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O Longo Adeus: a história mais emocionante de Dylan Dog (2026, Panini)

Nem sempre os maiores pesadelos de Dylan Dog têm origem no sobrenatural. Em O Longo Adeus , clássico publicado originalmente em 1992 por Tiziano Sclavi e Mauro Marcheselli, com arte de Carlo Ambrosini, o Investigador do Pesadelo descobre que as lembranças podem ser muito mais assombradas do que qualquer monstro. Tudo começa quando Dylan reencontra Marina Kimball, seu primeiro grande amor. A partir desse encontro, a narrativa alterna presente e passado para reconstruir o romance vivido pelos dois anos antes. Em vez de apostar em grandes reviravoltas ou elementos sobrenaturais, Sclavi concentra sua atenção nas lembranças, nos sentimentos e na inevitável passagem do tempo, transformando a memória na verdadeira protagonista da história. O grande mérito do roteiro está justamente em sua humanidade. O terror, marca registrada da série, permanece apenas como uma sombra distante. O verdadeiro medo aqui é outro: perceber que alguns momentos jamais poderão ser revividos e que certas despedid...
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The Extremist (1992): a obra-prima definitiva de Joe Satriani

The Extremist (1992) representa o momento em que Joe Satriani atingiu o equilíbrio perfeito entre virtuosismo, sensibilidade e apelo popular. Se Surfing with the Alien (1987) o apresentou ao mundo como um guitarrista extraordinário e Flying in a Blue Dream (1989) expandiu suas possibilidades criativas, foi neste terceiro grande capítulo de sua discografia que o músico entregou sua obra mais completa e acessível. Não por acaso, continua sendo seu álbum de maior sucesso comercial e um dos discos instrumentais mais importantes da história do rock. Produzido por Satriani ao lado de Andy Johns e John Cuniberti, The Extremist se beneficia de uma sonoridade mais encorpada e refinada. A participação de músicos como Gregg Bissonette, Simon Phillips, Matt Bissonette, Doug Wimbish e Paulinho da Costa acrescenta dinâmica e riqueza aos arranjos, mas nada desvia o foco da verdadeira protagonista: a guitarra de Satriani. Em vez de exibir velocidade apenas pelo espetáculo, Satriani constrói me...

Júlia – No País das Marionetes: uma homenagem encantadora a Pinóquio (2026, Panini)

Criada por Giancarlo Berardi, Júlia Kendall sempre transitou entre o suspense policial, a investigação psicológica e o drama humano. Em Júlia – No País das Marionetes , publicado no Brasil pela Panini como o segundo volume da coleção Biblioteca Júlia, a personagem se afasta desse terreno para protagonizar uma aventura singular, que mistura fantasia, literatura clássica e investigação criminal. O resultado é uma das histórias mais incomuns de toda a série. Durante uma viagem à Toscana ao lado de seu noivo Ettore Cambiaso, Júlia acaba transportada para o universo de Pinóquio , de Carlo Collodi. Cercada por personagens como Gepeto, a Fada Azul, o Gato e a Raposa e Come-Fogo, ela logo percebe que aquele mundo encantado também abriga interesses escusos. A premissa poderia facilmente descambar para uma aventura infantil, mas Berardi e Maurizio Mantero conseguem preservar a identidade da protagonista. Mesmo em um cenário fantástico, Júlia continua sendo uma investigadora racional, guiada ...

Dois (1986): a Legião Urbana e um dos maiores álbuns do rock brasileiro

Dois (1986) não apenas confirmou o enorme potencial da Legião Urbana como também consolidou Renato Russo, Dado Villa-Lobos, Renato Rocha e Marcelo Bonfá entre os principais nomes do rock brasileiro. Se o álbum de estreia apresentava uma banda movida pela urgência juvenil e por um discurso político direto, o segundo trabalho revelou um grupo muito mais maduro, capaz de transformar inquietações pessoais em canções de alcance universal. A história do disco ajuda a explicar sua riqueza. Renato Russo imaginava um álbum duplo, intitulado Mitologia e Intuição , mas a gravadora EMI considerou o projeto ambicioso demais. A redução do repertório para um LP simples acabou resultando em um conjunto de faixas extremamente coeso, sem sobras e praticamente sem momentos dispensáveis. Sob a produção de Mayrton Bahia, a Legião refinou sua sonoridade, incorporando influências do rock britânico dos anos 1980 sem abrir mão de uma identidade própria. O repertório impressiona pela consistência. Logo na ...

Dylan Dog Vol. 48: horror filosófico e suspense policial em uma das edições mais equilibradas da Mythos (2026, Mythos Editora)

Uma das grandes qualidades de Dylan Dog sempre foi sua capacidade de transitar entre diferentes vertentes do horror sem perder a identidade. Ao longo da série criada por Tiziano Sclavi, o Investigador do Pesadelo enfrentou monstros, fantasmas, serial killers, demônios e até os próprios medos da condição humana. O volume 48 da coleção publicada pela Mythos Editora ilustra perfeitamente essa versatilidade ao reunir duas histórias bastante distintas: Os Dias do Pesadelo , escrita por Gianfranco Manfredi, e O Desafio , de Claudio Chiaverotti. A primeira aventura é, sem dúvida, o ponto alto da edição. Durante uma investigação envolvendo uma misteriosa seita, Dylan entra em contato com uma substância que lhe concede a capacidade de enxergar o futuro. O que inicialmente parece uma vantagem logo se transforma em uma maldição: suas visões avançam cada vez mais no tempo, revelando tragédias inevitáveis, pessoas queridas envelhecendo e morrendo e um futuro do qual talvez não exista escapatória....

