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6 de set de 2018

O legado da Motown, a maior fábrica de hits da música norte-americana

quinta-feira, setembro 06, 2018

Fundada por Berry Gordy Jr. em 12 de janeiro de 1959 em Detroit, a Motown foi a maior e mais importante gravadora da música negra norte-americana, exercendo papel essencial na integração racial e na música popular dos Estados Unidos. O nome é a junção das palavras Motor e Town - motor e cidade, respectivamente -, em alusão ao apelido que Detroit possuía por ser o centro da indústria automobilística do país.

Durante a década de 1960, a Motown esculpiu, através de uma série de singles de sucesso, o que ficou conhecido como Motown Sound, que era um estilo de soul music com uma enorme pegada pop. As canções lançadas pelo selo, em sua maioria com 3 minutos de duração, eram compostas visando o sucesso junto ao público, porém sem abrir mão da qualidade e de experimentos sonoros. Para se ter ideia do impacto da Motown, entre 1960 e 1969 a gravadora colocou 79 músicas no top 100 da Billboard, um número sensacional para uma gravadora média e que concorria com gigantes da indústria fonográfica. Foram 57 singles em primeiro lugar na Billboard, em uma lista que começou em 1961 com “Please Mr. Postman”, das The Marvelettes, e foi até 1997, com “4 Seasons of Loneliness”, do Boyz II Men.



Por décadas, a Motown foi a empresa afro-americana mais bem sucedida dos Estados Unidos. Entre os nomes que fizeram parte do catálogo da gravadora estão ícones como Marvin Gaye, The Isley Brothers, Martha Reeves and The Vandellas, Smokey Robinson & The Miracles, The Supremes, Diana Ross, The Jackson 5, Stevie Wonder, The Commodores, Michael Jackson, Billy Preston, Rare Earth, Erykah Badu, Boyz II Men, Queen Latifah, Lionel Richie, Toni Braxton, entre outros.

Para quem quer conhecer mais sobre o selo, foram lançadas diversas compilações ao longo dos anos, com destaque para o box Hitsville USA: The Motown Singles Collection 1959-1971, com 103 faixas distribuídas em 4 CDs que repassam a história do período clássico da gravadora. Esta caixa saiu em 1992 mas ainda está em catálogo.


Celebrando o legado do selo, a Mojo publicou em sua edição 183, que chegou às bancas em fevereiro de 2009, uma lista chamada The 100 Greatest Motown Tracks, onde passou a limpo o catálogo da gravadora. Algumas curiosidades sobre essa lista: o artista com mais faixas presentes é o imortal Marvin Gaye, com 14 músicas incluídas. Na sequência temos Stevie Wonder (11), The Temptations (10), Smokey Robinson & The Miracles (8), Four Tops (5), The Supremes (5), Martha Reeves & The Vandellas (4), Diana Ross (3), The Jackson 5 (3), The Marvelettes (3), David Ruffin (2), Edwin Starr (2), Gladys Knight & The Pips (2), Jr. Walker & The All Stars (2), Tammi Terrell (2) e The Velvelettes (2). A música mais curta presente na lista é “Come to Me”, de Marv Johnson, com 2:20 de duração. Já a mais longa é “Keep on Truckin’”, de Eddie Kendricks.

Pra você conhecer mais sobre o trabalho e os artistas incríveis da Motown, a lista da Mojo está reunida em uma playlist especial em ordem decrescente. Ela inicia com a música número 100 - “Somebody's Watching Me”, de Rockwell - e chega até à primeira colocada - Martha Reeves & The Vandellas com a clássica “Dancing in the Street”.

Divirta-se, dance e emocione-se dando play abaixo:

31 de ago de 2018

Dissecando a lista das 500 Maiores Músicas de Todos os Tempos, publicada pela Rolling Stone

sexta-feira, agosto 31, 2018

Em dezembro de 2004, a edição 963 da revista Rolling Stone chegou às bancas dos Estados Unidos e trouxe como principal atrativo uma lista chamada Rolling Stone’s 500 Greatest Songs of All Time, em que a equipe da publicação elaborou uma seleção daquelas que seriam as canções mais importantes da história da música popular - pop, rock, soul, funk e afins.

Como todo levantamento desse tipo, a lista da Rolling Stone gerou discussões sobre algumas escolhas, mas trata-se, sem dúvida, de um belo documento sobre o que de melhor a música nos deu no século XX.

Algumas curiosidades: a banda com mais músicas na lista, como não poderia deixar de ser, atende pelo nome de The Beatles. O Fab Four emplacou 23 canções - ou seja, quase 5% das 500 músicas. Na sequência temos Rolling Stones (14), Bob Dylan (13), Elvis Presley (11), U2 (8), The Beach Boys (7), Jimi Hendrix (7), Led Zeppelin (6), Prince (6), Sly & The Family Stone (6), James Brown (6), Chuck Berry (6), Elton John (5), Ray Charles (5), The Clash (5), The Drifters (5), Buddy Holly (5), The Who (5), Four Tops (5), Al Green (4), Aretha Franklin (4), Bob Marley (4), Bruce Springsteen (4), Creedence Clearwater Revival (4), David Bowie (4), The Everly Brothers (4), Little Richard (4), Marvin Gaye (4), Muddy Waters (4), Nirvana (4), Roy Orbison (4), Sam Cooke (4), Stevie Wonder (4), Aerosmith (3), The Animals (3), Blondie (3), Bo Diddley (3), The Byrds (3), Cream (3), Elvis Costello (3), Guns N’ Roses (3), The Isley Brothers (3), Johnny Cash (3), Neil Young (3), Otis Redding (3), Pink Floyd (3), Ramones (3), Simon & Garfunkel (3), The Supremes (3), The Temptations (3), Van Morrison (3), The Velvet Underground (3), AC/DC (2), Alice Cooper (2), The B-52’s (2), The Band (2), Bee Gees (2), Ben E. King (2), Big Star (2), Bill Withers (2), Black Sabbath (2), The Cure (2), Dion (2), Donna Summer (2), The Doors (2), Eddie Cochran (2), Fats Domino (2), Hank Williams (2), Howlin’ Wolf (2), The Impressions (2), Jackie Wilson (2), Janis Joplin (2), Jay Z (2), Jefferson Airplane (2), Jerry Lee Lewis (2), Jimmy Cliff (2), Joni Mitchell (2), The Kinks (2), The Lovin’ Spoonful (2), Lynyrd Skynyrd (2), Martha Reeves & The Vandellas (2), Michael Jackson (2), The Police (2), Public Enemy (2), Queen (2), R.E.M. (2), Radiohead (2), The Righteous Brothers (2), Rod Stewart (2), The Ronettes (2), Sex Pistols (2), The Shangri-Las (2), The Shirelles (2), The Smiths (2), Smokey Robinson & The Miracles (2), The Staple Singers (2) e Wilson Pickett (2).


