30 de nov de 2018

Hellion Records lança álbuns do Blackberry Smoke e do Black Stone Cherry no Brasil

sexta-feira, novembro 30, 2018

Ótima notícia para quem curte southern rock: a Hellion Records vai lançar no Brasil o quarto álbum do Blackberry Smoke, Holding All the Roses. Este será o primeiro disco da banda norte-americana a ter uma edição nacional.

O Blackberry Smoke é considerada a principal banda de southern rock da atualidade. O quinteto liderado pelo vocalista e guitarrista Charlie Starr está na ativa desde 2000 e já lançou seis discos. O grupo tocará no Brasil em maio, com shows em São Paulo e Curitiba, em sua primeira passagem pelo país.

Holding All the Roses foi lançado nos Estados Unidos em fevereiro de 2015 e é considerado um dos melhores trabalhos do Blackberry Smoke. O disco ficou em primeiro lugar no Top Country Albums da Billboard, e na posição 29 do Billboard 200. A versão nacional de Holding All the Roses deve chegar às lojas até o final de dezembro, caso não haja atraso na prensagem do CD. A versão brasileira do disco é fruto de uma negociação de três anos da Hellion com a banda, e caso o álbum tenha boas vendas pode ser a porta de entrada para que outros títulos do grupo também saiam por aqui. O nosso review sobre o disco pode ser lido aqui.


Outra boa novidade também está na seara do southern rock, mas agora um pouco mais pesado. Family Tree, mais recente disco do Black Stone Cherry, também está saindo no Brasil pela Hellion. O CD já estará disponível nas lojas na primeira semana de dezembro. Family Tree foi lançado em abril deste ano e é o sexto álbum do quarteto norte-americano. O trabalho foi bem nas paradas, chegando ao sétimo posto do Top Hard Rock Albums da Billboard, e é um disco bem sólido, como analisamos aqui.


Os melhores discos de 2018 segundo Márcio Grings, do Memorabilia

sexta-feira, novembro 30, 2018

Já é tradição aqui no Memorabilia, todos os anos publicamos nossa lista dos melhores do ano. Repito o aviso de sempre: muitas vezes algum álbum figurante em nossa relação possivelmente não esteja ranqueado em nenhuma lista dos grandes sites de música do Brasil e do mundo. É sempre uma visão particular, baseada naquilo que de uma forma ou outra acabou caindo nessa micro teia, sendo detectada em nosso radar. De todo modo, alguns títulos também podem dobrar nessas listagens graúdas. Na nossa 'rela', temos quatro cantoras, seis cantores e nenhuma banda. O blues é o gênero predominante. O artista mais novo tem 27 anos, o mais velho 82. Em suma, emaranhado na avenida principal da catástrofe musical dos dias atuais, protagonizada e culpabilizada principalmente pelos meios de comunicação que insistem em nos empurrar o pior do nosso tempo, vale a dica: se você se esforçar um pouco e buscar alternativas vicinais, basta utilizar ferramentas básicas de garimpo musical e dá facilmente para concluir que ainda há boa música tremeluzindo por aí.

Ao final dessa postagem está disponibilizada uma seleção com vinte músicas, duas de cada escolhido, promovendo um panorama de nossas escolhas. Que venha 2019! A trilha sonora para aguardarmos o próximo ano já está assestada.    


10 Bryan Ferry - Bitter-sweet

Quem conhece a trajetória de Bryan Ferry sabe que não é de hoje sua incursão pelo jazz. Outra evidência que depõe ao seu favor está na parceria com a Netflix na trilha sonora da série Babylon Berlin, ambientada na capital alemã nos anos 1920. A experiência agradou tanto ao ex-Roxy Music que o cantor acaba de lançar Bitter-sweet, álbum recheado de ragtime, blues e jazz. Acompanhado da Bryan Ferry Orchestra - Colin Good (piano e arranjos), Enrico Tomasso (trompete), Malcolm Earle-Smith (trombone), Richard White (saxofone alto e clarinete), Robert Fowler (saxofone tenor e clarinete), Alan Barnes (saxofone barítono e clarinete), Martin Wheatley (banjo e violão) e John Sutton (bateria) -, somos convidados a viajar por regravações de canções solo de Ferry, do Roxy, entre outros ritmos e arranjos típicos da década de 1920. Seis dos temas de Babylon Berlin estão em Bitter-sweet, sendo que outros sete números foram gravados especialmente para o álbum. Contudo, o repertório continua alinhado ao mesmo espírito que guiou Bryan no projeto da Netflix. Para quem gosta de jazz vindo direto da escola de Scott Joplin, as instrumentais "Bitters End", "Sign on the Times", "Limbo", "Dance Away", "Sea Breezes” e "Chance Meeting" fornecem o passaporte para uma divertida viagem no tempo. Entre os temas em que brilha a voz do protagonista, destaque para "Alphaville", "Zamba" e "New Town", além de "While My Heart is Still Beating”, do Roxy Music. Que bela empreitada, Mr. Ferry!   


