15 de fev de 2019

A segunda etapa do relançamento da discografia do Iron Maiden em CD

sexta-feira, fevereiro 15, 2019

O Iron Maiden está relançando a sua discografia em CD, e a segunda leva de títulos chegará às lojas a partir de 22 de março. Batizada como The Studio Collection - Remastered, a série vem com a remasterização de áudio em alta resolução realizada em 2015.

Esta segunda parte traz as novas edições de Powerslave (1984), Somewhere in Time (1986), Seventh Son of a Seventh Son (1988) e No Prayer for the Dying (1990), todas em digipack. E assim como na primeira, aqui temos um box especial com os discos, que vem acompanhado por um patch exclusivo e um boneco de Eddie com o visual futurístico da era Somewhere in Time na escala 1:24.

Steve Harris falou sobre os relançamentos: "Já fazia um bom tempo que queríamos revisitar esses discos, e fiquei encantado com a remasterização que fizemos em 2015. Eu acho que eles tem o melhor som que nossos álbuns já tiveram, e era justo que fossem disponibilizados em CD agora também."

Aos interessados, os discos já estão em pré-venda na loja oficial da banda studiocollection.ironmaiden.com



Discoteca Básica Bizz #145: Small Faces - Ogdens' Nut Gone Flake (1968)

sexta-feira, fevereiro 15, 2019

Dizem que um disco perfeito é aquele que serve como trilha sonora para um período. E se essa trilha se restringe apenas a um determinado local? Foi o que aconteceu com Ogden’s Nut Gone Flake, lançado em 1968 pela banda Small Faces. De saco cheio com a badalação em cima de Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band, dos Beatles, o grupo liderado pelo guitarrista e vocalista Steve Marriott elaborou um álbum tipicamente londrino para que os ingleses curtissem a ressaca do verão do amor.

O disco representa também uma transição na carreira da banda, formada em 1965 em torno das figuras de Marriott e de Ronnie Lane (baixo e vocais), dois viciados em música negra americana. Com o passar do tempo, porém, eles se interessaram por explorar seu passado inglês. Em vez de Muddy Waters e Motown, ouviam gente como George Formby (músico-comediante, uma espécie de Juca Chaves da terra da rainha).

De maior banda mod da Inglaterra (aqueles caras que estavam por dentro de tudo e se vestiam de forma impecável), os Small Faces se tornaram uma espécie de apóstolos do rock de cabaré. Ogden’s Nut Gone Flake traz uma mistura dessas influências e referências. Soul e psicodelia ainda estão presentes no som do Small Faces, mas diluídas em meio a um amalucado show de variedades londrino. Algumas das melhores canções que Steve Marriott e o falecido Ronnie Lane escreveram estão neste álbum. A faixa-título, por exemplo. Trata-se de uma instrumental atmosférica, cheio de phaser e outros efeitos. O disco segue com outras maravilhas, como a apaixonada balada "Afterglow", a cínica "Rene" e a otimista "Song of a Baker".


O grande hit desse trabalho foi "Lazy Sunday". Com seu refrão no estilo de músicas que tocavam em pubs e vocal tão carregado e londrino que chega a ser incompreensível, a canção nos convida a um típico passatempo inglês: curtir o domingão sem fazer nada. Só que, no caso, com muito ácido na cabeça.

O lado B é preenchido por uma suíte chamada "Happiness Stan", que foi dividida em seis partes. Para dar um clima verdadeiro de music hall, o grupo chamou para unir as faixas o comediante Stanley Unwin, que narra tudo de uma forma bem particular.

Ogden’s Nut Gone Flake foi o último momento de glória para os Small Faces. Depois do lançamento do álbum, a banda partiu para uma turnê pela Austrália, que ficou marcada por pouco público e muita zona entre os músicos. Marriott deixou o grupo de uma maneira original: no palco, enquanto os músicos improvisavam uma jam. Formou o Humble Pie ao lado de Peter Frampton e virou um ser errante durante anos até morrer num incêndio, em 1991.

Ronnie Lane, por sua vez, recrutou o guitarrista Ron Wood e o cantor Rod Stewart (ex-Jeff Beck Group) e mudou o nome do grupo para Faces. Depois trabalhou ao lado de Pete Townshend e de outros artistas até ser consumido pela esclerose múltipla - mal que o matou em 4 de junho de 1997.

