22 de fev de 2019

Mötley Crüe revela como será a trilha sonora de The Dirt

sexta-feira, fevereiro 22, 2019

A trilha sonora de The Dirt, filme que conta a história do Mötley Crüe e estreará dia 22 de março na Netflix, traz surpresas agradáveis para os fãs da banda californiana.

O disco virá com 18 faixas, sendo que quatro delas são inéditas e foram registradas pelo quarteto recentemente: "The Dirt (Est. 1981)" (com participação do rapper Machine Gun Kelly, que interpreta Tommy Lee no filme), "Ride with the Devil", "Crash and Burn" e o cover para "Like a Virgin", um dos maiores hits de Madonna.



O Mötley Crüe realizou o último show de sua carreira no dia 31 de dezembro de 2015 no Staples Center, em Los Angeles. Desde então os músicos estão envolvidos em outros projetos.


Abaixo está o tracklist da trilha sonora de The Dirt e também o vídeo da inédita "The Dirt (Est. 1981)":


1. The Dirt (Est. 1981) (feat. Machine Gun Kelly) 
2. Red Hot 
3. On With The Show 
4. Live Wire 
5. Merry-Go-Round 
6. Take Me To The Top 
7. Piece Of Your Action 
8. Shout At The Devil 
9. Looks That Kill 
10. Too Young To Fall In Love 
11. Home Sweet Home 
12. Girls, Girls, Girls 
13. Same Ol' Situation (S.O.S.) 
14. Kickstart My Heart 
15. Dr. Feelgood 
16. Ride With The Devil 
17. Crash And Burn 
18. Like A Virgin (MADONNA cover)

Duff McKagan divulga música inédita

sexta-feira, fevereiro 22, 2019

Duff McKagan, baixista do Guns N' Roses, divulgou nesta sexta-feira o primeiro single de seu novo álbum solo. A música tem o título de "Tenderness" e pode ser ouvida abaixo.

O músico falou sobre a canção e como ela se relaciona com o momento atual dos Estados Unidos: "O ponto central deste disco, e a letra de 'Tenderness', não significam para mim ser um maldito político ou alguma outra voz para adicionar ainda mais barulho a tudo que está aí. É exatamente o contrário, pois esta é uma canção de unidade e paz. Quero que este novo álbum seja uma meditação e traga talvez alguma cura para as pessoas, se isso não soar muito arrogante ou coisa do tipo. Posso usar a voz marginal que eu tenho como artista para ajudar a parar o que parece ser uma queda da nossa sociedade. Como pai, devo dizer e fazer algo agora, porque eu amo minhas meninas e minha esposa, e amo meu país, e sinto que devo ser forte e usar minha voz agora. Faça isso enquanto puder, ou talvez nunca mais terá outra chance".


Ainda sem título e nem data de lançamento definidos, o novo álbum de Duff será o segundo disco solo do baixista, sucedendo Believe in Me, que saiu em 1993. 


21 de fev de 2019

Rock in Rio anuncia Foo Fighters, Weezer e Panic! At the Disco

quinta-feira, fevereiro 21, 2019

O Rock in Rio anunciou na tarde desta quinta-feira o último headliner da edição deste ano do festival. Trata-se do Foo Fighters, banda liderada pelo ex-baterista do Nirvana, Dave Grohl. Foram anunciados também o Weezer e o Panic! At the Disco.

Foo Fighters e Weezer se apresentarão no dia 28/09, sábado, data que não teve nenhuma outra banda anunciada até agora no Palco Mundo, mas que já conta com Lulu Santos recebendo Silva no Palco Sunset. Já o Panic! At the Disco tocará no dia 3 de outubro, data que tem como atração principal o Red Hot Chili Peppers.

Esta será a quinta visita do Foo Fighters ao Brasil. A banda estreou nos palcos nacionais no Rock in Rio 2001, tocou no Lollapalooza em 2012, retornou em 2015 e passou de novo por aqui em 2018. Já o Weezer tocou apenas uma vez por aqui, em 2005, no Curitiba Rock Festival. Em relação ao Panic! At the Disco, essa será a primeira passagem da banda norte-americana por aqui, salvo engano.

Com os anúncios, o Rock in Rio 2019 revelou todos os seus headliners, que são: Drake (27/09), Foo Fighters (28/09), Bon Jovi (29/09), Red Hot Chili Peppers (03/10), Iron Maiden (04/10), P!nk (05/10) e Muse (06/10). Também já estão confirmados no festival a Dave Matthews Band, Scorpions, Megadeth, Sepultura, Black Eyed Peas, Anitta, Imagine Dragons, Nickelback, Paralamas do Sucesso, Seal, Lulu Santos, Jessie J, Slayer, Anthrax, Torture Squad, Claustrofobia, Nervosa, Charlie Puth e King Crimson. Pra quem gosta de reclamar que o Rock in Rio não tem rock, a edição deste ano não está ajudando, hein?

O Rock in Rio acontecerá de 27 a 29/09 e de 03 a 06/10 no Rio de Janeiro.

A história do movimento feminista em quadrinhos

quinta-feira, fevereiro 21, 2019

Há 150 anos, a vida das mulheres era muito diferente: elas não podiam tomar decisões sobre seu corpo, votar ou ganhar o próprio dinheiro. Quando nasciam, os pais estavam no comando. Depois, os maridos. O cenário só começou a mudar quando elas passaram a se organizar e a lutar por liberdade e igualdade.

Em Mulheres na Luta - 150 Anos em Busca de Liberdade, Igualdade e Sororidade, HQ que a Companhia das Letras está lançando (capa dura, 128 páginas, formato 20x27,6 cm),  Marta Breen e Jenny Jordahl destacam batalhas históricas das mulheres — pelo direito à educação, pela participação na política, pelo uso de contraceptivos, por igualdade no mercado de trabalho, entre várias outras —, relacionando-as a diversos movimentos sociais. O resultado é um rico panorama da luta feminista, que mostra o avanço que já foi feito — e tudo o que ainda precisamos conquistar. 