9 Ian Siegal - All the Rage

Por mais que Ian Siegal não goste de ser denominado como bluesman, não há como negar que, embora advindo de uma geração mais recente, o músico de 47 anos já é cascudo o suficiente para levar adiante a bandeira do autêntico blues. Esse inglês de voz rouca, que escolheu Amsterdã como lar, vem impressionando crítica e público nos últimos anos. Seis anos após o último trabalho de estúdio acompanhado por uma banda, All the Rage, seu 13º álbum, merece toda nossa atenção. Embora longe de ser rotulado como um disco de protesto, algumas de suas novas canções claramente refletem raiva e ansiedade sobre nosso tempo. De todo o modo, sim, na temática das dez canções há um bocado de senso político. Produzido pelo cantor/compositor norte-americano Jimbo Mathus (ex-Squirrel Nut Zippers), All the Rage explora as raízes norte-americanas do blues, além de apresentar um cruzamento contínuo com rock and roll, soul, blues e gospel. É também uma crítica ao autoritarismo das guerras culturais que tomaram conta do mundo nos últimos anos. A "fúria" no título também refere-se à desilusão de Siegal com a política em geral. "Jacob's Ladder" tem um ambiente musical quase britânico, confronto direto com o desespero encontrado na letra. “The Sh*t Hit” é diretamente influenciada por Muddy Waters, ícone mundial da música negra tatuado no braço esquerdo do músico. O tema reflete sobre opções disponíveis ao homem comum, isso à medida que o mundo se aproxima de um suposto estado anárquico. "Won't Be Your Shotgun Rider" combina uma vibe country com uma letra sugerindo que, em circunstâncias extremas, é melhor deixar uma alma perdida partir. Um disco que expõe o permanente cruzamento eletroacústico de Siegal. Gosta de blues? Indispensável uma audição mais atenta.   


8 Father John Misty - God’s Favorite Customer

Father John Misty compôs um das minhas músicas preferidas nos últimos anos. "Everyman Needs Companion" não sai das atuais audições aqui de casa e ainda não cansei de apresentar esse som a inúmeros amigos. E novamente lá vem Josh Tillman (seu verdadeiro nome) com um bom disco. O novo trabalho de Father John Misty é auto-lacerante, escrito durante um período de seis semanas em 2016, quando o músico estava morando sozinho num quarto de hotel em meio a uma crise existencial. O álbum explora FJM numa espécie de experiência extra corpórea. Esse momento complicado da vida do cantor - quando sofreu uma depressão aguda - foi o maior inferno astral do artista. Ele viveu sozinho num quarto de hotel e nem mesmo sua mulher, Emma, tinha ideia do perrengue que estava acontecendo dentro dele. "Mr. Tillman" fala da perspectiva de um funcionário de hotel expressando preocupações burocráticas sobre o bem estar de um hóspede que claramente não está bem. Você tem a sensação de que, mesmo nas profundezas mais angustiantes desse colapso, sua esposa servia como uma espécie de farol. Em "Just Dumb Enough to Try" ele questiona se não precisa recomeçar do zero, uma busca desenfreada por um botão de reset. Em "The Palace", ele canta: "Ontem à noite eu mandei uma mensagem para o seu iPhone / Acredito que esteja pronto para voltar para casa". Syd Barrett o visita em "Date Night", assim como a permanente influência de Elton John ressurge em "Please Don't Die" e "Disappointing Diamonds are the Rarest of Them All". O resultado dessa audição perturbadora (e redentora) é que, no caso de Father John Misty, a música ainda funciona como ferramenta terapêutica para promover um inventário íntimo de reconstrução. Sinal de que o coração no coração de Josh Tillman ainda bate em algum lugar fora dessa experiência cáustica.    


