14 de out de 2016

Show: Wilco - Popload Festival | 8 de outubro de 2016 | Urban Stage | São Paulo

sexta-feira, outubro 14, 2016

Que vida dura para o fanático por música ter de esperar anos para poder rever sua banda do coração. Nós não entendemos porque temos que sofrer e esperar tanto tempo para ver ao vivo nossos ídolos. Poxa economia, ajuda a gente a ser feliz!

Dez anos se passaram desde a última vinda dos americanos do Wilco ao Brasil, mas no último dia 8 de outubro a cidade de Chicago nunca esteve tão próxima de nós. Jeff Tweedy e sua trupe voltaram ao país para três apresentações, duas em Sampa e uma no Rio de Janeiro, para divulgar seu novo disco, Schmilco. A primeira parada na cidade da garoa foi dentro do Popload Festival.

Projetado para comportar até 8.000 pessoas, o Urban Stage esteva bem cheio quando exatamente às 20h30 a espera tinha acabado. Entra em cena aquela banda, grupo, seita ou religião que todo mundo aguardava. O que importa é que eles estão ali, na nossa frente. Parecia ser tão fácil. Porque demorou tanto? O público presente se reuniu em frente à grade ocupando todos os espaços livres para ficar mais perto do palco.

Era possível ver o quanto incrédulo estavam todos. Demorou praticamente três músicas para que alguma reação fosse esboçada pela galera. PQP, era verdade, eles estavam lá! Era hora de curtir.

Duas horas de show pra fã nenhum botar defeito. 


Choro, silêncio, frenesi, palmas, gritos, esperança no amanhã. Quantos sentimentos bons uma mesma banda pode proporcionar com sua pluralidade musical? Poderíamos passar horas tentando descrever a sonoridade das músicas que o sistema de som, claro e nítido, amplificava para todos.

Tivemos de tudo: do alt-country ao noise free-jazz até o folk calminho do interior dos Estados Unidos, como se tivesse sido feito na beira da estrada esperando a carona que iria te levar para um novo mundo ou um novo estado de espírito.

Não importa o caos do mundo. Queremos que esse momento dure para sempre. Porque um show tão bom tem que acabar? Se deixassem a gente escolher as verdades do mundo, certeza que as duas horas de show virariam oito. Oito virariam dez. Pergunta para a galera da grade como estava.

Já na metade do show, parecia que os sete mil presentes eram os melhores amigos do Jeff Tweedy. O maestro condutor de uma máquina de fazer músicas é uma simpatia de frontman que, além de tocar muito guitarra, sempre fazia questão de dizer o quanto estava feliz de tocar pela primeira vez na capital paulista. O guitarrista Nels Cline fez os presentes no festival ficarem de queixos caídos quando conseguiu melhorar o já ótimo solo de "Impossible Germany", com uma versão estendida de quase 10 minutos. O incrível foi ouvir todo mundo cantando as melodias do solo junto da banda. Tirando banda de metal, ninguém mais consegue essa proeza. Após 25 músicas, a banda deixa o palco sendo ovacionada pelo público que, de pronto, pediu o tradicional bis.



Quer mais? Sim!!! Então toma mais duas para finalizar esse show histórico. 

Valeu Popload pelo belo festival, dando show de organização e respeito pelo público. Agora, fã que é fã mesmo, tem que sofrer um pouco mais. Essa galera de Londrina teve que pegar 600 quilômetros de estrada para voltar pra casa. Tenho certeza que pelo sorriso, a volta foi boa!



Setlist:
Random Name Generator
The Joke Explained
I Am Trying to Break Your Heart
Art of Almost
Either Way
Misunderstood
If I Ever Was a Child
Cry All Day
Someone to Lose
Via Chicago
Impossible Germany
Hummingbird
Handshake Drugs
Side With the Seeds
Locator
Pickled Ginger
Forget the Flowers
Box Full of Letters
Heavy Metal Drummer
I’m the Man Who Loves You
Jesus, Tec.
Dawned on Me
Red-Eyed and Blue
I Got You(At the End of the Century)
Outtasite(Outta Mind)

