23 de set de 2016

A semana: heavy metal indígena, cerveja inteligente e o bar temático de Tim Burton

sexta-feira, setembro 23, 2016

Nossa passada geral pela semana, com tudo de interessante e legal que lemos e assistimos não só sobre música, mas também sobre cultura pop.

Tem reviews, séries, discos, quadrinhos, questionamentos, religião, cerveja e muito mais.

Divirta-se!

VÍDEOS

Tudo sobre a abertura de Game of Thrones




Heavy Lero sobre o Sepultura




Bandas de Floripa: Munõz no Palco Célula



Tudo sobre Luke Cage, o novo herói da Marvel na Netflix




Retrospectiva Hellblazer




Os 10 melhores quadrinhos do Coringa




Érico Assis e os desafios do tradutor de quadrinhos







O ABBA e o heavy metal

sexta-feira, setembro 23, 2016

Criou-se no senso comum do headbanger brasileiro a ideia de que o rock e o metal são estilos de música não mainstream, que não se misturam ou podem sofrer influências de outros gêneros (pop, country, reggae e etc), que tratam-se de estilos puros, originais e sem frescuras (não sei onde), uma verdadeira perseguição ao que convencionamos chamar de “metal ou rock de verdade”. 

Pois bem: todo sabemos que o negócio não bem assim. O rock ou heavy metal (considerando algumas exceções) é tão “mainstream” quanto qualquer outro estilo de música, basta olhar as vendagens, números oficiais de público e renda dos chamados “monstros do rock” - isso sem contar todo aparato comercial que os cercam. Sobre a influência de outros estilos, e mesmo apesar de muitos torcerem o nariz, isso já é algo consolidado, até porque acredito que só aqui no Brasil que o público rock /metal acha que esses músicos são “heavy metal total”, que cresceram ouvindo exclusivamente metal ou que estão envelhecendo escutando heavy metal 24 horas por dia.

A intenção desta postagem é exatamente proporcionar uma reflexão sobre a linha tênue que teoricamente nos separa de outros gênero, em específico a música pop. No intuito de poder contribuir para o debate, podemos mencionar a importância e influência do ABBA entre alguns músicos/bandas de heavy metal.

Formado por Benny Andersson, Anni-Frid Lyngstad, Björn Ulvaeus e Agnetha Fältskog em 1972, o grupo sueco ABBA foi um dos nomes mais expressivos e representativos da indústria da música no século XX. Seus arranjos elaborados, vocais harmonizados e melodias cativantes proporcionaram à banda uma midiatização até então nunca antes alcançada por um artista europeu, servindo para pavimentar o caminho de tantos outros grupos suecos nas décadas de 1980 e 1990 ( Roxette, Ace of Base, entre outros).

É fato que o ABBA teve grande influência no mundo do rock/metal pelo mundo, sobretudo nos países europeus. Várias bandas já fizeram versões de suas músicas, entre quais podemos destacar nomes como Helloween, Yngwie Malmsteen, Metallium, Avantasia, entre outros.

Os alemães do Helloween prestaram seu tributo aos suecos regravando "Lay All Your Love on Me" , presente em seu álbum de covers Metal Jukebox, lançado em 1999.




Já o mega virtuoso guitarrista sueco Yngwie Malmsteen gravou “Gimme! Gimme! Gimme!” (com os vocais de Mark Boals), faixa que pode ser conferida na coletânea Anthology 1994-1999.



A banda de power metal Metallium participou do álbum A Tribute to ABBA (que ainda conta com Sinergy, At Vance, Morgana Lefay, entre outros) com a faixa  "Thank You for the Music”, em 2001.



Também em 2001, os suecos do Therion causaram grande surpresa ao entregar sua versão para “Summer Night City" (faixa bônus do álbum Secrets of the Runes). Afinal de contas, como soaria uma música influenciada pela disco music tocada por uma banda do chamado metal sinfônico?




Por fim, Tobias Sammet e seu Avantasia regravaram “Lay All Your Love on Me" e lançaram a versão no EP Lost in Space (Part I), de 2007.




