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6 de fev de 2017

Última música, último show: Black Sabbath publica vídeo oficial mostrando o momento final de sua carreira

segunda-feira, fevereiro 06, 2017

Aconteceu neste sábado, 4 de fevereiro, o último show da carreira do Black Sabbath. A banda tocou en Birmingham, sua cidade natal, para um público ensandecido e que sabia que estava presenciando um momento histórico.

Provavelmente este material deverá ser lançado oficialmente pela banda daqui há alguns meses. Até lá, dá pra curtir o vídeo que o grupo postou em seu canal no YouTube, com a derradeira performance de “Paranoid”, a última música tocada no último show de sua carreira.

O mundo era um antes do Black Sabbath. A música era outra antes da banda. Obrigado por tudo Ozzy, Tony, Geezer, Bill e todos que fizeram parte da incrível história dos pais do heavy metal.

5 de dez de 2016

Show: Black Sabbath | 5 de dezembro de 2016 | Estádio do Morumbi | São Paulo

segunda-feira, dezembro 05, 2016

A noite prometia: a última vez que veríamos Ozzy Osbourne, Tony Iommi e Geezer Butler juntos num palco sul-americano. Depois de um dia de calor intenso, uma queda brutal de temperatura no final da tarde acompanhada de ventos frios, chuviscos e tempestades veio dar o tom macabro apropriado a um especialmente emocionante show do Black Sabbath. O público atendeu à expectativa e encheu o estádio do Morumbi. Só o cenário poderia ser melhor.

Não é novidade ao paulistano que o Morumbi é um estádio obsoleto, numa área da cidade mal servida de transporte público ou de ruas adequadas ao fluxo das mais de 60 mil pessoas que foram ao show do Black Sabbath. A estrutura da casa do São Paulo Futebol Clube também não é boa: para entrar e sair, não há portões em quantidade razoável para dar vazão rápida às filas. Do lado interno há poucos banheiros para a alta demanda, precários e de difícil acesso, opções reduzidas e escassas de alimentação. A visibilidade é ruim em quase todos os setores, com arquibancadas e cadeiras muito distantes do palco, bem como um setor “premium” que divide quase pela metade a pista sobre o gramado.

Todos detalhes que atrapalham a plena experiência, mas pouco influem na atuação da banda em cima do palco. A percepção, porém, piora quando a qualidade de som deixa a desejar como neste domingo. A guitarra de Tony Iommi por vários momentos embolava com o baixo de Geezer Butler. A bateria de Tommy Clufetos demorou a sair dos PAs com o peso necessário, ao contrário da proeminência muitas vezes descabida para o teclado do escondido Adam Wakeman. O volume geral variava conforme a intensidade do vento e da chuva. Apenas a voz de Ozzy, inconfundível como sempre, reinava soberana.

Antes, porém, tivemos o Rival Sons que, por quarenta minutos, quase passou despercebido do público no estádio. Ainda que telões indicando apenas o nome do grupo sem mostrá-lo não tenham colaborado, o descaso também denota um pouco da má vontade do roqueiro típico paulistano com bandas novas, brasileiras ou não. Enquanto os americanos conquistam cada vez mais adeptos no mundo fazendo seu rock retrô soar organicamente moderno com uma altiva performance de palco de seu vocalista Jay Buchanan, as pessoas em geral preferiram ficar conversando nas enormes filas de bebida como se estivessem num boteco ouvindo um Emmerson Nogueira da vida. Azar o delas.


O Black Sabbath entrou no palco quase pontualmente às oito e meia da já fria noite. Um vídeo meio nebuloso com cidades sendo destruídas no telão não preparava tão bem a atmosfera quanto o vento e a garoa que já castigavam o público quando Tony Iommi empunhou sua guitarra e pudemos ouvir, com certa dificuldade, aquelas três malditas notas infernais da canção auto-intitulada que revolucionou o mundo e abriu a apresentação do grupo neste domingo.

A sequência foi um deleite para os fãs. Enquanto uma tempestade desabava sobre nossas cabeças e prejudicava a visão e o som, aumentava a empolgação a cada mínimo acorde reconhecível de “Fairies Wear Boots”, “Into the Void”, “After Forever”, “Snowblind” e ”Behind the Wall of Sleep”, que soavam como uma aula a tantos imitadores do som típico do Black Sabbath nesses últimos quase cinquenta anos, mesmo sentida a ausência de Bill Ward - Tommy Clufetos é um baterista sólido suficiente para qualquer ótima banda de metal, mas é gritante a falta daquele swing jazzístico único da formação original, até hoje ainda não reproduzido a contento nos inúmeros seguidores no doom metal ou stoner rock, nem pelo próprio grupo nesta noite.

De resto, foi um típico show do Sabbath, sem surpresas para o iniciado, não por isso menos emocionante. Ignorando o celebrado disco 13 e com um telão alternando imagens ora psicodélicas, ora distópicas, ao longo de pouco mais de uma hora e meia clássicos foram executados beirando à perfeição para um público animado, que se atrapalhava e se divertia nas palmas ao cantar em jogral com Ozzy os versos de “War Pigs”, ou explodia catártico ao solo de baixo de Geezer Butler que iniciou “N.I.B.” para um dos coros mais bonitos da noite em seu macabro refrão, ou ainda ao entoar a plenos pulmões as melodias da morosa “Iron Man” e da apocalíptica “Children of the Grave”, até a frenesi final avassaladora da incendiária “Paranoid”.


Nem tudo foram flores, como a inaceitável qualidade de som ou o insosso solo de bateria de quase dez intermináveis minutos de Clufetos, introduzido por “Rat Salad”, e até mesmo “Dirty Women”, um momento em que a banda claramente se divertia nas constantes mudanças de andamento enquanto segurava a base para o longo solo improvisado de Tony Iommi, que em vez de embasbacar o público, já exausto pelas condições climáticas, começava a dispersar mais do que nas intermináveis acrobacias do baterista pouco antes.

Todos detalhes insignificantes quando presenciamos o entrosamento absurdo de Iommi e Butler ao reproduzir todos aqueles sons que permeiam em maior ou menor grau toda a nossa coleção de discos de rock, cativados pelo carisma inabalável de Ozzy Osbourne, com sua característica voz já desgastada e sua alegria contagiante de quem, como seus dois velhos parceiros, não sabe o que teria feito da vida se não estivesse ali tocando juntos, talvez pelas últimas vezes.

É difícil apostar na seriedade da turnê de despedida quando uma raposa dos negócios musicais como Sharon Osbourne está envolvida, apesar de o tempo não correr a favor dos músicos e não haver muitos motivos para vender grandiosamente uma futura turnê de reunião. Também é improvável crer num retorno futuro à América do Sul, que só foi agraciado pela presença da formação quase original uma década e meia após sua tão esperada reunião.

Contudo, num ano em que a mortalidade de nossas referências culturais se evidencia com vários chutes na boca do estômago, quando deixamos o Morumbi encharcados pela chuva e, perdão pelo clichê, de alma lavada, éramos gratos não só pelo ótimo show ou pela carreira lendária de riffs eternos, ou ainda todo um estilo musical que esses hoje senhores de Birmingham criaram há quase meio século, mas por podermos guardar na memória a imagem do Black Sabbath triunfante, como os detentores de um legado tão importante merecem.

