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28/10/2014

O fone de ouvido e a vida

O cérebro desliga. O ritmo hipnotiza, coloca em transe. É possível sentir a dopamina jorrando forte, deixando os neurônios em ponto de bala. Que às vezes geram raciocínios e em outras tantas apenas descarregam e limpam a mente.

Isso se dá pela música. Quanto mais alto o volume, maior o transe. É o combustível que dá energia, levando os passos para qualquer lugar.

Gostaria de bater uma radiografia do meu cérebro nestes momentos. Fico curioso em saber o que acontece dentro da minha cabeça careca e reluzante quando estou neste estágio alfa. Fato que tem se repetido cada vez mais, transformando-se em rotina nestes tempos de Spotify, onde a música está sempre ao lado, 24 horas e em qualquer lugar.

Pra amaciar os tímpanos e sangrar os ouvidos, alguns discos que estão tocando atualmente por aqui:


27/10/2014

Within the Ruins: crítica de Phenomena (2014)

No início dos anos 1990, a banda sueca Meshuggah se destacou por mostrar ao mundo um heavy metal repleto de quebras de ritmo, com muito peso e harmonias desconcertantes. Discos como Destroy Erase Improve (1995), Nothing (2002) e Catch Thirtythree (2005) apresentaram novos conceitos, novas ideias, e caíram como uma bomba na cabeça de todo uma geração.

O Meshuggah segue firme e forte e mantendo-se relevante com excelentes registros como Obzen (2008) e Koloss (2012). E seus filhos diretos batem à porta com uma força cada vez maior. 

Na estrada desde o final da década de 2000, a banda norte-americana Within the Ruins segue os passos dos suecos com primazia e enorme talento. Com quatro discos nas costas, o grupo lançou em julho passado o seu mais recente registro, Phenomena. Trata-se de um dos maiores e mais bem trabalhados encontros entre o metal e a … matemática! Sim, você leu bem: matemática. O som do Within the Ruins traduz a trigonometria em acordes, teoremas em riffs, Bhaskara em ritmo. 

Phenomena é um disco excelente, onde o death metal anda de mãos dadas com o groove, com o thrash, com elementos prog, com inovações rítmicas e arranjos criativos. Um álbum que mostra o Within the Ruins dando um passo à frente, encontrando a sua identidade definitiva e demonstranto, por A+B, o porque de ser uma dos nomes mais intrigantes do cenário atual.

Saindo dos números e vindo para o chão, para a terra firme, um dos aspectos que mais gostei em Phenomena foi o uso de um elemento que, para mim, funciona como a cereja do bolo: o teclado. No meio do peso colossal, intervenções certeiras inserem melodia às faixas, tornando-as ainda mais fortes e cativantes.

Trata-se de um dos discos mais intensos e inquietantes que escutei nos últimos meses. Inteligente, cerebral, emocional, agressivo, tudo ao mesmo tempo, ao infinito e além. A instrumental “Enigma” é, fácil, uma das melhores canções de metal de 2014, e as dez faixas restantes seguem este alto nível.

Demais. Ouça, apenas isso.

Nota 9


+ John Symon Asher Bruce (14/05/1943 - 25/10/2014) +


Jack Bruce, um dos mais influentes músicos, compositores e baixistas do rock, faleceu neste sábado aos 71 anos.

O lendário integrante do Cream sucumbiu a problemas no fígado, contra os quais lutava já há alguns anos.

Se você gosta de rock pesado, esse senhor, mesmo que você não saiba, tem grande influência na sua vida.

Abaixo, como uma pequena homenagem e lembrança, a minha música preferida do Cream:


22/10/2014

Slipknot: crítica de .5: The Gray Chapter (2014)

Por mais que o mercado musical esteja totalmente mudado, muito longe do que foi há apenas alguns anos atrás, alguns nomes ainda conseguem mobilizar multidões. E o Slipknot é, indiscutivelmente, um desses poucos eleitos. Muito provavelmente a maior e mais popular banda surgida no heavy metal nos últimos 15 anos, o combo de mascarados deixou a sua marca não apenas nos fãs, mas também na forma como o metal se desenvolveu na última década.