Das 500 canções que constam na lista, 351 foram gravadas por artistas norte-americanos, 120 por ingleses, 13 por canadenses (a maioria delas com participação de Neil Young), 12 por irlandeses (o U2 manda um abraço), 7 por jamaicanos, duas por australianos e uma por suecos e franceses (o número total supera 500 porque algumas bandas tinham músicas de diferentes nacionalidades). Todas as músicas presentes na lista são cantadas em inglês, com uma única exceção para “La Bamba”, de Ritchie Valens. A única música instrumental é “Green Onions”, do Booker T. & The MG’s.

Em relação às décadas, temos 203 canções gravadas durante os anos 1960 (40,8% do total), 142 dos anos 1970 (28,2%), 72 da década de 1950 (14,4%), 57 da década de 1980 (11,4%), 22 dos anos 1990 (4,4%), 3 dos anos 2000 (0,6%) e 1 da década de 1940 (0,2%).

Três músicas aparecem duas vezes na lista, em gravações realizadas por artistas diferentes. São elas: “Mr. Tambourine Man” por Bob Dylan e pelo The Byrds, “Blue Suede Shoes” por Elvis Presley e Carl Perkins e “Walk This Way” pelo Aerosmith e na parceria entre a banda e o Run-DMC.

As dez canções mais curtas são “Rave On” de Buddy Holly (com 1:47 de duração), “Great Balls of Fire” de Jerry Lee Lewis (1:52), “The Letter” do The Box Tops (1:53), “Tonight’s the Night” da The Shirelles (1:54), “All Shock Up” de Elvis Presley (1:57), “Hit the Road Jack” de Ray Charles (1:58), “C’mon Everybody” de Eddie Cochran (1:58), “Blue Suede Shoes” de Elvis Presley (1:59), “Summertime Blues” de Eddie Cochran (1:59) e “That's All Right” de Elvis Presley (2:00). Já as dez mais longas são “The End” do The Doors (11:43), “Desolation Row” de Bob Dylan (11:21), “Marquee Moon” do Television (10:38), “Free Bird” do Lynyrd Skynyrd (9:19), “Purple Rain” do Prince (8:41), “Won't Get Fooled Again” do The Who (8:29), “Kashmir" do Led Zeppelin (8:28), “Stairway to Heaven” do Led Zeppelin (8:03), “Visions of Johanna” de Bob Dylan (7:31) e “Cortez the Killer” de Neil Young (7:30).


O disco com mais músicas selecionadas foi Are You Experienced (4 faixas), lançado por Jimi Hendrix em 1967. Na sequência temos Appetite for Destruction do Guns N’ Roses (3), Help! dos Beatles (3), Highway 61 Revisited de Bob Dylan (3), I Never Loved a Man the Way I Love You de Aretha Franklin (3), Led Zeppelin II do Led Zeppelin (3), Nevermind do Nirvana (3), Pet Sounds do The Beach Boys (3) e Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band dos Beatles (3).

Em relação à lista em si, acho muito legais esses levantamentos por alguns motivos. O primeiro, e mais óbvio, é conhecer novas faixas. Por mais que a gente escute música há anos, sempre acaba descobrindo coisas novas nesses estudos. E o outro ponto é que uma lista como essa ratifica a influência e a importância de artistas que realmente mudaram o mundo da música, deixando claro o seu impacto na cultura pop mundial. É claro que o fato de o levantamento ser feito por uma publicação norte-americana limita o espectro analisado não apenas ao mercado dos Estados Unidos, mas também ao impacto dessas canções na cultura dos EUA. Porém, a edição brasileira da Rolling Stone realizou um estudo semelhante em outubro 2009, celebrando os seus três anos de vida, chamado As 100 Melhores Músicas Brasileiras de Todos os Tempos - leia aqui.

Para finalizar, compilei todas as músicas citadas pela Rolling Stone em uma playlist. A lista inicia na canção de número 500 - “Shop Around”, do The Miracles - e vai até a primeira colocada - “Like a Rolling Stone”, de Bob Dylan. Para quem quiser saber mais sobre cada uma das escolhas, no site da Rolling Stone há uma longa matéria com textos sobre cada uma das canções - leia aqui.

Abaixo está a playlist, que garante uma bela jornada por mais de 70 anos de música. Enjoy!

23 de ago de 2018

Os 40 melhores discos de black metal de todos os tempos

quinta-feira, agosto 23, 2018

A Louder publicou uma lista com os 40 melhores álbuns de black metal de todos os tempos, dividida em três períodos de tempo distintos: anos 1980, 1990 e 2000. 

O levantamento tem como destaque a profunda influência das bandas sul-americanas no som extremo, bem como a controversa cena norueguesa da década de 1990, marcada por assassinatos e crimes de ódio.


E esses são os 40 melhores discos de black metal da história, segundo a Louder:

Venom - Black Metal (1982)
Hellhammer - Apocalyptic Raids (1984)
Celtic Frost - To Mega Therion (1985)
Sodom - Obsessed by Cruelty (1986)
KAT - Metal and Hell (1986)
Sepultura - Morbid Visions (1986)
Vulcano - Bloody Vengeance (1986)
Sarcófago - I.N.R.I. (1987)
Bathory - Under the Sign of the Black Mark (1987)
Tormentor - Anno Domini (1989)
Blasphemy - Fallen Angel of Doom (1990)
Master’s Hammer - Ritual (1991)
Darkthrone - A Blaze in the Northern Sky (1992)
Samael - Blood Ritual (1992)
Emperor / Enslaved - Emperor / Hordanes Land (1993)
Beherit - Drawing Down the Moon (1993)
Immortal - Pure Holocaust (1993)
Impaled Nazarene - Ugra-Karma (1993)
Mystifier - Göetia (1993)
Mayhem - De Mysteriis Dom Sathanas (1994)
Vlad Tepes / Belkètre - March to the Black Holocaust (1995)
Dissection - Storm of the Light’s Bane (1995)
Burzum - Filosofem (1996)
Mysticum - In the Streams of Inferno (1996)
Rotting Christ - Non Serviam (1994)
Absu - The Sun of Tiphareth (1995)
Ulver - Bergtatt: Et Eeventyr i 5 Capitler (1995)
Satyricon - Nemesis Divina (1996)
Gorgoroth - Antichrist (1996)
Arcturus - La Masquerade Infernale (1997)
Weakling - Dead As Dreams (2000)
Windir - 1184 (2001)
Forgotten Tomb - Springtime Depression (2002)
Watain - Casus Luciferi (2003)
Taake - Hordalands Doedskvad (2005)
Evilfeast - Funeral Sorcery (2005)
Blacklodge - Solarkult (2006)
Negura Bunget - Om (2006)
Marduk - Rom 5:12 (2007)
Deathspell Omega - Fas, Ite, Maledicti, in Ignem Aeternum (2007)




31 de jul de 2018

Metal Hammer escolha as 40 canções essenciais do thrash metal

terça-feira, julho 31, 2018

A Metal Hammer elaborou uma lista com as 40 músicas essenciais do thrash metal em seus 35 anos de existência. Para tal, dividiu em quatro faixas de tempo e em forma cronológica, indo de 1983 até 2018. 

Você confere a lista completa abaixo e pode ouvir as músicas em uma playlist com todas elas. E aí, faltou alguma?

