8 de jul de 2016

Os Melhores Discos de Todos os Tempos: 1997

sexta-feira, julho 08, 2016

A Inglaterra foi o centro do mundo em 1997. A morte da Princesa Diana em 31 de agosto transformou uma antiga canção de Elton John, “Candle in the Wind”, em um fenômeno de vendas. Uma das preferidas de Lady Di, a faixa foi relançada como single e vendeu horrores em todo o mundo - no Brasil, o CD single chegou a vir encartado em uma edição especial da revista Caras.

Ao mesmo tempo, o Britpop seguia a mil com a disputa entre Oasis e Blur. Enquanto os irmãos Gallagher vieram com o megalomaníaco e grandioso (e excelente) Be Here Now, o Blur emplacou o seu maior hit, a urgente e grudenta “Song 2”. Enquanto isso, o mundo era tomado pela SpiceMania, com as cinco garotas inglesas que formavam as Spice Girls elevadas ao status de celebridades e tocando (e vendendo) sem parar em todo o planeta.

O rock foi virado ao avesso pelo Radiohead no seminal OK Computer, um disco revolucionário que mudou a carreira da banda e cujo impacto é sentido até hoje. A cena tecno consolidou-se com os trabalhos clássicos lançados pelo Chemical Brothers e Prodigy, enquanto Björk fez bonito outra vez. Veteranos como Paul McCartney, Bob Dylan, John Fogerty e Robert Wyatt retornaram em grandes estilo, com álbuns excelentes.

No metal tivemos o Metallica mantendo os ânimos exaltados com Reload e Bruce Dickinson retomando a parceria com Adrian Smith e retornando ao metal clássico em Accident of Birth. O prog metal também viveu um ano marcante, com belos discos do Symphony X e Fates Warning.

No hip-hop, a treta entre as facções das costas leste e oeste fez mais uma vítima. Depois da morte de Tupac Shakur no ano anterior, 1997 viu o assassinato de Notorious B.I.G.



Os principais fatos do ano foram:

- no dia 9 de janeiro aconteceu o show comemorativo aos 50 anos de David Bowie. O evento foi no Madison Square Garden, em Nova York, e contou com a participação especial de músicos como Frank Black, Robert Smith, Lou Reed, Billy Corgan, Foo Fighters e Sonic Youth. Com abertura do Placebo, o concerto teve a sua renda repassada para a fundação Save the Children

- no dia 10 de janeiro James Brown recebeu uma estrela na Calçada da Fama de Hollywood

- em 3 de março foi lançado Pop, nono álbum do U2. O disco dividiu opiniões tanto da crítica quanto do público, e vendeu bem menos que a expectativa

- no dia 9 de março o rapper The Notorious B.I.G. foi atingido por tiros quando estava no banco de passageiro de um carro após a cerimônia de entrega do Soul Train Awards. O músico tinha apenas 24 anos e morreu no local

- Paul McCartney foi condecorado Cavaleiro do Império Britânico pela Rainha Elizabeth II no dia 11 de março

- em 15 de abril foi lançado “MMMBop”, um dos singles de maior sucesso da história, responsável por colocar o trio norte-americano Hanson em primeiro lugar em 27 países 

- Be Here Now, terceiro álbum do Oasis, foi lançado no dia 21 de agosto. O disco obteve a mais rápida vendagem da história, alcançando aproximadamente 700 mil cópias comercializadas no Reino Unido na primeira semana após o lançamento

- Bob Dylan se apresentou para o Papa João Paulo II no dia 27 de setembro, em um evento destinado à juventude cristão realizada no cidade italiana de Bologna

- em 23 de outubro o baterista do R.E.M., Bill Berry, anunciou o seu desligamento da banda norte-americana. O músico havia sofrido um derrame no palco alguns anos antes e desde então abandonou a sua carreira

- Michael Hutchence, vocalista do INXS, foi encontrado morto no dia 22 de novembro em um quarto de hotel em Sydney, na Austrália. O músico foi enforcado ao realizar uma prática para aumentar o prazer sexual

- nos dias 4 e 5 de dezembro aconteceram os primeiros shows do Black Sabbath com a formação original desde 1978. Os concertos foram realizadas na cidade natal da banda, Birmingham, e foram registrados no álbum ao vivo Reunion, lançado em 1998



