10 de fev de 2017

Biografia em quadrinhos de Billie Holiday está chegando às livrarias

sexta-feira, fevereiro 10, 2017

A Editora Mino está lançando mais um título excelente pra quem gosta de música e quadrinhos: a biografia da eterna Billie Holiday em quadrinhos. A graphic novel tem roteiro do argentino José Muñoz e arte do também hermano Carlos Sampayo.

A trama se passa em 1989, trinta anos após a morte da cantora, e mostra a trajetória de um artista que é contratado para escrever sobre a vida de Billie Holiday. Sem qualquer conhecimento sobre a artista, mergulha em uma intensa pesquisa sobre a artista.

Considerado como um dos melhores trabalhos da dupla Muñoz/Sampayo, Billie Holiday sai no formato 21x28,9 e tem 80 páginas em preto e branco, em um estilo de arte que lembra o que Frank Miller fez em Sin City.

Billie Holiday, cujo nome de batismo é Eleanora Fagan, nasceu na Philadelphia em 7 de abril de 1915 e faleceu em Nova York em 17 de junho de 1959, com apenas 44 anos. Considerada uma das maiores vozes do jazz, influenciou gerações de cantoras com o seu modo de cantar. Seu período de maior sucesso foi entre as décadas de 1930 e 1940. No entanto, o vício em drogas e álcool acabou prejudicando a sua carreira, fazendo com que fosse até presa por um tempo. 

Abaixo estão algumas páginas que dão um preview da obra:






Leif Edling, baixista do Candlemass, retorna com novo projeto

sexta-feira, fevereiro 10, 2017

The Doomsday Kingdom é o novo projeto de Leif Edling, baixista e compositor do Candlemass. Completam a formação Niklas Stalvind (vocal do Wolf), Marcus Jidell (guitarrista do Avatarium, Soen e Evergrey) e o baterista Andreas “Habo" Johansoon (Narnia). O primeiro disco do grupo, batizado apenas com o nome da banda, será lançado dia 7 de abril pela Nuclear Blast.

A banda já divulgou o lyric vídeo de “A Spoonful of Darkness”, onde percebe-se uma pegada bem tradicional e, obviamente, com a onipresente influência de Black Sabbath tão presente na obra de Edling. O baixista falou sobre a canção: “Escrevi ‘A Spoonful of Darkness’ em Miami, em 2014. Eu e minha esposa fomos lá para nos casar, e eu estava deitado na piscina bebendo alguns dinques quando me veio a ideia para uma canção. Os acordes ficaram dando voltas na minha cabeça e me deixando totalmente louco. Quando cheguei em casa, já tinha a música completa na cabeça".


O tracklist conta com oito faixas e o álbum será disponibilizado em CD digipak e LP duplo gatefold com discos nas cores preta, vermelha ou prata.

1. Silent Kingdom
2. Never Machine
3. A Spoonful of Darkness
4. See You Tomorrow
5. The Sceptre
6. Hand of Hell
7. The Silence
8. The God Particle

Com visual ZZ Top, Depeche Mode mostra novo clipe

sexta-feira, fevereiro 10, 2017

O clipe de “Where's the Revolution”, primeiro single do novo álbum do Depeche Mode, traz a banda inglesa em um vídeo com belíssima fotografia em preto e branco, clima que casou muito bem com a canção. 

A curiosidade está no visual mostrado pelos músicos em algumas passagens, com longas barbas e figurinos que fazem alusão a rabinos da religião judaica, mas que também deixaram os caras com um visual bem ZZ Top ;-)

O novo álbum do Depeche Mode tem o título de Spirit e será lançado dia 17 de março:

Slayer, Red Fang, Rob Zombie e Ghost tocarão também em Porto Alegre

sexta-feira, fevereiro 10, 2017

Atrações do Maximum Festival, que rola no dia 13 de maio em São Paulo, também tocarão em Porto Alegre. Na real, Slayer, Red Fang, Rob Zombie e Ghost começarão o seu giro pelo Brasil pela capital gaúcha.

Rob Zombie e Ghost tocam dia 10/05, enquanto Slayer e Red Fang se apresentam dia 11/05. Ambos os shows serão no Pepsi On Stage. Pra você que não conhece Porto Alegre, este local fica literalmente em frente ao Aeroporto Salgado Filho: é descer do avião, atravessar a rua e assistir ao show.

Os ingressos começam a ser vendidos dia 23 de fevereiro, às 10h da manhã, através do Livepass.