Encore

Spiders(Kidsmoke)
The Late Greats

Por Denis Fonseca

Nova edição da Decibel traz primeira entrevista de Phil Anselmo após ato de racismo

sexta-feira, outubro 14, 2016

A nova edição da Decibel Magazine conta com a primeira entrevista de Phil Anselmo após o ato de racismo realizado no início do ano. No encerramento do Dimebash, show em homenagem a Dimebag Darrell, o cantor fez a saudação nazista e gritou “white power”, causando uma reação que resultou em cancelamentos de shows do Down em festivais e críticas de toda a cena – com exceção de quem acha que preconceito não é nada demais e “rock é isso aí mesmo” - sim, esse povo existe, e infelizmente aos montes.

Em primeiro lugar, assumo total responsabilidade. O que fiz foi um insulto, um horror, as pessoas ficaram verdadeiramente aborrecidas. Machuca meu coração saber que alguém me vê como racista. É ridículo. Mesmo assim, se ofendi amigos judeus, pessoas que trabalham comigo e outras bandas, peço desculpas e prometo que isso nunca mais acontecerá”, declarou. 

Mesmo assim, logo após essa fala, caiu no velho clichê do “não sou racista, até tenho amigos negros”, ao dizer: “É engraçado me acusarem disso, pois tenho um baterista mexicano e um guitarrista metade negro em minha banda”. 

Pois é ...

Discos da semana: o novo do Kings of Leon, o retorno do L7 e o acústico de Eric Johnson

sexta-feira, outubro 14, 2016

Destacamos abaixo alguns discos que estão sendo lançados esta semana, já estão disponíveis nos serviços de streaming e caíram na rede. Temos o retorno do Kings of Leon, o L7 voltando após quase duas décadas e Eric Johnson acústico pra dar uma arejada na cabeça e nos ouvidos.


Kings of Leon - Walls

Após três anos, o quarteto norte-americano retorna com seu sétimo disco. Segundo a Rolling Stone, o álbum flerta com o mainstream contemporâneo, com canções que vão do rock pra tocar nas rádios até faixas que soam constrangedoramente próximas ao One Republic.


L7 - Wireless

Primeiro álbum do L7 em dezessete anos, Wireless marca o retorno do quarteto feminino que alcançou o seu auge durante o período grunge.


The Dillinger Escape Plan - Dissociation

Sexto disco de um dos principais nomes do metal norte-americano. O álbum vem sendo aclamado pela crítica, que tem derramado reviews positivos para o trabalho.


Testament - Brotherhood of the Snake

Décimo-primeiro álbum de um dos principais nomes da história do thrash metal. Mais violento e urgente que o disco anterior, tem tudo para agradar os fãs.


Beth Hart - Fire on the Floor

Oitavo LP da cantora californiana, uma das principais vozes femininas do blues na atualidade. Como sempre, sinônimo de ótima música.


Popa Chubby - The Catfish

Mais blues, agora a cargo deste simpático nova-iorquino, que turbina o gênero com flertes abertos com o funk e com a música latina.


Eric Johnson - EJ

Primeiro disco acústico do guitarrista texano, com versões para clássicos de Jimi Hendrix, Les Paul e Simon & Garfunkel, entre outros. Eric Johnson ficou conhecido do grande público ao fazer parte do primero G3, ao lado de Joe Satriani e Steve Vai.

Os 100 melhores solos de guitarra da história segundo a Classic Rock Magazine

sexta-feira, outubro 14, 2016

Desde que o rock surgiu, os solos vieram juntos. O momento em que os versos e os refrãos são esquecidos, o guitarrista dá uns passos à frente e fica no centro do palco, oferecendo uma melodia (ou um ataque ou seja lá o que for) que define a música. Em alguns casos, os próprios solos são a música, mais famosos e reverenciados do que a canção a qual fazem parte. 

Abaixo está a lista elaborada pela revista britânica Classic Rock em sua mais recente edição. Uma centena de canções com guitarras antológicas, que marcaram gerações e conquistaram ouvintes. Ao lado de cada faixa está citado o nome do guitarrista responsável pelo solo.