Melhores Músicas de Thrash entre 1983-85:

Metallica – Metal Militia
Suicidal Tendencies – I Saw Your Mommy
Anthrax – Metal Thrashing Mad
Slayer – Chemical Warfare
Destruction – Mad Butcher
Exodus – Bonded By Blood
Kreator – Tormentor
Overkill – Rotten to the Core
Celtic Frost – Circle of the Tyrants
Megadeth – Rattlehead

Melhores Músicas de Thrash entre 1986-89:

Metallica – Battery
Megadeth – Black Friday
Slayer – Angel of Death
Kreator – Pleasure to Kill
Anthrax – Caught in a Mosh
Testament – Over the Wall
Sodom – Nuclear Winter
Voivod – Macrosolutions to Megaproblems
Xentrix – No Compromise
Sepultura – Mass Hypnosis

Melhores Músicas de Thrash entre 1990-99:

Megadeth – Holy Wars … The Punishment Due
Slayer – War Ensemble
Kreator – People of the Lie
Heathen – Hypnotized
Pantera – Fucking Hostile
Sodom – The Crippler
Machine Head – Blood For Blood
Witchery – The Reaper
The Haunted – Hate Song
Testament – Down For Life

Melhores Músicas de Thrash entre 2000-18:

Destruction – The Butcher Strikes Back
Kreator – Reconquering the Throne
Exodus – Scar Spangled Banner
Aura Noir – Condor
Municipal Waste – Unleash the Bastards
Slayer – Cult
Evile – Thrasher
Megadeth – Head Crusher
Overkill – Ironbound
Metallica – Spit Out the Bone

Curiosidade: apenas três bandas tiveram quatro músicas citadas, uma de cada período escolhido pela Metal Hammer. Foram elas: Slayer, Megadeth e Kreator. E duas faixas não constam no Spotify e por isso não estão na playlist: “The Reaper” do Witchery e “Reconquering the Throne” do Kreator.

Ouça a playlist abaixo:

15 de jun de 2018

Os discos de rock e metal mais vendidos em 2018 (até agora)

sexta-feira, junho 15, 2018

Antes de falarmos dos discos de rock e metal mais vendidos do ano até o momento, é preciso contextualizar alguns dados. 

O disco mais vendido até o momento nos Estados Unidos, que segue sendo o mais importante mercado fonográfico mundial, é a trilha sonora de The Greatest Showman. Para vocês terem ideia, este é o único álbum que teve mais de um milhão de cópias comercializadas em 2018 até o momento, um número muito abaixo do que era a realidade há alguns anos atrás. 

Abaixo de tudo isso, temos a fidelidade dos fãs de rock e metal, que seguem comprando itens físicos de seus ídolos. Abaixo estão os discos mais vendidos de ambos os estilos até o momento no mercado norte-americano, confere aí:

1 Metallica - Hardwired ... To Self Destruct - 136 mil cópias
2 Bon Jovi - This House is Not for Sale - 131 mil cópias
3 Breaking Benjamin - Ember - 117,5 mil cópias
4 Greta Van Fleet - From the Fires - 98 mil cópias
5 A Perfect Circle - Eat the Elephant - 94 mil cópias
6 Five Finger Death Punch - A Decade of Destruction - 87,3 mil cópias
7 Metallica - Metallica - 87 mil cópias
8 Judas Priest - Firepower - 84 mil cópias
9 Five Finger Death Punch - And Justice for None - 82,5 mil cópias
10 Shinedown - Attention Attention - 80,5 mil cópias
11 Ghost - Prequelle - 62 mil cópias
12 Godsmack - When Legends Rise - 60 mil cópias
13 Kid Rock - Sweet Southern Sugar - 59,5 mil cópias
14 Metallica - Master of Puppets - 58,5 mil cópias
15 Linkin Park - Hybrid Theory - 49 mil cópias
16 Guns N´ Roses - Appetite for Destruction - 43,5 mil cópias
17 Nightwish - Decades - 41,3 mil cópias
18 Guns N´ Roses - Greatest Hits - 41,1 mil cópias
19 Metallica - ... And Justice for All - 40,5 mil cópias
20 Nickelback - All the Right Reasons - 39 mil cópias
21 AC/DC - Back in Black - 38 mil cópias
22 Metallica - Ride the Lightning - 37 mil cópias
23 Nirvana - Nevermind - 35 mil cópias
24 Black Veil Brides - Vale - 35 mil cópias
25 Metallica - The $5.98 EP: Garage Days Re-Revisited - 33 mil cópias
26 Def Leppard - Vault: Greatest Hits - 32 mil cópias
27 Aerosmith - Best of Aerosmith: The Millennium Collection - 32 mil cópias
28 Three Days Grace - Outsider - 31,6 mil cópias
29 Nirvana - Unplugged in New York - 31,2 mil cópias
30 Beastie Boys - Licensed to Ill - 30 mil cópias



14 de jun de 2018

Os 66 momentos mais importantes da história do metal

quinta-feira, junho 14, 2018

O Loudwire fez uma lista com os 66 momentos mais importantes da história do metal, acontecimentos que mudaram o gênero e o fizeram ser o que é hoje.


E abaixo estão as escolhas do Loudwire:

66 Em 1982, o vídeo de "Photograph" transforma o Def Leppard em uma das estrelas da MTV

65 Em 1991, o festival Lollapalooza quebra barreiras de gênero e cor

64 O Jethro Tull supera o Metallica e vence o Grammy de Melhor Álbum de Metal em 1988

63 Em 2007, o festival Rock on the Range passa a ignorar as tendências da indústria na escolha das bandas de seu cast, misturando bandas com sonoridades distintas e caindo no gosto do público

62 O reality show The Osbournes transforma Ozzy e família em estrelas da TV em 2002

61 Em visita à gravadora Columbia em 1991, Jani Lane, vocalista do Warrant, presencia os quadros com discos de ouro das bandas de hair metal serem trocados pelas conquistas das novas bandas grunge como o Alice in Chains

60 O tradicional jornal The New York Times faz uma matéria sobre a ressurreição da cena metal na cidade norte-americana em 2018 e mostra que, ao contrário do que muitos pregam, o rock não está morto

59 Após uma overdose de heroína no final de 1987, Nikki Sixx, do Mötley Crüe, é ressuscitado pelos médicos

58 Um dos maiores ícones do heavy metal, Rob Halford assume a sua homossexualidade em 1998

57 O Alice in Chains abre a turnê do Van Halen em 1991 e rouba os shows 

56 Em 1996, o Metallica é anunciado como principal atração do Lollapalooza, festival que sempre teve um line-up focado em bandas de rock alternativo

