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23 de mai de 2017

Entrevista exclusiva com Heleno Vale, baterista e idealizador do Soulspell

terça-feira, maio 23, 2017

O Soulspell lançará no próximo dia 25/05 o seu quarto disco, The Second Big Bang. Para saber mais sobre o álbum, sentamos e batemos um longo papo com Heleno Vale, baterista da banda, idealizador e líder do projeto. 

Heleno, pra começar eu gostaria que você comentasse um pouco sobre a história que é contada pelas músicas do novo disco, The Second Big Bang?

Obrigado pela oportunidade. A saga do Soulspell é contada desde o primeiro ato e será a mesma história até seu desfecho, muito provavelmente no sétimo ato. Esse é um diferencial importante do projeto que acredito torná-lo mais especial e interessante. No quarto álbum a história voltou a ser narrada no encarte, portanto para obter todos os detalhes desse ato, comprem o disco (risos). Resumidamente, esse ato conta o momento em que um cientista brilhante de uma grande agência aero espacial descobre, ilegalmente, que o universo está próximo de seu fim. Mesmo sem saber disso ainda, a mente de Timo, aprisionada no Labirinto das Verdades, é a única esperança de retrocesso do segundo Big Bang.

O disco foi todo gravado aqui no Brasil?

Nem todo. Algumas participações internacionais gravaram em seus próprios estúdios.

Como sempre, temos a participação de diversos vocalistas dos mais diferentes países. Como se deram as gravações das partes destes músicos? Elas foram registradas lá fora e enviadas posteriormente?

Muitos vocalistas gravaram aqui conosco, mas alguns fizeram questão de gravar em seus estúdios e nos mandar o material pronto. 

Na sua opinião, qual foi a contribuição de cada uma destas vozes neste novo disco do SoulSpell?

Na verdade a contribuição musical maior provém dos artistas que estão envolvidos na pré-produção, que acontece antes de qualquer gravação. São eles: Daísa Munhoz, Cleiton Carvalho, Tito Falaschi, Leandro Erba, Jefferson Albert, etc. Os demais artistas, na maioria das vezes, apenas interpretam as linhas guia que foram criadas aqui por mim e lapidadas pela Daísa e pelo Tito.


Ouvi The Second Big Bang e achei o disco muito bom, no mesmo nível do segundo álbum, Labyrinth of Truths (2010). Quais elementos dos três discos anteriores você enxerga no novo trabalho?

Que bom, muito obrigado. O Labyrinth of Truths é um grande álbum do metal brasileiro e acredito que este novo disco tem tudo para o suceder adequadamente quanto à preferência dos fãs. Enxergo nesse novo álbum uma aura única. Todo disco do Soulspell é diferente dos demais e enxergo isso como um ponto positivo. Geralmente, as bandas e principalmente os projetos soam um pouco enjoativos, mas acredito que o Soulspell não sofra desse mal. Assim, esse novo álbum não pode ser comparado aos demais. Ele é verdadeiramente único. Ele é mais maduro e mais ousado ao mesmo tempo. Gostamos de experimentar coisas novas e vamos continuar fazendo isso ao longo da saga. Mas, se eu tivesse que apontar algumas semelhanças desse disco com seus anteriores, eu diria que há algumas faixas que remetem à velocidade e ingenuidade do primeiro ato, como, por exemplo, a faixa-título e o single "Dungeons and Dragons", além das novas e lindas versões de "Soulspell" e "Alexandria". Outras faixas abordam, de certa forma, todo o mistério de Labyrinth of Truths, como "Game of Hours" e "Super Black Hole". Por fim, outras possuem leves pitadas de prog, remetendo assim ao terceiro ato, como "Horus’s Eye" e algumas são totalmente únicas da aura desse ato, como "The End You’ll Only Know At the End" e "Sound of Rain" (algumas de minhas faixas favoritas, dentre todos os álbuns). 

O disco será lançado apenas no mercado brasileiro ou já há um acordo para lançá-lo também em outros países? 

O disco será lançado mundialmente no dia 25 de maio, dessa vez pela Valetes Records. E o CD físico nacional será novamente lançado pela Hellion, no começo de junho.

Vamos ter uma turnê de lançamento de The Second Big Bang por diversas cidades brasileiras? E há planos de tocar no exterior para promover o álbum?

Sim. Está nos planos fazer shows nas principais cidades do país a serem divulgadas em breve e faremos de tudo para viabilizar uma turnê internacional.

The Second Big Bang é o quarto álbum do SoulSpell e, assim como os três anteriores, é um disco conceitual. Por que sempre esse formato?  Ele é o mais adequado às histórias que cada um dos álbuns do SoulSpell conta?

Todos os álbuns do Soulspell são parte de uma mesma história. Funciona como um seriado de TV, como Game of Thrones. Ainda não sabemos quantos atos levaremos para contar toda a saga, mas o certo é que todos os atos farão parte desta mesma história. 


