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16 de ago de 2018

Jill Janus, vocalista do Huntress, morre aos 43 anos

quinta-feira, agosto 16, 2018

Jill Janus, vocalista do Huntress, foi encontrada morta nesta quinta. A cantora tinha 43 anos e a suspeita é que ela tenha cometido suicídio. A vocalista sofria de problemas como distúrbio bipolar, esquizofrenia e transtorno de identidade, agravados pelo alcoolismo. Além disso, enfrentou um câncer há pouco tempo.

Janus formou o Huntress em 2009 e gravou três discos com a banda: Spell Eater (2012), Starbound Beast (2013) e Static (2015). 

Opeth lança novo álbum ao vivo

quinta-feira, agosto 16, 2018

O Opeth lançará em novembro um novo material ao vivo. Garden of the Titans virá com um DVD, um Blu-ray e com dois CDs. Tanto o DVD quanto o Blu-ray estarão disponíveis de maneira conjunta e trazem o mesmo material. Já os discos contém o áudio presente no material de vídeo. Ao todo são dez faixas gravadas ao vivo durante a turnê do álbum mais recente dos suecos, Sorceress (2016).

Este será o quarto álbum ao vivo do Opeth e fará companhia à Lamentations: Live at Shepherd’s Bush Empire (2003), The Roundhouse Tapes (2007) e In Live Concert at the Royal Albert Hall (2010).

Garden of the Titans está em pré-venda no site da Nuclear Blast e traz o tracklist abaixo:

DVD/BluRay
1. Sorceress
2. Ghost of Perdition
3. Demon of the Fall
4. The Wilde Flowers
5. In My Time of Need
6. The Devil’s Orchard
7. Cusp of Eternity
8. Heir Apparent
9. Era
10. Deliverance

CD1
1. Sorceress
2. Ghost of Perdition
3. Demon of the Fall
4. The Wilde Flowers
5. In My Time of Need

CD2
1. The Devil’s Orchard
2. Cusp of Eternity
3. Heir Apparent
4. Era
5. Deliverance

Disturbed anuncia novo álbum e mostra primeiro single

quinta-feira, agosto 16, 2018

Encerrando um período de três anos sem material inédito, o Disturbed lançará dia 19 de outubro o seu sétimo disco, Evolution. O álbum traz dez novas canções e conta também com uma versão deluxe que traz quatro músicas extras. O trabalho é o sucessor de Immortalized (2015).

O primeiro single, “Are You Ready”, ganhou um vídeo dirigido por Robert Schober, que já trabalhou com bandas como Metallica, Green Day, Mastodon e Alice in Chains.

Confira o tracklist e o clipe abaixo:

1. Are You Ready 
2. No More 
3. A Reason to Fight 
4. In Another Time 
5. Stronger on Your Own 
6. Hold on to Memories 
7. Savior of Nothing 
8. Watch You Burn 
9. Best Ones Lie 
10. Already Gone

Deluxe edition bonus tracks:

11. The Sound of Silence [live] (featuring Myles Kennedy) 
12. This Venom 
13. Are You Ready (Sam de Jong Remix) 
14. Uninvited Guest

Aretha Franklin morre aos 76 anos

quinta-feira, agosto 16, 2018

Uma das maiores vozes da história da música, Aretha Franklin faleceu hoje, aos 76 anos, em Detroit. Ela lutava contra um câncer no pâncreas e tinha diversos outros problemas de saúde.

Aretha Louise Franklin nasceu no dia 25 de março de 1942 em Memphis, no Tennessee. Começou a cantar desde cedo, primeiramente em igrejas, e durante os anos 1960 e 1970 conquistou os Estados Unidos e o mundo. Aretha passou a ser chamada de The Queen of Soul e gravou clássicos como “Respect”, “Think”, “(You Make Me Feel Like) A Natural Woman” e “Spanish Harlem”, sucessos em todo o planeta.