Jack Johnson: novo disco, música inédita e documentário sobre a poluição marítima

sexta-feira, fevereiro 10, 2017

Jack Johnson está com novidades. O músico havaiano esteve envolvido na produção e participa do documentário The Smog of the Sea, que mostra o quanto as partículas de plástico danificam os ecossistemas aquáticos. A trilha foi toda composta por Johnson junto com Simon Beins, e traz uma canção inédita chamada “Fragments”.

E tem mais novidades: a parceria com Beins foi bastante frutífera, tanto que a dupla trabalhou no novo álbum de Jack Johnson, ainda sem título e com previsão de lançamento para junho. O último disco de Johnson foi From Here to Now to You, lançado em setembro 2013.

O documentário The Smog of the Sea está no player abaixo, e no final dele a inédita "Fragments":

Farofada de sexta: novos clipes do Steel Panther e do The Pretty Reckless

sexta-feira, fevereiro 10, 2017

Duas novidades pra quem curte o hard rock festeiro e com influência da cena californiana dos anos 1980. O Steel Panther colocou na roda o seu novo clipe, para a faixa “Poontang Boomerang”. A canção faz parte do novo disco do quarteto, Lower the Bar, previsto para sair dia 24 de março. Uma curiosidade: o refrão é similar ao de “Cherry Pie”, do Warrant, ou só nós achamos isso?

Sem perder o clima do hard farofa, temos o novo clipe do The Pretty Reckless. “Oh My God” é uma das canções do último disco da banda norte-americana, Who You Selling For, lançado em 21 de outubro de 2016. Apesar de o grupo ser classificado como metal alternativo e post grunge (?), ecos dos sempre bem-vindos Hanoi Rocks pontuam a faixa, que é bem direta ao ponto.

Assista ambos abaixo:

Metallica chega ao número 1 da Billboard com “Atlas, Rise!”

sexta-feira, fevereiro 10, 2017

“Atlas, Rise!”, single mais recente do Metallica, chegou ao número 1 da parada Mainstream Rock da Billboard. É a nona música da carreira da banda a atingir o topo, empatando com o número do Aerosmith. 

Os primeiros do ranking, com o maior número de números 1 desde que o chart foi instituído, são:

13 Van Halen (entre 1982 e 1998)
12 Three Days Grace (2004-15)
10 Tom Petty & The Heartbreakers (1981-94)
10 Shinedown (2005-16)
9 Aerosmith (1989-2001)
9 Metallica (1996-2017)
8 Linkin Park (2003-14)
8 Nickelback (2001-14)



9 de fev de 2017

Novas bandas: Elder King, Supernós, Cidade Dormitório, Projeto Rivera e Doctor Mars

quinta-feira, fevereiro 09, 2017

Começando com coisa boa, vamos falar do Elder King. O quinteto foi formado em 2016 e faz um hard rock focado no lado norte-americano da força, com influência de grupos como Mötley Crüe, Skid Row e Guns N’ Roses. A cereja do bolo, além dos bons riffs, é a presença da vocalista Bah Poeta.

Assista ao clipe de “This Country is Mine” abaixo, e siga a banda no Facebook.




O Supernós nasceu no final de 2016 em Itapeva e lançou recentemente o seu último single, “Syntonize”. Formada por músicos rodados e que já passaram por bandas como Pink Big Falls e Pet Food Blues, vai na praia do indie rock e se diz influenciada por nomes como Radiohead, Strokes, Arctic Monkeys e David Bowie, além de Clube da Esquina, Gilberto Gil, Arnaldo Antunes e Titãs.

Ouça “Syntonize" no player abaixo, e saiba mais sobre o Supernós em sua página no Facebook.



Já o Cidade Dormitório vem do Sergipe e tem um som interessante, que equilibra influências dos anos 1970 com inspirações indies e alternativas. O primeiro EP dos caras saiu dia 30 de janeiro, e veio acompanhado pelo clipe da música “Setas Azuis”. Gostei do som e acho que tem futuro - e os vocais chapados são a cereja do bolo ;-)

Assista ao clipe abaixo, e curta o Facebook da banda.



O Projeto Rivera vem de Fortaleza e lançará em março o seu segundo disco, com produção assinada por Léo Ramos, do Supercombo. Curti a proposta da banda, um rock com guitarras pesadas e com uma sutil influência regional, com boas linhas vocais e ideias que demonstram que os caras estão no caminho certo.

Assista ao clipe de “Ladrilhar" abaixo, e confira o Facebook da banda.