Com vocês, os 100 melhores solos de guitarra de todos os tempos segundo a Classic Rock Magazine:

100 Temple of the Dog - Reach Down (Mike McCready, 1991)
99 Manic Street Preachers - You Love Us (James Dead Bradfield, 1992)
98 Pantera - Walk (Dimebag Darrell, 1992)
97 Ram Jam - Black Betty (Bill Bartlett, 1977)
96 The Damned - Love Song (Captain Sensible, 1979)
95 Red Hot Chili Peppers - I Could Have Lied (John Frusciante, 1991)
94 Suede - Animal Nitrate (Bernard Butler, 1993)
93 Jane’s Addiction - Three Days (Dave Navarro, 1990)
92 Lou Reed - Rock Minuet (Lou Reed, 2000)
91 Bad Brains - Re-Ignition (Dr. Know, 1986)
90 Joe Bonamassa - No Good Place for the Lonely (Joe Bonamassa, 2016)
89 Kansas - Carry On Wayward Son (Kerry Livgren, 1976)
88 Neil Young - Southern Man (Neil Young, 1970)
87 Jethro Tull - To Cry You a Song (Martin Barre, 1970)
86 Bad Company - Feel Like Making Love (Mick Ralphs, 1975)
85 Journey - I’ll Be Alright Without You (Neal Schon, 1986)
84 The Rolling Stones - The Spider & The Fly (Brian Jones, 1965)
83 Alter Bridge - Blackbird (Mark Tremonti e Miles Kennedy, 2007)
82 Billy Cobham - Quadrant 4 (Tommy Bolin, 1973)
81 U2 - The Fly (The Edge, 1991)
80 Scorpions - The Sails of Charon (Uli Jon Roth, 1977)
79 The Cult - She Sells Sanctuary (Billy Duffy, 1985)
78 Santana - Black Magic Woman (Carlos Santana, 1970)
77 Steven Wilson - Drive Home (Guthrie Govan, 2013)
76 The Pretenders - Tattooed Love Boys (James Honeyman-Scott, 1980)
75 Robert Gordon - If This is Wrong (Link Wray, 1978)
74 Frank Zappa - Watermelon in Easter Hay (Frank Zappa, 1979)
73 Extreme - Get the Funk Out (Nuno Bettencourt, 1990)
72 Television - Marquee Moon (Tom Verlaine, 1977)
71 The Only Ones - Another Girl Another Planet (John Perry, 1978)
70 Blue Öyster Cult - (Don’t Fear) The Reaper (Donald “Buck Dharma” Roeser, 1976)
69 Wishbone Ash - Blowin’ Free (Andy Powell, 1972)
68 Yngwie Malmsteen - Black Star (Yngwie Malmsteen, 1984)
67 Be-Bop Deluxe - Crying to the Sky (Bill Nelson, 1976)
66 Montrose - Rock Candy (Ronnie Montrose, 1973)
65 Rage Against the Machine - Killing in the Name (Tom Morello, 1991)
64 The Buzzcocks - Boredom (Pete Shelley, 1977)
63 The Sex Pistols - Anarchy in the UK (Steve Jones, 1977)
62 Racer X - Scarified (Paul Gilbert e Bruce Bouillet, 1987)
61 Rory Gallagher - Walk On Hot Coals (Rory Gallagher, 1974)
60 UFO - Rock Bottom (Michael Schenker, 1974)
59 Robin Trower - Too Rolling Stones (Robin Trower, 1974)
58 Funkadelic - Maggot Brain (Eddie Hazel, 1971)
57 Iron Maiden - Powerslave (Dave Murray, 1984)
56 King Crimson - 21st Century Schizoid Man (Robert Fripp, 1969)
55 Alice in Chains - Man in the Box (Jerry Cantrell, 1990)
54 David Lee Roth - Shyboy (Steve Vai, 1986)
53 John Mayall & The Bluesbreakers - So Many Roads (Peter Green, 1969)
