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Renato Russo: 30 anos sem a voz que marcou o rock brasileiro

Em 11 de outubro de 1996, o rock brasileiro perdeu Renato Russo. Ele tinha apenas 36 anos e uma carreira que, embora relativamente curta, havia sido suficiente para transformar a música popular brasileira e estabelecer a Legião Urbana como uma das bandas mais importantes da história do país. Trinta anos depois, suas músicas continuam sendo cantadas, regravadas, descobertas por novas gerações e, principalmente, utilizadas para dizer aquilo que muitas pessoas não conseguem colocar em palavras. Renato Manfredini Júnior nasceu no Rio de Janeiro em 27 de março de 1960, mas foi em Brasília que encontrou o ambiente que moldaria sua personalidade e sua música. Ainda adolescente, passou por uma grave doença óssea que o deixou durante longo período sem poder se locomover. Foi nessa fase que começou a escrever compulsivamente, desenvolvendo a relação com a palavra que mais tarde se tornaria uma de suas principais ferramentas artísticas. Em 1978, aos 18 anos, formou o Aborto Elétrico, ao lado ...
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Frontier: uma ficção científica sobre os limites da humanidade (2026, Comix Zone)

Frontier , de Guillaume Singelin, usa a ficção científica para discutir problemas muito mais próximos de nós do que seus planetas distantes, estações espaciais e naves podem sugerir. Em um futuro no qual a Terra teve seus recursos naturais praticamente esgotados, a humanidade se espalha pelo espaço em busca de novas fontes de matéria-prima. Nesse novo cenário, grandes corporações concentram poder e riqueza, enquanto trabalhadores e colonos enfrentam as consequências de um sistema que privilegia o lucro acima de tudo. É nesse contexto que Singelin acompanha três personagens de origens distintas. Ji-Soo Park é uma cientista interessada nas possibilidades de descoberta oferecidas pelo espaço, Alex é um minerador que cresceu nesse novo mundo, enquanto Camina carrega as marcas de um passado como mercenária. O encontro entre os três conduz uma aventura que, embora tenha elementos clássicos da ficção científica espacial, aborda muito mais a relação entre as pessoas do que a tecnologia. A ...

Harem End: uma sátira grotesca da indústria do entretenimento japonesa (2026, Pipoca & Nanquim)

Harem End , de Shintaro Kago, parte de uma das fórmulas mais reconhecíveis da cultura pop japonesa para fazer exatamente o que se espera do autor: desmontá-la, distorcê-la e levá-la para um território em que romance, humor, erotismo e horror corporal passam a ocupar o mesmo espaço. A premissa parece saída de uma comédia romântica convencional. Itou Seita, um universitário, passa a viver cercado por cinco garotas que representam praticamente um catálogo dos arquétipos dos mangás de harém: a amiga de infância, a tsundere, a noiva, a irmã mais nova e até uma garota que afirma ser uma alienígena. É o tipo de situação construída para alimentar a fantasia do protagonista masculino. Só que estamos falando de Shintaro Kago. E a fantasia rapidamente começa a apodrecer. O grande mérito de Harem End está justamente em utilizar as convenções do gênero contra ele próprio. O leitor reconhece os personagens, as situações e a lógica daquele universo, mas Kago remove progressivamente o confort...

Lavô Tá Novo (1995): o momento em que os Raimundos descobriram até onde podiam chegar

O álbum de estreia dos Raimundos, lançado em 1994, havia colocado a banda de Brasília no centro do rock brasileiro com uma combinação que parecia improvável: hardcore, punk, forró, letras escrachadas e uma energia que não cabia facilmente em nenhuma classificação. Já o segundo disco do grupo, Lavô Tá Novo (1995), seria o responsável por transformar aquela explosão inicial em fenômeno nacional. Produzido pelo inglês Mark Dearnley, que já havia trabalhado com nomes como AC/DC, Black Sabbath e Def Leppard, Lavô Tá Novo apresenta uma banda mais pesada, precisa e consciente das possibilidades de sua própria música. A produção é mais robusta, as guitarras ganharam definição e os arranjos ficaram mais elaborados, mas sem domesticar a personalidade dos Raimundos. A impressão é de uma banda que descobriu como ampliar sua sonoridade sem deixar de ser ela mesma. “Eu Quero Ver o Oco” resume muito bem essa evolução. O riff é pesado, direto e memorável, enquanto a estrutura transforma uma comp...

Sibylline - Crônicas de uma Acompanhante: uma história sobre o preço da independência (2026, Comix Zone)

Sibylline: Crônicas de uma Acompanhante é uma HQ que poderia facilmente cair na armadilha do voyeurismo. Afinal, sua protagonista é uma estudante de 19 anos que começa a trabalhar como acompanhante para conseguir dinheiro enquanto cursa arquitetura em Paris. Sixtine Dano, porém, escolhe um caminho bem mais interessante: em vez de transformar a prostituição em espetáculo, usa essa experiência para construir um retrato sobre juventude, independência, dinheiro, desejo e a relação de uma mulher com o próprio corpo. Raphaëlle chega a Paris tentando construir uma vida nova. A faculdade consome tempo e dinheiro, o trabalho como garçonete não é suficiente e as despesas aumentam. Quando começa a atuar como acompanhante, usando o nome Sibylline, ela encontra uma maneira relativamente rápida de ganhar dinheiro. O que parecia inicialmente uma solução prática, entretanto, começa a interferir em diferentes aspectos de sua vida. É justamente nessa ambiguidade que a HQ encontra sua força. Dano nã...