Fecchando, o Doctor Mars vem de Indaiatuba com um rock que tem uma pegada pop vigorosa, que me pareceu inspirada na surf music (mas posso estar viajando). A banda se diz influenciada por nomes como Queens of the Stone Age, Muse, Red Hot Chili Peppers e Tame Impala, está na ativa desde 2009 e lançará seu novo disco, Antares, no final de fevereiro.

Confira o clipe de “Inerte" abaixo e vai lá dar uma conferida no Facebook dos caras.





Aretha Franklin anuncia novo disco e confirma que se aposentará este ano

quinta-feira, fevereiro 09, 2017

A lendária Aretha Franklin, um dos maiores nomes da história da música, confirmou que se aposentará após o lançamento de seu novo - e último - disco. Ainda sem título, o álbum terá a colaboração de Stevie Wonder e será lançado ainda em 2017.

O último disco de Aretha, intitulado Aretha Franklin Sings the Great Diva Classics, foi lançado em 2014 e trouxe a cantora dando a sua interpretação para canções de nomes como Adele, Gloria Gaynor e Chaka Khan.

A artista passou por inúmeros problemas de saúde na última década. Desde os anos 1970 ela luta contra a obesidade, o que, somado aos seus problemas com álcool e ao consumo de cigarros, gerou problemas sérios ao seu corpo. 

Aretha Louise Franklin nasceu em Detroit e está com 74 anos. Chamada de Rainha do Soul, emplacou 112 singles nas paradas da Billboard, sendo 77 no Hot 100, 17 no Top 10 e 20 em primeiro lugar. Em sua carreira recebeu 18 Grammys, além de ser uma das artistas que mais vendeu discos em todos os tempos, com números estimados em 75 milhões em todo o mundo. Em 1987 foi induzida ao Rock and Roll Hall of Fame, e fez história ao ser a primeira mulher a entrar para o clube. No levantamento da Rolling Stone intitulado 100 Greatest Artists of All Time, Aretha está no número 9. E na lista de 100 Greatest Singers of All Time, também da Rolling Stone, é a dona do número 1.

Entre os seus maiores sucessos estão músicas como “Respect”, “Chain of Fools”, “Think”, “(You Make Me Feel Like) A Natural Woman”, “People Get Ready” e “I Say a Little Prayer”.

Obrigado por tudo, Aretha :-)

Casal boliviano batiza o filho como Iron Maiden

quinta-feira, fevereiro 09, 2017

Um casal boliviano batizou o filho com o nome de Iron Maiden Duran Ruiz. O menino nasceu dia 1 de fevereiro em Santa Cruz de la Sierra. Os pais, Cesar e Carla, pelo jeito são muito fãs da banda inglesa, né não?

Abaixo está a certidão de nascimento do pequeno Iron Maiden, como prova deste fato no mínimo curioso ... e definitivamente estranho!


Dimmu Borgir inicia gravação de novo álbum

quinta-feira, fevereiro 09, 2017

O Dimmu Borgir postou fotos em suas redes sociais comprovando que iniciou as gravações de seu novo disco. A banda está trabalhando no sucessor de Abrahadabra, lançado em 2010. Este é o maior intervalo entre um disco e outro na carreira do agora trio formado por Shagrath, Silenoz e Galder.

Em 2013, os noruegueses haviam anunciado o início das gravações de seu novo disco, mas o processo foi adiado e posteriormente abortado. Agora, a coisa está oficialmente acontecendo. O disco, ainda sem título e produtor anunciados, deve ser lançado no final do ano.

A banda lançará em abril os shows gravados em Oslo e no Wacken entre 2011 e 2012 e que contaram com a participação de uma orquestra. Com o título de Forces of the Northern Night, o material sairá em DVD duplo e chegará às lojas dia 14/04.

Livro contará a história da Noise Records

quinta-feira, fevereiro 09, 2017

Chegará às livrarias dia 24 de março o livro Damn the Machine - The Story of Noise Records, que, como o próprio nome diz, conta a história da lendária gravadora alemã. Escrito pelo jornalista norte-americano David E. Gehlke, o livro será publicado pela Deliberation Press e pela Iron Pages Books e já sai em duas línguas: alemão e inglês. A capa da obra foi criada por Michel “Away” Langevin, baterista do Voivod, e a introdução foi escrita por Hansi Kürsch, vocalista do Blind Guardian.

