21 de out de 2016

9 milhões de pageviews. Obrigado :-)

sexta-feira, outubro 21, 2016

A Collectors Room chegou a uma marca importante neste 21 de outubro de 2016. Hoje, passamos dos 9 milhões de pageviews. Um número impensável quando o blog surgiu, lá em 2008. Fazendo a conta, dá mais de 1 milhão de visualizações por ano :-)

Quero agradecer a todos que fizeram parte desta história ao meu lado. Os que estiveram junto comigo lendo as primeiras matérias publicadas no Whiplash.Net, lá em 2005, quando comecei a entrevistar colecionadores de discos.

Os integrantes da comunidade no Orkut, onde trocávamos dicas e informações, e onde a ideia de transformar tudo em um blog tomou forma.

Os colaboradores e todos que já escreveram aqui no site, uma lista de nomes enorme e que ajudaram a CR a crescer e se consolidar como um dos sites sobre música mais lidos e respeitados do Brasil. E aos que estão começando a colaborar agora, sejam bem-vindos e obrigado pela inspiração que vocês me dão.

E a todos os leitores que estão junto com a gente desde o primeiro post, publicado lá no distante 13 de outubro de 2008. Obrigado pela confiança, pela parceria, por tudo!


Pra comemorar e relembrar, alguns números sobre a Collectors Room nesses 8 anos de história.

8 mil posts
Aproximadamente 20 mil comentários



As 10 bandas com mais matérias publicadas na história do site:


Review: Lady Gaga - Joanne (2016)

sexta-feira, outubro 21, 2016

Quinto álbum de Lady Gaga, Joanne é um passo corajoso na carreira da cantora norte-americana. O sucessor de Artpop (2013) despe as canções da característica produção exagerada do pop, fazendo-as soar mais orgânicas e, em certos aspectos, até mesmo minimalistas. Uma escolha que vai totalmente na contramão da grande maioria dos grandes nomes do pop atual, sempre ultra carregados de efeitos, timbres e arranjos que pasteurizam a música como um todo.

Inegavelmente uma ótima cantora, Lady Gaga solta a voz de maneira marcante em Joanne. O álbum traz Gaga colaborando com diversos nomes, desde o parceiro de longa data RedOne até as novas parcerias com Giorgio Moroder, Mark Ronson, Nile Rodgers, Josh Homme, Beck, Kevin Parker, Father John Misty, Thomas Brenneck, Florence Welch e outros. A aproximação com o rock, gênero do qual a cantora é uma fã declarada e faz questão de deixar essa paixão bem clara (basta assistir à performance ao lado do Queen ou seus vídeos ao vivo com releituras para clássicos do estilo) fica evidenciada no novo trabalho com as participações dos líderes do Queens of the Stone Age e do Tame Impala, além da presença do multi-musical Beck.

Toda essa proposta menos exagerada coloca o foco nas canções, na força da faixas que compõe Joanne. E é inegável que o disco possui uma coleção de músicas bastante forte. Caminhando sempre pelo espectro do pop e contando com a presença constante de um Midas do estilo como Mark Ronson (o cara que produziu o já clássico Back to Black, da saudosa Amy Winehouse), Lady Gaga transmite a sensação de se despir para o ouvinte, revelando aspectos de sua persona artística até então escondidos ou soterrados pela explícita embalagem presente nos trabalhos anteriores.

No fim das contas, Joanne vai se revelando um disco delicioso a cada canção que surge nos alto-falantes. Nunca pretensioso mas sempre interessante, o álbum é agradável do início ao fim, com Gaga flertando com diversas sonoridades ao longo do trabalho. Tendo a voz forte e cheia de personalidade sempre como protagonista, somos brindados com aquele que é até agora o álbum mais pessoal da norte-americana. Aliás, aqui vale um paralelo com a carreira de Beyonce, que também deu um passo corajoso em seu último disco, Lemonade, posicionando-se politicamente de forma agressiva. Lady Gaga não vai para o campo da política, mas renova a sua música limpando-a até a sua essência, e com isso entregando um disco com cara de atemporal. E é justamente a coragem em apostar em caminhos próprios que destaca tanto Gaga quanto Beyonce do resto.


Resumindo, o que temos é um álbum de uma cantora, de uma vocalista. E isso é a principal mudança em relação aos discos anteriores, que construíram um ícone pop através de suas canções. Em Joanne esse ícone pop reinventa-se de maneira radical, afastando-de de influências passadas como Madonna e nomes similares como Rihanna e Katy Perry (ainda que sempre soasse superior a essa dupla, é preciso dizer) e soando transparente e autêntica como nunca.