O último disco do Soulspell, Hollow’s Gathering, saiu em 2012. Passaram-se cinco anos até o novo trabalho. O que você andou fazendo durante todo esse período?

Muita coisa. Não paramos de trabalhar um dia sequer. Nesse período fizemos o álbum mais complexo que jamais fizemos, o The Second Big Bang, que envolveu inúmeras participações nacionais e internacionais, estúdios diferentes, diversos novos contatos, etc. Além disso, nos dedicamos um pouco a gravar merecidos tributos e pretendemos, em breve, lançar um álbum só de tributos. Gravamos um tributo ao Helloween que contou com mais de quinze artistas e hoje já está com mais de 1 milhão de views no YouTube. Que eu saiba, nenhum vídeo do próprio Helloween para a música "We Got the Right" possui mais views que este nosso. Gravamos um tributo à Celine Dion, com um final super inusitado e surpreendente, cantado por Pedro Campos e Daísa Munhoz. Gravamos um tributo ao Edu Falaschi, onde interpretamos a música "Spread Your Fire" com Tim Ripper Owens, Ralf Scheepers e Daísa Munhoz cantando. E, por fim, gravamos um tributo ao Ayreon com 1h30 de duração em áudio e vídeo. Esse último tomou dois anos do nosso tempo e todos esses vídeos somados demandaram muito, mas muito tempo e dedicação da nossa equipe. 

Outro ponto é o conceito da Metal Opera, explorado pelo SoulSpell desde o início. Como surgiu a ideia de montar algo nessa linha, e quais foram as dificuldades para concretizá-la?

A ideia surgiu porque gostamos muito do estilo e havia uma lacuna, pois nenhuma banda estava fazendo shows desse tipo na época em que começamos. Hoje em dia há algumas poucas bandas que fazem shows de Metal Opera, mas, mesmo assim, não é algo teatral, como o Soulspell tenta fazer sempre que pode. A exceção é o Ayreon que acabou de lançar um DVD teatral, mas a pegada é totalmente outra, é prog e não power metal. Quanto às dificuldades para montar algo desse tipo, elas são inúmeras e muito maiores que as dificuldades que uma banda normalmente tem para se firmar. Lidar com um número gigantesco de contatos e músicos não é nada fácil. São muitas cabeças pensando e nem sempre elas pensam numa mesma direção. Foi difícil encontrar uma formação ideal para a banda, mas, agora, dez anos depois, acredito que encontramos. Estamos com uma formação excelente já faz algum tempo e pretendo continuar com esses músicos até o fim. Inclusive, eles devem ser os responsáveis diretos por uma nova fase do projeto, onde tentaremos gravar o quinto e os próximos álbuns de uma forma diferente. Vamos nos reunir e lapidar as ideias juntos antes das gravações. Acho que os próximos álbuns soarão um pouco mais diretos que os anteriores. 

Qual o tamanho da influência, tanto musical quanto conceitualmente, do Avantasia de Tobias Sammet no SoulSpell?

O projeto Avantasia é um projeto maravilhoso, liderado por uma mente brilhante e foi o pioneiro quanto ao uso da nomenclatura “Metal Opera”. Ninguém pode tirar isso deles. O Soulspell foi a segunda banda, acredito eu, a adotar o termo e, claro, esse termo foi proveniente do Avantasia, uma de nossas influências. Já no quesito “Opera”, nem Avantasia, nem Soulspell são pioneiros, já houve diversos álbuns de bandas de rock que se arriscaram nessa vertente, como Savatage e Queen, por exemplo. Eu realmente gosto muito dos dois primeiros discos do Avantasia, mas, musicalmente falando, há diversas outras bandas que influenciam bem mais nosso trabalho, como Sonata Arctica, Iron Maiden, Blind Guardian, etc

Um trabalho dessa magnitude, com o envolvimento de diversos músicos e com uma história contada em partes em cada uma das músicas, só funciona com a liderança central de um dos músicos, como é o seu caso?

Eu centralizo alguns aspectos do projeto em mim, para que haja um ponto de equilíbrio e para que as coisas não saiam do eixo. No entanto, musicalmente, deixo os músicos livres para criar.


Eu acho o trabalho da banda legal pra caramba e bastante diferenciado, além de muito complexo. Deve ser extenuante liderar um projeto assim, ainda mais quando não há, pelo menos ao meu ver, um reconhecimento comercial e financeiro equivalente aqui em nosso país. Isso chega a desmotivar todo o processo?

É bem difícil, mas não desmotiva a esse ponto. Nunca deixarei que as composições em si sejam afetadas pela falta de retorno financeiro. Ainda acreditamos que o projeto possa dar retorno financeiro a médio prazo. Por enquanto, para lidar com isso, optamos por não viver da música e fazermos somente o som que amamos. 

Levar tudo isso para o palco nem sempre é fácil, devido a presença de um grande número de músicos. Há planos de realizar um show ao vivo com a presença de todos os nomes que já participaram dos discos do SoulSpell, em uma grande celebração aos dez anos do primeiro disco, A Legacy of Honor (lançado em 2008) e ao trabalho da banda?

