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Genesis Revisited II (2012): Steve Hackett revisita a era de ouro do Genesis em um álbum monumental

Integrante da fase mais celebrada do Genesis entre 1971 e 1977, o guitarrista Steve Hackett ajudou a moldar alguns dos discos mais importantes do rock progressivo. Décadas depois, em vez de simplesmente revisitar esse repertório ao vivo, ele decidiu regravá-lo em estúdio com a experiência adquirida ao longo de uma carreira solo brilhante. O resultado é Genesis Revisited II , um álbum duplo lançado em 2012 que vai muito além de uma coleção de releituras. Sequência de Genesis Revisited (1996), o projeto reúne 21 faixas que percorrem praticamente toda a fase clássica do Genesis, de Nursery Cryme (1971) a Wind & Wuthering (1976). A proposta não é reinventar essas canções, mas apresentar versões que preservam a essência dos arranjos originais enquanto se beneficiam de uma produção moderna, cristalina e extremamente detalhada. Para isso, Hackett convocou um elenco de convidados impressionante. Mikael Åkerfeldt (Opeth), Steven Wilson (Porcupine Tree), John Wetton (Asia), Neal Morse...
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Tex Gigante 37 – O Ouro de Old South: quando o maior inimigo não são os apaches, mas a ganância (2021, Mythos Editora)

Poucos personagens dos quadrinhos atravessaram tantas décadas mantendo sua essência quanto Tex Willer. Ainda assim, a coleção Tex Gigante existe justamente para permitir que grandes artistas apresentem uma visão particular do ranger, em histórias mais longas e visualmente ambiciosas. Em O Ouro de Old South , o roteirista Pasquale Ruju e o desenhista Giampiero Casertano entregam uma aventura que respeita a tradição da série enquanto explora um dos temas mais universais do western: o poder destrutivo da ambição. A história começa nos últimos dias da Guerra Civil Americana, quando um grupo de soldados confederados esconde um carregamento de moedas de ouro em território apache. Anos depois, os sobreviventes fundam a pequena cidade de Old South, construída sobre as lembranças de uma causa perdida e sobre a esperança de um dia recuperar o tesouro. Quando Tex e Kit Carson chegam à região perseguindo um grupo de apaches rebeldes, descobrem que o verdadeiro perigo não está apenas nos conflito...

The Final Frontier (2010): o grande álbum injustiçado da discografia do Iron Maiden

Quando se fala nos discos mais subestimados do Iron Maiden, os títulos que costumam aparecer são The X Factor (1995) e Virtual XI (1998). Ambos ganharam novos admiradores com o passar dos anos, mas, para mim, existe um álbum que sofreu uma injustiça ainda maior: The Final Frontier , décimo quinto trabalho da banda, lançado em agosto de 2010. O motivo não está na qualidade das músicas, mas no momento em que o disco chegou às lojas. Depois da excelente sequência formada por Brave New World (2000), Dance of Death (2003) e A Matter of Life and Death (2006), muitos fãs já demonstravam certo desgaste com a fase mais progressiva da banda. Havia uma expectativa por um trabalho mais direto, mais próximo da energia dos anos 1980. Em vez de atender a esse desejo, Steve Harris e seus companheiros decidiram seguir na direção oposta. O resultado foi um álbum frequentemente rotulado como excessivamente longo ou indulgente. Curiosamente, hoje ele me parece um dos trabalhos que melhor envelhecera...

Ganeshu (2025): novo álbum mostra que, trinta anos depois, o Uganga continua evoluindo

Poucas bandas brasileiras conseguiram construir uma identidade tão particular quanto o Uganga. Desde o início dos anos 1990, o grupo mineiro liderado por Manu "Joker" Henriques jamais se limitou aos códigos tradicionais do thrash ou do hardcore. Em vez disso, fez da mistura sua principal marca registrada, aproximando o peso do metal de elementos do punk, do reggae, do rap e da música brasileira, sempre embalados por letras de forte conteúdo social. Em Ganeshu , décimo álbum de estúdio da banda, essa personalidade atinge um novo patamar. O título sintetiza a proposta do disco ao unir Ganesha, divindade hindu associada aos novos começos, e Exu, entidade das religiões afro-brasileiras ligada aos caminhos, à comunicação e à transformação. A ideia vai muito além do simbolismo: representa uma banda disposta a abrir novas portas sem abandonar a essência construída ao longo de mais de trinta anos de carreira. Ganeshu continua apoiado na combinação explosiva entre thrash metal, h...

Fleetwood Mac (1975): o álbum que reinventou uma lenda do rock

Poucas bandas conseguiram se reinventar de maneira tão profunda quanto o Fleetwood Mac. Em 1975, após uma sequência de mudanças de formação e um período de incertezas, o grupo britânico lançou um álbum que levava simplesmente o seu nome. Embora fosse o décimo disco de estúdio da carreira, Fleetwood Mac , o álbum, funciona como um verdadeiro recomeço. É aqui que a banda assume a identidade que a transformaria em um dos maiores fenômenos do rock dos anos 1970 e prepara o terreno para o clássico Rumours , lançado dois anos depois. A chegada de Lindsey Buckingham e Stevie Nicks foi decisiva para essa transformação. Eles trouxeram uma nova abordagem às composições e aos arranjos, enquanto Christine McVie consolidava seu talento como compositora e melodista. O resultado é um disco em que três personalidades criativas distintas convivem em perfeito equilíbrio, sustentadas pela base impecável formada por Mick Fleetwood e John McVie. Musicalmente, o Fleetwood Mac deixa para trás boa parte d...