Ouça canções como “Joanne" e “Sinner’s Prayer”, repletas de lirismo e sensibilidade, e perceba como Lady Gaga está mais madura. São canções pop, é claro, mas que mostram outro caminho, totalmente diferente daquele que ela vinha trilhando até agora. “Come to Mama”, por exemplo, traz até mesmo sutis influências da fase 1967 dos Beatles e parece uma canção perdida da trilha de Magical Mystery Tour. A deliciosa parceira com Florence Welch em “Hey Girl” remete aos melhores momentos de Michael Jackson, enquanto “Just Another Day” é uma doce e grudenta brincadeira pop.

Forte e consistente, Joanne poderá chocar os ouvidos mais conservadores de alguns dos fãs de uma das grandes artistas pop de nosso tempo justamente por apostar em uma sonoridade e uma abordagem que contrasta com a imensa maioria daquilo que é classificado hoje em dia como música pop. No entanto, está justamente nessa coragem em trilhar outro caminho a sua principal virtude. Com uma coleção ótimas canções, Lady Gaga dá um passo decisivo em sua carreira e entrega, simultaneamente, o seu melhor e mais pessoal disco. 

Ou vai ver que é tão bom justamente por causa disso: por mostrar pela primeira vez aquela que é a sua verdadeira face, sem maquiagem e exageros.

Adele e Lady Gaga tocarão no Brasil em 2017

sexta-feira, outubro 21, 2016

A informação é do Zero Hora: Adele estreará nos palcos brasileiros em 2017. A cantora, que está provendo o álbum 25, virá para o país no mês de abril de 2017. 

O primeiro show deve acontecer dia 11/04 em Porto Alegre, muito provavelmente no Estádio Beira Rio. A turnê deve ser anunciada em breve, e também contará com apresentações em outras capitais brasileiras.


A outra novidade foi confirmado por Ancelmo Gois, colunista do Globo: Lady Gaga fechou contrato e será uma das headliners do Rock in Rio 2017. Gaga virá ao Brasil promovendo o seu novo disco, Joanne, que chegou às lojas nesta sexta, 21/10. A cantora será a principal atração pop do festival, que ocorrerá na segunda quinzena de setembro. 

O anúncio oficial será feito nos próximos dias, e Lady Gaga se juntará à Aerosmith, Red Hot Chili Peppers e Maroon 5 como as atrações já confirmadas do Rock in Rio 2017.

Discoteca Básica Bizz #065: The Band - Music From Big Pink (1968)

sexta-feira, outubro 21, 2016

The Consuls, The Rocking Revols, Thumper and The Trombones, The Jungle Bush Eaters, The Roots e The Capters - foi a partir desses grupelhos de nomes engraçados criados no big bang do rock and roll dos anos 1950 que surgiu o embrião da formação que nos daria alguns dos momentos mais sublimes da música pop: The Band.

Ainda adolescentes, Jaime Robbie Robertson (guitarra), Richard Manuel (piano), Rick Danko (baixo) e Garth Hudson (órgão) - todos canadenses - se uniram a Levon Helm (bateria, vindo do Arkansas) para acompanhar o cantor Ronnie Hawkins. Rocker mediano, mas um tremendo cascateiro (uma de suas histórias favoritas era que ele colhia algodão ao lado de Bo Diddley!) e boa-praça, Hawkins soube guiá-los por todos os mafuás do Canadá. Logo, o grupo - nomeado The Hawks - tornou-se expert nos instrumentos, sendo capaz de levar de cor e salteado standards de R&B, bluegrass, rockabilly e outros estilos.

Desligando-se de Hawkins, os cinco migraram para os EUA. Em 1965, os Beatles e os Stones eram os nomes, o que fazia dos Hawks um anacronismo ambulante. Ainda assim, construíram uma sólida reputação na costa leste, atraindo a atenção do bluesman John Hammond Jr. Através dele conheceram Bob Dylan, de quem - garantiam - jamais tinham ouvido falar! O clic foi imediato: sidemen encapetados, os Hawks trataram de eletrocutar o folk do cantor e compositor que, extasiado, carregou-os por suas turnês de 1965 e 1966. 

Nem mesmo o acidente de moto que levou Dylan a convalescer em Woodstock foi capaz de interromper a colaboração. Alocado na vizinhança e tendo como QG o porão de uma enorme casa rosa (a "big pink") erguida no topo da montanha Overlook, o grupo - já então "modestamente" rebatizado como The Band - e Dylan elaboraram um trabalho ímpar, onde a reciclagem de suas raízes sonoras, junto à intensa experiência comunal por eles vivenciada, resultou em gravações revolucionárias, ainda que encobertas por um verniz conservador.