O livro, que é totalmente colorido e tem capa dura, ainda conta com um posfácio de Bárbara Castro sobre o movimento feminista no Brasil.

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A história do thrash metal contada pelos próprios músicos

quinta-feira, fevereiro 21, 2019
Estamos em 1985, quase 1986. O disco mais falado em todo o mundo é Born in the USA, de Bruce Springsteen. As paradas americanas estão dominadas por artistas que participaram do Live Aid alguns meses antes. A MTV tem apenas quatro anos de vida, e ainda faltam 15 meses para que o primeiro programa focado exclusivamente em um gênero musical faça a sua estreia na emissora – no caso, o Headbanger's Ball. As bandas de rock que tocam no canal incluem nomes como Ratt, Ozzy Osbourne, Def Leppard e Judas Priest. O maior nome de Los Angeles é o Mötley Crüe, líder de uma nova onda glam que levou ídolos veteranos como Ozzy e Scorpions a usar cabelos armados e delineador nos olhos.

Fora de tudo isso, algo estava acontecendo. Filho indisciplinado do heavy metal e do punk, o thrash metal passou os três anos anteriores nas mãos de um punhado de músicos da Bay Area de San Francisco, com pequenas cenas também em Los Angeles e Nova York. As bandas chaves da cena – o Metallica de San Francisco, Slayer e Megadeth de Los Angeles e o Anthrax de Nova York – haviam lançado álbuns que foram recebidos com entusiasmo por aqueles que as conheciam.

A cena era baseada em alguns selos independentes: Metal Blade e Magaforce na Califórnia e Music for Nations no Reino Unido. Por três anos, eles se mantiveram sem qualquer interferência das grandes gravadoras.

Mas tudo estava prestes a mudar. O Metallica, a mais celebrada e elogiada banda do movimento, assinou com a Elektra em 1985, e os outros grupos viam o progresso do quarteto com um mixto de admiração e inveja. No final do ano, as comportas se abriram e o thrash metal chegou com tudo ao mainstream.


Brian Slagel (fundador da Metal Blade) – A cena thrash era muito pequena. Nos Estados Unidos, todas as bandas conheciam umas às outras. Eu acho que, naquela época, todos estavam nessa apenas pelo amor à música, com uma mentalidade bem “nós-contra-o-mundo”.

Lars Ulrich (Metallica) – Você enviava cinco fitas demo para as pessoas, e uma semana depois milhares de garotos tinham uma cópia. Era como fogo se espalhando!

Brian Slagel – Acho que, hoje em dia, é fácil dizer que aquelas bandas se tornariam o Big Four, mas, na época, se você perguntasse para qualquer um qual seria o grupo que iria estourar, todos respoderiam Armoured Saint. Mas, no final, as coisas não aconteceram da maneira que imaginávamos.

Lars Ulrich – Você poderia facilmente argumentar que eu e James, naquela época, éramos meio conservadores por andar sempre com camisetas do Motörhead e do Iron Maiden, batendo cabeça e balançando nossos longos cabelos.

Harald Oimoen (fotógrafo) – Dave Mustaine, é claro, estava extremamente chateado por ter sido demitido do Metallica e se afogava em álcool e drogas. Eu estava mais do que satisfeito em saciá-lo. Lars e Dave ainda saíam regularmente e isso passou despercebido pela mídia, mas Mustaine acabou com qualquer possibilidade de voltar ao Metallica ao aproveitar qualquer oportunidade que tinha para falar mal da banda.

Eric Peterson (Testament) – Paul Baloff era o ídolo da Bay Area por causa da sua personalidade. Ele tinha um lobo de verdade! Ele ia para os clubes com o seu lobo, levava o animal junto para todos os lugares. Ele tinha patas peludas como uma barba. Baloff dava algumas ordens e o bicho rosnava pra você!

Gary Holt (Exodus) – O lobo se chamava By-Tor. Paul tinha um magnetismo sobre o público semelhante ao do pastor Jim Jones. Se ele mandasse as pessoas beberem um xarope colorido, elas bebiam! Ele tinha uma espécie de liderança distorcida.

Brian Slagel – O Slayer era uma banda interessante porque eles não eram necessariamente bons amigos. Quando estavam juntos era magia pura, mas eles não saíam muito um com o outro.

Tom Araya (Slayer) – A cena era muito maior na Europa. Tocamos no festival Heavy Sounds, na Bélgica, para um público de 15 mil pessoas. Quando voltamos, continuávamos tocando para 300 a 400 pessoas nos clubes americanos.

Gem Howard (Music for Nations) – O Metallica conquistou a Europa antes de conquistar a América. Quando a Q-Prime assumiu (a Q-Prime é a empresa que gerencia a carreira do grupo), a banda era um sucesso no Velho Mundo, mas ainda não havia vingado nos Estados Unidos.


Em 27 de dezembro de 1985, em uma Copenhagen coberta de neve, o Metallica dava os toques finais em seu terceiro álbum, Master of Puppets. Eles estavam na Dinamarca há quatro meses, passando o tempo entre Sweet Silence Studio, onde haviam gravado o disco anterior, Ride the Lightning, e dividindo quartos no Scandinavia Hotel. As fitas masters foram enviadas para Los Angeles para serem mixadas por Michael Wagener, que havia trabalhado anteriormente com o Mötley Crüe e o Poison. Eles não sabiam, mas nos próximos 12 meses tudo mudaria não só para o Metallica, mas para o próprio estilo que eles ajudaram a criar.

James Hetfield (Metallica) – As faixas de Master of Puppets me lembram um Metallica inocente. Não estúpido, mas ainda não marcado e arruinado pela fama. A honestidade e a inocência estavam presentes no estúdio, ainda tínhamos aquele fogo. Só havia o Metallica em nossas mentes. Na minha opinião, Master of Puppets era tudo o que nós queríamos ser.

Kirk Hammett (Metallica) – Eu poderia dizer que percebemos que o que estava nascendo iria fazer história. Cada música que surgia era realmente incrível. Tudo o que nós escrevíamos, nós gostávamos. Era meio “Meu Deus, isso é ótimo!”, saca?

