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Drome: uma HQ que desafia a maneira de contar histórias (2026, QS Comics)

Drome , de Jesse Lonergan, é uma daquelas histórias em quadrinhos que lembram por que ainda vale a pena falar em linguagem dos quadrinhos. Não apenas em boas histórias contadas através de desenhos, mas em obras que exploram aquilo que existe de particular na relação entre imagem, sequência, espaço e movimento. Publicada originalmente nos Estados Unidos em 2025 e lançada no Brasil pela QS Comics, Drome acompanha uma espécie de mito de criação. A humanidade surge em um mundo ainda marcado pelo vazio e rapidamente revela sua natureza violenta. Para tentar controlar esse comportamento, uma poderosa semideusa é criada e enviada à Terra. A partir daí, Lonergan constrói uma narrativa que atravessa guerras, amor, morte, poder e civilização. A premissa tem algo de primordial, quase como uma lenda perdida entre a mitologia e a ficção científica. Mas é na maneira de contar essa história que Drome realmente se destaca. Lonergan utiliza pouco texto e, em vários momentos, nenhum. Quadros, cores, l...
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Bedside Manners Are Extra (1973): Greenslade, um tesouro escondido do rock progressivo britânico

Existe uma quantidade enorme de grandes discos do rock progressivo britânico dos anos 1970 que acabou ficando à sombra dos gigantes do gênero. Bedside Manners Are Extra , segundo álbum do Greenslade, é um deles. Lançado originalmente em 1973, o disco retorna agora ao mercado brasileiro em uma edição em CD da Melômano Discos, mais de cinco décadas depois de seu lançamento. Formado por Dave Greenslade (teclados), Dave Lawson (vocais e teclados), Tony Reeves (baixo) e Andrew McCulloch (bateria), o Greenslade tinha uma característica que já o diferenciava de praticamente todas as bandas progressivas de sua época: não havia guitarrista. E o mais interessante é que a ausência nunca parece um problema. Pelo contrário, ela é justamente uma das razões que tornam sua música tão particular. Com dois tecladistas ocupando diferentes espaços dentro dos arranjos, a banda construiu uma sonoridade que transita pelo rock progressivo, jazz, blues e psicodelia, mas sem se prender completamente a nenhum de...

Kaijumax - Volume 1: monstros gigantes, dramas humanos (2026, Cyberpulp Comix)

E se Godzilla fosse parar em uma prisão de segurança máxima? A premissa de Kaijumax parece saída de uma conversa de bar entre fãs de tokusatsu, mas Zander Cannon transforma a ideia em algo muito mais interessante do que uma simples brincadeira com monstros gigantes. Publicada no Brasil pela Cyberpulp Comix, esta edição reúne as duas primeiras temporadas da série criada por Cannon, totalizando 320 páginas. O cenário é uma penitenciária construída especialmente para kaijus, onde criaturas gigantes dividem celas, estabelecem hierarquias, enfrentam abusos e tentam sobreviver às regras de um sistema tão violento e corrupto quanto aquele encontrado em qualquer presídio humano. No centro da primeira temporada está Electrogor, um monstro separado da família e jogado em um ambiente completamente desconhecido. A partir dele, Cannon constrói uma história sobre paternidade, violência, preconceito, corrupção, desigualdade e sobrevivência. O mais curioso é perceber como tudo isso funciona sem que a...

Ritual (2002): a estreia do Shaman, grandiosa, mística e muito além do Angra

Quando Andre Matos, Luís Mariutti e Ricardo Confessori deixaram o Angra, em 2000, a expectativa em torno do que fariam a seguir era enorme. Não era apenas o nascimento de uma nova banda, mas a continuidade de uma das formações mais importantes da história do metal brasileiro. Ao lado do guitarrista Hugo Mariutti, os três músicos formaram o Shaman e, dois anos depois, apresentaram Ritual , um álbum que poderia facilmente ter seguido pelo caminho mais óbvio. Em vez disso, a banda decidiu construir uma identidade própria. Ritual (2002) preserva a base do power metal melódico que aqueles músicos ajudaram a consolidar, mas amplia consideravelmente esse universo. Elementos de música clássica, instrumentos étnicos, percussões tribais, coros e atmosferas místicas aparecem ao longo do disco, criando uma sonoridade grandiosa sem fazer o álbum parecer simplesmente uma continuação do Angra. A produção de Sascha Paeth contribui muito para isso. O alemão, então um dos principais nomes por trás ...

We’ve Come for You All (2003): a força do Anthrax na era John Bush

We’ve Come for You All (2003) representa um dos momentos mais interessantes da fase de John Bush no Anthrax. Depois de cinco anos sem apresentar um álbum de estúdio, a banda retornou com um trabalho que recupera parte da agressividade de seus clássicos, mantém a sonoridade mais moderna desenvolvida durante os anos 1990 e mostra que ainda havia bastante combustível no tanque. O intervalo entre Volume 8: The Threat Is Real (1998) e este disco foi marcado por dificuldades com gravadoras, mudanças na indústria musical e um cenário pouco favorável ao thrash metal tradicional. O Anthrax precisava reafirmar sua relevância, mas não fazia sentido tentar reproduzir Among the Living (1987) mais de quinze anos depois. A solução foi olhar para a própria trajetória e reunir diferentes elementos de sua identidade em um álbum que soa pesado, contemporâneo e bastante diversificado. A formação traz John Bush nos vocais, Scott Ian na guitarra, Frank Bello no baixo e Charlie Benante na bateria, com ...