Durante toda a sua carreira, Aretha Franklin colocou 112 singles nas paradas da Billboard, sendo 77 deles no Hot 100, 17 no Top 10 e 20 no primeiro posto. Ela é a mulher com o maior número de singles nas paradas em todos os tempos. Aretha também recebeu 18 Grammys e é uma das artistas mais vendidas de todos os tempos, com mais de 75 milhões de discos comercializados em todo o mundo. 


Na sua longa discografia, merecem destaque os álbuns I Never Loved a Man the Way I Love You (1967), Lady Soul (1968), Young Gifted and Black (1972) e Amazing Grace (1972), todos obrigatórios para quem gosta de música. Além disso, ficou ainda mais popular com a participação no filme Os Irmãos Cara-de-Pau, lançado em 1980.

Aretha foi induzida ao Rock and Roll Hall of Fame em 1987 e foi a primeira mulher a fazer parte da instituição. A Rolling Stone a considerou uma das 100 Maiores Artistas de Todos os Tempos, em lista publicada em 2004.

Uma perda gigantesca para a música. 

Descanse em paz, Aretha, e obrigado por tudo.

15 de ago de 2018

A crise do mercado editorial brasileiro e as consequências que ela pode trazer

quarta-feira, agosto 15, 2018

O mercado editorial brasileiro, principalmente o de quadrinhos, passa por um momento delicado. O mais recente sintoma foi o anúncio de que a Mythos, a segunda maior editora de HQS do país, decidiu parar de enviar os seus itens para a Saraiva, uma das maiores redes de livrarias do Brasil. O motivo? Curto e grosso: falta de pagamento.

Todo esse processo pode trazer consequências profundas na forma como os quadrinhos - e por extensão os livros, que utilizam praticamente a mesma rede de distribuição e vendas - são comercializados aqui nesse grande e confuso pedaço de terra tropical.

Para entender melhor tudo que está acontecendo, abaixo estão alguns tópicos que apresentam os principais fatos dessa cronologia:

- a partir de 2014, a Amazon, maior rede varejista do planeta, começou a vender livros e HQs no mercado brasileiro. E, como forma de conquistar os leitores, adotou uma política de preços bastante agressiva, com descontos monumentais que fizeram os preços de capa caírem consideravelmente. Os maiores players do segmento na época - Saraiva, Cultura e FNAC - foram alertadas por especialistas a respeito do tsunami que estava vindo na forma da Amazon, mas não reagiram e não traçaram nenhuma estratégia específica patra combater a gigante norte-americana

- aos poucos, passou-se a levantar a hipótese de que a Amazon estava fazendo dumping, que é vender produtos com preço abaixo do custo para conquistar e fidelizar consumidores, estratégia semelhante a que adotou em diferentes mercados em todo o planeta. As demais redes, especialmente a Saraiva, tentaram fazer o mesmo, mas esbarraram em um pequeno detalhe: enquanto na Amazon isto estava previsto e era uma estratégia com fluxo de caixa previsto para ser implementada e dar certo, na Saraiva o caixa não era suficiente. Resultado: a rede, que já tinha uma dívida imensa, apenas aumentou o seu déficit, e hoje especialistas calculam que serão necessários ao menos 12 anos para que a Saraiva consiga quitar as suas dívidas com todos os fornecedores

- no Brasil, os quadrinhos chegam até os leitores de duas maneiras: através das bancas ou pelas livrarias, megastores e gibiterias. Em relação às bancas, o monopólio da distribuição está no Grupo Abril, que é o dono da maior distribuidora de revistas do país. E esse braço distribuidor, como tudo que envolve a Editora Abril, passa por sérios problemas financeiros e está com o seu funcionamento comprometido

