7 de out de 2016

Veja as datas e cidades da turnê sul-americana de 20 anos de Roots, com Max e Iggor Cavalera tocando o disco na íntegra

sexta-feira, outubro 07, 2016

Max e Iggor Cavalera farão uma turnê sul-americana tocando o clássico Roots na íntegra, comemorando os 20 anos de lançamento do álbum do Sepultura. 

A tour passará por apenas três cidades brasileiras, e contará também com shows na Argentina, Chile, Colômbia e México.

Abaixo estão as datas e cidades onde ocorrerão os shows. Os locais das apresentações ainda não foram divulgados.




A semana: a música em Luke Cage, a casa de Kurt Cobain e os 30 anos de Watchmen

Livro celebra os 40 anos dos Sex Pistols

sexta-feira, outubro 07, 2016

Será lançado no próximo dia 11 de outubro o livro God Save Sex Pistols, obra dos escritos ingleses Johan Kugelberg, Jon Savage e Glenn Terry (este último arquivista da banda punk britânica).

A ideia do livro de 320 páginas é contar a história do lendário grupo punk através de imagens que eternizaram momentos de sua carreira. A edição deluxe, com tiragem limitada a 2 mil cópias, vem com capa dura, uma borracha de 5 milímetros aplicada sobre a capa (em uma alusão à cultura bondage, bastante associada ao punk), um segundo livro compilando matérias raras saídas na imprensa e uma cópia em serigrafia do pôster do show realizado pela banda no Screen on the Green, casa de shows londrina, no início da carreira.

O livro conta também com outras edições limitadas, com mais material adicional. Mais informações aqui.




Discos da semana: novo do Red Fang, a volta do Meshuggah e ao vivo de Eric Clapton

sexta-feira, outubro 07, 2016

Boas novidades chegando às lojas, disponíveis nos serviços de streaming e rodando na rede esta semana. Metal, hard rock e blues rock em discos interessantes para os ouvidos. Confira!

Red Fang - Only Ghosts

Quarto álbum do quarteto norte-americano de heavy rock / stoner, sucessor de Whales and Leaches (2013). O disco está saindo pela Relapse e tem data de lançamento marcada para o dia 14/10, mas já está disponível na rede.

Eric Clapton - Live in San Diego

Décimo-terceiro álbum ao vivo de Eric Clapton, Live in San Diego foi gravado em 15 de março de 2007 durante a tour de Road to Escondido, disco gravado por Clapton ao lado de J.J. Cale. O álbum tem também participações especiais de Derek Trucks, Robert Cray e Doyle Bramhall.

Kyng - Breathe in the Water

Terceiro disco deste excelente trio natural de Los Angeles, que faz um heavy metal vigoroso e empolgante. Uma das novas bandas do rock pesado norte-americano, o Kyng mantém em seu novo álbumo mesmo nível apresentado nos trabalhos anteriores, Trampled Sun (2011) e Burn the Serum (2014).

The Devil Wears Prada - Transit Blues

Sexto álbum de um dos principais nomes da cena metalcore dos Estados Unidos. O disco é o sucessor de 8:18 (2013) e marca a estreia do novo guitarrista, Kyle Sipress.

Sonata Arctica - The Ninth Hour

Nono disco da banda finlandesa, uma das principais referências do power metal contemporâneo. O álbum foi lançado dia 7 de outubro e é o sucessor de Pariah’s Child, de 2014.

Meshuggah - The Violent Sleep of Reason

Oitavo trabalho da inovadora banda sueca, conhecida por suas experimentações e pelos andamentos pra lá de quebrados. Segundo o Metal Sucks, o disco é uma total desconstrução do heavy metal.

Anciients - Voice of the Void

Segundo álbum deste quarteto canadense, que lançou em 2013 o seu ótimo primeiro disco, Heart of Oak. O negócio aqui é um metal bastante criativo, com grande influência de nomes como Baroness e Mastodon. Se você curte essas duas bandas, vai amar o Anciients.

Seasick Steve - Keepin’ the Horse Between Me and the Ground


O blues rocker norte-americano retorna com seu oitavo trabalho. A linha segue a mesma, com a sonoridade característica de Steve.

