15 de dez de 2016

Obrigado pelo ótimo ano, e um convite especial pra você

quinta-feira, dezembro 15, 2016

Foi um ano bem legal aqui no site. Em 2016 a Collectors Room retomou o seu caminho com força total, passou por uma grande reformulação visual e abriu as portas para novos colaboradores. Pessoalmente, desde o início do site lá em 2008, esse foi um dos meus anos favoritos por aqui. Todo o retorno que você, que acessa o site todos os dias, deu às matérias e textos que publicamos durante os últimos doze meses, foi um combustível não apenas revigorante, mas muito necessário e que mostrou que todo o trabalho que a gente faz aqui, repleto de tesão e paixão, vale muito a pena.

Vamos dar uma parada neste final de ano. Férias, descanso, numa relax, numa tranquila, numa boa. Uma recarga nas baterias pra voltar com tudo em 2017. A previsão é que o site volta à sua programação normal lá pela terceira semana de janeiro, mais ou menos no dia 19 de janeiro aproximadamente. Sei, longos trinta dias, mas um tempo em que a ideia é parar, curtir meu filho, minha família e tudo o que faz a vida valer a pena todos os dias.

Então, um muito obrigado por estar junto com a gente por mais um ano, dividindo a sua paixão pela música e pela cultura pop conosco, em uma troca de ideias que é, em essência, o que torna o trabalho de todos envolvidos com a Collectors Room uma atividade cada vez mais recompensadora.

E temos um convite especial pra você: participe da nossa pesquisa de melhores do ano. Abaixo listamos mais de 80 discos lançados em 2016, que achamos muito legais e que estamos colocando na mesa para que você faça as suas escolhas e nos ajude a chegar aos melhores do ano na opinião dos leitores da CR. Você pode votar em quantos discos quiser, e também seria bem legal se você nos ajudasse levando essa pesquisa aos seus amigos, convidando-os a também participar e apresentando a Collectors Room para a sua turma.

Um grande abraço a todos, boas festas e que 2017 seja um ano ótimo para todos nós!

Review: The Neal Morse Band - The Similitude of a Dream (2016)

quinta-feira, dezembro 15, 2016

Esta resenha é escrita com um mês de atraso e na mesma semana que um dos maiores nomes do rock progressivo nos deixa: Greg Lake (King Crimson, Emerson, Lake and Palmer). Mas a morte dele não me fez apenas lamentar que perdemos mais uma lenda. Fez-me pensar quanta coisa boa as pessoas deixam de curtir por quererem sempre uma cópia do passado.

Uma dessas coisas é The Similitude of a Dream, décimo-nono álbum do vocalista, tecladista e guitarrista estadunidense Neal Morse, e o segundo lançado sob o nome The Neal Morse Band – um grupo que junta ele, o lendário baterista Mike Portnoy, o antigo parceiro e baixista Randy George e dois músicos relativamente desconhecidos, mas bastante rodados e habilidosos: o tecladista Bill Hubauer e o guitarrista Eric Gillette.

Este disco, conceitual e baseado no livro The Pilgrim’s Progress (John Bunyan), mostra uma evidente evolução em relação ao álbum anterior, The Grand Experiment (2015). Por mais que o lançamento do ano passado já tenha sido feito sob um sistema de banda “de verdade”, e não apenas com os músicos se adequando às composições de Neal, ele ainda soava como uma obra solo de Neal Morse.

Em The Similitude of a Dream, contudo, a formação soa muito mais entrosada, com uma forte química entre os integrantes, concedendo-a um ar mais de “Neal Morse e amigos” – sim, a marca Neal Morse ainda é onipresente, ou a banda não levaria seu nome. E depois que você assiste ao making of do álbum, tudo fica mais claro. Dá para ver com clareza a fluência musical que eles demonstraram em estúdio, a maneira como todos estavam bem à vontade sozinhos com seus instrumentos ou gravando em grupo.

O documentário retratou a concepção do álbum de forma tão honesta que até um desentendimento entre Portnoy e Morse foi tornado público – o baterista era contra fazer um disco duplo porque o Dream Theater, sua ex-banda, já havia lançado um trabalho conceitual duplo no começo do ano (The Astonishing) e ele temia comparações. Um medo um tanto tolo – são duas obras musicalmente bem diferentes, lançadas por grupos que não estão exatamente perdendo a virgindade nessa coisa de disco duplo.

Enfim, falemos da música do álbum em si: The Similitude of a Dream justifica sua calorosa recepção pela crítica. Não o colocaria no pedestal de lançamento do ano como alguns estão fazendo, mas é obviamente um discaço, e todo aquele entrosamento enaltecido parágrafos acima resultou em mais de 20 faixas, totalizando quase duas horas de rock.

