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O Máskara: muito mais do que a comédia com Jim Carrey (2026, Pipoca & Nanquim)

Para muita gente, O Máskara é imediatamente associado a Jim Carrey, ao terno amarelo e ao humor cartunesco do filme de 1994. Mas existe um outro Máskara, bem mais insano, violento e politicamente incorreto, escondido nas páginas das HQs da Dark Horse. É esse personagem que a Pipoca & Nanquim resgata na edição que reúne as três primeiras minisséries escritas por John Arcudi e desenhadas por Doug Mahnke. Criado por Mike Richardson, o conceito do Máskara ganhou sua forma definitiva no final dos anos 1980, quando Arcudi e Mahnke assumiram o personagem. A proposta era combinar a lógica dos desenhos animados de Tex Avery com a violência de filmes como O Exterminador do Futuro . O resultado é exatamente tão absurdo quanto essa mistura sugere. Stanley Ipkiss é um sujeito inseguro, reprimido e cheio de frustrações. Ao encontrar uma misteriosa máscara, descobre que ela possui a capacidade de eliminar suas inibições. O problema é que aquilo que surge por trás da máscara não é exatamente um...
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The World Needs a Hero (2001): o primeiro passo para o Megadeth voltar a ser o Megadeth

Depois de Risk (1999), o Megadeth precisava recuperar algo que parecia ter ficado pelo caminho: sua própria identidade. O disco havia levado a banda para uma direção mais comercial e radiofônica, afastando parte considerável dos fãs. Em The World Needs a Hero , lançado em maio de 2001, Dave Mustaine tentou corrigir a rota. A volta de Vic Rattlehead à capa, a presença mais evidente das guitarras e a entrada de Al Pitrelli no lugar de Marty Friedman deixavam clara a intenção de reconectar o Megadeth com sua história. O resultado, porém, está longe de ser uma simples retomada dos tempos de Rust in Peace (1990). The World Needs a Hero é mais pesado que Risk e Cryptic Writings (1997), privilegia novamente os riffs e traz bons momentos de guitarra, mas ainda preserva boa parte da acessibilidade construída pela banda nos anos 1990. “Disconnect” abre o disco com peso e um refrão memorável, enquanto “Burning Bridges” aposta em uma melodia particularmente eficiente. “Recipe for Hate ... W...

Por que ainda colecionamos discos?

“Mas para que você precisa de tantos discos?” . Todo colecionador já ouviu essa pergunta. Às vezes ela vem de alguém que realmente não entende. Em outras, vem acompanhada de uma expressão de espanto diante de uma estante ocupando uma parede inteira. E há ainda aquela versão mais difícil de responder: “Mas você pode ouvir tudo isso no Spotify”. Hoje, praticamente qualquer pessoa com um celular e uma conexão com a internet consegue ouvir milhares de discos que, algumas décadas atrás, exigiriam anos de pesquisa e uma boa dose de sorte para serem encontrados. Um álbum lançado há cinquenta anos, uma banda obscura de heavy metal, uma gravação fora de catálogo ou um disco que nunca foi lançado oficialmente no Brasil podem estar a poucos segundos de distância. Então por que continuar comprando CDs e LPs? A resposta não está apenas na música. E, para entender isso, é preciso voltar ao momento em que a música deixou de ser uma experiência exclusivamente passageira e passou a ocupar espaço fí...

Rodox (2003): peso, identidade e o fim de uma história curta demais

Se Estreito (2002) documentava a ruptura do vocalista Rodolfo Abrantes com os Raimundos e sua tentativa de encontrar um novo caminho, o segundo e autointitulado disco representa um momento diferente: aqui, o Rodox já havia deixado de ser apenas um projeto de Rodolfo para se transformar, de fato, em uma banda. A diferença aparece logo no processo de composição. Marcus Ardanuy, Pedro Nogueira, Patrick Laplan, Fernando Schaefer e DJ Bob participaram da construção das músicas, contribuindo para uma sonoridade mais coesa e pesada. O resultado é um disco que combina hardcore, punk, nu metal, rapcore e elementos eletrônicos, mas sem a variedade estilística que marcava Estreito . Em seu lugar surge uma identidade mais definida, sustentada por guitarras agressivas, bateria pesada, programações eletrônicas e os vocais característicos de Rodolfo. “Segue a Linha” abre o álbum estabelecendo essa proposta com força, enquanto “De Costas para o Mar” funciona como seu grande cartão de visitas. A f...

Estreito (2002): a estreia do Rodox no controverso recomeço de Rodolfo Abrantes

Estreito , estreia do Rodox lançada pela Warner Music em fevereiro de 2002, chegou ao mercado em meio a expectativas, polêmicas e profundas transformações na vida de Rodolfo Abrantes. Mais do que apresentar uma nova banda, o álbum documenta uma ruptura decisiva: a saída do vocalista dos Raimundos, no auge da popularidade do grupo, e o início de uma fase marcada por mudanças pessoais e religiosas. É impossível ouvir Estreito sem considerar esse contexto, mas reduzi-lo a um "disco gospel" seria injusto. O álbum é, antes de tudo, um retrato bastante fiel do rock pesado brasileiro do começo dos anos 2000. Hardcore, nu metal, rapcore, reggae, rock alternativo e elementos eletrônicos aparecem lado a lado, refletindo um período em que as fronteiras entre esses gêneros estavam cada vez mais fluidas. Embora creditado ao Rodox, Estreito ainda não representa uma banda plenamente estabelecida. Rodolfo gravou vocais, guitarras e baixo nas 12 faixas, acompanhado por Fernando Schaefer...