Com mais de 500 páginas, Damn the Machine conta em detalhes a complicada trajetória da Noise Records, um dos mais importantes selos independentes surgidos na Europa durante a década de 1980, responsável pelo lançamento de discos clássicos de bandas como Hellhammer, Celtic Frost, Coroner, Helloween, Gamma Ray, Grave Digger, Kamelot, Kreator, Rage, Running Wild, Tankard, Skyclad e outros, construindo um catálogo de títulos que ressoa e influencia novos músicos até hoje. Só pra dar um tamanho desse impacto, os dois volumes de Keeper of the Seven Keys do Helloween, responsáveis pelo surgimento do power metal/metal melódico, saíram pela Noise.

São mais de 75 entrevistas com profissionais da gravadora, personalidades da indústria musical, produtores e músicos, além de uma imensa galeria de fotos inéditas, em um livro que faz jus ao legado de uma das gravadoras responsáveis por manter a cena metal europeia sempre forte e influente.

Aos interessados, Damn the Machine - The Story of Noise Records está em pré-venda neste link.



Review: Amaro Freitas - Sangue Negro (2016)

quinta-feira, fevereiro 09, 2017

Rompendo com a toada do lugar comum de tentar traduzir a música popular pelo viés erudito, pianista pernambucano propõe em Sangue Negro, seu disco de estreia, uma inversão de diretrizes, orientando o erudito através do popular

Para se perpetuar, a tradição acaba, repetidas vezes, por assimilar a modernidade, incorporando elementos contemporâneos ao legado histórico da cultura já produzida. O intento é o de promover uma ruptura com os aspectos obsoletos desta, tornando o tradicional coerente e passível de compreensão para as novas gerações. Isto, porém, nunca foi trabalho fácil, ou mesmo frutífero, não importa a esfera, seja na social ou na artística.

Caso icônico é o do desbunde do southern rock nos fins da década de 1960 e início da década de 1970. Um dos mais interessantes fenômenos culturais de sua época, o rock sulista norte-americano surgiu buscando uma interface entre a celebração e o respeito ao tradicional e a assimilação aos avanços progressistas conquistados no âmbito social, lançando fora os ranços do racismo e da homofobia, por exemplo, enquanto que no campo sonoro absorvia, sem preconceito, as inovações musicais vigorosas propostas à época. Nascia então, uma novíssima e exclamativa geração, orgulhosa de sua própria história, mas que mantinha-se crítica quanto aos aspectos vis desta. Uma geração que cultuava o que de glorioso havia em seu passado, enquanto buscava limar seus contornos infames.

No Brasil, o surgimento da bossa nova, o samba "maculado" pelo jazz nos anos 1950 e 1960 e de toda a leva de nordestinos malucos que durante a década de 1970 resgataram a magia e o mistério da música, poesia, estética e folclore nativos, ligando-os diretamente e bem alto no amplificador e filtrando-os no vigor viril do rock, são também modelos mais que notáveis e bem-sucedidos do duro empreendimento que é levar o passado de volta ao futuro.

Tempo presente. Apesar de ser nordestino, meu interesse pela música regional de minha região natal floresceu apenas tardiamente e de maneira quase casual. Explico. Ganhando de surpresa a tarde livre, pus-me a vaguear pelo meu amadíssimo Recife Antigo (bairro da capital pernambucana e principal centro histórico desta). Por ocasião de estar exatamente pelas redondezas da Praça do Arsenal, lembrei-me de um espaço de que muito me haviam falado e cuja localização era precisamente em frente a esta praça: o museu Paço do Frevo, que como o nome dá a indicar, é dedicado à preservação e difusão deste importantíssimo monumento cultural. Fui conhecer o espaço e através de seu rico acervo audiovisual, musical e literário, adquiri um vislumbre muitíssimo mais amplo não apenas no tocante ao frevo, como também a tudo que está relacionado a manifestações culturais populares, música regional e expressões artísticas nativas.

Tive ainda o prazer de naquela tarde da graça assistir a deliciosos números instrumentais de compositores históricos - que vergonhosamente me eram desconhecidos - executados magistralmente por uma galera jovem, cheia de fogo e vontade. Entre estes tais temas instrumentais, dança. As anfitriãs da festa não poderiam ser melhores para a ocasião: a bela saxofonista Mai Taguchi (uma jovem japonesa que após estudar durante um ano o nosso idioma em seu país de origem, veio para Pernambuco conhecer o frevo in loco) e outra flor do Paço - flor de graciosidade e de nome, a beldade pernambucana Maria Flor.