Lars Ulrich – Nos apoiamos uns nos outros quando a comunidade thrash nos acusou de vendidos por causa das partes acústicas e tudo mais. Mas nós fizemos aquilo porque era verdadeiro, era a nossa verdade.

Gem Howard – Nós tivemos todas as quatro bandas do Big Four ao mesmo tempo na Music for Nations. Licenciamos o Slayer para o Reino Unido, tínhamos os dois primeiros discos do Anthrax, os três primeiros do Metallica e o debut do Megadeth. O Metallica era a mais forte de todas, sem dúvida.

Charlie Benante (Anthrax) – Master of Puppets colocou tudo em um nível mais alto, isso é certo.

Brian Slagel – O disco era incrível. Honestamente, eu não era um grande fã de Kill 'Em All, mas Ride the Lightning era excelente e, quando lançaram Master of Puppets, eles fizeram melhor ainda!

Eric Peterson – O disco tinha uma produção muito melhor, tudo soava de forma limpa e clara. Qualquer um ficaria orgulhoso de compor algo como “(Welcome Home) Sanitarium”. Era uma faixa espetacular, que todo mundo adorava! O Metallica se transformou em nossa grande esperança. Era algo como “saca só essa produção, eles soam tão bem quanto qualquer disco do Rainbow”. Master of Puppets é um grande clássico, e foi muito inspirador para nós.

Gary Holt – Na primeira vez que ouvi “Battery”, foi algo como “isso é incrível”!

James Hetfield – Há uma inocência nisso tudo, meio que “fodam-se, a atitude ainda está aqui, não fomos influenciados por toda a grandeza do Metallica!”. As canções têm uma energia, uma chama. Mas nós ainda éramos jovens, estávamos crescendo, e aquelas músicas foram ficando cada vez maiores como o passar do tempo.



31 de janeiro de 1986. O Spastik Children, grupo formado por Cliff Burton e James Hetfield (na bateria) mais o vocalista Fred Cotton e o guitarrista James McDaniel, toca em um show no Ruthie's Inn, em San Francisco, local que se transformaria em um ícone da cena thrash da Bay Area.

Eric Peterson – O Ruthie's ficava em uma região muito perigosa da San Pablo Avenue. O camarim era um quarto pequeno atrás do palco. Basicamente você ficava no meio da multidão ou ia para o lado direito quando entrava e tentava atravessar o público. Era tudo muito sujo, na linha dos clubes de blues de antigamente. Tinha que ser meio kamikaze para encarar a bebida que os caras tinham lá.

Gary Holt – Eu e Paul Baloff começamos a moldar o Exodus a partir da nossa própria visão das coisas, que era basicamente ser o mais brutal e violento possível. O público também respondia dessa maneira, e quando o Ruthie's Inn abriu, tudo ficou realmente muito insano!

Eric Peterson – Baloff dizia: “Se tem algum poser lá fora, eu quero ver o seu sangue aqui no palco”. Era como um ritual de sacrifício Maia!

Robb Flynn (Vio-lence, futuro Machine Head) – Em um show do Exodus no Ruthie's Inn, um cara tinha um osso de uma perna de uma vaca, e andava com aquilo para todo o lado, encarando as pessoas …

Lars Ulrich – Eu sei que os nossos colegas ingleses bebiam mais do que nós, mas de certa forma era como se nós bebêssemos ainda mais! Em qualquer lugar dos Estados Unidos você encontra essas garrafas de vodka baratas, e todo mundo andava com uma embaixo do braço.

Eric Peterson – O Metallica sempre vinha assistir os nossos shows. Eu sempre via James e Kirk na plateia. Lembro de James sentado no Ruthie's com seu boné virado para trás. Ele ficava batendo nas mesas com os punhos e gritando “The Haunting”, “The Haunting”!

Gary Holt – O nascimento do thrash violento foi no Ruthie's. Havia figuras como o enorme Toby Haines, que pisava nas cabeças das pessoas. Ele tinha 1,96 metros e era bem pesado. A música “Bonded by Blood” é sobre os shows do Exodus no Ruthie's, onde sempre havia vidros quebrados por todo o palco e as pessoas se cortavam com eles. Os caras pegavam hepatite C e coisas do tipo!

Robb Flynn – Há uma espécie de mito a respeito do thrash, de que tudo era uma diversão saudável e intensa, mas não era bem assim. Havia muito perigo real envolvido, muita violência, não era nada seguro.

Eric Peterson – Ninguém tinha armas, mas havia muitos canivetes. Todo mundo tinha um canivete!

Bob Nalbandian (fundador da revista Headbanger) – Todo mundo acha que o speed metal, ou thrash metal como ficou conhecido depois, se originou em San Francisco, mas é preciso lembrar que três das bandas do Big Four começaram em Los Angeles.


Foi para Los Angeles que Dave Mustaine voltou após ter sido colocado para fora do Metallica devido aos seus excessos com drogas e álcool. Ele canalizou toda a sua fúria no Megadeth, a banda que criou com o baixista Dave Ellefson. A dupla era o Toxic Twins do thrash metal (nos anos setenta, Steven Tyler e Joe Perry, do Aerosmith, ganharam esse apelido devido à quantidade industrial de drogas que utilizavam, em uma alusão ao Glimmer Twins, como eram conhecidos Mick Jagger e Keith Richards, dos Rolling Stones) – junkies que faziam de tudo para conciliar a carreira musical com o vício em heroína (a dupla gastou metade do adiantamento de 8 mil dólares recebido em 1985 para a gravação do seu disco de estreia, Killing is My Business … and Business is Good, em drogas, bebidas e, em dose menor, algum alimento). Apesar disso, havia muita expectativa pelo disco seguinte do grupo, Peace Sells … But Who's Buying?.

Dave Mustaine (Megadeth) – Eu achava o que nós havíamos feito no Metallica muito bom e revigorante. Eu vivia sozinho desde os meus 15 anos. Todo dia eu acordava, tocava guitarra e vendia maconha para sobreviver. A minha vida era assim. Eu estava apto para ter um emprego verdadeiro na indústria da música, convenhamos … Mas como parecia que isso não iria acontecer, eu entrei em um modo de preservação. Foi assim que o Megadeth surgiu, porque eu desenvolvi habilidades de sobrevivência desde que os meus pais haviam se separado.