55 Os músicos do Mastodon se conhecem durante um show do High on Fire em 2000

54 Marilyn Manson é massacrado pela mídia após o Massacre de Columbine, em 1999

53 O Metallica processa o serviço de compartilhamento de arquivos Napster em 2000

52 Com o fim da Runaways, Joan Jett e Lita Ford saem em carreiras solo bem sucedidas

51 Lemmy Kilmister trabalha como roadie de Jimi Hendrix

50 O Judas Priest é julgado após um garoto norte-americano cometer suicídio ouvindo uma música da banda

49 Em 1996, o Sepultura celebra a tradição indígena brasileira no álbum Roots

48 O Ghost lança o seu primeiro álbum em 2010 e quebra a fórmula padrão das bandas de metal

47 Abrindo a turnê de 1978 do Black Sabbath, o Van Halen ofusca totalmente a banda principal

46 Toxicity, segundo disco do System of a Down, chega ao topo do Billboard 200 em setembro de 2001

45 Em janeiro de 1982, Ozzy morde a cabeça de um morcego jogado ao palco pensando que se tratava de um animal de brinquedo

44 Durante o início dos anos 1990, a cena black metal da Noruega é marcada pela queima de igrejas e por diversos assassinatos cometidos por músicos, culminando com a morte de Euronymous pelas mãos de Varg Vikernes em 1993

43 Far Beyond Driven (1994), do Pantera, torna-se o primeiro disco de metal extremo a liderar a parada da Billboard 

42 Lançado em 1988, o documentário Decline of the Western Civilization Part II: The Metal Years mostra e eterniza os excessos da cena metal norte-americana dos anos 1980

41 Angela Gossow é anunciada como substituta de Johan Liiva no Arch Enemy em 2000

40 Em 1983, o Kiss decide tirar a maquiagem e os músicos mostram seus rostos pela primeira vez

39 O KoRn lança o seu primeiro disco em 1994 e dá início ao nu metal

38 O Twisted Sister se transforma em um fenômeno da MTV com o clipe de “We're Not Gonna Take It”, lançado em 1984

37 Em 1991, o Anthrax choca os fãs ao gravar junto com o grupo de rap Public Enemy a canção “Bring the Noise”

36 Bruce Dickinson retorna ao Iron Maiden em 1999, reconduzindo a banda britânica ao posto de um dos maiores nomes do metal mundial

35 Em 1985, a PMRC coloca o metal no banco dos réus acusando o estilo de ser nocivo aos jovens. Vários músicos comparecem ao senado norte-americano para depor, com destaque para Dee Snider, que fez um discurso épico e mostra o quão preconceituosa era a posição da instituição

34 Rob Halford sai do Judas Priest em 1990 em busca de produzir uma música mais atual e que o mantivesse relevante para a nova geração, montando o Fight logo na sequência e aproximando-se de nomes como Pantera e Nine Inch Nails

33 Imediatamente após ser lançado em 2001, Iowa, segundo álbum do Slipknot, ganha Disco de Platina e transforma a banda em um fenômeno de popularidade

32 O Mötley Crüe lança a biografia The Dirt: Confessions of the World’s Most Notorious Rock Band em maio de 2001 e expõe, de uma maneira poucas vezes antes vista, os excessos e podres de uma banda de rock

31 Em 1968, o Steppenwolf lança “Born to Be Wild” e dá início à associação entre o rock pesado e o termo “heavy metal”, presente na letra da canção

30 O Judas Priest lança British Steel (1980) e conquista os Estados Unidos com a força do novo metal britânico

29 O filme Spinal Tap (1984) é lançado e eterniza os clichês ridículos das bandas de metal

28 Em 1983, Metal Health, do Quiet Riot, torna-se o primeiro disco de metal a alcançar o topo da Billboard

27 O Nirvana lança Nevermind (1991) e dá início a um novo marco zero e a uma nova era no rock

26 O Anthrax grava “Caught in a Mosh” em 1987 e introduz a cultura hardcore no heavy metal

25 O Napalm Death lança o seu primeiro disco, Scum (1987), e cria o grindcore

24 Scream Bloody Gore (1987), primeiro disco do Death, faz nascer um novo estilo: o death metal

23 Aenima (1996), segundo disco do Tool, traz a espiritualidade e a geometria para o metal

22 Ronnie James Dio entra para o Black Sabbath em 1980, reinventando a sonoridade da banda inglesa ao substituir Ozzy Osbourne

21 O Metallica lança o Black Album em 1991 e coloca o metal no mainstream, transformando-o no disco mais vendido da história do estilo e virando uma mega banda com popularidade global

20 O Iron Maiden cria o mascote Eddie e dá ao heavy metal o seu mais duradouro mascote

19 A revista inglesa Kerrang! chega às bancas em junho de 1981 e dá início ao jornalismo especializado em hard rock e heavy metal

18 Em 1996 o Ozzfest é criado e toma o posto do Lollapalooza como o principal festival de música dos anos 1990

17 O Mötley Crüe grava “Home Sweet Home” em 1985 e dá início a uma tradição de baladas de bandas de hair metal

16 Lemmy é demitido do Hawkwind em 1975 e forma o Motörhead, fazendo nascer uma das bandas mais influentes da história do metal

15 O Guns N’ Roses lança Appetite for Destruction em 1987, e a partir de 1988 domina a MTV, as rádios e o mundo com o sucesso arrebatador de seu disco de estreia

14 Vincent Furnier cria um personagem fictício baseado nos filmes de terror e o mundo vê nascer Alice Cooper, uma das figuras mais icônicas da história do rock

13 O Deep Purple muda a sua formação e traz Ian Gillan e Roger Glover para o time, passa a tocar um som mais pesado e transforma-se em uma das maiores bandas dos anos 1970

12 O Pantera abandona o look e a sonoridade glam metal, reinventa a sua música e visual e influencia profundamente o metal dos anos 1990

11 O Slayer começa a trabalhar com Rick Rubin, grava o clássico Reign in Blood (1986) e vira o metal de cabeça para baixo

10 O Headbanger’s Ball, programa da MTV norte-americana criado em 1987 e dedicado ao metal, torna-se um fenômeno de audiência e mostra todo o potencial mercadológico do estilo

9 Popularizado por Ronnie James Dio, o chifrinho com as mãos torna-se universalmente conhecido como o gesto característico do heavy metal

8 Após sair do Black Sabbath, Ozzy era dado como acabado. No entanto, o vocalista conhece o guitarrista Randy Rhoads, reinventa a sua sonoridade e mostra que ainda tinha muito o que dar ao estilo

7 Em julho de 1982 é lançado o primeiro volume da compilação Metal Massacre, trazendo novas bandas norte-americanas, entre elas um certo Metallica com “Hit the Lights”

6 O Kiss é criado e leva ao mundo uma música e imagem marcantes, com cada integrante usando uma maquiagem diferente. A banda e os músicos tornam-se ícones mundiais

5 Em 1978, o Van Halen lança o seu primeiro disco e revoluciona o hard rock e a maneira de tocar guitarra

4 Rob Halford introduz as roupas de couro no figurino heavy metal, tornando-as o visual característico do estilo

3 Em 1982, Bruce Dickinson substitui Paul DiAnno no Iron Maiden e leva a banda a um novo patamar, transformando o quinteto britânico em um dos maiores nomes da música pesada

2 O Metallica demite Dave Mustaine e o metal ganha duas grandes bandas

1 Tony Iommi perde a ponta dos dedos, muda o seu jeito de tocar guitarra e cria o heavy metal

E aí, concorda ou faltou alguma coisa?