E você? O que achou? Horrível? Inadmissível? Blasfêmia? Ou simplesmente sujeitos que entendem a música enquanto arte/entretenimento e não se limitam em explorar suas musicalidades e influências diversas?

Bom, tirem suas conclusões!.



Discos da semana: novo do Opeth, raridades de Bruce Springsteen e o retorno do Kansas

sexta-feira, setembro 23, 2016

Hoje chegam às lojas e aos serviços de streaming muitos discos interessantes - isso sem falar nos que ainda não foram lançados oficialmente mas já estão rolando na rede. 

Entre os destaques temos o aguardado novo álbum do Opeth, uma compilação de raridades de Bruce Springsteen, o retorno do lendário Kansas, o segundo álbum do Deap Vally, Kai Hansen reunindo os amigos em seu primeiro álbum solo e o cultuado Darkthrone saindo da toca.

Abaixo você tem breves comentários sobre os principais lançamentos desta semana.


The Sword - Low Country

Novo EP do The Sword, trazendo versões acústicas para 10 das 15 faixas do último disco dos norte-americanos, High Country. Tudo com uma pegada melancólica e um certo tempero country. Vale ouvir.


Bruce Springsteen - Chapter and Verse

Compilação que acompanha a recém lançada autobiografia de Bruce, intitulada Born to Run. O disco traz 18 faixas, sendo cinco delas inéditas, incluindo as primeiras gravações de Springsteen em 1966, faixas raras, b-sides e grandes hits. Boa porta de entrada para o universo sonoro de The Boss.


Airbourne - Breakin’ Outta Hell

Quarto álbum da banda australiana, conhecida por muitos devido à grande semelhança com o AC/DC, principalmente por causa do timbre do vocalista John O’Keeffe. Hard rock dos bons, apesar de pouco original.


Kansas - The Prelude Implicit

Primeiro álbum com canções inéditas do Kansas em 16 anos. O décimo-quinto disco da lendária banda prog também é o primeiro desde Drastic Measures (1983) sem o vocalista, tecladista e fundador Steve Walsh, que se aposentou em 2014. Em seu lugar está Ronnie Platt. As músicas já liberadas mostraram que os caras estavam com fome e parece vir um álbum gratificante para os fãs.


Phish - Big Boat


Novo álbum do grupo norte-americano Phish, uma das mais cultuadas jam bands do mundo. A receita segue a mesma: sonoridade rica e repleta de elementos de gêneros como prog, folk, country e blues, formando um universo musical interessantíssimo e que tem como ingrediente chave a improvisação.


Ian Hunter - Fingers Crossed

Novo trabalho do veterano vocalista inglês, que fez história nos anos 1970 com o Mott the Hoople. Dica certeira para rockers saudosistas e fãs de classic rock.


Deap Vally - Femejism

Segundo álbum do duo Deap Vally. Só pra contextualizar, dá pra dizer que é uma espécie de Black Keys de saias. Blues rock e garage rock cru e viciante, na medida pra ouvir com o volume no máximo e com uma cerveja gelada na mão.


Hansen & Friends - Three Decades in Metal

Primeiro álbum solo de Kai Hansen, vocalista e guitarrista que fez história no Helloween e no Gamma Ray e pode ser considerado um dos pais do power metal - metal melódico aqui no Brasil. O disco traz participações especiais de chapas de Kai como Ralf Scheepers, Tobias Sammet, Michael Kiske, Roland Grapow, Marcus Bischoff, Michael Weikath e Hansi Kürsch. Se você é fã do gênero, já sabe que é obrigatório!


Every Time I Die - Low Teens

Oitavo álbum da banda norte-americana, um dos principais nomes do metalcore atual. Produção de Will Putney (Body Count, The Acacia Strain, Bury Tomorrow). Paulada certeira!