Dave Ellefson (Megadeth) – Morávamos em Los Angeles, mas nos sentíamos como peixes fora d'água. Havia um submundo ao nosso redor. Nós éramos basicamente sem-teto e ficávamos com qualquer garota que se interessasse por um músico. Vivíamos em minha van ou em nosso local de ensaio. Nosso vício em drogas era um grande problema, e também causava dificuldades financeiras. Nós literalmente descemos para o inferno!

Dave Mustaine – A cidade em que a gente morava, Los Angeles, era muito perigosa. Mas nós também éramos. Muitas dessas brigas entre as bandas glam e de thrash que contam por aí eram realmente perigosas, principalmente por causa da heroína. Os caras do Mötley Crüe desfilavam em carrões enquanto pessoas morriam embaixo de suas rodas. Era uma época bem perigosa …

Dave Ellefson – Dave e eu não tínhamos um plano B, empregos fixos e estudo. Éramos dois sem-teto que viviam juntos. Coisas assim são o DNA de uma grande bandas. É isso que o Megadeth tem.

Dave Mustaine – Havia gente drogada por todos os lados, uns deitados no chão e outros mijando ao redor. Era glamoroso? Nunca! A maneira como gravamos discos hoje em dia é muito mais agradável para mim. Naquela época fomos para o The Music Grinder Studios, que era um lugar bem legal e ficava em um local da moda com um monte de peruas ao redor e um hot dog muito bom por perto. Com um pouco de dinheiro para a comida e para a heroína, tínhamos um bom dia.

Bob Nalbandian – Eu entrevistei Dave Mustaine logo depois que ele saiu, ou foi demitido, do Metallica. Ele era muito convencido e um pouco arrogante, mas de uma maneira positiva. Se você ler essas entrevistas hoje em dia, você verá que ela tinha uma atitude de não se importar com nada e uma determinação total para alcançar o sucesso e ser o melhor no que fazia.

Dave Mustaine – Eu lembro de me apaixonar por Belinda Carlisle, da banda The Go-Go's. Ela veio ao estúdio me ver um dia, e eu tinha acabado de cheirar heroína quando ela bateu na porta. Ela era contra as drogas, e eu estava totalmente perdido. Eu realmente não sei o que aconteceu para eu ter ficado sóbrio. Talvez a gente pudesse ter casado e tido um monte de filhos, eu não sei, mas esse dia foi um dos piores na gravação daquele disco, com uma grande oportunidade balançando na minha frente e eu deixando-a passar.

Lars Ulrich – Quando você ouvia Peace Sells pela primeira vez em 1986, ou se você vai ouvi-lo pela primeira vez hoje em dia, ele continua sendo um grande disco de heavy metal. Nem mais, nem menos. Ele passou pelo teste do tempo.

Dave Mustaine – Deixa eu dizer uma coisa para você: Peace Sells não é apenas um disco, é um estilo de vida. É isso que ele é, tanto para os nossos amigos como para os nossos inimigos.


Em 3 de março de 1986, Master of Puppets desembarcou nas lojas com um adesivo falso de aviso aos pais grudado na capa, em que se lia: “A única faixa que você não vai querer tocar é 'Damage, Inc.', por causa do uso infame da palavra que começa com 'F'. Fora isso, não há quaisquer 'shits', 'fucks', 'pisses', 'cunts', 'motherfuckers' ou 'cocksuckers' em qualquer outra música deste disco”. Três semanas antes, no Kansas Coliseum em Wichita, o Metallica começou uma turnê de cinco meses abrindo para Ozzy Osbourne. Isso impulsionou Master of Puppets para a posição número 29 da Billboard, uma façanha totalmente inconcebível 12 meses antes.

Mick Wall (jornalista) – O Mötley Crüe saiu com Ozzy, e os caras voltaram como estrelas. O Def Leppard saiu com Ozzy, e eles voltaram como estrelas. O Metallica saiu com Ozzy, e eles voltaram como estrelas. Era assim que as coisas funcionavam.

Brian Slagel – Os shows com Ozzy foram a primeira vez em que as bandas de thrash metal romperam as barreiras da cena que vieram.

Ozzy Osbourne – Eu estava caminhando perto do ônibus deles antes do show, ouvi alguém tocando algumas canções antigas do Black Sabbath e pensei que estavam tirando uma comigo. Eles não falavam comigo e sempre mantinham uma certa distância. Eu achava aquilo realmente estranho. Fui até o tour manager e perguntei: “Isso é uma piada ou algo do tipo?”. E ele respondeu: “Não, eles pensam que você é um deus!”.

Lars Ulrich – Essa foi a primeira vez que nós saímos de nossa região. Foi a primeira vez em que aparecemos no radar do mainstream.

Gary Holt – Os caras do Metallica eram todos meus amigos, então eu estava muito feliz com tudo o que estava acontecendo com eles. Desde que eles gravaram Ride the Lightning nós sabíamos que algo iria acontecer com a banda. E quando eles fizeram Master of Puppets ficou claro que eles eram melhores que qualquer um de nós.

Lars Ulrich – Lembro da última data com Ozzy, em Hampton, na Virginia. Nosso manager, Cliff Burnstein, veio de Nova York para assistir o último show. Ele se sentou no ônibus e disse: “Vocês estão vendendo discos suficientes para comprar muitas casas”. Nós ficamos cinco meses em turnê com Ozzy. Todos no mesmo ônibus, banda e equipe, bebendo 12 horas por dia, vivendo todas as fantasias mais malucas que tínhamos envolvendo garotas e heavy metal. Lembro de Cliff sentado e falando: “Fuuuuuuuuuuuuuuuckkkkk, eu posso comprar uma casa!”. O resto de nós não queria comprar uma casa, só queríamos continuar em turnê.

Kirk Hammett – Eu nunca imaginei que faríamos sucesso. Comparando o Metallica com os outros artistas nas paradas, éramos uma laranja podre no meio de um monte de belas maçãs.