Ouvido hoje, Ogden’s Nut Gone Flake nos remete a uma época em que a juventude da Inglaterra começava a se orgulhar de sua cultura. Não é muito diferente do que anda acontecendo agora com Oasis, Blur e outros, certo?

Texto escrito por Paulo Cavalcanti e publicado na Bizz #145, de agosto de 1997

Os dois novos lançamentos da Darkside Books trazem histórias aclamadas de terror

sexta-feira, fevereiro 15, 2019

Os fãs de mangás que apostaram no escuro com a DarkSide® Books já foram arrebatados pelas bizarrices e delírios do mestre Junji Ito em Fragmentos do Horror. E pediram mais. Muito mais. Agora é hora de embarcar em uma jornada por um conto de fadas dark assinado pelo aclamado mangaká Nagabe, no mangá de A Menina do Outro Lado

Em um país dividido entre pessoas normais e seres amaldiçoados, Shiva é uma menininha que foi acolhida por uma estranha criatura meio animal e meio humana. Sensei, como é chamado, não pode ser tocado e vive fora da cidade. 

A Menina do Outro Lado é uma fábula sobre a criação do afeto e o amor entre duas criaturas tão diferentes, mas com muito a compartilhar. Uma trama atual sobre a condição do diferente e da falta de aceitação. Sobre largar seus medos e enfrentar a vida com um novo olhar. 

Com uma arte delicada, que explora luz e escuridão, Nagabe apresenta um mangá rico em detalhes que não hesita em adquirir tons mais sombrios e peculiares conforme a história se desenrola. Está tudo aqui: a dualidade do preto e do branco, do bem e do mal, do animal e do humano, do lado de dentro e de fora.

Um mangá tão caprichado que ser nenhum, amaldiçoado ou não, consegue botar defeito.


Elas vivem nas sombras, ocultas nas trevas da noite, habitando os cantos mais obscuros de nossas mentes. Conhecemos algumas delas através de superstições, fábulas e lendas urbanas. Ou, quem sabe, por meio de contos sinistros sussurrados de geração para geração. Elas. As criaturas estranhas.

Acomode-se ao redor da fogueira e tente não temer os vultos sinistros na escuridão. A DarkSide® Books vai contar uma história para você. Uma não, várias. Uma mais aterrorizante do que a outra. E todas elas podem ser encontradas nas páginas de O Mundo de Lore: Criaturas Estranhas.  

Originado do premiado podcast Lore — cujos episódios se inspiram nas famosas creepypasta dignas de pesadelos —, o livro de Aaron Mahnke encontrou seu verdadeiro lar na editora mais tenebrosa do Brasil.  

Compartilhando detalhes fascinantes sobre monstros assustadores e bizarros, O Mundo de Lore: Criaturas Estranhas explora o encanto que nós, humanos, temos por saber o que já houve de fantástico neste mundo em que vivemos. Seja um vilarejo europeu onde gremlins tocam o terror ou uma casa nos Estados Unidos assombrada por um boneco chamado Robert. 

As belíssimas ilustrações de M.S. Corley aumentam ainda mais o ar de encantamento que percorre todo o texto. E o “mundo” do título vem bem a calhar: além do podcast de sucesso que contabiliza mais de 180 milhões de reproduções e do livro de arrepiar, o projeto foi transformado em série pela Amazon Prime Video, e já conta com duas temporadas disponíveis em português no Brasil. 

A verdade realmente pode ser mais apavorante do que a ficção. Mas quem tem um coração dark batendo no peito gosta — e inclusive pede mais.  

O primeiro conto está disponível no blog da Darkside. 

14 de fev de 2019

Você nunca mais vai olhar para os seus discos da mesma maneira

quinta-feira, fevereiro 14, 2019

Toda pessoa que gosta de música também adora capas de discos. Elas são icônicas, marcantes, históricas. Fazem parte das nossas vidas.

Toda essa história ganha uma nova dimensão através de um divertidíssimo perfil do Twitter chamado Álbuns com Traduções Literais (siga aqui). Criado em setembro de 2018, os caras postam capas clássicas e facilmente reconhecíveis devidamente traduzidas para o português. E, como não poderia deixar de ser, com doses elevadas de humor. Eles também tem página no Facebook.

Adorei o perfil e já sigo. E abaixo estão algumas das melhores sacadas pra você se divertir e dar boas gargalhadas. 

Vai lá!






