Noize Record Club, o primeiro clube de vinil da América Latina

sexta-feira, outubro 07, 2016

A iniciativa é da revista/site Noize: um clube do vinil, onde você paga um valor e recebe LPs em casa. O Record Club da Noize é uma ideia muito legal, e traz sempre a edição da revista acompanha por um título fora de catálogo ou inédito. São prensagens limitadas e com preços mais baixos que os praticados pelo mercado brasileiro de vinil, infelizmente pra lá de inflacionado e com valores totalmente fora da realidade.

O Record Club está atualmente em sua sexta edição, trazendo o belíssimo Os Afro-Sambas de Baden Powell e Vinicius de Moraes em um vinil de 180 gramas comemorativo aos 50 anos de lançamento do disco, um dos títulos mais importantes e influentes da música brasileira. 

As edições anteriores trouxeram os seguintes títulos: Antes que Tu Conte Outra (Apanhador Só, em LP vermelho translúcido), Banda do Mar (vinil azul do disco de estreia do trio formado por Mallu Magalhães, Marcelo Camelo e Fred Ferreira), Japan Pop Show (disco de 2008 de Curumin, em vinil amarelo), Certa Manhã Acordei de Sonhos Intranquilos (álbum de 2009 de Otto, disponibilizado em vinil transparente) e Dancê (disco de 2015 da ótima Tulipa Ruiz, em LP rosa).

São três opções de assinatura, disponíveis neste link.


Uma ótima iniciativa, cujos idealizadores merecem parabéns!

Review: Kansas - The Prelude Implicit (2016)

sexta-feira, outubro 07, 2016

Longevidade e Kansas são sinônimos.  Com uma história de mais de 40 anos de estrada, diversos álbuns multi-platinados, sendo uma das bandas mais queridas dos EUA e uma referência cultural do país, a banda sofreu com muitas idas e vindas em sua caminhada. A mais recente foi a saída de seu vocalista e membro da formação original Steve Walsh, que anunciou sua aposentadoria e saída do grupo em 2014.

Mesmo com a perda de um membro fundador, o Kansas seguiu em frente e anunciou Ronnie Platt como novo titular no microfone, além de surpreender ao anunciar o lançamento de seu novo álbum, o primeiro em dezesseis anos.

Em The Prelude Implicit, uma das bandas fundadoras e mais influentes do AOR mantém sua sonoridade peculiar: um rock progressivo com instrumental virtuoso, bem trabalhado, com belos arranjos orquestrados, sem deixar de lado sua veia melódica. O disco mostra que a banda ainda tem lenha pra queimar, com todos seus integrantes desempenhando papel importante na construção do play, além de apresentar muita maturidade e muito entrosamento nas faixas.

Mais do que um novo álbum, The Prelude Implicit representa um presente para os fãs, que certamente não esperavam mais um disco na gloriosa e longeva história do Kansas.




Assista Ritmo Alucinante, documentário sobre a primeira edição do festival Hollywood Rock, em 1975

sexta-feira, outubro 07, 2016

Embora tenha conquistado status de grande festival apenas na década de 1990, a primeira edição do Hollywood Rock aconteceu na cidade do Rio de Janeiro em 1975. Entre as atrações (todas nacionais), destacam-se Erasmo Carlos, Vímana (com Lulu Santos e Ritchie - aquele do sucesso "Menina Veneno") O Peso, Raul Seixas e Rita Lee & Tutti-Fruitti.

É possível encontrar na internet vários vídeos do evento, mas o que muitos não sabem é que existe também um documentário (produzido na época) do festival, chamado Ritmo Alucinante. Contendo entrevistas e diversas apresentações dos grupos citados acima, o documentário é uma ótima oportunidade para pensarmos e refletirmos sobre a realização dos grandes eventos voltados para o público rock no país, assim como, compreender um pouco da cena rock aqui no Brasil na década de 1970.

Segue abaixo para apreciação o documentário Ritmo Alucinante:


6 de out de 2016

Livro: Gol da Alemanha, de Axel Torres e André Schön

quinta-feira, outubro 06, 2016

O título do novo livro da Editora Grande Área pode enganar alguns leitores. Gol da Alemanha (210 páginas) não tem como foco principal a fatídica semifinal da Copa do Mundo de 2014, vencida pela Alemanha com um pornográfico 7x1 sobre a Seleção Brasileira. O tema é, na verdade, muito mais interessante. A publicação original tem o título de Franz Jürgen Pep, escolha que resume melhor o que encontramos nas páginas da obra.