Por Thiago Martins


16 de nov de 2016

Os 10 discos essenciais do heavy metal setentista

quarta-feira, novembro 16, 2016

A década de 1970 definiu tudo o que sabemos, amamos e curtimos no heavy metal. Foi uma época gloriosa em que as regras não existiam e uma atitude livre permitiu o nascimento de um gênero, que tomou o som pesado de bandas do final dos anos 1960 como Cream e The Who e transformou em algo novo.

Não que alguém tenha chamado isso de “metal" na época. Era heavy rock, ou hard rock - uma fusão de blues e psicodelia embalada com uma atitude vinda direto da cultura do motocilismo. Os fãs foram atraídos pela devoção às guitarras barulhentas, à imagem machista e a algo muito distante das tendências do pop, da disco music e do punk que dominavam o mainstream no período.

Para ser honesto, não há uma definição real de heavy metal nos anos 1970, porque os caminhos sonoros propostas pelas bandas eram muito abrangentes. Era mais do que música: era uma espécie de religião. Um tempo de verdadeiros pioneiros, acentuada pela ingenuidade e pela inocência. Foi quando os gigantes nasceram. E, vamos encarar a verdade, as grandes bandas de metal daquela época ainda reinam supremas.


Black Sabbath - Black Sabbath (1970)

O disco que resumo não apenas o heavy metal dos anos 1970, mas o irresistível apelo de todo o gênero. A faixa-título é a encarnação de tudo que o metal representa. Meditativa, misteriosa, épica, o mais próximo que uma canção poderia chegar de representar o heavy metal com o seu clima sombrio, distorção retorcida e o blues sendo filtrado através da ótica britânica, em um trabalho realizado por músicos com origem na classe trabalhadora. O fato é que quase não se sente a produção do disco, realçando a qualidade atemporal de faixas como “The Wizard” e “N.I.B.”. De uma simplicidade genial, o álbum é um monumento à inovação gerada pela falta de recursos.


Deep Purple - Machine Head (1972)

Tem “Highway Star”, “Space Trickin’” e, claro, “Smoke on the Water”, indiscutivelmente o mais conhecido riff de guitarra da história. O melhor momento da MK II do Deep Purple permanece um testamento à maneira com que o metal é capaz de unir uma atmosfera evocativa, musicalidade incrível e vocais arrasadores. Sua mistura voraz de momentos virtuosos e força de vontade tem inspirado inúmeras bandas nos últimos 40 anos. Cada canção teve até a última gota de inspiração arrancada, e ouvi-lo não deixa dúvidas de que estamos presenciando uma das maiores bandas de todos os tempos no auge de seus poderes.


Kiss - Alive! (1975)

O Kiss se tornou um fenômeno cultural com este álbum duplo. A banda colocou as cartas na mesa, e as coisas funcionaram. De maneira brilhante, pra falar a verdade. Entregando um show ao vivo sempre impressionante, o grupo uniu de maneira inteligente os maiores hinos dos três discos de estúdio anteriores, em versões cheias de energia. É um trabalho totalmente arrebatador, que levou gerações de crianças à frente de seus espelhos, pintados com as maquiagens de suas mães e cerrando os punhos enquanto cantavam “Rock and Roll All Nite” e “Strutter" a plenos pulmões. Quantos destes pequenos não chegaram ao próprio estrelato anos mais tarde?


Ted Nugent - Ted Nugent (1975)

Se soa muito alto, é você que está muito velho!”, declarou Nugent sobre sua estreia solo, que destruiu os tímpanos de todo mundo quando chegou às lojas - e que ainda soa incrível quatro décadas depois. Após dar início à sua carreira com o The Amboy Dukes, Ted Nugent deixou para trás qualquer tipo de sutileza e tocou o mais alto que conseguiu. Este é um disco cheio de momentos clássicos, de “Stranglehold" a “Stormtoopin'" e “Motor City Madhouse”. Nugent foi o mais louco FDP a empunhar uma Gibson Byrdland salivando raiva!


Judas Priest - Sad Wings of Destiny (1976)

Foi com este disco que o Judas Priest encontrou sua identidade e se transformou em uma das pedras fundamentais do heavy metal. Depois de tropeçar em suas ideias na estreia Rocka Rolla, a banda mudou as coisas aqui. As guitarras gêmeas de Glenn Tipton e K.K. Downing definiram um novo caminho para o gênero, quanto a voz de Rob Halford decolou e conquistou corações e mentes. “Victim of Changes”, “The Ripper”, “Dreamer Deceiver”, “Tyrant" e “Genocide" ainda fazem marmanjos sentirem arrepios na espinha. O disco não foi apenas um marco para a banda, mas também para todo o gênero, tornando-se um modelo que muitos iriam seguir nos anos que viriam.


Rush - 2112 (1976)

Um álbum conceitual baseado nos escritos do obscuro autor de direita Ayn Rand e interpretado por três canadenses, um dos quais - o baterista Neil Peart - exibia um vistoso bigode. Sim, temos aqui uma bela receita para um prog metal brilhante! Não apenas o disco que apresentou o Rush para um público muito mais amplo, 2112 exibiu tamanha confiança, bravura e técnica que permanece quase intocável como o pináculo do metal conceitual. Alguns interpretaram o trabalho como se o Rush tivesse opiniões conservadoras e de direita, mas os fãs entenderam: 2112 era uma senhora obra de arte.


Rainbow - Rising (1976)

Magos, arco-íris, mulheres místicas. Tudo isso está no disco que colocou o Rainbow no mapa. O histrionismo da guitarra de Ritchie Blackmore encontrou o companheiro ideal na voz de Ronnie James Dio, um homem vindo direto de um mundo medieval habitado por castelos, reis e rainhas. Se “Stargazer" era a tour de force, então “Tarot Woman”, “Starstuck" e “Run With the Wolf” também apresentavam belos golpes de fantasia. Apesar das pretensões de seu lirismo e de suas aspirações musicais, o disco foi feito com tamanha convicção que qualquer fã de metal reconhece a sua força, mesmo atualmente.


Van Halen - Van Halen (1978)

No fim da década o metal necessitava de algo novo, e obteve a resposta com o Van Halen. Eddie reinventou a figura do herói da guitarra com sua técnica, fazendo nascer uma geração de imitadores. David Lee Roth trouxe humor e non-sense para a mistura, e cada faixa deste disco de estreia soa como uma obra-prima. O Van Halen ganhou o direito de liderar uma nova era no metal, com um álbum que era totalmente diferente de tudo que havia sido feito antes. O Kiss pode ter se auto-proclamado “a banda mais quente do mundo”, mas em 1978 esses quatro garotos eram a banda mais legal do planeta.

Scorpions - Lovedrive (1979)

Revigorando completamente a sua música e o seu estilo, a desde sempre maior banda de metal da Alemanha encontrou seu nicho com este notável disco. Você podia quase sentir as doses cavalares de testosterona que foram despejadas em músicas como “Another Piece of Meat”, “Loving You Sunday Morning” e “Can't Get Enough”. Apesar de algumas canções descaradamente mais descontraídas como “Holiday" e “Coast to Coast”, o Scorpions construiu uma reputação duradoura com Lovedrive. Eles definiram vários clichês do heavy metal, e nós amamos isso.