Mick Wall – A grande diferença entre o Metallica e o resto era isto: eles tinham um grande disco, mas também tinham Lars Ulrich e Peter Mensch e Cliff Burstein, da Q Prime. Eles sabiam que não iriam tocar na MTV, então foram hábeis ao declarar “nós não vamos gravar nenhum clipe”. Ao mesmo tempo, Lars estava negocionando com Michael Alago, o chefão do selo A&R da Elektra, além de promotores e todo tipo de gente assim. Eles eram a base e a corporação ao mesmo tempo. Lars era um cara que poderia fazer carreira na indústria da música como executivo. Essa era a diferença.

Charlie Benante – Naquele tempo, o Headbanger's Ball estava começando na MTV. Eles mijavam em você durante uma hora e, se você tivesse sorte, via um vídeo do Bon Jovi ou do Poison. Era assim que funcionava, mas as coisas estavam mundando.


Graças a Master of Puppets, o thrash metal havia chegado ao mainstream. Outras bandas foram contratadas por grandes gravadoras depois do Metallica. Uma delas foi o Slayer, que trabalhava em seu terceiro álbum, Reign in Blood, enquanto o Metallica estava na estrada com Ozzy.

Brian Slagel – Havia uma competição entre as bandas para ver quem tocava mais rápido. Era por isso que elas eram classificadas de speed metal antes do surgir o termo thrash metal. O Slayer queria ser a banda mais rápida e pesada de todas.

Tom Araya – Nós tínhamos algo de black metal vindo do Venom, e isso nos colocou em outro nível. A ideia por trás de Reign in Blood era não fazer outro álbum lento como Hell Awaits, mas sim um disco rápido com canções curtas. Esse era o nosso objetivo.

Kerry King (Slayer) – O que eu lembro de quando compus essas canções? Não faço a menor ideia, cara …

Brian Slagel – Alguém me falou que Rick Rubin estava interessado no Slayer, e eu pensei: “Ok, isso é interessante. Def Jam, um selo de rap ...” Fui encontrá-lo, e Rubin era, definitivamente, muito mais headbanger do que eu imaginava. Ele realmente desejava o Slayer, e foi mais agressivo que qualquer outro que queria ter o grupo.

Tom Araya – O que Rick Rubin trouxe para o processo? O seu ouvido musical. O que aconteceu com Reign in Blood é que, embora ele fosse rápido, você podia ouvir tudo. Esse foi o toque de Midas de Rubin.

Brian Slagel – As demos de Reign in Blood tinham cerca de 34 minutos, mas quando finalizamos o disco ele tinha aproximadamente seis minutos a menos.

Tom Araya – Nós fizemos as mixagens, e eu pensei: “28 minutos?”. Falei para Andy Wallace, que era o engenheiro: “Isso é tudo?”. Ele: “Bem, é isso”. Perguntamos se isso seria um problema para Rick, e ele respondeu: “Bem, um álbum se constitui de 10 faixas, e nós temos 10 faixas”.

Jeff Hanneman (Slayer) – Quando nós finalizamos o disco e vimos a capa, uma pintura do artista Larry Carroll com Satã sendo carregado por homens com ereções, eu soltei um “yeah”! Eu tive a pintura original em minha casa durante anos.

Kerry King – Eu acho a capa legal e demoníaca. Ela não me incomoda em nenhum sentido. E, na boa, eu realmente não me importo com isso.

Tom Araya – Foi preocupante quando a Columbia se recusou a lançar o disco. Isso aconteceu por causa daquela faixa, “Angel of Death”, sobre o médico nazista Joseph Mengele.

Jeff Hanneman – Assisti um documentário que falava como os assuntos que você utiliza para escrever sobre o demônio, e a pesquisa que você faz para isso, faz você perceber o quão doentio o ser humano pode ser.

Kerry King – É assim que as coisas funcionam. Nós não tentamos mostrar quem é bom ou quem é ruim.

Lars Ulrich – Eu acho que o Slayer é a banda mais interessante daquela cena porque eles são os mais extremos. Eles não dão a mínima para ninguém, e por isso são tão legais.


Em 10 de setembro de 1986, no St Davis Hall em Cardiff, no País de Gales, o Metallica iniciou uma tour pela Europa como atração principal, tendo o Anthrax como banda de abertura. No dia 27 de setembro, depois de um show em Estocolmo, eles voltaram para o ônibus da turnê para uma viagem noturna até Copenhagen. Nas primeiras horas da manhã, próximo à cidade de Ljunby, o ônibus derrapou no gelo e capotou para fora da estrada. Cliff Burton foi jogado de seu beliche e atravessou a janela. O ônibus caiu em cima do baixista, tirando sua vida. Pouco antes, Cliff tinha jogado uma moeda com James para decidir quem ficaria com o beliche. Acontecia o primeiro choque de realidade do thrash metal.

Charlie Benante – Nós estávamos viajando na frente. Nos despedimos, e quando chegamos ao local encontramos crianças nos perguntando: “Vocês viram o que aconteceu com o Metallica?”. Eu já havia perdido pessoas na minha família, mas aquilo foi muito estranho.

James Hetfield – Eu vi o ônibus deitado em cima dele. Vi suas pernas esticadas para fora, e surtei! O motorista estava tentando puxar o cobertor que estava com Cliff para dar para outra pessoa. Olhei para ele e gritei: “Não faça isso!”. Eu queria matar aquele cara. Nosso tour manager falou: “Vamos manter a banda unida e voltar para o hotel”. Eu pensei: “A banda? Não existe mais banda, somos apenas três caras”.

Gem Howard – Tinha uma jornalista japonesa chamada Terri Mashizuke. Ela era como uma garotinha de escola, bem pequena. Ela entrou no escritório da Music for Nations em prantos, e a maioria de nós começou a chorar.

Eric Peterson – Nós tínhamos um show com Jonny e Marsha Z, da Megaforce Records. Jonny era muito próximo do Metallica naquela época. Estávamos ensaiando, e Jonny olhava fixamente para o bumbo. Ele estava perdido, e falou: “Cliff morreu na noite passada”. E começou a chorar. Todos nós derramamos algumas lágrimas.

