Se Estreito (2002) documentava a ruptura do vocalista Rodolfo Abrantes com os Raimundos e sua tentativa de encontrar um novo caminho, o segundo e autointitulado disco representa um momento diferente: aqui, o Rodox já havia deixado de ser apenas um projeto de Rodolfo para se transformar, de fato, em uma banda. A diferença aparece logo no processo de composição. Marcus Ardanuy, Pedro Nogueira, Patrick Laplan, Fernando Schaefer e DJ Bob participaram da construção das músicas, contribuindo para uma sonoridade mais coesa e pesada. O resultado é um disco que combina hardcore, punk, nu metal, rapcore e elementos eletrônicos, mas sem a variedade estilística que marcava Estreito . Em seu lugar surge uma identidade mais definida, sustentada por guitarras agressivas, bateria pesada, programações eletrônicas e os vocais característicos de Rodolfo. “Segue a Linha” abre o álbum estabelecendo essa proposta com força, enquanto “De Costas para o Mar” funciona como seu grande cartão de visitas. A f...
Estreito , estreia do Rodox lançada pela Warner Music em fevereiro de 2002, chegou ao mercado em meio a expectativas, polêmicas e profundas transformações na vida de Rodolfo Abrantes. Mais do que apresentar uma nova banda, o álbum documenta uma ruptura decisiva: a saída do vocalista dos Raimundos, no auge da popularidade do grupo, e o início de uma fase marcada por mudanças pessoais e religiosas. É impossível ouvir Estreito sem considerar esse contexto, mas reduzi-lo a um "disco gospel" seria injusto. O álbum é, antes de tudo, um retrato bastante fiel do rock pesado brasileiro do começo dos anos 2000. Hardcore, nu metal, rapcore, reggae, rock alternativo e elementos eletrônicos aparecem lado a lado, refletindo um período em que as fronteiras entre esses gêneros estavam cada vez mais fluidas. Embora creditado ao Rodox, Estreito ainda não representa uma banda plenamente estabelecida. Rodolfo gravou vocais, guitarras e baixo nas 12 faixas, acompanhado por Fernando Schaefer...