Entre os chamados Tex Gigantes, poucos volumes deixam uma impressão tão imediata quanto Arizona em Chamas . Publicado originalmente em 1992, o álbum é um exemplo claro de como a série pode expandir seus limites quando coloca lado a lado um roteirista experiente e um artista com identidade visual forte. O ponto de partida é clássico dentro do universo de Tex: o conflito entre colonos brancos e povos indígenas. Mas aqui, Claudio Nizzi conduz a narrativa por um caminho mais sombrio e político do que o habitual. Em vez de uma oposição simplificada entre mocinhos e vilões, o roteiro apresenta uma engrenagem de interesses econômicos, manipulação e violência institucionalizada. O grupo dos chamados Voluntários do Arizona funciona quase como uma milícia legitimada pelo silêncio — ou pela cumplicidade — de figuras influentes. A tensão cresce de forma gradual, sustentada por diálogos que revelam mais do que aparentam e por uma sensação constante de que a situação está prestes a explodir. Qua...
Quando assumiu o título do Homem-Animal em 1988, Grant Morrison não estava interessado em apenas revitalizar um personagem obscuro da DC. O que o roteirista escocês fez nas sete primeiras edições da série, reunidas no volume O Evangelho Segundo o Coiote que a Panini acabou de publicar na coleção DC de Bolso, foi algo muito mais ambicioso: transformar uma HQ de super-herói em um laboratório de ideias. Nos quatro primeiros capítulos, a estrutura ainda parece familiar. Buddy Baker é apresentado como um herói de segunda linha tentando equilibrar a vida doméstica com uma carreira instável, lidando com contas, família e uma sensação constante de inadequação. Mas já aqui surgem sinais de que algo diferente está em curso. Morrison introduz conceitos como a interconexão entre todos os seres vivos (uma espécie de “rede da vida”) e começa a deslocar o foco da ação para reflexões éticas e existenciais. A arte de Chas Truog, finalizada por Doug Hazlewood, acompanha bem essa transição. O traço ...