Google+ #CollectorsRoom ® | música além do óbvio#

21 de abr de 2015

Bye bye, so long, farewell ...

Pensei bastante, e depois de muitas idas e vindas, finalmente decidi parar de escrever sobre música. Percebi que não tenho mais o que dizer. 

Obrigado pelos mais de 10 anos de textos e discos, e pelos seis anos da Collectors Room.

De saída, recomendo aos leitores da CR o excelente @MusicOnTheRun_ , do @fagnermorais http://t.co/W5zoeT1Mgs


20 de abr de 2015

Rádio Mas Que Nada

Sempre quis ter um programa de rádio. Apresentar, tocar, falar. Compartilhar o amor sempre crescente que sinto pela música. O prazer que se renova a cada dia como ouvinte.

Já fiz das minhas. Um amigo tinha um programa em uma rádio nos tempos da adolescência, e frequentemente a programação ficava por minha conta. Por uns tempos, supri essa necessidade com um podcast semanal, que acabou chegando ao fim por incapacidade técnica e de tempo.

Tudo isso pra dizer que a coisa está mais viva do que nunca. Ainda que não do jeito que você imagina. O Spotify, serviço de streaming de música, é uma maravilha. Mudou o meu modo de consumir música. Não lembro a última vez que coloquei um CD pra tocar, e nem quando o toca-discos lá de casa deu o seu último giro. E, apesar disso, vivo um dos momentos em que mais tenho escutado música. O dia todo. Todo dia.

No iPhone, o Spotify me acompanha em qualquer lugar, com o fone de ouvido sempre esquentando as orelhas. Em casa, o iPad tem o seu bluetooth sincronizado com o som, e pronto: o mundo se abre.

Gosto de utilizar esses serviços de streaming fazendo playlists, criando seleções musicais sobre estilos e épocas. Criei uma chamada Mas Que Nada, e lá fui jogando músicas que gosto, que fizeram história, que estou conhecendo, que estou pesquisando. Sou um nerd musical, em alguns momentos beirando a fixação doentia. Tal qual ir de página em página no livro 1001 Discos para Ouvir Antes de Morrer, ver que álbum está ali, ir no Spotify e ouvir faixa por faixa, inserindo as que gosto na playlist do MQN. Fiz a mesma coisa com o meu perfil no RYM

E assim a coisa foi, e continua indo. Até o momento já são quase 3.200 faixas, totalizando aproximadamente 225 horas de música. O que dá mais de 10 diastocando direto, sem repetir nenhuma faixa. 

Tem rock, uns jazz-funk, bastante blues, pop, funk, soul. Coisa boa, que eu gosto, e que não assusta ninguém. 

Onde a rádio entra nisso tudo? Assim, ó: todo dia, acesso essa playlist, coloco no modo aleatório e ela me faz companhia o dia todo. Não sei o que irá tocar, o que virá a seguir. É sempre bom, sempre surpreendente. Recomendo a experiência: aproveite o player abaixo, coloque no random e dê play.

E assim a vida segue, com muita música, em todo lugar e cada vez mais.


13 de abr de 2015

Paul Di’Anno e Machine Head: como esses dois artistas explicam o heavy metal aqui no Brasil

Paul Di’Anno, vocalista dos dois primeiros discos do Iron Maiden, está rodando o Brasil e cidades do interior do país em uma turnê onde toca clássicos do Maiden e, vá lá, uma ou duas canções de discos que lançou após sair da Donzela - e que o público que vai a esses shows não só não conhece como nem faz questão de ouvir. Paul canta sentado, devido aos problemas crônicos no joelho acentuados, ao que parece, por uma queda de moto. Um quadro deprimente, pra dizer o mínimo.

No outro extremo temos o Machine Head, uma das bandas mais interessantes do metal atual, que fará um único show no Brasil (no próximo dia 07/06, em São Paulo), em um local com capacidade menor que a última passagem do grupo por aqui, há alguns anos. E cujo líder, Robb Flynn, se viu obrigado a postar um esclarecimento aos que o questionaram diretamente, nas redes sociais, de o porque de a banda, que está vivendo o seu ápice criativo e crescendo comercialmente, fazer apenas um show por aqui - leia o texto de Robb

Essas duas situações retratam a cena metal do Brasil e levantam questões. O saudosismo exacerbado faz fãs pagarem para ver um vocalista decadente, que há décadas não lança um disco relevante, tocar versões de clássicos da banda que o mesmo músico adora falar mal sempre que tem uma oportunidade. Enquanto isso, um dos nomes mais importantes e criativos do heavy metal vem para o Brasil, mas não tem público para colocar em seus shows. Estamos falando de Paul Di’Anno e Machine Head, mas essa lógica se aplica a diversos outros nomes. Guns ’N Roses e os músicos convidados de Axl, que mais parecem uma banda cover, enchem arenas por aqui. Mastodon, uma banda sensacional, provavelmente não lotaria uma casa de shows sozinha - a banda tocará no Rock in Rio. Dave Evans, vocalista original do AC/DC, tem os álbuns de sua banda lançados no Brasil - quem compra álbuns assim, não faço ideia. O mesmo Mastodon só tem o seu último disco em versão nacional. Ou pode ser a comoção e a histeria coletiva dos sites especializados brasileiros por Kiko Loureiro ser anunciado como novo guitarrista do Megadeth, banda que não grava um álbum minimamente decente desde Endgame (2009), enquanto espaço para bandas nacionais realmente interessantes, como Uganga e Thirven, é cada vez mais restrito.

