25 de ago de 2018

O southern rock interestelar do Cosmic Travelers

sábado, agosto 25, 2018

Submerso no pântano das obscuridades musicais, um disco altamente recomendado é este Live! At The Spring Crater Celebration Diamond Head, do Cosmic Travelers, gravado em Oahu, uma ilha do arquipélago do Havaí. A sonoridade chaparral deste grupo de Los Angeles vai agradar aos fãs de Lynyrd Skynyrd, Black Oak Arkansas, James Gang, Grand Funk Railroad, Cactus, Blue Cheer e combos correlatos do rock setentista.

O show foi realizado em 1° de abril de 1972 durante o festival anual que, curiosamente, reunia bandas para tocar no interior de uma cratera vulcânica (!) chamada Diamond Head – evento aliás, que voltou a ocorrer em 2006 e 2007, mais de trinta anos após a sua última edição, trazendo atrações como Steve Miller Band, War e Earth, Wind & Fire. E foi pensando especialmente em participar do festival havaiano que os viajantes cósmicos se agruparam em 1972, dispostos a emanar suas boas vibrações sonoras. O resultado está registrado nesta gravação, que capta a performance visceral da trupe em sua única apresentação pública.

As artimanhas sônicas giravam em torno do guitarrista Drake Levin (ex- Paul Revere & The Raiders, Brotherhood e Lee Michaels Band), do guitarrista Jimmy McGhee, do baixista e aqui vocalista Joel Christie (ex-Lee Michaels Band) e do baterista Dale Loyola (ex-The Hook) – este último mais conhecido como “Mule”, por desferir golpes pesados em seu instrumento. Um quarteto composto por veteranos músicos de estúdio que, nos intervalos das sessões, maquinaram e ensaiaram um repertório com composições alheias calcadas nas correntes do blues, R&B e do soul.


Destaques para o clássico blueseiro “Farther Up the Road”, de Joe Veasey e Don Robey, e sua levada malandrérrima e altamente pegajosa; para a espirituosa “Move Your Hands”, numa versão matadora do tema jazz funk lançado em 1969 pelo organista norte-americano Lonnie Smith; e para a varada na alma chamada “Soul”, impregnando o espírito de timbres e efeitos guitarrísticos profanos. Para deixar o ambiente mais empoeirado possível, ainda tem cover de Dave Mason (ex-Traffic) na faixa “Look At You Look At Me” em uma chapante jam session de dez minutos.

Faixas poderosamente energéticas onde o guitarrista Jimmy McGhee mostra por que era celebrado como um dos legítimos discípulos de Jimi Hendrix, saturando de efeitos fuzz os seus solos faiscantes e dando ao blues uma credencial psicodélica. Microfonias e imundices sonoras à parte, aposto minhas coleções de Allman Brothers e Grand Funk se esta relíquia não vai fazer a cabeça dos bolhas jurássicos que curtem o bom e velho southern rock ou um hard blues venenoso das antigas.


Esta raridade discográfica, lançada pelo selo Volcano Records (reeditada em 2000 pela Dodo Records) e que vem acompanhada de um pôster com fotos da banda on stage, eu encontrei exposta naquela parede fantástica da finada Nuvem 9, frequentemente recheada com títulos sensacionais. Quem frequentou a loja sabe do que estou falando. A capa “flower and power” lindona é cortesia do ilustrador Jim Evans e reproduz alguns dos símbolos locais, como a flor Hibiscus havaiano e o ganso do Havaí (também conhecido por branta sandvicensis), além de retratar o colorido característico da região e o seu clima tropical.

Uma pena que o grupo só tenha lançado esse material. Uma sequência na efêmera carreira teria sido muito bem-vinda, já que a química e o talento demonstrados pelos rapazes nesse trabalho são evidentes. Um tesouro do rock setentista pouco ou nada conhecido por estas plagas tupiniquins. Portanto, não perca tempo: pegue o seu passaporte cósmico e embarque sem restrições rumo ao planeta dos bons sons. Boa viagem!

Por Marco Antonio Gonçalves, do Sinister Salad Musikal

24 de ago de 2018

Discoteca Básica Bizz #114: Syd Barrett - The Madcap Laughs (1970)

sexta-feira, agosto 24, 2018

Você sabe quem foi o cara que batizou o Pink Floyd? Ao citar o grupo, a maioria das pessoas se lembra de The Dark Side of the Moon, lançado em 1973, notável recordista em permanência na parada da Billboard. O disco ainda vende horrores até hoje.

Mas os fãs radicais - entre os quais eu me incluo - dariam prioridade ao primeiro álbum, The Piper at the Gates of Dawn, gravado em 1967 no mesmo estúdio em que os Beatles estavam concebendo seu Sgt Peppers. Cada banda ia xeretar o que a outra fazia, e era comum fumarem alguns baseados juntos.

No Pink Floyd, quem é que dava as cartas? Syd Barrett, líder do grupo e autor de dois singles clássicos: "Arnold Layne" e "See Emily Play". Precursor do psicodelismo na aurora efervescente da Swinging London, foi um caso curioso: filho caçula de uma família numerosa - mas próspera -, ele cresceu amargando vários traumas. Interessava-se por pintura e por cultos obscuros, porém se apaixonou pelo rock. Foi dos primeiros a se ligar nos Beatles e nos Rolling Stones.