Motörhead - Overkill (1979)

O Motörhead era o primo assimétrico do Hawkwind - mais sujos, mais desagradáveis e mais rock and roll que os antigos empregadores de Lemmy Kilmister. Overkill convenceu o público de metal cético que o trio era essencial. Muito distante da adversidade mais manufaturada e uniforme da maioria dos seus pares, o Motörhead apenas aumentou o volume e deixou tudo rolar. Foi com o pé no fundo e em alta velocidade, em todos os sentidos, transformando Lemmy, “Fast" Eddie Clarke e “Philthy Animal” Taylor em ícones para os iconoclastas. “No Class”, “Damage Case”, “Metropolis" e a imortal faixa-título são clássicos imunes ao tempo.

Por Malcolm Dome, da TeamRock
Tradução de Ricardo Seelig

10 de nov de 2016

Os vários fins (e recomeços) do Black Sabbath

quinta-feira, novembro 10, 2016

No final de novembro, quando o Black Sabbath desembarcar no Brasil para uma série de shows, também se aproximará a última chance de ver ao vivo uma das pioneiras e mais importantes bandas da história do heavy metal. As apresentações no país integram a parte sul-americana da turnê The End, que promete ser o encerramento das atividades do grupo em cima de um palco.

Após o show em São Paulo, o grupo parte para uma série final de datas na Europa no início de 2017, e a derradeira apresentação está marcada para 4 de fevereiro em Birmingham, onde nasceram e sofreram os quatro moleques encrenqueiros, cujas frustrações e desajustes os levaram a formar a banda há quase 50 anos e carregá-la pelos anos de ouro do Black Sabbath por quase toda a década de 1970.

Inicialmente, The End estava programada para ser o encerramento definitivo da carreira do Black Sabbath. Apesar de Tony Iommi ter dito possuir ideias para um novo trabalho, Geezer Butler e Ozzy Osbourne não se manifestaram a favor da gravação de um novo álbum após o sucesso de 13, lançado três anos atrás, que atingiu o topo de várias paradas ao redor do mundo, incluindo a americana - fato inédito na carreira da banda - e a inglesa - pela primeira vez desde 1970, com Paranoid.

Tony Iommi, no entanto, recentemente deixou em aberto a possibilidade de o grupo gravar novo material. Geezer Butler e Ozzy Osbourne, antes contrários, admitem a possibilidade de um disco novo, sem a pressão de um prazo final para lançá-lo ou de cair na estrada para sua divulgação. Assim, apesar da última turnê, o futuro do Black Sabbath segue indefinido, algo corriqueiro em sua carreira desde o final dos anos 1970, quando o vocalista foi expulso pelo guitarrista e a continuidade do grupo esteve em cheque pela primeira vez.

Na década de 1980, o grupo também passou por turbulências e o período não foi dos que mais contribuiu para o inestimável legado do Black Sabbath. Em vários momentos, a banda, completamente descaracterizada, chegou muito próxima de terminar sem glória alguma, quando não ficou largada de fato. Mas, por vontade própria ou compelido pelas dívidas, drogas e empresários gananciosos, Tony Iommi sempre carregou o nome consigo. 

Quando o grunge resgatou o rock pesado setentista e, no final dos anos 1990, a reunião do quarteto original finalmente se tornou realidade, o legado do Black Sabbath se cristalizou como um dos mais importantes do rock e o período complicado da década anterior caiu no esquecimento, exceto pelos anos em que Dio esteve no grupo.

Os próximos capítulos tratarão de vários desses anos perdidos e de como o Black Sabbath chegou ao fundo do poço várias vezes e, de alguma forma, sobreviveu.


Parte 1: Ozzy Osbourne

Há uma camiseta vendida na internet na qual está escrito: “Você só pode confiar em si mesmo e nos seis primeiros discos do Black Sabbath”. A fase inicial da banda é até hoje reverenciada de forma quase unânime e é responsável por fazer muita gente ignorar qualquer lançamento do grupo capitaneado por Iommi até 13, álbum que marcou o retorno de Ozzy Osbourne aos vocais. Ficaram esquecidos, inclusive, os dois últimos do cantor na banda nos anos 1970.

A primeira grande crise no Black Sabbath, no entanto, começou antes do quinto disco, Sabbath Bloody Sabbath (1973), quando Tony sofreu um sério bloqueio criativo. Entre este e o sexto álbum, porém, os problemas internos começaram a de fato implodir a banda, ainda em seu auge artístico. A crise culminaria, alguns anos depois, na primeira vez na qual o grupo estaria sem quaisquer perspectivas de futuro. E foi desencadeada por uma troca de empresários.

Patrick Meehan Jr. foi o empresário da época áurea do Black Sabbath. Foi ele quem tirou os quatro desajustados Birmingham do anonimato para discos platinados, turnês de sucesso pelos Estados Unidos e muitas, mas muitas drogas mesmo. Só não dava muitos detalhes aos músicos sobre como usava os rios de dinheiro que fluíam em direção à banda nessa época.

Quando os músicos começaram a desconfiar haver algo errado, viram-se reféns do empresário, cuja companhia - World Wide Artists - era dona de todos os direitos referentes aos discos do Black Sabbath lançados até então. A solução para retomar algum controle era romper o contrato com Meehan, e quem os ajudou foi um empresário - quase mafioso - chamado Don Arden. 

Arden já tinha certo renome no mercado musical britânico pelos seus métodos não muito convencionais e buscava sucesso nos Estados Unidos, onde o Black Sabbath ainda vendia discos e ingressos de forma colossal. Havia também uma questão de orgulho: antes de ser empresário da banda, Meehan era seu funcionário, mas pediu demissão e, sem avisar o patrão, fundou sua própria empresa para contratar o grupo justo quando Arden já os monitorava com a mesma intenção.

Tirar o Black Sabbath das mãos do traidor Meehan e reconstruir a banda ao mesmo tempo em que aumentava seu portfólio nos Estados Unidos era uma boa tática, mas custou caro. Meehan não deixou barato e levou a briga para a justiça. Para evitar maiores gastos, fechou-se um acordo com o empresário antigo lhe dando total controle sobre os cinco discos já então lançados, uma galinha de ovos de ouro usada à exaustão nos anos futuros com inúmeras coletâneas que competiriam com novos lançamentos do grupo.

O jeito era trabalhar para lançar logo novos discos e cair o quanto antes na estrada para voltar a ganhar dinheiro. O misto de angústia e fúria dessa situação frustrante geraria Sabotage (1975), título proposital dado ao sexto e último dos grandes álbuns que o Black Sabbath lançaria com Ozzy Osbourne nos anos 1970.

O primeiro passo deu certo, mas tudo só iria ruir dali em diante. A banda, afundada em drogas já havia muito tempo, vivia uma crise criativa desde antes de Sabbath Bloody Sabbath, quando Tony Iommi decidira que gostaria de ser reverenciado musicalmente como seus contemporâneos Deep Purple e Led Zeppelin, não o patinho feio da turma. Os seus companheiros de Sabbath não se mostravam na mesma sintonia artística.

Até então, a banda havia conseguido sair do buraco e lançados dois discos geniais, mas, finalmente, parecia que a fonte secara. Iommi, em seus delírios cocainômanos, pensou ter achado a solução ao assumir o controle completo das gravações do próximo trabalho. O resto dos músicos resolveu largar tudo na mão do guitarrista e assim surgiu Technical Ecstasy (1976), mais fraco álbum do Black Sabbath até então, repleto de teclados e outros devaneios progressivos justo quando o punk tomava de assalto a cena musical.

