidos. Recomendadíssimo!

Bob Dylan: na capa da nova Mojo (que vem com um LP duplo!)

segunda-feira, maio 23, 2016

A nova edição da revista inglesa Mojo traz o lendário Bob Dylan em sua capa. A publicação conta a história do clássico Blonde on Blonde, um dos primeiros álbuns duplos da história do rock, lançado em 16 de maio de 1966. 

A revista está disponível em duas versões: com o tradicional CD que sempre a acompanha e também em uma tiragem limitada de 3.500 cópias que vem com um pôster original de 1966 e um LP duplo gatefold com a compilação montada pela publicação em vinil amarelo. Demais, não?

O novo número da Mojo vem também com uma matéria especial sobre Prince e textos sobre Sean Lennon, Fugazi, The Beach Boys, Al Jourgensen e outros.



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