Elas variam de breves peças leves e acústicas como a abertura “Long Day” e “The Dream”, a trabalhos de média duração com riffs mais pesados e instrumentação mais complexa como “City of Destruction”, “Draw the Line” e “So Far Gone”. Outras faixas trazem seus charmes próprios: o solo de saxofone de Bruce Babad em “Shortcut for Salvation”, os toques country em “Freedom Song”, o solo de baixo em “I’m Runnin” … Sem falar nas instrumentais “Overture”, “The Slough” e “The Battle”.

Mesmo que você não se identifique com todas, certamente encontrará ao menos algum momento de prazer auditivo neste disco. E a banda faz isso tudo sem perder foco e coesão. Você consegue visualizá-los o tempo todo da maneira que foram retratados no making of: livres, leves e soltos. Graças a Dio, Mike Portnoy foi vencido pelos outros quatro membros e o álbum rendeu os dois discos que sempre foi destinado a render. E como eu não resenhei The Grand Experiment, aproveito para registrar comentários sobre os dois novos músicos da banda:

- o tecladista Bill Hubauer acaba um pouco ofuscado por Neal Morse, cujo instrumento principal é o próprio teclado, embora nos clipes deste álbum ela seja mais visto empunhando guitarras ou violões. Mas o trabalho apresentado até aqui dirime qualquer dúvida quanto ao seu talento. Soube criar harmonias e melodias que se encaixaram bem em todas as canções.

- o jovem guitarrista Eric Gillette teve relativamente mais destaque. No começo do ano passado, antes mesmo do The Grand Experiment, Portnoy comentou o quanto Eric Gillette se parecia com seu “antigo parceiro de crime” – era uma óbvia referência a John Petrucci, seu ex-colega de Dream Theater. A referência se revelou precisa. A influência que o barbudo exerce sobre Eric é grande – às vezes, grande demais. Em alguns momentos o que se ouve é uma tentativa de imitar os dedilhados de Petrucci. O solo de “Breath of Angels”, por exemplo, parece uma junção dos solos de “The Best of Times” e “The Ministry of Lost Souls”, ambas do Dream Theater. Por outro lado, recai sobre ele grande parte da responsabilidade da qualidade do disco, especialmente por executar bem todos os riffs e por saber casar o som de sua guitarra com os teclados, que sempre desempenham papel fundamental na música de Neal Morse.

Um exemplo de rock progressivo bem feito, um exemplo de trabalho duplo e conceitual. Uma aula de instrumentação e composição. Podemos até discutir se este é o “álbum progressivo do ano”. Mas não podemos discutir sua beleza, nem sua qualidade.


Review: Nando Reis - Jardim-Pomar (2016)

quinta-feira, dezembro 15, 2016

Se um dia montassem uma lista de artistas brasileiros que se autossabotam, Nando Reis estaria no top 10. Depois que saiu dos Titãs em 2001, sua carreira solo ficou marcada por baladinhas românticas ou, se muito, parcerias com Cássia Eller. Mas, caramba, ele é TÃO mais que isso ... Seria bom se os tr00 666 from hell ouvissem além das rádios antes de desqualificá-lo. E olha que muitas das tais baladinhas românticas são de tirar o chapéu.

A versatilidade do paulistano fica escancarada como nunca em Jardim-Pomar, seu oitavo trabalho de estúdio. As faixas passam por diversas influências e temáticas, sendo que tal variabilidade é resultado da ação de dois produtores diferentes trabalhando no mesmo disco: Jack Endino (que já havia colaborado com Nando em Sei, de 2012) e Barrett Martin, ambos dos Estados Unidos. Embora Nando não tenha ainda especificado exatamente quem produziu quais músicas, ele já deu a dica em entrevista para O Globo: “Sendo Barrett um baterista, muitas vezes a chave está na batida”.

A tríade de abertura, “Infinito Oito”, “Deus Meio” e “Inimitável”, é um dos momentos mais marcantes do álbum, e essa marca tem nome: Jack Endino, que toca guitarra em todas e, podemos deduzir, produziu-as também. Instrumentalmente, são de qualidade acima da média na carreira solo do barbudo e é impossível não querer ouvir o resto do disco depois delas.

As sempre presentes declarações de amor começam a mostrar a cara em “4 de Março”, onde Nando homenageia sua esposa Vânia de maneira íntima e elegante. “Só Posso Dizer”, que recebeu aqui duas versões (uma gravada em São Paulo e outra em Seattle, mais lenta), foi o single escolhido para divulgar Jardim-Pomar. Não chega a ser ruim, mas tinha tanta opção melhor ...

“Concórdia”, a única não inédita, é apenas uma regravação de uma canção que ele mesmo fez e que saiu em Vivo Feliz (2003), de Elza Soares. Sonolenta, ela ganha seu charme nas cordas do Fassbinder String Quartet, que reaparecem na igualmente monótona “Água Viva”.