7 Courtney Marie Andrews - May Your Kindness Remain

Courtney Marie Andrews tem apenas 27 anos, mas já pode ser considerada uma veterana. A cantora se alinha à tradição da música country norte-americana, percorrendo a mesma trilha que grandes cantoras colocaram o gênero em evidência nos anos 1970. Em May Your Kindness Remain ela canta, toca guitarra e compõe todos os temas. Courtney ainda co-produziu o álbum com o inglês Mark Howard, um dos braços direitos de Daniel Lanois. Howard já mexeu os botõezinhos das mesas de áudio em discos de Bob Dylan, Neil Young, Willie Nelson e Tom Waits. Desse modo, quem conhece o legado de Lanois/Howard sabe que há uma ambiência característica no Toque de Midas da dupla, uma marca que migra de um trabalho para outro. Não foi diferente em May Your Kindness Remain. Os arranjos sonoros parecem brilhar como miragens ao redor de Courtney. Pianos sombrios, guitarras etéreas e percussões assombradas. Ouça Rough Around the Edges, um claro exemplo dessa cartilha. E essa garota escreve bem pra caramba! Em "This House" ela fala de uma velha casa, permanentemente bagunçada e sobre o casal que costumava morar lá. É claro que eles não estão mais juntos: "Há uma cama no andar superior / caso você esteja na cidade / Essa casa é um lugar para guardarmos nossas memórias / Latas vazais no balcão e a roupa nunca está pronta / Para cada rosa há uma erva daninha, mas toda erva daninha é bem-vinda”. De todo o modo, mesmo esfacelado, ainda há um carinho, um sentimento verdadeiro que restou do legado dessa união. Ela canta que a casa é sua, mas que pertence a ambos, pois o calor de uma união pode durar até mesmo após o final de um relacionamento. "Lift the Lonely From My Heart" é sobre depressão, e nos alerta que para superarmos essa barra pesada precisamos de ajuda. Em "Border Song", Courtney imagina a vida de um imigrante mexicano tentando atravessar o deserto rumo aos Estados Unidos, sonhando com uma vida melhor. E como ela nos avisa na faixa título: "Caso sua boa aparência saia de cena / Que sua gentileza permaneça". Um discaço!


6 Bettye Lavette - Things Have Changed

Dezenas de artistas já fizeram álbuns dedicados a celebrar a obra de Bob Dylan. Isso não é novidade. A diferença é que Bettye Lavette não apenas relê clássicos do lado A do repertório de Dylan, ela também se aventura e ressignifica temas obscuros ou esquecidos do repertório do compositor. É o caso de "Emotionally Yours", uma das mais bonitas canções de Dylan escritas nos anos 1980, e momento iluminado de Empire Burlesque (1985), um de seus trabalhos mais criticados. Do mesmo disco, "Seeing the Real You at Last" reproduz com mais firmeza e graça o tempero reggae da versão original. Outro detalhe, a fase Jack Frost, alter ego do músico no que compete à produção dos discos lançados desde 2001, também pontua o tracklist. "Ain't Talkin", de Modern Times (2006), nos joga ainda mais dentro do universo místico de uma letra misteriosa. "Going, Going, Gone”, uma música que Gregg Allman também gravou em seu álbum póstumo, Southern Blood (2017), retorna em um nova versão transcendental, uma dura reflexão sobre a morte: "Cheguei num lugar onde o carvalho não se dobra / Não há mais muito a se dizer / É o topo do fim / Estou indo, estou indo, já fui!". Em "Political World", além da presença de Pino Palladino, Keith Richards é o responsável pelos dois solos de guitarra. "Don't Fall Apart on Me Tonight", música de encerramento de Infidels (1983), rejuvenesce numa releitura soul. A presença de Steve Jordan, baterista de Richards nos projetos solo (também produtor do álbum), e Larry Campbell, guitarrista que trabalhou com Dylan nos anos 1990, chancelam qualidade na moldura que abraça a voz da cantora. Things Have Changed traduz uma notável combinação de repertório, química entre os envolvidos e talento de Bettye Lavette em galvanizar todo esse material.                