Os custos são bastante altos, mas, sim, está em nossos planos uma turnê comemorativa do A Legacy of Honor e um show com todos, ou com a maioria das participações. Nesse aspecto, precisamos de um suporte financeiro externo, alguém que queira investir no projeto ou a aprovação de algum projeto de incentivo. Eu acredito muito no Soulspell e acho que ele poderia ser sustentável e até produzir frutos financeiros tão bons quanto as maravilhosas mensagens de carinho que colhemos de nossos fãs a cada lançamento. 

Como o Soulspell tem sido aceito no Brasil e no exterior?

Eu sei que não deveria, mas não penso muito nesse lado. Como não vivo da música, me dou o direito de criar apenas o que curto e não algo que possa ser mais bem aceito no mercado atual. Claro que torço para que um dia nosso som seja tão bem aceito quanto os sons mais modernos, mas não vou mudar nosso estilo para isso. O mundo da música é uma espiral e um dia os estilos que estão em alta, estarão em baixa. Sendo assim, tudo leva a crer que haja alguma possibilidade de que o estilo feito por sua banda possa um dia estar em alta. Espero estar vivo para ver isso. Sendo um pouco mais direto na resposta, posso dizer que os álbuns e vídeos estão recebendo excelentes críticas e resenhas. Sentimos que estamos aprendendo a cada dia, a cada nova música. Estamos felizes e orgulhosos com o que fazemos. Os fãs estão se acumulando no YouTube e no Facebook, já são mais de 30 mil no Facebook e mais de 10 mil no YouTube. Então, acredito que, se analisarmos toda a trajetória, a tendência é positiva e acelerada. Estamos muito animados e confiantes para lançar novos trabalhos. As ideias estão fluindo e nossa química como banda está cada vez melhor.

Imagino que você leia bastante, já que as histórias contadas nos discos do Soulspell são bem interessantes. De onde vem a inspiração para elas?

A inspiração vem de tudo que faço no ramo da ciência e de todas as relações pessoais, conversas, discussões, etc. Também de tudo que leio e assisto, mas, principalmente, dos meus próprios pensamentos sobre a vida e a existência. Eu não faço nada forçado. Tento escrever o que eu gostaria de ler, o que acho interessante e diferente, ou engraçado. Não quero mudar a crença de ninguém, trata-se apenas de uma boa história para virar teatro, livros, filmes e, principalmente, música.


Quais são as suas principais influências não apenas na música, mas também na maneira de tocar bateria?

Minhas influências musicais são estranhamente variadas: Iron Maiden, Blind Guardian, Sonata Arctica, Slayer, Ayreon, Sepultura, Tears For Fears, Michael Jackson, Celine Dion, Metallica, Maná, Judas Priest, Alanis Morissette, Queen e por aí vai. Como baterista gosto muito do Alex González do Maná, Neil Peart, John Bonham, David Grohl, Ian Paice, Dave Lombardo, Nicko McBrain, Chad Smith, etc.

Heleno, você já está na estrada com o Soulspell há quase 10 anos, e antes já tinha uma carreira como músico. Pergunta simples e direta: atualmente, dá pra sobreviver de música aqui no Brasil tocando heavy metal?

Essa é fácil: não.

Cara, obrigado pela entrevista, e sucesso nesse novo capítulo da saga do SoulSpell.

Eu que agradeço a oportunidade. Muito obrigado!

25 de abr de 2017

Entrevista: João Renato Alves, da Van do Halen, fala sobre o fim de um dos maiores sites de rock do Brasil

terça-feira, abril 25, 2017

Há alguns dias publicamos uma matéria falando sobre os cinco anos do fatídico Metal Open Air, o maior 171 da história do metal nacional, e em como praticamente nada mudou desde então. Citamos no texto o iminente encerramento da Van do Halen, site que é nosso parceiro há longos anos e é, hoje, a principal fonte de notícias sobre rock e heavy metal aqui no Brasil. 

Como muitas pessoas ficaram surpresas com essa informação, batemos um papo com João Renato Alves, o criador e editor da Van, onde ele fala sobre os motivos que o levaram a tomar tal decisão e conta como foi a experiência de estar à frente do site durante todos esses anos.

Boa leitura!


João, quem acompanha você através das redes sociais já sabe há algum tempo que a Van do Halen acabará nos próximos meses. O que o levou a tomar essa decisão?

A resposta mais simples e direta é que tenho esposa e duas crianças que dependem de mim. Não posso chegar e dizer “desculpem, não vou mais colaborar com as despesas e vou viver de rock”. Nos últimos dois anos, especialmente, a crise se agravou, anunciantes sumiram e ficou difícil se manter. Chega uma hora que é preciso cair na real de vez. Também há outros fatores pessoais, como meu desejo de retomar a vida acadêmica. Fui até a pós-graduação e parei tudo para me dedicar ao site. Sinto falta do meio e pretendo retomar.