Enquanto a primeira arriscou uns passos numa divertida performance - após apenas 4 horas de aula! -, a divina Flor recifense, que além de grande dançarina é uma talentosa cantora, nos presenteou com uma atuação que deslumbrava por sua intensa carga dramática, cênica e expressionista. Um deleite. Tornei-me frequentador costumaz do ambiente - conforme o tempo me permitia, é claro -, e além de encontrar nas instalações do museu o material de pesquisa necessário para prestar reverência aos mestres, pude também entrar em contato com a música de toda uma turma jovem que mantém a chama da música regional acesa e pulsando frêmita e latentemente através da chamada Hora do Frevo (programa no qual o museu abre espaço para a música instrumental e que ocorre nas sextas-feiras ao meio dia).


Aqui tive o prazer de assistir shows impressionantes de gente incrível como o flautista Fabinho Costa, o sanguíneo e carismático sanfoneiro Johnanthan Malaquias, o vigoroso e preciosista bandolinista Rafael Marques ... e o Amaro Freitas Trio (Amaro Freitas no piano, Jean Elton no baixo acústico e Hugo Medeiros na bateria) no apoteótico show de pré-lançamento do álbum enfocado nesta resenha. De fato, a tal ponto fiquei impressionado com a apresentação dos rapazes, que cheguei inclusive a escrever uma resenha sobre a mesma.

Isso ocorreu em julho do ano passado. Desde então, passaram-se meses, o disco foi lançado, angariando de imediato merecidíssimas avaliações elogiosas dos veículos especializados em cultura, além de lograr premiações como o MIMO de música instrumental em 2016. O trio apresentou-se também no Vivo Open Air - que inclusive contou com Pepeu Gomes em sua grade de atrações.

Chegada, finalmente, minha hora de avaliar este trabalho, sinto-me obrigado a começar com um breve olhar sobre a persona musical de Amaro Freitas, que é sem dúvida alguma, um dos expoentes da nova safra de grandes talentos da música brasileira. Amaro conecta dimensões. Músico de formação erudita (estudou piano no Conservatório Pernambucano), o olindense é dotado de sanguínea verve musical essencialmente tribal, sendo também possuidor de raro senso melódico. Como poderia haver convergência entre dimensões tão disparatadas mostra-se um assunto capaz de render muita deliberação.

Uma questão desafiadora. A tal verve musical essencialmente tribal é nobre herança africana da qual muitos usufruíram, porém poucos souberam fazer uso. Acontece que é energia pura, rústica, vibrante, selvagem mesmo, sendo portanto difícil de canalizar. Dentre os que obtiveram sucesso nisto, basta mencionar James Brown, Jorge Ben, Miles Davis e Herbie Hancock para que se possa ter uma ideia do imbróglio. Em intersecção com estes, Amaro possui o centralizador do método, da organização racional e teórica e conhecimento intelectual, como também o talento de conseguir pesar os dois de maneira que este não aja como um agente pasteurizador em relação ao outro, minando sua intrínseca chama latente. 


O senso melódico, que advém do ideal disciplinado em busca da perfeição estética da canção, é um outro elemento que ocorre num sentido instintivo, mas que devido às circunstâncias que necessita para existir, nem sempre anda junto com o ímpeto do tribal. Uma vez que tudo clica na persona do músico, temos diante de nós um espécime tão raro quanto excêntrico.

Sorte que soube aproveitar seus talentos optando pelo nobre caminho dos criadores, não emulando o que já foi produzido (lugar comum no mainstream da música brasileira), mas fazendo uso das referências para engendrar algo novo, fresco. 

O pensamento que por fim nos acompanha durante toda a audição do trabalho é o de que bem no momento em que havíamos achado que a surreal novela da música relevante e com potencial para a eternidade produzida no Brasil tinha terminado, de surpresa, surge Amaro para escrever seu capítulo. E ele não é o único. Há uma revolução sorrateira acontecendo bem debaixo dos nossos narizes, amigos! 

Sangue Negro divide-se basicamente em dois blocos distintos. No primeiro destes, o trio atém-se a fornecer novo fôlego a usuais formas sonoras.

A produção exemplar, que ficou a cargo do renomado pianista e arranjador Rafael Vernet - que já trabalhou com gente como Chico Buarque, Hermeto Pascoal, Roberto Menescal e Zé Renato -, chega a flertar com o  minimalismo, tamanha a sua clareza mercurial, e conseguiu a proeza de pôr em evidência de maneira equânime cada um dos componentes da enxuta estrutura: o singular baixo pulsante, a exímia bateria esgueira e o piano exuberante e excêntrico de Amaro.

