Harem End , de Shintaro Kago, parte de uma das fórmulas mais reconhecíveis da cultura pop japonesa para fazer exatamente o que se espera do autor: desmontá-la, distorcê-la e levá-la para um território em que romance, humor, erotismo e horror corporal passam a ocupar o mesmo espaço. A premissa parece saída de uma comédia romântica convencional. Itou Seita, um universitário, passa a viver cercado por cinco garotas que representam praticamente um catálogo dos arquétipos dos mangás de harém: a amiga de infância, a tsundere, a noiva, a irmã mais nova e até uma garota que afirma ser uma alienígena. É o tipo de situação construída para alimentar a fantasia do protagonista masculino. Só que estamos falando de Shintaro Kago. E a fantasia rapidamente começa a apodrecer. O grande mérito de Harem End está justamente em utilizar as convenções do gênero contra ele próprio. O leitor reconhece os personagens, as situações e a lógica daquele universo, mas Kago remove progressivamente o confort...
O álbum de estreia dos Raimundos, lançado em 1994, havia colocado a banda de Brasília no centro do rock brasileiro com uma combinação que parecia improvável: hardcore, punk, forró, letras escrachadas e uma energia que não cabia facilmente em nenhuma classificação. Já o segundo disco do grupo, Lavô Tá Novo (1995), seria o responsável por transformar aquela explosão inicial em fenômeno nacional. Produzido pelo inglês Mark Dearnley, que já havia trabalhado com nomes como AC/DC, Black Sabbath e Def Leppard, Lavô Tá Novo apresenta uma banda mais pesada, precisa e consciente das possibilidades de sua própria música. A produção é mais robusta, as guitarras ganharam definição e os arranjos ficaram mais elaborados, mas sem domesticar a personalidade dos Raimundos. A impressão é de uma banda que descobriu como ampliar sua sonoridade sem deixar de ser ela mesma. “Eu Quero Ver o Oco” resume muito bem essa evolução. O riff é pesado, direto e memorável, enquanto a estrutura transforma uma comp...