Review: Tool – Fear Inoculum (2019)



São poucas as bandas que possuem passe livre para a experimentação e a loucura dentro do heavy metal. Os norte-americanos do Tool não apenas ganharam esse direito ainda nos anos 1990, como abusaram do mesmo ao longo de quatro álbuns, dos quais dois ou três foram absurdamente influentes no metal progressivo, metal alternativo e até no lado mais inteligente do nu metal. Após 13 anos sem material novo, eis que o quarteto volta a surpreender - na medida do possível - com seu novo trabalho, Fear Inoculum.

Aqui, o grupo parece estar ciente de que seu auge experimental já passou, mas ao mesmo tempo se mostra renovado e disposto a utilizar elementos prévios com algumas diferenças: músicas maiores e mais cinemáticas do que de costume, emoções em primeiro plano e virtuosismo técnico em segundo plano. O vocalista Maynard James Keenan está arrepiante no quesito feeling e ainda traz novas camadas para a sua habitual voz aveludada. E as letras são bastante claras e objetivas em seus sentimentos de reflexão e evolução pessoal.

A boa faixa-título é um exemplo do espírito do novo álbum, visto que começa de forma suave – e com um pouco daquele clima esotérico que permeia muitas músicas do grupo - e nos leva a uma viagem crescente de ritmos, guitarras cada vez mais pesadas e letras sobre o expurgo do medo e negatividade. Já a excelente “Pneuma” possui bases mais psicodélicas e vai adquirindo intensidade em paralelo aos desdobramentos do seu tema espiritual.

“Invincible” também é muito boa, beneficiada por um instrumental criativo que culmina em um magnífico final claustrofóbico, e provida de uma metáfora que nos leva a imaginar a banda como sendo o velho guerreiro citado na letra. Já “Descending” se alterna entre o letárgico e o agressivo, como forma de abordar as consequências da maldade humana.

A quase comovente “Culling Voices” é outro destaque, graças às modulações vocais de Keenan bem unidas à sua temática sobre conflitos internos. Por fim, a sensacional “7empest” é o momento mais fusion, pesado e frenético do disco, o qual eleva a bateria de Danny Carey e a guitarra de Adam Jones, e ainda te atinge como a própria tempestade citada em seus versos.

Fear Inoculum é possivelmente o terceiro melhor álbum do Tool, logo após os supremos Ænima (1996) e Lateralus (2001). Acima de tudo, ele é como um mantra metálico que vai te colocar num transe, e ainda pode te presentear com uma epifania sobre nosso eterno amadurecimento na vida. Essa é uma banda que passou por vários problemas nos últimos anos e que agora encontrou sua paz e segurança. Escute todas as músicas com atenção e sem medo!



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