Tudo isto encontra lugar logo no começo, com a catarse que ocorre em "Encruzilhada", a primeira faixa do trabalho, onde referências, citações e alusões são fragmentadas e remodeladas formando assim ecos que ressoam com familiaridade em torno da desconcertante independência de espírito do trio.

Apesar de familiar, trata-se de um caso curioso: o trio filtra o jazz pelo frevo, sendo que usualmente a maioria persegue a direção oposta, tentando traduzir a música popular através do viés erudito. Aqui há basicamente a apropriação da estrutura jazzística pelo popular, quase um desmembramento da arquitetura sonora erudita com o frevo tomando as rédeas, o que configura um exercício de bem-vinda petulância - o também pernambucano quarteto Arranha Céu é outra proeminência a atuar nesta via sonora, só que há uma diferença fundamental na abordagem: enquanto a apropriação de Amaro é pautada pelo domínio, o Arranha Céu atua num sentido quase humorístico, obtendo um resultado tão irrepreensível quanto o de seu par.

"Norte", a faixa seguinte, mais parece uma reflexão musicada, sendo dona de beleza rara, esteta em sua arquitetura perfeita e de sensível apelo singelo, quase palpável. O rico senso do belo é também a essência de "Subindo o Morro", linda, lindíssima composição que traduz com comovente perfeição uma paisagem familiar a qualquer pernambucano: o passo lento ao subir as ladeiras da poética e vibrante Olinda num dia qualquer ou mais especialmente em um crepúsculo de carnaval, com o mar lá em baixo, que tanta coisa expressa no movimento brando de suas águas formando um relevo que quase lembra uma superfície encarpada. "Subindo o Morro" soa como a melhor canção que Tom Jobim teria composto caso tivesse tido Herbie Hancock como uma de suas influências decisivas.

"Samba de César" vem em seguida, e traça desconcertante ponte entre a sonoridade desenvolvida por artistas de selos independentes de jazz dos anos 1970, como a Black Jazz Records, Nimbus Records e Strata Records, e o samba, no momento que juntamente a "Norte", constitui a fração mais pop do registro.

Respeitando o sábio ditado de que o melhor fica para o final, temos agora o segundo bloco do álbum, que inicia-se com "Estudo 0", que bem pode ser considerado o primeiro ápice antes do clímax final, a derradeira faixa do registro, subsequente a esta e canção que dá nome ao disco, a descomunal "Sangue Negro”.

"Estudo 0", composição do baterista Hugo Medeiros, é um número imponente, elegante, e certamente o momento de apelo mais amplamente universal do trabalho. Deslumbrante, o tema conta com as intervenções de muito bom gosto dos mais que especialíssimos convidados Fabinho Costa (trompete) e Eliudo Souza (Saxofone), encontrando seu remate num decisivo final suspenso.

Temos por fim, a faixa título que é a culminância da persona sonora da músico.
Um singular free-jazz de envolvente atmosfera soturna, como uma noite com lua minguante e céu meio nublado. Desafiadora, a canção ascende à apoteose com os arroubos apoteóticos oriundos da convergência entre um bebop de compasso esquizofrênico e o maracatu. Misteriosa e sugestiva, "Sangue Negro" assim como "Estudo 0", já nasceu clássica, conseguindo uma proeza que eu pessoalmente pensava ser irrealizável: a versão aqui presente consegue ser superior à apoteótica versão apresentada no show de pré-lançamento do álbum, vivamente preservada em minha memória desde aquela memorável tarde. As participações de Fabinho Costa e Eliudo Souza contribuem decisivamente para o engendrar desta epifania sonora, acentuando os climas e enriquecendo as texturas. 

Encerra-se então esta inesquecível transa com um delicioso orgasmo duplo. Só existe um porém que abala a perfeição deste registro, que é a ausência de "Composição Para Gaveta N°5", esplêndido comboio sonoro de autoria de Hugo, apresentado no show de pré-lançamento. Ademais, uma observação válida é de que por mais que este álbum seja impecável, a verdadeira extensão do poderio sonoro do grupo, com todo o seu sangue e suor, só pode ser desfrutado inteiramente numa experiência ao vivo.

Ao término da audição deste incendiário disco, ficamos com a certeza de termos experimentado o fruto de um exercício de quase radicalismo. O fato é que em Sangue Negro Amaro oferece um ponto de vista particular sobre música, que não muita relação possui com o trabalho de seus pares contemporâneos ou mesmo com a obra de mestres reverenciados. Sangue Negro é Amaro Freitas se mostrando ao mundo, e o primeiro passo de um longo caminho que ainda tem à frente.