- neste sentido, as grandes redes de livrarias acabaram se transformando em canais de distruibuição para as editoras. E é aí que entra o problema: com exceção da Amazon, todos os outros grandes players do mercado - leia-se aí Saraiva, Cultura e FNAC -, não estão pagando as editoras. E, como todo mundo que estudou matemática sabe, quando você tem um custo para produzir um material, vende ele para uma distribuidora ou livraria e não recebe a grana, a conta simplesmente não fecha. Os pagamentos das grandes redes de livrarias para as editoras estão atrasados, em média, quase seis meses. É muita coisa, e é muito difícil manter um negócio vivo dessa maneira

- a FNAC anunciou no final de 2017 que estava deixando de operar no mercado brasileiros. A Livraria Cultura comprou a operação do grupo francês no Brasil, assumiu a sua dívida e vem mantendo as lojas abertas, porém diversas filiais da FNAC já comunicaram os seus funcionários que fecharão as suas portas nos próximos meses


- a Abril anunciou o fim das publicações da Disney, encerrando uma parceria de mais de 50 anos. O motivo, ainda que não tenha sido informado de maneira clara pela editora, passa pela enorme crise financeira e administrativa que vive o grupo, que outrora já foi a maior editora da América Latina. Ou seja: os quadrinhos da Disney, que formaram milhões de leitores em diversas gerações, não estão mais sendo publicados no Brasil. Fala-se que uma outra editora, provavelmente a Panini, estaria negociando o licenciamento com a Disney para voltar a publicá-los por aqui, mas não há nenhuma informação mais concreta sobre isso

- ainda sobre a distribuição, descontente com o contrato que tinha com a empresa do Grupo Abril, a Panini, que é a maior editora em atividade no país atualmente e responde por mais de 80% do mercado de quadrinhos, deu início à montagem de sua própria rede distribuidora. No entanto, atrasos na chegada dos títulos às bancas e outras questões estão fazendo a empresa italiana repensar essa estratégia, e isso está se refletindo no aumento de títulos encadernados em capa cartão enviados para venda na Amazon. Os títulos nesse formato antes eram exclusivos de bancas

- além disso, o Grupo Abril anunciou recentemente o cancelamento de mais de dez revistas, reduzindo o seu portfolio de títulos. Isso é um grande problema porque, em média, mais de 40% do lucro das bancas brasileiras vem da venda de títulos da Editora Abril. De novo: sem venda, sem dinheiro, não dá para manter um negócio ativo. Nesse caso, infelizmente o futuro não é promissor e não será surpresa se um grande número de bancas fecharem as portas nos próximos meses

- seguindo o caminho adotado pela Mythos, outras editoras como a 34, Ubu, Companhia das Letras e Sextante também não estão mais enviando seus títulos para a Saraiva. É muito provável que, devido aos problemas de pagamento, a Panini também retire todos os seus títulos da Saraiva nas próximas semanas. Em relação à Livraria Cultura, a situação não é muito diferente e uma rápida visita a qualquer uma de suas lojas físicas deixa evidente que diversas editoras não estão mais trabalhando com eles. As celebradas mega promoções feitas pela Saraiva nas últimas semanas, vendendo e "torrando" quadrinhos da Panini a preços muito abaixo do valor de capa, estão sendo interpretadas por setores do mercado como uma estratégia para zerar o estoque de HQs da editora nas unidades da rede, seja online ou nas lojas físicas


- a editora Salvat, que publica as coleções de graphic novels da Marvel e outros títulos, retirou seus produtos das bancas por tempo indeterminado, informando que os motivos são “alheios à editora”. A JBC, principal editora brasileira especializada em mangás, também retirou diversos de seus títulos das bancas e está vendendo-os somente em livrarias. Além disso, a JBC anunciou o lançamento de um serviço de quadrinhos online para os leitores 

- publicações destinadas a empresários publicaram diversas matérias informando que a Amazon está trabalhando em uma estratégia para adquirir tanto a Saraiva quanto a Cultura, transformando-se na única grande rede de livrarias em operação no país