Ao fim desta jornada interior Dylan verteu John Wesley Harding, enquanto a The Band saiu-se com Music From Big Pink. Historicamente, o momento era de extremismo, com o rock hiper-amplificando-se - vide os LPs de Hendrix e do Cream feitos em 1968 - para reclamar a transformação tão ansiada pela juventude. Vinda na contramão, a The Band propunha o mesmo por outras vias- ou seja, para seus membros as mudanças só se sustentariam através da retomada da tradição. Em sua incrível mescla de temas caipiras, hinos batistas, jazz à la New Orleans, Motown sound e rock paleolítico, com canções executadas em conjunto - sem espaço para solos ou auto-indulgência - e enfatizando melodias e harmonias vocais, Music From Big Pink é indubitavelmente a quintessência dos crossovers feitos nos anos 1960.

Da introdutória "Tears of Rage" - uma amarga reflexão acerca do conflito de gerações segundo a ótica dos pais - à misógina balada "Long Black Veil", passando pelo encanto rústico de "We Can Talk" e a alegórica "To Kingdom Come", o álbum ainda abriga clássicos como "Chest Fever", "I Shall Be Released" e "This Wheel´s On Fire". Entretanto, seu maior trunfo é "The Weight", uma faixa de inspiração bíblica que traz o personagem vagando por uma Nazaré espectral, às voltas com uma trama de culpa, paixão, dor e rejeição.

Depois de Music From Big Pink o grupo produziu pelo menos outra obra-prima - The Band (1969) -, além de nos deixar um punhado de discos que, até hoje, teimam em resistir bravamente à voragem do tempo.

Texto escrito por Arthur G. Couto Duarte e publicado na Bizz #065, de dezembro de 1990

Pra animar a sexta: novas do Lamb of God, Witchery, Ektomorf, Crowbar e Candlebox

sexta-feira, outubro 21, 2016

Vamos aos fatos: “The Duke” é a faixa-título do novo EP do Lamb of God, que será lançado dia 18 de novembro pela Epic. A canção foi gravada durante as sessões do último disco dos norte-americanos, VII: Sturm Und Drang (2015), e foi inspirada em Wayne Ford, um dos maiores fãs da banda, diagnosticado com leucemia em 2010 e que faleceu aos 33 anos, em 2015.

“Nosferatu” é o novo single do Witchery, e marca o retorno da banda sueca após seis anos de silêncio. A música faz parte de In His Infernal Majesty’s Service, novo álbum do grupo, que será lançado dia 25 de novembro pela Century Media.

Já o Ektomorf lançou o clipe de “Agressor”, faixa-título de seu último disco, lançado há um ano atrás, em outubro de 2015, pela AFM. É um blackened thrash competente e cativante, como sempre. 

Outra novidade vem do Crowbar, com a inédita “The Serpent Only Lies”. A música dá nome ao novo disco dos norte-americanos, com data de lançamento marcada para o próximo dia 28 de outubro.

E fechando o pacote temos o hard pop do Candlebox com “Supernova”, clipe de uma das canções do último disco da banda, Disappearing in Airports, lançado em 22 de abril.

Divirta-se!

20 de out de 2016

Artista imagina vilões do Batman como personagens da década de 1930

quinta-feira, outubro 20, 2016

O ilustrador norte-americano J.E. Mark desenvolveu uma série de artes imaginando como seriam os principais vilões do universo do Batman se vivessem na década de 1930. 

O excelente trabalho explora as características do Coringa, Charada, Pinguim, Duas-Caras, Hera Venenosa, Bane e Senhor Frio, com figurinos, penteados e acessórios dos primeiros anos do século XX.

Abaixo você confere o trabalho de J.E. Mark:









Playlist: Os 100 Melhores Solos de Guitarra de Todos os Tempos

quinta-feira, outubro 20, 2016

Essa lista compila os solos escolhidos pela revista Classic Rock em sua lista com os 100 Melhores Solos de Todos os Tempos - se ainda não conferiu a lista, clique aqui.

Tendo esse ponto de partida, montamos uma playlist com todas as canções citadas na revista. Para tornar a audição mais interessante, as canções estão ordenadas de forma cronológica, iniciando em 1955 com Bill Haley e indo até 2016, fechando com Joe Bonamassa.

Independente de curtir ou não as escolhas, a audição completa é um belo levantamento sobre a história da guitarra e a evolução do instrumento dentro do rock.