Opeth - Sorceress

Décimo-segundo disco do Opeth. Mais uma vez a banda se reinventa, inserindo mais peso em relação aos discos anteriores e uma onipresente atmosfera stoner. Um dos grandes álbuns deste 2016, com certeza e sem nenhuma dúvida!


Darkthrone - Arctic Thunder

Novo disco de um dos maiores ícones do black metal norueguês. O décimo-sexto álbum do Darkthrone traz um retorno à sonoridade característica da banda, que nos lançamentos mais recentes andou se aventurando pelo ares do metal punk. Devotos adorarão!


Neurosis - Fires Within Fires

Primeiro trabalho do Neurosis em quatro anos, o disco marca a estreia do Neurosis em sua nova gravadora, a Neurot Recordings. Produção de Steve Albini e apenas cinco faixas, totalizando pouco mais de 40 minutos de música.


The Agonist - Five

Quinto disco da banda canadense, conhecida por dar ao mundo Alissa White-Gluz, atual vocalista do Arch Enemy. Five é o segundo álbum do The Agonist com Vicky Psarakis nos vocais. Death metal melódico violento e pra bater cabeça.


Almah - E.V.O.

Novo álbum da banda do vocalista Edu Falaschi, ex-Angra. O grupo conta também com Marcelo Barbosa, substituto (temporário?) de Kiko Loureiro no Angra enquanto o brasileiro estiver no Megadeth. Os primeiros reviews são muito positivos.


Pixies - Head Carrier


Sexto disco da lendária banda natural dos Estados Unidos, um dos maiores e mais influentes nomes do indie rock. A produção é de Tom Dalgety, que produziu o novo EP do Ghost, Popestar. Rock direto ao ponto, como sempre.

Por Ricardo Seelig

Review: Alter Bridge - The Last Hero (2016)

sexta-feira, setembro 23, 2016

Evolução é uma palavra que define a trajetória do Alter Bridge. A banda, que lançou seu primeiro álbum - One Day Remains - em 2004, mostra cada vez mais uma incrível maturidade e evolui seu som e sua musicalidade a cada novo trabalho. Ainda pouco divulgada pela mídia especializada e pelas rádios brasileiras, a banda merece ter seu nome entre as principais referências do hard rock atual.

Com The Last Hero, o Alter Bridge mais uma vez dá um passo adiante e nos brinda com um dos grandes discos do ano. Notamos também a evolução de Myles Kennedy (vocal) e Mark Tremonti (guitarra) como compositores, apresentando algumas das melhores letras de toda a discografia do quarteto.

"Show Me a Leader" inicia os trabalhos com uma pedrada, mostrando a habilidade Tremonti como um grande criador de riffs. “The Writing on the Wall", que fala sobre o aquecimento global, sem dúvida é um dos pontos altos do disco, apresentando a banda no seu auge, com riffs memoráveis, uma cozinha consistente e os vocais inigualáveis de Myles.

Uma das músicas mais interessantes é "The Other Side". Mais uma vez, Tremonti cospe seus riffs de forma agressiva, mas os vocais de Myles são o destaque na música. Com sua interpretação, o vocalista consegue dar um ar de filme de terror para a canção, uma música que se destaca na discografia do grupo e mais uma vez mostra como os caras não se acomodam.

"My Champion" e "Poison in Your Veins" são as duas músicas que mais remetem aos dois primeiros álbuns da banda, mas sem soarem como algo repetitivo. "Cradle to the Grave" é a prova de que a banda sabe compor canções que soam ao mesmo tempo pesadas e muito melódicas.

"You Will Be Remembered", que fala sobre soldados americanos que perderam a vida na guerra, tem tudo para ser uma das favoritas dos fãs, com uma interpretação maravilhosa de Myles Kennedy e um solo incrível de Mark Tremonti. Fechando o disco e deixando o ouvinte com gosto de quero mais, a faixa-título combina peso, melodia cativante e mais uma belíssima composição de Kennedy. 

Mesmo com 13 faixas, sendo a grande parte com mais de cinco minutos, em nenhum momento a audição se torna cansativa. Pelo contrário, cada novo verso nos deixa curiosos para ver o que vem pela frente.

