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23 de ago de 2017

Review: Instinto Animal - Vertigem (2016)

quarta-feira, agosto 23, 2017

Formado em São Paulo em 2013, o Instinto Animal lançou o seu primeiro disco no final de 2016, trabalho esse que somente agora chegou às minhas mãos. E meu amigo, se você gosta de rock, eis aqui um CD com todos os ingredientes para agradar os seus ouvidos.

A proposta do trio formado por Leo Fernandes (vocal e guitarra), Urso (baixo) e Dani Martins (bateria) é entregar um rock construído a partir de riffs que remetem à sonoridade clássica do estilo, tendo como principais influências ícones como Black Sabbath, Led Zeppelin e todo o panteão do hardão setentista. Além disso, fica evidente que os caras também bebem muito na linha do hard contemporâneo saudosista, na escola de bandas como o Wolfmother, por exemplo.

Nesse aspecto, a formatação guitarra-baixo-bateria voa alto, criando uma sonoridade orgânica e pesada, onde a guitarra dita os caminhos sonoros enquanto baixo e bateria tecem interações constantes. Por cima de tudo, a voz aguda de Fernandes canta letras sobre temas do cotidiano, facilitando a assimilação do discurso proposto pela banda.

Com uma produção que não deve nada a nomes muito mais conhecidos, Vertigem traz onze faixas diretas ao ponto, que transbordam energia e fazem o coração bater mais forte. De modo geral, a sonoridade do trio agradará quem curte o trabalho dos ótimos Carro Bomba e Baranga, por exemplo, ainda que seja menos pesado que o primeiro e não apresente tantas influências de blues como o segundo.

Há também momentos mais intimistas, como a bonita “Novo Começo”, onde outra das qualidades da banda salta aos ouvidos: a maturidade para explorar as características que o formato power trio oferece. A canção é cheia de espaços onde um instrumento se sobressai aos outros, em saudáveis momentos que permitem que a música sempre respire. Outro ponto de destaque é o belo solo de Leo Fernandes, algo que se repara em todo o trabalho e que em “Novo Começo”, até pela abordagem mais calma e menos acelerada, acaba ficando mais evidente. Essa característica mais contemplativa, digamos assim, aparece também em músicas como “Fora de Lei” e “O Fim”, ambas com evidentes ecos psicodélicos. A segunda, inclusive, me trouxe à mente a recordação do soturno Presence, lançado pelo Led Zeppelin em 1976 e cheio de blues tortos como “For Your Life” e “Tea for One”. 

Em Vertigem temos a estreia da uma banda pra lá de promissora, que mostra talento para construir uma carreira que só tem a crescer nos próximos anos. Conheça e apoie o som dos caras, porque eles realmente merecem todo o reconhecimento possível.





9 de ago de 2017

Review: Cellar Darling - This is the Sound (2017)

quarta-feira, agosto 09, 2017

Nessas últimas décadas, vimos o poderio feminino tomar conta dos vocais em gêneros como o symphonic, celtic e folk metal. A banda da vez não faz diferente. Unindo a leveza do folk rock com o peso do metal, uma novo nome surge em busca de seu lugar ao sol. Estamos falando dos suíços do Cellar Darling, formado por ex-integrantes de uma outra banda suíça do gênero, o Eluveitie. 

O Cellar Darling vem com Anna Murphy (vocais e hurdy-gurdy, instrumento típico da cultura folk e céltica que muitas vezes lembra um violino, só que com uma alavanca que faz o som fluir de maneira diferente) Ivo Henzi (baixo e guitarra) e Merlin Sutter (bateria). Devido a algumas diferenças musicais entre os integrantes do Eluvetie, Ivo e Henzi acabam deixando a banda em 2016. Anna Murphy entrou logo em seguida. O nome Cellar Darling, se deve a um disco solo lançado por Anna Murphy, em 2013.

O álbum de estreia, This is the Sound, foi lançado no dia 30 de junho,pela gravadora alemã Nuclear Blast. O disco contém 14 faixas e duração de 59 minutos. Quem está acostumado com o som do Eluveitie vai perceber a mudança para um tom bem mais leve, com uma tonalidade totalmente voltada para o folk rock, porém com algumas doses de metal.

A faixa de apresentação, "Avalanche", chega ao som do hurdy-gurdy executado por Anna num estilo melódico e pop, que faz grudar na mente após a primeira audição. Logo depois, o ritmo continua com a mística "Black Moon" e a balada "Challenge". Após as três faixas de destaque, o tom do disco se mantém firme até o fim, variando entre melodias mais suaves com canções potentes. As menções honrosas ficam por conta da agitada "Hullabaloo", da acústica "Water" e encerrando com "Redemption, onde a vocalista mostra todo seu sentimento à medida que o piano completa o serviço.

Para um disco de estreia os suíços conseguem cumprir bem seu trabalho, principalmente pelo que já fizeram no Eluveitie, juntando suavidade com peso nas horas necessárias. O álbum tem sido bem elogiado por muitas revistas e sites especializados em metal. Seu som faz lembrar bandas como Evanescence e Lacuna Coil, mesmo soando bem mainstream. É um disco onde Anna Murphy consegue uma liberdade maior daquela que tinha em sua antiga banda, como podemos observar nos cânticos e no seu hurdy-gurdy que, aliás, dá um toque celta em boa parte das canções, sobretudo por seu pai ser irlandês. 

O Cellar Darling é uma banda que veio pra ficar e que começa em grande estilo. Afinal, este é o som.