Kirk Hammett – Nos últimos quatro ou cinco meses de sua vida, Cliff começou a tocar bastante guitarra. Ele fazia uns acordes enquanto ouvia música e pedia umas dicas para mim. Lembro que ele amava a maneira como Ed King, do Lynyrd Skynyrd, tocava.

Dave Mustaine – Eu sempre pensei em Cliff como um grande músico. Nós não tivemos a chance de ter qualquer tipo de relacionamento.

Lars Ulrich – Nós ficamos obviamente de luto, mas depois que a raiva começou a passar percebemos que ele não morreu da maneira como as pessoas que estão envolvidas com o rock morrem, geralmente em consequência do uso abusivo de álcool e drogas. Cliff nunca fez isso.

Brian Slagel – Umas quatro semanas depois da morte de Cliff, Lars me ligou e perguntou se eu não tinha um baixista para indicar para a banda. Minha primeira sugestão foi Joey Vera, do Armoured Saint, mas ele não quis sair do grupo. Então eu falei: “Olha, tem uma banda chamada Flotsam and Jetsam, e o baixista é um grande fã do Metallica. Acho que é o cara certo”. O Flotsam era a banda de Jason Newsted, ele compunha tudo lá. Chamei Jason para conversar e disse: “Você está indo de uma banda onde compõe todo o material para uma onde não poderá falar nada. O Metallica é a banda de Lars e James, você será apenas o baixista. Tudo bem para você?”. Depois de um mês, Jason estava no Metallica.


Quando o Metallica retornou aos palcos após a morte de Cliff Burton, o thrash metal havia alcançado o grande público. No topo, junto com eles, estavam o Slayer e o Megadeth, cujos álbuns Reign in Blood e Peace Sells … But Who's Buying? foram lançados com uma distância de apenas três semanas entre um e outro, entre outubro e novembro, pela Def Jam e pela Capitol. Ambos chegaram ao top 100 norte-americano. Os críticos da cena não gostaram nada disso, mas o thrash metal era agora uma realidade. Vinte e cinco anos depois, 1986 parece e soa como um ano lendário. As coisas nunca mais foram as mesmas para qualquer uma das bandas envolvidas.

Brian Slagel – Estão todos maduros e cresceram como músicos, têm mais dinheiro e tempo para fazer as coisas e estão trabalhando com pessoas melhores. Houve uma demanda e uma grande novidade quando essas bandas surgiram, tudo culminando naquele ano.

Gem Howard – Você tem esses períodos no rock. Em 1967-1957 foi o pico do rock and roll. Em 1966-1967 houve o movimento hippie. Em 1976-1977, o punk. E em 1986-1987, tivemos o thrash metal. Este ciclo de dez anos parece ter acabado aqui.

Charlie Benante – Nós fomos da Megaforce para a Island, que era a casa de todo mundo, de U2 a Bob Marley a Anthrax.

Bob Nalbandian – A mentalidade das grandes gravadoras era: “O dinheiro é o que interessa, então vamos sugar todas as bandas que conseguirmos”. E essa foi a razão pela qual, alguns anos mais tarde, elas começaram a assinar com qualquer banda 'thrash', saturando a cena com um monte de merda, que, inevitavelmente, levou ao declínio do thrash metal no final dos anos 80 e durante toda a década de 90.

Dave Ellefson – Estar em uma grande gravadora era manter a porta aberta para os nossos fãs. 1986 foi um grande ponto de virada. A ordem era ser grande, ser diferente. E nós sabíamos que éramos diferentes.

Gary Holt – Metallica, Megadeth, Slayer e Anthrax de longe foram as bandas que mais venderam discos. Às vezes leio coisas do tipo “Exodus, Testament, estas bandas eram seguidoras, por isso não estão no Big Four”. O Exodus fez tudo antes que o Metallica, mas a verdade é que tudo se resume às vendas. Eu não tenho problema com isso. Todos nessas bandas são grandes amigos meus.

Jeff Hanneman – Eu deixei a minha marca no mundo, fiz algo e posso morrer feliz.

James Hetfield – Tem momentos em que eu romantizo tudo o que aconteceu. A vida era muito mais simples naquela época.


(Texto de Jon Hotten, tradução de Ricardo Seelig)
(matéria publicada na Classic Rock 166, de dezembro de 2011)


Assista ao trailer de Rocketman, filme que conta a vida de Elton John

quinta-feira, fevereiro 21, 2019

Rocketman, filme que conta a vida de Elton John, ganhou o seu primeiro trailer nesta quinta, 21 de fevereiro. A obra chegará aos cinemas ingleses dia 24/05 e estreará nos Estados Unidos e no resto do mundo dia 31 de maio. Produzido pela Paramount, Rocketman é dirigido por Dexter Fletcher, que assumiu as rédeas de Bohemian Rhapsody após o afastamento do então diretor Bryan Singer.

O ator inglês Taron Egerton, que ficou conhecido pelo seu papel nos dois filmes da série Kingsman, faz o papel de Elton John. Bernie Taupin, parceiro de Elton durante praticamente toda a sua carreira e autor das letras da maioria de suas músicas, é vivido por Jamie Bell (King Kong, Quarteto Fantástico).


Após o sucesso de Bohemian Rhapsody, que apresentou o Queen para uma nova geração, e com a chegada em março do filme que conta a história do Mötley Crüe e está sendo produzido pela Netflix, parece que um novo capítulo está se iniciando na indústria cinematográfica. O que podemos garantir é que não faltam histórias interessantes, inacreditáveis e cheias de emoção quando se trata de música, então que novas adaptações venham no futuro.


Assista ao trailer de Rocketman abaixo:


20 de fev de 2019

Discoteca Básica Bizz #147: Metallica - Master of Puppets (1986)

quarta-feira, fevereiro 20, 2019

No começo dos anos 1980, o heavy metal sofreu uma de suas maiores mudanças. Enquanto os grandes nomes da época (Iron Maiden, Judas Priest, Ozzy Osbourne) inflavam o imaginário dos fãs com letras cheias de fantasia, músicos metidos em calças de lycra coloridas e palcos repletos de sacanagens cenográficas, uns malucos da costa oeste norte-americana começaram a se destacar no underground, trazendo o gênero para o mundo real.