No Pink Floyd, sua carreira foi curta. Em 1968 - quatro anos após ter criado o grupo - foi "demitido". Motivos? Suas atitudes despirocadas, cada vez mais frequentes, consequência óbvia para quem tomava de três a quatro pastilhas de LSD diariamente, excesso vindo dos problemas anteriores de Syd. Uma vez ele disse: "Todo mundo diz que se divertia quando era jovem. Não sei por que, mas eu nunca consegui".


Com tanta piração, a tragédia não tardaria. Ao mesmo tempo em que o Pink Floyd virava sensação no meio underground, Syd parecia não ter mais controle de sua louca opção de vida. Exemplos? No programa da TV britânica Top of the Pops eles iriam dublar uma canção. Enquanto o som do playback rolava, Syd - em farrapos, como um mendigo - nem mexia os lábios para cantar. Em outra ocasião, ao dar uma entrevista ao astro brega Pat Boone na TV americana, ele se limitou a responder às perguntas com seu olhar catatônico, sem pronunciar uma palavra sequer.

Nos shows, era pior. Ora cismava em tocar apenas um acorde a noite inteira, ora parava para afinar sua guitarra durante as músicas. Certa vez subiu ao palco com a cabeça lambuzada com uma mistura de brilhantina e pílulas tranquilizantes esmagadas. Sob o calor dos refletores, a gosma se derretia, dando a impressão que seu rosto se desfazia.

David Gilmour, antigo colega de Syd, foi chamado - a princípio como segundo guitarrista - pelo baixista e vice-líder, Roger Waters. Logo ficou claro que o "louco" não podia continuar. Mas Syd - ao menos - daria a última gargalhada.

Após ter sido afastado da sua banda no início de 1968, o cara pegou mais pesado nas drogas e acabou internado em uma clínica psiquiátrica. Foi quando Gilmour, Waters e outros nomes ligados ao staff do Pink Flovd resolveram bancar o resgate do mentor do grupo com um disco solo.

Gravado em sessões esparsas ao longo de 1969, The Madcap Laughs foi a prova definitiva da alma criativa ímpar de Syd, ainda que em processo de desintegração. Canções como "Terrapin" ou "Octopus" mereceriam estar em qualquer ABC do psicodelismo. Syd soava de forma impressionante em registros só com voz e violão, como no ritmo intrincado de "Dark Globe", nas progressões com acordes inusitados de "Feel" e em "If It's In You”, com início abortado, gaguejadas e desafinações. Sem contar joias raras como "Long Gone" e "Golden Hair”, esta última com versos de James Joyce musicados por Syd.

Depois ele fez apenas mais um disco, mas não importa que tal visionário tenha só essas obras. Já dizia Rimbaud: "sejamos ávaros como o oceano”.

Texto escrito por Celso Pucci e publicado na Bizz #114, de janeiro de 1995

23 de ago de 2018

Ed King, ex-guitarrista do Lynyrd Skynyrd, morre aos 68 anos

quinta-feira, agosto 23, 2018

O guitarrista Ed King, que integrou o Lynyrd Skynyrd entre 1972 e 1975 e retornou entre 1987 e 1996, faleceu hoje, 23/08. Ele tinha 68 anos e enfrentava problemas cardíacos há alguns anos.

Edward C. King nasceu no dia 14 de setembro de 1949 em Glendale, na Califórnia, e sua primeira banda de sucesso foi o Strawberry Alarm Clock, grupo com o qual tocou entre 1967 e 1971 e gravou quatro discos que são considerados joias do rock psicodélico: Incense and Peppermints (1967), Wake Up … It’s Tomorrow (1968), The World in a Sea Shell (1968) e Good Morning Starshine (1969). Com a banda, King conseguiu colocar a música “Incense and Peppermints”, de sua autoria, no primeiro lugar da Billboard.

Ed conheceu os músicos do Lynyrd Skynyrd quando os caras abriram alguns shows do Strawberry Alarm Clock no início de 1968. Ele passaria a integrar a banda em 1972, substituindo o baixista Leon Wilkeson. No entanto, Leon decidiu retornar ao grupo após um breve período fora, e King assumiu então a guitarra, fazendo nascer a icônica formação com três guitarristas que marcaria a carreira do Skynyrd.


Ed King foi fundamental nos três primeiros álbuns do Lynyrd Skynyrd - Pronounced Leh-Nerd Skin-Nerd (1973), Second Helping (1974) e Nuthin' Fancy (1975). Em parceria com Ronnie Van Zant e Gary Rossington compôs “Sweet Home Alabama”, maior sucesso da banda e um dos maiores hinos do southern rock. Além disso, foi co-autor de músicas como “Poison Whiskey”, “Workin’ for MCA”, “Swamp Music”, “Saturday Night Special”, “Railroad Song” e “Whiskey Rock-a-Roller”, entre outras. Ele deixou o Skynyrd em 1975, durante a Torture Tour, e foi substituído por Steve Gaines no ano seguinte. 

O músico retornaria à banda em 1987, na reunião que relembrou o décimo aniversário do acidente que matou o vocalista Ronnie Van Zant, o guitarrista Steve Gaines e a backing vocal Cassie Gaines, em outubro de 1977. Nesse novo momento, participou dos discos Lynyrd Skynyrd 1991 (1991), The Last Rebel (1993) e Endangered Species (1994), sempre contribuindo com novas composições. 

Ao lado do Lynyrd Skynyrd, Ed King foi induzindo ao Rock and Roll Hall of Fame em 2006.


Os crônicos problemas cardíacos levaram a um transplante de coração em 2011 e acabaram causando a sua morte.