Foram formadas em 1997 bandas como Against Me!, Bill Wyman’s Rhythm Kings, Blackmore’s Night, Destiny’s Child, The Dillinger Escape Plan, Finntroll, Hate Eternal, Interpol, Isis, Kaiser Chiefs, Karma to Burn, Kasabian, Keane, Liquid Tension Experiment, New Radicals, Pig Destroyer, Primal Fear, Soulfly, Tristania e Turisas. Encerraram as atividades durante o ano Accept, Big Audio Dynamite, Camisa de Vênus, Cocteau Twins, Cry of Love, Dinosaur Jr., EMF, Fugees, Gang of Four, Gin Blossoms, My Bloody Valentine, Nuclear Assault, Obituary, Rainbow, Soundgarden, Spirit, Swans, Ugly Kid Joe, Urge Overkill, Whitesnake e Y&T. Retornaram após um período de pausa o Blondie, Depeche Mode e Echo & The Bunnymen. 

Faleceram em 1997 Townes Van Zandt (01/01), Randy California (02/01), Coronel Tom Parker (21/01), Tony Williams (23/02), The Notorious B.I.G. (09/03), Laura Nyro (08/04), Jeff Buckley (29/05), Ronnie Lane (04/06), Fela Kuti (02/08), Luther Alison (12/08), John Denver (12/10), Glen Buxton (19/10), Michael Hutchence (22/11), Stephane Grappelli (01/12), Michael Hedges (02/12) e Jimmy Rodgers (19/12).

Foram induzidos no Rock and Roll Hall of Fame em 1997:

Buffalo Springfield
Crosby, Stills & Nash
Funkadelic
Joni Mitchell
Parliament
The Bee Gees
The Jackson 5

Os vencedores das principais categorias da 39ª edição do Grammy foram:

Gravação do Ano e Canção do Ano: “Change the World”, de Eric Clapton
Álbum do Ano: Falling Into You, de Celine Dion
Revelação: LeAnn Rimes

Os vencedores de álbum do ano nas principais revistas de música da época foram:

Entertainment Weekly: OK Computer, do Radiohead
Eye Weekly: OK Computer, do Radiohead
Hot Press: OK Computer, do Radiohead
Humo: OK Computer, do Radiohead
Iguana: Ladies and Gentlemen We’re Floating in Space, do Spiritualized
InPress: OK Computer, do Radiohead
Kerrang!: The Colour and the Shape, do Foo Fighters
Melody Maker: Urban Hymns, do The Verve
Mercury Prize: The Fat of the Land, do Prodigy
Metal Hammer: Polythene, do Feeder
MixMag: Dig Your Own Hole, do Chemical Brothers
Mojo: OK Computer, do Radiohead
Muzik: New Forms, de Roni Size/Reprazent
NME: Ladies and Gentlemen We’re Floating in Space, do Spiritualized
OOR: OK Computer, do Radiohead
Q Magazine: Baduizm, de Erykah Badu
Rock De Lux: Ladies and Gentlemen We’re Floating in Space, do Spiritualized
Rolling Stone: Time Out of Mind, de Bob Dylan
Rough Trade: When I Was Born for the 7th Time, do Cornershop 
Select End: OK Computer, do Radiohead
SPIN: When I Was Born for the 7th Time, do Cornershop
Terrorizer: Anthems to the Welkin at Dusk, do Emperor
The Face: Homework, do Daft Punk
The Wire: Shleep, do Robert Wyatt
Uncut: Time Out of Mind, de Bob Dylan
Village Voice: Time Out of Mind, de Bob Dylan
Vox: OK Computer, do Radiohead


Os cinco maiores hits do ano foram “Candle in the Wind” de Elton John, “I'll Be Missing You” de Puff Daddy, “Barbie Girl” do Aqua, “Don't Speak” do No Doubt e “MMMBop" do Hanson.

Também fizeram muito sucesso durante o ano as seguintes músicas:

“Abuse Me”, do Silverchair
“All I Want”, do Offspring
“Around the World” e “Da Funk", do Daft Punk
“Bittersweet Symphony” e “The Drugs Don’t Work", do The Verve
“Block Rockin’ Beats”, do The Chemical Brothers
“Breathe” e "Firestarter, do Prodigy
“Discotheque”, ”Please” e “Staring at the Sun", do U2
“Don't Cry For Me Argentina”, de Madonna
“D'You Know What I Mean” e “Stand by Me", do Oasis
“Du Hast”, do Rammstein
“Falling in Love (Is Hard on the Knees)”, do Aerosmith
“Fly”, do Sugar Ray
“Foolish Games”, da Jewel
“Karma Police” e “Paranoid Android", do Radiohead
“Midnight in Chelsea”, de Jon Bon Jovi
“Push”, do Matchbox Twenty
“Song 2”, do Blur
“The Memory Remains”, do Metallica