Escrito a quatro mãos pelo jornalista espanhol Axel Torres e pelo professor alemão André Schön, o livro é uma grande investigação sobre a evolução histórica do futebol alemão, tendo como protagonistas principais a Nationalelf e o Bayern de Munique. Os dois escribas se debruçam sobre toda a história do futebol germânico, com um foco maior a partir do surgimento de Franz Beckenbauer na Copa de 1966, onde a Alemanha chegou ao vice-campeonato.

Com análises minuciosas de jogos históricos e mensuração do impacto de cada novo nome a surgir com ideias novas no cenário futebolístico do país - além de Beckenbauer, destaque para Jürgen Klinsmann (responsável pelo pontapé inicial e condução da primeira etapa da mudança de paradigmas experimentada pela seleção nacional, que alcançou o seu ápice no Brasil em 2014) e para os conceitos inovadores e desafiadores de Pep Guardiola. Um dos grandes méritos do livro está em buscar no passado as raízes para o momento atual, em um mergulho nas Copas do Mundo de 1966, 1970 e 1974 (onde, respectivamente, a Alemanha foi vice-campeã, chegou à semifinal e venceu o título) e em um dos períodos mais vencedores do Bayern, quando o time de Munique venceu por três vezes seguidas a Copa dos Campeões em 1974, 1975 e 1976.

Com textos leves e, ao mesmo tempo, repletos de informação, a obra proporciona uma leitura deliciosa e que cumpre o seu objetivo, que é identificar os pontos de mudança e intersecção que levaram a Alemanha a mudar o seu modo de jogar, saindo do típico futebol baseado na força física até se tornar uma das maiores referências táticas e técnicas do futebol moderno.

No fim das contas, o inesquecível 7x1 mal é citado, e está presente apenas no penúltimo capítulo do livro, apenas como um dos elementos formadores de um universo muito maios amplo. 

Se você gosta de futebol, Gol da Alemanha é um baita livro, que vai levá-lo através de uma jornada histórica interessantíssima. 

Leitura altamente recomendada!

Todos os detalhes sobre o novo álbum dos Rolling Stones (e ouça também o primeiro single do disco)

quinta-feira, outubro 06, 2016

Os Rolling Stones lançarão dia 2 de dezembro o seu primeiro disco de estúdio em onze anos. O sucessor de A Bigger Bang (2005) tem o título de Blue & Lonesome e trará doze releituras para clássicos do blues.

A produção é de Don Was, Mick Jagger e Keith Richards, e o disco foi gravado em apenas três dias durante o mês de dezembro de 2015 no British Groove Studios, em Londres. Todas as doze faixas pagam tributo à rica tradição do blues de Chicago, cena que foi responsável por eletrificar o gênero nascido nas plantações de algodão do sul dos Estados Unidos.

Ao lado de Jagger, Richards, Ron Wood e Charlie Watts estão Darryl Jones (baixo), Chuck Leavell (teclados) e Matt Clifford (bateria). Eric Clapton faz uma participação especial em duas faixas - “Everybody Knows About My Good Thing” e “I Can’t Quit You Baby” -, enquanto Jim Keltner, músico com larga experiência ao lado de lendas como Bob Dylan, George Harrison, Jack Bruce e inúmeros outros, ficou responsável pela percussão em “Hoo Doo Blues”.


Blue & Lonesome será disponibilizado em CD, vinil e em um box de luxo, além dos formatos digitais. O box trará o álbum original mais um livro de 75 páginas com o making of do disco, além de fotos da banda.