52 Ozzy Osbourne - I Don’t Know (Randy Rhoads, 1980)
51 Dokken - Tooth and Nail (George Lynch, 1984)
50 Bill Haley and His Comets - Rock Around the Clock (Danny Cedrone, 1955)
49 Autograph - Turn Up the Radio (Steve Lynch, 1984)
48 The Knack - My Sharona (Berton Averre, 1979)
47 Joe Satriani - Cryin’ (Joe Satriani, 1992)
46 Iggy and The Stooges - Search and Destroy (James Williamson, 1973)
45 Albert King - Crosscut Saw (Albert King, 1967)
44 The Darkness - I Believe in a Thing Called Love (Justin Hawkins, 2003)
43 White Lion - Wait (Vito Bratta, 1987)
42 Genesis - Firth of Fifth (Steve Hackett, 1973)
41 Rush - Limelight (Alex Lifeson, 1981)
40 Jimi Hendrix - Machine Gun (Jimi Hendrix, 1970)
39 John Mayall - All Your Love (Eric Clapton, 1966)
38 The Doors - Light My Fire (Robby Krieger, 1967)
37 Kiss - Shock Me (Ace Frehley, 1977)
36 Stray Cats - Stray Cat Strut (Brian Setzer, 1981)
35 Bon Jovi - Wanted Dead or Alive (Richie Sambora, 1986)
34 ZZ Top - Sharp Dressed Man (Billy Gibbons, 1983)
33 Elvis Presley - Hound Dog (Scotty Moore, 1956)
32 MC5 - Looking At You (Wayne Kramer, 1970)
31 Thin Lizzy - Dancing in the Moonlight (Scott Gorham, 1977)
30 Metallica - The Unforgiven (Kirk Hammett, 1991)
29 Motörhead - Ace of Spades (“Fast" Eddie Clarke, 1980)
28 Steely Dan - Reelin’ in the Years (Elliott Randall, 1973)
27 Rainbow - Since You Been Gone (Ritchie Blackmore, 1979)
26 The Who - Anyway, Anyhow, Anywhere (Pete Townshend, 1965)
25 Aerosmith - Walk This Way (Joe Perry, 1975)
24 David Bowie - Moonage Daydream (Mick Ronson, 1972)
23 The Beatles - Something (George Harrison, 1969)
22 The Rolling Stones - Can’t You Hear Me Knocking (Mick Taylor, 1971)
21 Stevie Ray Vaughan - Pride and Joy (Stevie Ray Vaughan, 1983)
20 Dire Straits - Sultans of Swing (Mark Knopfler, 1978)
19 Jeff Beck - Cause We’re Ended As Lovers (Jeff Beck, 1975)
18 The Kinks - You Really Got Me (Dave Davies, 1964)
17 Free - All RIght Now (Paul Kossoff, 1970)
16 Derek & The Dominos - Layla (Duane Allman, 1970)
15 Chuck Berry - Johnny B. Goode (Chuck Berry, 1958)
14 The Rolling Stones - Sympathy for the Devil (Keith Richards, 1968)
13 The Beatles - While My Guitar Gently Weeps (Eric Clapton, 1968)
12 Deep Purple - Highway Star (Ritchie Blackmore, 1972)
11 AC/DC - Let There Be Rock (Angus Young, 1977)
10 Black Sabbath - Paranoid (Tony Iommi, 1970)
9 Prince and The Revolution - Purple Rain (Prince, 1984)
8 Guns N’ Roses - Sweet Child O Mine (Slash, 1987)
7 Queen - Killer Queen (Brian May, 1974)
6 Van Halen - Eruption (Eddie Van Halen, 1978)
5 Jimi Hendrix - All Along the Watchtower (Jimi Hendrix, 1968)
4 Lynyrd Skynyrd - Free Bird (Allen Collins, 1973)
3 Eagles - Hotel California (Don Felder e Joe Walsh, 1976)
2 Pink Floyd - Comfortably Numb (David Gilmour, 1979)
1 Led Zeppelin - Stairway to Heaven (Jimmy Page, 1971)


