Discoteca Básica Bizz #057: Roy Orbison - The All-Time Greatest Hits of Roy Orbison (1973)



Ele não possuía alguns dos atributos que eternizaram as obras de seus mais fabulosos colegas e contemporâneos. Não tinha o carisma real de Elvis, apenas flertava com a rebeldia do rock and roll de Jerry Lee Lewis e Carl Perkins, ou às vezes com a pureza country de Johnny Cash. No entanto, Roy Orbison conseguiu inscrever seu nome com louvor nas principais páginas da música pop, influenciando diretamente um imenso leque de estrelas, desde Dylan e os Beatles até Bruce Springsteen, Elvis Costello e Van Halen (que transformou num de seus primeiros hits uma versão para "Oh Pretty Woman"), entre tantos outros.

Quais seriam então as razões para este músico tímido e introspectivo, nascido e criado no interior do Texas, merecer tantas honrarias? O principal motivo deve ter ficado por conta da extrema sinceridade, aliada a uma angústia inerente à sua personalidade, transmitida de forma tocante através das canções que interpretava. Mas não só isto: suas próprias performances - em que o timbre de tenor facilmente transmutava-se em dramáticos falsetes ou finais apoteóticos - combinavam perfeitamente com o clima musical adotado para elas, uma combinação que trazia elementos do country, rock e R&B, indissociavelmente unidos a uma clara herança do canto operístico e das baladas chicanas, reforçadas por ostensivas intervenções de cordas (diretamente ligadas à sua formação).

Oriundo da classe média, até com uma certa fama de bom rapaz (apesar de seus indefectíveis óculos escuros e jaqueta de couro), Orbison preferiu o inconformismo do então insurgente rock and roll para se lançar no show business através da lendária gravadora Sun, de Memphis, sob os auspícios de Sam Phillips (com o compacto "Ooby Dooby"). Porém, pouco depois mudou-se para Nashville, berço da country music, onde pôde desenvolver melhor sua verve romântica. E foi exatamente ali que Orbison - devidamente assessorado pelo produtor Fred Foster - atingiu o ápice de sua carreira.



Após um bom tempo trabalhando só como compositor para uma editora local, ele viu surgir sua grande chance quando "Only the Lonely" - sua segunda gravação como crooner em Nashville - atingiu rapidamente os primeiros lugares das paradas em 1960. Nos quatro anos que se sucederam, este seria apenas o primeiro sucesso de uma lista memorável que englobou "Blue Angel" (1960); "Crying" e "Running Scared" (1961); "Dream Baby" e "Leah" (1962); "In Dreams", "Falling" e "Blue Bayou" (1963); e a já citada "Oh Pretty Woman" (1964), só para ficar nas mais famosas.

É exatamente este fértil período - no qual Orbison estava ligado ao selo Monument e quando vieram à luz seus all-time hits - que está coberto nesta compilação de vinte faixas. O disco (duplo) só foi lançado em 1973, época em que o cantor estava praticamente afastado do cenário musical, traumatizado desde os idos de 66/68, quando perdeu sua mulher em um acidente de moto e dois dos três filhos num incêndio em sua casa em Nashville.

Depois dessa má fase (reiterada por uma complicada operação cardíaca em 1979), Orbison teve sua importância gradativamente reconhecida durante os anos 1980, um processo que culminou com o lançamento dos LPs Mystery Girl e A Black and White Night e a associação aos Travelling Wilburys durante 1988. 

Pouco depois, no dia 6 de dezembro, este incurável romântico faleceu aos 52 anos. Por causa do coração, é claro.

(Texto escrito por Celso Pucci, Bizz #057, abril de 1990)

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