Por Renan Esteves

4 de ago de 2017

Review: Accept - The Rise of Chaos (2017)

sexta-feira, agosto 04, 2017

Alguns renascimentos que a gente assiste no mundo do rock são tão improváveis que conseguem rivalizar com a mais poderosa das fênix. E o caso do Accept certamente se enquadra entre eles. Uma das melhores e mais influentes bandas do heavy metal, os alemães alcançaram o auge durante os anos 1980 com discos clássicos como Restless and Wild (1982), Balls to the Wall (1983) e Metal Heart (1985). No entanto, as constantes e infinitas brigas com o vocalista Udo Dirkschneider levaram o cantor, uma das marcas registradas do som do grupo, a trilhar outros caminhos.

Sem um de seus principais integrantes, o Accept entrou em hiato por longos 14 anos, ficando sem lançar nenhum material inédito entre 1996 e 2010. Até que, surpreendendo até o mais cético dos fãs, ressurgiu das cinzas com o excelente Blood of the Nations (2010), que trouxe Mark Tornillo no lugar de Udo. E, desde então, vem lançando bons discos em sequência.

The Rise of Chaos é o quarto álbum com Tornillo e o décimo-quinto trabalho da carreira dos alemães. Produzido por Andy Sneap, o disco está sendo lançado em todo o mundo pela Nuclear Blast e traz dez novas canções. O álbum marca também as estreias do guitarrista Uwe Lulis e do baterista Christopher Williams, que assumiram os postos anteriormente ocupados por Herman Frank e Stefan Schwarzmann. O guitarrista e líder Wolf Hoffmann e o baixista Peter Baltes completam o time.

Musicalmente, temos um álbum que mantém a mesma pegada adotada desde Blood of the Nations, honrando a sonoridade de metal clássico que sempre esteve associada à banda. No entanto, é possível perceber uma inserção maior de elementos mais rock and roll, responsáveis por tornar o som mais direto em músicas como as ótimas “Koolaid" e “Analog Man”. 

Como em todo o disco dos alemães, as guitarras ditam a sonoridade, seja através dos riffs ou com os solos, que seguem mantendo características de música clássica (paixão declarada de Hoffmann), ainda que de maneira mais sutil se comparamos com os álbuns anteriores. Outro ponto marcante da música do Accept, os refrãos, surgem firmes e fortes, imprimindo aquele agradável clima de “chamada e resposta” em várias das faixas.

The Rise of Chaos é mais um ótimo disco de uma banda que soube se levantar e recomeçar como poucas. O álbum é um triunfo à altura de um dos maiores nomes da história do metal, e agradará em cheio headbangers de todas as idades.

3 de ago de 2017

Review: Arcade Fire - Everything Now (2017)

quinta-feira, agosto 03, 2017

É fácil criar uma antipatia com o Arcade Fire, principalmente se você for um cara “do rock”. Motivos para isso não faltam: os canadenses são idolatrados como uma das bandas mais criativas do chamado indie rock, qualquer nota tocada pelo grupo soa sempre genial para parte da crítica e do público e o sexteto transmite uma prepotência e arrogância constantes.

No entanto, ao ouvir a música do Arcade Fire, também é bastante fácil identificar e perceber as qualidades do grupo. E mesmo com uma trajetória relativamente curta - o primeiro disco saiu em 2004 -, os caras já produziram uma discografia de respeito. 

Everything Now, quinto álbum da banda, foi lançado no final de julho e segue a cartilha do grupo: reinvenção. Mais uma vez, o Arcade Fire muda o que tinha feito antes e aposta em novos caminhos sonoros. E isso, por si só, sempre será motivo de elogios. Em Everything Now, temos uma sonoridade muito mais dançante que nos trabalhos anteriores, ainda que este aspecto já tivesse sido apontado em Reflektor (2013). Há menos guitarras e mais groove. Há menos energia e mais refinamento. Há menos juventude e mais vida adulta. E isso, como bem sabemos nós que já passamos dos 30 ou 40 anos, não é algo necessariamente ruim.

Tendo entre seus produtores o Daft Punk Thomas Bangalter, Everything Now traz treze faixas (que na prática são onze se descontarmos os interlúdios que abrem e fecham o disco) dançantes e que apresentam um pop de muito bom gosto e bastante acessível. É música não apenas para sacudir o corpo, mas sobretudo para encarar o ritmo cada vez mais frenético dos nossos tempos, que aliás é a principal inspiração lírica do álbum, ainda que o discurso das letras explore o tema de uma maneira bastante rasa, de modo geral.

A mixagem é algo digno de elogios, com timbres que, ainda que coloquem teclados e outros gadgets eletrônicos como protagonistas, jamais soam amorfos e sem vida. O baixo é o principal instrumento do disco, pulsando e conduzindo todas as canções em uma performance digna de elogios. 

De modo geral, temos em Everything Now um álbum redondo e na medida. Ainda que uma ou outra música pudesse ser cortada para que o resultado final ficasse mais enxuto e eficiente, isso não compromete o resultado final. A banda entrega doses generosas de melodia, com arranjos que bebem direto de inspirações como David Bowie e ABBA. 

Com Everything Now, o Arcade Fire conseguiu colocar mais um ponto alto em sua discografia. Sem se repetir ou apelar para soluções fáceis como emular fórmulas que já funcionaram no passado, os canadenses mostram que são dignos de todos os elogios, por mais exagerados que alguns possam ser.

Discão, mais uma vez.