Esse culto exagerado ao passado é maléfico. Evidentemente, é preciso respeitar e valorizar os artistas importantes do estilo, isso é óbvio. Mas ter a crença de que apenas Black Sabbath, Judas Priest, Iron Maiden e Metallica - complete a lista com outros nomes clássicos - gravaram álbuns relevantes para o gênero, é de um desconhecimento e de uma ignorância assustadores. Já afirmei aqui que Unto the Locust, álbum lançado pelo Machine Head em 2011, é um disco tão bom quanto Powerslave, LP lançado pelo Iron Maiden em 1984. E continuo com essa opinião. É preciso valorizar e reconhecer os grandes nomes que fizeram a história do gênero que amamos, mas para isso não é preciso fechar os ouvidos para o novo. É preciso abrir e manter os ouvidos abertos para o que está sendo produzido agora, mas para isso não é preciso esquecer o passado.


Paul Di’Anno que me desculpe, mas não dá. Seus discos com o Maiden são ótimos, mas sair de casa para ver o vocalista cantar de forma decadente, sentado em uma cadeira porque não consegue se manter em pé, é deprimente, triste e não entra na minha cabeça. Na sua pode ser que sim, mas na minha, não. Prefiro ficar sentado em casa ouvindo o novo do Machine Head, mesmo.

Por Ricardo Seelig


10 de abr de 2015

Manifest - … and for This We Should Be Damned? (2015)

Este é o quarto álbum da banda norueguesa Manifest, e sucede Half Past Violence (2005), Hedonism (2007) e Written in Blood (2010). Lançado no final de fevereiro, … and for This We Should Be Damned? traz um metal atual, agressivo e repleto de groove, com certos elementos de thrash e death na mistura.

A produção é responsável por tornar as dez faixas ainda mais agressivas, com uma sonoridade bem na cara e crua. Essa característica, aliada à violência sonora que permeia todo o play, faz do trabalho uma pedrada forte e certeira. Apresentando ideias que, mesmo não soando inteiramente inovadoras, convencem pela criatividade e pelo talento envolvidos, o Manifest gravou um álbum forte e que se destaca, com potencial para agradar headbangers de todas as idades.

O trabalho de composição apresenta uma pluralidade sadia, que torna a audição uma surpresa agradável, com as canções trilhando caminhos bastante diversos, mas sempre tendo o metal extremo como pano de fundo. Assim, temos momentos mais thrash, outros mais death e até mesmo alguns que beiram o doom. Há elementos meio jazzísticos em algumas passagens, além de uma breve aventura por sonoridades étnicas em “Burning Brimstones”.

Confesso que não conhecia a banda, mas me surpreendi muito positivamente com o que ouvi em … and for This We Should Be Damned?. Trata-se de um álbum convincente, com inegáveis qualidades e canções acima da média. Experimente, vale a pena!

Nota 8

Por Ricardo Seelig


Nova edição da poeira Zine traz o Rainbow em sua capa

A poeira Zine, revista focado em rock clássico editada pelo amigo Bento Araújo, traz na capa da sua nova edição o Rainbow. A pZ#59 tem uma longa matéria sobre a banda que o guitarrista Ritchie Blackmore montou após a sua saída do Deep Purple, e que foi responsável por apresentar ao mundo os talentos de Ronnie James Dio e Cozy Powell, entre outros. O texto conta toda a história do período clássico do grupo, entre 1975 e 1984.

A edição traz também matérias sobre Aphrodite’s Child, The Sonics, Tim Buckley, a parceria entre Howlin’ Wolf e Muddy Waters, além de diversos outros assuntos.

Para adquirir a pz#59, clique aqui e compre direto pelo site da publicação.

Recomendamos a leitura, sempre!

Por Ricardo Seelig


9 de abr de 2015

The Gentle Storm - The Diary (2015)

Todos conhecem Arjen Anthony Lucassen e Anneke van Giersbergen. O primeiro é um dos mais prolíficos e criativos músicos da cena prog (e metal), a mente criativa por trás de nomes como Ayreon e Stream of Passion. Já Anneke ficou conhecida em todo o mundo pela sua passagem no The Gathering, e mais recentemente em sua nova banda, Agua de Annique. Resumindo: dois artistas acima de qualquer suspeita, respeitados e cheios de talento.

