26 de ago de 2010

Kiske / Somerville - Kiske / Somerville (2010)


João Renato Alves
Jornalista e Colecionador
@jrenato83

Cotação: ****

E mais uma vez a Frontiers Records surge com um projeto unindo grandes nomes de seu cast. As declarações recentes indicam que Michael Kiske está bem mais à vontade com o mundo do rock pesado. As apresentações com o Unisonic e o reencontro com os fãs o reaproximaram de um sentimento positivo em relação a coisas que o incomodaram nas últimas décadas. Sendo assim, aqui está o cidadão e sua mais que fantástica voz em uma nova empreitada. A novidade fica pela companhia de uma companheira, a norte-americana Amanda Somerville (Aina, Avantasia, entre outros).

As composições do primeiro álbum do projeto Kiske / Somerville ficaram por conta de Mat Sinner (Primal Fear, Sinner), Magnus Karlsson (Primal Fear, Starbreaker, Allen/Lande) e Sander Gommans (After Forever). O estilo adotado no trabalho mescla o hard e o heavy metal, com bastante ênfase nas melodias. O Place Vendome, de Kiske, pode ser um bom parâmetro inicial, embora aqui tenhamos uma dramaticidade maior, realçada pelos duetos.

O disco já começa bem interessante com “Nothing Left to Say”, som com levada mais puxada para o metal e que poderia ter saído no
Pink Bubbles Go Ape, ou até mesmo ter sido uma das passagens mais comerciais dos Keepers, ambos gravados na época em que Michael Kiske fazia parte do Helloween.


Na sequência, o primeiro single, “Silence”, em versão maior que a usada para promoção. Passagens orquestradas ressaltam sua grandiosidade, com a dupla em uma de suas melhores performances de todo o disco. “If I Had a Wish”, segunda música de trabalho, é um
happy happy Helloween misturado com Masterplan do primeiro álbum, e vai fazer a alegria dos saudosistas.

Os riffs mais pesados surgem na abertura de “Arise”, que alterna o peso com trechos mais calmos, criando um clima bem agradável aos ouvidos. Um dos momentos mais brilhantes acontece na cadenciada “End of the Road”. Envolvente, climática e com um refrão simplesmente fantástico, tem tudo para figurar entre as preferidas da galera. Sua complexidade chega a lembrar o Savatage da fase
Edge of Thorns.

O melodic rock surge em “Don’t Walk Away”, canção de fácil assimilação, com grande potencial para hit em épocas mais favoráveis ao estilo. “A Thousand Suns” é uma mid-tempo que, confesso, não me chamou tanto a atenção, exceto por uma passagem de violão lá pelo meio extremamente bonita – sempre gosto desse tipo de coisa.


Certa atmosfera com um quê de gótico dita o ritmo de “Rain”. Não que tenha ficado esquisito, apenas uma curiosidade, tendo em conta o background dos envolvidos. A baladinha dramática aparece em “One Night Burning”, pontuada por um belo piano. Bacana, mas nada demais. “Devil in Her Heart” lembra um pouco as bandas atuais do Scandi-AOR, estilo abraçado pela Frontiers nos últimos anos. O tracklist normal é encerrado com “Second Chance”, aquela que possui influências pop mais acentuadas. O clima mais sereno ficou excelente na combinação de vozes.

Ainda tem a bônus “Set a Fire”, para encerrar de vez. E aí, parece que o Zakk Wylde apareceu para fazer uma participação especial no riff de abertura. A mais heavy atual de todas. Talvez, até por isso, tenha ficado de fora da versão regular, pois soaria um pouco deslocada no contexto.

Um trabalho muito bom, com uma fórmula que, se não é mais tão original como em outras épocas, ainda pode render bons frutos. Penso que a primeira parte é bem superior, embora a metade final tenha seu valor também. Até aqui o trabalho de Michael Kiske que mais se aproximou do que o vocalista fazia em sua época áurea, embora ainda com certa distância. Até porque, sejamos sinceros, se fosse para voltar a fazer o que fazia em 1987 ele saberia como e ainda ganhando bem mais.