A influência de Ed King é imensa, tanto para o rock quanto para o southern rock. Ele foi não menos que fundamental para o Lynyrd Skynyrd e marcou época também na cena psicodélica californiana do final da década de 1960. Sua maneira de tocar influenciou inúmeros músicos, sendo que um dos mais célebres foi Cliff Burton, o falecido baixista do Metallica, que sempre declarou a sua admiração pela técnica de King.

Imagine, clássico de John Lennon, é relançado em edição comemorativa

quinta-feira, agosto 23, 2018

Imagine, segundo álbum solo de John Lennon, está sendo relançado em uma edição especial recheada de extras. Intitulada Imagine: The Ultimate Collection, a nova versão conta com nada mais nada menos do que 6 discos e 140 faixas.

O material traz 4 CDs e 2 Blu-rays, incluindo novas mixagens, versões com áudio 5.1, gravações demo e outros extras como outtakes, raridades e faixas com tracks isoladas. O box vem também com o documentário The Evolution Documentary, uma espécie de montagem de áudio que mostra como cada canção evoluiu desde a sua versão demo até a gravação final que chegou ao público. Um livro acompanha a caixa.

O título também terá versões mais enxutas disponíveis em CD duplo, CD simples, Blu-ray, DVD e LP duplo.


O tracklist completo de Imagine: The Ultimate Collection pode ser conferido abaixo:

CD1
Imagine
Crippled Inside
Jealous Guy
It’s So Hard
I Don’t Wanna Be A Soldier Mama I Don’t Wanna Die
Gimme Some Truth
Oh My Love
How Do You Sleep?
How?
Oh Yoko!
The Singles & Extras
Power To The People
Well… (Baby Please Don’t Go)
God Save Us
Do The Oz
God Save Oz
Happy Xmas (War Is Over)

CD2 - The Ultimate Mixes Disc 2
New Mix in Stereo 16-44.1
Elements Mixes and Album & Single Outtakes

Elements Mixes
Imagine (strings only)
Jealous Guy (piano, bass & drums)
Oh My Love (vocals only)
How? (strings only)

Album outttakes
Imagine (demo)
Imagine (take 1)
Crippled Inside (take 3)
Crippled Inside (take 6 – alt guitar solo)
Jealous Guy (take 9)
It’s So Hard (take 6)
I Don’t Wanna Be A Soldier Mama I Don’t Wanna Die (take 11)
Gimme Some Truth (take 4)
Oh My Love (take 6)
How Do You Sleep? (takes 1 & 2)
How? (take 31)
Oh Yoko! (Bahamas 1969)

Singles outtakes
Power To The People (take 7)
God Save Us (demo)
Do The Oz (take 3)
Happy Xmas (War Is Over) (alt mix) 

CD3 - Raw Studio Mixes
New Mix in Stereo 16-44.1
Extended Album Tracks & Outtakes – Live At Ascot Sound Studios

Extended Album Versions - Live
Imagine (take 10)
Crippled Inside (take 6)
Jealous Guy (take 29)
It’s So Hard (take 11)
I Don’t Wanna Be A Soldier Mama I Don’t Wanna Die
(take 4 – extended)
Gimme Some Truth (take 4 – extended)
Oh My Love (take 20)
How Do You Sleep? (take 11 – extended)
How? (take 40)
Oh Yoko! (take 1 extended)

Outtakes - Live
Imagine (take 1)
Jealous Guy (take 11)
I Don’t Wanna Be A Soldier Mama I Don’t Wanna Die (take 21)
How Do You Sleep? (take 1)
How Do You Sleep? (takes 5 & 6)

CD 4 - The Evolution Documentary
New Mix in Mono 16-44.1
The story of each song on a journey from demo to master via instructions, rehearsals, recordings, multitrack exploration and studio chat

Blu-ray Disc 1 – Imagine - The Ultimate Mixes 
Remixed Stereo Album, Singles, Extras & Outtakes

'Imagine' - The Album

Singles & Extras
Remix in 5.1 & Stereo 24-96
The Outtakes
New Mix in 5.1 & Stereo 24-96
The Quadrasonic Mixes
Remastered in Quad 4.0 24-96
Original 1971 Quadsonic Album Remastered

Blu-ray Disc 2 – In The Studio and Deeper Listening

The Raw Studio Mixes - Extended Album Versions - Live
New Mix in 5.1 & Stereo 24-96
Experience, in immersive Surround Sound, the moment John and The Plastic Ono Band record each song live, from a sonic soundstage at the center of Ascot Sound Studios at John & Yoko’s home in Tittenhurst

The Raw Studio Mixes - Out-takes - Live

The Elements Mixes
From the Master Multitracks
New Mix in 5.1 & Stereo 24-96
Mixes from elements of the original multitracks that demonstrate some of the instrumentations from ‘behind the scenes’

The Evolution Documentary
New Mix in Mono 24-96
The story of the songs from demo to master in rehearsals, studio chat and mixed multitrack elements

Imagine John & Yoko – The Elliot Mintz Interviews
New Mix in Mono 24-96
Tribute by DJ and family friend Elliot Mintz featuring revealing, philosophical, honest and humorous interviews with John & Yoko.

Os 40 melhores discos de black metal de todos os tempos

quinta-feira, agosto 23, 2018

A Louder publicou uma lista com os 40 melhores álbuns de black metal de todos os tempos, dividida em três períodos de tempo distintos: anos 1980, 1990 e 2000. 

O levantamento tem como destaque a profunda influência das bandas sul-americanas no som extremo, bem como a controversa cena norueguesa da década de 1990, marcada por assassinatos e crimes de ódio.