“Azul de Presunto” traz, de uma vez só, seus ex-colegas de Titãs Arnaldo Antunes, Branco Mello, Sérgio Britto e Paulo Miklos; seus filhos Theo, Sebastião e Zoe; e as consagradas e modernas vozes femininas de Luiza Possi, Pitty e Tulipa Ruiz. Este impressionante time foi chamado apenas para fazer vocais de apoio. A harmonia funcionou legal e ela é uma das melhores, mas chamar tudo isso de gente só pra fazer eco? Que desperdício ...

A peteca levantada pela faixa cheia de vocalistas é mantida no alto por “Lobo Preso em Renda” e “Pra Onde Foi?”, com instrumentações adultas e aquelas letras sem refrão típicas do ruivo. Temos aqui o segundo (e último) grande momento do lançamento.

A reta final perde um pouco o gás e nos entrega a simpática “Como Somos” (parceria com o indefectível Samuel Rosa e única que não é 100% assinada por Nando); a já mencionada “Água Viva”; a surpreendente “Pra Musa”, que se inicia tão leve quanto sua antecessora e acaba com a roupagem rock que marcou o início e o meio do disco; e a segunda versão de “Só Posso Dizer”.

Apesar do sucesso e da vasta experiência, Nando ainda não recebeu todo o reconhecimento que merece. Isto ocorre talvez porque a ênfase em hits radiofônicos ofusca o trabalho musical primoroso que é desenvolvido em seus discos, e que só tem crescido ao longo desses 20 anos solo. Um dia, mais pessoas compreenderão que ele é um mestre na arte de fazer música boa. As grandes canções de Jardim-Pomar fazem você desconsiderar aquelas poucas mais chatas. Nando Reis atinge aqui um ponto alto de sua carreira, com instrumentação admirável e letras direto das profundezas de um ser humano com todas as suas angústias e alegrias.


2016: em fotos, uma retrospectiva da música durante o ano

quinta-feira, dezembro 15, 2016

Final de ano, todo mundo avaliando como foram os últimos doze meses, hora certa para fazermos uma retrospectiva da música em 2016. 

Mas, ao invés de um texto repassando tudo, preferimos postar uma retrospectiva fotográfica, usando imagens para relembrar os fatos mais marcantes que aconteceram na música durante 2016, na nossa opinião. 

Afinal, como diz o ditado: uma imagem vale mais do que mil palavras.

Ficou perdido com alguma imagem e não sabe do que se trata? Dá uma passada no Google que fica fácil entender ;-)


























Review: Hardline - Human Nature (2016)

quinta-feira, dezembro 15, 2016

O quinteto de hard rock Hardline divulgou seu quinto trabalho de estúdio, Human Nature, com uma promessa: entregar “uma versão mais pesada e atualizada do som original do Hardline. Pense no álbum de estreia, o Double Eclipse de 1992, atualizado para o século XXI, com um som mais arenoso e direto”.

O que eles nos dão? A fusão mais honesta que poderiam fazer de seu som antigo com o novo. Não é nem de longe um disco tão pesado quanto a estreia deles, mas é o que mais fez jus àquela época desde então. Ao mesmo tempo, ele não tem aquele quê de AOR (Album-Oriented Rock) que mudou completamente a banda (para pior, se compararmos com o glam metal estupendo que eles mostraram no início da década retrasada, ainda que o tenham feito no início do declínio do gênero).

Human Nature estabelece a tal fusão de duas formas: ora entregando faixas que, por si só, parecem misturas das duas fases; ora entregando faixas contrastantes. Por exemplo, a sequência “Trapped in Muddy Waters”, “Running on Empty” e “The World is Falling Down” é o momento mais matador do álbum. Se você se distrair, pode até achar que está ouvindo alguma coisa do Axel Rudi Pell – guitarrista alemão cuja banda de apoio conta com o vocalista Johnny Gioeli na formação.

Contudo, a tríade desemboca no single “Take You Home”, uma baladinha pianística clichê – infelizmente, uma das duas faixas do álbum a receber um vídeo, mesmo que ela não represente o disco de forma alguma. O single, por sua vez, é sucedido por “Where the North Wind Blows”, uma das faixas “meio a meio”.

Enfim, a sensação que se tem ao concluir uma audição deste lançamento é: o Hardline está de volta! Não tão pesado quanto era, pois é preciso atualizar o som e relembrar o passado recente. Mas estão satisfatoriamente firmes e fortes. Definitivamente o melhor trabalho deles desde a estreia.

Podemos dizer que quase tudo deu certo em Human Nature. As duas fases da banda estão representadas. Houve uma ênfase maior na fase boa, isto é, na fase pesada e antiga. Há uma química franca entre os membros, de modo que toda faixa vê o Hardline “fluindo como óleo”, como diria Mozart. Um discão. Só mudaria a escolha da faixa para segundo single.