Invencível Vol. 14 - A Guerra Viltrumita prova por que Invencível é uma das melhores HQs de super-heróis do século XXI (2026, Panini)

Desde os primeiros volumes de Invencível, Robert Kirkman plantou pistas sobre o poder e a ambição do Império Viltrumita, transformando essa ameaça em uma sombra constante sobre a trajetória de Mark Grayson. Em A Guerra Viltrumita , publicado originalmente entre as edições #71 e #78 e lançado no Brasil como o volume 14 da coleção da Panini, toda essa preparação finalmente explode em um confronto que redefine os rumos da série. A trama reúne Mark, Nolan e Allen, o Alien, em uma ofensiva contra os viltrumitas ao lado da Coalizão dos Planetas. O que poderia ser apenas mais um grande embate entre heróis e vilões rapidamente se transforma em uma verdadeira ópera espacial, com batalhas envolvendo planetas inteiros, decisões políticas e consequências que afetam permanentemente o universo criado por Kirkman. É um arco que amplia a escala da narrativa sem perder de vista seus personagens, fazendo com que cada vitória tenha um custo e cada derrota deixe marcas profundas. O maior mérito do rot...

Tex Gigante 38: Os Dois Fugitivos mostra como o universo de Tex ainda consegue se reinventar (2022, Mythos Editora)

Após quase oito décadas de aventuras, seria natural imaginar que Tex Willer já tivesse explorado todas as possibilidades do western. No entanto, a coleção Tex Gigante existe justamente para provar o contrário. Ao convidar artistas e roteiristas para desenvolver histórias fechadas em formato de luxo, a série oferece maior liberdade criativa sem abrir mão da essência do personagem. Em Os Dois Fugitivos , essa proposta encontra um de seus melhores exemplos. Escrita por Gianfranco Manfredi e ilustrada por Giovanni Freghieri, a HQ surpreende logo nas primeiras páginas ao deixar Tex em segundo plano. Em vez de acompanhar imediatamente o lendário ranger, a narrativa apresenta Billy, um ladrão de pequeno porte, e Josephine, sua companheira, que decidem abandonar a vida criminosa em busca de um novo começo. O problema é que a fuga acontece após o roubo de um valioso objeto pertencente ao impiedoso Wade Gorman, desencadeando uma perseguição que envolve antigos comparsas, caçadores de recompens...

Uma Outra Estação (1997): a beleza escondida da despedida da Legião Urbana

Uma Outra Estação (1997) costuma ocupar um lugar discreto na discografia da Legião Urbana. Frequentemente tratado como um simples álbum póstumo ou uma coletânea de sobras de estúdio, o disco merece uma análise mais cuidadosa. Longe de ser um apêndice da trajetória da banda, ele funciona como um último capítulo, reunindo músicas que, por diferentes motivos, ficaram de fora de discos anteriores, mas que mantêm o alto padrão de composição de Renato Russo. Boa parte do repertório nasceu durante as sessões de A Tempestade ou O Livro dos Dias (1996), originalmente concebido como um álbum duplo. Com a saúde de Renato já bastante debilitada, o projeto foi reduzido a um disco simples, deixando várias gravações inéditas. Após sua morte, Dado Villa-Lobos, Marcelo Bonfá e o produtor Tom Capone organizaram esse material e lançaram Uma Outra Estação , transformando registros dispersos em uma obra surpreendentemente coesa. Da primeira à última faixa, o álbum é marcado por um clima contemplativ...

Genesis Revisited II (2012): Steve Hackett revisita a era de ouro do Genesis em um álbum monumental

Integrante da fase mais celebrada do Genesis entre 1971 e 1977, o guitarrista Steve Hackett ajudou a moldar alguns dos discos mais importantes do rock progressivo. Décadas depois, em vez de simplesmente revisitar esse repertório ao vivo, ele decidiu regravá-lo em estúdio com a experiência adquirida ao longo de uma carreira solo brilhante. O resultado é Genesis Revisited II , um álbum duplo lançado em 2012 que vai muito além de uma coleção de releituras. Sequência de Genesis Revisited (1996), o projeto reúne 21 faixas que percorrem praticamente toda a fase clássica do Genesis, de Nursery Cryme (1971) a Wind & Wuthering (1976). A proposta não é reinventar essas canções, mas apresentar versões que preservam a essência dos arranjos originais enquanto se beneficiam de uma produção moderna, cristalina e extremamente detalhada. Para isso, Hackett convocou um elenco de convidados impressionante. Mikael Åkerfeldt (Opeth), Steven Wilson (Porcupine Tree), John Wetton (Asia), Neal Morse...

Tex Gigante 37 – O Ouro de Old South: quando o maior inimigo não são os apaches, mas a ganância (2021, Mythos Editora)

Poucos personagens dos quadrinhos atravessaram tantas décadas mantendo sua essência quanto Tex Willer. Ainda assim, a coleção Tex Gigante existe justamente para permitir que grandes artistas apresentem uma visão particular do ranger, em histórias mais longas e visualmente ambiciosas. Em O Ouro de Old South , o roteirista Pasquale Ruju e o desenhista Giampiero Casertano entregam uma aventura que respeita a tradição da série enquanto explora um dos temas mais universais do western: o poder destrutivo da ambição. A história começa nos últimos dias da Guerra Civil Americana, quando um grupo de soldados confederados esconde um carregamento de moedas de ouro em território apache. Anos depois, os sobreviventes fundam a pequena cidade de Old South, construída sobre as lembranças de uma causa perdida e sobre a esperança de um dia recuperar o tesouro. Quando Tex e Kit Carson chegam à região perseguindo um grupo de apaches rebeldes, descobrem que o verdadeiro perigo não está apenas nos conflito...