“Mas para que você precisa de tantos discos?” . Todo colecionador já ouviu essa pergunta. Às vezes ela vem de alguém que realmente não entende. Em outras, vem acompanhada de uma expressão de espanto diante de uma estante ocupando uma parede inteira. E há ainda aquela versão mais difícil de responder: “Mas você pode ouvir tudo isso no Spotify”. Hoje, praticamente qualquer pessoa com um celular e uma conexão com a internet consegue ouvir milhares de discos que, algumas décadas atrás, exigiriam anos de pesquisa e uma boa dose de sorte para serem encontrados. Um álbum lançado há cinquenta anos, uma banda obscura de heavy metal, uma gravação fora de catálogo ou um disco que nunca foi lançado oficialmente no Brasil podem estar a poucos segundos de distância. Então por que continuar comprando CDs e LPs? A resposta não está apenas na música. E, para entender isso, é preciso voltar ao momento em que a música deixou de ser uma experiência exclusivamente passageira e passou a ocupar espaço fí...
Se Estreito (2002) documentava a ruptura do vocalista Rodolfo Abrantes com os Raimundos e sua tentativa de encontrar um novo caminho, o segundo e autointitulado disco representa um momento diferente: aqui, o Rodox já havia deixado de ser apenas um projeto de Rodolfo para se transformar, de fato, em uma banda. A diferença aparece logo no processo de composição. Marcus Ardanuy, Pedro Nogueira, Patrick Laplan, Fernando Schaefer e DJ Bob participaram da construção das músicas, contribuindo para uma sonoridade mais coesa e pesada. O resultado é um disco que combina hardcore, punk, nu metal, rapcore e elementos eletrônicos, mas sem a variedade estilística que marcava Estreito . Em seu lugar surge uma identidade mais definida, sustentada por guitarras agressivas, bateria pesada, programações eletrônicas e os vocais característicos de Rodolfo. “Segue a Linha” abre o álbum estabelecendo essa proposta com força, enquanto “De Costas para o Mar” funciona como seu grande cartão de visitas. A f...