17 de jul de 2017

Review: Body Count - Bloodlust (2017)

segunda-feira, julho 17, 2017

Após três anos sem material inédito, o Body Count lançou no final de março o seu sexto disco, Bloodlust. O CD saiu lá fora pela Century Media e ganhou edição nacional pela Hellion Records. A produção é de Will Putney, que já havia trabalhado com os caras em seu último álbum, Manslaughter (2014).

Bloodlust é composto por onze faixas, sendo que três delas trazem participações especiais de peso. “Civil War”, que abre o play, tem Dave Mustaine nas guitarras. “All Love is Lost” traz Max Cavalera dividindo os vocais com Ice-T. E “Walk With Me…” conta com Randy Blythe, do Lamb of God. Além disso, o medley “Raining Blood / Postmortem” é uma bela homenagem ao Slayer através da regravação de dois de seus maiores clássicos.

O disco é pesadíssimo e muito mais próximo do metal do que do rap. Neste aspecto, confesso que não acompanhava a banda há anos, e essa característica é algo que não curti muito. O que adoro no clássico primeiro álbum do grupo, lançado em 1992, é justamente a união cirúrgica entre os dois estilos. Em Bloodlust isso se perdeu - e como não acompanho a banda há um bom tempo, talvez seja algo que os caras não façam mais e só eu não sabia. O disco não é ruim, longe disso, mas ao abrir mão da alquimia entre os dois gêneros musicais o Body Count também abriu mão do aspecto que fazia a banda soar única.

Instrumentalmente, o que temos é um metal pesado pra caramba, com enormes doses de groove e passagens que lembram os momentos clássicos do thrash. Os maiores destaques ficam com “Civil War”, a ótima “Walk With Me …” e o tributo ao Slayer. 

Um bom disco de metal, e apenas isso. E é justamente esse o problema: ao surgiu no início dos anos 1990, o Body Count se destacou ao apresentar uma sonoridade única. Em Bloodlust, como já dito, a banda abriu mão dessa característica. O resultado está longe de ser ruim, mas, na minha opinião, essa escolha acabou fazendo com o grupo fosse apenas mais um dos nomes competentes da cena, sem um toque a mais.

Enfim, ouça e tire as suas próprias conclusões.

13 de jul de 2017

Review: Adrenaline Mob - We the People (2017)

quinta-feira, julho 13, 2017

Desde o seu nascimento, o Adrenaline Mob sempre foi uma banda mais divertida que os grupos dos quais seus principais integrantes vinham. Se tanto o Symphony X do vocalista Russell Allen quanto o Dream Theater do baterista Mike Portnoy eram gigantes do prog metal que construíram carreira sobre intrincadas peças musicais, a nova banda de ambos descomplicava tudo e trocava a pretensão (muitas vezes sadia, outras tantas não) por enormes doses de groove.

Essa abordagem levou o grupo a alcançar destaque desde o início, status que se manteve com a saída de Portnoy e a passagem de comando para a dupla Allen e Mike Orlando, o guitarrista. We the People, terceiro disco do quarteto (e que está ganhando uma edição brasileira pela Hellion Records) é o sucessor de Omertá (2012) e Men of Honor (2014), e o primeiro registro após a trágica morte do baterista A.J. Pero (ex-Twisted Sister e substituto de Portnoy) em 2015.

Só que, ao invés de um trabalho soturno e sombrio, o que temos é a manutenção do metal grooveado e ensolarado característico do quarteto, agora com Jordan Cannata na bateria e David Zablidowsky no baixo. O álbum traz treze faixas, incluindo uma versão para “Rebel Yell”, clássico de Billy Idol - esta última, ainda com a bateria de Pero.

A principal diferença em relação aos discos anteriores é a inclusão de um enorme número de pontes melódicas nas linhas vocais de Allen, intensificando, assim, a pegada acessível da música do Adrenaline Mob. Porém, esta mudança não puxa em nada o som dos caras pra baixo, apenas intensifica o seu poder de persuasão. 

O outro ponto que chama a atenção é a inserção de um discurso muito mais político nas letras, refletindo o atual momento conturbado da América de Donald Trump. Uma iniciativa válida e que mostra que Allen e companhia ocupam seus cérebros não apenas com música, mas também com questionamentos sobre o futuro de seu país.

Existem discos que chegam para mudar tudo e mostrar novas formas de fazer as coisas. E existem também aqueles que não pretendem nada disso e nasceram apenas para divertir seus ouvintes com boas canções. O Adrenaline Mob segue apostando na segunda opção, e mais uma vez entrega um álbum agradável de ouvir e repleto de músicas que colam na cabeça.

Pra curtir na boa, sempre!

11 de jul de 2017

Review: Rincon Sapiência - Galanga Livre (2017)

terça-feira, julho 11, 2017

Na estrada desde 2000, Rincon Sapiência lançou em maio o seu aguardado primeiro disco. E Galanga Livre, que foi produzido pelo músico ao lado de William Magalhães (da Banda Black Rio e também responsável pela direção musical do trabalho) atende a todas as expectativas.

Ainda que seja a sua estreia solo, o trabalho mostra um músico rodado e pra lá de experiente, e isso acaba se refletindo em todas as canções. As músicas fluem fácil, possuem todos os elementos bem encaixados e passam longe de transparecer o mínimo vestígio de imaturidade, característica comum a qualquer disco de estreia. Integrante de grupos como Ébanos, Plano B, Equilíbrio Insano e Porte Verbal e com participações em álbuns de nomes como Kamau e NX Zero, Danilo Ambrósio (seu nome de batismo) pedia passagem há tempos, e finalmente a sua hora chegou.