5 Rosanne Cash - She Remembers Everything

Muitos já partiram, mas ainda há várias lendas vivas da música country norte-americana que continuam gravando e tocando. Willie Nelson, Kris Kristofferson, John Prine, Rodney Crowell são alguns deles, e também não podemos esquecer de ícones femininos como Emmylou Harris, Joan Baez, Mary Chapin Carpenter e Rosanne Cash, é claro. Rosanne é filha do Homem de Preto, e com uma carreira de 40 anos de estrada já conquistou seu espaço na música country, totalmente pelos próprios méritos, independente do peso de seu sobrenome. She Remembers Everything carrega influências de muitos gêneros. A voz de Cash acrescenta dramaticidade às histórias que ela compartilha. E por mais que o atual trabalho não nos apresente um posicionamento político, fala sobre o mundo moderno e suas tribulações. Em "8 Gods of Harlem", um dos momentos mais interessantes do álbum, ela relembra sua posição como defensora no controle de armas nos Estados Unidos. Com participação de Kris Kristofferson e Elvis Costello, cada voz oferece uma perspectiva diferente sobre um tiroteio, um rastro de corpos causado por violência armada. Em novembro Rosanne será homenageada com o prêmio John Lennon Real Love, um reconhecimento, segundo Yoko Ono, da "voz apaixonada como artista e ativista". Cash está encantada com a honra. "Estou muito feliz com a lembrança. Eu era uma grande fã de John e dos Beatles e minha música favorita era 'No Reply'. Às vezes eu ainda penso comigo: 'O que John faria?'", disse numa entrevista no início desse mês. Provavelmente o Beatle pararia para ouvir bonitas canções como "Everyone But Me", "Particle and Wave" e a faixa título, com participação da cantora Sam Phillips. Admirável essa genética da família Cash.  


4 Buddy Guy - The Blues is Alive and Well

Buddy Guy, uma incrível força da natureza que não cessa. Provavelmente o maior nome do blues da velha escola ainda vivo e na ativa. E segundo ele próprio, o blues anda bem das pernas e passa muito bem, obrigado! O novo álbum, The Blues is Alive and Well, mantém a produção do atual colaborador, Tom Hambridge, que também toca bateria e co-assina vários temas. É um disco de blues feito para os fãs de blues. Sem dúvida um dos destaques do álbum está em "Cognac", com participações de Keith Richards e Jeff Beck. Fica muito fácil perceber quando um ou outro toca. Beck continua soando futurístico, e Richards soa mais antigo que o próprio Guy. Outro Stone, Mick Jagger, trouxe a harmônica para o estúdio e colabora em "I Did the Crime". Sempre gostei da abordagem de Jagger como gaitista. E quando Guy retorna ao repertório clássico ao qual atuou como guitarrista em muitas gravações, como no caso de "Nine Below Zero", aí é covardia! O tema de Sonny Boy Williamson é simplesmente a faixa perfeita. A guitarra e a voz de Guy esbofeteiam sua cara, enquanto a bateria apenas dá a batida. Outro destaque está em "Milking Muther for Ya", apenas Guy, sua guitarra e o vocal inconfundível. "Blue No More" traz James Bay cantando um dueto com Guy. "Um destes dias, a estrada vai acabar", eles cantam. A guitarra do bluesman mantém um tom suave e sofisticado, com todas aquelas maravilhosas blue notes que o consagraram como instrumentista. A grande mensagem do álbum está nos segundos finais da faixa título: "Meus amigos disseram antes de morrer para manter o blues vivo". Alguém tem dúvida que essa lenda viva de 81 anos obteve sucesso nessa tentativa? 


3 Marianne Faithfull - Negative Capability

Marianne Faithfull parece ter vivido todas as oscilações que uma alma pode suportar. Artisticamente, em mais de cinquenta anos de carreira, sentiu o sabor do estrelato e o dissabor do esquecimento. Detonada pelo abuso de drogas, passou por um longo hiato até ressurgir no final dos anos 1970 com o álbum Broken English (1979). Negative Capability tem o título inspirado pelo poeta romântico John Keats, e certamente já pode ser considerado um dos melhores trabalhos de sua carreira. Com uma voz esculpida pela vida, tragédias pessoais e cigarros, Marianne soube escolher a dedo as canções de seu novo disco. Gravado em Paris, Negative Capability tem produção de Rob Ellis (PJ Harvey) e Warren Ellis (Nick Cave). Entre os colaboradores, Nick Cave, Ed Harcourt e Mark Lanegan. "They Come at Night" é inspirada pelos ataques em Paris; "No Moon in Paris" reflete sobre o passar dos anos; a regravação de "It's All Over Now, Baby Blue" (de Bob Dylan) soa revigorada na reinterpretação de Marianne; a nova gravação de "As Tears Go By" pende sobre um tipo de significado que só a poeira dos anos pode emprestar a uma velha história. Enquanto os vocais de Nick Cave podem ser ouvidos em "The Gypsy Faerie Queen", o violino de Warren Ellis abençoa canções como "Misunderstanding" e "Born to Live". É inevitável traçar paralelos com os últimos trabalhos de Johnny Cash ou Leonard Cohen, mas nem tudo é desgraça ou melancolia. O espírito imbatível de Faithfull brilha em diferentes momentos do álbum, onde ela também se abre para o amor e a esperança. Como em "In My Own Particular Way", onde ela canta "Eu sei que sou jovem e não estou arruinada / Ainda sou bonita, gentil e engraçada / E estou pronta para amar". No final das contas, essa "capacidade negativa" equaliza as coisas, algo que não posso deixar de não me identificar.   