O figurino carnavalesco foi trocado pela roupa detonada do dia-a-dia: calça jeans colada ao corpo, camiseta de banda e tênis cano alto (fodidos e emendados com silver tape). O discurso começou a mostrar preocupações sociais. Trocando em miúdos, desapareceu a distância que existia entre o palco e plateia. Herdados do punk rock, o mosh e o stage dive passaram a virar costumes de lei nos pequenos clubes que acolheram a então nova geração de bandas.

O Metallica foi o grupo que mais se destacou nessa leva. Inovador desde sua primeira demo tape (ainda com o guitarrista Dave Mustaine, hoje líder do Megadeth), o quarteto estreou em disco com Kill 'Em All (1983). Nele, o Metallica acelerou as batidas, valorizou o trabalho das guitarras e tornou-se mais agressivo - não confundir com barulhento. Inicialmente, essa mistura foi classificada como speed metal. Mas pouco depois surgiu a expressão thrash metal, batizando o gênero que fez o heavy metal deixar de ser coisa de nerd pregossauro.


Três anos se passaram, o movimento migrou da Califórnia para a Europa e, quando deu pinta de que havia inovado o suficiente, veio Master of Puppets. Aí, a coisa saiu de controle. Nunca tinha se ouvido sons assim. Os "metaleiros" - termo inventado pela repórter Glória Maria, da TV Globo, durante a cobertura do Rock in Rio em 1985 - não acreditaram no que ouviram. Pesadas ao extremo, com um timbre grave, porém limpo, as guitarras formavam uma massa sonora impressionante (ouça a faixa "Disposable Heroes"). A partir daí, praticamente todos os guitarristas de metal tentaram chegar ao som que o Metallica tirou. Foram criadas várias lendas a respeito de como tirar um som parecido no estúdio - teve gente que chegou até a microfonar os amplificadores pela parte de trás. Até que descobriram o óbvio ululante: o segredo não estava no equipamento, nem em como utilizá-lo, mas sim na palhetada. Como dizem os guitarristas, na "mão direita".

Master of Puppets foi um divisor de águas. O Metallica aprimorou o estilo mostrado nos álbuns anteriores, com músicas mais trabalhadas, cheias de variantes. As melodias ficaram ainda mais marcantes e o grupo colocou um pezinho no mainstream. Agradava a gregos e troianos. Gente que gostava de metal tradicional, os radicais que só ouviam esporro e - principalmente - os que não curtiam metal passaram a consumir o som da banda.

Embora o Metallica tenha mais tarde ficado ainda muito maior, o thrash metal viveu seu melhor momento ali. O underground ferveu e novas bandas, clubes e festivais pipocaram no mundo inteiro.

Texto escrito por Robert Halfoun e publicado na Bizz #147, de outubro de 1997

Machine Head está gravando novo material

quarta-feira, fevereiro 20, 2019

O Machine Head postou um vídeo stories em seu perfil no Instagram, onde se vê a banda gravando novas músicas. Segundo o vocalista e guitarrista Robb Flynn, a banda está "registrando algumas novas faixas" que ele classificou como "novo peso".

Além de Flynn, o Machine Head conta atualmente apenas com o baixista Jared MacEachern, que entrou no grupo em 2013 substituindo um dos fundadores do quarteto, Adam Duce. O guitarrista Phil Demmel e o baterista Dave McClain deixaram a banda em 2018 após a turnê do disco mais recente dos norte-americanos, Catharsis, por divergências criativas e administrativas com Flynn.


Não há ainda informações sobre quem serão os novos guitarrista e baterista do Machine Head, e nem se a banda pretende lançar um novo álbum em um futuro próximo.


19 de fev de 2019

O dia em que o Black Sabbath e o Led Zeppelin gravaram juntos

terça-feira, fevereiro 19, 2019

Tony Iommi já declarou mais de uma vez que o Black Sabbath realizou uma jam com o Led Zeppelin durante os anos 1970, e que esse encontro foi gravado. O problema é que o guitarrista do Sabbath não faz ideia de onde e com quem essas fitas podem estar.

A história é a seguinte: as duas bandas se reuniram durante uma sessão de gravação no final de 1973, época em que o Sabbath já havia lançado os discos Black Sabbath (1970), Paranoid (1970), Master of Reality (1971) e Vol. 4 (1972), e estava gravando o seu então novo álbum, Sabbath Bloody Sabbath, que chegou às lojas em 1 de dezembro de 1973. Já o Led Zeppelin tinha no currículo naquela época os clássicos Led Zeppelin (1969), Led Zeppelin II (1969), Led Zeppelin III (1970), Led Zeppelin IV (1971) e Houses of the Holy (1973). De acordo com Iommi, John Bonham queria tocar a pesadíssima "Supernaut", uma das melhores músicas de Vol. 4, mas quando as duas bandas pegaram nos instrumentos o que rolou foi uma jam gigantesca.


Segundo o guitarrista: "John queria tocar 'Supernaut', mas acabamos indo para uma jam. Nós estávamos no meio da gravação do álbum Sabbath Bloody Sabbath, e esse encontro acabou com aquela sessão no estúdio. Quando tocávamos nos clubes, Bonzo às vezes aparecia e ele queria levantar e tocar conosco. A primeira vez dissemos: 'Ok, venha então'. Daí ele se levantou, tocou a bateria de Bill e acabou por destruí-la, o que deixou Bill muito chateado. Nas outras vezes em que encontramos John e ele perguntava se podia subir ao palco, Bill na hora respondia com um sonoro 'não' e não deixava ele chegar perto da sua bateria".