Você não pensou em repassar esse legado para as mãos de outra pessoa ou equipe, para que a história da Van seguisse sendo feita por novas mãos?

Não pensei nisso, acho que a Van tinha uma característica muito pessoal. Outra pessoa não conseguiria conservar isso.

O site já tem data para encerrar as atividades?

Tenho compromisso comercial até o dia 17 de maio com uma banda que anunciou. Depois, pode rolar a qualquer momento. Talvez no dia seguinte mesmo.

Que papel você acha que a Van do Halen teve durante a sua existência, dentro desse mundo estranho e com gente esquisita que é o jornalismo musical brasileiro - principalmente o especializado em heavy metal?

Acho que incomodamos um monte de gente. Esse era o objetivo. Nada de jornalismo para agradar, seja fãs, assessorias ou bandas. Uma pena que, de modo geral, a coisa seja totalmente diferente, com pessoal se deslumbrando com qualquer coisa, dando nota alta, estabelecendo parâmetros baixos. Tornei-me um descrente na profissionalização, ela não acontecerá enquanto a turma do tapinha nas costas existir.


Durante todo esse período, certamente você construiu relações duradouras com diversas pessoas e sites. O que você destacaria dessa troca de ideias entre indivíduos como nós, doentes e aficcionados por música que se dispõe, apesar de todos os percalços, a manter um site do porte da Van do Halen, por exemplo?

Até que não, na verdade. São poucas as pessoas com quem realmente tenho contato, justamente por conta do que foi citado na pergunta anterior. Nunca gostei de andar em grupos, tenho amizades com poucas pessoas do meio. Acho que a comunicação é algo legal, porém, sempre vai haver alguém vindo atrás de algum favor. Tanto que, em determinado momento, estabeleci uma regra de não misturar minhas redes pessoais com as da Van. Quem quisesse falar de trabalho, apenas por lá. Meu Facebook pessoal era para minha família e amigos.

Assim como fez amigos, certamente você também pisou em vários calos de diversas pessoas ao longo dos anos. Nesse aspecto, quais brigas valeram a pena comprar, e quais só causaram desgastes e nada mais?

Acho que toda briga vale a pena comprar, pois você tenta fazer aquilo que é certo ou, ao menos, acredita ser. Mesmo assim, acho que nunca houve uma briga no sentido de atacar a pessoa, foi mais um choque de ideias, além das corriqueiras demonstrações de amadorismo e picaretagem.

Conta aí pra quem tem a ideia de criar e manter um site como a Van do Halen: como era o seu dia a dia à frente de um dos sites de música mais acessados do Brasil? Você seguia um método de trabalho organizado aí no seu home office, ou ia postando as coisas na medida em que elas iam acontecendo?

A rotina mudava às vezes, mas normalmente costumava acordar cedo e ir até quase meia-noite. Quando havia algum evento marcante, a coisa não tinha hora para terminar. Não tinha como ser organizado em nossa proposta de trabalho. Até por isso, não tem como continuar de outro modo.

O quanto viver longe de um grande centro, e, principalmente, de São Paulo, o principal mercado do metal aqui no Brasil, influenciou o modo como você produziu o site durante todos esses anos?

Acho que nos tirou dos grupos de “donos da cena”, aqueles que não falam o que pensam por lembrar da credencial para o show, o CDzinho de graça, a parceria com o cara da revista, da promotora de eventos, etc...

O que você gostaria de ter feito e não fez? Tipo: o que você gostaria de ter publicado, de ter escrito, para a Van, e acabou não colocando no ar?

Em termos de publicação, nada me vem à cabeça. Gostaria de poder ter remunerado os colaboradores, que são meus amigos, alguns até da vida fora da internet, que se dispuseram a me ajudar. Fico triste em não poder ter feito isso.


Qual foi a matéria mais acessada da história da Van?

A morte do Lemmy. Os acessos fizeram o site cair e, como era tarde da noite, fiquei com medo de perder a página. Mas, após alguns minutos, se normalizou.

E quais foram as mais marcantes, na sua opinião?

De novo, a morte do Lemmy, foi uma comoção gigante. Por ele ser um cara que unia desde o pessoal do rock clássico ao metal extremo, acabou se tornando uma bonita demonstração de carinho, mesmo em um momento tão triste.

Nós fomos parceiros próximos ao longo dos anos, com a Collectors e Van trocando matérias e apoiando um ao outro em todos os momentos. Com a chegada dos cinco anos do fatídico Metal Open Air, o maior fiasco da história do metal nacional, como você avalia o impacto desse evento não apenas na história da Van, mas no modo como você passou a enxergar a cena metal brasileira a partir de então?