O novo álbum e a nova música do Whitesnake

quinta-feira, fevereiro 14, 2019

O novo álbum do Whitesnake, Flesh & Blood, será lançado dia 10 de maio pela Frontiers. O disco é o sucessor de Forevermore (2011). No meio de ambos, a banda gravou The Purple Album (2015), só com versões para clássicos do Deep Purple.

O primeiro álbum com canções inéditas do Whitesnake em sete anos vem com treze músicas e é também o décimo-terceiro disco da banda de David Coverdale. Ao lado do vocalista estão os guitarristas Reb Beach e Joel Hoekstra, o tecladista Michele Luppi, o baixista Michael Devin e o baterista Tommy Aldridge.


O álbum terá também uma edição deluxe em CD+DVD que contará com cinco faixas bônus.


Abaixo você confere o tracklist completo de Flesh & Blood e também assiste ao vídeo do primeiro single, a música "Shup Up & Kiss Me":


1. Good to See You Again 

2. Gonna Be Alright 
3. Shut Up & Kiss Me 
4. Hey You (You Make Me Rock) 
5. Always & Forever 
6. When I Think of You (Color Me Blue) 
7. Trouble is Your Middle Name 
8. Flesh & Blood 
9. Well I Never 
10. Heart of Stone 
11. Get Up 
12. After All 
13. Sands of Time

Discoteca Básica Bizz #144: Hüsker Dü - Warehouse: Songs and Stories (1987)

quinta-feira, fevereiro 14, 2019

Uma grande banda que acaba antes da decadência e ainda faz uma obra-prima no último disco. Sonho de roqueiro obsessivo? Não, existiu o Hüsker Dü. Warehouse: Songs and Stories saiu em 1987. O Dü foi para turnê, o empresário (David Savoy, um daqueles caras que colocam a tranqueira no furgão) se matou, o trio de Saint Paul (Estados Unidos) descobriu que não se topava mais e o óbito chegou. Mas em Warehouse, eles mandam bala naquilo que os Pixies souberam trabalhar depois - e que o Nirvana incorporou para se tornar a maior banda do mundo (em 1991, Bob Mould recusou o convite do então verdinho Kurt Cobain para produzir Nevermind. Sobrou para Butch Vig).

Desde 1979 o Dü capitaneava a legião “vamos-lá-na-raça" do rock independente. Os primeiros discos do trio formado por Bob Mould (guitarra, vocais), Grant Hart (bateria, vocais) e Greg Norton (baixo) não passavam de coices hardcore - em Land Speed Record (1982), seu álbum de estreia, eles executam dezessete canções em meros 26 minutos. Um dia o trio estalou que podia juntar barulho com uma sacada pop, coisa que outros nem sabiam (por preconceito, rebeldia ou falta de talento) que era possível, e acabou por entrar definitivamente na história do punk rock americano.

O Hüsker Dü foi uma das primeiras bandas pós-punk americanas dos anos 1980 a assinar com uma grande gravadora - o império Warner o capturou em 1986. Depois de soltarem o belo (e surpreendentemente otimista) Candy Apple Grey, Mould e Hart abriram o registro para jorrar Warehouse.


O som do LP, segundo álbum duplo da carreira do Hüsker Dü (o primeiro foi a obra-prima de barulheira conceitual Zen Arcade, de 1984), é de chorar. Paredes de guitarra mouldianas como reboco da cozinha firme de Norton e Hart, vocais humanos (de urros a sussurros) com harmonias bastardas dos Beatles. E coloridos de ritmo em que convivem valsa-punk ("She Floated Away"), 1-2-3-4 ramonesístico (a suprema "Could You Be the One") e rockabilly desnorteado ("Actual Condiction").

As letras seguram ainda mais. O Dü montou um mosaico da vida corriqueira: ansiedades, paixões em desenvolvimento e/ou mal resolvidas ("Could You Be the One", "Standing in the Rain", "Ice Cold Ice"), responsabilidades assumidas ("Charity, Chastity, Prudence and Hope"), desmoronamentos emocionais ("She Floated Away") e pequenas alegrias ("These Important Years").

Mould, homossexual discreto que se recusa a levantar bandeiras, tem sensibilidade para escrever feridas abertas que se aplicam a heteros, homos e pessoas que assistem a comerciais das facas Ginsu de madrugada. Basta prestar atenção no cenário descrito em "Standing in the Rain", que narra o fora levado por Mould num encontro - quem não passou por uma situação dessas? Hart não fica atrás. Com compositores desses, como a banda acabou?