2 Tony Joe White - Bad Mouthin’

"Se Wiliam Faulkner tocasse blues ele soaria como Tony Joe White", disse o jornalista Rhis Williams. Ele acaba de bater as botas, nos deixou no último dia 24 de outubro, aos 75 anos, apenas 26 dias após o lançamento de Bad Mouthin'. Tony Joe White é uma das lendas esquecidas da música norte-americana. Seu grande sucesso, "Polk Salad Annie", era uma das preferidas de Elvis durante suas tours nos anos 1970. Tony foi muito mais do que um one hit man. Em 2016, cravei o sinistro Rain Crows como um dos melhores discos daquele ano. E por incrível que pareça, entrando para o time desses véios FDP que até o último minuto no planeta conseguem dar o melhor de si dentro de um estúdio, assim como Bowie, Cohen, Allman, Tony Joe se despede desse mundo cão com um disco fantástico. Na maioria das canções é somente ele, uma voz cansada, uma soprada eventual na harmônica e a velha Strato 1965 sendo dedilhada com sua peculiar palhetada. Em algumas faixas, o velho colaborador Bryan Owings (bateria) e Steve Forrest (baixo) dão o ar da graça. E se você olhar para o tracklist e encontrar um monte de temas manjados e pensar que "lá vem uma pá de releituras previsíveis", esqueça! Nada disso. A versão de Tony para "Baby Please Don't Go" é o mais próximo que alguém pode soar de Lightnin' Hopkins. "Boom, Boom”, de John Lee Hooker, é totalmente subvertida. "Big Boss Man" (Jimmy Reed) e "Down the Dirty Road Blues" (Charley Patton) surgem como nuvens negras obscurecendo a droga do céu azul. Porém, tudo pode ser condensado na versão de "Heartbreak Hotel", como se Elvis voltasse para buscá-lo em agradecimento a "Polk Salad Annie" e cantasse com Tony o último verso de uma das canções que o transformou numa lenda: "They'll be so lonely, they could die".                  


1 Ry Cooder - The Prodigal Son

Ry Cooder se tornou conhecido ainda nos anos 1960 por colaborações com Taj Mahal, Rolling Stones e pela sua habilidade em tocar slide. Construiu uma carreira solo fantástica, empilhando um disco melhor que outro. No entanto, tornou-se reconhecido mundialmente pelas trilhas sonoras de filmes como Crossroads (1986) e Paris, Texas (1984), além da grande empreitada de sua vida fora dos Estados Unidos, o projeto Buena Vista Social Club. Em The Prodigal Son, Cooder retorna à sua cruzada pessoal como músico de raiz, atuando no território da tradição gospel, blues, folk e bluegrass. A produção é do filho, Joachim Cooder, que também é o responsável pela bateria e percussão. Essa genuína química entre pai e filho é uma das marcas do disco. O resultado nos dá pérolas inéditas como "Straight Street" e "Harbor of Love". Quando o músico se aventura em reler os velhos bluesmen das décadas de 1920 e 1930, eis uma presença legítima nesse universo. As remontagens de "Nobody's Fault But Mine" e "Everybody Ought to Treat a Stranger Right", duas gemas de Blind Willie Johnson, um de seus maiores ídolos, são assombros distópicos. 71 anos, sua voz está ainda melhor. É o que podemos ouvir na fábula "Jesus and Woody", uma das faixas inéditas do álbum, além de uma inspiração nigeriana nas cordas. The Prodigal Son reflete Ry Cooder viajando pelos ritmos, cavando o passado de personagens musicais de seu país para ressuscitá-los nos seus álbuns. O leitor do Memorabilia certamente não irá encontrar o novo álbum de Cooder em muitas listas dos melhores do ano, mas acredite: poucos discos podem ser mais interessantes e plenos em suas intenções como The Prodigal Son.    