Abaixo está o tracklist completo do novo álbum dos Rolling Stones, e também o player com o primeiro single de Blue & Lonesome, a faixa “Just Your Fool”:

1 Just Your Fool (composta em 1960 por Little Walker)
2 Commit a Crime (composta em 1966 por Howlin’ Wolf)
3 Blue and Lonesome (composta em 1959 por Little Walker)
4 All of Your Love (composta em 1967 por Magic Sam)
5 I Gotta So (composta em 1955 por Little Walker)
6 Everybody Knows About My Good Thing (composta em 1971 e gravada por Little Johnny Taylor)
7 Ride ‘Em on Down (composta em 1955 por Eddie Taylor)
8 Hate to See You Go (composta em 1955 por Little Walker)
9 Hoo Doo Blues (composta em 1958 e gravada por Lightnin’ Slim)
10 Little Rain (composta em 1957 e gravada por Jimmy Reed)
11 Just Like I Treat You (composta em 1961 por Willie Dixon e gravada por Howlin’ Wolf)
12 I Can’t Quit You Baby (composta em 1956 por Willie Dixon e gravada por Otis Rush)

“Empire of the Clouds”: a trágica história do dirigível R101 cantada pelo Iron Maiden

quinta-feira, outubro 06, 2016

"R100 me deu prazer. O R101, espero, vai me dar diversão. Passear por tempestades sempre foi minha ambição, e espero que possamos realizá-la no caminho para a Índia – mas sem riscos indevidos." (Lord Thomson)

"Empire of the Clouds", última faixa do disco The Book of Souls, lançado em 2015 pelo Iron Maiden, pôde se destacar por vários motivos. É totalmente composta por Bruce Dickinson, coisa rara no conjunto inglês, que geralmente concentra as composições com Steve Harris. Além disso, é a primeira música do conjunto a usar piano na sua base, deixando as guitarras em segundo plano. Por fim, bate o recorde de canção mais longa da discografia deles: são dezoito minutos de duração!

Mas além de marcas e curiosidades tolas, o que há de tão especial por traz desses dezoito minutos?

A história da aviação sempre foi uma grande paixão de Bruce Dickinson, e isso não é segredo para ninguém. Algumas batalhas aéreas já foram cantadas na discografia do Iron Maiden. "Empire of the Clouds", apesar de estar relacionada à aviação, tem uma abordagem totalmente inédita. Ao invés de narrar glórias e conquistas aéreas, "Empire of the Clouds" é o oposto. É sobre ambição e fracasso.

Toda a composição gira em torno da história do R101, um dos dois dirigíveis desenvolvidos pela aeronáutica britânica em 1929, com o principal objetivo de conseguir fazer grandes rotas aéreas. Ao todo ele tinha 223 metros de comprimento e era o maior dirigível da época. Em 1930, após alguns voos de testes e modificações no projeto original, o R101 decolou rumo à Índia para sua primeira viagem oficial. Não chegou lá. Ele caiu na França e matou 48 pessoas, entre elas Lord Thomson, Ministro da Aviação e idealizador do projeto.


IMPÉRIO DAS NUVENS

Passear por tempestades, até um império das nuvens
Passear por tempestades, eles embarcaram em seu fantasma prateado
Passear por tempestades, até um reino que virá
Passear por tempestades, que se dane o resto, vista grossa

O começo da canção já é bastante emblemático. A frase "passear por tempestades" não é insistentemente repetida ao acaso. Foi a mesma frase utilizada pelo ministro Lord Thomson, em uma carta de amor à sua esposa, cerca de um mês antes do acidente. Nessa carta, ele falava sobre a expectativa de voar no R101. A frase completa está no começo dessa postagem. O final da estrofe já é um adiantamento da história por trás da tragédia. Vista grossa e muita negligência durante a execução do projeto.

Realeza e personalidades, conhaque e charutos
Relacionam-se com o gigante dos céus, o seguram em seu braços
Uma chance em um milhão, eles riram, para derrubar a majestade
Para a Índia, diziam, o tapete mágico flutuará, em algum dia de outubro

A menção à realeza deixa explícita a relação da família real com o desenvolvimento do dirigível. E quando questionados sobre a chance de fracasso do R101, a resposta era clara: uma em um milhão.


Neblina lá nas árvores, pedras úmidas pelo sereno
O sol da manhã se ergue, o vermelho antes do azul
Mastro pendurado, à espera do comando
O dirigível da majestade, o R101
Ela é a maior nave já feita pelo homem, a gigante dos céus
E para todos os céticos, o Titanic cabe lá dentro
Tambor fortemente enrolado, pele de lona, prateada sob o sol
Nunca testado pela fúria, um desafio ainda pendente
Uma fúria ainda pendente

Essa sequência de versos já começa a dar mais pistas do cenário. O dirigível é finalizado e apresentado. O seu tamanho é bastante exaltado, e a comparação com o Titanic é uma amostra dos exageros causados pela pressão e expectativa desmedida. O Titanic não cabia dentro: ele era 46 metros maior.