Como? Não sei. Acabou. Mould formou e separou o Sugar no meio de sua carreira solo. Hart montou uma banda, Nova Mob, que entrou em parafuso e está só também. O bigodudo Greg Norton hoje é um mero chefe de cozinha depois que o Hüsker Dü passou a ter começo, meio e fim.

Texto escrito por Marcelo Orozco e publicado na Bizz #144, de julho de 1997

13 de fev de 2019

Jordan Rudess anuncia álbum solo com participações especiais de peso

quarta-feira, fevereiro 13, 2019

O tecladista do Dream Theater, Jordan Rudess, anunciou o lançamento de um novo álbum solo chamado Wired For Madness. O disco chegará às lojas dia 19 de abril e fará companhia a uma lista de mais de dez trabalhos autorais gravados pelo músico desde os anos 1990. O trabalho é o sucessor de The Unforgotten Path, que saiu em 2015.

Wired For Madness traz convidados como os bateristas Marco Minnemann, Rod Morgenstein e Elijah Wood, os guitarristas Vinnie Moore, Guthrie Govan e Joe Bonamassa e os companheiros de Dream Theater, James LaBrie e John Petrucci.


Um lyric video com um trecho da faixa "Wired For Madness Pt. 1" foi divulgado e pode ser assistido abaixo:


12 de fev de 2019

O que os músicos compram quando vão em uma loja de discos?

terça-feira, fevereiro 12, 2019

Se você gosta de música, provavelmente já ouviu falar da Amoeba Music, a maior loja de discos dos Estados Unidos e, para muitos, a maior loja de LPs, CDs e qualquer outro formato em todo o planeta. A primeira unidade da Amoeba começou a operar em 1990 em San Francisco, e desde então a rede abriu unidades em  outras cidades norte-americanas como Los Angeles e Berkeley. 

Pois bem. A Amoeba possui um canal no YouTube bem interessante, e um dos quadros mais legais se chama What's in My Bag? (O que tem na minha sacola?). A ideia é simples: ponto de peregrinação de colecionadores de todo o planeta, a loja também é muito frequentada por músicos. Então, toda vez que alguém famoso aparece por lá (seja músico, ator, escritor, ...), eles dão um jeito de produzir um vídeo para a série.


Esses vídeos também são legais pois mostram o quão variado é o cardápio musical de quem trabalha e vive de música. Um cara que toca em uma banda de metal extremo, por exemplo, não ouve só metal extremo.


Abaixo estão alguns dos melhores vídeos da série, pra você se divertir e se surpreender com as escolhas dos seus ídolos. E vale a dica: pra quem não sabe inglês, é só ligar as legendas do próprio YouTube.



Discoteca Básica Bizz #143: Pixies - Doolittle (1989)

terça-feira, fevereiro 12, 2019

A confissão de Kurt Cobain bate com o depoimento de outro monstro sagrado, David Bowie: "Fiquei puto quando escutei Nevermind pela primeira vez. A dinâmica das músicas era totalmente roubada dos Pixies!".

Essa genial brincadeira não é invenção do cantor e guitarrista Charles Michael Kitteridge Thompson IV. Indubitavelmente, porém, foi o quarteto que ele fundou em Boston que a elevou ao status de arte pop. Filho de pentecostais, Charles - ou Black Francis, como assinava na época - era um gordinho esquisito que amava Hüsker Dü (outra influência decisiva do Nirvana), ficção científica e a língua espanhola (fez intercâmbio em Porto Rico). Quando se juntou ao guitarrista Joey Santiago (filipino de nascimento), à baixista Kim Deal e ao baterista David Lovering para formar o Pixies, finalmente conseguiu botar para fora a confusão reprimida que insistia em gargalhar além de seu subconsciente.

Há quem prefira Surfer Rosa (1988), primeiro álbum do grupo, que ajudou a criar o mito do produtor Steve Albini. Mas o segundo, Doolittle, de 1989, tem um apelo irresistível. Contrariando o esnobismo underground do selo inglês 4AD, com quem tinham contrato, os Pixies trabalharam com som limpo, estruturas simples, senso melódico apurado (Elton John elogiou) e refrãos fortes.