Foi um momento em que muitas pessoas passaram a nos conhecer por termos sido os únicos sites que realmente bateram de frente com o que estava acontecendo. Em termos de cena, realmente esperava que alguma coisa mudasse. Mas não foi o que aconteceu, a picaretagem segue à solta e o público tem muita culpa disso, pois segue com a mentalidade de “se rolar um som e tiver umas cevas, tá beleza”. Recentemente, em um outro evento aconteceu quase a mesma coisa e o pessoal tava na página do evento pedindo para liberar a cerveja na entrada. Enquanto esse tipo de pensamento de boi de abate não mudar, de nada adianta a gente lutar pelo que é certo. Infelizmente, vejo que a coisa piorou muito.


Nós sabemos os vícios nada sadios da imprensa metálica nacional, a maioria deles mantida distante do grande público e conhecida apenas por quem é do meio. Tendo isso em vista, como você avalia o jornalismo especializado em heavy metal aqui no Brasil? Ele existe? Quem faz mais mal do que bem para a cena? E existe alguém realizando um trabalho interessante e que vale a pena acompanhar, na sua opinião?

Há pessoas fazendo, mas em algum momento elas acabam se afastando. Justamente porque não dá para seguir em frente, chega a dar asco. Assessoria que te chama de amigo e te manda abraço... cadê a relação profissional? Não consigo identificar quem é pior, é um ciclo do qual todos fazem parte. Não tenho acompanhado o pessoal mais novo, então não sei bem quem está fazendo um bom trabalho. Problema é que eles serão esmagados se não souberem “jogar o jogo”.

Olhando para toda essa história, o que valeu a pena durante todos esses anos à frente da Van, e o que não valeu? Quais os pontos mais positivos de toda essa experiência, e quais foram os aspectos negativos de tudo isso?

Acho que tudo valeu a pena. Sei que as respostas acima pareceram amarguradas, mas não tenho nada do que me arrepender. Atingimos um público que pode não ter sido tão grande, mas foi muito fiel. Demos algum tipo de visão a artistas que fogem do trivial. Acho que isso é o que vale, no fim das contas.

Com o fim da Van, quais são os seus planos daqui pra frente, João? Qual será o próximo capítulo da sua vida? Pretende se afastar definitivamente da imprensa musical, ou pensa em escrever um ou outro texto esporadicamente?

Ainda não sei bem, mas estou disposto a tudo. Aliás, deixo claro que faço outras coisas além de falar sobre música, já trabalhei em diversas áreas do jornalismo, desde esporte até policial. Se alguém quiser entrar em contato, meu email é jrenato83@hotmail.com.

Pra encerrar, qual o conselho que você daria para quem quer criar e encabeçar um projeto como esse, um site de notícias sobre rock com atualização diária, como a Van do Halen foi?

Não faça sozinho. Nos últimos 8 anos, eu nunca tive férias. Jamais tirei mais que dois dias seguidos longe do site. Tenha uma equipe, defina uma linha editorial e mande ver. Aí vai de cada um querer se adequar ao jogo ou não.

10 de jan de 2017

Dropkick Murphys: entrevista exclusiva com o baterista Matt Kelly

terça-feira, janeiro 10, 2017

Em sua primeira visita ao Brasil, em 2014, vocês tocaram em suas datas sold out em São Paulo. Esperavam ser tão bem recebidos aqui por aqui?

Não, realmente a recepção do público foi uma surpresa, e das mais agradáveis. Ficamos muito satisfeitos com o amor demonstrado por nossos fãs brasileiros.

Vocês chegaram a preparar algo especial para esses novos shows aqui no Brasil?

Fizemos uma boa mistura com músicas dos últimos vinte anos, para que as pessoas possam curtir e provar de tudo.

Vocês certamente já responderam essa, mas lá vai: de onde surgiu a ideia de unir o punk com a música celta, que resultou em algo tão original e cativante como o Celtic Punk?

Foi quase por acidente. Quando um amigo ouviu a nossa primeira canção, "Barroom Hero", disse que soava como se os Pogues estivessem socando os Ramones. Eu acho que foi um som não intencional, mas fazia sentido ao olharmos para as nossas origens. Então penso que fomos expandindo lentamente o nosso Oi! e punk para incluir influências celtas. Isso já havia sido feito antes pelos Pogues e depois pelo Pist´n´Broke, mas acho que conseguimos encontrar o nosso próprio som usando a mesma forma.

O Dropkick Murphys sempre teve um posição política clara. Agora, com a eleição de Donald Trump, vocês pretendem intensificar o discurso contra os Republicanos, ainda mais devido ao caso envolvendo o uso sem autorização de uma canção da banda, "I´m Shipping Up to Boston", por Scott Walker, governador do Wiscosin?

Não. Não vejo Trump utilizando nenhuma de nossas músicas para promover suas ideias. Eu não sou anti-Republicano, assim como não sou anti-Democrata. Acho que nosso país está dividido o suficiente para que as pessoas tratem seus partidos políticos como times de futebol e quem pensa diferente como um inimigo, ao invés de apenas dois pontos de vista diferentes para o mesmo assunto. Se Trump ajudar a promover mais empregos ao nosso país e reconstruir a indústria, então isso será algo positivo. Agora é esperar pra ver no que vai dar.