Ultimate X-Men: os mutantes entram no século XXI (2026, Panini)

Reinventar personagens com décadas de história nas costas é sempre uma tarefa delicada. Quando a Marvel criou o Universo Ultimate no início dos anos 2000, porém, essa era justamente a proposta: pegar seus principais personagens, deixar de lado a continuidade acumulada ao longo de décadas e apresentá-los para uma nova geração de leitores. Depois do sucesso de Ultimate Homem-Aranha, chegou a vez dos X-Men. Publicado originalmente em seis edições entre 2001 e 2002, Ultimate X-Men: O Povo do Amanhã retorna como o segundo volume da Ultimate Collection da Panini, e coloca Mark Millar no comando da nova versão dos mutantes, com Adam Kubert e Andy Kubert cuidando da arte. O resultado é uma história que olha para conceitos conhecidos e os reorganiza de maneira mais direta, moderna e, sobretudo, cinematográfica. Charles Xavier reúne um grupo de jovens mutantes para enfrentar Magneto e sua Irmandade, enquanto o governo americano responde ao surgimento dos mutantes com a criação dos Sentinel...

Ultimate Homem-Aranha: a reinvenção de um clássico (2026, Panini)

Recontar a origem do Homem-Aranha sem cair na repetição não é uma tarefa simples. Afinal, a história de Peter Parker é uma das mais conhecidas dos quadrinhos. Em 2000, quando Brian Michael Bendis e Mark Bagley receberam a missão de reconstruí-la para o recém-criado Universo Ultimate da Marvel, a solução encontrada foi menos radical do que poderia parecer: em vez de transformar Peter em outra pessoa, os autores deram mais espaço para desenvolver aquilo que sempre fez do personagem alguém especial. O primeiro volume da Ultimate Collection, publicado pela Panini, reúne as sete primeiras edições de Ultimate Homem-Aranha no arco Poder e Responsabilidade . A história revisita a origem do herói sob uma nova perspectiva, explorando a adolescência de Peter Parker, seus conflitos familiares, suas inseguranças e as descobertas de um garoto que ainda está tentando encontrar seu lugar no mundo. A principal diferença em relação à história original de Stan Lee e Steve Ditko está no ritmo. Com mai...

Giuseppe Bergman: Aventuras Completas 1980–2004: a obra mais inquieta e experimental de Milo Manara (2026, Pipoca & Nanquim)

Poucos quadrinistas europeus conseguiram construir uma identidade visual tão reconhecível quanto Milo Manara. Conhecido principalmente por seus trabalhos eróticos, o artista italiano também desenvolveu uma produção que explora as possibilidades narrativas dos quadrinhos, mistura referências culturais e questiona os limites entre ficção e realidade. Giuseppe Bergman: Aventuras Completas 1980–2004 , lançamento da Pipoca & Nanquim, permite acompanhar uma das experiências mais ambiciosas dessa trajetória em um único volume. Criado no final dos anos 1970, Giuseppe Bergman é um personagem inquieto, insatisfeito com a rotina e disposto a abandonar a segurança do cotidiano em busca de experiências que deem sentido à existência. Essa premissa aparentemente simples serve de ponto de partida para uma sequência de aventuras que atravessa lugares exóticos, situações absurdas, referências históricas e artísticas e reflexões sobre a própria natureza dos quadrinhos. A série também estabelece u...

Searching for the Light (1989): a ópera thrash da Dorsal Atlântica que retratou as contradições do Brasil

Searching for the Light (1989) representa um dos momentos mais ambiciosos da trajetória da Dorsal Atlântica. Terceiro álbum da banda carioca, o disco leva adiante a inquietação artística de Carlos Lopes e transforma o thrash metal em veículo para uma reflexão sobre sociedade, poder e desigualdade. É o primeiro capítulo de uma obra conceitual que teria continuidade em Musical Guide from Stellium (1992) e Alea Jacta Est (1994). A proposta era tão ousada que o projeto chegou a ser imaginado como uma caixa com três LPs. As limitações financeiras, porém, fizeram com que a ideia fosse dividida em três lançamentos. O resultado é uma espécie de ópera-thrash que utiliza uma narrativa distópica para abordar problemas profundamente enraizados na realidade brasileira até hoje. Violência, corrupção, manipulação e estruturas hierárquicas de poder formam o cenário de uma sociedade em busca de alguma possibilidade de transformação. A ironia de "Hierarchic Democracy" sintetiza bem ess...

On the Shortness of Life (2026): Hibria chega aos 30 anos sem viver à sombra do próprio passado

Chegar aos 30 anos de carreira sem ficar preso ao próprio passado é um desafio para qualquer banda. O Hibria conhece bem essa questão. Formado em Porto Alegre, em 1996, o grupo construiu uma reputação internacional com seu power metal veloz, técnico e repleto de passagens instrumentais elaboradas, especialmente a partir de Defying the Rules (2004). Três décadas depois, On the Shortness of Life apresenta uma banda renovada, que preserva parte de sua essência enquanto procura novos caminhos. O álbum também marca a estreia de uma nova formação, com Abel Camargo e Vicente Telles nas guitarras, Benhur Lima no baixo, William Schuck na bateria e Ângelo Parisotto nos vocais. O retorno de Benhur, que participou de Blind Ride (2011) e Silent Revenge (2013), reforça a conexão com uma das fases mais celebradas do grupo. Já Parisotto assume a difícil tarefa de ocupar o posto de vocalista depois de diferentes mudanças de formação e de uma trajetória marcada pela presença de Iuri Sanson. A d...