E esses são os 40 melhores discos de black metal da história, segundo a Louder:

Venom - Black Metal (1982)
Hellhammer - Apocalyptic Raids (1984)
Celtic Frost - To Mega Therion (1985)
Sodom - Obsessed by Cruelty (1986)
KAT - Metal and Hell (1986)
Sepultura - Morbid Visions (1986)
Vulcano - Bloody Vengeance (1986)
Sarcófago - I.N.R.I. (1987)
Bathory - Under the Sign of the Black Mark (1987)
Tormentor - Anno Domini (1989)
Blasphemy - Fallen Angel of Doom (1990)
Master’s Hammer - Ritual (1991)
Darkthrone - A Blaze in the Northern Sky (1992)
Samael - Blood Ritual (1992)
Emperor / Enslaved - Emperor / Hordanes Land (1993)
Beherit - Drawing Down the Moon (1993)
Immortal - Pure Holocaust (1993)
Impaled Nazarene - Ugra-Karma (1993)
Mystifier - Göetia (1993)
Mayhem - De Mysteriis Dom Sathanas (1994)
Vlad Tepes / Belkètre - March to the Black Holocaust (1995)
Dissection - Storm of the Light’s Bane (1995)
Burzum - Filosofem (1996)
Mysticum - In the Streams of Inferno (1996)
Rotting Christ - Non Serviam (1994)
Absu - The Sun of Tiphareth (1995)
Ulver - Bergtatt: Et Eeventyr i 5 Capitler (1995)
Satyricon - Nemesis Divina (1996)
Gorgoroth - Antichrist (1996)
Arcturus - La Masquerade Infernale (1997)
Weakling - Dead As Dreams (2000)
Windir - 1184 (2001)
Forgotten Tomb - Springtime Depression (2002)
Watain - Casus Luciferi (2003)
Taake - Hordalands Doedskvad (2005)
Evilfeast - Funeral Sorcery (2005)
Blacklodge - Solarkult (2006)
Negura Bunget - Om (2006)
Marduk - Rom 5:12 (2007)
Deathspell Omega - Fas, Ite, Maledicti, in Ignem Aeternum (2007)




22 de ago de 2018

Slash afirma: Axl está trabalhando em novas músicas do Guns N’ Roses

quarta-feira, agosto 22, 2018

Em entrevista publicada na edição mais recente da revista Classic Rock, Slash confirmou que o Guns N’ Roses está trabalhando em novas músicas.

O guitarrista da cartola declarou o seguinte: “Vamos ver o que acontece. Quer dizer, não tenho perspectivas. Agora que já consertamos os problemas do passado, voltamos e fizemos tudo isso, vamos continuar juntos. Porque todas as besteiras que vivemos e causaram toda a merda que vivemos durante os anos 1990 tiveram muita influência externa. Hoje, tudo nesse aspecto está mais limitado, aprendemos a nos proteger. Estamos nos dando muito bem. Axl está trabalhando em novas músicas e acho que vamos continuar seguindo nessa ótima vibe no futuro. Quero dizer, Axl tem uma tonelada de coisas que ele já gravou, então vamos chegar e começar a entrar nisso tudo. Se fizermos um novo disco e depois mais uma turnê, então eu posso afirmar que esse ciclo tem tudo para seguir em frente e continuar sem parar”.

Slash lançará Living the Dream, o seu terceiro álbum ao lado do vocalista Myles Kennedy e dos The Conspirators, no dia 21 de setembro. 

Em relação ao Guns N’ Roses, o último disco com canções inéditas da banda foi Chinese Democracy, que chegou às lojas no final de novembro de 2008. E essa “tonelada de coisas que Axl já gravou”, salvo engano e seguindo um palpite pessoal, muito provavelmente estão cheias de ideias e trechos de músicas registradas antes de Slash e Duff McKagan voltarem à banda, em 2015. O que deve acontecer é que, após a turnê do lançamento de seu novo disco, Slash vai “começar a entrar nisso tudo”, conhecendo o material inédito e as novas ideias que Axl já tem registradas e, então, junto com Duff, o trio deve dar forma ao tão esperado novo álbum do Guns N’ Roses.

21 de ago de 2018

Discoteca Básica Collectors Room #001: Led Zeppelin - Physical Graffiti (1975)

terça-feira, agosto 21, 2018

A ideia dessa nova seção foi inspirada na Discoteca Básica Bizz, coluna que era publicada sempre na última página da revista Bizz e trazia a análise de um álbum clássico e obrigatório na coleção de quem gosta de música. A premissa é semelhante, porém com o foco naqueles títulos que eu, Ricardo Seelig, julgo importantes e essenciais que qualquer pessoa ouça e conheça. O ponto será em rock e heavy metal, mas isso não quer dizer que não possamos ter algum álbum de outros gêneros presente. Então, vamos começar a Discoteca Básica Collectors Room.

Sempre que alguém me pergunta qual seria o melhor disco de rock de todos os tempos, a resposta é sempre a mesma: Physical Graffiti. E tenho essa convicção desde a primeira vez que ouvi o sexto trabalho do Led Zeppelin. O popular “disco das janelinhas” literalmente abriu várias janelas na minha cabeça e me mostrou que o rock poderia seguir qualquer direção.

Lançado em 24 de fevereiro de 1975, Physical Grafiiti é a prova definitiva da capacidade criativa da banda formada por Jimmy Page, Robert Plant, John Paul Jones e John Bonham. O quarteto transita pelo rock, pelo metal, pelo blues, pelo prog, pelo funk, pelo country, pelo folk e até pela música oriental em suas quinze faixas. O resultado é o álbum mais completo da carreira da banda britânica.