O que você conhece de música brasileira, especialmente sobre as cenas rock e punk brasileiras?

Eu sei que o punk, o Oi! e o hardcore, assim como o thrash metal, são muito populares no Brasil desde os anos 1980, embora me entristece admitir que não conheço muitas bandas além de Virus 27, Histeria, o clássico Ulster, e um par de nomes mais novos como Blind Pigs e Belfast.


Depois de quatro anos sem nada inédito, vocês estão lançando nesse início de 2017 o seu novo álbum, 11 Short Stories of Pain & Glory. O que os fãs podem esperar desse novo disco?

É um disco duro e áspero, com letras sobre assuntos que nos interessam. Estamos muito orgulhosos do trabalho e esperamos que nossos fãs mantenham esse sentimento em seus corações tanto quanto nós.

As vendas de CDs, LPs e de outros formatos físicos caíram muito com a popularização dos downloads e dos serviços de streaming. Tendo essa realidade em mente, ainda vale a pena gravar novos discos?

Sim. Nós sempre gravaremos discos, e teremos o cuidado de colocar as músicas em uma boa ordem, para que, quando o álbum for ouvido, ele flua bem. Tempos, sons e emoções são sempre levados em conta na hora de colocar um novo álbum em ordem.

Em qual país em que vocês ainda não tocaram e gostariam de realizar um show?

Eu adoraria tocar no Egito, Índia, Coreia, China, Indonésia e na África do Sul. Acho que seria muito interessante ter contato com essas culturas, conhecer a arquitetura, as pessoas e os nossos fãs (caso existam) nesses lugares.

Que banda você curte e os fãs não fazem nem ideia?

Steely Dan! É o que chamam de guilty pleasure para mim.

Pra fechar: que música você indicaria para uma pessoa que nunca ouviu nada do Dropkick Murphys?

Eu provavelmente teria que recomendar "Worker´s Song" e "The Warrior´s Code". Ambas possuem muitos dos diferentes elementos do nosso som, incorporando a instrumentação diferente que usamos e que torna a nossa música exclusiva. Muito obrigado pela entrevista, e saudações aos nossos fãs brasileiros.

22 de nov de 2016

Entrevista exclusiva: João Gordo

terça-feira, novembro 22, 2016

Viva La Vida Tosca, autobiografia de João Gordo escrita em conjunto com o jornalista André Barcinski, está chegando às livrarias pela editora Darkside Books. O lançamento oficial acontece dia 23/11, em um evento no Teatro Eva Herz, no Conjunto Nacional, em São Paulo, a partir das 18h.

Batemos um papo com João Francisco Benedan, o icônico e lendário João Gordo do Ratos de Porão, da MTV e do Panelaço, onde conversamos sobre o livro e alguns assuntos de sua vida. Um papo sincero, autêntico e divertido, como tudo que cerca o universo do João.

Divirtam-se!


Por que lançar uma autobiografia?

Porque tenho muita história para contar e quem melhor do que eu mesmo? Melhor lançar a autobiografia vivo do que morto.

O livro contém várias passagens marcantes e não esconde o seu passado com drogas e afins. Hoje, você é pai de dois pré-adolescentes. Como eles enxergam todo esse lado da sua vida, da dependência química, do vício e de tudo que quase levou você à morte?

Eles ainda não tem uma noção profunda. Os dois são crianças de 12 (Victoria) e 11 (Pietro) anos, que estão entrando na adolescência. Com as minhas histórias expostas no livro, eles vão acabar vindo cheios de questionamentos. Mas isto não é problema aqui em casa. Meus filhos são seres iluminados criados na base de muita conversa e amor.
  
Teve alguma história que, depois que o livro ficou pronto, você lembrou e gostaria que tivesse entrava em Viva La Vida Tosca?

Várias, dá para fazer uma segunda parte brincando e tem outras que eu guardo (risos).

Como é ser um punk com 50 anos de idade?

Eu sou um senhor de 52 anos, pai de família, que paga impostos e tem que ralar para poder pagar as contas. Foi punk com 18, 19, 20 anos. Depois que misturou tudo, o punk ficou restrito para mim. Eu abracei o metal, o rap e outras tendências que me agradavam. Mas eu sempre disse: "Sou nada por fora, punk por dentro, toco rápido porque é gostoso".


Toda a sua passagem pela TV, pela rádio e agora também pelo YouTube, o transformou em uma espécie de ícone pop Brasil afora. Como é a sua relação com esse público que o conhece desse trabalho na MTV, Record e afins, e não do seu passado com Ratos de Porão?

Hoje em dia, em virtude de meu programa na internet, o assédio do público é muito carinhoso, mas há muitos idiotas que querem tirar foto comigo e nem sabem meu nome, só "pá pô no feicebuque".