14 de dez de 2016

Review: Childish Gambino - Awaken, My Love (2016)

quarta-feira, dezembro 14, 2016

Childish Gambino é o pseudônimo musical de Daniel Glover, ator e escritor norte-americano cujos trabalhos mais conhecidos são as séries 30 Rock e Girls - ah, e ele também faz a voz original do personagem Alpha Dawg em Apenas um Show e a de Miles Morales, o jovem Homem-Aranha, na animação Ultimate Spider-Man.

Awaken, My Love é o terceiro álbum de Gambino, sucedendo seus dois primeiros discos, Camp (2011) e Because the Internet (2013). No entanto, em relação aos anteriores, trata-se de um trabalho com uma sonoridade muito mais orgânica, que se afasta do hip-hop e vai em direção ao funk, ao soul e ao funk rock, explorando principalmente a estética sonora comum a esses gêneros durante a década de 1970.

O que temos aqui é um álbum conceitual, que tem como inspiração o nascimento do seu primeiro filho. Awaken, My Love usa as suas faixas para contar o relacionamento de Gambino com sua namorada, em um disco que traz uma enorme carga de um sentimento bonito e verdadeiro. Influências psicodélicas são encaixadas aqui e ali, e servem como trampolins que conduzem o ouvinte para realidades distintas. Percebe-se a herança de nomes como Funkadelic e Curtis Mayfield em diversas passagens, inspirações que só realçam o alto nível alcançado por Childish Gambino no disco.

As onze faixas contam uma história crescente e cheias de momentos marcantes. A abertura com “Me and Your Mama” já chama a atenção do ouvido, mostrando que algo bastante diferenciado está por vir. Sensual e espiritual, dançante e tocante, o disco é de uma beleza palpável. “Have Some Love” vem na escola do mestre George Clinton, assim como a sacolejante “Boogieman”. Em “Zombies" podemos encontrar referências mais contemporâneas como Maxwell, já “Redbone” é puro Prince.

A tríade final, com “Baby Boy”, “The Night Me and Your Mama Met” e “Stand Tall”, é o ponto mais alto do disco. A primeira é uma linda canção de ninar, e de amor, e de benção e agradecimento, feita por um pai para o seu filho. De arrepiar! A segunda traz um instrumental elegantemente sexy, com um bom gosto elogiável e que soa como se Jimi Hendrix e Eddie Hazel dessem ao mundo um improvável filho. Enquanto a guitarra conduz a canção, um coro celestial produz linhas vocais que harmonizam as melodias e arrepiam até o mais careca dos ouvintes. E “Stand Tall” é conduzida pelo belo vocal de Gambino e com um instrumental econômico, quase minimalista, vindo de um universo imaginativo similar ao habitado por Frank Ocean.

Awaken, My Love é um álbum confortante e ao mesmo tempo forte, que acaricia mas também dá umas espetadas bem-vindas quando necessário. Um disco em forma de relação entre um pai e um filho, cheio de momentos doces e marcantes, mas também com explosões sonoras definidoras. O fato de o álbum caminhar predominantemente por uma sonoridade que bebe muito e profundamente no funk e no rock negro setentista ajuda na degustação dos não familiarizados com a black music contemporânea, e é um convite para que apreciadores de outros gêneros aventurem-se por suas faixas.

Vale a experiência!

Review: Mano Brown - Boogie Naipe (2016)

quarta-feira, dezembro 14, 2016

Mano Brown já faz parte da cultura pop brasileira. Figura central do Racionais MC’s, desde 1988 vem cantando letras afiadas, que denunciam de maneira explícita a violência policial, a desigualdade social, o preconceito racial e outros problemas infelizmente comuns à sociedade brasileira. Com álbuns já clássicos como Raio X Brasil (1993), Sobrevivendo no Inferno (1997) e Nada Como um Dia Após o Outro Dia (2002), a curta discografia do Racionais compensa a oferta limitada com a contundência e a eficiência, tanto no discurso quando no aspecto musical.

Pois bem. Nesse final de um 2016 que parece que nunca irá terminar, Mano Brown lançou o seu primeiro álbum solo. Boogie Naipe é um disco surpreendente, não pela reconhecida capacidade criativa de seu mentor, mas sim por mostrar um outro lado de Brown. O hip-hop pouco aparece no trabalho. Boogie Naipe é um trabalho que bebe na riquíssima fonte da black music brasileira, principalmente aquela produzida durante os anos 1970 e que foi a trilha sonora dos bailes que marcaram uma geração. 

Com influências que vão de Tim Maia a Banda Black Rio, passando por Cassiano, Toni Tornado, Wilson Simonal e toda a turma do funk, soul e groove setentista, Brown entrega um disco cheio de lirismo, com letras que deixam de lado a denúncia social e apostam em temas como o amor, o romantismo e o cotidiano do coração. Musicalmente, o trabalho amplia consideravelmente o espectro sonoro de Mano Brown, deixando as batidas características do rap de lado e trilhando pelo soul, pelo charm, pelo R&B e outras sonoridades mais sutis.