A péssima repercussão e vendagem do disco gerou uma guerra interna na banda. A primeira vítima, por algumas semanas, foi Geezer Butler. Justo o principal parceiro de Iommi, culpado pelo guitarrista talvez por não ter colaborado nas composições de Technical Ecstasy como fizera no passado. O Black Sabbath duraria poucas semanas sem o baixista, mas a próxima baixa seria mais longa.

Cansado de ter um cantor abaixo da média, Iommi pensou que a solução da crise criativa do Black Sabbath era arranjar outro vocalista. A tarefa sobrou para Dave Walker, nativo de Birmingham como o resto da banda, com a típica voz bluesy dos grupos do então ascendente rock melódico do fim dos anos 1970, como o Electric Light Orchestra (ELO), banda também empresariada por Don Arden que começava a dominar as paradas de sucesso dos Estados Unidos.

Walker chegou a assumir oficialmente os vocais, compor algumas músicas junto com o Black Sabbath e até a se apresentar ao vivo com a banda num programa de TV britânico, mas Don Arden não viu como essa troca iria lhe render dividendos e persuadiu Ozzy a reassumir seu posto. Tony Iommi precisou ser convencido por um adiantamento musical maior da gravadora. O resto dos músicos não se importava. 

Tamanha disfunção não poderia ter outra consequência a não ser outro disco fracassado. Never Say Die! (1978) seria o último disco com Ozzy nos vocais em muito tempo e o de pior repercussão do Black Sabbath até seu lançamento. Sua turnê de divulgação, ao lado do então ascendente Van Halen, seria a evidência fatal do fim da relevância da banda na cena roqueira musical. E tudo se despedaçou.

Arden, desfrutando dos milhões de dólares que lhe geravam o ELO e o Air Supply, ainda levaria os músicos a uma mansão em Hollywood na tentativa de recuperá-los. Mas logo Ozzy Osbourne seria expulso de vez e mandado para um hotelzinho onde a dieta de pizzas, álcool e cocaína quase o levaria à morte. Depois, quando Tony Iommi encontrou um novo vocalista e parceiro, o Black Sabbath estava desmantelado.


Parte 2: Ian Gillan

Ao final dos anos 1970, após ter expulsado Ozzy, Iommi cogitou rapidamente começar um projeto novo, mas a ideia foi logo abandonada. Quem comandava os negócios do Black Sabbath era Don Arden, clássico empresário do show business, cujos métodos mais se aproximavam da máfia do que de corporações de sucesso, mas ele se indispôs com o guitarrista quando o músico quis colocar “um anão” como seu novo cantor, deixando o grupo à própria sorte.

O período com Ronnie James Dio é até hoje celebrado como um renascimento. Sob a tutela de Sandy Pearlman, empresário de sucesso no período com o Blue Öyster Cult - ou apesar dele, na visão de Tony Iommi -, o Black Sabbath esqueceu os trágicos anos finais da era Ozzy, recompôs, após idas e vindas, seu trio instrumentista original ao lado de um grande vocalista, e passou a ser financeiramente viável e artisticamente relevante. 

Durou pouco. Bill Ward deixou o grupo ainda no meio da primeira turnê com Dio sem conseguir controlar sua dependência química de álcool e outras drogas pesadas, sendo substituído por Vinnie Appice. Mas quando a paranóia cocainômana de Iommi e a insegurança de Geezer Butler se voltaram contra o empresário e o vocalista, logo o Black Sabbath se viu num beco sem saída.

Após a demissão de Pearlman por, na visão de Tony, usar o Black Sabbath como apoio para alavancar o Blue Öyster Cult, Ronnie James Dio viu cair sobre o seu colo o comando dos negócios da banda e, apesar de não colaborarem muito, Iommi e Butler também não ficaram muito felizes com o aumento de poder do cantor. Uma crise nas mixagens do ao vivo Live Evil (1982) foi a gota d’água para o vocalista sair e levar consigo Vinnie Appice.

Sem empresário, vocalista e baterista, Iommi viu-se num beco sem fundo. Sua solução foi trazer de volta Don Arden, que aceitou de bom grado o papel de empresário da banda por um motivo bastante nobre e compreensível: vingança familiar. Sua filha o abandonara e transformara um desajustado social numa estrela do decadente rock oitentista, com discos vendendo milhões de cópias e imagem polemizando na linha de frente de noticiários pelo mundo todo.

Essa filha se chamava Sharon Arden, e logo se casou e assumiu o sobrenome de seu artista tutelado, Ozzy Osbourne, ex-vocalista do Sabbath e ex-empregado do pai. Poderia ser motivo de orgulho de sua prole se Sharon não tivesse forçado a barra para quebrar o contrato solo dado a Ozzy por Don após suas expulsão da banda, e tirado do empresário e de sua gravadora milhões de dólares das vendas dos multi-platinados Blizzard of Ozz (1980) e Diary of a Madman (1981) e das respectivas turnês de sucesso amplificadas pelo crescente mito do cantor, que roubava as manchetes arrancando cabeça de morcego no dente ou mijando em lugares indevidos.

A vingança de Don era clara: angariar popularidade ao Black Sabbath e, com isso, ferir o orgulho de sua filha e de Ozzy, que também trabalharam veladamente para avacalhar a banda “rival” com anões nos shows e um disco ao vivo só de covers do Sabbath, Speak of the Devil (1982), lançado para competir com Live Evil. O plano de Arden: trazer Bill Ward de volta e arranjar um vocalista que devolvesse credibilidade ao grupo. A primeira parte funcionou e o baterista retornou sob acompanhamento pesado para se manter funcional. 

A questão era quem poderia ser esse vocalista? Iommi chegou até a se reunir com David Coverdale, ex-Deep Purple, com quem discutiu uma união ao lado do baterista Cozy Powell - meses depois, ambos reformulariam o Whitesnake rumo ao estrelato ao lado do guitarrista John Sykes. A sacada de gênio de Arden, no entanto, foi outra: ironicamente, o antecessor de Coverdale no Purple, Ian Gillan, então no ocaso de sua decadente carreira solo. 

Era uma combinação complicada. O Sabbath do bando de desajustados se encaixaria com o bon vivant vocalista? Aquele som sujo e agressivo de outrora combinaria com a voz bluesy e as camisas floridas de Gillan? E a rivalidade de Iommi com o Purple, quando nos anos 1970 o guitarrista buscava a credibilidade musical do outro grupo inglês?

Para Arden, nada disso importava. Apenas que a improvável combinação traria todos os holofotes para o Black Sabbath novamente, e isso se transformaria em venda de discos e shows lotados. O problema, na verdade, era fazer com que a nova formação soasse como banda, não como uma parceria de aquecimento para o retorno de Gillan ao Purple, já dada como certa nos bastidores de então.

Outro problema, no entanto, aconteceu primeiro. Bill Ward logo se daria conta de que não aguentaria o tranco da volta ao convívio com o universo junkie do Sabbath e, temendo por sua sobriedade, pulou fora do projeto assim que terminou de gravar o disco. Mesmo assim, Born Again seria lançado em 1983 com boa repercussão e aclamação de vendas acima da fase Dio, chegando ao quarto lugar nas paradas inglesas e lá ganhando disco de platina.