Se alguém decidisse levar a sua vida para o cinema, quem você gostaria que dirigisse o filme e quem você acha que faria um João Gordo convincente na telona?

Para diretor, queria o Scorsese. E como João Gordo, o Jack Black. Viajei grande! (risos).

O trabalho no Panelaço é divertido pra caramba. Algo que, pra quem conhece apenas o seu trabalho no Ratos, repleto de agressividade e crítica social, choca em um primeiro momento. De onde veio esse seu senso de humor, Gordo? Você sempre foi assim?

Eu sou uma espécie de comediante. Tenho um senso de humor ácido, crítico e amo um nonsense. Assunto é o que não falta na nossa república de bananas. 

Você e o Max, do Sepultura, foram grandes amigos por muito tempo, mas depois se afastaram. O que você cozinharia para ele no Panelaço? E se pudesse fazer apenas uma pergunta para o cara, qual seria?

Impossível tal empreitada, aquele Max que conhecia morreu em 96.

Quem você gostaria de levar no Panelaço e ainda não levou?


Lampião.

17 de nov de 2016

Cesar Bravo: o som e a fúria do novo terror nacional

quinta-feira, novembro 17, 2016

O terror e o metal têm muito em comum. A começar pela devoção de seus fãs. Você não deixa de ouvir Black Sabbath ou de ler Clive Barker porque a moda passou. Amar rock pesado ou literatura e cinema casca grossa é como fazer um pacto para toda a vida – quem sabe até para depois?

Mas mesmo com tanta gente talentosa produzindo e com multidões fanáticas de admiradores, muitos costumam olhar com desdém para essa arte que se veste de preto. Foi preciso o Sepultura estourar lá fora para a mídia reconhecer: Yes, nós temos metal!

Com o terror nacional a história não é muito diferente. O mestre Zé do Caixão ganhou o merecido título de gênio depois que virou Coffin Joe na gringa. Novos diretores surgiram desde então, como Rodrigo Aragão (Mar Negro), Davi de Oliveira Pinheiro (Porto dos Mortos), Dennison Ramalho (ABC da Morte 2) e Peter Baiestorf (Zombio).Vale a pena conferir o talento brazuca.

A boa notícia vem agora: a literatura de terror nacional – que remonta ao século XIX com Álvares de Azevedo – acaba de revelar seu novo Sepultura. Seu nome é Cesar Bravo. Mas não pense que ele é um novato. Na verdade, Cesar Bravo é um grande nome underground, que já arrebanhou muitos seguidores com seus ebooks repletos de sangue e estilo. É como se, agora, ele conseguisse levar seu talento para uma gravadora major. Na verdade, uma editora, a DarkSide Books, primeira do país inteiramente dedicada ao terror e à fantasia. A mesma editora que lançou as biografias de Zé do Caixão – Maldito e João Gordo – Viva La Vida Tosca.

Nós conversamos com Cesar Bravo, autor do recém lançado Ultra Carnem sobre terror, é claro, e sobre sua paixão por rock e heavy metal. Não é todo dia que você descobre um autor que escreve ouvindo Motörhead no talo.


Sua incursão na literatura de horror aconteceu bem cedo. E seu primeiro contato com a música, como foi?

Lembro que a primeira banda que me pegou de jeito foi Guns N' Roses. Eu era muito jovem, arredio, e de repente senti que havia mais gente se sentindo como eu me sentia. As letras, a agressividade, estava tudo ali, diluído nos vocais rasgados de Axl Rose e nos solos melancólicos de Slash. Praticamente ao mesmo tempo descobri Kill 'Em All, do Metallica. Aquilo me pegou como um soco, quero dizer, tudo o que havia no disco era frustração e raiva, sentimentos que eu conhecia de perto. A terceira banda foi Black Sabbath, que apareceu domando meus gostos musicais de uma maneira irreversível. Sabbath foi o casamento perfeito entre música e horror, minhas duas paixões. Nas fases mais conturbadas, me descobri um súdito fiel dos Ramones. Nos anos noventa presenciei o aparecimento das bandas de Seattle; Nirvana, Alice in Chains, Pearl Jam, foi um momento único para alguém que gostava de andar com a mesma roupa seis dias por semana (risos). Desde então tento acompanhar os furacões musicais que despontam aqui e ali.

Sabemos que você já ocupou cargos na indústria da música. Pode falar mais um pouco sobre essa experiência e se ela te impactou de alguma forma?

Bem, eu tinha dezessete anos e pensava que poderia ser um rock star movido à adrenalina (essa é a verdade, por mais bizarra e cômica que possa parecer). Com essa vontade irrefreável, montei e desmanchei algumas bandas, conheci gente de verdade, aprendi a “consertar vitrolas para ouvir música”. Passei muito tempo compondo, algo que faço até hoje, mas mantenho no fundo das gavetas. Eu não sei, talvez essa canções ainda apareçam no momento oportuno, mas nada que me mova hoje em dia. Também atuei como roadie em algumas bandas pequenas, a troco de cerveja e entradas grátis em shows menores ainda. A maior parte dessas bandas sequer existe hoje em dia, mas foi uma época divertida.