- some-se a tudo isso a diminuição do consumo de revistas em formato físico, com uma parcela considerável dos leitores migrando para o formatos online e digital, e temos o ingrediente que faltava em todo esse caldeirão

- finalizando: todo esse processo não está restrito somente ao mercado de quadrinhos e afeta todo o segmento editorial brasileiro, refletindo em bancas, gibitecas, livrarias, livros, revistas, gráficas, indústrias de papel e toda a cadeia produtiva do setor

Enfim: se você gosta de quadrinhos, se você consome livros e se você não vive sem o hábito da leitura, é bom ficar de olho no que está acontecendo no mercado, porque os próximos movimentos e ações ditarão uma provável grande mudança no modo como as publicações chegam aos leitores brasileiros.

Discoteca Básica Bizz #110: Stevie Wonder - Talking Book (1972)

quarta-feira, agosto 15, 2018

Há uma piada dos irmãos Marx que define bem a situação de Stevie Wonder na gravadora Motown. Em Uma Noite em Casablanca, Groucho Marx encarna um diretor de hotel que decide trocar os números dos quartos dos hóspedes. Quando um deles reclama que aquilo seria uma loucura, Groucho replica: "Mas também seria uma diversão dos diabos!".

A maior "loucura" de Stevie Wonder chamou-se Talking Book e cristalizou a independência do cantor em relação aos padrões rígidos da Motown. Até então, na gravadora americana as músicas deveriam ter três minutos – no máximo - e abordar nas letras temas como o amor e futilidades.

Wonder queria ter controle total de suas produções e ainda a liberdade para fazer as músicas que quisesse, com a duração que bem entendesse. Com o passar dos anos, essa exigência ficou cada vez mais cara para os cofres da gravadora e ainda menos rentável, com a perda de prestígio de Wonder. Mas pelo menos ele conseguiu emplacar diversas obras-primas. Talking Book veio mostrar um artista maduro aos 22 anos, brincando com uma invenção dos anos 1970, o sintetizador – que foi descoberto em Music of My Mind, seu disco anterior, também de 1972.

Os instrumentos em que Wonder não meteu a mão foram tocados por gente da categoria de Jeff Beck (o solo de guitarra em "Lookin' For Another Pure Love") e do saxofonista David Sanborn ("Tuesday Heartbreak"). As letras, em sua maioria, falavam da separação de Wonder e Syreeta Wright, da descoberta de um novo amor pelo compositor, de política e misticismo.


"Superstition" foi o maior hit do disco e quase virou um sucesso com Jeff Beck. Wonder havia cedido a música para o guitarrista e se recusava a lançá-la em single. "Você está louco? Esta canção tem de promover o álbum", rebateu o pessoal da Motown. Não é preciso ser nenhum gênio para apostar no sucesso da música, basta ouvir a introdução, com a marcação forte da bateria e o sintetizador de Wonder. O resultado foi um estremecimento da amizade entre o temperamental Beck e o cantor/compositor.

A relação entre Wonder e Syreeta foi destrinchada em "Maybe Your Baby", "Tuesday Heartbreak", "You've Got It Bad Girl" e "Blame It on the Sun". Na primeira, Wonder colocava para fora os fantasmas do ciúme e da solidão, com timbres estranhos de sintetizador e os wah-wahs da guitarra de Ray Parker, Jr. (que depois fez um pífio trabalho solo). "Tuesday Heartbreak" é uma visão irônica sobre o fim de uma relação, e na letra de "Blame It on the Sun", co-escrita com Syreeta, ele busca uma resposta para o fim do amor entre os dois.

Mas ele colocava uma certa esperança no disco. "You Are the Sunshine of My Life" nasceu de seu namoro com a vocalista Gloria Barley, que dividiu os vocais com ele na música. E para quem duvidava de sua capacidade em temas políticos, Wonder rebateu com "Big Brother" - paralelo entre o Grande Irmão de 1984, livro de George Orwell, e o pouco caso do governo americano em relação aos negros.

