24 de jun de 2017

Spotify anuncia mudanças que afetam diretamente os usuários gratuitos da plataforma

sábado, junho 24, 2017

O Spotify começou a implementar diversas mudanças no serviço prestado aos usuários gratuitos do app. Em alguns aspectos, as novidades aproximam perigosamente o Spotify de uma estratégia usada aos montes na era de ouro das rádios: a payola - que, traduzindo em bom português, é o velho jabá. Ou seja: as gravadoras pagam um valor e tal música toca sem parar e em maior quantidade que as outras, mesmo o usuário não querendo ouvir tal canção.

A primeira das iniciativas é a permissão para que as gravadoras tenham a permissão de inserir faixas específicas, aquelas que desejam promover, no meio de playlists oferecidas pela própria plataforma. Ou seja: se a playlist foi criada pelo próprio Spotify ela passará a ter faixas patrocinadas pelas gravadoras, promovendo determinadas músicas separadamente, opção que não existia até então.

Outro ponto é que os usuários gratuitos do serviço passarão a ter acesso a determinados lançamentos apenas duas semanas após os usuários premium. Isso quer dizer que os discos mais esperado pelos ouvintes só poderão ser ouvidos por quem não paga pelo app 14 dias depois de serem lançados oficialmente.

Uma boa novidade anunciada pelo app é a possibilidade de se criar playlists colaborativas através do Messenger do Facebook. Quando estiver conversando com seus amigos, basta utilizar a Group Playlist for Messenger.

O Spotify tem passado por problemas financeiros nos últimos meses, e essas são apenas algumas das ideias que estão sendo colocadas em prática para tentar reverter esse quadro.

Discoteca Básica Bizz #076: The Temptations - Anthology: The Temptations [1964-73] (1973)

sábado, junho 24, 2017

Mais de um leitor já escreveu reclamando do excesso de coletâneas nesta seção da revista. Ora, assim como existem LPs básicos, há uma quantidade infinitamente superior de singles abençoados. O velho e bom compacto simples é o veículo pop por excelência. E os grandes artesãos do gênero tem de ser caçados em antologias.


Os Temptations são um caso extremo e seus melhores momentos só caberiam mesmo num disco triplo como este. Não surpreende que, em pesquisa feita este ano pela revista Entertainment Weekly, o grupo tenha sido eleito o quinto melhor de todos os tempos - atrás apenas de Beatles, Stones, Beach Boys e Led Zeppelin. Obviamente, são eles os Beatles da população negra dos EUA.

Não é só a quantidade de hits clássicos que torna um disco pequeno para estes monstros do soul. Existem pelo menos dois diferentes sons sob a marca registrada Temptations. Um é doce, enxuto, aerodinâmico e mortalmente romântico - forjado entre 1963 e 1966, quando 99% do material era composto e produzido pelo laureado poeta (e vice-presidente da Motown) William "Smokey" Robinson. "My Girl" diz tudo.


O outro é áspero e explora as possibilidades de um estúdio com megalomania maior que a de Phil Spector - é a fase 1967-1972, sob o comando de Norman Whitfield. Culmina com a inesquecível introdução em cinemascope de "Papa Was a Rolling Stone". Os puristas preferem, claro, a era Smokey, mas (1) os puristas são sempre um saco; (2) em Whitfield, sob influência de Curtis Mayfield e Sly Stone, estão os embriões de toda a transição soul/disco do início dos anos 1970: Isaac Hayes, Barry White, Gamble & Huff.



Essa simples divisão funcionaria perfeitamente, não fosse bagunçada pelas mudanças na formação do quinteto. Inicialmente batizados de Primes, se anunciavam como o único grupo vocal com cinco solistas: os fundadores Eddie Kendricks (tenor) e Paul Williams (barítono), mais Otis Williams (barítono/segundo tenor), Melvin Franklin (baixo) e Eldridge Bryant (barítono). Com essa formação gravaram quatro compactos - os dois últimos já pela Motown.


Os passos decisivos vieram com a entrada da David Ruffin no lugar de Bryant e a entrega do grupo aos cuidados de Smokey Robinson. Lançado em janeiro de 1964, "The Way You Do the Things You Do" - o terceiro compacto com Ruffin - chegou ao 11° posto do Hot #100
 dando os arremates finais na fórmula mágica. Piano e palmas reforçando o bumbo, leveza e alegria na melodia e letra típicas de Smokey, a cama macia dos vocais para o célebre falsete de Eddie Kendricks planar até o Olimpo.