Moon Eaters: um quadrinho que parece um grande filme de ação (2026, Poptopia)

Pouco conhecido no Brasil, o quadrinista espanhol Victor Santos nunca escondeu sua paixão pelo cinema, pela literatura pulp e pelos quadrinhos noir. Desde Polar , obra que o projetou internacionalmente e ganhou uma excelente adaptação pela Netflix, o espanhol demonstra um domínio impressionante da narrativa visual e uma capacidade rara de transformar histórias de ação em experiências cinematográficas. Em Moon Eaters , lançado no Brasil pela Poptopia em uma bela edição em capa dura, com 192 páginas e tradução de Lielson Zeni, o autor leva essa proposta um passo adiante ao fundir thriller policial, horror sobrenatural e mitologia nórdica em uma HQ que funciona como uma verdadeira carta de amor à cultura pulp. A trama acompanha Tommy Blackfoot, um ex-presidiário que deixa a prisão após quatro anos decidido a reconstruir a vida ao lado de June, mulher com quem manteve contato durante o período em que esteve encarcerado. O reencontro do casal, porém, dura pouco. Fantasmas do passado volta...

Homem-Aranha: Um Novo Dia e a difícil missão de recomeçar Peter Parker (2026, Marvel de Bolso, Panini)

Quando a Marvel decidiu apagar o casamento de Peter Parker e Mary Jane em Um Dia a Mais , a reação dos leitores foi imediata. Para muitos, tratava-se de uma das decisões editoriais mais equivocadas da história dos quadrinhos de super-heróis. Outros enxergaram na mudança uma oportunidade de devolver o Homem-Aranha às origens. Independentemente da opinião, uma coisa é certa: Homem-Aranha: Um Novo Dia precisava provar que existia um bom motivo para justificar uma mudança tão radical. A resposta veio nas páginas de Amazing Spider-Man #546 a #551, agora reunidas pela Panini na coleção Marvel de Bolso. Em vez de tentar convencer o leitor de que a decisão anterior foi correta, a equipe criativa simplesmente coloca Peter Parker novamente em movimento. Solteiro, morando sozinho, procurando emprego e enfrentando problemas financeiros, ele volta a ser o jovem azarado que conquistou milhões de leitores desde os tempos de Stan Lee e Steve Ditko. O foco dessa nova fase está no cotidiano do pers...

O rock morreu ... porque venceu

Todos os anos, quando chega o Dia Mundial do Rock, a mesma discussão reaparece. Alguém afirma que o rock morreu, enquanto outro responde prontamente que ele continua vivo. Em seguida surgem listas de bandas novas, comparações com o passado, reclamações sobre o streaming e previsões apocalípticas sobre o futuro da música. Talvez a pergunta esteja errada. E se o rock não tivesse morrido? E se ele simplesmente tivesse vencido? Pode parecer um paradoxo, mas poucos movimentos culturais exerceram uma influência tão profunda sobre a música popular quanto o rock. Seu maior triunfo talvez tenha sido justamente deixar de ser apenas um gênero para se tornar uma linguagem. Quando isso acontece, deixa de fazer sentido medir sua importância apenas pelo número de artistas nas paradas ou pela quantidade de discos vendidos. Na década de 1950, o rock era uma ruptura. Nos anos 1960, tornou-se a voz de uma geração. Nos anos 1970, passou a dominar a indústria fonográfica. Nos anos 1980, virou um fenôme...

Tex Gigante nº 36: Indian Carnival transforma o Velho Oeste em um pesadelo fascinante (2021, Mythos Editora)

Ao longo de mais de sete décadas de publicações, Tex Willer já enfrentou todo tipo de ameaça. Bandidos, militares corruptos, políticos inescrupulosos e até forças que parecem desafiar a lógica fazem parte da trajetória do ranger. Em Indian Carnival , porém, Mauro Boselli leva o personagem para um terreno pouco explorado, construindo uma aventura em que o western clássico se funde ao horror gótico e ao suspense psicológico com resultados memoráveis. A história começa de forma tradicional. Tex e seus companheiros seguem a trilha dos violentos irmãos Fortune, mas a perseguição rapidamente os conduz até a misteriosa Indian Carnival, uma feira itinerante composta exclusivamente por artistas indígenas. Cercado por figuras excêntricas, crimes ritualísticos e acontecimentos aparentemente sobrenaturais, o quarteto se vê diante de uma conspiração cuja origem remonta a um passado marcado por injustiça, vingança e culpa. Embora exista bastante ação, o verdadeiro motor da história é o mistério....

Titanomaquia (1993): o disco mais pesado da história dos Titãs

Poucas bandas brasileiras tiveram a coragem de mudar tanto quanto os Titãs. Ao longo da carreira, o grupo passou pelo pós-punk, pelo pop radiofônico, pelo rock e pela experimentação sem jamais perder a identidade. Em 1993, porém, decidiu dar um passo ainda mais ousado. O resultado foi Titanomaquia , um álbum que continua dividindo opiniões mais de três décadas depois, mas cuja importância para o rock brasileiro só cresce com o passar do tempo. O disco nasceu em um momento de transição. Era o primeiro trabalho após a saída de Arnaldo Antunes, um dos principais letristas da banda, e também refletia a mudança de paradigma que o rock vivia no início dos anos 1990. O brilho excessivamente produzido da década anterior dava lugar ao peso cru do grunge e do rock alternativo. Enquanto muitas bandas tentavam se adaptar às novas tendências de forma superficial, os Titãs fizeram exatamente o contrário: mergulharam de cabeça naquele universo. A escolha de Jack Endino para a produção foi decisiv...