Galanga Livre vem com treze faixas, todas com letras que usam situações do cotidiano para construir um discurso eficaz de crítica social e política. A proximidade com o cotidiano do ouvinte torna os versos de Rincon, sempre curtos e diretos, ainda mais eficientes, e essa é, muito provavelmente, a principal força do disco.

Musicalmente, há elementos de rock, funk e música africana na construção de bases cativantes e cheias de ritmo, que soam orgânicas e pulsantes e nunca sem vida. Esse aspecto, somado à concisão das faixas (todas com duração entre três e quatro minutos), faz com que o álbum tenha uma força inerente e que só cresce com a audição constante e a familiarização do ouvinte com as canções.

Talvez este seja o principal disco de rap brasileiro lançado em 2017. O álbum é excelente, e mostra um artista que finalmente alcançou o destaque há tempos merecido e que tem muito, mas muito mesmo, a dizer. Com criatividade e uma ampla gama de influências, Rincon Sapiência chegou chegando!

Ouça já!

10 de jul de 2017

Review: Thaíde - Vamo que Vamo que o Som Não Pode Parar (2017)

segunda-feira, julho 10, 2017

Altair Gonçalves é uma lenda do hip-hop brasileiro. Poucos artistas possuem uma carreira tão longeva quanto ele. Seja na música ou na TV, Thaíde se transformou em um dos maiores ícones do rap brasileiro, e com justiça. Dos tempos ao lado do parceiro DJ Hum, com quem gravou discos que ajudaram a desbravar a sonoridade do hip-hop tupiniquim e a apresentar o estilo a toda uma geração, até a sua carreira solo, o que não falta pra Thaíde é história.

Vamo que Vamo que o Som Não Pode Parar foi lançado em junho e é o seu novo álbum solo. O disco vem na sequência do mega hit “Sr. Tempo Bom”, lançado ao lado de Hum em 2000 e que extrapolou o público do gênero. Em seu novo disco, o rapper mantém a mesma pegada de sua canção mais conhecida, apostando na maioria das faixas em um discurso saudosista e que relembra momentos marcantes de sua trajetória e da cultura na qual está inserido. Esta escolha contrasta com a pegada lírica dos dois principais nomes do rap brasileiro atual, por exemplo: Emicida entrega letras repletas de contundentes críticas sociais e Criolo vem com sua ironia e acidez brilhantes.

Musicalmente, o que temos também mostra outra abordagem. Seguindo fiel à sua trajetória, Thaíde vem com bases repletas de balanço e que bebem no funk e na música dançante setentistas, sempre com muita melodia e deixando em segundo plano as batidas focadas quase que exclusivamente no ritmo tão comuns ao hip-hop contemporâneo.

Tudo isso faz com que Vamo que Vamo que o Som Não Pode Parar seja um disco leve e divertido, com um alto astral onipresente. Além disso, trata-se de um álbum de fácil assimilação, característica potencializada pela inegável simpatia de Thaíde. As participações especiais de nomes como Kurtis Blow, Rodriguinho, Marcelo D2 e outros torna o CD ainda mais delicioso, agregando muito ao resultado final.

No fim das contas, o que temos é um trabalho que não pretende mudar o rumo de nada e nem se tornar um divisor de águas. A pegada low profile de seu protagonista está em todas as canções, entregando um trabalho muito agradável musicalmente falando e que deixa uma ótima mensagem após sua audição.

Parabéns pelo belo trampo, Altair!

5 de jul de 2017

Review: Beyond the Black - Lost in Forever (2017)

quarta-feira, julho 05, 2017

O Beyond the Black é uma banda alemã de metal sinfônico com toques de power metal. O grupo foi formado em 2014 na cidade de Mannheim e conta com Jennifer Haben (vocal), Chris Hermsdörfer (guitarra), Tobi Lodes (guitarra), Jonas Robner (teclado), Stefan Herkernoff (baixo) e Kai Tschierschky (bateria). Neste curto período, o sexteto já lançou dois discos: Songs of Love and Death (2015) e Lost in Forever (2016).

Este último acaba de sair no Brasil em uma edição totalmente nova, com quatro faixas a mais. Liberado originalmente em fevereiro de 2016, Lost in Forever ganhou uma Tour Edition em 2017, e é esta versão que a Hellion trouxe para o Brasil. Entre ambas, além das músicas bônus, temos uma capa diferente.

Com enorme sucesso na Alemanha, onde alcançou o quarto posto nas paradas, o Beyond the Black se caracteriza por uma música bastante acessível, com leves toques de metal sinfônico e sem o uso dos característicos vocais operísticos tão comuns ao gênero. Ou seja, não temos aqui nada similar ao Nightwish e afins, mas sim uma música bem menos pomposa e muito mais direta, ainda que carregada com enormes doses de melodia e bastante fácil de assimilar. Em alguns momentos, a sensação de estarmos ouvindo um pop metal não fica muito distante do ouvido, e acho que isso ajuda a explicar a boa performance do grupo nas paradas.

A alternância entre a voz de Jennifer e os guturais de Chis permeia as composições, assim como a inserção de timbres mais atuais de teclado e um belo trabalho de guitarras, notadamente na sonoridade destas últimas. Há leves pitadas de gótico aqui e ali, mas, de modo geral, o que sai dos alto-falantes é uma música extremamente acessível e indicada apenas para os fãs do estilo.

Entre as faixas, destaque para a canção que dá título ao trabalho e para “Rage Before the Storm”, hino oficial do festival Wacken Open Air.

Se você curte um metal sinfônico com enorme pegada pop, vai curtir o trabalho desta banda alemã.