Physical Graffiti nasceu de oito canções registradas no início de 1974 em Headley Grange, casarão localizado em Hampshire e que era utilizado frequentemente pelo Led Zeppelin, sempre amparado pelo estúdio móvel dos Rolling Stones. Foi no hall de entrada da mansão que Jimmy Page posicionou a bateria de John Bonham e registrou “When the Levee Breaks”, música que encerra Led Zeppelin IV (1971). Na sessão de 1974, a banda gravou algumas novas canções, fez algumas improvisações e experimentos e, ao contabilizar o material, percebeu que tinha músicas para encher três lados de um LP. Então, decidiu que o disco seria duplo e resgatou músicas não lançadas mas compostas na época de Led Zeppelin III (1970), IV (1971) e Houses of the Holy (1973). O álbum marcou também o primeiro lançamento do grupo pelo seu próprio selo, o Swan Song Records - curiosidade: o primeiro álbum lançado pelo selo do anjo voador foi a ótima estreia do Bad Company, que saiu em junho de 1974.

Musicalmente, Physical Graffiti está estruturado sobre três grandes tours de force: o pesadíssimo blues “In My Time of Dying”, a viagem ao oriente proporcionada por “Kashmir" e a experimentação unindo prog e música indiana que encontramos em “In the Light”. No meio disso tudo, uma explosão criativa que levou a banda aos mais variados extremos musicais.

O blues rock “Custard Pie” abre os trabalhos mostrando o tradicional refinamento instrumental do quarteto, com um andamento todo quebrado e com o teclado de John Paul Jones em evidência ao lado da guitarra de Page. “The Rover”, composta em 1972 e que quase entrou em Houses of the Holy, vem na sequência e é um dos exemplos mais fortes da qualidade de Jimmy Page como guitarrista. A música se desenvolve através de uma sucessão de riffs inspiradíssimos e que mostram que o Led Zeppelin também fazia, sim, heavy metal. 

“In My Time of Dying” é a interpretação da banda para uma das mais tradicionais composições da música gospel, que ao longo dos anos ganhou gravações de nomes como Bob Dylan, John Sebastian e outros ícones. O Led injetou doses enormes de peso na canção, intensificadas pelo timbre absolutamente incrível da bateria de John Bonham, que conduz a banda através de explosões rítmicas que demonstram toda a sua capacidade técnica. O solo de Page na parte central, com camadas de guitarras se sobrepondo umas às outras, é uma das maiores provas da sua capacidade também como produtor. Uma curiosidade: “In My Time of Dying” é canção mais longa registrada pelo Led Zeppelin em toda a sua carreira, com 11:08 minutos de duração.


“Houses of the Holy” abre o lado B do vinil e é um delicioso e pegajoso hard rock. E sim: a música foi composta durante as sessões do quinto álbum da banda, mas não foi incluída em Houses of the Holy porque os músicos chegaram à conclusão de que ela não se encaixava na proposta do álbum de 1973. “Tramped Under Foot” vem a seguir e mostra mais uma vez como o Led Zeppelin era uma banda superior ao seus pares. Decidido a brincar com o funk, o grupo mergulha no groove do gênero e, seguindo o riff do teclado de Jones, balança as estruturas até do mais duro dos rockers. A letra foi inspirada em “Terraplane Blues”, composta por Robert Johnson em 1936.

E então temos “Kashmir”, a música que fecha o primeiro disco de Physical Graffiti. Provavelmente a mais ousada composição da carreira do Led Zeppelin, levou três anos para ser concluída. A faixa é conduzida por um riff de Jimmy Page inspirado na música árabe e oriental, e que segue uma estrutura modal inspirada nos ensinamentos perpetuados por Miles Davis em A Kind of Blue (1959). A letra de Robert Plant nasceu de uma viagem que ele e Page fizeram ao Marrocos em 1973. A parte central conta com orquestrações registradas por músicos indianos, e que dão ainda mais originalidade para a música. Passados mais de quarenta anos de sua gravação, “Kashmir" segue impressionante e é uma das peças mais incríveis que o Led Zeppelin deu ao mundo.


Se fosse apenas um disco simples, Physical Graffiti já teria um lugar de destaque na discografia do Led Zeppelin pela sua ousadia e quantidades enormes de experimentação. Mas ainda havia muito mais. “In the Light” é uma das faixas menos faladas da banda, porém é uma das composições mais experimentais do grupo. A criação foi de John Paul Jones, com Plant e Page entrando na sequência. A introdução traz Jimmy tocando a sua guitarra com um arco, como fez em “Dazed and Confused” e em “How Many More Times”, presentes no disco de estreia da banda, lançado em 1969. A estrutura é baseada na música indiana, com fortes tons orientais durante toda a duração. “In the Light” é semelhante a uma obra de música clássica, e tem em John Paul Jones o seu grande maestro. O baixo e, notavelmente, o teclado de Jones, são a espinha dorsal da composição e conduzem os demais músicos. Sobre Plant, o vocalista tem uma de suas melhores performances vocais aqui, seja na condução da canção ou na parte em que, praticamente sozinho, declama o título de maneira arrepiante.