A parada norte-americana foi marcada por uma pluralidade. O principal destaque foi Spice, estreia das Spice Girls, que permaneceu durante 5 semanas no topo. Outros títulos que fizeram bonito foram Tragic Kingdom do No Doubt (6 semanas), Life After Death do The Notorious B.I.G. (4 semanas), No Way Out de Puff Daddy (4 semanas) e Sevens de Garth Brooks (3 semanas). O single mais vendido durante 1997 nos Estados Unidos foi “Candle in the Wind” de Elton John (reflexo da morte da Princesa Diana, que adorava a música, e cuja canção foi tocada à exaustão após o seu falecimento), enquanto o título de disco mais comercializado foi para Spice, das Spice Girls.

No Reino Unido a história se repetiu, com “Candle in the Wind” como o single número 1, enquanto Be Here Now, terceiro álbum do Oasis, foi o disco mais vendido entre os britânicos.



Mantendo a mesma metodologia dos anos anteriores, realizamos uma pesquisa em levantamentos similares publicados nos mais diversos veículos com o objetivo de identificar os discos mais significativos do ano, chegando a 120 títulos pré-selecionados. Feito isso, submetemos cada um desses títulos às notas atribuídas a eles por revistas e sites especializados em música, lançamos em nossa planilha e chegamos ao resultado abaixo.

Com vocês, os melhores discos lançados em 1997 (apenas discos de estúdio, pois como é padrão neste tipo de listas, álbuns ao vivo e compilações não entram):

50 Arcturus - La Masquerade Infernale
49 The Gathering - Nighttime Birds
48 Iced Earth - Days of Purgatory
47 John Fogerty - Blue Moon Swamp
46 Strapping Young Lad - City
45 Symphony X - The Divine Wings of Tragedy
44 Paul McCartney - Flaming Pie
43 Built to Spill - Perfect From Now On
42 Primal Scream - Vanishing Point
41 Foo Fighters - The Colour and the Shape
40 Supergrass - In It for the Money
39 Royal Hunt - Paradox
38 Rotting Christ - A Dead Poem
37 Teenage Fanclub - Songs From the Northern Britain
36 Dimmu Borgir - Enthrone Darkness Triumphant
35 Junior Kimbrough - Most Things Haven’t Worked Out
34 Oasis - Be Here Now
33 Faith No More - Album of the Year
32 Smog - Red Apple Falls
31 Rammstein - Sehnsucht
30 The Notorious B.I.G. - Life After Death
29 Prodigy - The Fat of the Land
28 The Hellacopters - Payin’ the Dues
27 Blur - Blur
26 Erykah Badu - Baduizm
25 Sleater-Kinney - Dig Me Out
24 Robert Wyatt - Shleep
23 Deftones - Around the Fur
22 In the Woods - Omnio
21 Ben Harper - The Will to Live
20 Nick Cave & The Bad Seeds - The Boatman’s Call
19 Bob Dylan - Time Out of Mind
18 Portishead - Portishead
17 Fates Warning - A Pleasant Shade of Gray
16 Godspeed You Black Emperor - F♯A♯∞ (1995-1997)
15 Ween - The Mollusk
14 The Verve - Urban Hymns
13 Spiritualized - Ladies and Gentlemen We’re Floating in Space
12 The Chemical Brothers - Dig Your Own Hole
11Electric Wizard - Come My Fanatics …
10 Daft Punk - Homework
9 Emperor - Anthems to the Welkin at Dusk
8 Bruce Dickinson - Accident of Birth
7 Elliott Smith - Either / On
6 Modest Mouse - The Lonesome Crowded West
5 Buena Vista Social Club - Buena Vista Social Club
4 Yo La Tengo - I Can Hear the Heart Beating as One
3 Björk - Homogenic
2 Racionais MC’s - Sobrevivendo no Inferno
1 Radiohead - OK Computer

Meu top 10 do ano:

1 Buena Vista Social Club - Buena Vista Social Club
2 Radiohead - OK Computer
3 Bruce Dickinson - Accident of Birth
4 Oasis - Be Here Now
5 Blur - Blur
6 Ben Harper - The Will to Live
7 Racionais MC’s - Sobrevivendo no Inferno
8 Paul McCartney - Flaming Pie
9 Bob Dylan - Time Out of Mind
10 Daft Punk - Homework

Abaixo você tem uma playlist com os maiores hits e as músicas mais significativas do ano. E nos comentários queremos saber quais foram os melhores discos lançados em 1997 na sua opinião. Poste a sua lista!