4 de jul de 2017

Review: Suco Elétrico - Se o Futuro Permitir (2016)

terça-feira, julho 04, 2017

Na estrada desde o início da década de 2000, o Suco Elétrico é mais uma banda que ratifica a fé na nova geração do rock produzido no Rio Grande do Sul. Se o Futuro Permitir, novo disco do quarteto, saiu em 2016 mas só agora chegou aos meus ouvidos. Então, vamos a ele.

O grupo é formado por Alexandre Rauen (vocal e bateria), Fernando Drunk (baixo), K.C.O. Lino (guitarra) e Eduardo Schuler (bateria), e faz um hard rock que consegue unir a pegada e o peso do gênero com batidas um pouco mais, digamos assim, dançantes. Mas não um dançante tipo Frank Ferdinand, longe disso. O trabalho de bateria vem na linha de Phil Rudd, responsável pelos beats clássicos do AC/DC.

Ainda que algumas matérias tenham classificado o Suco Elétrico como stoner, esse rótulo passou longe dos meus ouvidos. O que senti é uma banda com os dois pés fincados nos arquétipos do rock and roll. Traduzindo: riffs sempre no comando, linhas vocais acompanhadas de muita melodia, refrãos bem inseridos e um onipresente ritmo pulsante.

Se o Futuro Permitir saiu em CD digipak e em LP pelo Selo 180 e traz dez faixas em 34 minutos. Ou seja: aqui não tem enrolação, não tem nada fora do lugar. É rock dos bons produzido por quem entende do assunto. 

Falando nisso, a produção, a cargo de Marcelo Fruet, merece destaque, colocando a guitarra e o baixo na cara o tempo todo. O belo timbre vindo das seis cordas exala crueza e encontra o seu companheiro no já falado ótimo trabalho de bateria.

Entre as músicas, destaque para “Canção do Futuro” (de onde saiu o título do álbum), “Dragão”, a urgente “Relógio" e a rifferama de faixas como “Ao Contrário”, “Tênis” e “O Amor Gentil”.

Tá aí mais uma banda brasileira com um trabalho competente e cheio de personalidade, e que merece chegar aos ouvidos de todo mundo que é fã de rock.





3 de jul de 2017

Review: Royal Blood - How Did We Get So Dark? (2017)

segunda-feira, julho 03, 2017

Com o lançamento de seu segundo disco, a pergunta é inevitável: afinal de contas, o Royal Blood é tudo isso mesmo? A resposta é simples e direta: ao que parece, sim.

Ainda que não seja tão pesado e cativante quanto o auto-intitulado álbum de estreia liberado em 2014, How Did We Get So Dark? tem mais acertos do que erros. O novo trabalho da dupla Mike Kerr (vocal e baixo) e Ben Thatcher (bateria e percussão) muda um pouco o foco ao deixar em segundo plano o peso monolítico e a onipresente influência de Black Sabbath e apostar em uma variedade de influências mais ampla, que se traduz em uma pegada pop que caminha por todo o disco.

Isso faz com que harmonias, contrapontos e artifícios do tipo ocupem o espaço que era todo da interação entre o baixo e bateria no primeiro álbum. Há acertos (“Lights Out” tem uma enorme influência de Queens of the Stone Age e é contagiante) e derrapadas (“Look Like You Know” é bem fraquinha), mas a experimentação por novas possibilidades era inevitável neste segundo disco.

A produção, a cargo da própria banda e da dupla Tom Dalgety e Jolyon Thomas, é exemplar e entrega uma sonoridade cheia e gorda, como convém a um duo que tem como elementos principais o baixo e a bateria. O instrumental segue não tendo nada de muito elaborado mas funciona bem, enquanto Kerr mostra evolução nos vocais, inserindo até uns falsetes pelo caminho (ouça “She's Creeping”).

No final, o que conta mesmo é que o debut veio com um número muito maior de músicas fortes e que cativavam à primeira audição. Em How Did We Get So Dark? há uma inegável perda neste aspecto, com poucos momentos de brilho (a música que dá nome ao disco, a sensacional “Lights Out”, "I Only Lie When I Love You", “Hole in Your Heart” e “Sleep”, com uma pegada meio The Black Keys), mas uma sadia tentativa e ambição em inserir uma maior variação às composições, o que, em se tratando de um duo (onde a limitação faz parte do próprio formato), é sempre bem-vindo.

Respondendo a pergunta do primeiro parágrafo: o Royal Blood é uma boa banda, com potencial para crescer muito nos próximos anos. O foco no pop tirou um pouco da força do grupo, mas os caras continuam valendo a pena.

30 de jun de 2017

Review: Stone Sour - Hydrograd (2017)

sexta-feira, junho 30, 2017

Os dois últimos discos do Stone Sour colocaram a banda em um outro patamar. A dobradinha House of Gold & Bones teve a primeira parte lançada em 2012 e a segundo em 2013, e apresentou o auge criativo do grupo de Corey Taylor. Com canções fortes e inúmeros singles, alavancaram o Stone Sour para um ponto até então inédito em sua carreira.

Quatro anos mais tarde, temos Hydrograd. O sexto trabalho do quinteto acaba de ser lançado e vem com força para conquistar mais corações e mentes. Produzido por Jay Ruston, o disco marca a estreia do guitarrista Christian Martucci e do baixista Johnny Chow,que assumiram os postos de Jim Root (parceiro de Corey no Slipknot) e Rachel Bolan (aquele mesmo do Skid Row).

