O Fantástico Mundo dos Instrumentos: O EBow


Por Flávio Ottoni
Colecionador

Lembro-me do solo final da música "Casa" de Lulu Santos. A guitarra tem um timbre diferente, passando a impressão que se adicionou um outro instrumento ao seu som característico (talvez um violino). Mas qual é o recurso utilizado para se chegar a esse som encorpado, mesclado e diferente?

É o EBow (Electronic Bow ou Energy Bow), um arco manual elétrico movido à bateria que confere ao som da guitarra (principalmente) sons característicos de violino, flauta e outros instrumentos. Eletrônico porque gera um campo eletromagnético que vibra as cordas do instrumento, e assim produz um som que lembra o uso de um arco em suas cordas. Ele emite uma luz azul para orientar o instrumentista no posicionamento das cordas. 


O EBow foi inventado por Greg Heet em 1969. Sua capacidade em produzir arpejos com sons mais diferenciados, únicos e densos fez com que esse aparelho fosse muito utilizado nos anos setenta (em larga escala no rock progressivo) e nas décadas seguintes. Hoje em dia, muitos músicos se utilizam desse recurso.

Bill Nelson (compositor e guitarrista) foi um dos pioneiros no uso do
EBow, apresentando a novidade para o escocês Stuat Adamson (líder das bandas The Skids e Big Country). O líder do Big Country utilizou massivamente esse aparelho nas texturas sonoras da banda, que fazia um som pop misturado com influências celtas e partes instrumentais densas (guiadas por gaita de foles e outros instrumentos típicos). 


Outro guitarrista que utiliza essa máquina é Steve Hackett, cujo melhor exemplo de utilização está na melodia viajante e hipnótica de "Carpet Crawlers" do álbum "The Lamb Lies Down on Broadway", do Genesis. Donald "Burk Dharma" Roeser do Blue Oyster Cult utiliza o EBow para enriquecer o som épico e pesado dessa banda conhecida pelas suas letras de sci-fi

Voltando à Grã-Bretanha, o guitarrista The Edge, do U2, usou muito o aparelho no sensacional disco "The Unforgettable Fire", que é um clássico da banda com seus temas épicos, climáticos e líricos produzidos por Brian Eno, e também na introdução da canção "With or Without You", do disco "The Joshua Tree". Continuando no pop, o R.E.M. utilizou o EBow em várias de suas canções, homenageando o dito cujo em uma delas: "E-bow the Letter". 


No rock progressivo, essa maquininha foi utilizada por inúmeros grupos e teve um dos usos mais belos e criativos no álbum "The Sentinel", da banda escocesa Pallas, para enriquecer musicalmente a épica história de Atlantis sendo destruída por uma guerra (uma fábula para aquela época de Guerra Fria).

Apesar do
EBow ser mais eficiente quando utilizado na guitarra, ele pode ser também usado no violão acústico, mesmo com as limitações de espaço e densidade das cordas. Um bom exemplo foi o uso desse aparelho pelo Pink Floyd na canção "Take it back", do álbum "The Division Bell",  imprimindo um tom rico de flauta e clarinete.
Baixos com cordas mais finas podem também se valer do
EBow.

Esse aparelho também já foi utilizado por músicos de jazz e de músicas experimentais e eletrônicas, como John Cage, Terje Rypdal
(foto abaixo) e outros.

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