Bento Araújo: apoie e ajude a viabilizar o livro do editor da poeira Zine

sexta-feira, julho 08, 2016

Lindo Sonho Delirante: 100 discos psicodélicos do Brasil (1968-1975) é uma celebração à música psicodélica e inventiva produzida no Brasil - uma autêntica antropofagia tropical. O objetivo do livro é mostrar que existiu rock psicodélico feito no Brasil. Da virada do século até agora, o gênero ganhou projeção, porém muitas pessoas ainda não conhecem as suas origens. Nunca, em nenhum lugar do planeta, alguma editora se interessou em publicar um livro sobre o rock psicodélico brasileiro. Portanto, essa é a nossa chance de fazê-lo de forma totalmente independente e verdadeira. Vamos juntos não só manter viva a história da música psicodélica brasileira, como finalmente mostrá-la ao mundo, já que o objetivo é publicar o livro em português e em inglês.

Para preparar o livro eu passei mais de um ano reouvindo, analisando, compilando, contextualizando e resenhando os cem (100) grandes álbuns e compactos psicodélicos que mudaram para sempre a música feita no Brasil e na América do Sul. Durante esse período eu também pesquisei livros, jornais e revistas para garimpar histórias, curiosidades e informações sobre um dos períodos mais incríveis e inspirados, mas ainda absurdamente negligenciados, da música brasileira.

A análise da criação e a interpretação do simbolismo desta lisergia tropical cria uma iconografia inédita, um volume que funciona como um presente à memória da música nacional e àqueles artistas brasileiros que expandiram a mente em nome da arte, em plena era de sangrenta repressão militar e de extremo preconceito social. Espero produzir um trabalho que se torne não somente referência aos pesquisadores e colecionadores de discos, mas que também preencha uma série de lacunas sobre as trajetórias de artistas e bandas em meio ao vácuo dos exílios e prisões e ao silêncio da censura daqueles tempos. Todos estão juntos nesse Lindo Sonho Delirante: os medalhões da música brasileira que em algum momento flertaram com o rock psicodélico e também os malditos e esquecidos, muitos deles, pela primeira vez tendo a sua oportunidade de aparecer para o mundo.

Quer saber um pouco mais?
Lindo Sonho Delirante é ricamente ilustrado, com reproduções das capas de todos os cem (100) discos apresentados. Cada álbum e compacto é acompanhado de uma resenha em português e inglês, minuciosa reprodução da arte gráfica original, um cabeçalho contendo o nome do grupo/artista, nome do disco/compacto, seu respectivo selo fonográfico, número de série da prensagem original e data de lançamento.

Considerando o disco-manifesto Tropicalia ou Panis et Circencis como uma espécie de marco zero da psicodelia nacional, a garimpagem das obras contidas no livro começa em 1968. De Tropicalia ou Panis et Circencis partimos rumo a uma jornada de oito anos, que termina no talvez mais raro e mitológico disco psicodélico brasileiro de todos, Paêbirú: Caminho da Montanha do Sol, lançado por Lula Côrtes e Zé Ramalho, em 1975.

De pioneiros como Arnaldo Baptista, Rogério Duprat, Tom Zé, Fábio e Ronnie Von, até astros como Rita Lee, Milton Nascimento, Secos & Molhados e Novos Baianos. De gigantes como Gil, Caetano, Gal, Jorge Ben e Os Mutantes, até heróis e heroínas não tão celebrados, como Daminhão Experiença, Lula Côrtes, Sidney Miller, Suely e Os Kantikus, Marconi Notaro, Guilherme Lamounier e Loyce e os Gnomos. Do rock marginal da Equipe Mercado, Ave Sangria, A Bolha, Casa das Máquinas, Spectrum e Paulo Bagunça e a Tropa Maldita, até a sofisticação de Marcos Valle, João Donato, Egberto Gismonti, Luiz Carlos Vinhas, Pedro Santos e Arthur Verocai. Todos estão juntos nesse Lindo Sonho Delirante, os superstars e os esquecidos, os raros compactos e os elepês.

Além das cem (100) resenhas, o livro contém uma introdução, onde uma particular visão do período é abordada, analisando a influência da música pop anglo-saxônica misturada à exaltação das raízes brasileiras por parte dos artistas locais, tomando como ponto de partida a Semana de Arte Moderna de 1922 e ícones da cultura nacional, como Chacrinha e Grande Otelo.