Arjen e Anneke juntaram forças no The Gentle Storm, projeto criado em 2014 que tem como objetivo unir a música clássica ao heavy metal, o rock à música folclórica. E o resultado final está em The Diary, estreia da dupla, lançada agora em março. Por mais que diversas bandas tenham trilhado caminhos semelhantes, e por isso mesmo você possa até olhar com certa desconfiança para o The Gentle Storm, o fato é que poucas conseguiram alcançar um resultado final tão primoroso quanto o que ouvimos em The Diary.

O álbum é duplo e traz onze faixas em cada um de seus discos. Na verdade, são as mesmas onze faixas nos dois CDs, porém com arranjos e abordagens completamente distintas. O primeiro, batizado como The Gentle Album, contém interpretações que vão na linha da música clássica e medieval, com instrumentações da época e arranjos que remetem à Idade Média, em um belíssimo trabalho de composição e pesquisa que faz você se sentir, por exemplo, como um cidadão de King's Landing, um personagem de Game of Thrones. Já o segundo CD, chamado The Storm Album, pega as mesmas músicas e insere o rock, o prog e o metal na jogada, trazendo interpretações contemporâneas para as composições. E, outra vez, a qualidade é ostensiva.

Pra quem procura entender as múltiplas possibilidades que a música proporciona, é muito interessante ouvir cada uma das canções em suas diferentes abordagens, e perceber como cada instrumento foi adicionado, como cada detalhe foi evidenciado. É um exercício pra lá de produtivo, e que deixa ainda mais forte a paixão pela música.

São faixas fortes, com coros grandiosos e melodias emocionantes, que sempre pegam o ouvinte pelo coração, conduzindo-o por caminhos repletos de beleza. Sem destaques individuais mas com uma inegável força conjunta, o tracklist é nivelado por cima, assim como as performances de Anneke, Arjen e dos músicos convidados.

The Diary é um disco muito bonito, um estudo musical curioso e interessante, que cativa por sua inegável qualidade.

Excelente trabalho!

Nota 9


8 de abr de 2015

Wino & Conny Ochs - Freedom Conspiracy (2015)

Scott “Wino” Weinrich, a má vontade e a alma por detrás do Saint Vitus, vem tornando seus projetos paralelos tão interessantes quanto o que já fez junto de sua banda principal. Dentre ótimas bandas como The Obsessed e Spirit Caravan até projetos inusitados, caso do The Songs of Townes Van Zandt, Wino & Conny Ochs é mais um de seus trajetos por caminhos além do estilo que o consagrou como músico e compositor.

Freedom Conspiracy, segundo disco de sua parceria com o músico alemão Conny Ochs, prossegue pelos mesmos caminhos sonoros de sua ótima estreia, Heavy Kingdom. Para aqueles que caíram de paraquedas e não sabem do que esse projeto se trata, imagine o melhor do universo blues do Mississipi Delta e passagens country, tudo isto embalado em uma musicalidade envolvente, de instrumental enxuto e uma produção rústica na medida certa, como estes gêneros pedem.

O disco soa como uma honesta homenagem aos gêneros que deram forma aos parâmetros musicais dos músicos envolvidos. A voz soturna e grave de Wino, antes ameaçadora e volumosamente soturna à frente do Saint Vitus, ganha um sentido totalmente diferente, entoando músicas que parecem evocar o espírito autêntico do blues e do country, como a fase de Johnny Cash na série American Recordings e até Willie Nelson. Por sua vez, Conny Ochs serve como contraponto perfeito a Wino, com uma voz que se impõe mas é, ao mesmo tempo, mais acessível aos ouvintes casuais.

O instrumental é fiel ao estilo que se propõe a executar. Nada de intervenções de instrumentos exóticos e técnica apurada, muito pelo contrário. Tudo é feito de maneira simples, passando um clima rústico, mas ao mesmo tempo acolhedor. Os instrumentos de corda, como o violão e a slide guitar, ambos cortantes e ríspidos, prestam-se a executar bases simples e solos curtos, porém marcantes, servindo de contraponto às belas interpretações vocais de Wino e Conny Ochs. Algumas guitarras sem distorções podem ser percebidas no decorrer da audição, mas nem de longe são os protagonistas, mas sim coadjuvantes de peças instrumentais soberbas.

Freedom Conspiracy exala autenticidade e qualidade a cada minuto de sua audição, passando do blues de raiz (“Time out Black Out”), momentos onde a melodia constrói trechos incrivelmente tocantes (“Freedom Conspiracy”, “The Great Destroyer”) até músicas que caberiam perfeitamente em uma playlist familiar (“Sound of a Blue”, “Foundation Chaos”). Freedom Conspiracy é daqueles discos que ficam na memória por um bom tempo depois de findada sua audição. Franco candidato ao pódio das listas de melhores do ano, facilmente.

Nota 10

Por Alissön Caetano Neves, do The Freak Zine