Como em toda a era de ouro da Motown, nunca é demais enfatizar a genialidade de sua banda cativa, os Funk Brothers. Earl Van Dyke (piano), Marv Taplin e Robert White (guitarras), Benny Benjamin (bateria) e James Jamerson (reconhecido hoje como o inventor da "linha de baixo") tinham uma sólida formação jazzística que jamais transparecia: só importavam os ganchos rítmicos e melódicos, em canções que pareciam compostas exclusivamente de refrãos. Isto, claro, até Norman Whitfield subverter completamente o "som Motown", já com a segunda geração dos Funk Bros, marcada pela guitarra de Melvin Ragin, mais conhecido como Wah-Wah Watson.

Outro ingrediente essencial era a voz rouca de David Ruffin, um dos grandes cantores soul. Logo após seu maior momento com o grupo, "Just My Imagination" (1971), saiu e se deu bem, principalmente com o megahit "Keep On Truckin´". Mas a linha de montagem da Motown era mais sólida. Damon Harris cantava igualzinho a Kendricks, assim como Dennis Edwards substituíra Ruffin à altura, em 1968. Os Temptations só perderam a graça quando Whitfield perdeu o interesse pelo grupo.


Faixas:
A1. The Way You Do the Things You Do - 2:37
A2. I'll Be in Trouble  2:52
A3. The Girl's Alright with Me - 2:49
A4. Girl (Why You Wanna Make Me Blue) - 2:10
A5. My Girl - 2:55
A6. It's Growing - 2:57
A7. Since I Lost My Baby - 2:49

B1. My Baby - 2:57
B2. Don't Look Back - 2:53
B3. Get Ready - 2:37
B4. Ain't Too Proud to Beg - 2:32
B5. Beauty Is Only Skin Deep - 2:21
B6. (I Know) I'm Losing You - 2:26
B7. All I Need - 2:59

C1. You're My Everything - 2:59
C2. (Loneliness Made Me Realize) It's You That I Need - 2:36
C3. I Wish It Would Rain - 2:51
C4. I Truly, Truly Believe - 2:43
C5. I Could Never Love Another (After Loving You) - 3:15
C6. Please Return Your Love to Me - 2:21
C7. Cloud Nine - 3:15

D1. Runaway Child, Running Wild - 4:30
D2. Don't Let the Joneses Get You Down - 4:15
D3. I Can't Get Next to Your - 2:53
D4. Psychedelic Shack - 3:53
D5. Ball of Confusion (That's What the World Is Today) - 4:04

E1. Funky Music Sho' Nuff Turns Me On - 2:57
E2. I Ain't Got Nothing - 3:30
E3. Ol' Man River - 4:24
E4. Try to Remember - 3:02
E5. The Impossible Dream - 5:31
E6. I'm Gonna Make You Love Me - 2:40

F1. Just My Imagination (Running Away With Me) - 3:39
F2. Superstar (Remember How You Got Where You Are?) - 2:52
F3. Mother Nature - 2:59
F4. Love Woke Me up This Morning - 2:38
F5. Papa Was a Rollin' Stone - 6:58

Texto escrito por José Augusto Lemos e publicado na Bizz #076, de novembro de 1991

Muddy Waters e o clássico At Newport 1960

sábado, junho 24, 2017

W.C. Handy, Son House, Bessie Smith, Robert Johnson, B.B. King, T-Bone Walker, Little Walker, John Lee Hooker, Elmore James, Willie Dixon, Howlin’ Wolf, Freddie King, Charlie Patton, Leadbelly, Big Bill Broonzy, Skip James, os dois Sonny Boy Williamson, Lightnin’ Hopkins, Albert King, Mississippi John Jurt, Big Mama Thornton, Albert Collins, Buddy Guy, Stevie Ray Vaughan, Pinetop Smith, Hound Dog Taylor, Johnny Winter, Slim Harpo, Etta James, Memphis Slim, John Mayall, Eric Clapton, Koko Taylor, Charles Musselwhite. A lista de grandes nomes do blues é infinita, e um dos maiores, sem dúvida, é Muddy Waters.

McKinley Morganfield nasceu em 4 de abril de 1915 no minúsculo condado de Issaquena, no Delta do Mississippi (para vocês terem uma ideia, em 2010 o local tinha apenas 1.406 habitantes, então imaginem como era no início do século XX) e faleceu em 30 de abril de 1983, aos 68 anos, na cidade de Westmont, no Illinois. Durante a sua vida colocou o blues em um novo patamar, com discos que estão entre os maiores clássicos e os trabalhos mais importantes da história do gênero. 