Bonito pra caramba, Boogie Naipe é um tributo a um passado que boa parte do público atual não conhece, mas que está aí para ser redescoberto e adorado como merece. Produzido pelo próprio Mano Brown ao lado de Lino Krizz, o trabalho conta com a participação especial de Leon Ware (parceiro de Marvin Gaye, outra das inspirações de Brown para o disco), Hyldon, Seu Jorge, Du Bronks, Helião, DJ Cia, Don Pixote, Max de Castro e outros, o que ajuda a acentuar a pluralidade de influências do álbum.

Longo, mas recompensador, Boogie Naipe demonstra a maturidade artística atingida por Mano Brown, capaz de levar um dos mais emblemáticos nomes do rap brasileiro por um caminho totalmente novo e inesperado, mas igualmente fascinante como os seus trabalhos ao lado do Racionais MC’s.

Apenas excelente!

Review: Theocracy - Ghost Ship (2016)

quarta-feira, dezembro 14, 2016

Duas coisas eu faço questão de esclarecer logo de cara: a primeira é que eu sou ateu. A segunda é que eu torço o nariz para os termos “metal cristão” e “white metal”, pois eles se referem apenas às letras, mas não dizem absolutamente nada sobre o som de uma banda.

Assim, vamos ao tema do texto: o Theocracy é uma banda estadunidense de power metal que veio para provar que o chamado metal cristão não precisa ser piegas e, mais importante ainda, que o power metal de qualidade não está restrito ao eixo América do Sul/Europa/Extremo Oriente. Não por acaso, a banda foi lucrar com seu sucesso nesses lugares, e não no seu país de origem.

Ghost Ship começa com tudo na tríade de abertura “Paper Tiger”, “Ghost Ship” e “The Wonder of It All”. “Wishing Well” e “Around the World and Back” desaceleram um pouco, mas não diminuem o calibre do álbum. A potência volta em “Stir the Embers” e “Call to Arms”. Após o respiro “Currency in a Bankrupt World”, o lançamento encerra com força total com “Castaway” e “Easter”. Esta última é a tal faixa épica que todo disco de power metal que se preze tem, mas não chega a ser superior à média do trabalho.

Resumindo, a parte instrumental é primorosa e uma verdadeira aula de power metal. Até alguns medalhões do gênero poderiam se inspirar neste e em outros bons álbuns recentes (Rabbits’ Hill Pt. 2 do Trick or Treat, por exemplo) para fazerem jus ao passado glorioso do estilo.

Mas eu gostaria de chamar a atenção para as letras. Você pode até achar que, por causa do rótulo de metal cristão, o Theocracy escreve letras pedindo que você aceite Jesus, sinta o toque divino e blá blá blá. Nada poderia estar mais longe da verdade. As letras lidam com temas mais profundos, concretos e universais da sociedade, traçando relações com os ensinamentos de Cristo e passagens bíblicas.

Há peças sobre sentir-se sozinho e diferente dos outros (“Ghost Ship” e “Castaway”), desejar o bem sem agir concretamente para fazê-lo (“Wishing Well”), suicídio (“Currency in a Bankrupt World”) e até uma tentativa de abordar musicalmente as aflições e angústias dos apóstolos de Jesus entre sua crucificação e ressurreição (“Easter”).

Se você for fã de power metal independentemente das letras, vai gostar deste quinteto instantaneamente. Se você se incomoda com letras que não dialogam com sua realidade, a recomendação permanece. O Theocracy não está aqui para te convencer de nada, diferentemente de tantos pastores picaretas mundo afora. Eles querem simplesmente abordar questões das nossas vidas (em escala individual ou social) através de uma ótica cristã – ainda que “eles” remeta 90% ao líder da banda, Matt Smith, que compõe quase tudo sozinho.

Sem dúvidas um dos melhores lançamentos de power metal em 2016 e o melhor disco da banda até hoje. Não importa a sua fé: se você é devoto de Ronnie James Dio, Ghost Ship merece sua audição.


13 de dez de 2016

As bandas de rock com mais curtidas no Facebook - Edição 2016

terça-feira, dezembro 13, 2016

Como fazemos todos os anos, chegou a hora de conferirmos quais são as bandas de rock com mais curtidas no Facebook. Os dados são referentes ao dia 13 de dezembro de 2016. Os levantamentos anteriores podem ser conferidos aqui: 2013, 2014 e 2015.

Não que isso sirva pra muita coisa além de animar uma conversa de bar, mas é um dado curioso e que mostra o tamanho dos artistas na maior rede (anti) social do planeta. 

