Review: Sepultura - Machine Messiah (2016)


Décimo-quarto álbum do Sepultura, Machine Messiah foi lançado neste início de 2017, mais precisamente dia 13 de janeiro. A produção é de Jens Bogren (Opeth, Soilwork, Amon Amarth) e foge da experimentação de timbres - principalmente em relação aos vocais - que incomodaram muita gente (este que vos escreve incluso) em The Mediator Between Head and Hands Must Be the Heart (2013).

É louvável que o Sepultura siga lançando discos, ainda que, de modo geral, todos os álbuns da fase com Derrick Green soem meio homogêneos. Explico: os oito registros com o vocalista norte-americano são trabalhos sólidos, sempre com boas ideias e inovações pontuais, que funcionam não apenas como expressões artísticas, mas também como veículo para mostrar que os músicos seguem vivos e inquietos.

A questão é que, por mais que esses álbuns sejam interessantes e, em alguns casos, acima da média (acho a trilogia Dante XXI, A-Lex e Kairos o pico de criatividade dessa fase da carreira da banda), eles não possuem algo que faça com que o Sepultura se destaque das dezenas, centenas e inúmeras bandas mundo afora. Não há mais o mojo e o molho de outros tempos - e, por favor, não me confundam com uma viúva dos irmãos Cavalera, que ao meu ver, principalmente o Max, tornaram-se caricaturas de si mesmos com o passar dos anos. Resumindo: o Sepultura se tornou uma banda comum.

Todos são excelentes músicos, não é isso que está em discussão neste texto. O que tenho pensado bastante é no quanto um disco como Machine Messiah ou qualquer outro dos trabalhos recentes do quarteto impacta não apenas o público - fãs são fãs e sempre querem algo novo de seus ídolos, no fim das contas - mas, principalmente, o cenário metálico em todo o mundo. O que Machine Messiah, ou Roorback, ou Against, trazem ou trouxeram de novo para o heavy metal mundial? Que influência eles tiveram no metal como um todo? Qual o impacto desses discos? Analisando de maneira fria e imparcial, por mais que a resposta possa soar até meio ofensiva, ela é clara: praticamente nenhuma.

Machine Messiah não é um disco ruim, assim como nenhum álbum do Sepultura com Derrick o é. Como já dito neste mesmo texto, trata-se de um álbum competente, com algumas boas ideias e as inovações sempre presentes, mas que, analisado à luz do cenário metálico como um todo, tem pouca - ou quase nenhuma - significância. 

E isso, para uma banda que foi, ao lado do Pantera, a mais influente do metal em meados dos anos 1990, é preocupante e extremamente broxante.

Comentários

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

    ResponderExcluir
  2. Esse é exatamente meu pensamento quando escuto o Sepultura atual. Qualidade técnica apurada porém pouquíssima inspiração

    ResponderExcluir
  3. Engraçado, esse disco tem a mesma relevância do Hardwire... do Metallica. Mas pro Metallica só li elogios nesse site...

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Você pode, e deve, manifestar a sua opinião nos comentários. O debate com os leitores, a troca de ideias entre quem escreve e lê, é que torna o nosso trabalho gratificante e recompensador. Porém, assim como respeitamos opiniões diferentes, é vital que você respeite os pensamentos diferentes dos seus.