Com The Last Hero o Alter Bridge dá mais um passo adiante para se colocar entre os principais nomes do rock atual, aliando peso, melodia, belas canções e uma banda afiadíssima.

Por Bruno Sousa

“Still Breathing”, novo lyric video do Green Day

sexta-feira, setembro 23, 2016

O Green Day lançará dia 7 de outubro o seu novo disco, Revolution Radio. O décimo-segundo álbum da banda norte-americana sairá pela Reprise Records e tem a produção assinada pelos próprios músicos e é o primeiro trabalho inédito em quatro anos.

Mantendo a expectativa positiva causada pelos singles já divulgados, a banda mostrou que vem com tudo ao liberar mais um lyric video para uma das canções do disco. “Still Breathing” é pop e grudenta pra caramba, feita sob medida pra trazer boas memórias de volta.

Ouça e assista abaixo:

Graveyard anuncia encerramento de suas atividades

sexta-feira, setembro 23, 2016

Uma das bandas mais legais surgidas nos últimos anos, o quarteto sueco Graveyard anunciou hoje o encerramento de suas atividades. O comunicado foi postado no Facebook do grupo e fala em diferenças musicais como o motivo principal - leia a íntegra abaixo:



A banda foi fundada em novembro de 2006 e gravou quatro discos, todos ótimos: Graveyard (2007), Hisingen Blues (2011), Lights Out (2012) e Innocence & Decadence (2015). 


Uma pena. Agora é aguardar para saber quais serão os próximos projetos dos músicos.

22 de set de 2016

Quadrinhos: Watchmen, Batman, Guerras Secretas, aliens e mutantes

quinta-feira, setembro 22, 2016

Uma passada rápida com pequenos textos sobre os quadrinhos que li durante o mês de setembro.

Começando com Watchmen. Li a história, que muitos apontam como a melhor HQ de todos os tempos, pela primeira vez em 1999, através da edição lançada pela Editora Abril em doze volumes de 36 páginas - que tenho até hoje na coleção. Pois bem: passados 17 anos, retornei ao universo criado por Alan Moore e Dave Gibbons quase duas décadas mais velho, período no qual vivi muita coisa. Mudei duas vezes de cidade, tive cinco empregos em quase vinte anos, perdi meu pai e tive meu filho. Ou seja, muita coisa mudou.

E ler novamente Watchmen à luz da maturidade produziu, como era de se esperar, um outro entendimento da obra. Que, por si só, já é complexa pra caramba, com diversas camadas sob a trama principal. O fato de retornar a Watchmen justamente em um período como esse em que vivemos no Brasil, conturbado e indefinido politicamente, também ajudou a potencializar a história, cujos personagens principais são heróis conservadores e de extrema direita. Visões políticas à parte - se é que esse aspecto pode ser deixado de lado ao adentrar o universo do Comediante e de Rorschach -, o fato é que foi muito bom mergulhar novamente no universo imaginado por Moore.

A edição definitiva de Watchmen lançada pela Panini, com capa dura, 464 páginas e farto material extra, faz jus ao subtítulo que carrega, com uma das histórias mais emblemáticas dos quadrinhos recebendo um tratamento editorial equivalente à sua importância. Com essa releitura, entendi a obra de maneira mais profunda do que da primeira vez - o que já era esperado -, assimilando o discurso entre linhas de Moore, sempre acompanhado pela arte incrível de Gibbons. A conclusão a que chego é uma só: Watchmen é mais do que uma história sobre super-heróis - é sobre a vida, o mundo e todos nós.


Indo agora para Gotham e o mundo sombrio de Batman, meu personagem favorito da DC, sempre presença constante nas leituras por aqui. Começando pelos dois encadernados de Gotham D.P.G.C. - Departamento de Polícia de Gotham City, escritos pela dupla Ed Brubaker e Gred Rucka. Ambos são em capa dura, sendo que o primeiro possui 244 páginas e traz as histórias originalmente publicadas nas edições 1 a 10 da revista Gotham Central, enquanto o segundo reúne as 11 a 22 do mesmo título em 292 páginas. 