10 de abr de 2018

Rock Forever: os 16 maiores álbuns do rock brasileiro

terça-feira, abril 10, 2018

A música brasileira possui uma riqueza incrível. Sua dimensão é múltipla e sua afinidade às ramificações que o próprio rock produziu desde a década de 1950 também refletem aqui na nossa terrinha. É possível de se dizer que existem vários “rocks” pelo mundo, e no Brasil também existem inúmeros movimentos, cantores, cantoras e estéticas ligadas ao rock. E dentro da história do rock no Brasil, há duas grandes correntes que dominam os melhores momentos deste estilo por aqui: Jovem Guarda e BRock ou Rock 80. Mas além destes movimentos, houve também outras bandas e outros cantores e cantoras que se colocaram na história do rock brasileiro de uma forma genial sem necessitar fazer parte de um movimento. Por exemplo, Raul Seixas, que se tornou um “movimento musical autônomo”.

Basicamente, esta lista que você lê se trata mais de uma louvação ao rock brasileiro do que propriamente uma “lista dos melhores álbuns”. Muitas bandas poderiam ter entrado, muitos outros cantores e cantoras com grande influência poderiam estar nela, mas por se tratar de “apenas” 16 álbuns, eu tentei apreciar o que de melhor houve no rock brasileiro em suas grandes fases. Tim Maia, Novos Baianos, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Skank, 14Bis, Garotos Podres, Los Hermanos, Ratos De Porão, Replicantes e muitos outros são importantes, entretanto, ou são “inferiores” no valor artístico e na importância história ou mesmo se distanciam do rock propriamente dito por apresentarem poucas características dentro estilo musical, como é o caso de Novos Baianos, Caetano Veloso e Gilberto Gil (estes três possuem muito mais características de MPB do que de rock).

E sem enrolação, vamos à lista:

16 Carlos, Erasmo (1971) - Erasmo Carlos

Erasmo Carlos é muito conhecido por suas parcerias com Roberto Carlos. E esta constatação é ótima por fazer parte de uma riquíssima participação da história da música brasileira, mas também, às vezes, causa um certo incômodo. Sua carreira solo possui vários álbuns excelentes e que deveriam ser revistos por adoradores de música brasileira por apresentarem uma estética mais visceral e cotidiana: A Pescaria (1965) e Sonhos e Memórias (1972) são exemplos. Mas seu maior trabalho é Carlos, Erasmo (1971). Desenvolvendo samba-rock, rock psicodélico, soul e até riffs que lembram heavy metal, canções como “É Preciso Dar Um Jeito, Meu Amigo”, “Agora Ninguém Chora Mais” (Jorge Ben Jor) e “Maria Joana” fazem deste álbum uma coletânea musical que apresenta a estética de Erasmo Carlos. E com as participações dos Mutantes Sérgio Dias, Dinho e Liminha e arranjos do maestro e mestre Rogério Duprat, Carlos, Erasmo é um clássico!

15 A Máquina Voadora (1970) - Ronnie Von

O “príncipe” Ronnie Von é talvez o maior brilho polido do rock brasileiro. Elegante, educado, inteligente, artista de TV, cantor, compositor, grande lançador de músicos históricos (Os Mutantes, Eduardo Araújo, Os Vips, Martinha, Jerry Adriani e Gal Costa) e capaz de expor pensamentos diversos sobre todos os assuntos, Ronnie Von passou pela Jovem Guarda, pelo psicodelismo e por momentos românticos impressionantes. Sua melhor fase é de longe os álbuns do final da década de 1960 e começo de 1970: Ronnie Von (1968), A Misteriosa Luta do Reino do Parasempre Contra o Reino do Nuncamais (1969) e A Máquina Voadora (1970). E esse terceiro é sua grande obra. Psicodélico, apoteótico, aberto e conceitual, canções como “O Verão Nos Chama”, “Continentes e Civilizações” e “Águas de Sempre” são eternas. Ouça “Máquina Voadora” e voe: “Combustível, metal e poema / Minha máquina voadora / Vejo os homens de cima em cena / Entre a música de um motor / Vou vagar em pleno o ar / Vou voar / Vou voar... / Em meu brilhante pássaro de prata / Vou navegar pelas nuvens soltas / Leve para o alto toda minha vida / Meu aeroplano”.

14 Raimundos (1994) - Raimundos 

O primeiro álbum do Raimundos rejuvenesceu a música brasileira. Antes do ano de 1994, o rock brasileiro era uma lembrança ambulante da década de 1980 com bandas com mais de dez anos de carreira e sem muita criatividade. E foram quatro jovens vindos de Brasília usufruindo de influências do punk (Ramones e Dead Kennedys) e com temas jovens e ligados ao sexo de forma ostensiva e clara que estouraram pelo Brasil. Canções como “Palhas do Coqueiro”, “MM’s”, “Rapante”, “Nega Jurema”, “Cajueiro & Rio das Pedras”, “Bê A Bá” e “Selim” transbordaram originalidade e colocaram o Raimundos num estágio que nenhuma outra pode estar: a melhor da década de 1990 por aqui. Ouça o hino “Puteiro em João Pessoa” e entenda porque a fase sexual da adolescência é a melhor fase da vida!

13 Jovem Guarda (1965) - Roberto Carlos

O primeiro astro do rock brasileiro. Seu programa de TV chamado Jovem Guarda era um dos maiores expoentes de cultura jovem da década de 1960 e Roberto Carlos estourava em popularidade musical a cada canção e disco lançado. E nada mais justo do que um álbum com o nome do seu programa e do movimento cultural na qual era o principal símbolo. Com a banda The Youngsters - Carlos Becker (guitarra base), Carlos Roberto (guitarra solo), Sérgio Becker (sax tenor e barítono), Jonas (baixo) e Romir (bateria) - e com o gênio Lafayette nos teclados, é possível de se dizer que a voz de Roberto estava centrada numa força rítmica impressionante. Resultado: um disco praticamente perfeito. A estética jovem, as incríveis composições de Roberto Carlos e a escolha de canções que se tornaram clássicas tornam este álbum maravilhoso. “Lobo Mau”, “O Feio”, “Pega Ladrão” e “Não é Papo Pra Mim” são inesquecíveis. E além do hino “Quero Que Vá Tudo Pro Inferno” (hoje renegada pelo próprio Roberto Carlos!), ouça a impressionante “O Velho Homem do Mar” com sua obscura e triste história de amor!   

12 Cabeça Dinossauro (1986) - Titãs

Se existe um termo que melhor simboliza oTitãs é multicultural. Sua história, seus membros e sua excessiva concentração aberta de temas elegem a banda como uma das maiores aparições musicais da música brasileira. Em sua melhor fase, o grupo contava com oito membros: Arnaldo Antunes, Paulo Miklos e Branco Mello (vocal), Sérgio Britto (vocal e teclado), Nando Reis (vocal e baixo), Tony Belloto e Marcelo Fromer (guitarra) e Charles Gavin (bateria). Seus dois primeiros álbuns, Titãs (1984) e Televisão (1985), trouxeram hits que se tornaram clássicos como “Sonífera Ilha” (1984) e “Televisão” (1985). Mas com o terceiro disco, Cabeça Dinossauro (1986), houve uma mudança drástica. New wave deixada de lado, as crônicas leves também de lado e um rock pop sendo esquecido são alguns dos ingredientes que mudaram. Punk, “sujo”, com uma acidez crítica com seus temas e uma estética musical mais bruta trouxeram ao público da década de 1980 canções cortantes como “AA UU”, “Igreja”, “Polícia”, “Bichos Escrotos”, “Família”, “Homem Primata” e até o pequeno manifesto concretista “O Que”, dando luz ao maior compositor da banda: Arnaldo Antunes!