Considerado o pai do blues de Chicago e do blues elétrico, Muddy Waters mudou-se para a cidade em 1940. Porém, a sua primeira aventura em durou apenas um ano, tempo em que tocou com Silas Green. Muddy retornou em 1943 com o objetivo de se tornar um músico profissional. Nessa época, o lendário Big Bill Broonzy deu uma grande ajuda para Waters, colocando o amigo para abrir os seus shows. A coisa mudou de figura em 1945, quando Muddy ganhou de seu tio Joe Grant um presente que mudaria a sua vida, e também o blues: a sua primeira guitarra elétrica.


Descobrindo as possibilidades do instrumento, fez várias gravações eentre 1946 e 1947, tornando o seu nome conhecido na região. Foi assim que os irmãos Leonard e Phil Chess chegaram até Muddy e o levaram para a Aristocrat Records, onde gravou as faixas “Gypsy Woman” e “Little Anna Mae” acompanhado pelo piano de Sunnyland Smith. 

O sucesso chegou em 1948, quando “I Can’t Be Satisfied” e “I Feel Like Going Home” se transformaram em hits nos clubes de negros da cidade. Na mesma época, a Aristocrat mudou o seu nome para Chess Records, com Muddy Waters sendo um dos principais nomes da gravadora. Para conhecer mais sobre a trajetória de Muddy na Chess, recomendo o filme Cadillac Records, que conta a história da companhia, e o imperdível box The Chess Box, lançado em 1985 com grande parte das gravações que Waters fez para o selo.

Principal inspiração para o surgimento do blues britânico durante a década de 1960, Muddy era idolatrado por nomes como John Mayal, Eric Clapton e os Rolling Stones. E com razão: suas músicas transpiravam sensualidade, eram cruas, na cara, brutas, ríspidas e violentas como o verdadeiro blues deve ser.




Falar da discografia de Muddy Waters é complicado. Como todo artista que produziu naqueles primeiros anos da indústria fonográfica, ele tem diversos registros espalhados em compactos, compilações e participações em discos dos mais variados músicos. Entretanto, alguns álbuns de Muddy Waters são presença obrigatória em qualquer coleção de blues que se preze. Anote aí quais você deve ter: Folk Singer (1964), Down on Stovall’s Plantation (1966), Electric Mud (1968), After the Rain (1969), Fathers and Sons (1969), They Call Me Muddy Waters (1970), Live at Mr. Kelly’s (1971), Hard Again (1977), I’m Ready (1978), Muddy “Mississippi” Waters Live (1979) e King Bee (1981. Além destes, lançados enquanto o músico ainda era vivo, há dezenas de compilações e ao vivos no mercado, retratando toda a sua carreira.

Porém, se eu tivesse que optar por apenas um disco, ele seria o seminal Muddy Waters at Newport 1960 (1960). O álbum contém a lendária apresentação do bluesman no Newport Jazz Festival no dia 3 de julho daquele ano. Ao lado de Muddy estavam o pianista Otis Spann, o guitarrista Pat Hare, a harmônica de James Cotton, o baixista Andrew Stevens e o baterista Francis Clay. O LP tem oito faixas retiradas do show, e chegou às lojas norte-americanas em 15 de novembro de 1960. 

At Newport foi aclamado pela crítica e, surpreendentemente, foi também um grande sucesso de público, tornando-se fundamental para a popularização do blues entre os brancos norte-americanos, país onde a segregação e o preconceito racial foram a ordem do dia até a década de 1970.





Muddy Waters subiu ao palco do festival às cinco da tarde. O bluesman vestia um elegante terno preto, enquanto o restante da banda usava roupas brancas. O sexteto atacou furiosamente seus instrumentos e entregou ao público uma das mais emblemáticas performances da história do blues. Estão no disco versões históricas para clássicos como “(I’m Your) Hoochie Coochie Man”, “Baby, Please Don’t Go”, “I Got My Brand On You” e “Got My Mojo Working”. Se você quer entender o que é o blues, recomendo que ouça At Newport ao menos uma vez na vida. Para os colecionadores, uma dica: em 2001 foi lançada uma versão remasterizada com quatro faixas adicionais gravadas em Chicago em 1960.

A capa de At Newport tem uma curiosidade interessante. Muddy Waters tocou o show acompanhado por sua Fender Telecaster, porém a imagem mostra Muddy com uma guitarra semi-acústica. Quando o fotógrafo Burt Goldblatt foi fotografar Waters, o bluesman optou por pegar emprestada a guitarra semi-acústica de seu amigo John Lee Hooker, imortalizada na capa do LP.