Os dois são excelentes e trazem o dia a dia dos policiais de Gotham na luta pelo combato ao crime em uma cidade que, além de possuir um super-herói como o Batman, é farta em super-vilões. Mas o legal disso tudo é que o Morcego é apenas um coadjuvante, fazendo apenas pequenas aparições pontuais. O foco é total nos integrantes do DPGC, enfatizando o lado humano dos personagens e suas relações. As histórias são muito bem escritas e ganham ainda mais com a arte de Michael Lark e outros artistas, sempre usando bastante contraste e criando quadros com influência noir. Não à toa, Gotham ganhou diversos prêmios Eisner, a maior premiação do universo dos quadrinhos. Vale muito a pena, leitura excelente e que prende com histórias bem escritas e diálogos inteligentes.


Retornei também para o universo doentio de Asilo Arkham, obra clássica escrita pelo inglês Grant Morrison e ilustrada por Dave McKean. Havia lido a história em 2003, e agora aproveitei o relançamento em uma edição especial pela Panini e fui conferir novamente. O enredo mostra a entrada do Batman no Asilo Arkham após uma rebelião dos detentos, enquanto conta a história da criação da instituição e a trágica trajetória da família Arkham. A trama é pesada e meio doentia, aspectos que ficam ainda mais salientes devido à arte peculiar de McKean, unindo colagens e ilustrações. 

A edição é belíssima, com acabamento gráfico primoroso e um trabalho de letras criativo, com cada personagem tendo suas falas inseridas de maneira diferente. Com capa dura e 220 páginas, a edição definitiva de Asilo Arkham pela Panini traz também bastante material extra, valorizando esta que é uma das histórias mais emblemáticas e cultuadas do Batman e de Grant Morrison.


Ainda no universo do Batman li mais dois volumes de Cavaleiro das Trevas III - A Raça Superior, terceira parte da clássica séria lançada originalmente em 1986. Escrita por Frank Miller e Brian Azzarello e ilustrada por John Romita Jr., a HQ vem evoluindo e entregando uma boa trama, que vem se intensificando e se afunilando nos números mais recentes. 

A história tem previsão de oito volumes, sendo que os dois últimos ainda não foram publicados nos Estados Unidos. Vale a pena conferir.


Dentro desse universo criado por Miller temos também Cavaleiro das Trevas: A Última Cruzada, desenvolvida pela mesma equipe da série principal. A história conta a última missão de Batman antes dos eventos narrados no Cavaleiro das Trevas original, lá de 1986. Aqui, vemos o que aconteceu com Batman e com o Robin (Jason Todd), envolvidos em um trama encabeçada pelo Coringa e que gera problemas duradouros para a dupla dinâmica. 

A história foi lançada recentemente pela Panini em uma edição única com quatro capas diferentes, em uma bela edição. Ainda que a trama possa não agradar a todos, o acabamento gráfico e o universo em que ela está inserida deve atrair os fãs de Bruce Wayne e companhia.


Indo agora para a Marvel, li o segundo encadernado de Fabulosos X-Men, Destroçados. O volume de 148 páginas e capa dura reúne as edições 6 a 11 de Uncanny X-Men e mostra o que a turma liderada por Ciclope anda fazendo. O primeiro volume, chamado Revolução, mostrava uma história interessante, mas que aqui se perdeu um pouco, passando a sensação de ir do nada para lugar nenhum.

A título de informação, a outra equipe dos X-Men é liderada pelo Wolverine e tem as suas histórias reunidas nos encadernados dos Novíssimos X-Men. Três já foram publicados: X-Men de Ontem, Criando Raízes e Deslocados - li os dois primeiros mas ainda não devorei o último.