11 Da Lama ao Caos (1994) - Chico Science & Nação Zumbi

É possível de se observar que pelo menos duas bandas na década de 1990 são exemplares e até “melhores” do que Chico Science & Nação Zumbi: Mundo Livre S/A e Skank. Contudo, o primeiro álbum Da Lama ao Caos (1994) apresenta um furor crítico e social pouco visto na história do rock brasileiro. Dentro do magnífico e raro movimento Manguebeat, o compositor e mestre crítico Chico Science se tornou um símbolo icônico. E canções como “Banditismo Por Uma Questão de Classe”, “Rios, Pontes & Overdrives”, “A Cidade”, “A Praieira”, “Samba Makossa”, “Maracatu de Tiro Certeiro” e “Risoflora” refletem uma mescla musical com maracatu, embolada, heavy metal, psicodelia e música afro. O hino “Da Lama ao Caos” é, com toda certeza, uma das melhores músicas já feitas sobre o que significa a situação brasileira na qual a elite oprime sentencialmente o povo de forma histórica: “Comecei a pensar / Que eu me organizando / Posso desorganizar / Da lama ao caos / Do caos a lama / Um homem roubado / Nunca se engana”.

10 Ideologia (1988) - Cazuza

A primeira canção do primeiro álbum do Cazuza é sintomática, “Exagerado”: “Exagerado / Jogado aos teus pés / Eu sou mesmo exagerado / Adoro um amor inventado”. Sim! Cazuza era um exagerado, debochado, crítico, irônico, “porra loca” e, claro, um incomum cantor e compositor. E, ao lado de Renato Russo, o grande compositor da década de 1980. Sua carreira começa no grande Barão Vermelho. Faz e acontece nos três primeiros álbuns, Barão Vermelho (1982), Barão Vermelho II (1983) e Maior Abandonado (1984), causando um frisson intelectual/musical. Depois, por várias incompatibilidades, segue sua carreira solo. Seus dois primeiros discos, Exagerado (1985) e Só Se For a Dois (1987), apresentam uma dimensão ainda maior do que sua experiência no Barão Vermelho – ouça as belíssimas canções “Codinome Beija-Flor” (1985) e “O Nosso Amor a Gente Inventa” (1987). Mas com seu terceiro álbum solo, Ideologia (1988), Cazuza se sobressai e dá à música brasileira uma obra-prima. Canções como “Boas Novas”, “O Assassinato aa Flor”, “A Orelha ae Eurídice”, “Brasil”, “Um Trem Para as Estrelas”, “Vida Fácil”, “Blues aa Piedade” e “Faz Parte ao Meu Show” são crônicas musicais que expõem um Brasil pós-abertura política em decadência. E a canção “Ideologia” é o carro-chefe perfeito (e extremamente atual): “Pois aquele garoto que ia mudar o mundo / Mudar o mundo / Agora assiste à tudo em cima do muro, em cima do muro / Meus heróis morreram de overdose / É, meus inimigos estão no poder / Ideologia / Eu quero uma pra viver / Ideologia / Eu quero uma pra viver”.

9 Roots (1996) - Sepultura

Durante a década de 1980 o metal pesado era um leme, uma regra que se adentrou na história do rock de forma poderosa, principalmente na região da Califórnia. Bandas como Metallica e Slayer impuseram uma estética de rock, no caso uma agressividade nova ao metal, e condicionaram muitas mudanças. E uma delas, claro, apareceu no thrash metal. E é aí que a maior banda de rock pesado da história do Brasil apareceu. Com sua formação clássica, Max Cavalera (vocal e guitarra), Andreas Kisser (guitarra), Paulo Jr. (baixo) e Igor Cavalera (bateria), o Sepultura apresentou três discos sensacionais e que demonstram uma evolução ano após ano: Morbid Visions (1986), Schizophrenia (1987) e Beneath the Remains (1989). Mas foi com Arise (1991) que o Sepultura conseguiu não apenas demonstrar evolução, como também uma produção beirando requintes raros no metal (e não apenas no Brasil). Depois de turnês pelo mundo afora, sai Chaos A.D. (1993). Um petardo ainda melhor e com uma produção mais elevada. Contudo, em Chaos A.D. se tem algo novo: a musicalidade brasileira, mesmo que de forma sucinta. Agora, se você pensa que Sepultura é uma banda distante do rock brasileiro, ou mesmo da música brasileira, você se engana. Com Roots (1996), o que era um sopro se tornou uma marca, um símbolo. Canções como “Roots Bloody Roots”, “Attitude”, “Cut-Throat”, “Ratamahatta” (com Carlinhos Brown!), “Breed Apart” e “Itsári” colocam o álbum em “pé de guerra” com todos os discos produzidos no metal brasileiro e no mundo como um dos melhores. Além da capa antológica, os versos de “Roots Bloody Roots” são libertadores: “Raízes, sangrentas raízes / Eu acredito em nosso destino / Não precisamos disfarçar / É tudo que queremos ser / Me veja enlouquecer / Eu digo estamos crescendo todo dia / Ficando fortes de todas as formas / Vou te levar para um lugar / Onde devemos achar nossas”.

8 Revoluções por Minuto (1985) - RPM

A década de 1980 pode ser considerada o auge do rock brasileiro. Por aqui, nenhuma outra época deu tantas bandas, canções e álbuns que não fossem louváveis. Mas em toda época e em todo movimento cultural/musical sempre houve e haverá uma banda que se destaca como um símbolo POP e acaba por ser um norte, seja como for. O RPM, que significa Revoluções por Minuto, uma ideia que também vem dos 45 RPM dos vinis de antigamente, tinha a seguinte formação clássica: Paulo Ricardo (vocal e baixo), Luiz Schiavon (piano e sintetizador), Fernando Deluqui (guitarra e violão) e Paulo P.A. Pagni (bateria e percussão). E se tem uma banda que condicionou toda a ânsia de um Brasil ressuscitando dos tempos negros da ditadura militar para amar e consumir cultura, essa foi o RPM. Com um ótimo vocalista e que se destacava também pela aparência, com um guitarrista competente, com um gênio nos teclados e um baterista técnico, dá para dizer que poucas bandas (será que existe outra?) puderam expor música, sentimentos, técnica e temas inteligentes de uma forma tão implacável. Seu primeiro álbum, Revoluções por Minuto (1985), é um primor. Clássicos instantâneos de FM surgiram em canções como “Rádio Pirata”, “Olhar 43”, “A Cruz e A Espada”, “Louras Geladas” e aquela que pode ser considerada uma das melhores músicas de toda a década de 1980: “Revoluções por Minuto”. Uma grande crônica social e crítica de uma realidade sofrida pela sociedade brasileira numa época onde a Guerra Fria dava o tom: “Nos chegam gritos da Ilha do Norte / Ensaios pra Dança da Morte / Tem disco pirata, / Tem vídeo cassete até / Agora a China bebe Coca-Cola / Aqui na esquina cheiram cola / Biodegradante / Aromatizante tem” (ouça com atenção as teclas de Luiz Schiavon!).