At Newport 1960 é um dos discos mais importantes da história da música e item fundamental em uma boa coleção. O álbum é presença certa em diversas listas de melhores de todos os tempos como 1001 Discos Para Ouvir Antes de Morrer, 101 Albums That Changed Popular Music, The 500 Greatest Albums of All Time da Rolling Stone (onde ocupa a posição 348), 100 Essential Albums of the 20th Century e The Rough Guide to Blues.


Se você é um apreciador de blues, certamente já possui At Newport em seu acervo. Se é apenas um simpatizante do estilo, tenho certeza de que já ouviu o disco - isso se não o tiver em sua casa. Mas, se você quer dar os seus primeiros passos no gênero que é um dos pais do rock, recomendo uma audição aguçada de At Newport 1960. Ouvir as faixas do disco o fará entender porque o blues - e, por extensão, o próprio Muddy Waters - são tão importantes não só para a história da música, mas para a nossa própria cultura como um todo.

Muddy Waters faleceu em 1983, porém o seu legado jamais irá morrer.

Sammy Hagar não fala com Eddie desde 2004, mas acredita na reunião do Van Halen

sábado, junho 24, 2017

Sammy Hagar conversou com a Rolling Stone e fez algumas revelações um tanto quanto surpreendentes.

Sobre a reação com Edward Van Halen: "Não falo com Eddie desde o último show da turnê de 2004. A coisa mais próxima que tivemos de uma conversa foi quando o desejei feliz aniversário através do Twitter, há dois anos. Digitei ´espero que você esteja bem´, e ele respondeu ´tenho certeza de que foi seu agente ou mídia social que fizeram isso, mas com a sua benção´".

Sobre um possível retorno ao Van Halen: "Não conversei com ninguém a respeito disso, mas o meu sonho seria Sam, Dave, Mike, Al e Eddie. Eu tocaria as minhas músicas e Dave as dele. Se isso rolasse, doaria a grana que receberia a alguma instituição beneficente. Adoraria fazer isso pelos fãs e dar a eles o melhor show do Van Halen. Acho que tudo isso pode acontecer em um segundo, é fácil fazer rolar. Tem tanto dinheiro envolvido que alguém ainda vai fazer acontecer. O tempo está passando e estamos ficando meio atrasados sobre essa possível reunião. Estou com 71 anos, e não quero fazer uma reunião com Van Halen quando estiver com 75".

23 de jun de 2017

Fora de catálogo há anos, clássica coletânea de Neil Young ganha relançamento

sexta-feira, junho 23, 2017

Decade, compilação tripla lançada em 1977 cobrindo toda a carreira de Neil Young até então, está ganhando uma nova edição. O disco voltará às lojas este ano, mas a data exata ainda não foi divulgada.

A nova versão será relançada em LP triplo e em CD duplo, com as faixas devidamente remasterizadas. 

A coletânea, que tem uma das capas mais lindas de Neil e é um dos itens mais desejados pelos fãs do músico canadense, estava fora de catálogo há anos e chegou a receber uma limitadíssima edição em LP no Record Store Day de 2017.

Abaixo está o tracklist completo de Decade, que traz também canções de Neil Young com o Buffalo Springfield e Crosby Stiils Nash & Young, além de faixas ao vivo e takes alternativos:

CD 1
1. Down to the Wire
2. Burned
3. Mr. Soul
4. Broken Arrow
5. Expecting to Fly
6. Sugar Mountain
7. I Am a Child
8. The Loner
9. The Old Laughing Lady
10. Cinnamon Girl
11. Down By the River
12. Cowgirl In the Sand
13. I Believe In You
14. After the Gold Rush
15. Southern Man
16. Helpless

CD 2
1. Ohio
2. Soldier
3. Old Man
4. A Man Needs a Maid
5. Harvest
6. Heart of Gold
7. Star of Bethlehem
8. The Needle and the Damage Done
9. Tonight’s the Night (Part 1)
10. Tired Eyes
11. Walk On
12. For the Turnstiles
13. Winterlong
14. Deep Forbidden Lake
15. Like a Hurricane
16. Love Is a Rose
17. Cortez the Killer
18. Campaigner
19. Long May You Run


Liam Gallagher revela detalhes de sua estreia solo

sexta-feira, junho 23, 2017

6 de outubro: esta é a data de lançamento do primeiro álbum solo de Liam Gallagher, As You Were

O disco será disponibilizado em CD, LP e em um box limitado em vinil que irá trazer como extra um compacto de 7 polegadas, livro em capa dura e uma arte de Klaus Voorman, o artista alemão que fez a capa do álbum Revolver, dos Beatles.