Sem Ward, a turnê já começou desfalcada e o baterista do multiplatinado ícone da AOR Electric Light Orchestra, Bev Bevan, outro nativo de Birmingham e também empresariado por Arden, assumiu provisoriamente as baquetas para causar ainda mais estranheza no Frankenstein sabbathico. Para piorar, tentando se ajustar à época dos shows de grandiosas produções oitentistas, o grupo tentou montar um palco inspirado em Stonehenge, para depois perceber que as rochas recriadas eram muito grandes para a maioria dos lugares onde a banda tocaria. Como chave de ouro, o repertório incluiu um cover do maior clássico do Deep Purple, "Smoke on the Water". 

Tinha tudo para ser um desastre, mas não foi. Apesar de garantir bons públicos, não foi uma turnê de sucesso suficiente para que Gillan desistisse dos planos de voltar ao Deep Purple no ano seguinte com a clássica Mark II completa, largando o Black Sabbath de novo sem baterista e sem vocalista. E sem nenhuma perspectiva a não ser uma tentativa frustrada de reunião com Ozzy Osbourne.


Parte 3: Glenn Hughes e Ray Gillen

Era 13 de julho de 1985 e a formação original do Black Sabbath tocaria no grandioso Live Aid, um festival megalomaníaco beneficente que angariou fundos para os países paupérrimos da África e gerou o polêmico Dia Mundial do Rock. Tudo para ser um grande evento na carreira dos quatro desajustados de Birmingham, não fosse pelo fato de que ninguém se importava.

O “Black Sabbath com Ozzy Osbourne” subiu ao palco às dez e meia da manhã e nem quinze minutos depois já o tinha deixado. A performance dos quatro membros originais hoje é mera nota de rodapé na história do evento. Enquanto Tony Iommi e Geezer Butler nutriam esperanças de que pudesse ser um grande renascimento, Bill Ward sucumbia novamente ao vício em álcool e o vocalista dava de ombros à possibilidade de uma reunião ao se preparar para lançar seu disco solo de maior sucesso até então, The Ultimate Sin (1986). 

Até então, o Black Sabbath tentara alguns vocalistas e inclusive chegou a dar uma entrevista para a tradicional revista de rock pesado inglesa Kerrang! anunciando prematura e oficialmente David Donato como seu novo cantor e o retorno de Bill Ward, para posterior vergonha pela não efetivação de ambos. A fracassada reunião com Ozzy no Live Aid, porém, foi a gota d’água para Geezer desistir de vez.

Tony Iommi estava abandonado e ao seu lado sobrara apenas Geoff Nichols, um tecladista nada genial chamado para ajudar ainda nas sessões de composição de Heaven and Hell (1980) anos antes, enquanto Butler e Ward não se decidiam se iam ou ficavam. Ele passou a tocar escondido atrás do palco nos shows desde então e se tornara o principal parceiro do guitarrista no vício em cocaína. Sem esperanças, Iommi resolveu dar um tempo com o Sabbath e começou a pensar num projeto solo. 

Inicialmente, o guitarrista planejava gravar um álbum com vocalistas convidados. Tony pensara em nomes como Robert Plant, Rob Halford e David Coverdale, mas eram mais delírios sob efeitos da cocaína do que chances reais de realização. Quem topou participar foi Glenn Hughes, ex-baixista e vocalista do Trapeze e da clássica Mark 3 do Deep Purple, então também vivendo dominado pelo álcool e outras drogas mais pesadas e provavelmente incapaz de perceber o tamanho da barca furada.

A parceria começou com algumas composições escritas rapidamente e logo Iommi, sem lá muito moral para receber outros convidados, resolveu gravar todo o seu disco solo com Glenn Hughes. E assim surgiu Seventh Star (1986), álbum despretensioso recheado de composições em que o guitarrista se sentia livre para explorar quaisquer sonoridades que quisesse.

Quando o ardiloso Don Arden foi vender o projeto para a gravadora, sob o ar condicionado dos escritórios acarpetados, magnatas e empresário chegaram à conclusão de que haveria mais dinheiro na jogada caso, em vez de um projeto solo, Seventh Star fosse um disco do Black Sabbath. Iommi enxergou na oferta mais carreiras de cocaína e não se opôs. Glenn Hughes, porém, se apavorou com o tamanho da pressão. 

Uma coisa era um projeto despretensioso de um cara acabado como Tony Iommi. A outra era a expectativa de ser o novo vocalista do Black Sabbath. Hughes se afundou ainda mais em suas drogas e, às vésperas do início da turnê de divulgação do disco em 1986, com uma formação de músicos então desconhecidos como o baixista Dave Spitz e o baterista Eric Singer - este vindo da banda solo da então namorada do guitarrista, Lita Ford -, além do sempre fiel Geoff Nichols, o cantor se meteu numa briga com o tour manager do grupo e fraturou o nariz.

Com um visual arrebentado e sem conseguir cantar, Hughes, completamente fora de forma, cumpriu de maneira desastrosa apenas os primeiros shows de divulgação de Seventh Star. Enquanto isso, era recrutado para seu lugar o novato Ray Gillen, amigo de Spitz, ensaiando escondido durante as passagens de som até que estivesse pronto para assumir a posição e a demissão de Hughes não causasse nenhum cancelamento, cujos custos o Sabbath não poderia suportar. Não adiantou muito e a parte norte-americana da excursão não chegou ao final.


Posteriormente, Glenn Hughes descobriria que, após a briga às vésperas da turnê, um resquício de osso fraturado ficara preso entre a via nasal e o olho, impossibilitando-o de respirar direito. Nos devaneios sob influência das drogas não se conseguiu detectar o problema a tempo, ou ninguém se interessou mesmo. Para o Sabbath ele já era passado, e o presente, quem diria, parecia promissor com Gillen.

O novo vocalista, ao lado dos outros músicos iniciantes famintos pela chance de sucesso proporcionada por uma banda consagrada, dera uma nova vida ao Black Sabbath e injetara ânimo em Tony Iommi. Finalmente, tinha ao seu lado um cantor típico do metal mainstream dos anos 1980, com visual capaz de ajustar a banda ao apetite videoclíptico da década dominada pela MTV e uma voz condizente para saciar as demandas artísticas do guitarrista.

Terminada a pouco-menos-fracassada parte europeia da turnê de divulgação de Seventh Star, logo Iommi entraria em estúdio e, empolgado, gravaria seu novo álbum, The Eternal Idol (1987). Dada a inexperiência dos músicos em estúdio, para ajudá-lo nas novas composições o guitarrista contratou o desafeto de Ozzy e Sharon Osbourne, o baixista Bob Daisley, um dos responsáveis por escrever as músicas dos dois primeiros trabalhos solos do ex-vocalista do Sabbath ao lado de Randy Rhoads.

Disco gravado, o Sabbath parecia pronto para tentar a sorte na estrada quando tudo começou a desmoronar. Os métodos mafiosos de Don Arden finalmente começaram a lhe causar dores de cabeça com a justiça britânica, assim ele ficou impossibilitado de empresariar a banda. Para tentar sair da enrascada, Tony recorreu ao polêmico ex-empresário da banda, Patrick Meehan Jr. 

Mais uma vez, uma decisão que não se explica a não ser pela insanidade das drogas. Meehan foi o empresário do Black Sabbath nos anos 1970 responsável por dar um golpe em seu ex-patrão Don Arden e tomar a banda em suas mãos durante seu período mais lucrativo. Quando levou o contragolpe, recorreu à justiça e gerou a crise que culminou na decadência completa do grupo naquela década. Iommi, sem enxergar um palmo à frente do nariz além de uma carreira de cocaína, achou melhor tê-lo de volta a confiar num outro empresário desconhecido. 