A profundidade da pesquisa somada à beleza artística das capas dos discos deve atrair tanto os colecionadores de longa data, como aqueles que estão adentrando agora ao mundo do colecionismo.

Cada um dos cem (100) discos aparece no livro desta forma abaixo:


Especificações do Livro
228 páginas
21 cm de largura X 19,5 cm de altura
Inteiramente colorido
Capa em papel couchê 300 g/m2, miolo em couchê 115 g/m2, lombada hotmelt
Textos em português e inglês
Informações preciosas
100 resenhas de discos + 100 reproduções das capas originais + Introdução

Tiragem de 1.000 exemplares se a meta for alcançada

Sobre o autor
Bento Araujo é jornalista, pesquisador e colecionador de discos. Começou tocando em bandas e trabalhando em lojas de discos. Em 2003, criou a poeira Zine, uma publicação impressa e independente que apresentou um considerável contingente de informação sobre artistas de todo o planeta que nunca contaram com a atenção da grande mídia. A repercussão da poeira Zine, que teve 69 edições publicadas em 13 anos de atividade, abriu caminho para a criação de um podcast semanal, o poeiraCast. O autor teve seus textos, ensaios e entrevistas também publicados nos jornais O Estado de São Paulo e Folha de São Paulo, e nas revistas Bizz, Rolling Stone, Rock Brigade, Roadie Crew etc. Como apresentador, trabalhou com Gastão Moreira e Edgard Piccoli no programa Heavy Lero. Como palestrante, mediador e curador, participa de eventos musicais por todo o País. Como repórter, cobriu festivais, shows e eventos musicais na Europa, EUA e vários países da América Latina.


Cronograma e prazo de envio das recompensas
Julho - Lançamento da campanha
Agosto - Encerramento da campanha
Setembro - Impressão do livro / Finalização e produção das recompensas
Outubro - Confecção dos pacotes e postagem
Atenção: Envio via SEDEX para apoiadores dentro do estado de São Paulo (entrega de dois a cinco dias úteis) e envio via PAC para os moradores fora do estado de São Paulo (entrega de quatro a dez dias úteis).

Metas Adicionais / Quais são as metas da campanha?

R$ 45.000 - Meta Mínima (O sonho virou realidade)
Atingindo essa meta, o projeto ganha vida e o Lindo Sonho Delirante se torna realidade.

R$ 75.000 - Meta Desafio (O sonho virou realidade Brasil afora)
Com essa meta alcançada, mais exemplares do livro serão produzidos e ele poderá ser lançado em algumas capitais brasileiras, com a presença do autor para tarde de autógrafos e bate-papo com os leitores. Além disso, uma palestra sobre o rock psicodélico brasileiro será criada e poderá ser ministrada em algumas dessas cidades. Mais e mais pessoas poderão conhecer informações e opiniões diferentes sobre o legado do gênero. É o Lindo Sonho Delirante se tornando realidade para um grande número de pessoas Brasil afora.

R$ 95.000 - Meta Sucesso (O sonho virou realidade mundo afora)
Com essa meta alcançada, mais exemplares do livro serão produzidos e ele poderá ser lançado em algumas capitais brasileiras e também na Europa e nos Estados Unidos da América, com a presença do autor para tarde de autógrafos e bate-papo com os leitores. Além disso, uma palestra sobre o rock psicodélico brasileiro será criada e poderá ser ministrada em diversas cidades do mundo. Mais e mais pessoas poderão conhecer informações e opiniões diferentes sobre o legado do gênero. É o Lindo Sonho Delirante se tornando realidade para um grande número de pessoas mundo afora. Estamos mantendo viva a história da música psicodélica brasileira e finalmente iremos mostrá-la ao mundo!
A lógica é essa. Quanto maior a arrecadação, maiores serão as atividades relacionadas ao lançamento do livro.

Dúvidas?
Ficou com alguma dúvida?
Envie um e-mail para contato@poeirazine.com.br
OBRIGADO!

Acesse o site para apoiar o projeto

7 de jul de 2016

Sala de Som | O Iron Maiden da fase Blaze Bayley

quinta-feira, julho 07, 2016


A passagem do vocalista Blaze Bayley gerou dois discos que até hoje alimentam discussões entre os fãs: os controversos The X Factor (1995) e Virtual XI (1998). Neste vídeo conto um pouco sobre toda essa história e dou a minha opinião sobre estes dois álbuns.