Quem acha que ele é só baladeiro, tem aqui a prova de seu gênio.

Texto escrito por Sérgio Martins e publicado na Bizz #110, de setembro de 1994

13 de ago de 2018

Quadrinhos: O Corvo - Edição Definitiva, de James O'Barr

segunda-feira, agosto 13, 2018

Não existe fórmula para lidar com o luto. Cada pessoa encontra uma maneira para superar a dor e viver sem aquele alguém que não está mais aqui. O norte-americano James O’Barr transformou a experiência da morte traumática de um ente querido em uma história em quadrinhos que foi adaptada para o cinema e cuja trama acabou impregnada no imaginário popular, tanto pelo roteiro quanto pelos acontecimentos que cercaram sua publicação e adaptação para a tela grande.

O Corvo levou sete anos para ser escrito. O’Barr começou a desenvolver a história após a morte de sua noiva, Beverly, atropelada por um motorista embriagado. A maneira que James encontrou para extravasar a sua dor, para colocar para fora os seus sentimentos e para tentar entender tudo que aconteceu foi essa. O Corvo foi publicado pela primeira vez em 1989, pela Caliber Press. Cinco anos depois, a história foi adaptada para o cinema pela Miramax Films, com direção de Alex Proyas. E outra tragédia aconteceu: durante as filmagens o ator Brandon Lee, que fazia o papel principal, foi atingido por um tiro que deveria ser de festim e acabou falecendo.

O Corvo - Edição Definitiva, publicado no Brasil pela Darkside Books, reúne tudo que James O’Barr produziu e traz ainda mais trinta páginas com artes inéditas, que o autor refez por ter ficado insatisfeito com o resultado original. A HQ saiu no Brasil pela primeira vez em 2003 pela Pandora Books, cuja edição está há anos fora de catálogo. A nova edição da Darkside vem com 272 páginas, capa dura e formato 16 x 23 cm e conta, além das já citadas artes inéditas, também com uma introdução escrita pelo próprio O’Barr, galeria de artes e posfácio.


A HQ relata a história do casal Shelly e Eric, que vivem uma história de amor digna de sonhos, interrompida bruscamente quando ambos são assassinados por uma gangue. Eric então volta à vida pelas mãos de um corvo mágico e sai em busca de vingança. Textualmente, percebe-se de maneira clara os diferentes estágios de dor vividos por O’Barr enquanto escrevia a história. A incompreensão, a revolta e os questionamentos do personagem principal são a incompreensão, a revolta e os questionamentos do autor, em um trabalho poucas vezes visto nos quadrinhos. Além disso, James, que sempre teve uma relação muito próxima com a música, coloca diversas referências ao pós-punk nas páginas, citando bandas como Joy Division e outras de maneira frequente. Já em relação à arte, que é toda em preto e branco, percebe-se uma oscilação constante. Até mesmo pelo fato da HQ ter sido desenvolvida durante longos sete anos, o traço de O’Barr varia muito, e essa característica incomoda. 

A leitura da introdução escrita pelo próprio autor logo nas primeiras páginas deixa claro sobre o que a obra é e o quanto ela foi importante para a sua vida. Ao final da leitura, é impossível não sentir o impacto quase físico dos sentimentos vividos por James O’Barr, e isso, por si só, já coloca O Corvo em um nível raramente visto em uma HQ. Não à toa, o título foi traduzido para diversas línguas e já vendeu mais de 750 mil cópias em todo o mundo.

Graficamente, a edição segue o alto padrão que já estamos acostumados a encontrar nos títulos da Darkside Books, e o material é realmente muito bonito.


O Corvo é uma catarse emocional em forma de história em quadrinhos, e ela vem com todos os ingredientes comuns a trabalhos desse tipo. O roteiro, em alguns pontos, passa uma certa confusão - ou seria desespero? - para o leitor, enquanto a arte varia entre os capítulos. A leitura da trágica história de amor vivida por Eric e Shelly é densa, perturbadora e dolorida, e ao final da experiência você está combalido por tudo que foi apresentado.