Ainda na Marvel temos a série Guerras Secretas, que irá mudar totalmente o universo de super-heróis que conhecemos. A série está sendo publicada em edições quinzenas pela Panini, e terá 9 volumes de 52 páginas. A história mostra o confronto entre o universo tradicional da Marvel e o universo Ultimate, resultando em um embate que gera um novo mundo moldado por Victor Von Doom, o Doutor Destino. O governante da Latveria adquiriu o poder de um deus ao derrotar os alienígenas conhecidos como Beyonders e criou um novo mundo com a sua visão do que seria ideal. 

Toda a trama se desenvolve nesse universo, e a história foi muitíssimo elogiada lá fora. Li apenas os três primeiros volumes por enquanto, e o que encontrei foi realmente um enredo muito bem desenvolvido pelo roteirista Jonathan Hickman. Um momento especial dos quadrinhos está acontecendo agora, bem na nossa frente, e é legal poder acompanhar de perto tudo isso.


E dentro do universo de Guerras Secretas temos as história do velho Logan, trazendo o Wolverine mais maduro e com idade mais avançada, apresentado pela primeira vez na história de mesmo nome escrita por Mike Millar em 2008. Aqui temos um Logan mais velho e experiente, que decide viajar por este mundo criado por Destino para entender o que está acontecendo. 

O Velho Logan está saindo em edições quinzenais de 52 páginas, e a história, escrita por Brian Michael Bendis, é puro massaveísmo, com uma trama que é uma espécie de junção entre Mad Max e Game of Thrones. Legal pra caramba!


Fechando, Carta 44, publicada no Brasil pela Devir. A trama conta a história do 44º presidente dos Estados Unidos, que, ao tomar posse, recebe uma carta de seu antecessor revelando um grande segredo: o país encontrou vida extraterrestre e enviou uma missão para investigar. Os astronautas estão no espaço há quase quatro anos, e acompanhamos suas descobertas e o imenso ponto de interrogação a que são submetidos em sua jornada. Um quadrinho que foge do universo dos super-heróis e que entrega uma história bastante interessante. 

Com 160 páginas, capa cartão e lombada quadrada, Carta 44 traz o primeiro arco de histórias do título e deixa um enorme gancho para a sequência, que espero também ganhe uma edição nacional pela Devir.

E você, o que anda lendo? Deixe suas dicas de quadrinhos e livros nos comentários e vamos trocar indicações.

Por Ricardo Seelig

Os seis anos de injustiça com Maya, o questionamento necessário de M.I.A.

quinta-feira, setembro 22, 2016

Em 2010, o muitíssimo aguardado novo álbum de M.I.A., intitulado Maya, chegou para balançar a popularidade da rapper, que era alta devido aos seus dois primeiros discos, tidos como clássicos instantâneos da última década (Arular, de 2005, e Kala, de 2007).

Acontece que grande parte do público e da crítica ou não estavam preparados para questionar algumas verdades que balançariam de vez o status quo da época, ou esperavam hits instantâneos como o caso indiscutível de “Paper Planes” (aquela famosa música que tem samples de “Straight to Hell”, do The Clash). Porém, M.I.A. nos entregou em Maya algo como o seu próprio Metal Machine Music (referência ao álbum “inaudível" e experimental lançado por Lou Reed em 1975), caprichando em músicas cheias de ruídos nos vocais, sons de máquinas e até riffs de guitarra de Derek Miller (ex-Poison the Well, atual Sleigh Bells). Com uma produção pesada e letras que insinuavam corrupção de direitos civis na era digital, Maya não apenas nos alertava sobre a NSA como também discutia a onipresente falta de segurança a que nos submetemos quando resolvemos interagir com o mundo por meios digitais.

Em Maya talvez tenhamos o paciente zero das discussões sobre o caos digital que o futuro nos reserva. Mesmo que muitos outros artistas já falassem de uma espécie de “apocalipse digital”, nada tinha o apelo com que a rapper argumentava tão bem. E se hoje uma banda como Destruction, não tão antenada com a internet e sua influência nos problemas sociais em diferentes regiões do planeta, consegue lançar músicas sobre o assunto, talvez seja por que M.I.A. tenha começado essa discussão lá em 2010.