Pra saber mais:

Iron Maiden: esperança e glória

Para acompanhar o Sala de Som e a Collectors Room:
Instagram - https://www.instagram.com/ricardoseelig/

Discoteca Básica Bizz #055: Dr. Feelgood - Malpractice (1975)

quinta-feira, julho 07, 2016


Uma das maiores causas do impacto do punk rock residia na relação de igual para igual entre os grupos e suas plateias: uma suarenta comunhão em algum pub enfumaçado, que se opunha formalmente à frieza burocrática da maioria dos concertos em grandes arenas. 

Pois esta postura inovadora teve sua origem ainda no início dos anos 1970, paradoxalmente dentro de uma corrente dita revivalista - o pub rock britânico. Eram bandas que tomavam como profissão de fé o rhythm and blues das décadas de 1950 e 1960, com fama restrita apenas aos bares especializados no estilo, mas que arrastavam um público fiel e cada vez mais volumoso aos locais onde se apresentavam. Nesta tradição inscreveram-se grupos como o de Brinsley Schwarz (do qual participava Nick Lowe), Ducks Deluxe, Dave Edmunds, Graham Parker e, de modo especial o Dr. Feelgood.

Formado em 1971 pelo cantor e gaitista Lee Brilleaux, o guitarrista Wilko Johnson e o baixista John B. Sparks - os três egressos do circuito local de Canvey Island - junto ao baterista John "The Big Figure" Martin, o grupo logo começou a causar sensação, não só pelas endiabradas performances de Lee e Wilko ao vivo, mas também devido ao próprio repertório escolhido: uma seleção de clássicos do R&B assinados por nomes como Willie Dixon, John Lee Hooker, Chuck Berry e Bo Diddley, entre outros, além de músicas próprias (na maioria compostas por Wilko).

Este reconhecimento do público teve, porém, que esperar três longos anos para ser partilhado por uma gravadora. Apenas no fim de 1974 o grupo conseguiu um contrato, lançando seu álbum de estréia - Down by the Jetty - no início do ano seguinte. Deliberadamente gravado em mono e com quase todas as canções registradas em um só take, o disco era um retrato fiel da rudeza do som do quarteto e firmou definitivamente a reputação de Wilko enquanto guitarrista, recebendo elogios rasgados de Pete Townshend e até sendo cogitado para substituir Mick Taylor nos Stones.



Ainda em 1975 o Dr. Feelgood lançou o seu segundo disco, Malpractice, termo usado para designar imperícia médica. O LP trazia depurada a energia em estado bruto de seu antecessor, com maior esmero na produção, mas mantendo o mesmo despojamento em suas onze faixas (sem overdubs). A técnica sui generis de execução de Wilko - com seus riffs e solos secos, tocados com os dedos da mão direita em vez da palheta - mostrava-se mais inspirada do que nunca, bem como suas composições. 

Canções como "Back in the Night", "Going Back Home" (esta em parceria com Mick Green), "Don't Let Your Daddy Know" e "You Shouldn't Call the Doctor (If You Can't Afford the Bills)" transpiravam o mais puro R&B e formavam um conjunto imbatível, junto às sensacionais covers de "I Can Tell" (Bo Diddley), "Rolling and Tumbling" (Muddy Waters), "Don't You Just Know It" (Huey "Piano" Smith) e "Riot in Cell Block #9"(Leiber/Stoller). Um santo remédio que, como receitava a contracapa, devia ser tomado dez vezes ao dia.

Em 1977, depois de um disco ao vivo (Stupidity, lançado em 1976) e outro de estúdio (Sneakin' Suspicion), Wilko abandonaria o Dr. Feelgood, formando em seguida o efêmero Solid Senders e acompanhando os Block Heads de Ian Dury por um certo tempo, antes de voltar para o circuito dos pubs. Lee insistia em carregar o nome do grupo (mesmo depois da saída do Sparks e "The Big Figure" em 1982) com outros músicos, porém sem nunca conseguir repetir a fórmula mágica de Malpractice

Afinal, foi com este disco que o bisturi do Dr. Feelgood efetuou um corte profundo nas veias do rock and roll.

(Texto escrito por Celso Pucci, Bizz #055, fevereiro de 1990)

5 de jul de 2016

Os discos mais vendidos no Reino Unido em todos os tempos

terça-feira, julho 05, 2016


Celebrando os 60 anos de sua fundação, a Official Charts, instituição responsável pela averiguação dos números de vendas de discos no Reino Unido, publicou em seu site a lista com os 60 títulos mais vendidos na Grã-Bretanha nas últimas seis décadas.