Quem procura um título que vai muito além dos quadrinhos convencionais, encontrará em O Corvo uma ótima dica.



Discoteca Básica Bizz #109: Mahavishnu Orchestra - Birds of Fire (1973)

segunda-feira, agosto 13, 2018

Aos 27 anos, o guitarrista inglês John McLaughlin chegou a Nova York convidado para uma revolução. Miles Davis, que tinha acabado de ouvir seu primeiro disco solo (Extrapolation, de 1969), queria McLaughlin na superbanda que iria eletrificar o jazz. O resultado imediato: os álbuns In a Silent Way, ainda em 1969, e Bitches Brew, no ano seguinte.

Combinando influências que iam do gosto pela música erudita até o blues tradicional e a prática como um músico de rhythm and blues (com a Graham Bond Organisation e com Brian Auger) e o free jazz, McLaughlin foi um dos esteios de Miles na formulação do jazz fusion. Em Bitches Brew, uma faixa intitulada "John McLaughlin" não deixava dúvidas do apreço de Miles pelo guitarrista, com quem ele tocou e gravou esporadicamente até 1985.

Mas McLaughlin foi ainda mais fundo na fusão com o rock ao lado do baterista Tony Williams, outra cria de Miles, na banda Lifetime. Ao mesmo tempo, ia gravando seus próprios discos - Devotion (1970), o acústico My Goal's Beyond (1971) -, sempre unindo intensidade bluesy, timbres inusitados, fraseados rapidíssimos e um lirismo inspirado pelas filosofias orientais - McLaughlin já era praticante de ioga desde meados dos anos 1970. Um encontro com Jimi Hendrix (que foi registrado no bootleg Electric Birthday Jimi, de 1969) também deixou clara a admiração mútua e o impulso transformador dos dois guitarristas.


E a síntese de tudo isso seria feito com a Mahavishnu Orchestra, fundada por McLaughlin em um verdadeiro agrupamento multinacional, recrutado basicamente entre os sidemen de Miles: o tecladista tcheco Jan Hammer (um dos pioneiros no uso do sintetizador), o baixista irlandês Rick Laird, o violinista americano Jerry Goodman (ex-The Flock) e o exímio baterista Billy Cobham, nascido no Panamá. O primeiro álbum, The Inner Mounting Flame (de 1971, creditado a John McLaughlin and The Mahavishnu Orchestra e produzido pelo guitarrista), ainda agregava partículas de country e soul à receita e esboçou o disco definitivo deles: Birds of Fire.

Esse, creditado e produzido coletivamente, pode ser considerado parte do tripé definitivo do jazz fusion ao lado de Heavy Weather (1977), do Weather Report, e No Mistery, (1975) do Return to Forever - todas elas formações originárias da banda de Miles.

Ao longo das décadas seguintes, o jazz fusion despencaria em um processo de diluição, de mesmice e de conservadorismo, como as próprias formações seguintes da Mahavishnu Orchestra vieram comprovar, não mostrando mais o mesmo vigor.

Mas composições com a estirpe da épica "Birds of Fire", da evocativa "Thousand Island Park" ou da inventiva "Miles Beyond" ainda permanecem como um real testemunho de um tempo de liberdade. 

Texto escrito por Alex Antunes e publicado na Bizz #109, de agosto de 1994

10 de ago de 2018

Vida de Júpiter Maçã será contada em livro

sexta-feira, agosto 10, 2018

Os jornalistas Cristiano Bastos e Pedro Brandt são os autores de Júpiter Maçã: A Efervescente Vida e Obra, livro que conta a trajetória do cultuado músico gaúcho Flávio Basso, que ficou conhecido como Júpiter Maçã e Jupiter Apple. O título é o primeiro lançamento da Plus Editora e chegará às livrarias em setembro. Bastos falou sobre o projeto: “Encaramos Flávio Basso como uma das maiores figuras do rock brasileiro, não apenas por sua obra como por todas as histórias que o circundam". 