Como não poderia deixar de ser, a forma de trabalho de Meehan não se mostrou lá muito funcional e logo o Black Sabbath se via numa outra crise financeira que travou os ensaios e desmantelou a sua formação. Bob Daisley, com alguns compromissos assumidos anteriormente com Gary Moore, não poderia fazer a turnê e devolveu as quatro cordas para Dave Spitz. 

A falta de pagamento aos músicos chegou a um ponto crítico em que Ray Gillen e o baterista Eric Singer resolveram pular fora - posteriormente montariam o Badlands, uma nova banda promissora ao lado do ex-guitarrista de Ozzy Osbourne, Jake E. Lee, antes da morte do vocalista em 1993 em decorrência de AIDS. Dave Spitz ficou num entra e sai do Sabbath por mais algum tempo até desistir de vez, sem ninguém se efetivar no controle das baquetas. Assim, Iommi outra vez estava apenas com Geoff Nichols ao seu lado.

Parecia o fim da linha. Exceto que Tony Iommi era persistente e não ia deixar um disco pronto mofando na gaveta. 


Parte 4: Tony Martin e Ronnie James Dio

Após finalizar um disco com Ray Gillen e se ver abandonado pelo vocalista e outros músicos e com um empresário complicado, Tony Iommi não tinha nem moral nem dinheiro para conseguir qualquer cantor que pudesse trazer qualquer repercussão à nova formação do Black Sabbath. 

O guitarrista encontraria um desconhecido em Birmingham, que seria quem mais gravaria as vozes em discos da banda depois de Ozzy Osbourne. Seu nome era Tony “The Cat” Martin, cuja trajetória já se iniciaria de forma humilhante regravando o vocal de The Eternal Idol, disco engavetado por mais de um ano até o lançamento em novembro de 1987. O grupo assim evitava passar de novo a vergonha de ter um frontman tampão na turnê de divulgação de um álbum.

Como esperado, as vendas do álbum e a pequena turnê de The Eternal Idol foram um fracasso e o nome Black Sabbath, sem conseguir estabilizar uma formação - Dave Spitz e Jo Burt se revezaram no baixo, enquanto a bateria ficou com Terry Chimes após um breve retorno de Bev Bevan -, parecia condenado ao ostracismo ainda mais quando Iommi resolveu topar fazer shows na África do Sul em plena vigência do regime racista Apartheid, numa época em que qualquer artista de um mínimo senso de civilidade boicotava o país africano. O dinheiro falara mais alto e o guitarrista sujou ainda mais o nome da banda.

Com The Eternal Idol, o contrato com a Vertigo havia se encerrado e Tony Iommi estava, então, desempregado, endividado e enfrentando problemas com a Receita Federal do Reino Unido. Sem gravadora, sem contrato e sem empresário, a lama na qual se encontravam o guitarrista e o Black Sabbath ao final dos anos 1980 era tão grande que parecia ter chegado ao fundo do poço. Por outro lado, dificilmente o desastre pioraria ainda mais e, assim, um mínimo de organização só poderia melhorar as coisas. 

O responsável por esse novo sopro de vida foi o empresário Ernest Chapman, que trabalhava com Jeff Beck, entre outros artistas de primeiro escalão. Foi o primeiro passo certo dado por Tony em anos. Por meio do novo agente, o guitarrista entrou em contato com o renomado baterista Cozy Powell (ex-Rainbow, Whitesnake, Jeff Beck e a variação ELP da clássica banda de prog dos anos 70 com Emerson, Lake & Palmer), que emprestaria sua reputação e ajudaria a reconstruir o Black Sabbath nos anos seguintes.

O período seria de relativa estabilidade para o Black Sabbath. Mantida uma cara para a banda no vocalista Tony Martin, Iommi fechou um contrato com o selo I.R.S., de Miles Copeland, irmão do baterista do The Police, e, enquanto compunham Headless Cross (1989), os músicos esperavam o retorno de Geezer Butler. Reticente, o baixista acabou optando por se juntar a Ozzy Osbourne em sua carreira solo e o músico de estúdio Laurence Cottle gravou o álbum, lançado em 1989 e atingindo disco de ouro no Reino Unido, um feito após o fracasso dos dois trabalhos anteriores. 

Para a turnê, o experiente baixista Neil Murray, também ex-Whitesnake, foi incorporado ao grupo, além do sempre presente Geoff Nichols. Com essa formação, após a divulgação de Headless Cross a banda ainda gravou um novo álbum, Tyr, lançado um ano depois e, se a repercussão não seria das melhores, pelo menos o nome da banda estava saindo da lama. 


Talvez tenha sido essa renovada demonstração de capacidade de trabalhar sério de Tony Iommi que tenha chamado a atenção de Geezer Butler e Ronnie James Dio para gerar o interesse em reunir a formação de sucesso do início dos anos 1980. Butler já tinha recebido um pé na bunda da banda de Ozzy como se fosse um baixista qualquer, enquanto Dio via sua carreira solo naufragando depois de uma tentativa de renovação com músicos mais jovens no fracassado Lock Up the Wolves (1990).

Os anos 1990, porém, pareciam promissores de novo para o Black Sabbath. O grunge retomava a sonoridade setentista e os novos queridinhos da mídia musical como Faith No More, Nirvana, Soundgarden, Alice in Chains e Smashing Pumpkins enalteciam sem vergonha o veterano grupo - ainda que fosse primordialmente ao som sujo e desajustado da era Ozzy. Para surfar nessa nova onda de popularidade, a banda só precisava ter um mínimo de credibilidade e não deixar o momento escapar.

O que não parecia ser um problema. Ninguém choraria a saída de Tony Martin e Neil Murray para o retorno de Dio e Butler, como logo se confirmou. Cozy Powell, no entanto, se tornara uma co-liderança do Black Sabbath ao lado de Iommi nos anos anteriores e, aparentemente, poderia configurar uma situação de muito cacique para pouco índio com a volta do vocalista, com quem o baterista já não se entendera muito bem nos tempos de Rainbow. 

O receio se tornou realidade quando o vocalista e o baterista batiam cabeça nos ensaios, de forma que Tony Martin continuou cantando com a banda em uma ou outra sessão de composição enquanto Iommi não conseguia decidir como proceder. O destino, no entanto, se encarregou de resolver esse problema quando Powell, de maneira bizarra, caiu de um cavalo que teve um ataque cardíaco e, por sequelas da queda, ficou impedido de tocar por alguns meses. 

Para não perder o timing, o Black Sabbath resolveu arranjar logo alguém para seu lugar e, conferindo mais credibilidade ao projeto, trouxe Vinnie Appice de volta, reconfigurando-se a formação clássica da era Dio do início da década anterior.

Dehumanizer foi lançado em 1992 e trouxe um Black Sabbath revigorado e atual. O trabalho é um dos mais pesados e certamente o mais agressivo de toda a carreira da banda, mostrando-se em dia com heavy metal da época, dominado por Metallica e Pantera. Ronnie James Dio foi forçado por Iommi e Butler a abrir mão de suas otimistas metáforas fantasiosas e cantou com raiva a realidade deprimida do mundo pós-colorido dos anos 1980. Aclamado, o disco ganhou platina no Reino Unido e parecia que essa formação tinha tudo para durar. 