O Cavaleiro das Trevas: a história que reinventou o Batman (2026, DC de Bolso)

Publicada originalmente em 1986, O Cavaleiro das Trevas ajudou a mudar a maneira como Batman e os próprios quadrinhos de super-heróis poderiam ser vistos. Quarenta anos depois, o mais interessante é perceber que sua importância vai muito além de ter tornado o personagem mais sombrio. Bruce Wayne tem 55 anos, está aposentado há uma década e tenta levar uma vida confortável enquanto Gotham mergulha novamente no caos. A violência cresce, uma gangue conhecida como Mutantes domina as ruas e o comissário Gordon está prestes a se aposentar. Bruce tenta resistir, mas o Batman nunca desapareceu completamente. Ele retorna às ruas mesmo sabendo que seu corpo envelhecido já não é capaz de acompanhar a mesma disposição de décadas atrás. Frank Miller transforma esse retorno em uma história sobre obsessão, envelhecimento, violência e legado. Seu Batman não é exatamente um herói convencional. É um homem consumido pela necessidade de combater o crime, cada vez mais agressivo e disposto a ultrapass...

Raimundos (1994): um dos discos mais importantes do rock brasileiro dos anos 1990

Para quem não viveu a época, não é tarefa das mais fáceis imaginar o impacto do álbum de estreia dos Raimundos quando o disco chegou às lojas em 1994. O rock brasileiro vivia um momento de renovação, e aquela banda de Brasília apareceu com uma combinação que parecia improvável até então: hardcore, punk, heavy metal, forró, baião, humor escatológico e uma energia absolutamente descontrolada. Produzido por Carlos Eduardo Miranda e lançado pelo Banguela Records, o álbum transformou uma experiência underground em um dos acontecimentos mais marcantes do rock nacional dos anos 1990. Rodolfo, Digão, Canisso e Fred não inventaram simplesmente uma fusão entre rock pesado e música nordestina. O diferencial estava em fazer esses elementos funcionarem organicamente. “Puteiro em João Pessoa”, “Nêga Jurema”, “Marujo” e “Palhas do Coqueiro” mostram uma banda que entendia o forró e o baião como parte de sua identidade musical, incorporando seus ritmos e melodias às guitarras distorcidas e à velocid...

Frehley’s Comet (1987): o recomeço de Ace Frehley após o Kiss

É curioso ouvir Frehley's Comet hoje e perceber como Ace Frehley estava tentando encontrar seu lugar em 1987. Cinco anos haviam se passado desde sua saída do Kiss, o hard rock americano havia mudado radicalmente e o guitarrista que ajudara a definir a sonoridade de uma das maiores bandas dos anos 1970 precisava reconstruir sua carreira praticamente do zero. O resultado é um álbum que não tenta repetir o passado, mas também não consegue abandoná-lo completamente. Frehley's Comet é o primeiro disco de Ace depois do álbum solo de 1978 e surgiu de um projeto que originalmente pretendia funcionar como uma banda. Ao lado de Tod Howarth, John Regan e Anton Fig, Ace encontrou uma formação capaz de ampliar suas possibilidades sem apagar sua identidade. Fig, aliás, já havia tocado no primeiro álbum solo do guitarrista, e a produção ficou novamente nas mãos de Eddie Kramer, responsável por aquele disco histórico. A diferença de quase uma década entre os dois trabalhos, porém, é impos...

Mr. Bungle (1991): uma das estreias mais improváveis dos anos 1990

É difícil imaginar uma estreia como a do Mr. Bungle chegando às lojas em 1991. Naquele momento, o rock estava passando por uma transformação profunda, com Nirvana, Pearl Jam, Soundgarden, Red Hot Chili Peppers e Metallica ocupando espaços cada vez maiores. Em meio a esse cenário, uma banda formada por músicos que ainda eram adolescentes quando começaram a tocar apareceu com um álbum de mais de 70 minutos que misturava death metal, funk, ska, jazz, música de circo, hardcore, pop, ruídos e humor grotesco. Não havia exatamente um lugar pronto para o Mr. Bungle. Formado em Eureka, Califórnia, em 1985, o grupo começou tocando death metal, mas rapidamente passou a incorporar tudo aquilo que despertava o interesse de seus integrantes. Trey Spruance, Trevor Dunn e Mike Patton, ao lado de Danny Heifetz, Clinton "Bär" McKinnon e Theo Lengyel, construíram ao longo dos anos uma linguagem própria, que já aparecia nos primeiros demos. A entrada de Patton no Faith No More acabaria colocan...

Obsession (1978): o último grande capítulo da era Michael Schenker no UFO

O UFO estava no auge quando entrou em estúdio para gravar Obsession (1878) . Depois de Phenomenon (1974), Force It (1975), No Heavy Petting (1976) e Lights Out (1977), a banda havia construído uma sequência que a colocava entre os grandes nomes do hard rock britânico dos anos 1970. Ao mesmo tempo, porém, as relações internas estavam cada vez mais complicadas, especialmente entre Phil Mogg e Michael Schenker. O paradoxo é que, enquanto o grupo se aproximava do seu ponto de ruptura, sua música continuava encontrando novas possibilidades. Obsession é o quinto e último álbum de estúdio da formação clássica com Schenker. Produzido novamente por Ron Nevison, apresenta um UFO um pouco diferente daquele ouvido em Lights Out . O peso continua presente, mas há mais espaço para melodias, arranjos sofisticados e uma sonoridade acessível. Não é um disco tão imediatamente esmagador quanto Force It , nem possui a atmosfera épica de faixas como “Love to Love”, mas encontra sua própria identida...