Viver da música — ou pelo menos tentar — me mostrou que nem tudo é o que parece ser, que você precisa ser incrível para ganhar algum destaque, e me mostrou principalmente que a rebeldia é algo belo, é a essência vital de qualquer artista.

Quais são suas bandas favoritas?

Black Sabbath, Ramones, AC/DC, Metallica, Slayer, Motörhead. Também me amarro em Twisted Sister e no material mais antigo do Guns N' Roses.

Que músicas não poderiam faltar na playlist de Ultra Carnem?

- Paint It, Black – Rolling Stones
- I Put a Spell on You – Screamin’ Jay Hawkins
- Children of the Damned - Iron Maiden
- Saturday Night – Misfits
- When the Sun Burns Red - Kreator
- Highway to Hell – AC/DC
- I Don’t Believe a Word – Motörhead
- Raining Blood – Slayer
- Lord of This World - Black Sabbath
- Welcome to the Jungle - Guns N' Roses
- Orgasmatron - Sepultura



Um gênero que sem dúvidas divide temas com sua obra é o metal. Existe alguma banda do gênero que você acha que dialoga mais com seu trabalho?

Creio que seja mesmo Black Sabbath e Motörhead. Existe algum tempero thrash também, gosto da pancadaria necessária de bandas como Slayer, Megadeth e Sepultura.

De que modo a música faz parte do seu processo criativo? Você tem o costume de ouvir músicas enquanto escreve ou antes de começar a escrever?

Ouço música o tempo todo. Ao escrever, tenho alguns momentos, geralmente um pouco antes de começar o trabalho. Funciona como um catalizador, de repente a música te arranca do mundano e te arrasta com ela. No ápice do processo criativo, quando as palavras chegam sem esforço, a música mantém o fluxo. Às vezes, ao final de um dia desafiando os olhos, a escrita é exaustiva, e nesse ponto um pouco de distorção musical chega como um bálsamo. Eu provavelmente escreveria de uma maneira diferente sem o impulso da música — e possivelmente seria uma merda.

Quem conheceu seu trabalho sabe que você é fã dos mestres Edgar Allan Poe, H.P. Lovecraft, Clive Barker e Stephen King.  Mas quais são suas inspirações musicais? E de que modo elas te inspiram?

Tenho o vício de procurar pelas letras das música de que mais gosto. Muitas delas me inspiram, sobretudo nos contos, onde a liberdade é quase total. Citaria aqui novamente Black Sabbath, Dio, Ozzy Osbourne, The Doors, Megadeth e muitas outras bandas de rock e heavy metal. O que me inspira muito, além das letras e das melodias, são os caras que meteram a cara contra o mundo e conquistaram seu espaço. São homens e mulheres que descobriram um sentido para a própria vida, que tiveram a audácia e a ousadia de contestar o maldito status quo.


Você conseguiria definir Ultra Carnem em uma música?

Essa é bem difícil, mas a essência de Ultra Carnem é a ausência de Deus, é o momento em que o Sagrado vira o rosto quando nós mais precisamos. O livro trata basicamente de homens e demônios. Creio que “God Was Never on Your Side”, do Motörhead, seja uma menção justa.

Se Ultra Carnem pudesse cair na mão de um de seus artistas favoritos, quem seria? 

Oh, boy! Dos músicos brasileiros eu escolheria Andreas Kisser, do Sepultura. Dos gringos, gostaria muito que dois fãs de horror lessem meus livros, alguém como Slash e Kirk Hammett (sonhar alto é preciso, não? Mesmo que seja para se esborrachar no chão - risos). Para fechar, meu expoente na música: Mr. Madman. Creio que, artisticamente, Ozzy Osbourne tenha um nível de insanidade bem parecido com o meu.

Você tem o costume de ir em shows e festivais de música?

Sempre que possível (o que equivale a dizer que é muito difícil). Meus últimos shows foram Black Sabbath — com Ozzy e com o Dio (RIP, man) —, e um show do Sepultura que rolou em Taubaté. Sou meio “bicho do mato”, às vezes tudo o que preciso é colocar o som no talo e escrever um pouco. Mas adoro a energia dos shows.

E instrumentos? Toca algum ou tem vontade de aprender?

Toco guitarra e já me aventurei com contrabaixo. Para ser sincero, estou bem fora de forma. Tenho vontade de aprender a tocar harmônica, gaita. Um blues bem tocado faz meu peito arfar depressa. Bateria também parece incrível, mas minha coordenação motora não chegaria tão longe.

Aliás, aproveitando o espaço, eu gostaria de agradecer meu leitor Renatinho Caveira e Buba-Baleia pelas montagens incríveis das capas que tanto amo. Olhar para cada uma delas me faz voltar no tempo e querer dar vida a todos os monstros que ainda moram em mim.


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