A instrumental “Bron-Yr-Aur”, registrada de forma acústica por Page em julho de 1970 durante as sessões de Led Zeppelin III, funciona como linda introdução para a igualmente bela “Down by the Seaside”. A balada country é uma das mais subestimadas gravações da banda e veio direto das sessões de Led Zeppelin IV. Melancólica e com um arranjo muito bonito, tem Plant e Page dividindo o protagonismo com belas performances individuais, além da presença certeira do teclado de Jones. A explosão em sua parte central, quando o country dá lugar a um rock com acento folk e com um trabalho exemplar da guitarra de Page, é um dos trechos mais transcendentais da carreira do grupo.

O lado 3 se encerra com a sinfonia guitarrística chamada “Ten Years Gone”. Essa é uma das criações mais profundas do Led Zeppelin e possui um arranjo de guitarras que une o talento como instrumentista e produtor de Jimmy Page. Guitarras sobrepostas funcionam como uma espécie de orquestra, conduzindo a banda através de um andamento hipnótico. Para se ter ideia, Page utilizou nada mais nada menos que 14 guitarras sobrepostas no arranjo de “Ten Years Gone”.


O álbum encaminha a sua parte final com o hard de “Night Flight”, sobra dos tempos de Led Zeppelin IV. Na sequência temos o peso de “The Wanton Song”, rockão conduzido por Bonham e que possui uma das grandes performances do baterista. Já “Boogie with Stu” é uma das raras faixas em que o Led Zeppelin contou com a participação de músicos de fora da banda. No caso, o convidado foi Ian Stewart, o “sexto Stone”, e a canção nada mais é do que uma divertida jam com o pianista. “Black Country Woman” é uma faixa acústica que veio das sessões de Houses of the Holy. O disco fecha com “Sick Again”, onde a letra de Plant fala sobre um grupo de groupies adolescentes que acompanhava a banda, e que foram homenageadas na figura da personagem Penny Lane no filme Quase Famosos (2000).

Desde o seu lançamento, Physical Graffiti foi aclamado tanto pelo público quanto pela crítica. O álbum chegou ao primeiro lugar na Inglaterra e nos Estados Unidos e é o segundo disco mais vendido da carreira do grupo com mais de 16 milhões de cópias comercializadas, ficando atrás apenas de Led Zeppelin IV. O álbum venceu o Grammy de 1976 na categoria Best Recording Package, eternizando a icônica arte da capa, que trazia as janelas recortadas e que se encaixavam de maneira diferente de acordo com a maneira que o encarte era colocado na embalagem. Physical Graffiti está na 70ª da lista Os 500 Maiores Álbuns de Todos os Tempos publicada pela Rolling Stone, no quinto posto dos 100 Maiores Discos de Todos os Tempos da revista Classic Rock, na 47ª posição dos 100 Maiores Discos Já Gravados da Mojo e na posição 93 do Top 200 Álbuns de Todos os Tempos, do Rock and Roll Hall of Fame.

Após Physical Graffiti, o Led Zeppelin jamais conseguiu gravar algo tão forte. Ainda que Presence (1976) e In Through the Out Door (1979) sejam discos sólidos e com ótimas canções - principalmente o primeiro -, já mostravam uma banda caminhando para o estágio final de sua grandiosa carreira, que acabou sendo abreviada pela morte de John Bonham em 1980. Porém, o nível estratosférico atingido em Physical Graffiti, onde o Led Zeppelin tocou as estrelas e abriu caminhos para outras dimensões sonoras, é um dos elementos que eternizou a banda como uma dos maiores nomes da história do rock.

Helloween vai lançar álbum ao vivo e disco de inéditas com Michael Kiske e Kai Hansen

terça-feira, agosto 21, 2018

O Helloween confirmou que lançará um álbum ao vivo em 2019 e um novo disco de estúdio em 2020. E o mais importante: ambos contarão com a formação atual: Michael Kiske, Andi Deris, Kai Hansen, Michael Weikath, Sascha Gerstner, Markus Grosskopf e Daniel Löble.

O material ao vivo será disponibilizado em CD, DVD e Blu-ray a trará os melhores momentos da turnê Pumpkins United. Ele chegará às lojas em 2019, em data que ainda será confirmada.

Já o novo álbum será lançado em 2020 pela Nuclear Blast e trará novas músicas gravadas pelo septeto atual. O foco estará nos compositores Hansen, Weikath e Deris, que irão se concentrar na criação das novas faixas durante 2019.

O disco mais recente do Helloween, My God-Given Right, saiu em 2015. O material ao vivo mais atual da banda é Keeper of the Seven Keys - The Legacy World Tour 2005/2006, que foi lançado em 2007. Já o último disco a contar com a voz de Michael Kiske foi Chameleon, que chegou às lojas em junho de 1993. E com Hansen a história é ainda mais longa, já que o guitarrista e vocalista deixou a banda após a turnê do clássico Keeper of the Seven Keys: Part II, lançado em agosto de 1988.

Agora é só colocar a cerveja pra gelar e iniciar a contagem regressiva para um dos álbuns mais aguardados da história do heavy metal.

Ann’emic mistura stoner e metal progressivo em novo EP

terça-feira, agosto 21, 2018

Os andamentos progressivos e riffs stoner ditam a sonoridade do quarteto carioca Ann’emic, que lança o novo EP Derash pela Abraxas Records. As quatro faixas do registro, altamente indicadas para fãs de Tool, Mastodon, Kyuss, e Om, podem ser conferidas aqui: https://ONErpm.lnk.to/Derash

Derash é o sucessor do disco de estreia Ataraxia, que mostrava a banda mais calcada no progressivo tradicional. Neste EP, gravado no saudoso Superfuzz (o Ann’emic foi uma das últimas a gravar lá antes que o estúdio fechasse as portas), é possível ouvir uma massa sonora com guitarras densas, riffs mais arrastados e o baixo – um dos grandes destaques deste EP - explorando bastante os graves.