Hydrograd vem com nada mais nada menos do que quinze faixas, totalizando mais de 65 minutos de música. E traz a banda indo por dois caminhos: refinando a sua mistura cada vez mais bem feita de metal com hard rock, mas também experimentando novas sonoridades. O que chama a atenção de saída é o derramamento constante de riffs, com as guitarras fazendo um excelente trabalho - Josh Rand é o parceiro de Martucci. Taylor segue com a capacidade intacta de equilibrar agressividade com acessibilidade, entregando linhas cheias de melodia e mostrando o quão versátil é a sua voz.

Temos desde porradas como “Knievel Has Landed” e “Whiplash Pants”, que mostram a pegada violenta da banda e aproximam o som do universo do Slipknot, até o outro lado da moeda, com canções fortes e que cativam de imediato como “Song #3”, “Fabuless" e a faixa-título. Aliás, esse trio talvez seja o ponto mais forte do disco, com uma sequência que demonstra o alto grau de inspiração do grupo.

No que tange às experimentações, a que mais chama a atenção é o flerte com o country e o southern rock na bela “St. Marie”, cheia de melancolia e inegavelmente desde já uma das grandes canções da carreira do quinteto.

Em diversos aspectos, o Stone Sour intensifica a sensação que ficou com os dois volumes de House of Gold & Bones: a banda é, hoje, muito mais interessante do que o próprio Slipknot. A variedade de sonoridades exploradas abre a gama de opções e oferece mais diversidade musical não apenas para os ouvintes, mas principalmente para os músicos. Corey Taylor é, como todo mundo sabe, um vocalista muito acima de média, e ao cantar sem os guturais habituais de seu bando de mascarados mostra mais uma vez a qualidade de sua voz. Outro que merece destaque é o baterista Roy Mayorga, com batidas precisas e a inserção constante de viradas que alteram a dinâmica das faixas.

Um ponto que depõe um pouco contra o disco é a sua duração excessiva. Um foco um pouco maior, com algumas faixas a menos, deixaria o trabalho ainda mais eficiente. Apesar de que, após quatro anos sem material inédito - com exceção dos dois EPs de covers lançados em 2015 -, duvido que algum fã irá reclamar disso.

Hydrograd segue mantendo o Stone Sour na ascendente. Ainda que inferior aos dois discos anteriores, é um dos trabalhos mais fortes e maduros da banda e, sem dúvida, um dos principais álbuns de música pesada do ano.

29 de jun de 2017

Review: Doris Encrenqueira - Doris Encrenqueira (2017)

quinta-feira, junho 29, 2017

E Porto Alegre nos traz mais uma boa novidade. O quarteto Doris Encrenqueira acaba de lançar o seu primeiro disco pelo Selo 180 em um belo CD didipak, e acerta no alvo ao entregar um rock and roll sem pudor, dó e nem frescura.

O grupo liberou um EP em 2015 e retorna mais madura neste primeiro álbum. O que temos é um rock direto, calcado em riffs e cantado em português. Com produção da banda ao lado de Sebastian Carsin e Fábio Jardim, o disco vem com dez faixas inéditas.

Divertido e urgente, o auto-intitulado primeiro CD do Doris Encrenqueira traz influências de nomes como AC/DC, Van Halen dos primeiros anos, Guns N’ Roses, uns quês de Velhas Virgens e até uns ecos de nomes clássicos do rock brazuca como Made in Brazil. A banda é pródiga na construção de faixas eficientes e repletas de ganchos melódicos que conduzem a refrãos certeiros, o que faz a música descer redondo pelo ouvido.


Em termos de estilo, daria para classificar o som como um hard rock com a pegada mais festeira do gênero, meio que na linha do The Darkness e da cena californiana, porém com uma pegada menos pomposa e muito mais agressiva e punk, por assim dizer.

Resumindo: um bom disco que mostra que o rock brasileiro segue gerando boas bandas. Vale a pena conferir o trabalho dos gaúchos!




27 de jun de 2017

Review: Vespas Mandarinas - Daqui pro Futuro (2017)

terça-feira, junho 27, 2017

Mudanças de sonoridade fazem parte da história do rock. Um sem número de grandes bandas experimentou novos rumos ao longo de sua história, com resultados tanto bons quanto ruins. Um dos maiores exemplos é o U2: do som messiânico e épico dos primeiros discos que conquistou milhões de fãs em clássicos como The Joshua Tree (1987), o grupo se reinventou de maneira sublime em Achtung Baby (1991), experimentou até não poder mais em Zooropa (1993) e Pop (1997) e retomou o caminho do pop no espetacular All That You Can’t Leave Behind (2000).

O Vespas Mandarinas obviamente não é o U2, e isso faz uma grande diferença. Em seu segundo álbum, a banda de Chuck Hipolitho e Thadeu Meneghini deixa totalmente de lado o rock cheio de energia e cativante do ótimo disco de estreia, Animal Nacional (2013), e entrega um som descaradamente pop e insosso. Não temos mais riffs, não temos mais refrãos chicletes, não temos mais nada de interessante. O que surge é uma música que traz influências de MPB, uns toques de Skank, umas influências de indie descabidas, tudo sem identidade e carregado com uma pretensão artística que vai do nada a lugar nenhum.

Pra piorar, a banda posa embalada para consumo imediato, com Chuck, outrora uma das referências do novo rock BR, em fotos sem camisa como um sub-Justin Bieber, enquanto Meneghini quer ser Devo mas só parece um hipster abestalhado.