Os 10 melhores discos progressivos de 2018 segundo o Metal Wani

sexta-feira, novembro 30, 2018

Criado há poucos anos, o Metal Wani rapidamente se destacou entre os sites de metal mundo afora movido por entrevistas muito bem feitas e reviews muito bem escritos. Os caras soltaram a sua lista de melhores do prog rock/metal deste ano, e ela pode ser lida aqui.

Abaixo estão os 10 melhores discos progressivos de 2018 segundo o Metal Wani

10 Between the Buried and Me - Automata I & II
9 The Pineapple Thief - Dissolution
8 The Sea Within - The Sea Within
7 Rivers of Nihil - Where Owls Know My Name
6 Ihsahn - Ámr
5 Haken - Vector
4 Redemption - Long Nights Journey Into Day
3 Howling Sycamore - Howling Sycamore
2 The Ocean - Phanerozoic I: Palaeozoic
1 Riverside - Wasteland

Os 20 melhores discos de metal de 2018 segundo o PopMatters

sexta-feira, novembro 30, 2018

Em atividade desde 1999, o PopMatters é um dos principais sites sobre música de planeta. Todos os anos, eles publicam listas com os melhores discos de cada gênero musical. As escolhas dos caras para o heavy metal podem ser lidas aqui.

E abaixo estão os 20 melhores álbuns de metal de 2018 segundo o PopMatters:

20 Vein - Errorzone
19 Thou - Magus
18 Skeletonwitch - Devouring Radiant Light
17 Slaves BC - Lo, and I Am Burning
16 Portal - Ion
15 Ghost - Prequelle
14 Tribulation - Down Below
13 Daughters - You Won’t Get What You Want
12 Imperial Triumphant - Vile Luxury
11 Horrendous - Idol
10 Pig Destroyer - Head Cage
9 Boss Keloid - Melted on the Inch
8 Agrimonia - Awaken
7 Chaos Echoes - Mouvement
6 Sleep - The Sciences
5 Tomb Mold - Manor of Infinite Forms
4 Slugdge - Esoteric Malacology
3 Mournful Congregation - The Incubus of Karma
2 Sumac - Love in Shadow
1 YOB - Our Raw Heart

50 ofertas imperdíveis de quadrinhos para você completar a sua coleção

sexta-feira, novembro 30, 2018

A Amazon está no último dia da sua Cyber Week, e colocou várias HQs com descontos bem legais. Separamos as cinquenta melhores ofertas pra você dar uma turbinada na sua biblioteca.

Os títulos abaixo estão ordenados em ordem de valor, começando com os mais baratos e subindo até o final.

Divirta-se!

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Discoteca Básica Bizz #132: Gal Costa - Fa-Tal: Gal a Todo Vapor (1971)

sexta-feira, novembro 30, 2018

Em 1971, quando rolou o show Vapor Barato, transformado num disco duplo gravado ao vivo no Teatro Tereza Rachel, no Rio, Gal Costa, mais que musa, era a estrela sobrevivente da saga tropicalista. Sob as botas do governo Médici (1969-1974), com os mentores do movimento - Caetano e Gil - no exílio, a juventude antenada da época vivia entre a guerrilha e os vapores baratos que subiam dos charos acesos pela oposição lisérgica ao governo. Imantada por Gal, boa parte desta fatia viajante da galera se reunia (no Rio) num trecho da praia da Ipanema repleto de dunas, onde era construído um emissário submarino de esgoto. Eram as "dunas do barato", ou como se dizia no baianês da época, "as dunas de Gal".

Neste disco/show, além de segurar a barra tropicalista, Gal já rodava a baiana de maior cantora da MPB. Só ela vai dos cochichos de João Gilberto aos urros de Janis Joplin sem trair a Dalva de Oliveira que mora no sentimentalismo deste país de três raças tristes. Vapor Barato, também conhecido por Gal Fa-Tal, é um obra-prima. O repertório linka folk ("Fruta Gogóia", "Bota a Mão nas Cadeiras"), MPB antepassada ("Assum Preto", "Falsa Baiana") e o sotaque rock da época ("Hotel das Estrelas", "Como 2 e 2", "Dê um Rolê"), tudo dentro da atitude marginal que cutucava o sistemão com um jogo de da(r)dos poéticos.