As letras de todas as quatro músicas de Derash dialogam com a possibilidade da civilização ter nascido por mãos alienígenas e como a raça humana falhou. Reflexões sobre a busca pela iluminação interna contínua também estão presentes nas letras.

Uma das faixas mais lisérgicas do EP é "Descend", que progride a todo instante. É a gênese e a síntese do conceito do registro, com ênfase no instrumental, em que deixa clara a influência progressiva. Ambientações futurísticas também são perceptíveis na maioria das passagens de Derash.

Discoteca Básica Bizz #113: Cream - Disraeli Gears (1967)

terça-feira, agosto 21, 2018

"Foi apenas um impromptu (peça musical não preparada previamente) acontecido em quatro dias." 

Com essas palavras, o baixista Jack Bruce definiu o segundo álbum do Cream, Disraeli Gears, em meados de 1968. Bruce estava certo. Ele falava de uma obra que exalava liberdade criativa e urgência, a síntese de uma era da música pop. Um tempo chamado psicodelismo.

Disraeli Gears foi lançado em 1967, em meio a obras-primas como Sgt Pepper's Lonely Hearts Club Band (Beatles), Between the Buttons (Rolling Stones), o primeiro dos Doors, Are You Experienced (Jimi Hendrix) e The Who Sell Out (The Who).

O power trio formado por Eric Clapton (vocal, guitarra), Jack Bruce (vocal, baixo) e Ginger Baker (bateria) deixava para trás um primeiro álbum impecável (Fresh Cream, gravado em 1966) para partir rumo a uma nova música. Até então consagrado como "grupo de palco", o trio entrou no estúdio Atlantic, de Nova York, com a pretensão de criar uma releitura do blues elétrico - a escola dos três músicos. Para obter o resultado desejado, a banda tinha a seu lado o produtor Felix Pappalardi e o poeta Pete Brown, parceiro de Bruce até o fim do Cream, em 1969.

Nossa música não pode ser incluída no contexto de blues, porque muito do que tocamos é algo provavelmente novo”, disse Clapton à época do lançamento do disco.


Não havia uma fórmula que definisse o álbum. Suas onze canções tinham um sotaque único, diferente a todo instante. O cardápio era variado. "Sunshine of Your Love" , "Strange Brew" e "Blue Condition" usavam harmonias básicas do blues para alçar vôos vocais e guitarrísticos. Já "Tales of Brave Ulysses", "Swlabr" e "World of Pain" forjavam um verdadeiro tratado psicodélico, aliando letras lisérgicas a um instrumental calcado sobretudo na guitarra wah wah inventada por Clapton. A banda ainda resvalava no velho blues em "Outside Woman Blues" e "Take it Back", onde a gaita de Jack Bruce dava o tom. Ainda havia espaço para a brincadeirinha "Mother's Lament", em que os três narravam um tolo drama familiar, com um piano infantil ao fundo.

Disraeli Gears proporcionou ao Cream trânsito livre nos Estados Unidos. Enquanto o single de "Sunshine of Your Love" frequentava o top 10 da revista Billboard e virava trilha sonora para as loucuras de toda uma geração, o grupo apresentava-se nos dois lados do país, abrindo espaço para outras bandas britânicas, como o Led Zeppelin. Nos palcos, Clapton tentava engolir a bateria de Baker com sua Gibson SG. O baterista lutava contra o baixo de Bruce, que, enquanto isso, digladiava-se com Clapton em uma guerra movida a barbitúricos e egocentrismo.

Este clima - que foi levado às últimas consequências no álbum duplo Wheels of Fire (1968) e abrandado em Goodbye (1969) - contagiou os três músicos rapidamente. Estabelecido o caos entre os três membros da banda, o final tornou-se um fato irreversível. O resto é história.

Mas é óbvio que muito ficou. E o melhor registro da criatividade do Cream está em Disraeli Gears.

Texto escrito por Hélio Gomes e publicado na Bizz #113, de dezembro de 1994

20 de ago de 2018

Anthrax prepara edição comemorativa de State of Euphoria

segunda-feira, agosto 20, 2018

O Anthrax prepara uma edição de 30 anos do álbum State of Euphoria. A informação vazou através de uma lista em que a Amazon divulgou futuros títulos que estarão à venda nos próximos meses em suas plataformas.

A deluxe edition de State of Euphoria, ao que tudo indica, terá versões em CD duplo, LP duplo e nos formatos digitais. O disco bônus incluirá versões para “Friggin' in the Riggin’”, do Sex Pistols, e “Parasite”, do Kiss, além de outras faixas raras e inéditas. A previsão é que a edição comemorativa seja lançada dia 5 de outubro pela Island Records.

State of Euphoria é o quarto álbum do Anthrax e chegou às lojas em 19 de setembro de 1988. O disco trouxe clássicos como “Be All, End All”, “Out of Sight, Out of Mind”, “Make Me Laugh” e “Who Cares Wins”, mas o seu maior sucesso foi a releitura de “Antisocial”, canção de autoria da banda francesa Trust. Uma curiosidade: tanto Nicko McBrain quanto Clive Burr, bateristas do Iron Maiden, passaram pelo Trust durante a década de 1980.

