Suceder um álbum que alcançou sucesso absoluto sem cair na tentação de repetir a fórmula vencedora é um desafio que poucos artistas conseguem superar. Depois do impacto cultural de Brat (2024), disco que consolidou Charli XCX como um dos principais nomes do pop contemporâneo, o caminho mais previsível seria entregar uma continuação recheada de refrões explosivos e batidas feitas para dominar as pistas de dança. Em Music, Fashion, Film (2026), ela escolhe seguir na direção oposta. O oitavo álbum da cantora britânica é curto, direto e surpreendentemente introspectivo. Em pouco mais de meia hora, Charli troca boa parte dos sintetizadores que marcaram seus trabalhos recentes por guitarras, uma produção mais enxuta e canções que refletem sobre criatividade, fama e o peso de viver constantemente sob os holofotes. O título resume bem a proposta: explorar a conexão entre diferentes formas de arte e o impacto que elas exercem sobre sua identidade como artista. E a capa, com o música John Cal...
Quando Michael Schenker entrou para o UFO em 1973, aos 18 anos, ficou evidente que a banda havia encontrado a peça que faltava para alcançar um novo patamar. Phenomenon (1974) já havia mostrado esse potencial com clássicos como "Doctor Doctor" e "Rock Bottom", mas foi em Force It , lançado um ano depois, que o grupo consolidou de vez sua identidade. O álbum abandonou os últimos vestígios do space rock dos primeiros anos e apresentou um hard rock pesado, elegante e repleto de personalidade, estabelecendo as bases para a fase mais celebrada da carreira do quinteto britânico. Produzido por Leo Lyons, baixista do Ten Years After, Force It exibe uma banda muito mais madura e confiante. Phil Mogg entrega uma de suas melhores performances em estúdio, enquanto Pete Way e Andy Parker formam uma base rítmica sólida, que sustenta cada composição sem excessos. Mas o grande diferencial continua sendo Michael Schenker. Ainda muito jovem, o guitarrista já demonstrava uma capac...