A parte mais importante desse trecho é a observação com relação aos testes realizados. Quando Bruce canta "nunca testado pela fúria", ele avisa que todos os voos de teste realizados foram em condições climáticas limpas e sem capacidade máxima de carga e velocidade.

Na penumbra uma tempestade se forma a oeste
O timoneiro olhava fixamente para a água que mergulhava
Devemos ir agora, pegar essa chance com muita fé
Devemos ir agora, pelo político que não pode se atrasar

Esse já é o momento de pré-decolagem do fatídico voo. Seria o primeiro voo a atravessar o continente. A ideia era ir até a Índia, com escala no Egito. Estamos no dia 4 de outubro de 1930. As condições climáticas durante o período da manhã eram bastante favoráveis e a decolagem foi agendada. Ao longo da tarde a situação piorou, mas nada que o capitão considerasse preocupante.


A tripulação acordada por trinta horas, com força total
O navio está na sua espinha dorsal, cada fibra, cada polegada
Ela nunca voou em velocidade máxima, um teste nunca feito
E a sua frágil capa externa, será o seu Aquiles
Um Aquiles ainda pendente

Momentos antes da decolagem a tripulação é descrita: bastante capacitados, dispostos e com amplo conhecimento do R101. O R101 está na palma da mão deles.

É feito um novo lembrete da falta de testes (eu não errei quando escrevi “ela" - nesse verso Bruce se refere ao dirigível como sendo uma mulher) e pela primeira vez é citado o problema da capa externa. Aqui, notem a sutileza na ordem dos fatos. A fragilidade da capa é informada antes da decolagem, dando a entender que alguns já sabiam do problema.

De fato, no dia 3 de julho (cerca de um mês antes), o técnico McWade ignorou seu superior e escreveu diretamente ao diretor de inspeções aeronáuticas uma carta recomendando fortemente a não autorização do voo. O motivo alegado era a grande oscilação da estrutura, que fragilizava a capa. Ainda antes disso, em janeiro, o inspetor Michael Rope detectou uma grande fragilidade na região superior da capa, causada pelo acúmulo de água. A solução foi reforçar a região com camadas extras de capa.

Marinheiros do céu, uma raça obstinada
Leais ao rei, e crença no dirigível
O motor começa a bater, o telégrafo faz barulho
Soltem os fios que nos prendem ao chão
Disse o timoneiro – Capitão, ela é pesada, não conseguirá voar
Disse o capitão – Dane-se a carga, sairemos hoje à noite
Multidão aplaudindo quando ela se ergueu a partir do mastro
Batizando todos com a água que lastreava frente e trás
Agora ela desliza para o nosso passado

Hora da decolagem! O R101 está no céu, rumo ao seu final derradeiro. O diálogo entre capitão e timoneiro é fictício e remete às modificações estruturais no dirigível durante a fase de testes, como a remoção de cabines, elevadores e substituição de janelas.

A água que batizou todos é uma referência ao acúmulo da mesma na capa do dirigível antes da decolagem (havia uma leve chuva). Quando o R101 começou a se movimentar essa água deslizou e caiu, molhando todos abaixo. Estima-se que três toneladas de água acumulada foram despejadas. Isso dá uma ideia da carga que a estrutura deveria suportar.

Mais uma sutileza nesse trecho, dessa vez instrumental. A música interrompe a levada com piano, e guitarras tomam conta, indicando a formação do caos. Mas o mais brilhante é que essa transição se dá por meio de pancadas secas e sincronizadas de bateria, guitarra e baixo. Essas pancadas aparentemente sem significado são o sinal de SOS em código Morse.