A sonoridade agressiva, que une riffs death/thrash com uma bateria psicótica, inserções eletrônicas e vocal doentio, conquistou milhões de fiéis em todo o planeta. Um feito e tanto para uma música que não tem nada de amigável, de acessível, e que passa longe de uma assimilação fácil e instantânea. O Slipknot conseguiu construir uma identidade única, e isso é digno de elogio no cenário metálico contemporâneo, um misto de muitas bandas com sonoridades pasteurizadas e com propostas excessivamente similares, onde apenas um número reduzido se destaca.

Após seis anos de silêncio, os norte-americanos estão de volta com o seu novo disco, .5: The Gray Chapter, sucessor de All Hope is Gone (2008). No meio disso tudo, a morte do baixista Paul Gray por uma overdose em 2010 e a saída de um de seus principais integrantes, o baterista Joey Jordison. A longa pausa e as mudanças, logicamente, fizeram com que a expectativa em torno deste quinto álbum fosse gigantesca. O bom é que a banda deu conta e lançou um trabalho muito bom, digno de sua trajetória.

Ainda que The Gray Chapter derrape em alguns momentos, principalmente quando soa mais acessível e próximo do universo do Stone Sour (banda onde também estão o vocalista Corey Taylor e o guitarrista Jim Root) - e isso é claramente perceptível em faixas como “Killpop” e “Goodbye" -, esse pequeno equívoco não chega a compremeter. A quantidade de acertos, de boas canções, é muito superior, e conserta qualquer possível cara torta. 

O play já começa chutando bundas. Após a introdução climática de “XIX”, o Slipknot coloca de cara uma declaração de retorno com “Sarcastrophe”, canção com o DNA da banda e com tudo que a tornou única e popular no cenário: riffs sincopados, bateria cavalar, vocal cuspido, ritmo pulsante. E então, sem aviso, somos brindados com a excelente “AOV”, uma das melhores faixas já gravadas pelo grupo em toda a sua carreira. Com um riff meio Slayer, é uma espécie de techno-thrash pesadíssimo, um soco na cara, um chute no peito e todos esses clichês que a gente usa para explicar algo que causa um impacto imediato. 

Mostrando que o tempo longe da estrada fez bem, a banda dá de bandeja aos fãs outras faixas consistentes. Entram nesse grupo “The Devil In I”, “Skeptic” e “Lech”. E, como querendo mostrar que ainda são relevantes, que ainda fazem a diferença e são capazes de ditar e determinar caminhos aos seus seguidores, o Slipknot despeja na cabeça dos ouvintes mais duas pedradas pesadíssimas e dignas de nota: “Custer" e “The Negative One”. 

Não vou me estender muito em analogias e em tentativas de traduzir em palavras o que esse disco me fez sentir. Acho que é mais efetivo afirmar que, desde que coloquei os ouvidos em The Gray Chapter, não consegui mais parar de ouvi-lo. E isso, meus amigos, sempre diz muito sobre um disco.

Nota 8,5


17/10/2014

Wovenwar: crítica de Wovenwar (2014)

O Wovenwar é fruto de toda a confusão em que Tim Lambesis, vocalista do As I Lay Dying, transformou a sua vida. Preso por planejar o assassinato de sua esposa, o músico forçou os demais integrantes a darem uma pausa na banda. Mas não em suas carreiras, como atesta o Wovenwar. Os demais músicos juntaram forças com o vocalista Shane Blay e tocaram o barco adiante.