Quando o Led Zeppelin quase completo apareceu no estúdio em que o Black Sabbath estava gravando o seu novo disco, Bill Ward ficou compreensivelmente apreensivo. "A situação rapidamente ficou muito louca por uns 30 minutos, porque não só Bonzo estava no estúdio, mas também Robert Plant e John Paul Jones. Jimmy Page não veio junto, mas eu gostaria que ele estivesse presente. E o Bonzo não parava de chutar a porra da minha bateria!", contou Ward ao Rock Cellar em 2011.


O encontro tinha, na verdade, um objetivo maior: o Led Zeppelin queria levar o Black Sabbath para o seu próprio selo, o Swan Song, que seria lançado no ano seguinte, 1974, e teve como lançamento inaugural o álbum de estreia do Bad Company. "Fomos muito amigos do Led Zeppelin, especialmente de Robert Plant e John Bonham. Eles queriam que estivéssemos na gravadora Swan Song, mas não conseguimos fazer isso funcionar", relembra Tony Iommi.


Bill Ward afirmou que nada desse encontro foi gravado, ao contrário do que pensa Iommi. "Houve um momento durante aquela jam onde todos nós meio que entendemos essa ideia maluca e dissemos: 'Vamos colocar algo na fita'. Mas nada aconteceu e nenhuma fita rolou. Nada foi gravado. Acredito que em um determinado momento Geezer e Robert até escreveram alguma coisa juntos, mas isso era algo pessoal entre eles. As gravações do Black Zeppelin nunca existiram". Já Tony Iommi acredita que elas existam: "Eu sei que foi gravado, e adoraria ouvir o que tocamos juntos. A fita deve estar em algum lugar".




Levando-se em conta que o encontro entre o Black Sabbath e o Led Zeppelin ocorreu dentro de um estúdio e durante as gravações de Sabbath Bloody Sabbath (alguns acreditam que, na verdade, a reunião entra as duas bandas aconteceu nas sessões de Sabotage, de 1975), é bastante provável que ela tenha sido registrada. Pensa comigo: você é o engenheiro de som, o produtor do disco, e de repente vê duas das maiores bandas da época tocando juntas dentro de um estúdio. O que o impediria de apertar o botão REC?


O fato é que essas gravações nunca vieram à tona, e seria demais se elas fossem descobertas. Enquanto isso não acontece, nos resta apenas imaginar como isso seria ouvindo esse já clássico mashup:


Assista ao trailer do filme que conta a história do Mötley Crüe

terça-feira, fevereiro 19, 2019

Foi divulgado nesta terça, 19/02, o primeiro trailer de The Dirt - Confessions of the World´s Most Notorious Rock Band, filme que conta a história do Mötley Crüe. A história é baseada no livro The Dirt, publicado em 200, e estreará dia 22 de março na Netflix.

Dirigido por Jeff Tremaine, o filme é estrelado por Daniel Webber (Vince Neil), Douglas Booth (Nikki Sixx), Machine Gun Kelly (Tommy Lee) e Iwan Rheon (Mick Mars).


Assista ao trailer abaixo:

18 de fev de 2019

Discoteca Básica Bizz #146: Guns N' Roses - Appetite for Destruction (1987)

segunda-feira, fevereiro 18, 2019

Coube a eles resgatar o romantismo de ser bad boy. Afinal, na segunda metade dos anos 1980 faltava cara de mau no meio dos chorosos alternativos. E para combater isso não havia nada melhor do que a trilogia sexo, drogas e rock and roll, revisada de tempos em tempos. O Guns assumiu a missão de devolver o gosto da subversão ao rock. Não foram poucos os que, inspirados pelas atitudes da banda, tiraram a jaqueta de couro do armário e compraram um Jack Daniels no primeiro boteco. Era de novo a hora e a vez de o cabelo crescer.

O grupo surgiu quando Axl Rose (nome artístico de William Bailey), um adolescente de passado problemático, fã de Queen e Electric Light Orchestra, cruzou o caminho do guitarrista Izzy Stradlin. Corria o ano de 1985. O local do encontro foi a cidade de Los Angeles, uma espécie de templo do rock norte-americano dos anos 1980. O nome Guns N’ Roses foi tirado de duas antigas bandas da dupla: L.A. Guns e Hollywood Roses.

Os outros agregados da gangue foram mais que suficientes para alimentar a imagem punk do grupo. O guitarrista Slash (nome verdadeiro: Saul Hudson) era filho de figurões da indústria fonográfica. O baixista Duff McKagan se orgulhava de ter roubado 133 carros num passado não muito remoto. E o baterista Steven Adler vivia chapado de álcool e heroína.


Essa turma preencheu uma lacuna de celebridades e entusiasmo no rock. Os requisitos? Shows viscerais, declarações politicamente incorretas e uma postura pra lá de arrogante. Chegaram rapidamente ao status de banda grande e viraram capa de revista. O então carismático vocalista Axl Rose povoou sonhos adolescentes por todo o planeta. Depois de Appetite for Destruction, esse mesmo Axl virou um chato, esquecendo o rock com baladas épicas entediantes.

Porém, antes de seu ego sair do controle, o Guns lançou um clássico indiscutível. O sucesso resultou em comparações inevitáveis com o Aerosmith. Appetite for Destruction acerta na mosca a massa roqueira, com suas músicas pegajosas com boas doses de pop. Hits instantâneos - como "Welcome to the Jungle", "Sweet Child O’Mine" e "Paradise City" - pegaram muito bem na época, agradando igualmente à menininha inocente e ao cervejeiro encrenqueiro.

O que marca o disco é a despretensão nas letras e na atitude. Axl demonstra personalidade nas melodias, abusando de sua voz rasgada. A sessão rítmica é eficaz. Mas cabe a Slash, porém, o mérito de desequilibrar a receita. Em Appetite for Destruction ele se consagra com riffs certeiros e solos muito inspirados - como o de "Sweet Child O’Mine". Méritos também a Izzy Stradlin, um verdadeiro hitmaker, primeira grande baixa da banda.

O Guns N’ Roses ainda tem a chance de mostrar novamente suas armas no eventual novo álbum que Axl está preparando. Mas, com a confirmada notícia da demissão de Slash, a tendência é desandar a maionese de vez.

Texto escrito por Gastão Moreira e publicado na Bizz #146, de setembro de 1997

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