Para ouvir a playlist, é só dar play abaixo:

Wishbone Ash e o nascimento das guitarras gêmeas

quinta-feira, outubro 20, 2016

A origem das guitarras gêmeas é até hoje discutida entre pesquisadores, críticos e colecionadores. A teoria mais aceita é que o termo surgiu do trabalho de grupos como a Allman Brothers Band, que em seus três primeiros discos, ainda com Duane Allman na formação - The Allman Brothers Band (1969), Idlewild South (1970) e o antológico ao vivo At Fillmore East (1971) - já apresentava um elaborado e complexo entrelaçamento entre as guitarras de Duane e Dickey Betts, o que, somado às influências de blues e jazz do grupo, resultou em um som único, regado a longas jams instrumentais, principalmente nos shows.

Os pioneiros do southern rock, como a banda dos irmãos Allman e o Lynyrd Skynyrd, tiveram papel fundamental na concepção e no desenvolvimento das guitarras gêmeas. Além deles, outras duas bandas foram essenciais nesse quesito: o Thin Lizzy e o Wishbone Ash. Enquanto a banda do vocalista e baixista Phil Lynott começou a desenvolver as twin guitars a partir da substituição de Eric Bell - até então único guitarrista do grupo - pela dupla formada por Scott Gorham e Brian Robertson, que estreou no quarto disco, Night Life, de 1974, o Wishbone Ash já trazia essa característica desde sua formação, em agosto de 1969. Mas, ainda que os dois primeiros álbuns dos ingleses - Wishbone Ash de 1970 e Pilgrimage de 1971 - demonstrassem essa faceta, foi em Argus, terceiro LP do conjunto, que ela se revelou por inteira, em toda sua beleza e complexidade.

Lançado em 28 de abril de 1972, Argus é o mais conhecido disco do Wishbone Ash, além de ser considerado o melhor trabalho da banda. Contando com seu line-up clássico - Martin Turner (vocal e baixo), Andy Powell (guitarra e vocal), Ted Turner (guitarra e vocal) e Steve Upton (bateria) -, o Wishbone Ash concebeu um dos mais belos registros dos anos 1970. O álbum foi gravado no De Lane Sea Studios, em Londres, em janeiro de 1972, e teve produção de Derek Lawrence, que havia produzido os três primeiros LPs do Deep Purple. O engenheiro de som do disco foi Martin Birch, que mais tarde se tornaria famoso por trabalhos ao lado do Deep Purple e do Iron Maiden.


As sete faixas trazem uma alquimia entre o rock progressivo, o folk e o hard rock, resultando em um som ímpar. Mas a principal característica do play, indiscutivelmente, é o brilhante trabalho de Powell e Turner na construção de belíssimas melodias com suas guitarras, que se entrelaçam em arranjos complexos que progridem em harmonias arrepiantes, levando o ouvinte para outras dimensões. Na minha opinião, sem dúvida Argus é o ponto zero das guitarras gêmeas. Por mais que algumas bandas já tivessem experimentado essa característica em seus sons, foi neste disco que o conceito foi definido, de maneira sólida e definitiva.

O LP abre com "Time Was" e sua bela introdução acústica, que serve de base para os vocais de Martin e Ted Turner. Após esse trecho, a faixa evolui para uma empolgante levada, com cativantes linhas vocais e longos trechos instrumentais repletos de inspiração, antecipando o que estava por vir. A balada "Something World" é cantada por Martin Turner com uma forte carga de emoção, o que torna a faixa ainda mais arrepiante. Destaque para os delicados arranjos e solos de guitarra, mostrando que não é preciso tocar à velocidade da luz para ser considerado um grande instrumentista. A mudança de andamento no meio da faixa leva a um trecho muito mais animado, novamente com longas passagens instrumentais entrecortadas por ricas harmonias vocais. Sensacional!

"Blowin´ Free", uma das músicas mais conhecidas do Wishbone Ash, vem a seguir, e é impossível, mesmo passados mais de quarenta anos do lançamento do disco original, não se arrepiar com o riff inicial da canção. Os vocais são divididos entre Martin Turner, Ted Turner e Andy Powell, em um resultado final sublime. Essa faixa é simplesmente um hino, perfeita para pegar a estrada sem rumo e sem destino.

Uma das minhas prediletas, "The King Will Come" dá sequência ao play. As guitarras dessa faixa são um show à parte, alternando-se entre riffs inspirados e solos furiosos, isso sem falar nos vocais, agora divididos entre Martin e Andy, quase espirituais em certos momentos. Resumindo: uma composição brilhante!