Encerro enfim esta matéria usando a fração final da resenha que escrevi de seu memorável show (for sentimental reasons, como diria Sam Cooke): o que encanta no final é a consciência de se ter presenciado um artista que, lidando com um mix de gêneros com tradições definidas e consolidadas, as respeita ao passo que não se furta de buscar um caminho novo, um caminho seu.

Amaro Freitas e crew não são apenas músicos talentosos: são agora uma esperança.

Por Artur Barros

Review: Stream of Passion - Memento (2016)

quinta-feira, fevereiro 09, 2017

Formado em 2005 pelo virtuoso guitarrista Arjen Anthony Lucassen (Ayreon, The Gentle Storm), o grupo holandês Stream of Passion lançou naquele ano o seu álbum de estreia, Embrace the Storm, trazendo todas as melodias compostas por Lucassen e as letras de uma soprano mexicana de linda beleza e voz, chamada Marcela Bovio.

De lá pra cá o sexteto se modificou. O próprio Lucassen deixou o grupo, indo se dedicar com maior afinco ao seu projeto de metal progressivo, o Ayreon. Todavia, e felizmente, Marcela ficou e nunca sairia até o fim da banda, anunciado em abril do ano passado via Facebook.

Mas faltava um ato final, um gran finale, um epílogo para fechar o legado. Ele veio com um show irretocável (ou quase), em Amstelveen, Holanda, no mês de setembro passado, registrado e lançado em um CD/DVD intitulado Memento, que chegou em dezembro último.

Disse quase irretocável apenas por lamentar as ausências de três excelentes canções: "Passion", (do álbum de estreia supracitado), "Run Away" e "Games We Play” (ambas do disco seguinte, The Flame Within, de 2009). Excetuando-se tal observação, o registro é de se tirar o chapéu, com toda a congratulação. Todas as outras grandes canções do grupo estão presentes, com direito a duas na língua espanhola - idioma pátrio da frontwoman Marcela Bovio , "Nostalgia" e "Delírio", músicas lindas para se apreciar com máxima atenção e concentração.

O espanhol também pode ser ouvido em diversos outros momentos da apresentação, tais como o prólogo que Marcela faz ao iniciar a execução de "Lost", uma das melhores composições do Stream of Passion, senão a melhor.

A apresentação ainda trouxe dois ótimos covers: "Street Spirit", sucesso do Radiohead, em excepcional versão metal sinfônica, e "I Have a Right", do grupo Sonata Arctica. Vale destacar a ótima performance dos músicos, sobretudo o baterista Martijn Peters e da dupla de guitarristas Eric Hazebroek e Stephan Schultz.

A prima donna ruiva Marcela Bovio é um capítulo inteiro à parte. Cantora de mão cheia tanto para os timbres lascivos e agressivos do rock bem como para a maciez lírica do canto clássico (e ainda toca violino), sem contar o carisma, simpatia e sua aura latina que facilita - e muito - o seu lidar com o público.

A banda navegou seu gothic e symphonic metal progressivo por toda a apresentação num clima de absoluto fervor e uma atmosfera intensa, contudo pairando a angustiante sensação de perda, aquele clima de que tudo se esvairá e chegará ao fim, ou seja, um conceito tematizado pela própria banda em boa parte de suas obras. Tudo soou perfeito.

Vale a pena ver, ouvir e ter na coleção.



Lady Gaga conta como surgiu a ideia de tocar com o Metallica

quinta-feira, fevereiro 09, 2017

Em entrevista para a Apple Music, Lady Gaga contou como surgiu a ideia da parceria com o Metallica. A cantora tocará com a banda neste domingo, durante a cerimônia do Grammy. 

A ideia para a parceria apareceu quando estávamos na casa de Bradley (Cooper, ator) com Lars. Tenho que falar uma coisa: fui assistir o Metallica ao vivo. Quero dizer, já vi a banda muitas vezes, mas assisti eles ao vivo recentemente e esses caras estão tocando melhor do que nunca. A banda está soando incrível!”.

O Grammy 2017 acontece neste domingo, dia 12/02, e será transmitido ao vivo para o Brasil pela TNT.