O fato é que Maya, o disco em questão, foi incompreendido quando da época do seu lançamento, talvez por trazer ruídos demais em toda sua produção, estranhamente numa época em que Crystal Castles e Death Grips foram aclamados por trazerem exatamente estas sonoridades a seu trabalho. Ou talvez o motivo esteja no fato de o álbum conter teorias de conspiração em suas letras, fator que foi altamente dissecado em uma resenha do site Pitchfork. Porém, com o tempo essas mesmas teorias julgadas como infundadas previamente foram reveladas na mídia como verdades inconvenientes, com os escândalos de violação de privacidade quebrados por vazamentos pelo WikiLeaks, evidenciando mais tarde a real proporção dessa devastação, agora a nível global, por Edward Snowden.



De lá pra cá M.I.A. já lançou mais dois discos. Matangi em 2013 e AIM no último dia 09/09, ambos trazendo outros questionamentos e direcionamentos artísticos importantes e atuais tanto quanto Maya foi em sua época, como a atual crise global de refugiados em países em guerra, porém nenhum com a mesma sonoridade visceral evidenciada em seu antecessor.

Hoje seu valor artístico e político é inegável. Maya é como uma profecia que poucos ou ninguém percebeu a seu tempo, um aviso ignorado que se tornou cult - pena que tarde demais.

Por Lucas Melquiades

Review: Ghost - Popestar (2016)

quinta-feira, setembro 22, 2016

Popestar, lançado em 16 de setembro, é o segundo EP do Ghost - o primeiro lançamento neste formato, If You Have Ghost, saiu em 2013. Ambos possuem temática similar: uma música própria e quatro versões para canções de outros artistas, em uma tradição que teve início com o single “Here Comes the Sun”, liberando em 2011 e que trazia os mascarados relendo um dos maiores clássicos dos Beatles. A produção é de Tom Dalgety (Opeth, Pixies, Royal Blood).

Como dito, são cinco faixas: a inédita “Square Hammer” e as releituras para “Nocturnal Me” do Echo & The Bunnymen, “I Believe” do Simian Mobile Disco, “Missionary Man” do Eurythmics e “Bible" do Imperiet.

A banda sueca faz parte daquele grupo de artistas que consegue imprimir sua forte identidade sonora não apenas nas suas próprias criações, mas também ao se aventurar por canções alheias. Como já havia feito em If You Have Ghost, o grupo pega para si as faixas coverizadas e faz as músicas soarem como se fossem suas. O resultado final é superior as gravações originais, ainda que duas das releituras sejam para ícones do pop dos anos 1980. 

Mantendo a atmosfera predominantemente climática e teatral característica, o Ghost brinda os fãs com cinco novas músicas que mantém a alta qualidade que já faz parte da carreira de Papa Emeritus e sua turma (uma dica: apesar de mudar de nome a cada novo disco - Papa Emeritus I, II e III -, o vocalista é o mesmo desde o início e atende pelo nome verdadeiro de Tobias Forge). Muito além de gueto do heavy metal, o Ghost caminha passo a passo na construção de uma carreira interessantíssima, inserindo elementos góticos, progressivos e do pop em sua música, tornando-a cada vez mais rica.

O aspecto cênico, com as maquiagens e figurinos e o mistério em torno da identidade dos integrantes, é a cereja do bolo. Some-se a isso a capacidade de criar canções cativantes, com riffs fortes e lindas passagens repletas de melancolia, e temos algo único no cenário da música.

Entre as faixas de Popestar destaque para a grudenta “Square Hammer”, para o clima e arranjos sombrios de “Nocturnal Me” e a beleza dolorida de “Bible”, que fecha o disquinho entregando um dos momentos mais altos da carreira da banda.

Mesmo não tendo o impacto de um álbum completo, Popestar mostra a força do Ghost e evidencia a história singular que a banda está construindo. Não é metal, não é rock, não é pop: é apenas música, e de ótima qualidade, cada vez mais.

