Better Than Raw (1998) representa o momento em que o Helloween deixou definitivamente para trás qualquer sombra da crise criativa dos primeiros anos da década. Se The Time of the Oath (1996) havia recolocado a banda nos trilhos, aqui o grupo soa confiante, pesado e artisticamente maduro, talvez como não soava desde o auge oitentista. A principal diferença está na produção. O trabalho conduzido por Tommy Hansen enfatiza guitarras mais graves e encorpadas, bateria com pegada seca e direta, e menos brilho “fantástico” típico do power metal tradicional. O resultado é um álbum mais agressivo, quase flertando com o heavy metal tradicional em alguns momentos. “Push”, que abre o disco, é praticamente um manifesto: riffs cortantes, andamento veloz e Andi Deris cantando com ataque e personalidade. Deris, aliás, é um dos grandes trunfos do álbum. Sua interpretação aqui é mais emocional, explorando nuances que vão do sarcasmo à introspecção, ampliando o espectro lírico da banda. Um dos aspe...
Quando o filme The Doors , dirigido por Oliver Stone, chegou aos cinemas em 1991, o debate se concentrou quase exclusivamente nas liberdades históricas tomadas em relação à trajetória de Jim Morrison. No entanto, há um aspecto do longa que permanece praticamente incontestável: sua trilha sonora é o verdadeiro coração da experiência. Lançado como The Doors: Original Soundtrack Recording , o álbum que acompanha o filme funciona menos como uma trilha tradicional e mais como uma poderosa coletânea da própria banda. Reunindo gravações originais do The Doors feitas entre 1966 e 1971, o disco apresenta clássicos como “Break On Through”, “Light My Fire”, “Riders on the Storm” e “The End”. Em vez de recriações modernas ou versões regravadas, optou-se por preservar o material original de estúdio, uma decisão que reforça a força atemporal do repertório. Curiosamente, embora o filme traga performances vocais impressionantes de Val Kilmer, cuja interpretação de Jim Morrison é um dos pontos alto...