Promovendo o álbum, Liam já tem marcada uma turnê pelos Estados Unidos em novembro.

Rob Halford revela os seus dez discos favoritos

sexta-feira, junho 23, 2017

Em papo com a Rolling Stone, Rob Halford revelou quais são os seus dez discos de heavy metal favoritos. 

As escolhas do vocalista do Judas Priest equilibram nomes clássicos com outros mais atuais, e obviamente ele não cita nenhum título de sua banda.

Abaixo o top 10 de Halford - neste link é possível ler o texto original, com comentários do músico sobre cada um dos discos:

1 Black Sabbath - Black Sabbath (1970)
2 Metallica - Kill ‘Em All (1983)
3 KoRn - KoRn (1994)
4 Iron Maiden - Iron Maiden (1980)
5 Slayer - Reign in Blood (1986)
6 Pantera - Cowboys From Hell (1990)
7 Dio - Holy Diver (1983)
8 Emperor - Anthems to the Welkin at Dusk (1997)
9 Slipknot - Slipknot (1999)
10 Motörhead - Ace of Spades (1980)

Review: Iced Earth - Incorruptible (2017)

sexta-feira, junho 23, 2017

Eu acho que o Iced Earth é uma banda que se perdeu. O grupo liderado pelo guitarrista Jon Schaffer trabalhou pra caramba pra subir passo a passo, disco a disco, e no meio desse processo brindou os fãs de heavy metal com obras-primas como The Dark Saga (1996) e Something Wicked This Way Comes (1998), dois dos principais álbuns de metal gravados durante os anos 1990.

No entanto, a saída do vocalista Matt Barlow em 2003 abalou de maneira profunda as estruturas do grupo. O cara voltou em 2007 e deixou a banda em definitivo em 2011, sendo substituído por Stu Block. E lá entre 2003 e 2007 teve o seu posto ocupado pelo operário Tim “Ripper" Owens. Todo esse processo resultou em discos confusos e medianos como a continuação da saga Something Wicked nos desnecessários Framing Armageddon (2007) e The Crucible of Man (2008). E sim, acho The Glorious Burden (2004), gravado com Owens, um baita disco.

Incorruptible, terceiro álbum com Block, foi lançado em 16 de junho. O CD tem dez faixas e foi produzido pelo próprio Jon Schaffer. Além disso, marca a estreia em estúdio do guitarrista Jake Dreyer (Jag Panzer, Kobra and the Lotus) e o retorno do baterista Brent Smedley. O baixista Luke Appleton completa o time.

O que temos aqui é o retomada da boa impressão causada por Dystopia (2011), estreia de Stu Block, e que foi devidamente jogada no lixo com Plagues of Babylon (2014), o decepcionante segundo trabalho gravado com o vocalista. Evidentemente, o Iced Earth não reinventa a roda e não inova em sua sonoridade, mas isso não é algo que precise ser feito em uma banda como essa. O que temos é o power metal contagiante que sempre caracterizou a banda, com ótimos riffs, fortes linhas vocais e refrãos épicos. Sem virar a sua sonoridade do avesso, Schaffer e companhia conseguem entregar um trabalho atraente e que retoma a refrescância da música do Iced Earth, com direito a uma excelente faixa instrumental como a incrível "Ghost Dance (Awaken the Ancestors)".

Incorruptible não é o melhor disco do Iced Earth, mas está muito distante dos piores momentos da banda. Trata-se de um álbum forte e consistente, que demonstra que os norte-americanos ainda tem o que mostrar e possuem combustível e inspiração para manter o seu status como uma das bandas mais tradicionais e relevantes do power metal.

Vale a pena, ainda mais porque o disco terá uma edição nacional pela Hellion Records.

Phil Campbell lança EP ao vivo de sua nova banda

sexta-feira, junho 23, 2017

Phil Campbell, guitarrista do Motörhead, está de banda nova ao lado dos seus filhos. E, para alegria dos órfãos de Lemmy, está também lançando um novo material.

O EP Live at Solothurn traz seis faixa gravadas ao vivo, incluindo versões para “Nothing Up My Sleeve” e “R.A.M.O.N.E.S.” do Motörhead, e para “Sweet Leaf”, do Black Sabbath.