Quase todas as faixas escolhidas tem dupla leitura. Desde o velho samba "Antonico", do genial Ismael Silva, um pedido de auxílio que vinha a calhar naquelas trevas, até os retratos a ferro e fogo da época, escritos por Macalé e Waly Salomão. Além da novo baiana "Dê em Rolê" ("Enquanto eles se batem / Dê um rolê"), explodem os versos opressos de "Mal Secreto" ("Massacro meu medo / Mascaro minha dor"), "Hotel das Estrelas" ("Sob um pátio abandonado / Mortos embaixo da escada"), "Luz do Sol" ("Quero ver de novo / A luz do sol") e a faixa-título, "Vapor Barato" ("Eu tô indo embora / Talvez um dia eu volte, quem sabe?"). Reciclada para o sucesso pelo filmaço Terra Estrangeira, de Walter Salles Jr., que fotografa grão a grão o exílio desértico da Era Collor, esta música atesta que o país se repete como uma farsa constantemente reescrita.

Gal inicia o disco no pianinho, acompanhando-se ao violão até que sua voz de colocação joãogilbertiana (confiram "Falsa Baiana", "Coração Vagabundo"), explode junto com guitarras e microfonias. De "Pérola Negra" às canções do exílio enviadas de Londres por Caetano - "Maria Bethânia" e "Como 2 e 2" -, Gal cimenta o mito de cantora perfeita. Tem a técnica (por vezes incorpórea) de Elis Regina e a comoção (nem sempre lapidada) de Maria Bethânia. É a rainha do cool drama. Sua voz queima como gelo e corta feito diamante. A emissão límpida convive com a sujeira da rouquidão provocada, o grito preso na garganta e a confidência invasora.

O tropicalismo gerou uma cantora fatal. Ou melhor, fa-tal.

Texto escrito por Tárik de Souza e publicado na Bizz #132, de julho de 1996

29 de nov de 2018

As 20 melhores histórias em quadrinhos de 2018 segundo o The A.V. Club

quinta-feira, novembro 29, 2018

O The A.V. Club é um jornal online especializado em cultura pop, que é publicado desde 1993 e tem a sua sede em Chicago. O site divulgou a sua lista com as melhores HQs publicadas nos Estados Unidos em 2018. Dos 20 títulos escolhidos, apenas um saiu no Brasil: Dias Gigantes, publicado aqui pela Devir.

A matéria original, com comentários sobre cada um dos quadrinhos, pode ser lida aqui.

E abaixo está a lista com as 20 melhores HQs de 2018 segundo o The A.V. Club, em ordem alfabética:

Aquicorn Cove, de Katie O’Neill
Brat, de Michael DeForge
Coda, de Simon Spurrier e Matias Bergara
Dodge City, de Josh Trujillo e Cara McGee
Frankenstein: Junji Ito Story Collection, de Junji Ito
Giant Days, de John Allison e Lissa Treiman
Heartstopper, de Alice Oseman
The Immortal Hulk, de Al Ewing e Joe Bennett
Love and Rockets, de Gilbert e Jaime Hernandez
Manfried the Man, de Caitlin Major e Kelly Bastow
My Boyfriend is a Bear, de Pamela Ribon e Cat Farris
Nancy, de Olivia Jaimes
On a Sunbeam, de Tillie Walden
Prism Stalker, de Sloane Leong
Rice Boy, de Evan Dahm
Runaways, de Rainbow Rowell e Kris Anka
Sabrina, de Nick Drnaso
Spectacle, de Megan Rose Gedris
The New World, de Ales Kot e Tradd Moore
The Seeds, de David Aja e Ann Nocenti




















Os 10 melhores álbuns de prog de 2018 de acordo com o PopMatters

quinta-feira, novembro 29, 2018

O PopMatters é uma revista online que está no ar desde 1999. Um dos mais importantes veículos da mídia musical mundial, todos os anos o site publica listas específicas com os melhores lançamentos de diversos gêneros. As escolhas dos caras para rock/metal progressivo podem ser lidas aqui.

Estes foram os 10 melhores discos de prog lançados em 2018 segundo o PopMatters:

10 Voivod - The Wake
9 Kevin Hufnagel - Messages to the Past
8 Gazpacho - Soyuz
7 Rikard Sjöblom’s Gungfly - Friendship
6 Haken - Vector
5 Riverside - Wasteland
4 Horrendous - Idol
3 Phideaux - Infernal
2 Amorphis - Queen of Time
1 Between the Buried and Me - Automata I

Planeta DeAgostini interrompe coleção de HQs de Star Wars

quinta-feira, novembro 29, 2018

A Planeta DeAgostini anunciou o cancelamento da coleção de HQs de Star Wars, que trazia histórias publicadas pela Marvel em anos recentes. A informação foi confirmada pela página Código Jedi em seu Instagram.