Se você tem alguma reclamação e questionamento a respeito da lista, favor entrar em contato diretamente com os caras, certo? ;-)



Confira a lista completa abaixo (a matéria completa pode ser lida aqui)

1 Queen - Greatest Hits (1981) (6,1 milhões de cópias)
2 ABBA - Gold: Greatest Hits (1992) (5,2 milhões)
3 The Beatles - Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band (1967) (5,1 milhões)
4 Adele - 21 (2011)
5 Oasis - (What’s the Story) Morning Glory? (1995)
6 Michael Jackson - Thriller (1982)
7 Pink Floyd - The Dark Side of the Moon (1973)
8 Dire Straits - Brothers in Arms (1985)
9 Michael Jackson - Bad (1987)
10 Queen - Greatest Hits II (1991)
11 Fleetwood Mac - Rumours (1977)
12 Madonna - The Immaculate Collection (1990)
13 Amy Winehouse - Back to Black (2006)
14 Simply Red - Stars (1991)
15 Shania Twain - Come on Over (1997)
16 Bob Marley - Legend (1984)
17 James Blunt - Back to Bedlam (2004)
18 Verve - Urban Hymns (1997)
19 Meat Loaf - Bat Out of Hell (1977)
20 The Beatles - 1 (2000)
21 Simon & Garfunkel - Bridge Over Troubled Water (1970)
22 OST - Dirty Dancing (1987)
23 Leona Lewis - Spirit (2007)
24 Michael Buble - Crazy Love (2009)
25 Dido - No Angel (2000)
26 David Gray - White Ladder (1998)
27 Adele - 25 (2015)
28 The Corrs - Talk on Corners (1997)
29 Spice Girls - Spice (1996)
30 Lady Gaga - The Fame (2008)
31 Coldplay - A Rush of Blood to the Head (2002)
32 Dido - Life for Rent (2003)
33 Kings of Leon - Only by the Night (2008)
34 Take That - Beautiful World (2006)
35 Keane - Hopes and Fears (2004)
36 U2 - The Joshua Tree (1987)
37 Jeff Wayne - The War of Worlds (1978)
38 Scissor Sisters - Scissor Sisters (2004)
39 Phil Collins - … But Seriously (1989)
40 Coldplay - X&Y (2005)
41 Alanis Morissette - Jagged Little Pill (1995)
42 Mike Oldfield - Tubular Bells (1973)
43 Travis - The Man Who (1999)
44 Tracy Chapman - Tracy Chapman (1988)
45 Coldplay - Parachutes (2000)
46 ABBA - Greatest Hits (1975)
47 OST - Grease (1977)
48 Robin Williams - I’ve Been Expecting You (1998)
49 Ed Sheeran - X (2014)
50 Norah Jones - Come Away With Me (2002)
51 Paul Simon - Graceland (1986)
52 OST - The Sound of Music (1965)
53 George Michael - Ladies & Gentlemen: The Best of (1998)
54 Fleetwood Mac - Tango in the Night (1987)
55 Eminem - The Marshall Mathers LP (2000)
56 Robbie Williams - Swing When You’re Winning (2001)
57 Take That - Progress (2010)
58 Snow Patrol - Eyes Open (2006)
59 Take That - Never Forget: The Ultimate Collection (2005)
60 R.E.M. - Automatic for the People (1992)

Novas bandas pra você ouvir: Eu Acuso, SSD e Gorú

terça-feira, julho 05, 2016

O Eu Acuso vem de Porto Alegre e acabou de lançar o seu segundo trabalho, o EP Síndrome de Estocolmo. O título faz alusão ao termo utilizado para o estado psicológico onde um refém passa a defender o seu sequestrador, em uma sacada inteligente e que faz todo sentido no atual momento brasileiro. O lance é um hard com uma certa influência de Rage Against the Machine e letras com pegada crítica e direta. Gostei!





O SSD vem de São Paulo e está na ativa desde 2005. A música varia entre momentos mais calmos e outros de explosão sonora, com um resultado final bem contemporâneo. O grupo está lançando o seu novo clipe, para a música “Nova Era”, que conta a história de uma garota vítima de abuso sexual e é inspirada em um caso real vivido pelo vocalista Renan. Atitude necessária e corajosa, parabéns à banda.





O Gorú é um trio curitibano formado em 2015, e que lançou o seu EP de estreia, Ao Convés, em dezembro de 2015. O som soa como uma espécie de O Terno alinhado com influências de novos nomes da MPB, como Wado. Além disso, as letras são muito bem escritas. Leve e alto astral, vale a audição!