Por Ricardo Seelig

Quadrinhos: A Mulher do Mágico, de Jerome Charyn e François Boucq

quinta-feira, setembro 22, 2016

DO QUE SE TRATA?

Da história de Rita, que desde criança acompanha Edmund, um grande mágico. Rita está prometida como esposa para Edmund que, secretamente, tem um caso com sua mãe, que é ajudante do mágico. Anos depois, logo após o casamento, Rita revela que sabe do caso do marido e resolve mudar de vida, fugindo para Nova York. 

A obra analisada aqui é a versão portuguesa editada pela Meribérica, que chegou a ser distribuída no Brasil.

QUEM FEZ?

Jerome Charyn, autor americano com quase 50 livros publicados e 8 álbuns (ou graphic novels, como preferir) em parceria com autores europeus. Foi chamado pelo New York Newsday de “Balzac americano da atualidade”. Acumulou diversos prêmios ao redor do globo, inclusive o 1986 Prix Alfred de Angoulême por La Femme du Magicien (título original de A Mulher do Mágico). 

François Boucq é um artista francês que tem feito parcerias espetaculares ao longo dos anos, tais como com o próprio Charyn e com Alexandro Jodorowski (de Incal). Atualmente, vem fazendo tiras e cartoons para publicações francesas e está trabalhando com Jodorowski no novo volume de uma das séries mais populares da Europa atualmente, o western Bouncer. Já foi premiado mais de uma vez em Angoulême.



POR QUE DEVO ME INTERESSAR?

Ler A Mulher do Mágico pode proporcionar diferentes experiências e até mesmo diferentes conclusões para cada pessoa. Eu já havia lido a versão em inglês da editora Dover, mas adquiri a edição da portuguesa Meribérica recentemente e a li na semana passada. Ao terminar de ler, olhei pra Lili, minha esposa, e falei: não entendi.

Levou alguns dias para digerir o álbum. Leva algum tempo para captar a proposta dos autores, e para perceber que o álbum tem como elemento imprescindível a experiência do leitor para fazer sentido. Para isso, o desenho de Boucq auxilia, e muito, na imersão da história. Cenários ricos em detalhes e cenas que parecem dizer mais que os olhos vêem possuem propósitos específicos durante a leitura. Tudo é meticulosamente pensado.

É difícil dissociar a fantasia da realidade na jornada de Rita, mas é louvável o esforço (bem sucedido, diga-se de passagem) de Boucq em dar vazão ao mundo mágico que a garota/mulher adentra, por algumas vezes. Segundo o próprio Charyn, Boucq conseguiu dar uma dimensão ainda maior ao roteiro, de uma forma que ele sozinho não conseguia expressar.

A Mulher do Mágico não é uma leitura para fãs de quadrinhos não “iniciados” em material fora do mainstream. Os autores não vão te entregar o enredo tão fácil e nem vão se esforçar para que a história seja facilmente digerível. Talvez por isso a comparação da obra com os filmes do italiano Frederico Fellini - que com frequência misturava em seus filmes elementos de sonhos, fantasias e desejos com a realidade.


Na mágica, o segredo é sempre o “despiste” da audiência. O objetivo do mágico é atrair o espectador para o efeito da mágica, despistando-o do método e surpreendendo-o no final. Voltando à primeira impressão que tive, creio que ela foi de não compreensão por causa do meu perfil mais analítico, lógico demais. Assim, terminei a leitura até um pouco frustrado. Demorou algum tempo pra digerir que a obra é como o efeito de uma mágica, e que eu estava diante de um truque espetacular.

No final, ficam as seguintes certezas: Charyn e Boucq são os grandes e verdadeiros mágicos. Rita e os demais personagens, os assistentes de palco. Eu e você, a plateia. Bom espetáculo !

ONDE ADQUIRIR?

Comprei a minha edição na gibiteria Tutatis, aqui em Porto Alegre. A editora Dover disponibiliza a versão digital via Kindle (em inglês), da Amazon. Há também a versão física, disponível na mesma loja.



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