Popular e doentio, quando saiu Doolittle foi interpretado pelo Melody Maker como um disco que tematizava a inutilidade da linguagem e a repulsa ao corpo. Parece pretensioso, mas faz sentido. E, igualmente importante, é divertidíssimo. O título referiria-se ao Dr. Doolittle, que, quem teve infância sabe, tinha o dom de falar com os animais. Era para ser Whore (prostituta), mas Francis achou "católico demais, ou bobamente anticatólico". Preferiu o homem que falava com as bestas, conceito que traduz seu estilo adoravelmente demente de cantar, um diálogo com monstros interiores.


Já na primeira faixa, "Debaser", Black Francis incorpora um freak adolescente urrando de excitação depois de ter assistido ao filme Un Chien Andalou, de Luis Buñuel, e tentando transmiti-la para uma colega: "Garotinha, é tão legal... ha ha ha ho! Fatiando os globos oculares... ha ha ha ho! Não sei de você, mas eu sou ‘un... chien andalousia’! Quero crescer para ser um pervertor." A voz de Kim Deal ecoa Francis ironicamente sexy: "Pervertor!"

Em "Hey", os grunhidos e gemidos dos dois fazendo sexo animal - a música é mais nirvanesca do que o próprio Nirvana - encaixaria perfeita em In Utero, com as vozes de Kurt e Courtney. "Tame" começa falando em "lábios de Cinderela", mas em poucos segundos explode num grito psicopata: "Você é tão mansa!". Kim geme, Francis arfa, as guitarras uivam, e todos (inclusive o ouvinte) chegam juntos a um orgasmo sonoro.

Em várias faixas as guitarras surf de Joey e Black prenunciam o revival promovido pelo locadora boy Quentin Tarantino. David Lovering canta um delicioso deboche sixties, "La La Love You".

"Monkey Gone to Heaven" tem celos, cordas, backing vocals celestiais de Kim Deal e uma desconcertante equação na letra: primata em desacerto com a natureza + numerologia bíblica = apocalipse. A poesia de Francis é tão brilhante quanto os desenhos melódicos de sua guitarra: "Beijei sereias, cavalguei o El Niño, andei pela areia com crustáceos, numa onda de mutilação". O produtor Gil Norton chegou a ficar assustado com alguns versos, mas Francis o tranquilizou: "É tudo bobagem, eles não querem dizer nada, são só sons que eu junto". Pois sim. Confiram a travadíssima "I Bleed": "Alto feito o inferno, um sino toca atrás do meu sorriso, sacode meus dentes e, esse tempo todo, enquanto os vampiros se alimentam, eu sangro".

Texto escrito por Pedro Só e publicado na Bizz #143, de junho de 1997

11 de fev de 2019

Phil Demmel fala sobre o Machine Head: "A banda virou um projeto solo de Robb Flynn"

segunda-feira, fevereiro 11, 2019

Conversando com o podcast Talk Toomey, o guitarrista Phil Demmel falou sobre os últimos anos do Machine Head e como a banda se transformou em uma espécie de projeto solo de Robb Flynn.

Segundo Demell: "Não vou falar mal sobre a separação ou sobre Robb. Acho que ele é um músico incrível, e os tempos que eu tive com o Machine Head também foram incríveis. Mas os últimos anos não foram. Nós simplesmente não trabalhamos mais como pessoas. Acho que Robb se desviou do caminho de ser uma banda. Ele permaneceu em seu caminho. Em vez de estarmos todos com o mesmo objetivo ou pedindo para estar no mesmo caminho, tudo simplesmente se tornou algo como 'é isso que estamos fazendo agora, sigam-me'. Houve momentos em que escrevi o que gosto. Eu escrevi a maior parte de 'California Bleeding', mas depois Robb escreveu as letras em cima disso, e eu só queria… Eu e Dave McClain falamos sobre isso, tipo, 'Foda-se! Eu gostaria de poder pegar meus riffs de volta. Não, não é para isso que quero que eles sejam usados'. Então, acho que, nesse sentido, o Machine Head acabou se tornando um projeto solo de Robb Flynn, e não é pra fazer isso que eu entrei na banda. Os últimos anos foram basicamente coletando um cheque de pagamento. E eu simplesmente não consegui mais continuar assim. O stress e todas as conversas e todo o 'não pode fazer isso', 'não faça isso', 'não faça aquilo', 'não fique aí', 'não diga isso' não cante as palavras para o público, 'não aponte'. Cansei de tudo aquilo!".

