O álbum de estreia dos Raimundos, lançado em 1994, havia colocado a banda de Brasília no centro do rock brasileiro com uma combinação que parecia improvável: hardcore, punk, forró, letras escrachadas e uma energia que não cabia facilmente em nenhuma classificação. Já o segundo disco do grupo, Lavô Tá Novo (1995), seria o responsável por transformar aquela explosão inicial em fenômeno nacional. Produzido pelo inglês Mark Dearnley, que já havia trabalhado com nomes como AC/DC, Black Sabbath e Def Leppard, Lavô Tá Novo apresenta uma banda mais pesada, precisa e consciente das possibilidades de sua própria música. A produção é mais robusta, as guitarras ganharam definição e os arranjos ficaram mais elaborados, mas sem domesticar a personalidade dos Raimundos. A impressão é de uma banda que descobriu como ampliar sua sonoridade sem deixar de ser ela mesma. “Eu Quero Ver o Oco” resume muito bem essa evolução. O riff é pesado, direto e memorável, enquanto a estrutura transforma uma comp...
Sibylline - Crônicas de uma Acompanhante: uma história sobre o preço da independência (2026, Comix Zone)
Sibylline: Crônicas de uma Acompanhante é uma HQ que poderia facilmente cair na armadilha do voyeurismo. Afinal, sua protagonista é uma estudante de 19 anos que começa a trabalhar como acompanhante para conseguir dinheiro enquanto cursa arquitetura em Paris. Sixtine Dano, porém, escolhe um caminho bem mais interessante: em vez de transformar a prostituição em espetáculo, usa essa experiência para construir um retrato sobre juventude, independência, dinheiro, desejo e a relação de uma mulher com o próprio corpo. Raphaëlle chega a Paris tentando construir uma vida nova. A faculdade consome tempo e dinheiro, o trabalho como garçonete não é suficiente e as despesas aumentam. Quando começa a atuar como acompanhante, usando o nome Sibylline, ela encontra uma maneira relativamente rápida de ganhar dinheiro. O que parecia inicialmente uma solução prática, entretanto, começa a interferir em diferentes aspectos de sua vida. É justamente nessa ambiguidade que a HQ encontra sua força. Dano nã...