13 de out de 2016

Headbanger de extrema direita: o resultado catastrófico de quem ouve música sem se aprofundar em seu conceito

quinta-feira, outubro 13, 2016

Em um país onde grande parte dos grupos políticos organizados na disputa pelo poder se encontram desmoralizados, falar de política ou assumir determinada posição ideológica se torna muitas vezes um tabu gerado pelo constrangimento e vergonha por parte de quem se engaja politicamente em alguma causa. Mas, como as decisões políticas e institucionais refletem diretamente o nosso cotidiano e determinam o nosso papel social, tratar desse assunto é algo muito necessário, ainda mais por ser algo extremamente relacionado a música - neste caso, ao heavy metal e ao rock and roll.

Neste contexto onde as contradições sociais e ideológicas no Brasil se encontram ainda mais acentuadas, vemos o surgimento de muitas personalidades dentro da nossa cena que ganham atenção vociferando discursos conservadores, moralistas, autoritários, com um ódio bem acentuado contra os movimentos sociais e coletivos de esquerda. Particularmente eu afirmo isso com um grande pesar e decepção de alguém que desde os 15 anos de idade sempre entendeu a cultura do rock com algo libertário que quebrasse com todos os padrões sociais e morais impostos por essa sociedade que, há pelo menos 40 anos, sempre foi criticada na cena.

Quando o Black Sabbath lançou seu primeiro álbum, em 1970, o que mais chamou a atenção foi o fato de as músicas baterem em assuntos tidos como verdades universais pela nossa sociedade ocidental, como religião, sexo e drogas. A mesma coisa aconteceu quando o Sex Pistols lançou seu debut Never Mind Bollocks, Here’s the Sex Pistols, sete anos depois. Como o próprio nome da banda já era polêmico para a época, músicas como "Anarchy in the UK" e "God Save the Queen" foram o suficiente para deixar as posições morais da aristocracia e da elite britânica ainda mais afloradas. Judas Priests, AC/DC, Twisted Sister, Mötley Crüe e Mercyful Fate são outros exemplos que fizeram a elite conservadora arrancar os cabelos e não medir esforços para censurá-los através da Parents Music Resource Center (PMRC).

O heavy metal foi algo que surgiu dentro das maiores periferias dos Estados Unidos e da Europa, e sempre teve a ideologia de criticar as estruturas dominantes, excludentes, que a sociedade sempre aceitou passivamente e sem nenhum questionamento. Uma prova disso é a religião. Ao contrário do que muitos pensam, o conceito de satanismo dentro do gênero musical não é uma expressão espiritual ou religiosa, e sim uma crítica e uma oposição à todo tipo de atrocidade e disseminação de violência e repressão que sempre foi (e ainda é) justificado por meio do cristianismo.

Mesmo que muitos tentem negar, todos nós - sem exceções - possuímos uma ideologia, seja ela bem fomentada ou várias ideias tortuosas. Ideologia não significa apoiar partidos políticos ou determinadas pessoas, mas sim ter uma base de raciocínio que utilizamos para enxergar a sociedade e agir dentro dela. A nossa ideologia define nossa posição em relação a questões que permeiam a sociedade em que vivemos, se somos contra ou a favor de algo, e o que se deve fazer diante de um fato. Apenas o ato de expressar nossa opinião já demonstra que somos ideológicos.


O heavy metal é um movimento que se apropriou de vários conceitos culturais para poder surgir, e continua se apropriando de outros para se renovar. Porém, na essência do movimento, o metal sempre pregou uma sociedade livre onde as pessoas pudessem realizar seus desejos e vontades pessoais sem serem julgadas ou reprimidas por alguém que se incomode por isso. O dilema “sexo, drogas e rock and roll” é um reflexo deste clamar por liberdade e tolerância diante da nossa sociedade autoritária e hipócrita. Basta levarmos esses aspectos em consideração para entender o porque é ignorância e incoerência haver headbangers esbravejando preconceito e elitismo nos lugares por onde andam.

Algumas pessoas tentam justificar que gente como eu está “tentando impor” um conceito único e imutável ao metal, mas a verdade é que estamos apenas corrigindo desvios e conceitos que são adversos à cultura que fazemos parte. Entendo que o heavy metal possui sim um conceito libertário e não segregador. Depois de figuras como Jair Bolsonaro e Olavo de Carvalho, outros personagens também se projetaram e ganharam visibilidade por defender ideias semelhantes, como o músico Nando Moura. A partir daí formou-se uma legião de fãs de metal ignorando todo o conceito do gênero, toda crítica presente nas composições musicais e apoiando a extrema-direita brasileira como alguém que queira mostrar radicalidade e brutalidade sem pensar no que está dizendo.