Daqui pro Futuro é constrangedoramente ruim, e não sou apenas eu que digo isso. Leia abaixo trechos de alguns reviews publicadas na imprensa especializada brasileira:

Daqui pro Futuro é um disco que não honra seu título, o talento dos convidados envolvidos ou a música brasileira atual. Se tanto, tem valor como prova documental da cegueira das grandes gravadoras para o segmento pop rock. Decididamente, um dos álbuns mais equivocados dos últimos 10 anos. (Scream & Yell)

Daqui Pro Futuro é um trabalho bastante confuso que traça caminhos incertos para Vespas Mandarinas. Com muitas dúvidas e poucas certezas, é possível encarar o disco como uma espécie de ensaio, onde a banda arrisca novas formas de experimentar e compor - o que, de qualquer forma, é extremamente válido. Ficamos no aguardo para saber se isto foi apenas um deslize ou o início de uma trágica tendência. (Monkey Buzz)

A higienização no rock também representa riscos e o Vespas Mandarinas caminha nessa corda: pode perder parte dos fãs que sustenta suas bases e não conseguir chegar aos novos ouvidos. Ou pode chegar aos novos ouvidos e ficar preso a eles e a uma sonoridade de teto baixo. Sua música não está simplesmente mais leve ou mais pop, mas mais pobre e menos criativa. Vale a pena pagar o preço? (Estadão)

É muito ruim ver uma banda regredir como eles fizeram. Animal Nacional já não era lá essas coisas, agora a atual formação vem com essa patacoada em forma de disco. E a principal questão aqui não é eles quererem atingir um novo público – eles têm direito de fazer e escolher o caminho que bem desejarem para suas carreiras. Problema é saber fazê-lo, o que não é o caso aqui. É um álbum descartável para um Vespas Mandarinas de potencial, mas jogado no lixo por escolher o caminho mais fácil. (Music on the Run)

Não há problema algum em inovar e buscar novos caminhos sonoros, e quem acompanha o site sabe que aprecio pra caramba quem tem a coragem de fazer isso. No entanto, também sou um apreciador da antológica frase de Miles Davis: “existem apenas dois tipos de música: a boa e a ruim”. E o novo disco do Vespas Mandarinas é um caso exemplar onde a exploração de novas sonoridades, além de detonar a identidade que a banda estava construindo, não funciona em nenhum aspecto. É música ruim em seu melhor estado - e isso está longo de ser um elogio.

26 de jun de 2017

Review: Fuss - Luzes (2017)

segunda-feira, junho 26, 2017

Em 2016, escrevi bastante sobre a nova cena rock de Porto Alegre. Nomes como Rebel Machine e Cattarse já figuram como algumas das minhas preferidas, e fazem isso com um trabalho autoral repleto de ótimas referências e muito talento.

Pelo mesmo caminho segue o quarteto Fuss, natural de Canoas, na região metropolitana da capital gaúcha. Rizomas, seu primeiro EP - leia a resenha aqui -, já havia chamada a atenção com boas ideias e canções. Luzes, segundo trabalho do grupo, solidifica a ótima percepção da estreia e mostra uma banda pronta para alçar vôos mais altos.

Melhor produzido, Luzes destaca-se de cara pelas guitarras mais pesadas e, sobretudo, pelo ótimo senso melódico do grupo, capaz de criar canções ao mesmo tempo grudentas e cheias de energia. As guitarras revezam-se entre riffs e texturas, construindo um muro sonoro que traz influências que vão desde o pós-punk até o rock alternativo. Os vocais de Lucas Patrício seguem sendo um destaque, assim como as boas letras.

Traçando um paralelo com nomes mais conhecidos, o que temos é uma mistura entre Arctic Monkeys e Kings of Leon, com a energia e o peso dos discos mais recentes da banda de Alex Turner e o pop com arranjos crescentes que caracteriza a fase mainstream do KoL. 

Com o que já apresentou em Rizomas e Luzes, o Fuss habilita-se com sobras para a concepção de um consistente disco de estreia, com potencial para emplacar alguns bons hits que podem abrir diversas portas para o grupo.



23 de jun de 2017

Review: Iced Earth - Incorruptible (2017)

sexta-feira, junho 23, 2017

Eu acho que o Iced Earth é uma banda que se perdeu. O grupo liderado pelo guitarrista Jon Schaffer trabalhou pra caramba pra subir passo a passo, disco a disco, e no meio desse processo brindou os fãs de heavy metal com obras-primas como The Dark Saga (1996) e Something Wicked This Way Comes (1998), dois dos principais álbuns de metal gravados durante os anos 1990.

No entanto, a saída do vocalista Matt Barlow em 2003 abalou de maneira profunda as estruturas do grupo. O cara voltou em 2007 e deixou a banda em definitivo em 2011, sendo substituído por Stu Block. E lá entre 2003 e 2007 teve o seu posto ocupado pelo operário Tim “Ripper" Owens. Todo esse processo resultou em discos confusos e medianos como a continuação da saga Something Wicked nos desnecessários Framing Armageddon (2007) e The Crucible of Man (2008). E sim, acho The Glorious Burden (2004), gravado com Owens, um baita disco.

Incorruptible, terceiro álbum com Block, foi lançado em 16 de junho. O CD tem dez faixas e foi produzido pelo próprio Jon Schaffer. Além disso, marca a estreia em estúdio do guitarrista Jake Dreyer (Jag Panzer, Kobra and the Lotus) e o retorno do baterista Brent Smedley. O baixista Luke Appleton completa o time.