O disquinho já está disponível nos serviços de streaming.

Pra começar o dia: alianças para nerds, o que tem de novo na Netflix e novas HQs da Vertigo

sexta-feira, junho 23, 2017

Um rápido clipping com matérias interessantes que li nos últimos dias e gostaria de compartilhar com vocês. Tem de tudo: comportamento, cultura pop, arte, TV, quadrinhos. Clique nos títulos abaixo e divirta-se!





22 de jun de 2017

Os 20 melhores discos de 2017 até agora, segundo o Ultimate Classic Rock

quinta-feira, junho 22, 2017

Já estamos na metade de 2017, e com a passagem dos seis primeiros meses do ano começam a aparecer as primeiras listas de melhores discos do período. 

O Ultimate Classic Rock, um dos principais sites de rock do mundo, listou os 20 álbuns que considerou os mais consistentes deste ano.

Abaixo, o top de 2017 até o momento segundo o UCR:

20 Mike and the Mechanics - Let Me Fly
19 Night Ranger - Don´t Let Up
18 Mike Nesmith - Infinite Tuesday Autobiographical Riffs
17 Little Steven - Soulfire
16 John Mellencamp - Sad Clowns and Hillbillies
15 Todd Rundgren - White Knight
14 Chris Robinson Brotherhood - Barefoot in the Head
13 Bob Dylan - Triplicate
12 Iggy Pop - Post Pop Depression Live at Royal Albert Hall
11 Deep Purple - Infinite
10 Gov´t Mule - Revolution Come Revolution Go
9 Blondie - Pollinator
8 David Bowie - No Plan
7 Tedeschi Trucks Band - Live From the Fox Oakland
6 Ray Davies - Americana
5 Cheap Trick - We´re All Alright
4 Styx - The Mission
3 Chuck Berry - Chuck
2 Lindsay Buckingham & Christine McVie - Buckingham/McVie
1 Roger Waters - Is This the Life We Really Want?

Review: Mad Monkees - Mad Monkees (2017)

quinta-feira, junho 22, 2017

O Mad Monkees vem de Fortaleza e é uma ótima dica pra quem acha que não existe nada de legal acontecendo no rock brasileiro. Spoiler: sempre existe, e aos montes. E este quarteto é uma dessas novas novidades.

Formado em 2015, o grupo conta com Felipe Cazaux (vocal e guitarra, veterano da cena blues cearense com quase vinte anos de carreira), Capoo Polacco (guitarra), Hamilton de Castro (baixo) e PH Barcellos (bateria). A proposta da banda é fazer um rock direto e centrado nos riffs de guitarra, com influências de stoner e de nomes como Hellacopters, Monster Truck, Black Sabbath (“Deamons and Angels” é um belo tributo aos lendários ingleses), Mountain (olha o cowbell marcando o ritmo em “Love Yourself”) e até umas pitadinhas sutis - mas bem sutis mesmo, tanto que tô achando que não passam de uma viagem minha - de Mastodon.

A estreia auto-intitulada saiu recentemente e vem na sequência do EP liberado em setembro de 2015. Temos dez músicas, todas cantadas em inglês. A produção é de Carlos Eduardo Miranda, o cara que revelou Raimundos, Mundo Livre S/A e mais um monte de gente quando esteve à frente so selo Banguela, criado pelos Titãs nos anos 1990. Participações especiais de Emmily Barreto (do Far From Alaska) em “I Cannot Feel” e de Anderson Kratsch em “Cold Sparkle” abrilhantam ainda mais o material.

O Mad Monkess soa redondo neste disco de estreia, mostrando-se pronto para conquistar novos corações e mentes. Músicas bem desenvolvidas com tudo no lugar, sem exageros e girando sempre em torno dos três minutos reforçam a eficácia do grupo, em um disco que transborda energia em seus 32 minutos de duração.

Tá querendo conhecer uma nova banda brasileira legal pra caramba? Então acabou de encontrar, amiguinho!

Ao Mad Monkees, apenas duas palavras: PARA-BÉNS pelo excelente disco, e que os anos que estão por vir sejam recheados de boas novidades e ótimas canções como essas apresentadas neste debut.



Os 15 discos favoritos de Lars Ulrich

quinta-feira, junho 22, 2017

Lars Ulrich agora tem um programa de rádio chamado It’s Electric na Apple Music Beats 1, e no episódio deste final de semana o baterista do Metallica listou os seus quinze discos favoritos da vida.

Ainda que focada no universo do rock e do metal, a lista traz uma variada gama de sonoridades e estilos, como você pode perceber abaixo.