The Eagles ultrapassa Michael Jackson e agora tem o disco mais vendido de todos os tempos

segunda-feira, agosto 20, 2018

Os mais recentes dados da RIAA - Recording Industry Association of America revelaram que Thriller, de Michael Jackson, não é mais o disco mais vendido de todos os tempos. O álbum foi ultrapassado por Their Greatest Hits 1971-1975, compilação lançada pelo The Eagles em 1976 e que há anos estava na segunda posição do ranking.

De acordo com a RIAA, o disco do Eagles alcançou a marca de 38 milhões de cópias comercializadas nos Estados Unidos. Thriller vem na sequência, com 33 milhões. Esses novos dados já seguem o padrão que a RIAA adotou a partir de 2016, onde foi estipulado que a quantia de 1 milhão refere-se a um Disco de Platina, que pode ser alcançado vendendo cópias físicas (um álbum vendido é igual a uma unidade), venda online de faixas separadas (a venda de dez faixas conta com a venda de um álbum) e streaming (cada 1.500 streamings equivalem a uma unidade vendida).

O interessante dessa história é que Their Greatest Hits foi lançado antes daquele que é considerado o maior clássico do Eagles, Hotel California, que chegou às lojas em 1976. Aliás, Hotel California vem logo na sequência, com 26 milhões de cópias vendidas, o que só comprova a imensa popularidade do Eagles nos Estados Unidos.


E antes que alguém diga “ah, mas esses são dados somente do mercado norte-americano”, a resposta é: sim, são dados somente do mercado norte-americano. Porém, a RIAA é praticamente a única fonte oficial de vendas de discos conhecida e computa o volume comercializado nos Estados Unidos, e seus dados são utilizados comumente como um parâmetro para o que acontece no mundo. Não fomos nós que inventamos esse costume, estamos apenas relatando como a indústria se guia. E é por essa razão que os dados publicados pela RIAA costumam ser considerados como a lista dos discos mais vendidos de todos os tempos, apesar de trazerem dados apenas do mercado norte-americano.

A lista completa dos álbuns mais vendidos de acordo com a RIAA pode ser consultada neste link.



Discoteca Básica Bizz #112: Secos & Molhados - Secos & Molhados (1973)

segunda-feira, agosto 20, 2018

Em plena era repressiva brasileira, nos governos de Médici e Geisel, foi que surgiram aqueles pavões maquiados rebolando e cantando "... vira homem, vira, vira lobisomem ... ".

Escândalo total! "Bichas" para alguns, "revolucionários" para outros, viraram um dos mais importantes grupos do rock nacional e a maior manifestação glitter do país. E por trás das suas máscaras existia uma singela fusão de MPB, folk, poesia reflexiva e androginia.

Tudo começou em 1971: o jornalista e poeta português João Ricardo convidou o músico Gerson Conrad e o hippie e cantor de coral Ney de Souza Pereira para um projeto que queria unir o rock à MPB. A presença cênica exótica e sensual de Ney - que adotou o sobrenome Matogrosso devido ao seu estado de origem - chamou a atenção e o trio foi contratado pelo selo Continental, lançando o primeiro disco em 1973. Ali, contaram com uma ótima banda de apoio que incluía Willy Verdaguer no baixo e Zé Rodrix no piano, ocarina e sintetizador.

Poesias de Vinícius de Moraes ("Rosa de Hiroshima") e de Manuel Bandeira("Rondo do Capitão") foram utilizadas, mas o forte estava nos depurados vocais de Ney e nos poemas de João Ricardo, que às vezes repartia a autoria com o pai, João Apolinário, e outros compositores.

As veias abertas da América Latina eram cutucadas ("Sangue Latino"), questões sociais discutidas ("Mulher Barriguda"), ou então "simples e suaves coisas" eram cantadas em "Amor". "O Vira" - maior hit deles - trazia a ascendência lusitana mesclada ao folclore do Brasil.


Aqui, a expressão "carreira meteórica" é bem apropriada. Em um ano eles foram o fenômeno musical brasileiro: milhares de cópias vendidas, estádios lotados e até uma turnê pelo México, televisionada para os Estados Unidos - de onde supõe-se que o Kiss copiou as maquiagens deles. Mas, logo após o segundo álbum, o grupo encerrou suas atividades.

Ney saiu em 1974 por discordar de João Ricardo no controle autoral e financeiro. Daí partiu numa bem sucedida carreira solo, mais voltada para a MPB. Seus outros dois companheiros nunca mais tiveram o mesmo êxito nos esforços individuais. Em 1977 houve uma tentativa frustrada de volta com o cantor Lili Rodrigues - de timbre semelhante ao de Ney –, mas que não vingou, bem como a reencarnação de 1980, capitaneada novamente por João Ricardo.

Afinal, continuar o grupo sem o carisma da sua atração principal foi como o The Doors prosseguindo sem Jim Morrison: João podia ser o cérebro, mas Ney era o coração.

Texto escrito por Sérgio Barbo e publicado na Bizz #112, de novembro de 1994

19 de ago de 2018

Novo box cobre fase clássica do Helloween

domingo, agosto 19, 2018

A Noise Records anunciou o lançamento do box Helloween - Starlight: The Noise Record Collection. O material chegará às lojas dia 26 de outubro e reúne os discos lançados pela banda alemã no período em que era contratada da gravadora.

Fazem parte da caixa os EPs Helloween (1985) e Judas (1986), que estavam fora de catálogo, bem como os álbuns Walls of Jericho (1985), Keeper of the Seven Keys: Part I (1987) e Keeper of the Seven Keys: Part II (1988), além da coletânea The Best, The Rest, The Rare (1991).

O material será disponibilizado em vinil, trazendo LPs coloridos para cada um dos títulos.


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