O resultado é o autointitulado álbum de estreia do Wovenwar, lançado no início de agosto pela Metal Blade. De modo geral, as 15 faixas do play apresentam similaridades com o As I Lay Dying, e não havia como ser diferentes, afinal 80% dos integrantes são os mesmos. No entanto, a principal característica que diferencia o som dos dois quintetos é a maior acessibilidade do Wovenwar em relação ao As I Lay Dying. As canções são mais pegajosas, com refrãos sempre marcantes e doses às vezes até exageradas de melodia. Em certos momentos, daria até para classificar a música do Wovenwar como uma espécie de metalcore pop, se é que isso existe.

Mas não se assuste, pois, apesar do possível estranhamento inicial, o disco soa bastante agradável e com diversos bons momentos. Há grandes canções por aqui, como “All Rise”, “Death to Rights”, “Ruined Ends” e “Identity”, e que cairão como uma luva nos órfãos do AILD. Porém, várias faixas acabam soando açucaradas demais, transmitindo a incômoda sensação de uma banda presa à uma fórmula - no caso, riff com melodia, versos agressivos e refrão novamente melodioso. Não que isso seja de todo ruim, mas o fato é que, tirando as canções acima citadas e mais outras poucas, o álbum não chegar a empolgar como se esperaria.

O Wovenwar, de uma maneira sadia e refrescante, também tenta sair do comum e trilha caminhos até inéditos se compararmos com o As I Lay Dying. Exemplos disso são faixas como “Father/Son” e “Prophets”, composições contemplativas e que fogem totalmente do que se esperaria encontrar em um álbum com o envolvimento de músicos com tal background. Ainda que não acerte necessariamente na mosca, essa atitude é bem-vinda e mostra uma sempre saudável inquietude artística.

Com o Wovenwar, os fãs do As I Lay Dying continuam tendo uma banda para chamar de sua. E, a julgar pelo tamanho da encrenca em que Lambesis se meteu, está aqui o futuro de seus antigos companheiros - e, espera-se, também de seus fãs.

Nota 6,5 


Revocation: crítica de Deahtless (2014)

Tenho um fraco pela melodia. Heavy metal faz parte da minha vida. Portanto, quando a melodia se une ao peso, e vice-versa, há uma grande possibilidade de que o resultado agrade meus ouvidos. É quase covardia, até diria. Por todos esses motivos, Deathless, novo álbum da banda norte-americana Revocation, é meu novo caso de amor sonoro. Um death/thrash técnico, bem executado, construído a partir de doses generosas de peso e melodia. Não tem como ser ruim.

E, é claro, não é. Deathless soa consistente do início ao fim, com canções fortes e que cativam de imediato. São riffs grooveados, bateria criativa e repleta de bumbos duplos, tudo amarrado com variações rítmicas sempre presentes, que fazem as canções transitarem por diversos caminhos.

Pra quem gosta desse death/thrash melódico e que bebe sem medo no groove, trata-se de um prato cheio. O vocal de Brett Bamberger acaba sendo uma espécie de cereja no bolo, com o timbre gutural do moço indo de tons médios até alguns mais agudos, mas sem nunca ultrapassar aquele limite que faz com que alguns vocalistas de metal extremo soem como bruxas amaldiçoadas e desafinadas.

Entre as influências, percebe-se a presença de elementos em comum com Sylosis, Death, Morbid Angel e até mesmo Deicide. E, em certos trechos, a destemida experimentação na linha de nomes como Mastodon também bate ponto. Tudo isso constrói uma sonoridade não apenas consistente, como já comentado, mas sobretudo empolgante e inspiradora.

Gostei muito de Deathless. Está rolando sem parar nos meus ouvidos. Dê no play abaixo e você correrá o risco de viver uma experiência parecida.

Nota 8


16/10/2014

Ouça “Something for Nothing”, nova música do Foo Fighters

A faixa faz parte de Sonic Highways, oitavo álbum da banda de Dave Grohl, com data de lançamento marcada para o dia 10 de novembro. Detalhe: o riff que surge no meio da canção é bastante semelhante ao de "Holy Diver", do falecido Dio.

Dê play e diga aí: gostou?