Estes são os 15 discos favoritos de Lars Ulrich, em ordem alfabética:

AC/DC - Let There Be Rock (1977)
Alice in Chains - Dirt (1992)
Black Sabbath - Sabotage (1975)
Blue Öyster Cult - On Your Feet or On Your Knees (1975)
Deep Purple - Made in Japan (1972)
Diamond Head - Lightning to the Nations (1980)
Guns N’ Roses - Appetite for Destruction (1987)
Iron Maiden - The Number of the Beast (1982)
Judas Priest - Unleashed in the East (1979)
Mercyful Fate - Melissa (1983)
Motörhead - Overkill (1979)
Rage Against the Machine - The Battle of Los Angeles (1999)
System of a Down - Toxicity (2001)
UFO - Strangers in the Night (1979)
Warrior Soul - The Space Age Playboys (1994)

Minha Coleção: conheça o imenso acervo de Gabriel Orlandi, de Florianópolis

quinta-feira, junho 22, 2017

De colecionador pra colecionador, faça uma breve apresentação para os nossos leitores.

Sou Gabriel Orlandi. Tenho 42 anos. Não me vejo muito como colecionador, mas quando olho para meus CDs, filmes, HQs, vinis, pedais de guitarra e guitarras, acho que não tenho muito como negar isso (risos). Gosto muito de jazz e rock progressivo, mas tenho discos de pop, rock, música clássica e outras tranqueiras. 

Quantos discos você tem em sua coleção?

Não sei bem, não costumo contar. Já tive bem mais, mas hoje acho que tenho uns 3 mil CDs, uns 400 vinis, umas 500 HQs, uns 200 DVDs de música e uns 250 filmes.

Quando você começou a colecionar discos?

Não lembro bem em que época comecei a "colecionar" discos. Só queria ouvir novas músicas, aí fui acumulando. Acho que posso dizer que o início mais sério foi quando consegui meu primeiro emprego, em 1999, mas tenho vários discos que comprei antes.



Você lembra qual foi o seu primeiro disco? Ainda o tem em sua coleção?

Sim. No meu aniversário de 8 anos, em 1982, ganhei o Dynasty do Kiss da minha madrinha. Tenho ele até hoje, com dedicatória!! Vale pra mim mais do que o autógrafo dos próprios caras do Kiss! (risos)

Quando caiu a ficha e você percebeu que não era só um ouvinte de música, mas sim um colecionador de discos?

Ainda não caiu essa ficha, mas acho que quando começamos o grupo de ouvintes de música chamado Os Camangas, ou quando tu me convidou para esta entrevista.

Como você organiza a sua coleção? Por ordem alfabética, de gêneros ou usa algum outro critério?

Os CDs estão "quase" em ordem alfabética. Os discos que começam com a letra A estão juntos, os que começam com a letra B também estão juntos e assim sucessivamente, e os discos do mesmo artista estão juntos, mas dentro da letra é um vale tudo danado.



Onde você guarda a sua coleção? Foi preciso construir um móvel exclusivo pra guardar tudo, ou você conseguiu resolver com estantes mesmo?

Guardo meus CDs e LPs na sala, tem que estar próximos do som. As HQs estão em um quartinho específico pra isso. Os CDs e vinis tem um móvel criado pra eles, o resto ainda é uma festa … mas logo vão ter o seu próprio móvel.

Que dica de conservação você dá para quem também coleciona discos?

Muito cuidado com o sol e poeira. Limpeza, carinho, pouco sol e que sejam utilizados. Disco só pra bonito não serve. Tem que ouvir!!!

Você já ouviu tudo que tem? Consegue ouvir os títulos que tem em sua coleção frequentemente?

Já ouvi tudo. Admito que muitos só ouvi uma ou duas vezes, mas fico agoniado enquanto não ouço o que comprei. Consigo ouvir com bastante frequência. 




Qual o seu gênero musical favorito e a sua banda preferida?

Jazz e progressivo. Gosto muito de Coltrane, Miles Davis, Pat Metheny, King Crimson, Yes, Keith Jarrett, Genesis, Frank Zappa  ...vou parar por aqui.

De qual banda você tem mais itens em sua coleção?

Tenho praticamente todos os discos do Miles Davis, do Pat Metheny, tenho todos do King Crimson (inclusive vários boxes limitados), Wynton Marsalis, todos do Yes, muitos do Frank Zappa. Acho que a maior coleção em número de discos é do King Crimson mesmo. Cada box destes tem mais de 20 discos, então acaba sendo a maior.