Lutando contra o vento enquanto ele te desvia
Sentido os motores te empurrar mais e mais
Assistindo o canal abaixo de você
Mais baixo, mais baixo, noite adentro
Luzes passam logo abaixo de você
O norte da França dorme em suas camas
A tempestade se enfurece em volta
Uma em um milhão, é o que ele diz

As condições pioram. O vento fica forte e empurra o dirigível, que não tem força nos motores para manter a rota original. A travessia do Canal da Mancha é conturbada e fica difícil manter a altitude. Os ventos cada vez mais fortes alteram significativamente a rota do gigante prateado e, para corrigir a direção, tiveram que passar por Beauvais Ridge, uma área conhecida pelas condições adversas e turbulências. A citação "uma em um milhão" é relembrada nessa estrofe. Dessa vez, com certo sarcasmo.

O ceifador espera ao lado dela
Com sua foice para cortar até o osso
Pânico para tomar uma decisão
Homens experientes dormindo em seus túmulos

Nada mais pode ser feito. A queda é eminente e a morte já os aguarda.


A capa está rasgada e ela está se afogando
A chuva inunda todo o casco
Sangrando até a morte ela está caindo
O gás está vazando
Nós caímos, rapazes – veio o choro, flecha mergulhando do céu
Três mil cavalos em silêncio enquanto o navio começa a morrer
As chamas guiam seu caminho, com máxima ignição
O império das nuvens é apenas cinzas no passado
Apenas cinzas, é o restante

O fim é melancólico e o instrumental acompanha esse clima. A capa do dirigível não suportou todo o peso e vento, e o R101 mergulhou no solo francês. No total foram quarenta e oito mortes e oito sobreviventes. A frase "nós caímos, rapazes", reproduzida na música, foi de fato pronunciada pelo capitão nos últimos momentos.


Aqui jazem seus sonhos, e permaneço sob o sol
No terreno em que a construíram, e os motores ligaram
Para a lua e para as estrelas, o que foi que nós fizemos?
Os sonhadores podem morrer, mas o sonho continua vivo
O sonho continua vivo, o sonho continua vivo
Agora é uma sombra na colina, o anjo do leste
Que o império das nuvens descanse em paz
E em uma igreja no interior, de cabeça para o mastro
Quarenta e oito almas que vieram a morrer na França

Todos os corpos foram enterrados com honras militares. A frase "de cabeça para o mastro" não é ao acaso. Os mortos ficaram com seus túmulos voltados ao local do mastro, no dia da decolagem.

E por fim, apesar de o sonho continuar vivo, todo o programa aeronáutico de desenvolvimento dos dirigíveis foi suspenso na Inglaterra. Vale salientar que, antes mesmo do acidente, ele já era duramente criticado por gerar um imenso gasto público e ter a utilidade bastante duvidosa.

Eis o R101. Narrado brilhantemente pelo Iron Maiden no disco The Book of Souls. Então que tal sentar no sofá, completar uma dose e apreciar essa história como se deve?


Review: Blackberry Smoke - Like an Arrow (2016)

quinta-feira, outubro 06, 2016

Falar do Blackberry Smoke é chover no molhado. Uma das bandas mais cultuadas pela crítica e com circunstancial sucesso dentro do segmento que se propõe, os barbudos de Atlanta já se configuram como uma das melhores bandas de rock and roll da nova geração e um dos grandes nomes da história do southern rock .

Em seu quinto álbum de inéditas, o segundo em dois anos, o grupo mantém a proposta de som que tem feito em seus trabalhos mais recentes. Há sempre uma expectativa por um disco que alcance o nível do fantástico The Whippoorwill, de 2012. Mesmo sem atingir o patamar de seu álbum definitivo, a banda consegue entregar em Like an Arrow um som agradável e primoroso, onde é mostrado o cuidado na produção e nos arranjos em cada uma das 11 faixas.

Com uma trupe de excelentes músicos, o Blackberry Smoke explora muito bem a característica de cada um dos instrumentistas com excelentes intervenções do órgão, belas entradas do violão e solos que fariam qualquer morador do interior paulista sentir saudades de uma juventude que nunca existiu em uma pacata cidade no Texas. Os destaques individuais ficam com as faixas "Waiting for the Thunder", "Let it Burn" e "Sunrise in Texas". 

Mesmo com um intervalo curto entre um lançamento e outro, o Blackberry Smoke mostra que tem bastante lenha pra queimar, fortalecendo-se como um dos grandes nomes do classic rock atual.





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