Phil Demmell e o baterista Dave McClain anunciaram que estavam saindo do Machine Head em outubro de 2018, pegando os fãs de surpresa. O guitarrista entrou no grupo em 2003 e participou de todo o processo que reestabeleceu a carreira do quarteto norte-americano e deu ao mundo discos espetaculares como Through the Ashes of Empires (2003), The Blackening (2007), Unto the Locust (2011), Bloodstone & Diamonds (2014) e o mais recente e não tão bem aceito Catharsis (2018). Já McClain entrou na banda em 1995 e foi fundamental para estabelecer o Machine Head como uma das maiores forças do metal norte-americano.

A banda conta apenas com Robb Flynn e com o baixista Jared MacEachern atualmente. Jared entrou no grupo em 2013, substituindo o membro fundador Adam Duce, que também deixou o grupo devido a problemas com Flynn. No entanto, apesar de perder 50% dos seus músicos, Robb informou que o Machine Head não acabou e que a banda seguirá a sua sua carreira.

Fear Factory anuncia novo disco

segunda-feira, fevereiro 11, 2019

O novo álbum do Fear Factory se chama Monolith e a banda pretende lançá-lo no segundo semestre. O disco sairá pela Nuclear Blast e será o primeiro trabalho do quarteto californiano desde Genexus (2015).

As informações foram reveladas pelo vocalista Burton C. Bell em entrevista ao SiriusXM. Segundo Bell: "Temos um novo álbum. Está feito e entregue ao selo. Temos algumas dificuldades técnicas, e assim que terminarmos tudo, o disco sairá. Ele vai ser chamado de Monolith e é um ótimo trabalho."

O Fear Factory é formado atualmente por Burton C. Bell, pelo guitarrista Dino Cazares, o baixista Tony Campos e o baterista Mike Heller.


10 de fev de 2019

Ozzy é transferido para UTI de hospital

domingo, fevereiro 10, 2019

Notícias preocupantes a respeito de Ozzy Osbourne. Internado desde quarta-feira, 6 de fevereiro, no Keck Hospital, na University of Southern California, em Los Angeles, para o tratamento de uma grave infecção respiratória, o vocalista foi transfeito para a Unidade de Terapia Intensiva da instituição neste sábado.

A medida foi tomada pelos médicos devido a "graves preocupações" em relação à saúde do músico. Sharon e os filhos de Ozzy, Jack e Kelly, tem passado os últimos dias ao lado de Ozzy no hospital, fazendo companhia ao vocalista. Segundo uma fonte ouvida pelo jornal: "Ele foi transferido para o UTI porque os médicos temem que ele desenvolva uma pneumonia e uma bronquite, o que, em um paciente de 70 anos, pode ser fatal. Isso provocou muito pânico entre os mais próximos a ele, mas os médicos garantiram a todos que Ozzy estava nas melhores mãos possíveis".

As informações sobre o estado de saúde de Ozzy são conflitantes. Jack e Sharon Osbourne postaram em suas redes sociais informando que o músico está melhor e pode ter alta neste final de semana. Do outro lado, a imprensa britânica noticiou que o vocalista está na UTI e que os médicos estão muito preocupados com o seu estado de saúde.

Aguardamos as próximas notícias.

Quadrinhos: Justin, de Gauthier

domingo, fevereiro 10, 2019

Identidade de gênero é uma das discussões do nosso tempo. E ela não envolve, necessariamente, desejo sexual. Trata-se da questão de uma menina se enxergar como um menino, e vice-versa. É complexo, profundo e afeta enormemente a vida de quem não consegue olhar para o seu corpo e se enxergar com realmente se vê. 

Justin, da autora francesa Gauthier, é uma HQ que está sendo lançada no Brasil pela editora Nemo e aborda justamente esse assunto. Narrada com grande sensibilidade, mas jamais soando piegas, Justin mostra todo o processo da garota Justine para se relacionar com o mundo. Mostra situações familiares, médicas e de amizade, e como a relação com as pessoas é fundamental para a aceitação de quem você realmente é. 


A autora usa elementos antropomórficos para construir os personagens, e sua arte simples faz com que o leitor mantenha o foco na história da "menina-menino", como Justine/Justin se define em determinado momento. 

É uma HQ curta, porém fundamental para esses tempos em que vivemos, onde questões pessoais como a identidade de gênero, que diz respeito apenas ao próprio indivíduo, não são entendidas por grande parte da sociedade e ficam ainda mais nebulosas com a interpretação religiosa e conservadora que tomou conta do Brasil. 

Excelente, e mais um belo lançamento da editora Nemo.

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