Angus Young deve tocar com Guns N’ Roses na Austrália

quinta-feira, fevereiro 09, 2017

O Guns N’ Roses fará dois shows em Sydney nesta sexta e sábado, 10 e 11 de fevereiro. E o rumor que circula é que Angus Young, guitarrista do AC/DC, deve fazer uma participação especial nos concertos.

Vale lembrar que Axl Rose substituiu Brian Johnson no AC/DC após os problemas de audição do vocalista inglês, o que contribui muito para a efetivação de uma possível presença de Angus nos shows do Guns em solo australiano. Além disso, Duff McKagan já tuitou informando que Angus encontrou toda a banda em sua chegada à Austrália. E Fernando Lebeis, integrante da equipe do Guns, postou uma foto com um arranjo de flores enviado por Angus e sua esposa Ellen desejando um “Welcome to Sydney!’ para o GNR. 

Angus Young subiu ao palco recentemente com o Guns N’ Roses durante o show da banda norte-americana no Coachella, e tocou “Riff Raff” e “Whole Lotta Rosie” com Axl e companhia.


8 de fev de 2017

Grammy terá tributos a Prince e George Michael

quarta-feira, fevereiro 08, 2017

A edição 2017 do Grammy acontece neste domingo, dia 12/02 - a TNT transmitirá ao vivo, fique de olho -, e trará um atrativo a mais pra quem gosta de música. A produção do evento informou que a cerimômia contará com tributos a Prince e George Michael, dois dos maiores ícones da música pop e que faleceram recentemente.

Não foram dados maiores detalhes sobre quais artistas participarão destes tributos, qual o formato da homenagem e quais músicas serão tocadas, no entanto se sabe que John Legend está escalado para um segmento In Memoriam presente na programação.

Blondie e Garbage anunciam turnê conjunta

quarta-feira, fevereiro 08, 2017

O Blondie e o Garbage farão uma turnê conjunta nos próximos meses. O giro terá 20 shows pelos Estados Unidos nos meses de julho e agosto, com abertura de John Doe & Exene Cervenka nos primeiros dez, e do Deap Vally nos últimos dez concertos.

O foco do Blondie será o novo álbum da banda, Pollinator, que será lançado dia 5 de maio e traz colaborações de nomes como Johnny Marr (The Smiths), Nick Valensi (The Strokes), Sia e Charlie XCX. Já o Garbage deve apresentar um show semelhante ao que passou recentemente pelo Brasil. 

Abaixo estão todas as datas da Rage and Rupture Tour:

July 5 - Saratoga, CA @ The Mountain Winery
July 7 - Santa Barbara, CA @ Santa Barbara Bowl
July 8 - Las Vegas NV @ The Pearl Concert Theater
July 12 - Troutdale, OR @ Edgefield
July 14 - Nampa, ID @ Idaho Center Amphitheatre
July 16 - Englewood, CO @ Fiddler's Green Amphitheatre
July 18 - Kansas City, MO @ Kauffman Center for the Performing Arts
July 19 - Council Bluffs, IA @ Harrah's Council Bluffs Hotel & Casino
July 21 - Prior Lake, MN @ Mystic Lake Casino-Mystic Showroom
July 22 - Highland Park, IL @ Ravinia Festival
July 25 - Lewiston, NY @ Artpark
July 26 - Toronto, ON @ Sony Centre For Performing Arts
July 28 - Red Bank, NJ @ Count Basie Theatre
July 29 - Bethel, NY @ Bethel Woods Center for the Arts
July 30 - Boston, MA @ Blue Hills Bank Pavilion
August 1 - New York, NY @ Beacon Theatre
August 2 - Philadelphia, PA @ Mann Center for the Performing Arts
August 5 - Raleigh, NC @ The Red Hat Amphitheater
August 8 - Hollywood, FL @ Seminole Hard Rock Live Arena
August 9 - Orlando, FL @ Hard Rock Live
August 11 - Austin, TX @ ACL Live
August 12 - Dallas, TX @ Southside Ballroom 

Gravaram uma versão metal para “Stayin' Alive” dos Bee Gees, e ficou demais

quarta-feira, fevereiro 08, 2017

Natural de Nova York, o Tragedy é uma banda de metal que faz tributo aos Bee Gees "e além" (como os próprios caras se apresentam). O quinteto gravou uma versão para a clássica “Stayin' Alive”, uma das canções do filme Os Embalos de Sábado à Noite, e o resultado ficou demais.

O clipe traz inúmeras referências ao filme, e é divertidíssimo. E a releitura para uma das canções mais famosas dos Bee Gees ficou incrível, sem exageros.

Diversão explícita abaixo:

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