Pele de Homem, HQ escrita por Hubert e desenhada por Zanzim , é daquelas obras que parecem simples à primeira vista, mas revelam camadas cada vez mais densas conforme avançamos na leitura. Publicada originalmente na França e lançada no Brasil pela Editora Nemo , a HQ rapidamente se tornou um dos títulos mais comentados e premiados de sua geração, e não por acaso. Ambientada em uma Itália renascentista marcada por convenções sociais rígidas e forte moral religiosa, a história acompanha Bianca, uma jovem prestes a se casar com um homem que mal conhece. O que poderia ser apenas mais um drama de época ganha um rumo inesperado quando ela descobre um segredo guardado pelas mulheres de sua família: uma pele que permite assumir a forma de um homem. Ao vestir essa “pele de homem” e se transformar em Lorenzo, Bianca passa a circular livremente por um mundo que, até então, lhe era proibido. É a partir desse dispositivo fantástico que a HQ constrói sua força. O que está em jogo aqui não é apen...
Vivid (1988), álbum de estreia do Living Colour, chegou às lojas quando o rock vivia uma espécie de acomodação. O hard rock dominava as paradas, mas raramente se permitia sair de sua zona de conforto. Foi nesse cenário que a banda apareceu como um corpo estranho e absolutamente necessário. Logo de cara, o disco impressiona pela identidade. A guitarra de Vernon Reid é o eixo central: técnica, inventiva e inquieta, ela atravessa o álbum costurando riffs pesados com texturas vindas do funk, do jazz e até da música experimental. Ao lado dele, a banda funciona como uma engrenagem precisa, com destaque para o vocal expressivo de Corey Glover , que alterna agressividade, soul e melodia com naturalidade. Mas é nas músicas que Vivid realmente se impõe. “Cult of Personality” abre o álbum como um manifesto: groove irresistível, refrão explosivo e uma letra que discute a fabricação de ídolos políticos e midiáticos, um tema que só ficou mais atual com o tempo. “Glamour Boys” traz uma crítica d...