Aguardemos agora o Unisonic, próxima empreitada de Kiske a lançar seu play. Até lá, esse aqui preenche bem o tempo de espera.


Faixas:
1 Nothing Left to Say
2 Silence
3 If I Had a Wish
4 One Night Burning
5 Arise
6 End of the Road
7 Don't Walk Away
8 Devil in Her Heart
9 Rain
10 A Thousand Suns
11 Second Chance
12 Set a Fire (Bonus Track)

15 comentários:

Miller disse...

Um dos maiores cantores de todos os tempos, não só com base nos trabalhos do passado, mas também nos atuais. Só resta esperar que venha com o Unisonic ao Brasil para realizar o sonho de milhares de fãs tupiniquins.

robin disse...

A Amanda Somerville é uma cantora magnífica! Com certeza esse negócio deve estar estupendo! Ansioso pra poder comprar isso! *_*

Ricardo Seelig disse...

Não é muito a minha praia, mas parece ser um bom disco.

Diogo disse...

...não só com base nos trabalhos do passado, mas também nos atuais.

Ênfase nisso. Quem acha que a carreira de Kiske se resume ao que ele cantou no Helloween, em especial aos "Keeper of the Seven Keys" não tem noção do que está perdendo. Os discos do Place Vendome são imperdíveis, em especial o primeiro. O que ouvi de Kiske cantando com Amanda pode não ser tão bom quanto o PV, mas ainda assim parece valer muito a pena.

Ricardo Seelig disse...

Não é muito a minha praia, mas respeito muito o trabalho do Michael Kiske. Aliás, acho que um dos melhores momentos dele nos últimos anos está no disco de estreia do Tribuzy, lançado em 2005.

Abraço.

Diogo disse...

Aliás, por onde anda o Tribuzy??? Espero que seu sucesso não dependa apenas das (inúmeras) participações especiais em disco...

Ricardo Seelig disse...

Tribuzy está gravando um novo disco, que deve sair em breve. O Renato Tribuzy está trabalhando bastante também com produção de discos.

Diogo disse...

Uma coisa que irrita nos anúncios de muitos discos de bandas nacionais de heavy metal é a ênfase dada a participações especiais de músicos estrangeiros e a produção/mixagem também efetuada por gringos... porra, será que ninguém se garante pelo próprio talento??? Ou será que o povo é preguiçoso mesmo e precisa desse "incentivo" pra conferir um som nacional?

Ricardo Seelig disse...

Diogo, isso também me incomoda, mas acho que a razão dessa postura é o fato de o brasileiro não dar tanto valor às coisas produzidas aqui no Brasil quanto dá às de fora. Veja o exemplo do Korzus: o último disco deles, Disciples of Hate, é uma pedrada, um trabalho excelente que não fica devendo nada aos grupos estrangeiros. Dito isso, eu pergunto: quantas pessoas aqui ouviram o disco?

Diogo disse...

Vou ser honesto: não ouvi o disco AINDA. Tenho andado nas últimas semanas em outra vibração, ouvindo Poco, The Flying Burrito Brothers, Eagles... então não é o melhor momento para avaliar um disco de thrash metal, mas pretendo escutá-lo logo.

Diogo disse...

Só pra constar e não dizerem que o problema é com o Korzus, também NÃO ouvi os discos novos de Exodus, Overkill, Annihilator, Soulfly, Nevermore...

Mairon Machado disse...

Poco é uma das melhores bandas do inicio da década de 70. O disco das Montanhas é uma aula de musicalidade

Ricardo Seelig disse...

Diogo, música é momento, e a gente passa por fases. Em alguns momentos estamos mais ligados em um gênero, em outro curtimos mais outro estilo. Isso acontece com todo mundo.

Abraço.

Diogo disse...

Pô Mairon, escreve sobre o Poco aí, hehehehe... e ficando nas plagas próximas... Timothy B. Schmitt ou Randy Meisner??? Pergunta dificílima, ao menos para mim...

Mairon Machado disse...

Bah Diogo, vontade nao falta, o problema é tempo. Dificil essa decisão, mas fico com o Jim Messina pra não dar briga, hehehe

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