Então entra em cena Sharon Osbourne. A nostalgia da fase de Ozzy no Black Sabbath despertada pelo grunge ajudou a aumentar ainda mais o imenso prestígio da carreira solo do marido, e tanto o disco No More Tears (1991) como a extremamente bem sucedida turnê de divulgação se aproveitaram disso. Mas um diagnóstico polêmico de uma doença degenerativa do vocalista gerou o receio de que ele nunca mais pudesse excursionar.

Sharon viu nessa crise uma oportunidade e vendeu uma nova turnê de Ozzy como sua despedida dos palcos - No More Tours - e iniciou um filão até hoje muito explorado, enganando fãs com o receio de nunca mais verem seus ídolos. Para fechar com chave de ouro, convidou para as duas datas finais da excursão ninguém mais ninguém menos do que o renascido Black Sabbath, como uma chance de o cantor dizer adeus ao seu público tocando ao lado dos seus velhos parceiros de Birmingham. 

Se o esquecido Bill Ward aceitou participar com um sorriso de orelha a orelha, o convite não caiu muito bem nos lados do Black Sabbath. Para Tony Iommi e Geezer Butler, já era um fato consolidado que o estrago feito com o nome da banda nos anos 1980 tornara o grupo menor que o da carreira solo de Ozzy Osbourne - como evidenciava o tamanho dos locais onde ambos tocavam e os ingressos vendidos -, assim aceitar o convite era uma chance de reviver momentos gloriosos e ganhar uma boa grana. 

Para Ronnie James Dio, no entanto, o Black Sabbath tocar antes do “palhaço” Ozzy Osbourne e depois ver de camarote a formação clássica voltando ao palco para aclamação mundial não era nada senão uma tremenda humilhação. Dessa forma, o cantor não topou participar, mas a banda aceitou o convite. Como Tony Martin não obteve o visto americano a tempo, foi chamado o lendário vocalista do Judas Priest, Rob Halford, também oriundo da região de Birmingham.

Para a apresentação especial, o grupo preparou um repertório cheio de clássicos da primeira fase setentista para tocar com Halford. Mas quase tudo foi pelos ares quando, às vésperas do show, Iommi saiu algemado do ônibus de turnê por supostamente dever pensão de alimentícia a sua ex-esposa. A fiança de 75 mil dólares foi paga a tempo de evitar mais um vexame na carreira o Sabbath.

Como não poderia deixar de ser, após a apresentação da formação original no bis do show final da turnê de Ozzy em Costa Mesa, e com o posterior anúncio de que o diagnóstico da doença do vocalista não o impediria de continuar subindo aos palcos, iniciou-se um rumor gigantesco de uma turnê completa de reunião do Black Sabbath e, assim, Ronnie James Dio era carta fora do baralho.

Depois de infrutíferas negociações, para frustração geral, a reunião da formação clássica do Black Sabbath não aconteceu e Ozzy Osbourne anunciou uma precoce e rápida aposentadoria. Mais uma vez, estavam Tony Iommi e Geezer Butler sem vocalista e baterista, pois Dio retomara sua carreira solo ao lado de Vinnie Appice. Geoff Nichols, como sempre, estava ali. Sentado ao lado do telefone, em Birmingham, Tony Martin só aguardava uma ligação. 


Parte 5: Tony Martin

Tony Iommi nega em suas memórias ter havido qualquer negociação para o retorno do Sabbath original após o show de Costa Mesa. O resto da banda, no entanto, confessa ter esperado com ansiedade a confirmação e culpa o fracasso da reunião por Bill Ward ter criado problemas para aceitar os termos do acordo, com Sharon Osbourne desistindo às vésperas da assinatura do contrato.

De qualquer jeito, enquanto as negociações de reunião fracassavam, o Black Sabbath tinha um contrato em vigor com a gravadora I.R.S. Iommi aproveitou a amizade retomada com Geezer Butler e, ao lado do sempre presente Geoff Nichols, tentou continuar a colher os frutos da popularidade reconquistada, chamando Tony Martin de volta. Para a bateria, talvez Cozy Powell ainda não se mostrasse muito disposto a já aceitar um pedido de desculpas, assim a tarefa sobrou para outro ex-músico do Rainbow, Bobby Rondinelli. 

O álbum Cross Purposes foi lançado em 1994 e, ainda na frustração do fracasso da volta com Ozzy, conseguiu pobre repercussão. O disco não gerou grandes lucros ao Black Sabbath e nem uma turnê de sucesso, apesar de ter rendido até um boxset ao vivo, recebendo diminuta atenção tanto do selo quanto da banda. Rondinelli logo pulou fora e, quem diria, Bill Ward terminaria a turnê, mostrando boa vontade para fazer parte do grupo de novo, provavelmente acreditando ser apenas um aquecimento para a reunião da formação clássica.

A forma de Ward, infelizmente, não era das melhores. E a frustração com os resultados atingidos pela turnê de Cross Purposes fez com que o Black Sabbath passasse por mais uma fase incerta. Se a volta com Ozzy Osbourne era ainda improvável, Geezer Butler resolveu mudar de lado e passou a integrar a carreira solo do vocalista, gravando o disco Ozzmosis (1995) e participando de sua turnê de divulgação, além de tentar uma carreira solo ao lado de músicos mais jovens - o projeto recebeu o nome de G//Z/R. Bill Ward mais uma vez desapareceu sem deixar notícias.

Por outro lado, o Black Sabbath ainda tinha contrato com a I.R.S. e Tony Iommi não parecia disposto a desistir. Assim, ao lado de Tony Martin e Geoff Nichols, o guitarrista resolveu ironicamente fazer sua própria reunião e remontou a formação do final dos anos 1980, com Cozy Powell e Neil Murray. Não que muita gente tenha celebrado, percebido ou sequer prestado atenção.

A expectativa de retomar a sonoridade de Headless Cross e Tyr seria frustrada pela escolha do produtor: Ernie C, guitarrista do Body Count, banda do rapper Ice T que misturava hip hop com heavy metal e ganhara fama pela censura à sua música "Cop Killer" alguns anos antes. A escolha é controversa até hoje. Iommi alega ter sido uma imposição da gravadora, com o objetivo atualizar o som do Black Sabbath buscando colher frutos junto ao ascendente nu-metal, que catapultava ao estrelato bandas como KoRn e Deftones com vendas milionárias. 

De todos os músicos, Cozy Powell foi quem mais se sentiu tolhido pela forma de trabalhar do produtor e, após o mal recebido disco Forbidden, de 1995, pulou fora depois de cumprir a parte norte-americana dos shows. Seu substituto, também para nenhuma surpresa, foi Bobby Rondinelli, que cumpriu as melancólicas datas restantes da turnê de divulgação do último álbum do estúdio do Black Sabbath por quase 20 anos. 

Fato é que, já naquela época, o retorno da formação original do Black Sabbath parecia apenas uma questão de tempo. Tony Martin admitiu que Iommi estava desinteressado durante a produção de Forbidden, como se o disco fosse uma mera formalidade para o cumprimento do contrato com a I.R.S. e livrar a banda de compromissos, permitindo uma negociação mais rentável para a reunião com Ozzy Osbourne.