O HEAVY METAL JAMAIS PODERÁ SER SINÔNIMO DE SEGREGACIONISMO, ELITISMO, EUGENIA OU DOGMATISMO RELIGIOSO.

Trazendo à tona novamente a questão da ideologia, sintetizo melhor a contradição em questão. Todos nós temos uma base de raciocínio pela qual enxergamos o mundo. Bolsonaro, por exemplo, já demonstrou que na sua compreensão a sociedade seria melhor se houvesse mais controle e repressão contra aqueles que ele considera como o “câncer” desta mesma sociedade. Abertamente, ele defende uma sociedade construída sob uma viés moralista e conservadora no que rege às estruturas socioeconômicas, além de homogeneidade sociocultural. E o pior: tudo isso imposto autoritariamente sob um regime totalitário. Ele deixa tudo isso bem claro quando elogia a ditadura militar, por exemplo.

Nada que é proposto pela extrema-direita ou por setores elitistas está de acordo com a ideologia colocada nas letras das músicas ou no papel social que desempenhamos na história. O heavy metal jamais poderá ser significado de segregacionismo, elitismo, eugenia ou dogmatismo religioso. Metal é o oposto a tudo aquilo que sempre tentou ser imposto, ser forçado independente da nossa vontade. É o grito de liberdade pela autonomia de pensamento, comportamento e atitude.

É com base nisso que expresso meu profundo repúdio a quem dá o braço a torcer por figuras e conceitos ideológicos que, na verdade, querem mesmo é acabar com qualquer suspiro que seja a nossa liberdade e direito de ser e pensar como queremos, independente da opinião dos outros ou mesmo da sociedade. 

Independente de ser fã ou músico, misturar conservadorismo e heavy metal é como misturar água e óleo.


Rod Stewart é condecorado Sir

quinta-feira, outubro 13, 2016

O músico londrino Rod Stewart foi condecorado Sir do Império Britânico no último dia 11 de outubro. O cantor, que está com 71 anos, recebeu a honraria em cerimônia ocorrida no Palácio de Buckingham, com o Príncipe William dando ao músico o título por seus serviços prestados à música e à caridade. Rod compareceu à cerimônia acompanhado por sua esposa, Penny Lancaster, e pelos filhos Alastair e Aiden. 

Nascido na Inglaterra, Rod integrou o The Faces e possui uma carreira solo de enorme sucesso. Fortemente identificado com a Escócia, Stewart é torcedor fanático do Celtics e compareceu ao evento vestindo uma tradicional calça tartan, roupa típica usada nos eventos oficiais escoceses.

Rod e Penny ainda tiveram um tempo para conversar com a Rainha Elizabeth II, que o parabenizou por ainda estar na ativa. O cantor relembra: "Ela me parabenizou pela minha carreira e eu disse o quanto isso me deixou feliz. Queria que minha mãe e meu pai estivessem aqui pra ver isso”.



Ouça “The Stage”, nova música do Avenged Sevenfold

quinta-feira, outubro 13, 2016

O Avenged Sevenfold liberou nesta quinta, 13 de outubro, o primeiro single de seu novo disco. A música “The Stage” estará em Voltaic Oceans, sétimo álbum da banda norte-americana, com data de lançamento marcada para 9 de dezembro.

O disco marcará a estreia do grupo na Capitol Records e será o primeiro registro com o novo baterista, Brooks Wackerman, ex-Bad Religion. O anúncio oficial, com capa, tracklist e mais informações, deve ser feito dia 27/10.

Abaixo está o belo clipe de “The Stage”:

Bob Dylan recebe o Prêmio Nobel de Literatura

quinta-feira, outubro 13, 2016

Foi anunciado nesta quinta, 13/10, o vencedor do Prêmio Nobel de Literatura de 2016: Bob Dylan. O anúncio foi feito na sede da Academia Sueca, em Estocolmo. Dylan, o primeiro norte-americano a receber o prêmio desde o escritor Toni Morrison em 1993, foi agraciado por “ter criado novas expressões poéticas na grande tradição da canção americana”.