7 Fruto Proibido (1975) - Rita Lee & Tutti Frutti

Rita Lee é a cantora número 1 do rock brasileiro. Existem muitas cantoras na história da nossa música, mas nenhuma chegou no nível desta paulistana que fez parte d'Os Mutantes e, depois, apresentou uma das maiores carreiras solos do Brasil. Muitas cantoras podem ser apreciadas como Baby Consuelo, Marina Lima, Virginie Boutaud, Paula Toller, Fernanda Abreu, Fernanda Takai e Pitty, mas nenhuma pode ser elencada como a rainha do rock no Brasil. Até mesmo Celly Campello, precursora do rock ainda na década de 1950, não possui a força de Rita Lee. Explodindo um vocal impressionante com Os Mutantes, Rita, quando foi para a carreira solo, pôde expandir ainda mais seu estilo e suas composições. E seu grande álbum, mesmo antes de sua brilhante parceria com Roberto de Carvalho, é Fruto Proibido (1975). Canções como “Dançar Pra Não Dançar”, “Agora Só Falta Você”, “Esse Tal de Roque Enrow” e o hino “Ovelha Negra” são mostras desse mundo crítico e inteligente de Rita Lee. E nada melhor do que ter uma espetacular banda coadjuvante regrando as sessões rítmicas como era a Tutti Frutti. Clássico absoluto da década de 1970! 

6 As Quatro Estações (1989) - Legião Urbana

Muitos podem dizer que o quarto álbum da Legião Urbana, As Quatro Estações (1989), é seu melhor. Talvez podem alegar que a venda de mais de 2 milhões de cópias, que canções como “Há Tempos”, “Pais e Filhos”, “Feedback Song For a Dying Friend”, “Quando o Sol Bater na Janela do Teu Quarto”, “Eu Era um Lobisomem Juvenil”, “1965 (Duas Tribos)”, “Monte Castelo”, “Maurício”, “Meninos e Meninas”, “Sete Cidades” e “Se Fiquei Esperando Meu Amor Passar” são excepcionais, que mesmo sem o baixista Renato Rocha o trio remanescente deu muita conta do recado, que os sentimentos humanos dando luz a temas como “Pais e Filhos” são possessos, que Dado Villa-Lobos e Marcelo Bonfá deixam de ser “simples músicos” para se tornarem elevados, que a produção de Mayrton Bahia tenha se superado em tudo que ele tinha feito até o momento, que a intenção de se criar um hit leve e, ao mesmo tempo, profundo, como “Quando o Sol Bater na Janela do Teu Quarto” fosse levado ao extremo, que a voz de Renato Russo pudesse ser ainda mais poética do que se costuma ouvir... É, dá mesmo para se pensar que As Quatro Estações é o melhor álbum da Legião Urbana. Talvez seja. Talvez não seja. Mas a briga é tão intensa quanto os temas de “Há Tempos” e “Monte Castelo”. E para não esquecer: a composição de Renato Russo nesta última música pode ser considerada perfeita? Talvez só o amor que conhece a verdade pode responder!

5 Os Mutantes (1968) - Os Mutantes

A primeira grande banda da história do rock brasileiro. A banda que deu luz a maior cantora do rock brasileiro: Rita Lee. A banda que teve a genialidade plena do maior músico do nosso rock: Arnaldo Baptista. Sim! Os Mutantes foi até muito mais do que isso. Mesclando psicodelismo, MPB, rock progressivo, letras ácidas com críticas ao conservadorismo brasileiro (principalmente contra a família brasileira), riffs de guitarras surpreendentes, harmonias alucinógenas e todo um aparato técnico, comandado por Baptista, não é surpresa de se observar que poucas bandas são tão incomuns pelo Brasil como Os Mutantes. Os Mutantes (1968) pode ser considerado não apenas um dos melhores álbuns do rock brasileiro, como também um dos melhores exemplos da Tropicália, movimento cultural que reuniu gênios como Caetano Veloso e Gilberto Gil. Com uma produção antológica de Manoel Barenbein e com arranjos únicos do gênio Rogério Duprat (além da ilustre participação de Jorge Ben), o trio Rita Lee (vocal), Arnaldo Baptista (baixo, teclado e vocal) e Sérgio Baptista (guitarra e vocal) produziu um álbum para ser entendido e apreciado por décadas a fio. Ouça “Bat Macumba” e filosofe!

4 Secos & Molhados (1973) - Secos & Molhados

Antes de qualquer nota, o Secos & Molhados é sempre lembrada por ser “a banda de Ney Matogrosso”. Bom, Ney Matogrosso é para muitos (como para mim!) o maior cantor da música brasileira. Sua participação nos Secos & Molhados é imortal e sua carreira solo possui tanta diversificação e inteligência musical que beira o absurdo. Contudo, o Secos & Molhados é ainda maior do que se pensa. A formação era Ney Matogrosso (vocal), João Ricardo (violão e vocal) e Gérson Conrad (violão e vocal). E neste primeiro álbum, Secos & Molhados (1973), a participação de Marcelo Frias (bateria) e Zé Rodrix (piano) também dizem muito. Numa estética folk, tendo o folclore brasileiro e a MPB como pano de fundo, há em canções como “Sangue Latino”, “O Vira”, “Amor”, “Primavera nos Dentes” e “Rosa de Hiroshima” (uma linda versão musicada do poema de Vinícius de Moraes) uma força sublime. Dentre o underground do rock brasileiro da década de 1970, este é um dos poucos álbuns que conseguem superar uma década abafada por um sistema político mórbido e transpõe músicas acima de qualquer censura para as massas. E como a falácia de um sistema político na qual as elites eram realmente as que se aproveitavam, a canção “O Patrão Nosso de Cada Dia” é um belo quadro social e histórico do que se transformou o capitalismo num sistema político opressor e assassino. Ouça com atenção os sinos. Lembram-te de algo medieval?: “Eu vivo preso / À sua senha / Sou enganado / Eu solto o ar / No fim do dia / Perdi a vida”.