Em relação à 2015, poucas alterações: o Guns N’ Roses superou o AC/DC e subiu uma posição, o Queen e o Red Hot Chili Peppers ultrapassaram o Nirvana, o Iron Maiden e o Led Zeppelin deixaram para trás o KoRn, e o Black Sabbath e o Foo Fighters superaram o Radiohead. Em relação ao Foo Fighters, é a primeira vez que a banda de Dave Grohl aparece no top 30, deixando para trás o My Chemical Romance, que fazia parte do ranking em 2015.

Essas são as 30 bandas com mais curtidas no Facebook em 2016:

1 Linkin Park - 62.211.850 curtidas
2 The Beatles - 42.328.705
3 Metallica - 37.661.863
4 Green Day - 31.776.657
5 Guns N’ Roses - 30.615.789
6 AC/DC - 30.296.171
7 Pink Floyd - 29.484.396
8 Queen - 29.080.526
9 Red Hot Chili Peppers - 28.445.599
10 Nirvana - 27.915.649
11 Bon Jovi - 26.031.669
12 Evanescence - 22.753.451 
13 System of a Down - 20.194.826
14 The Rolling Stones - 20.138.930
15 Nickelback - 18.622.635
16 Slipknot - 18.213.608
17 U2 - 17.517.139
18 Avenged Sevenfold - 17.230.717 
19 Muse - 17.198.467
20 The Doors - 17.022.390
21 Aerosmith - 16.699.581
22 John Lennon - 15.749.470
23 Iron Maiden - 13.922.148 
24 Led Zeppelin - 13.657.030
25 KoRn - 13.036.260
26 Kiss - 12.859.914 
27 Ozzy Osbourne - 12.449.842
28 Black Sabbath - 12.165.422
29 Foo Fighters - 11.972.387
30 Radiohead - 11.929.426

Para efeito de comparação, listamos abaixo os dez nomes da música com mais fãs no Facebook, indo além do rock. Logicamente, a lista é formada por grandes nomes do pop, como você pode conferir abaixo:

1 Shakira - 104.491.360
2 Eminem - 91.197.525
3 Rihanna - 81.858.916
4 Justin Bieber - 77.830.288
5 Michael Jackson - 75.633.576
6 Taylor Swift - 74.744.217
7 Bob Marley - 74.557.692
8 Katy Perry - 70.893.410
9 Adele - 65.945.750
10 Beyoncé - 64.563.883



Livro: Lindo Sonho Delirante, de Bento Araújo

terça-feira, dezembro 13, 2016

Desde 2003 à frente da poeira Zine, excelente revista brasileira cujo foco são os sons obscuros das décadas de 1960 e 1970 (se ainda não leu a pZ, leia!), o jornalista Bento Araújo dá um importante passo em sua carreira com o lançamento do livro Lindo Sonho Delirante.

Viabilizada através de um bem sucedido crowdfunding, a obra é um belo e necessário compêndio sobre a música psicodélica brasileira, ao mesmo tempo resgatando discos e artistas não tão conhecidos do público e realçando a importância da obra de nomes já icônicos, como Mutantes, Caetano, Gil e toda a turma vinda da Bahia. Com 232 páginas, papel couchê, lombada quadrada e  textos em português e inglês, o livro é fundamental para quem quer pesquisar de maneira profunda a música jovem produzida no Brasil entre o final dos anos 1960 e meados da década de 1970.

No total, Bento lista uma centena de discos, faz resenhas breves sobre cada um deles, mostra o porque foram importantes e apresenta o contexto em que cada título foi criado e veio ao mundo. O livro é estruturado de maneira semelhante ao que encontramos em 1001 Discos para Ouvir Antes de Morrer, o que torna a leitura fácil e rápida. 


Obra de inegável envergadura para quem gosta de música, Lindo Sonho Delirante é uma fonte de pesquisa extremamente útil, pois compila um período e um movimento musical até então ausente das obras sobre o gênero lançadas até hoje no Brasil. Ainda que os artistas mais conhecidos presentes em suas páginas já tenham a sua carreira analisada à exaustão em diversos outros trabalhos, está justamente na inclusão de nomes pra lá de obscuros a verdadeira força do livro, em um garimpo sonoro digno do mais talentoso artesão.

O único ponto negativo de Lindo Sonho Delirante é o preço, já que o valor de R$ 120 pode ser um tanto salgado se levarmos em conta a oferta de obras sobre música disponíveis atualmente nas livrarias de todo o país. No entanto, o ineditismo da proposta somado à qualidade do trabalho de Bento Araújo compensa o investimento.

Se você é um fã de música ou quer presentear alguém com algo original neste final de ano, Lindo Sonho Delirante é uma dica certeira.


Highway, a subestimada obra-prima do Free

terça-feira, dezembro 13, 2016

Não raro ocorre de o trabalho desenvolvido por um artista ou grupo ter sido tantas vezes diluído e imitado, que a originalidade e influência do mesmo passem a ser menos óbvias aos olhos do grande público. É o caso do Free, uma das mais consistentes e carismáticas bandas da história do rock, pioneira e peça fundamental no desenvolvimento da abordagem agressiva do estilo que se convencionou chamar hard rock, e que viria a culminar no heavy metal.