Sara Danius, secretária permanente da Academia, falou sobre a escolha: "Ele é um grande poeta na tradição inglesa, ele incorpora a tradição e por 54 anos ele vem se reiventando, criando novas identidades. Blonde on Blonde (1966) é um exemplo do seu jeito brilhante de rimar e de suas imagens pictóricas. Pode parecer uma decisão radical, mas se você olhar lá para trás, você descobre Homero, Safo, que escreviam poemas para serem ouvidos, cantados, é a mesma coisa com Bob Dylan”.

Robert Allen Zimmerman nasceu em 24 de maio de 1941 e é um dos músicos e compositores mais importantes da história do rock. Suas letras deram profundidade à música pop, explorando temas políticos e do cotidiano de maneira até então inédita. O músico está com 75 anos e já lançou 37 discos de estúdio, em uma carreira que teve início em 1962 e segue ativa. Além disso, Dylan já escreveu seis livros, possui outros seis livros de arte publicados e foi tema de dezesseis biografias, além de dezenas de outras publicações que analisam sua obra.

Caixa reúne discografia do seminal Hanoi Rocks

quinta-feira, outubro 13, 2016

Apesar da origem finlandesa, o Hanoi Rocks é apontado pela maioria dos críticos e pesquisadores como o nome mais influentes do glam metal (ou hair metal, chame como quiser), tendo impacto profundo e duradouro na cena de bandas que fez história em Los Angeles e tomou de assalto as paradas norte-americanas durante boa parte da década de 1980. Todos os grandes nomes do gênero foram influenciados pelo grupo, desde Mötley Crüe até Guns N’ Roses.

Pra quem não conhece a banda, uma boa dica é o box Strange Boys, que será lançado dia 21 de outubro em CD (com 5 discos) e LP (com 6 discos). A caixa traz os quatro primeiros discos do Hanoi Rocks - Bangkok Shocks Saigon Shakes Hanoi Rocks (1981), Oriental Beat (1982), Self Destruction Blues (1982) e Back to Mystery City (1983) -, mais o ao vivo All Those Wasted Years (1984). Tudo acompanhado de um longo booklet com a história do grupo, textos inéditos e fotos.

A carreira do Hanoi Rocks foi abreviada em 1984, quando o baterista Nicholas "Razzle" Dingley faleceu após uma acidente de carro. O músico estava em uma festa com Vince Neil, vocalista do Mötley Crüe, que dirigia o veículo embriagado.

Como dica, vale mencionar que o vocalista Michael Monroe possui uma ótima carreira solo, que foi retomada em 2011 com o excelente Sensory Overdrive, seguindo dos igualmente muito bons Horns and Halos (2013) e Blackout States (2015).

A sensacional releitura de Robert Plant para a clássica “Black Dog”, do Led Zeppelin

quinta-feira, outubro 13, 2016

Há anos que Robert Plant vem recriando alguns dos maiores clássicos do Led Zeppelin ao lado de sua banda, a Sensational Space Shifters. Colocando toques orientais e equilibrando uma pegada world music com o hard rock da versão original, Plant mostrou uma nova abordagem para “Black Dog”.

O vídeo abaixo, gravado durante a participação do músico no festival Austin City Limits, faz parte de um especial de uma hora que irá ao ar na TV norte-americana no dia 15 de outubro.

11 de out de 2016

Recriando capas de álbuns clássicos com bonecos: o incrível trabalho de Cris Vieira

terça-feira, outubro 11, 2016

O projeto 366 Dias de Música, da fotógrafa Cris Vieira, tem como objetivo recriar capas de discos clássicos utilizando bonecos de brinquedo, como Barbie e Max Steel. Todas as imagens são fotografadas, recriando cenários e figurinos tendo como referência as artes originais. 

Postando uma capa por dia, a fotógrafa vem fazendo um trabalho muito legal, e que pode ser acompanhado através da página do projeto no Facebook.

Abaixo estão alguns exemplos que separamos e curtimos, mostrando o quão interessante é o trabalho desenvolvido por Cris Vieira.

