Cristiano Bastos é o autor do excelente Gauleses Irredutíveis - Causos e Histórias do Rock Gaúcho, livro que conta a história do rock do Rio Grande do Sul através de depoimentos dos próprios músicos envolvidos.

Flávio Basso faleceu em 21 de dezembro de 2015, aos 47 anos. O vocalista e guitarrista fez parte do TNT e dos Cascavelletes, duas das bandas mais icônicas do rock gaúcho. Com os Cascavelletes gravou dois discos - a estreia de 1988 e Rock’a'ula (1989) -, além da faixa “Sob Um Céu de Blues”, considerada um dos maiores hinos do rock produzido no RS. Mas foi a partir de 1997, quando assumiu a alcunha de Júpiter Maçã, que Basso alcançou reconhecimento da crítica nacional. Seu primeiro álbum, A Sétima Efervescência, saiu em 1997 e é considerado um dos grandes discos do rock brasileiro. Carregado de psicodelia, trouxe uma nova abordagem para o trabalho de Basso, seguida nos trabalhos seguintes, Plastic Soda (1999) e Hisscivilization (2002).

Panini confirma reimpressões de Preacher e Sandman

sexta-feira, agosto 10, 2018

Dois dos títulos mais cultuados e celebrados pelos fãs de quadrinhos ganharão novas impressões. A informação foi confirmada pela Panini em seu site.

Preacher terá os volumes 4, 5 e 6 reimpressos. O trio está esgotado há tempos e a nova tiragem era um desejo dos leitores. Elas foram publicadas em outubro e dezembro de 2014, respectivamente, e dão sequência à clássica séria criada por Garth Ennis e ilustrada por Steve Dillon. Preacher Volume 4: Histórias Antigas, Preacher Volume 5: Rumo ao Sul e Preacher Volume 6: Guerra ao Sol voltarão às bancas e livrarias em datas que ainda serão anunciadas pela editora.

Em relação a Sandman, a Panini lançará Sandman: Edição Definitiva Vol. 5. Este volume reúne Os Caçadores de Sonhos (versões Yoshitaka Amano e P. Craig Russell), Noites Sem Fim e Sandman: Teatro do Mistério, encerrando tudo relacionado a série. Ainda no universo do Mestre dos Sonhos teremos Sandman: Prelúdio Edição de Luxo, reunindo os três volumes do Prelúdio e material extra. A editora também confirmou a reimpressão dos quatro volumes da edição definitiva da obra de Neil Gaiman, que estavam praticamente esgotados. Assim como Preacher, as datas em que esse material de Sandman chegará às bancas e livraras ainda não foram anunciadas pela Panini.

Stratovarius anuncia novo disco e mostra canção inédita

sexta-feira, agosto 10, 2018

Uma das principais bandas da cena de metal melódico que conquistou o mundo na segunda metade dos anos 1990 e no início da década de 2000, os finlandeses do Stratovarius anunciaram um novo álbum para setembro. Enigma: Intermission 2 chegará às lojas dia 28/09.

O disco é na verdade um projeto sinfônico que vem com três músicas inéditas: “Enigma”, “Burn Me Down” e “Oblivion”. Conceitualmente, o trabalho é similar ao álbum Intermission (2001), disco com covers, faixas ao vivo e músicas bônus lançado entre Infinite (2000) e as duas partes de Elements (2003). Ao todo, o álbum vem com 16 faixas, sendo nove delas composições bastante raras e que acabaram ficando meio que escondidas na extensa discografia do grupo.

O Stratovarius também divulgou o vídeo de “Oblivion”, que você pode assistir abaixo.