Little Bird - A Batalha por Alento: um espetáculo visual à procura de uma história à altura (2026, Comix Zone)

Existem HQs que parecem ter sido concebidas para provar até onde a linguagem dos quadrinhos pode chegar visualmente. Little Bird: A Batalha por Alento , de Darcy Van Poelgeest e Ian Bertram, pertence claramente à essa categoria. O problema é que, em alguns momentos, a história não consegue acompanhar o tamanho daquilo que as imagens estão contando. Vencedora do Eisner de Melhor Minissérie em 2020, Little Bird nos leva a um futuro devastado por décadas de guerra. O continente norte-americano está sob o domínio de um regime autoritário e teocrático chamado Império Americano, enquanto a resistência canadense tenta sobreviver e reagir à opressão. Nesse cenário está Little Bird, uma jovem indígena que precisa enfrentar não apenas o inimigo, mas também descobrir quem é e qual é o seu lugar naquele conflito. A premissa é excelente. Melhor ainda é a maneira como Van Poelgeest mistura política, religião, nacionalismo, colonialismo, genética, tecnologia e espiritualidade. Há uma quantidade i...

Tartarugas Ninja – Coleção IDW Vol. 3: a grande virada da melhor coleção das Tartarugas (2026, Pipoca & Nanquim)

Toda grande releitura precisa, em algum momento, provar que consegue caminhar com as próprias pernas. É exatamente isso que acontece em Tartarugas Ninja – Coleção IDW Vol. 3 , publicado no Brasil pela Pipoca & Nanquim. Depois de dois volumes estabelecendo as bases dessa nova continuidade, Kevin Eastman e Tom Waltz colocam os personagens diante de uma crise que transforma profundamente a dinâmica da família. O grande destaque é a saga A Queda da Cidade . O Destruidor amplia seu domínio sobre Nova York, mas o verdadeiro alvo é a própria estrutura que mantém as Tartarugas unidas. A ameaça deixa de ser apenas física e passa a envolver confiança, lealdade, identidade e família. Leonardo ocupa o centro da narrativa e protagoniza um dos momentos mais interessantes de sua trajetória. Sua disciplina e responsabilidade, características que tradicionalmente fazem dele o líder do grupo, são transformadas em pontos de vulnerabilidade. As consequências atingem Mestre Splinter e os demais irmão...

The Visitor (2026): Sienna Spiro entrega uma das estreias mais promissoras da música britânica nesta década

Sienna Spiro desafia a lógica da indústria musical contemporânea. Em uma época dominada por produções eletrônicas, refrões pensados para as redes sociais e vocais excessivamente processados, a cantora inglesa escolheu seguir o caminho oposto. Seu álbum de estreia, The Visitor , aposta em piano, cordas, metais, interpretações viscerais e um repertório que coloca a emoção acima de qualquer tendência. O resultado é um trabalho que parece ter atravessado décadas para chegar até 2026, sem soar preso ao passado. O conceito do álbum gira em torno da sensação de ser apenas um visitante: na vida de alguém, em um relacionamento ou até dentro da própria identidade. Essa ideia permeia as dez faixas da edição original e se expande naturalmente na versão deluxe, que amplia o repertório para quinze músicas sem perder a unidade temática. Sienna encontra um equilíbrio raro entre soul, jazz, pop e R&B. A comparação com Adele e Amy Winehouse é inevitável, mas, embora as influências sejam evidente...

City Hunter Vol. 1: um dos maiores mangás da história finalmente chega ao Brasil (2026, Pipoca & Nanquim)

Antes de tudo, é preciso reconhecer a importância histórica desta publicação. Durante décadas, City Hunter figurou entre os grandes clássicos do mangá nunca lançados oficialmente no Brasil. Enquanto séries contemporâneas conquistavam sucessivas edições nacionais, a obra-prima de Tsukasa Hojo permanecia restrita às importaçõess. Coube à Pipoca & Nanquim corrigir essa lacuna com uma edição à altura de sua relevância, baseada na consagrada XYZ Edition japonesa e apresentada em um luxuoso formato omnibus. Lançado originalmente entre 1985 e 1991, City Hunter acompanha Ryo Saeba, um solucionador de casos que atua como detetive, guarda-costas e mercenário nas ruas de Tóquio. Contratado por meio da misteriosa mensagem "XYZ", deixada em um quadro de avisos na estação de Shinjuku, ele aceita missões que envolvem organizações criminosas, corrupção, tráfico de drogas e todo tipo de perigo urbano. Após a morte de seu parceiro Hideyuki Makimura, Ryo passa a trabalhar ao lado de Kao...

Hades (2026): Melanie Martinez mostra que o inferno é aqui

Depois de construir um dos universos conceituais mais bem-sucedidos do pop contemporâneo com Cry Baby (2015), K-12 (2019) e Portals (2023), Melanie Martinez chega a Hades (2026) decidida a abandonar a segurança de sua mitologia para encarar o mundo real. O inferno que dá nome ao álbum não é um lugar imaginário, mas uma metáfora para a sociedade atual. Se seus trabalhos anteriores utilizavam personagens fantásticos para falar sobre traumas pessoais, amadurecimento e identidade, Hades troca a jornada individual por uma crítica às estruturas de poder. Religião, extremismo político, misoginia, capitalismo, redes sociais, vigilância digital e exploração econômica surgem como peças de um sistema que a cantora enxerga como opressor. O conceito é resumido pela própria artista ao definir o álbum como um "espelho rachado": uma obra que não imagina uma distopia futura, mas revela a distopia que já vivemos. Essa mudança de perspectiva também aparece na música. O pop alternativo...