"Leaf and Stream" dá uma acalmada nas coisas, e aqui percebe-se claramente as influências celtas no som do Wishbone Ash, principalmente pelas linhas vocais de Martin Turner. Os solos esbanjam classe e delicadeza, mostrando todo o talento de Andy Powell e Ted Turner. Uma ótima canção acústica.

O disco fecha em grande estilo, com duas de suas melhores faixas. "Warrior" é um hard classudo com grandes melodias, alternância de andamentos e um refrão marcante. Já "Throw Down the Sword" surge nos alto-falantes evoluindo sobre uma bela harmonia de guitarras, culminando com um solo duplo sensacional em seu final, onde as duas guitarras se cruzam e se complementam.


Uma coisa que chama a atenção ainda hoje é o timbre alcançado por Andy Powell e Ted Turner no disco. Suas guitarras soam puras e limpas, sonoridade essa que realça ainda mais todos os detalhes dos riffs e arranjos presentes no álbum. Argus tem um dos mais belos timbres de guitarra já gravados, fácil, fácil.

O impacto foi imediato. O disco foi muito bem aceito pelos fãs e pela crítica. A revista inglesa Sounds Magazine elegeu Argus como álbum do ano de 1972. O sucesso foi tamanho que um público muito maior que o habitual começou a ir aos shows do Wishbone Ash, transformando a turnê de divulgação do LP em uma das mais concorridas do biênio 1972-1973.

Em 1991 Argus teve sua primeira edição em CD, e como atrativo extra para os fãs trouxe a faixa "No Easy Road", originalmente lançada como b-side do single de "Blowin´ Free”. Em 2002 o disco ganhou uma reedição remasterizada, que trouxe como bônus as três faixas lançadas originalmente no EP promocional Live from Memphis, de 1972 - "Jail Bait", "The Pilgrim" e "Phoenix" -, gravadas ao vivo pela banda nos estúdios da WMC FM.

Finalmente, em 2007 foi lançada uma deluxe edition do álbum, com nada mais nada menos que onze faixas bônus. Além das já conhecidas "No Easy Road" e das versões de "The Pilgrim" e "Phoenix" do Live from Memphis, o disco trouxe seis faixas gravadas ao vivo em um evento chamado BBC in Concert - "Time Was", "Blowin´ Free", "Warrior", "Throw Down the Sword", "The King Will Come" e "Phoenix" -, e duas registradas durante as famosas BBC sessions - "Blowin´ Free" e "Throw Down the Sword".


A tour de Argus gerou o estupendo duplo ao vivo Live Dates, lançado em 1973, que traz quatro faixas do disco - "The King Will Come", "Warrior", "Throw Down the Sword" e "Blowin´ Free" -, além de versões antológicas de "The Pilgrim" e "Phoenix", essa última com mais de dezessete minutos de duração. Se você curte discos ao vivo, anote a dica: Live Dates é um dos melhores registros ao vivo dos anos 1970, obrigatório em uma coleção de hard rock.

Além de ser o marco zero das guitarras gêmeas, que influenciariam inúmeros grupos no futuro, notoriamente os gigantes do metal britânico Judas Priest e Iron Maiden, Argus é o ápice da longa discografia do Wishbone Ash. Um dos mais belos discos da década de 1970, mantém viva a sua capacidade de emocionar o ouvinte a cada nova audição. Só isso já diz muito sobre a qualidade da música que corre em seus sulcos.

Clássico e obrigatório, nesse caso, ainda é pouco.

Os 10 discos essenciais do power metal

quinta-feira, outubro 20, 2016

O que o power metal significa para você? A TeamRock publicou uma lista com os dez discos essenciais na opinião de sua equipe, e as escolhas são um ótimo ponto de partida para a discussão sobre o estilo, que no Brasil é mais conhecido pela alcunha de metal melódico.

Pegue a sua espada, vista a sua armadura e confira o top 10 do gênero segundo os caras. E mais duas coisas: confira a nossa playlist sobre o estilo e, como você irá discordar do top 10, faça algo mais produtivo do que apenas reclamar das escolhas e poste o seu top 10 nos comentários.