Iommi silencia quanto a ter sido essa a intenção, mas assume que ninguém esteve feliz com os métodos de Ernie C e alega que, se tiver a oportunidade, gostaria de remixar e remasterizar o álbum para fazê-lo soar mais como em sua visão inicial, estragada pela forçação de barra do produtor e da gravadora. 

Mick Wall, em sua biografia do Black Sabbath, no entanto, revela que, quando Tony Iommi foi preso antes dos shows de Costa Mesa em 1992, no que seria a primeira reunião da formação original da banda após o Live Aid em 1985, o guitarrista, então com problemas financeiros com a receita federal do Reino Unido, não teria como pagar em dinheiro a fiança imposta pela justiça da Califórnia. Quem lhe salvou foi Sharon Osbourne, responsável por levantar a quantia paga e, para isso, teria feito um acordo informal com os representantes de Iommi para que passasse a gerir também o nome do Black Sabbath.

Sendo verdadeira essa hipótese, esse capítulo, na verdade, se torna mais um prólogo relatando a etapa de superação dos obstáculos burocráticos em que o Black Sabbath estava metido por Iommi antes de poder se reunir com Ozzy, do que de fato um final da banda, como acabou parecendo à época, quando o grupo entrou num hiato após a turnê de Forbidden sem dar maiores informações quanto ao seu futuro.


Epílogo: Ozzy Osbourne

O Black Sabbath não chegou a encerrar oficialmente suas atividades com o fim da última turnê da era Tony Martin ao cumprir as datas finais divulgando Forbidden em dezembro de 1995, mas não deu nenhuma informação sobre os próximos passos e desapareceu da mídia, exceto por uma coletânea lançada pela I.R.S. em 1996 chamada The Sabbath Stones. O hiato, no entanto, não duraria muito tempo.

No mesmo ano, Sharon Osbourne resolveu criar o Ozzfest após o grupo de seu marido ter sido rejeitado pelo Lollapalooza por não ser “cool” suficiente. O sucesso inicial do evento itinerante fez com que a empresária ousasse um pouco mais e, em 1997, ela chamou Tony Iommi e Geezer Butler para uma participação especial: o Black Sabbath fechava cada data do estendido festival com chave de ouro após o show de Ozzy Osbourne. Bill Ward, no entanto, ficou de fora dessa primeira etapa da reunião, que contou com o baterista Mike Bordin, do Faith no More e da banda solo do vocalista.

Poucos meses depois, a reunião finalmente se consolidaria com dois shows envolvendo os quatro membros originais pela primeira vez desde o final dos 1970 na cidade natal de Birmingham - acompanhados, é claro, de Geoff Nichols. As apresentações foram registradas no disco ao vivo Reunion (1998). Para divulgar o trabalho, no entanto, um problema de saúde com Bill Ward os obrigou a trazer Vinnie Appice para as cumprir as datas da turnê. 

Para 1999, Ward voltou, mas o receio sobre a capacidade de o baterista aguentar o tranco manteve Appice como um reserva imediato nas baquetas caso fosse necessária a substituição durante os shows. Felizmente, Bill se mostrou apto para tocar em todas as datas, como registrado no vídeo ao vivo The Last Supper, e o Black Sabbath anunciou uma turnê no inverno europeu do mesmo ano como seus últimos shows para sempre.

Não foi verdade, óbvio. Os primeiros anos do novo milênio foram marcados por reuniões ocasionais da formação original do Black Sabbath alternando turnês solos na Europa e atrações como headliner do Ozzfest na América do Norte. Tentou-se gravar um álbum sob a tutela de Rick Rubin - uma música nova chegou a ser tocada ao vivo em 2001, "Scary Dreams" -, mas as infrutíferas sessões de composição acabaram engavetando o projeto e Ozzy Osbourne voltou a dar atenção à sua carreira solo.

A única mudança não muito significativa, mas simbólica, ocorreu a partir de 2004, quando o Black Sabbath passou a se apresentar sem a constante sombra de Tony Iommi, Geoff Nichols, mas com Adam Wakeman, filho do lendário Rick Wakeman, do Yes e tecladista da banda solo de Ozzy Osbourne. No mais, turnês com o mesmo setlist de clássicos pareciam marcar um final melancólico de um dinossauro do rock a que estava condenada a banda.

Em 2006, a formação original passou a fazer parte o Rock and Roll Hall of Fame, sendo ignoradas as demais fases do Black Sabbath. Talvez por isso, três anos depois, Sharon Osbourne tenha entrado com uma ação judicial solicitando oficialmente a gestão sobre os direitos do nome Black Sabbath para Ozzy, da qual resultou um acordo com Iommi, que até então era sozinho o seu detentor legal. 

Para evitar prováveis confusões com relação a essa delicada questão, quando Iommi e Butler se reuniram com Ronnie James Dio e Vinnie Appice em 2007 para uma turnê divulgando o lançamento de uma caixa comemorativa daquela era - The Dio Years, contendo os discos remasterizados e algumas faixas novas -, os shows não foram anunciados como Black Sabbath, mas sob o nome Heaven and Hell.

A turnê foi um sucesso e culminou no lançamento de um álbum novo do quarteto em 2009, também sob o nome de Heaven and Hell, intitulado The Devil You Know, cuja divulgação acabou sendo interrompida devido às condições de saúde de Ronnie James Dio, que faleceria em virtude de um câncer no estômago pouco mais de um ano depois.


Quando o Black Sabbath parecia encerrado de vez após seis anos de hiato, a formação original se reuniu em Los Angeles no dia 11/11/2011 para anunciar uma nova turnê e, finalmente, a gravação de um disco novo, mais uma vez supervisionado por Rick Rubin. Meses depois, Tony Iommi foi diagnosticado com um linfoma e, para variar, questões contratuais levaram Bill Ward a desistir de fazer parte do projeto. 

A turnê foi cancelada, exceto por um show beneficente realizado em Birmingham e a apresentação no Download Festival, em Donington, que muitos temiam ser a derradeira vez que o Sabbath subiria ao palco. Os shows ocorreram bem, mas sem Bill Ward e com o Tommy Clufetos, da banda solo de Ozzy Osbourne, na bateria. 

Aos poucos, o pessimismo foi diminuindo e a evolução das condições de saúde de Tony Iommi permitiu ao grupo em 2013 lançar um novo álbum, 13, o tardio sucessor de Forbidden após 18 anos e o primeiro disco completo do Black Sabbath cantado por Ozzy Osbourne desde 1978. Infelizmente, Bill Ward não participou do trabalho, cuja bateria foi gravada por Brad Wilk, do Rage Against the Machine.

A repercussão foi avassaladora e o Black Sabbath conseguiu chegar pela primeira vez na carreira ao topo da parada norte-americana, voltando a liderar em vendas no Reino Unido desde o longínquo Paranoid, de 1970. A turnê, extremamente bem sucedida, lotou estádios pelo mundo tudo e foi para encerrar a carreira nesse tom triunfante que a banda decidiu fazer sua turnê de despedida. 

Ou não. Já que os músicos já deram a entender que a gravação de um disco novo não é uma ideia descartada. E o próprio Tony Iommi, cuja doença está felizmente em remissão, também deixou em aberto a possibilidade de gravar material novo com Tony Martin quando trabalhar nos relançamentos dos discos do Black Sabbath gravados para a I.R.S. 

Só resta saber o que Sharon Osbourne pensa disso tudo.

Por Thiago Martins



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