Este é o tracklist de Enigma: Intermission 2:

1. Enigma (brand new studio song; recorded 2018) 
2. Hunter† 
3. Hallowed†† 
4. Burn Me Down (brand new studio song; recorded 2018) 
5. Last Shore†† 
6. Kill It With Fire* 
7. Oblivion (brand new studio song; recorded 2018) 
8. Second Sight* 
9. Fireborn† 
10. Giants* 
11. Castaway* 
12. Old Man and the Sea††

Brand new orchestral versions (all recorded 2018)
13. Fantasy 
14. Shine in the Dark 
15. Unbreakable 
16. Winter Skies

* previously unreleased in Europe 
† rare bonus track 
†† rare bonus track; first time on CD

Discoteca Básica Bizz #108: Blue Cheer - Vincebus Eruptum (1968)

sexta-feira, agosto 10, 2018

Nem Led Zeppelin, nem Black Sabbath, muito menos Deep Purple. Além de terem surgido depois do Blue Cheer, estes grupos pegavam leve se comparados ao trio californiano peso pesado, que foi o verdadeiro inventor do heavy metal. Foi a banda que projetou os arquétipos da corrente hard/heavy do rock, através de vocais ultra agressivos, amplificação saturada, microfonias e distorções elevadas, sem falar no visual desgrenhado.

Formado por volta de 1966 em plena San Francisco psicodélica, o Blue Cheer (nome de um tipo poderosíssimo de LSD) contava com o baixista/vocalista Dickie Peterson (egresso de uma banda obscura chamada Oxford Circle), o guitarrista Leigh Stevens e o baterista Paul Whaley. Eram gerenciados por um tal de Gut, que foi um dos fundadores dos Hell's Angels - e não por acaso, o trio se tornou a banda predileta da violenta gangue de motoqueiros.

Eles já entraram arrebentando na alucinada cena musical vigente em 1968 com o álbum de estreia, Vincebus Eruptum. O petardo era aberto com uma das marcas registradas do grupo: a versão absolutamente detonante de "Summertime Blues", hit do rocker Eddie Cochran. Só que eles transformaram o rockabilly original no som mais pesado e ensandecido feito até então. O disco seguia com "Rock Me Baby", de B.B. King, em uma cover que levava às últimas consequências a eletrificação do blues urbano.


As três canções do grupo presentes no disco - todas compostas por Peterson - também não deixavam por menos. "Doctor Please" sugeria que o cantor necessitava de ajuda médica para suportar as divagações lisérgicas, tamanha a demência sonora de seus quase nove minutos. "Out of Focus" mostrava o lado mais pop da banda com um riff pegajoso permeando a música toda, enquanto a brutalidade musical retornava em "Second Time Around", com andamentos disformes, paradas bruscas e solos extensos - bem antes que isso se tornasse lugar comum e puro exibicionismo através das décadas seguintes.

Após muito ácido lisérgico e incontáveis garrafas diárias de destilados, Stevens afinal foi substituído pelo guitarrista do Other Half, Randy Holden. Posteriormente, Peterson mudou toda a formação e incluiu teclados ao som do grupo.

Assim, de forma paradoxal, enquanto os tempos iam se tornando mais metálicos, a sonoridade do Blue Cheer ficava cada vez mais amena e rebuscada, até se esgotar em 1970. Houve algumas tentativas de revival, sem maiores resultados, mas o grupo deixou sua marca sonora nua e crua no rock and roll. Distante do virtuosismo de um Jimi Hendrix ou de um Cream, o trio era odiado pela crítica por sua incompetência técnica, sendo que eram justamente naqueles três acordes com resoluções inusitadas que residiam seus maiores méritos e o charme da música deles. 

Pioneiros no crossover punk metal, Peterson e companhia desbravaram os caminhos para formações como The Stooges e MC5 e foram tudo aquilo que a turma de Seattle, neo-hippies e afins tentaram ser, mas nunca conseguiram.  

Texto escrito por Sérgio Barbo e publicado na Bizz #108, de julho de 1994

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