Abaixo, os 10 essenciais do power metal segundo a TeamRock, que optou por citar apenas um título de cada banda:

10 Nocturnal Rites - Grand Illusion (2005)
9 Dragonforce - Inhuman Rampage (2006)
8 Riot - Thundersteel (1988)
7 Sonata Arctica - Winterheart’s Guild (2003)
6 HammerFall - Glory to the Brave (1997)
5 Stratovarius - Visions (1997)
4 Lost Horizon - Awakening the World (2001)
3 Kamelot - Epica (2003)
2 Blind Guardian - Nightfall in Middle-Earth (1998)
1 Helloween - Keeper of the Seven Keys Part II (1988)

19 de out de 2016

Show: Desert Trip Festival | 7, 8 e 9 de outubro de 2016 | Indio | Califórnia

quarta-feira, outubro 19, 2016

Estou de volta da Califórnia, onde acompanhei o primeiro fim de semana do histórico festival Desert Trip, realizado no deserto de Indio, situado no Coachella Valley. Abaixo, conto como foi a experiência.

Sexta-feira, dia 7, 18h50. Com um calor seco beirando os 30 graus, Bob Dylan abre o festival. Sentado ao piano, enfileirou clássicos para um público visivelmente emocionado, ao contrário do cantor americano, que não fez nenhuma saudação aos quase 70 mil presentes. Logo no começo do show mandou "Rainy Day Women #12 & 35", "Don't Think Twice, It's Alright", e "Highway 61 Revisited".  

A maioria cantava junto, mesmo que baixinho e aplaudia ao final de cada música, e Dylan sem mencionar nenhum boa noite.


O show continuou impecável, com uma banda afiadíssima. Bob Dylan alternou momentos entre o piano e a guitarra. No imenso telão, que ia de uma extremidade a outra do palco em formato côncavo, passavam imagens do começo da carreira do artista e de prédios e paisagens Nova York nos anos 1960 e 1970.

Após pouco mais de 90 minutos, o cantor encerrou a apresentação com "Masters of War" já no bis e saiu do palco, sem ainda se dirigir ao público, nem mesmo para um obrigado. Apesar da falta de carisma, tradicional nas apresentações do compositor, gênio e agora Prêmio Nobel de Literatura, seu show manteve um altíssimo nível do começo ao fim.


O relógio marcava 21h20 quando as luzes se apagaram e começou nos alto-falantes o batuque tradicional que introduziu o show que começaria a seguir: Ladies and Gentlemen, The Rolling Stones. Os ingleses abrem com "Start Me Up". A arena montada no deserto está absolutamente lotada e vai ao delírio com Jagger, Richards, Watts e Wood.

Na sequência vieram canções da fase anos 1990 como "You Got Me Rockin’" e "Out of Control”, seguida pela primeira surpresa da noite. Jagger fala sobre o disco de releituras de blues que será lançado no dia 2 de dezembro, e a banda manda "Ride 'Em On Down”, cover de Jimmy Reed que estará presente no novo album. O vocalista septuagenário, sempre exibindo um fôlego invejável para a sua avançada idade, anuncia então "Mixed Emotions”, que não era tocada pela banda desde a tour do álbum Steel Wheels (1989).

Em um determinado momento, o vocalista faz uma "gracinha" com a idade das bandas e pergunta se não era melhor chamar o festival de Dinosaur Park.

A segunda surpresa foi quando o grupo fez uma versão para "Come Together”, anunciada como uma canção de um grupo de que talvez vocês conheçam - com um certo tom de ironia, é claro.

Depois o que se viu e ouviu foi uma série de hits da fase 1960 e 1970 da banda, que completou 50 anos de atividade em 2012. Para o bis ficaram "You Can't Always Get What You Want" e "(I Can't Get No) Satisfaction".


No segundo dia de festival, sábado, o calor parecia ainda maior e os pequenos problemas como a fila na hora de pegar táxi ou Uber para deixar as dependências do festival foram todos resolvidos.

Após um atraso de quase 30 minutos, o show de Neil Young começa com o roqueiro canadense sozinho ao piano, em uma versão memorável de "After the Gold Rush". Na sequência, com o seu violão e gaita manda a emocionante "Heart of Gold".

Após algumas músicas sozinho no palco, Young passar a ser acompanhado, naquele que foi um dos shows mais rock and roll do festival, por sua excelente banda de apoio, chamada Promise of the Real. Banda essa liderada pelo filho de Willie Nelson, o guitarrista Lukas Nelson.

Saudando o público algumas vezes durante a apresentação intensa e enérgica que durou pouco mais de 1 hora e 40 minutos, Neil anuncia que tem 40 segundos para tocar "Rockin' in the Free World". Para a imensa alegria de uma plateia hipnotizada, ele não estava falando sério. Showzaço!


Pontualmente no horário previsto, as luzes se apagam. É a vez de Sir Paul McCartney entrar no palco e despejar seus hits, tanto de sua espetacular carreira solo quanto dos Beatles e dos Wings, banda que Paul montou com sua falecida esposa Linda após a dissolução do Fab Four.