Quais são os itens mais raros, e também aqueles que você mais gosta, na sua coleção?

Tenho uma caixa, bem recente aliás, do Pink Floyd, que não se vê muito por aqui. Tenho edições japonesas em vinil do Coltrane e alguns discos autografados (Peter Brötzmann, Gonzalo Rubalcaba, Kenny Wollesen, dentre outros). Mas nada impossível de encontrar.




Você é daqueles que precisa ter várias versões do mesmo disco em seu acervo, ou se contenta em completar as discografias das bandas que mais curte?

Não. Gosto de completar a discografia, mas com a melhor cópia que eu possa ter daquela obra. Gosto de ter a última versão remasterizada, ou a cópia japonesa do vinil. Tem disco que eu já comprei umas 8 vezes (Tales from Topographic Oceans do Yes, por exemplo).

Além de discos (CDs, LPs), você possui alguma outra coleção?

Filmes, pedais de guitarra e guitarras.

Em uma época como essa, onde as lojas de discos estão em extinção, como você faz para comprar discos? Ainda frequente alguma loja física ou é tudo pela internet?

Frequento sebos, a Roots Records aqui em Floripa, lojas em São Paulo ou em qualquer outro lugar que eu for viajar - e, obviamente, a internet.




Que loja de discos você indica para os nossos leitores? 

Aqui em Floripa a Roots, o Sebo Elemental e as feiras de discos (principalmente os discos vendidos pelo Paulinho, que é um monstro na busca por preciosidades).

Qual foi o lugar mais estranho em que você já comprou discos?

Estranho?!? Se tá vendendo discos já não é mais estranho, mas costumo comprar discos do Paulinho (meu fornecedor oficial de vinis). Aí vamos até a casa dele e pegamos tudo que dá. Pode ser considerado um lugar bem estranho (risos).

O que as pessoas pensam da sua coleção de discos, já que vivemos um tempo em que o formato físico tem caído em desuso e a música migrou para o formato digital?

Normalmente o pessoal fica bem impressionado, e logo depois vem aqueles comentários: "nossa tu ouve isso tudo?” ou, "o meu pai tinha vários desse bolachões, isso é uma raridade né?".




Você se espelha em alguma outra coleção de discos, ou outro colecionador, para seguir com a sua? Alguém o inspira nessa jornada?

Tem algumas coleções excelentes por aí, a do Zimmer, a do Rudy, e o restante dos Camangas tem vários itens impressionantes, mas sempre busco aquilo que eu acho legal, sem me preocupar com comparações.

Qual o valor cultural, e não apenas financeiro, que você vê em uma coleção de discos?

Tem um valor inestimável. Minha vida está marcada por várias destas obras, e acredito que a minha formação como ser humano está intimamente ligada as minhas opções músicas e culturais em geral. 

Vai chegar uma hora em que você vai dizer "pronto, tenho tudo o que queria e não preciso comprar mais discos", ou isso é uma utopia para um colecionador?

Nunca vai chegar essa hora. Sou um incentivador de coisas novas. Todo dia ouço, leio e vejo coisas fantásticas e que merecem a minha atenção. E enquanto existir gente produzindo arte de qualidade, vou ter interesse em ter acesso a isso.



O que significa ser um colecionador de discos?

Significa dar valor a nossa história, cultivar o maior patrimônio da humanidade que é a sua própria existência! Isso está gravado em todos estes discos, livros e filmes. O melhor do ser humano está aí, e não se pode deixar de dar valor àquilo que nos torna melhores.

Qual o papel da música na sua vida?

São duas coisa indissociáveis. Toco em banda, ouço música e vivo cada sentimento contido nessas obras, de forma que não consigo separar uma coisa da outra.  



Pra fechar: o que você está ouvindo e o que recomenda para os nossos leitores?

Constantemente faço semanas (que acabam sendo duas, três ou quatro semanas), do mesmo artista. Agora estou em uma semana NICK CAVE. Esse cara é um artista genial!! A carreira dele é brilhante e melhora a cada disco. Recomendo muito que ouçam o último disco, que se chama Skeleton Tree, em conjunto com o filme One More Time With Felling, que ele documentou as gravações do disco. É emocionante! Uma destas coisas que me deixa feliz de estar vivo pra poder ter contato com uma obra tão sensacional quanto esta.

Recomendo também que mesmo na tristeza sejam felizes!!!

Obrigado pela oportunidade.

ONLINE

PAGEVIEWS

PESQUISE