O que temos aqui é o retomada da boa impressão causada por Dystopia (2011), estreia de Stu Block, e que foi devidamente jogada no lixo com Plagues of Babylon (2014), o decepcionante segundo trabalho gravado com o vocalista. Evidentemente, o Iced Earth não reinventa a roda e não inova em sua sonoridade, mas isso não é algo que precise ser feito em uma banda como essa. O que temos é o power metal contagiante que sempre caracterizou a banda, com ótimos riffs, fortes linhas vocais e refrãos épicos. Sem virar a sua sonoridade do avesso, Schaffer e companhia conseguem entregar um trabalho atraente e que retoma a refrescância da música do Iced Earth, com direito a uma excelente faixa instrumental como a incrível "Ghost Dance (Awaken the Ancestors)".

Incorruptible não é o melhor disco do Iced Earth, mas está muito distante dos piores momentos da banda. Trata-se de um álbum forte e consistente, que demonstra que os norte-americanos ainda tem o que mostrar e possuem combustível e inspiração para manter o seu status como uma das bandas mais tradicionais e relevantes do power metal.

Vale a pena, ainda mais porque o disco terá uma edição nacional pela Hellion Records.

22 de jun de 2017

Review: Mad Monkees - Mad Monkees (2017)

quinta-feira, junho 22, 2017

O Mad Monkees vem de Fortaleza e é uma ótima dica pra quem acha que não existe nada de legal acontecendo no rock brasileiro. Spoiler: sempre existe, e aos montes. E este quarteto é uma dessas novas novidades.

Formado em 2015, o grupo conta com Felipe Cazaux (vocal e guitarra, veterano da cena blues cearense com quase vinte anos de carreira), Capoo Polacco (guitarra), Hamilton de Castro (baixo) e PH Barcellos (bateria). A proposta da banda é fazer um rock direto e centrado nos riffs de guitarra, com influências de stoner e de nomes como Hellacopters, Monster Truck, Black Sabbath (“Deamons and Angels” é um belo tributo aos lendários ingleses), Mountain (olha o cowbell marcando o ritmo em “Love Yourself”) e até umas pitadinhas sutis - mas bem sutis mesmo, tanto que tô achando que não passam de uma viagem minha - de Mastodon.

A estreia auto-intitulada saiu recentemente e vem na sequência do EP liberado em setembro de 2015. Temos dez músicas, todas cantadas em inglês. A produção é de Carlos Eduardo Miranda, o cara que revelou Raimundos, Mundo Livre S/A e mais um monte de gente quando esteve à frente so selo Banguela, criado pelos Titãs nos anos 1990. Participações especiais de Emmily Barreto (do Far From Alaska) em “I Cannot Feel” e de Anderson Kratsch em “Cold Sparkle” abrilhantam ainda mais o material.

O Mad Monkess soa redondo neste disco de estreia, mostrando-se pronto para conquistar novos corações e mentes. Músicas bem desenvolvidas com tudo no lugar, sem exageros e girando sempre em torno dos três minutos reforçam a eficácia do grupo, em um disco que transborda energia em seus 32 minutos de duração.

Tá querendo conhecer uma nova banda brasileira legal pra caramba? Então acabou de encontrar, amiguinho!

Ao Mad Monkees, apenas duas palavras: PARA-BÉNS pelo excelente disco, e que os anos que estão por vir sejam recheados de boas novidades e ótimas canções como essas apresentadas neste debut.



21 de jun de 2017

Review: Zé Bigode - Fluxo (2017)

quarta-feira, junho 21, 2017

O Brasil é um país musical. Sempre foi e sempre será. Ainda que hoje em dia a música popular brasileira, ou melhor, a música que é popular entre os brasileiros, seja de uma qualidade sofrível, o país segue pulsando no ritmo dos bons sons. Basta deixar a preguiça de lado e raspar um pouquinho a casca do que chega até os ouvidos para perceber isso.

O Zé Bigode á um exemplo desta qualidade inequívoca e inerente à música brasileira. Ainda que o  guitarrista Zé Bigode seja o idealizador do projeto e tenha o seu nome estampado na capa, estamos falando, na prática, de um grupo formado por quinze excelentes instrumentistas. O idioma musical apresentado em Fluxo, primeiro disco da turma, é universal: música instrumental construída a partir de influências de jazz, samba, baião, reggae e inegáveis elementos africanos e cubanos.

São oito faixas que partem de temas e harmonias concebidos por Zé Bigode, mas que tem os arranjos desenvolvidos de forma coletiva - a única exceção é "Marijuana Monamour", escrita por Fernando Grilo. Tudo ao vivo no estúdio, com solos tocados de improviso durante a captação. Isso faz com que tenhamos uma sonoridade não apenas pulsante, mas extremamente viva e contagiante.

Musicalmente, Fluxo agradará em cheio quem é fã dos primeiros discos da Banda Black Rio por exemplo, só pra usar uma referência mais antiga, e também quem aprecia a sonoridade dos paulistas do Bixiga 70, indo no outro extremo e trazendo pra roda uma referência contemporânea.

Deliciosamente musical, Fluxo é um trabalho riquíssimo e que tem como elemento principal a guitarra jazzística de Zé Bigode e a dupla de metais formada por Victor Lemos (saxofone) e Thiago Garcia (trompete), que brilham durante todo o álbum, seja nas harmonias ou nos solos. E o resto da banda não fica atrás, despejando groove e feeling em cada canção.

Este é um dos melhores discos gravados aqui no Brasil neste ano de 2017. Se você gosta de boa música e não tem medo de ir além, ouça e descubra um trabalho incrível.




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