Logo na abertura veio "A Hard Day's Night", mas o melhor momento foi quanto McCartney chamou Neil Young para o palco e executaram juntos a dobradinha "A Day in the Life / Give Peace a Chance" e "Why Don't We Do It in the Road", nunca antes tocada ao vivo.

Sempre falante e elegante, Paul lembra que na noite anterior os Stones tocaram "Come Together" e para retribuir ele e sua banda executam "I Wanna Be Your Man”, canção escrita por Lennon e McCartney e gravada pela banda de Mick Jagger no começo da carreira.


Chega o domingo. Terceiro e último dia do primeiro fim de semana do histórico festival, também apelidado de OldChella.

Exatamente no horário marcado para começar o show, surge no telão a mensagem "Keep Calm and Listen The Who”. Era o anúncio do que viria a seguir. Duas horas de um set list roqueiro, passando por quase todos os álbuns da também cinquentona banda inglesa, com destaque para os temas dos discos Tommy, Quadrophenia e Who's Next.

Destaque também para Zak Starkey, filho de Ringo Starr, arrebentando na bateria durante toda a apresentação ovacionado por todos no momento em que Pete Townshend apresentou os músicos.


Chega a hora do representante do Pink Floyd no line-up, que pode ser considerado como o mais clássico de todos os tempos reunido em um só evento. 

Em quase 3 horas de show, Roger Waters, assim como fez o The Who, tocou canções de quase todos os álbuns que gravou com a banda que fundou no começo dos anos 1960. Grande destaque para “Fearless”, faixa lançada em 1971 no disco Meddle.

Em uma mega produção, utilizando de aparatos tecnológicos, imagens psicodélicas no mega telão, luzes coloridas refletidas formando o prisma da capa de The Dark Side of the Moon sob a pista, Roger Waters não poupou xingamentos e ofensas ao candidato republicano à Presidência dos Estados Unidos, Donald Trump, inclusive em pixações no porco voador que marcou presença nos ares do Desert Trip.

A última canção foi "Comfortably Numb”, com o vocalista e guitarrista fazendo as partes de David Gilmour de cima do palco, como fazia o Floyd na tour de The Wall.

Apesar de os organizadores afirmarem que o festival foi único e não haverá uma segunda edição, já surgem rumores de conversas com Paul Simon, Steely Dan e Bruce Springsteen. Mas essa é uma outra história.

Por Jorge Simões, especial para a Collectors Room

Uma análise da letra de “The Logical Song”, clássico do Supertramp

quarta-feira, outubro 19, 2016

A Canção Lógica 

Quando eu era jovem
Parecia que a vida era tão maravilhosa
Um milagre, oh ela era tão bonita, mágica
E todos os pássaros nas árvores
Estavam cantando tão felizes
Oh alegres, brincalhões, me observando
Mas aí eles me mandaram embora
Para me ensinar a ser sensato
Lógico, oh responsável, prático
E me mostraram um mundo
Onde eu poderia ser muito dependente
Doentio, intelectual, cínico

Tem vezes, quando todo o mundo dorme
Que as questões seguem profundas demais
Para um homem tão simples
Por favor, me diga o que aprendemos
Eu sei que soa absurdo
Mas por favor me diga quem eu sou

Agora cuidado com o que você diz
Ou eles vão te chamar de radical
Um liberal, oh fanático, criminoso
Você não vai assinar seu nome?
Gostaríamos de sentir que você é
Aceitável, respeitável, apresentável, um vegetal!

À noite, quando todo o mundo dorme,
Que as questões seguem tão profundas
Para um homem tão simples
Por favor, me diga o que aprendemos
Eu sei que soa absurdo
Mas por favor me diga quem eu sou


No final de março de 1979, o grupo britânico Supertramp lançou o seu sexto disco, intitulado Breakfast in America. Não entraremos nos detalhes de como foi a gravação, o momento pelo qual a banda passava ou a recepção que o álbum teve diante do público e da mídia naquela época. Queremos nos ater a uma música específica desse trabalho, a chamada “The Logical Song”, segunda faixa do disco, que se tornou uma das músicas mais conhecidas do Supertramp e com o passar dos anos a marca registrada da banda para os ouvintes menos atentos aos outros LPs e à trajetória da banda como um todo. 

