Poucas séries contemporâneas conseguem manter uma identidade tão forte ao longo dos anos quanto Bouncer. Criada por François Boucq ao lado de Alejandro Jodorowsky , a HQ sempre se destacou por seu faroeste brutal, seco e carregado de atmosfera. Nos volumes 10 e 11, reunidos em uma única edição de 160 páginas, capa dura e formato europeu pela Comix Zone, Boucq assume sozinho o controle da narrativa e entrega uma história fechada que reforça as qualidades da série. A trama se constrói em torno de uma clássica caça ao tesouro ligada ao imperador austríaco Maximiliano, que governou o México por três anos durante a década de 1860, e conduz Bouncer por paisagens áridas, traições e encontros com figuras tão perigosas quanto fascinantes. É uma estrutura bastante tradicional dentro do gênero, mas conduzida com ritmo ágil e pontuada por reviravoltas que mantêm o interesse do leitor do início ao fim. O grande trunfo continua sendo o universo de Bouncer. A violência crua, quase desconfort...
Poucos personagens da cultura pop atravessaram tantas gerações mantendo sua essência quanto o Zorro. Criado em 1919 por Johnston McCulley, o vigilante mascarado sempre representou uma mistura de justiça, teatralidade e comentário social. Em Zorro: A Ressurreição , publicado pela Pipoca & Nanquim, o autor e artista Sean Murphy pega esse legado e o reposiciona de forma radical e surpreendentemente eficaz. O quadrinho abandona completamente o cenário clássico da Califórnia colonial e mergulha em um México contemporâneo dominado pelo narcotráfico. Aqui, Diego de la Vega não é um aristocrata que finge ser um dândi entediado. Ele é um jovem traumatizado que presencia um evento traumático, que fragmenta sua mente e o empurra para uma realidade onde ele acredita ser o próprio Zorro. A premissa poderia facilmente descambar para o exagero ou para uma releitura vazia, mas Murphy conduz a narrativa com segurança, transformando o que parece delírio em algo mais complexo. A grande força da o...