A página questionou a editora sobre a coleção, que foi noticiada com exclusividade pela Collectors Room - leia aqui -, e recebeu a seguinte resposta: 

"Olá, pessoal. Tudo bem? A coleção capa dura Star Wars estava em fase de testes e precisou ter as entregas interrompidas temporariamente na quarta edição, por imperativos alheios à editora. Orientamos que todos os colecionadores se cadastrem no Boletim Informativo Gratuito no nosso site e, assim quando a coleção for retomada, eles serão avisados e poderão dar continuidade à coleção. Sentimos muito! Um abraço!”.

O texto não deixa claro se a interrupção será permanente ou não, e esse “imperativos alheios à editora” tem cara de vendas abaixo do esperado. 

Sendo assim, a coleção ficou então restrita aos seus quatro primeiros volumes: Skywalker Ataca, O Despertar da Força, Vader e Princesa Leia, todos já publicados em edição de capa cartão pela Panini. 

MTV Brasil anuncia o retorno do Acústico MTV

quinta-feira, novembro 29, 2018

A MTV Brasil mudou muito. Hoje, é praticamente um canal de reality shows adolescentes, onde a música é apenas um dos ingredientes. Porém, parece que as coisas estão mudando. 

A emissora anunciou, de forma surpreendente, o retorno do Acústico MTV. O programa, que não é produzido há oito anos, foi um dos maiores sucessos do canal e rendeu edições antológicas como as de Cássia Eller, Titãs, Ira! e outros. O último Acústico MTV foi produzido em 2011, com Arnaldo Antunes, quando a MTV ainda era do Grupo Abril.

"O Acústico nunca deixou de ser um produto da MTV. Esse ano a gente já fez um no México e um na Argentina, e eu acho que no Brasil precisou esse momento da MTV de construção, ao longo de cinco anos, para o mercado entender que é interessante o Acústico, tanto para as gravadoras como para a audiência. Acredito que agora estamos prontos pra voltar com esse produto", disse Tiago Worcman, vice-presidente de Programação e Conteúdo da MTV Brasil e América Latina.

A iniciativa faz parte do projeto de reposicionamento da marca, que deseja se afastar do rótulo de “canal da pegação” e retomar a sua essência. "A MTV nunca deixou de tocar música, música faz parte do DNA da marca, é superforte. A gente tem 12 horas de música no ar todo dia. Um dos carros-chefes da nossa programação é o MTV Hits, que é das 17h30 às 20h, todos os dias, e é um sucesso, sendo trending topic diariamente. Acho que o Acústico MTV vai gerar mais um conteúdo relacionado à música, como também o MIAW, que agora já faz parte da nossa programação anual", frisou Worcman.

O projeto do novo Acústico MTV é transformar o programa em uma espécie de documentário sobre o artista abordado, apresentando o show e a obra de cada convidado. "A ideia é a gente ter um artista, no máximo dois por ano, porque a gente entende que o Acústico é um momento especial na carreira do artista. Ele tem que estar de alguma maneira querendo e preparado para se apresentar de uma maneira diferente da trajetória musical dele. Então, não é que a gente vai ter isso todo trimestre, porque a gente precisa encontrar o artista certo, na hora certa da carreira dele para fazer esse Acústico", explicou o vice-presidente da MTV.

O Acústico MTV estreou no Brasil em 1990 e foi responsável por uma série de CDs que venderam milhares de cópias e colocaram a carreira de diversas bandas em um nível superior. Os maiores sucessos do título ficaram com o Kid Abelha (2 milhões de cópias vendidas), Titãs (1,8 milhão de cópias), Legião Urbana (900  mil cópias), Lulu Santos (900 mil cópias) e Cássia Eller (900 mil cópias).

Quadrinhos, literatura e áudio: ofertas pra aproveitar o 13º salário

quinta-feira, novembro 29, 2018

O 13º salário está chegando, e separamos algumas ofertas pra você aproveitar essa grana extra. 

Tem quadrinhos e livros, porque ler nunca é demais, e também algumas oportunidades em caixas de som para tocar os seus discos.

Pega aí!

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