O Free era, antes de tudo, uma convergência de talentos. Cada membro entrava no painel geral da banda e se encaixava quase que com a precisão de uma peça num quebra-cabeça. Havia Paul Rodgers, soberbo cantor, cuja original voz se equilibrava de forma sensível entre o aveludado e o áspero num estilo impregnado da mais nobre linhagem sou l- e ora, como poderia ser diferente? A principal influência confessa do homem era o Otis Redding! 

Havia Andy Fraser, originalíssimo e eternamente subestimado baixista. Músico preciso e ousado, que ao lado do vocalista, formava o principal núcleo criativo da banda.

Havia também o Paul Kossoff, um guitarrista que não acho outro meio para definir senão iluminado. Quaisquer outros termos mundanos não conseguiriam defini-lo com justiça. Prodígio que já na flor da adolescência dominava o estilo erudito do violão, viu todo o seu viés musical clássico perder o sentido ao se apaixonar pela simplicidade vigorosamente selvagem do blues, que conheceu ao assistir um show dos Bluebreakers do John Mayall com Eric Clapton. Depois, viria a fascinar-se com Jimi Hendrix, que se tornaria seu ídolo máximo e que viu pela primeira vez, quando este, em companhia de Chas Chandler (baixista do The Animals, empresário de Hendrix à época) entrou na loja de guitarras onde Kossoff trabalhava, e não encontrando uma guitarra para canhotos, simplesmente virou o instrumento de cabeça para baixo e tocou divinamente algo no estilo de "Little Wing", deixando o jovem completamente atônito.

Paul Kossoff, com toda a certeza, não é tão cultuado quanto merece, certamente por ter aderido ao nobre caminho do "cada nota em seu devido lugar". Onde a maioria dos músicos escolheria uma banal velocidade enche-linguiça, Kossoff, seguindo as lições ministradas por mestres como T-Bone Walker, B.B. King e Freddie King (este último, o mais subestimado dos "King" do blues elétrico), optava pelo bom gosto e honestidade, fazendo uso primoroso dos espaços de silêncio para tecer com perfeição sua construção sonora, tecida a vibratos e fraseados selvagemente frementes em seu visceral feeling e imponente punch, deixando um legado que viria alimentar nomes díspares que vão de Dave Murray até Joe Bonamassa.

E havia o selvagem baterista Simon Kirke, dono de um way of playing tão certeiro quanto robusto. Juntos, as características individuais confluíam num todo muito maior, onde apenas as qualidades sobressaíam.


Fundado na segunda metade da década de 1960 e permanecendo em atividade até 1973, o Free estreou em disco no mês de novembro de 1968 com Tons of Sobs, uma obra-prima do blues rock britânico, trabalho onde a musicalidade feroz e áspera casava de forma espantosamente harmônica com a mais cristalina sensibilidade melódica. Nos álbuns subsequentes, o refinamento gradual das habilidades pop do grupo vinha se tornando cada vez mais notável, resultando em pérolas quase despercebidas como "Woman" e "Trouble on Double Time", ambas do auto-intitulado segundo álbum de estúdio (lançado em 1969), e culminando no hit "All Right Now" de Fire and Water (1970), seu terceiro, mais conhecido e, provavelmente, mais bem acabado trabalho. Em seu quarto disco, produzido pela própria banda, as suas habilidades como artesãos pop encontravam-se em seu ponto mais elevado.

O ano era 1970, o auge comercial do grupo com o grande sucesso do single "All Right Now". Graças a tal sucesso, a banda foi convidada para integrar a grade do mítico Festival da Ilha de Wight naquele ano. Com o reconhecimento público, vieram as pressões mercadológicas por um novo single de sucesso, a exaustão da estrada e o ônus da fama, que contribuíram para o agravamento da depressão de Kossoff- uma constante em sua vida e que o impelia ao uso cada vez mais desregrado de drogas pesadas. Tudo piorou ainda mais com a morte de Jimi Hendrix em setembro de 1970. Sendo Hendrix o maior herói do guitarrista, a sua morte o abalou profundamente.

Além dos problemas de Kossoff, havia o desgaste da relação de trabalho entre Paul Rodgers e Andy Fraser. Paul, agora casado e com filhos, era o mais preocupado com a estabilidade financeira do grupo e queria conduzir a composição para uma direção "mais Led Zeppelin" (um dos grupos de maior sucesso comercial à época). Andy, que acreditava que o quarteto capitaneado por Jimmy Page imitava a sonoridade pesada do qual sua banda havia sido precursora, achou a ideia um absurdo e, em razão de tais discordâncias, a magia da parceria da dupla foi se desvanecendo paulatinamente. 