3 Krig-Ha, Bandolo! (1973) - Raul Seixas

Raul Santos Seixas, conhecido como Raul Seixas, nasceu no dia 28 de junho de 1945 em Salvador, Bahia. Morreu do dia 21 de agosto de 1989 em São Paulo, São Paulo. Dentre esses 44 anos de vida, 21 anos foram dedicados à música e ao rock brasileiro. Desde seu primeiro álbum, Raulzito e Os Panteras (1968), até seu último ato musical ao lado de Marcelo Nova, A Panela do Diabo (1989), Raul foi o maior cantor popular de rock do Brasil. Sua simplicidade e objetividade de colocar canções de rock como reflexões da vida do singelo brasileiro é uma brilhante e angustiante estética musical. Amado por muitos que, talvez, nem se dão conta do que ele realmente representa na música brasileira, há em Raul Seixas um cosmo social/cultural único. Nem Renato Russo, nem Roberto Carlos e muito menos Rita Lee conseguem chegar perto da dimensão do amor e da paixão que Raul proporcionou e ainda proporciona ao brasileiro. E sua grande fase é, com certeza, a década de 1970. Álbuns como Gita (1974), Novo Aeon (1975) e Há 10 Mil Anos Atrás (1976) apresentaram canções tão fortes que era intelectuais e populares ao mesmo tempo, o que deu à Raul uma expansão radiofônica incrível. Mas foi com o álbum Krig-Ha, Bandolo! (1973) que Raul exibiu sua melhor capacidade. De onze canções, a primeira dá para ouvi-lo cantando ainda em sua infância! E as outras dez são admiráveis e clássicas: “Mosca na Sopa”, “Metamorfose Ambulante”, “Dentadura Postiça”, “As Minas do Rei Salomão”, “A Hora do Trem Passar”, “Al Capone”, “How Could I Know”, “Rockixe”, “Cachoro Urubu” e “Ouro de Tolo”. Esta última, dá para dizer que é o grande soco na cara da sociedade classe média produzida pelo “milagre econômico” militar. Tão ácida em sua época, “Ouro de Tolo” permanece como Raul para todos nós: uma reflexão musical!

2 Roberto Carlos em Ritmo de Aventura (1967) - Roberto Carlos

Qualquer lista dos melhores álbuns do rock brasileiro que não tenha um do Roberto Carlos é uma grande falácia. Roberto possui álbuns que sugerem o termo “Rei” não apenas por ser o maior cantor romântico do Brasil durante a década de 1970, mas também um dos maiores cantores/compositores da história da música brasileira. Álbuns como É Proibido Fumar (1964), Roberto Carlos Canta para a Juventude (1965), Jovem Guarda (1965), Roberto Carlos (1966), Roberto Carlos em Ritmo de Aventura (1967), O Inimitável (1968), Roberto Carlos (1969), Roberto Carlos (1970), Roberto Carlos (1971) e Roberto Carlos (1972) colocam este músico entre os maiores de todos os tempos. É claro que o álbum Roberto Carlos (1971) é sua melhor produção de longe de tudo que ele já realizou, mas por ser muito mais caracterizado por uma estética voltada para MPB, não entra nesta lista. Mas seu melhor trabalho na estética rock, é Roberto Carlos em Ritmo de Aventura (1967). Roberto faria seu primeiro filme (inspirado em Beatles) e seu sétimo disco não foi apenas uma mera trilha sonora. Usando e abusando de uma instrumentação genial, com metais, cordas, flautas e com músicos como o grupo Renato & Seus Blue Caps, além das teclas absurdamente geniais de Lafayette, as doze canções do álbum são imortais. “Como é Grande o Meu Amor por Você”, “Por Isso Corro Demais”, “De Que Vale Tudo Isso”, “Quando”, “Você Não Serve Para Mim”, “E Por Isso Estou Aqui”, “O Sósia” e a suprema “Eu Sou Terrível” são exemplos de um álbum que nunca pode ser esquecido entre os melhores do rock nacional. E mesmo que Roberto Carlos não seja assim tão agradável como pessoa, fixe sua mente em sua música e se surpreenda. Um gênio!

1 Dois (1986) Legião Urbana

O que significa ser a maior representação cultural de uma sociedade? Dá para citar as grandes representações da história cultural do Brasil assim: Machado de Assis (maior escritor), Glauber Rocha (maior cineasta), Oscar Niemeyer (maior arquiteto), Cacilda Becker (maior atriz), Rodolfo Mayer (maior ator), José Celso Martinez (maior diretor de teatro), Tom Jobim (maior e mais completo músico de MPB), Chico Buarque (maior letrista), Ney Matogrosso ou Tim Maia (maior cantor), Elis Regina (maior cantora), Antonio Candido (maior crítico literário) e etc. Dá para citar muitos nomes da cultura brasileira, mas um em especial deve sempre ser lembrado como a poeta maior do rock brasileiro: Renato Russo. Sua banda Legião Urbana nem era assim tão genial tecnicamente. Influenciados por uma mescla do punk e da música alternativa do final da década de 1970 e da primeira metade da década de 1980, os músicos Dado Villa-Lobos, Marcelo Bonfá e Renato Rocha nunca foram gênios. Mas suas determinações tiveram envoltas a poética humana e filosófica que Renato Russo criou e, assim, se sobressaíram. Talvez o que Bob Dylan e Chico Buarque pudessem fazer juntos, acrescidos de uma pitada de filosofia existencial, dá para se ter uma vaga ideia do que são os temas desse cantor simbólico. Dentre a pequena discografia da banda - oito álbuns de estúdio, um ao vivo e outro acústico (lançado postumamente) -, não dá para imaginar uma banda maior do que essa no Brasil. Seu primeiro álbum Legião Urbana (1984), aplicava uma crítica social fortíssima. Com Dois (1986), a deslumbrante poética das composições de Renato Russo aparece e se torna eterna. Numa sucessão de 12 canções perfeitas, muitos destaques são latentes: “Quase Sem Querer”, “Eduardo e Mônica”, “Tempo Perdido”, “Fábrica” e “Índios”. Ouça a canção “Música Urbana 2” e observe uma crônica urbanística e social pouco vista na história da música brasileira e, claro, no nosso rock!



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Living Colour - Vivid (1988)

Lançamento: maio de 1988
Produção: Ed Stasium e Mick Jagger
Gravadora: EPIC
Formação: Coreu Glover (vocal), Vernon Reid (guitarra), Muzz Skillings (baixo) e Will Calhoun (bateria)
Músicas: “Cult of Personality”, “I Want to Know”, “Middle Man”, “Desperate People”, “Open Letter (To a Landlord)”, “Funny Vibe”, “Memories Can’t Wait”, “Broken Hearts”, “Glamour Boys”, “What's Your Favorite Color”, “Which Way to America”.

O metal da segunda metade da década de 1980 era imantado pelo glam metal. Bandas como Mötley Crüe, Dokken, Bon Jovi e Def Leppard (a melhor de todas!) esbravejavam um rock extremamente comercial e tematizado por assuntos fúteis. E foi nesse fundo do poço que algumas bandas aparecem e “tentam” sair desse estigma. O Guns N’ Roses, mesmo com características do glam metal, é uma delas. Mas com toda certeza, uma surpreendeu essa pequena época do rock com algo que a maioria não possuía, que era inteligência musical: o Living Colour. Podendo ser considerados como um dos fundadores do funk metal, apresentaram uma mescla de metal, hip-hop, funk e rock alternativo e deram o que falar. Criados e produzidos por Mick Jagger, canções como “Cult of Personality” e “Glamour Boys” trouxeram um fôlego ao metal dessa época e, também, críticas sociais pungentes. Vivid: uma raridade de seu tempo!

Por Eduardo Lima

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