De certa maneira, a música soa como um Supertramp mais pop e acessível, sem flertar com elementos progressivos (como apresentados no primeiro álbum, Supertramp (1970), ou em canções mais longas como "Fool's Overture" e "Child of Vision"), não deixando de lado o que é característico do grupo: a parceria entre os pianistas e vocalistas Roger Hodgson e Rick Davies, compositores de todas as canções presentes em Breakfast in America.

Nessa faixa, que traduzindo para o português podemos chamar de “Canção Lógica”, a letra expressa um pouco das angústias sobre os caminhos que seguiremos com o passar dos anos, fenômeno presente na trajetória de qualquer ser humano que vive, continua vivendo e traz memórias consigo mesmo. À primeira vista, a música parece ser simples, mas analisando bem ela possui uma profundidade crítica, nostálgica e atual, que oferece uma reflexão sobre o nosso crescimento pessoal, seus diferentes momentos e a consciência que tivemos deles. Podemos dizer que em nossa trajetória da vida, desde o seu começo, quando ainda éramos crianças, a nossa compreensão do mundo e da vida possuía certa “lógica” própria, que podemos associar a um momento mágico, magnífico e feliz. Como diz a letra:

Parecia que a vida era tão maravilhosa
Um milagre, oh ela era tão bonita, mágica
E todos os pássaros nas árvores
Estavam cantando tão felizes

Nesse momento da nossa vida (a infância), não tínhamos muitas responsabilidades sociais, dúvidas sobre o futuro e dúvidas sobre questões mais complexas como a política, o preço das mercadorias, o desemprego e por aí vai. No entanto, precisamos fazer uma breve consideração, pois nem todas as crianças possuem uma vida privilegiada, sem todas as preocupações, e, portanto, estamos nos referindo às pessoas de classes mais privilegiadas, que não precisaram trabalhar, viveram uma infância miserável na periferia ou abandono social. Assim, a transição é lógica e determina que mudanças precisam ocorrer em nossas vidas.


Ao crescermos, quando nos tornamos jovens, tudo se torna mais complicado. As responsabilidades aumentam com a possibilidade de constituir uma família, relacionamentos, arrumar um emprego, sair de casa e se dedicar aos estudos. Precisamos ser “lógicos”, “sensatos”, “práticos”, nos afastando daquele mundo que antes era um conto de fadas e nos aproximando de algo mais cruel e realista, cheio de manchetes que retratam problemas sobre violência, desigualdade social e a corrupção. Quebra-se a ilusão de que o mundo é mágico para entrar em seu lugar um mundo cínico e doente, que precisa ser pensado. É a estrutura lógica da vida que impõe essa transição entre o mundo infantil e a entrada na vida adulta. 

À medida que ficamos mais adultos, os julgamentos sobre a pessoa que você é tornam-se mais presentes (“liberal”, “fanático”), assim como os problemas pessoais (depressão, frustração, decepções). As pressões se intensificam, através da coerção, das normas e condutas que a sociedade espera de nós e devemos seguir, para não sairmos dessa lógica. Portanto, devemos ser aceitáveis, responsáveis, futuros burocratas presos em um escritório todo dia, trabalhando em algo que não nos realiza, decepcionados com o salário que sempre parece pouco para atender às nossas necessidades materiais.

Diante de tudo isso, a canção nos faz refletir sobre esses dois momentos (infância e vida adulta) e traz consigo o sentimento de nostalgia, de que o passado era melhor do que o presente momento. Talvez fosse, talvez não. O importante, segundo a composição, é não deixarmos de lado essa nostalgia para tentarmos sair em alguns momentos dessa estrutura lógica, mesmo apenas quando todo o mundo dorme, e carregar conosco esse espírito alegre e ingênuo que um dia foi vívido e que hoje apenas compartilha de cinismo e desesperança.
A frase final da letra - “Quem eu sou?” - deixa uma pergunta que está presente em todos nós. Quem nos tornamos? O que poderíamos ter sido? Quais caminhos escolhemos?. Essas dúvidas nós mesmos que devemos responder. Qualquer “homem simples” deve se questionar e encontrar a sua própria lógica, fora da imposição que lhe foi determinada pelo mundo. 

Creio que seja essa a reflexão trazida por esse clássico do Supertramp, que também encontra ecos em outra canção da banda, “School”, presente no excelente álbum Crime of the Century (1974) e que critica a função do ensino institucional em nossa sociedade. No entanto, essa análise fica para outro momento. Vamos permitir que a imaginação nunca deixe de existir e que cada um descubra melhor a si mesmo em algum momento da vida. 

Como o filósofo Sartre diz: "O importante não é o que fazemos de nós, mas o que nós fazemos daquilo que fazem de nós." 

Por Felipe Andrade

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