4 de jul de 2016

Sala de Som | Rainbow Concert, a ressurreição de Eric Clapton

segunda-feira, julho 04, 2016


Lançado em 1973, Rainbow Concert marcou o retorno de Eric Clapton após dois anos afundado nas drogas. No vídeo conto a história do show e disco, que contou com uma banda estelar com nomes como Pete Townshend, Ron Wood e Steve Winwood.

Para saber mais:

John Mayall e Eric Clapton, a parceria que mudou a música

Como a fé cega em um jovem deus fez surgir o primeiro supergrupo do rock

E de Eric Clapton

A história do lendário Rainbow Concert

A história por trás da capa de Layla

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Discoteca Básica Bizz #054: Can - Tago Mago (1971)

segunda-feira, julho 04, 2016


Em seus dez anos de carreira, no período 1968/1978 (reiniciada em 1989 com o álbum Rite Time), o grupo alemão Can sempre operou no plano da sutileza e do fervor instrumental, fazendo uma música hipnótica, com uma impressionante mistura de ritmos e timbres acústicos alterados, tratados eletronicamente.

Editando tapes, fabricando loops (anéis de fita) e incorporando ruídos e interferências espontâneas, o grupo fez a ponte entre a música erudita contemporânea (Stockhausen über alles) e o rock. O Can foi fundo nas colagens, daí sua forte influência detectada nos anos 1980, a década do sampler, em que a habilidade de compor se traduz na de combinar e colar sons.

Se, com a tecnologia atual, é possível processar sons a partir de tudo (um bumbo de John Bonham, um riff de Hendrix, um "Uh!" de James Brown), o Can tecia sua intrincada tapeçaria com cativante rusticidade. Ambientavam o som de seus instrumentos sem qualquer efeito, ensaiando horas para casar timbres. E foi em aparelhos Revox de dois canais que eles gravaram seus cinco primeiros álbuns, sem mesa de som, sem overdubs, tocando ao vivo e direto.

Foi o "impacto rítmico do rock" que levou Irmin Schmidt (teclados) e Holger Czukay (baixo), ambos alunos de Stockhausen, a formarem o grupo com Michael Karoli (guitarra) e Jaki Liebezeit (bateria) em meados de 1968. Passavam horas tocando e gravando em um castelo - cedido por um mecenas - em Colônia, investigando ritmos e sonoridade. Em 1970, depois do segundo LP (Soundtracks), mudaram-se para um estúdio próprio (o Inner Space), recrutaram o japonês Kenji "Damo" Suzuki - encontrado, casualmente, cantando em uma rua - para os vocais e iniciaram a fase mais instigante de sua carreira, que tem no álbum duplo Tago Mago sua expressão mais completa.



Pela duração um pouco menor e pelas melodias mais ou menos assobiáveis, as duas primeiras faixas - "Paperhouse" e "Mushroom"- são as que mais se aproximam do formato canção. O espírito é free, de criação instantânea, mas os ritmos são estruturados basicamente na repetição de uma única levada, numa onda econômica/minimal. Em "Oh Yeah" e na longa "Halleluwah", Liebezeti catalisa suas pesquisas étnicas em ritmos tribais, enquanto Czukay bombeia o pulso e Schmidt e Karoli solam e tremulam como se estivessem vendo coisas.

"Aumgn" - que ocupa todo o lado três - e "Peking O." são as mais descontínuas e coladas, com climas que variam do barulho às frequências mântricas. Em "Peking O.", além das piradas intervenções de Suzuki - com seu bruhahá misto de inglês, japonês e vozes invertidas por técnicas de edição -, há também a curiosa aparição de um ritmo eletrônico (uma rumba de órgão de churrascaria, devidamente distorcida e acelerada). Fechando o álbum há "Bring Me Coffe or Tea", com seu andamento moroso que funciona como um digestivo para as experimentações anteriores.

Tago Mago é um marco na extensa discografia do Can que, até seu recente retorno, totalizava onze álbuns, além de três antologias e três compilações com gravações inéditas. Dentre estas últimas encontram-se surpresas como uma série de temas improvisados sobre ritmos etno/folclóricos arrolados sob a égide de E.F.S./Ethnological Forgery Series (Séries de Falsificações Etnológicas), pesquisa que poderia ser classificada como uma espécie de precursora da world music. Mais um elemento que faz do Can uma das bandas mais visionárias de todos os tempos.

(Texto escrito por Thomas Pappon, Bizz#054, janeiro de 1990)

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