Quando lançado em setembro de 1971, Highway resultou num grande desapontamento, tendo atingido apenas a posição 41 nas paradas inglesas e um resultado ainda mais desastrado nos Estados Unidos, onde empacou na posição 190 das paradas de sucesso. Toda essa conjetura malograda serviu para ocultar o valor artístico desse registro, que certamente não é o melhor da carreira da banda, mas que possui um valor único, especial e que urge ser reconhecido.

O play se inicia de forma prazerosa com a altamente agradável "The Highway Song", uma das mais bem acabadas construções pop do grupo. A faixa seguinte, "The Stealer", é uma das grandes canções dos ingleses e contém um dos melhores riffs de Paul Kossoff. O clima segue aprazível com a amena "On My Way" e se transfigura tocante na pungente "Be My Friend", com outra das melhores performances de Kossoff. Certamente é nesse disco que Koss vive seu momento máximo como instrumentista. Permeando cada faixa da mais sublime sensibilidade e ataviando tudo com o mais delicado esmero.

A arrepiante "Sunny Day" dá prosseguimento, seguida pela leve e descompromissada "Ride on a Pony", rematando na bela "Love You So" onde entrelaçados, guitarra, piano e sutis cordas orquestrais arranjam a cama na qual Rodgers se deita entregando uma de suas mais arrebatadoras performances numa das mais comoventes canções do grupo. "Bodie" com seus delicados violões ornamentados de harmoniosas intervenções de slide guitar, é outro momento de sensível beleza.

É interessante notar a explícita influência da sonoridade imposta pela The Band em seu mítico álbum Music From Big Pink (1968), obra que, tendo sido lançada durante o boom do colorido vertiginoso do psicodelismo hippie, ia na total contramão do cenário musical dominante na época, ao propor que para seguir em frente uma volta às raízes se fazia necessário, conquistando com isso o respeito imediato de gente como o Eric Clapton (que já chegou a afirmar que, quando ouviu o disco, pensou na banda como uma das únicas que estavam fazendo algo realmente certo na época), os rapazes do Humble Pie e George Harrison (que chegou a passar alguns dias junto a Bob Dylan e ao grupo na Big Pink).

O conjunto da obra é bem cativante e encanta notar que, apesar do rompimento iminente, este é o disco no qual o grupo melhor trabalha como unidade, com tudo se encaixando, sem pontas soltas. Ouça e comprove.

Por Artur Barros

Review: Sioux 66 - Caos (2016)

terça-feira, dezembro 13, 2016

Para ser convidado a abrir um show do Aerosmith e outro do Guns N’ Roses (com a formação clássica, ainda por cima), tem que ter um mínimo de poder de fogo. E isso, os paulistanos do Sioux 66 sempre tiveram de sobra. Acabaram substituídos pela Plebe Rude no caso do show do septeto californiano, mas só o fato de terem sido escolhidos inicialmente já diz muito sobre eles.

A capa de Caos, segundo álbum de estúdio do quinteto, é um recorte do quadro Custer’s Last Stand, de Edgar Samuel Paxson. O cenário ilustra adequadamente o direcionamento de seu som. Não porque se trata dum caos no sentido pejorativo da palavra, como se fosse um disco de ruídos desconexos. E sim porque se trata de um trabalho enérgico, forte, quase sem momentos de calmaria para respirar.

O que eu tenho a dizer sobre Caos é que ele é um dos melhores lançamentos do rock nacional em 2016. É uma música de atitude e qualidade verdadeira. Tem menos frescura e mais maturidade que a maioria das bandas que se auto-intitulam “bandas de rock sem frescuras”. E uma certa diversidade no som que concede um ar de sofisticação a eles.

O álbum abre e fecha muito bem: “Caos” dá a largada com temperatura máxima e letras diretas. Após várias porradas, algumas até que nem tão pesadas assim, chegamos ao encerramento “O Calibre”, cover de uma das mais agressivas faixas já lançadas pelos Paralamas do Sucesso e que se encaixa perfeitamente na temática do disco.

Em faixas pesadas como a abertura “Minerva” e “Seu Destino” o espírito de Lemmy parece incorporar os rapazes. Já em outras, eles ficam mais próximos do hard rock classicão, como “Libertad” e “O Homem Que Nunca Mudou”. E não se atreva a desprezar a melódica “Pra Sempre” como um balada genérica qualquer…

Sem fazer alarde sobre o fato do guitarrista Bento Mello ser filho de Branco Mello, baixista e vocalista dos Titãs – que são “apenas” uma lenda do rock nacional – o Sioux 66 reafirma ser digno de constar na lista de novos nomes do gênero para ficar de olho.

Repito: é um dos melhores lançamentos de rock nacional que você ouvirá este ano. Aproveite sua disponibilidade em várias plataformas digitais e ouça sem medo. E pelo amor de Dio, pare de dizer que o rock morreu no Brasil – ou no mundo todo.


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