Review: Angel Olsen - My Woman (2016)

terça-feira, outubro 11, 2016

Para que serve a crítica, no final das contas? Não sei porque, mas sinto que no momento da leitura deste texto, parcela considerável de meus nobres interlocutores estará a bradar um sonoro "PARA NADA!!!". Bom, certo é que haverão os mais moderados que calmamente opinarão "para separar o bom do ruim". 

Bem, eu não discordo, mas ouvi dia desses que a crítica existe para separar o bom do ótimo, e tal definição fez mais sentido aos meus ouvidos. A pergunta do milhão é: quanto de ótimo existe por aí? Ora, o bacana, o razoável, o legalzinho abunda, mas quanto do que se tem por aí salta aos ouvidos, impressiona, se mostra diferente? 

Outra questão não menos importante: estará a crítica cumprindo tal função de separar o realmente notável do meramente "aceitável"? Ou ainda mais: quando você, Artur, vai parar com esse falatório e começar a resenha? Opa, vamos a ela.

Angel Olsen foi uma das melhores surpresas que tive este ano. Lançou no mês de setembro seu terceiro álbum de estúdio, My Woman, arrancando elogios de veículos como o New York Times. Enquanto seus dois outros discos, também com boa cotação crítica, são calcados numa zona musical folk/indie rock, em seu novo álbum, produzido por ela mesma e Justin Raisen (que já trabalhou com Sky Ferreira e Charli XCX, dois dos melhores nomes do indie pop), Angel explora ambiciosa e despudoradamente uma amálgama sonora que vai do (bom) pop contemporâneo ao country rock ensolarado do sul da Califórnia.

Sua voz, um caso a parte, que se assemelha em timbre e extensão à da musa gótica Siouxsie do Siouxsie and The Banshees, só que menos grave, impõe um clima peculiar a cada uma das canções, conduzindo-as sempre por refrescantes e encantadores caminhos melódicos.

Para o público não familiarizado e até mesmo para os céticos e escarnecedores da cena indie, este disco poderá se revelar uma excelente oportunidade para uma mudança de conceitos. "Intern" dá início ao álbum de forma climática, usando com muito bom gosto sintetizadores oitentistas, o que já deixa claro desde o começo as aspirações de ruptura com o seu som costumeiro, visando a expansão de caminhos musicais. "Never Be Mine" traz as coisas para um campo mais próximo ao habitual da americana. Um ótimo folk rock adornado das mais carismáticas nuances pop. Nuances sob as quais ela tem espantoso domínio e que envolvem "Shut Up Kiss Me", um indie rock que se mescla com influências californianas soft rock. 

"Give It Up" e "Not Gonna Kill You" confluem irresistíveis trunfos country rock e pop em duas canções que reúnem o melhor de dois mundos: áspero e melódico, retrô e moderno. "Heart Shaped Face" traz as coisas para dentro, com ecos psicodélicos e letra pungente. Inclusive, as letras são todas muito boas e tratam, segundo a própria compositora, da "bagunça que é ser mulher". O sensível, arguto e astuto olhar feminino discorrendo sobre o temas gastos como o amor e seus amantes e fazendo-os soar interessantes outra vez. Oh, céus!

"Sister" é, talvez, o mais bem acabado exemplo da habilidade de Ms. Olsen de convergir a tradição do passado numa perspectiva "para frente" em canções nunca pretensiosas e que sempre acrescentam ao estilo. "Those Were the Days" segue em semelhante toada introspectiva e "Woman", atmosférica e sustentada por sintetizadores e órgão, dá prosseguimento.

A despeito de explorar campos deliberadamente retrô, tudo soa fresco. O que encanta é a naturalidade com que ora alterna, ora converge atmosferas sonoras. 

"Pops", a mais escancaradamente vintage do trabalho, por fim, encerra o conjunto da obra que é - rufem os tambores - ÓTIMO. Assim mesmo, em letras graúdas. 

Acho que a crítica cumpriu sua tarefa aqui, até uma próxima!

Por Artur Barros

ONLINE

PAGEVIEWS

PESQUISE