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26 de abr de 2017

22 curiosidades sobre 5150, a estreia de Sammy Hagar no Van Halen

quarta-feira, abril 26, 2017

- 5150 é o primeiro álbum do Van Halen com Sammy Hagar. O guitarrista e vocalista substituiu David Lee Roth, que havia gravado os seis primeiros discos e saiu do grupo em 1985

- sétimo álbum do Van Halen, 5150 foi lançado no dia 24 de março de 1986, uma segunda-feira

- a gravadora da banda, a Warner, chegou a sugerir que Eddie e Alex Van Halen encerrassem as atividades do grupo devido à dificuldade em encontrar um substituto para David, que era muito popular entre os fãs. Nomes como Patty Smith, Eric Martin e Jimmy Barnes foram considerados para o posto

- o nome de Sammy Hagar surgiu em julho de 1985, após Eddie levar a sua Ferrari para o concerto e comentar com o seu mecânico sobre a dificuldade em encontrar um novo vocalista. O mecânico, que era fã do Montrose, sugeriu o nome de Sammy para Eddie, e a partir daí tudo mudou

- antes do Van Halen, Sammy Hagar havia feito parte do Montrose, uma das mais cultuadas bandas do hard rock setentista, liderada pelo guitarrista Ronnie Montrose

- além disso, Hagar também já tinha uma estável carreira solo, cujo principal hit é “I Can’t Drive 55”, lançada como single em 1984


- 5150 foi o primeiro dos quatro álbuns de estúdio que Sammy Hagar gravou com o Van Halen. Ele ficaria na banda até 1996, participando também dos discos OU812 (1988), For Unlawful Carnal Knowledge (1991) e Balance (1995), além do duplo ao vivo Live: Right Here, Right Now (1993)

- o peculiar título do disco é uma homenagem ao estúdio caseiro de Eddie Van Halen, que, por sua vez, foi batizado com o termo 5150 em uma alusão ao código da justiça californiana para classificar uma pessoa com distúrbios mentais

- o álbum foi gravado entre novembro de 1985 e fevereiro de 1986 no 5150 Studios, na California, e foi lançado apenas um mês após o término das gravações

- a produção é de Eddie Van Halen ao lado de Mick Jones, guitarrista do Foreigner, e Donn Landee, engenheiro de som que trabalhou durante anos com Ted Templeman, produtor dos seis primeiros álbuns da banda e de VOA, último álbum solo de Sammy Hagar antes de ele entrar no Van Halen

- 5150 traz nove faixas, todas compostas pelo quarteto Sammy Hagar, Eddie Van Halen, Michael Anthony e Alex Van Halen


- uma décima canção, intitulada “I Want Some Action”, foi gravada durante as sessões do disco, mas nunca chegou a ser lançada comercialmente. A versão demo desta canção está disponível no YouTube



- apesar de também tocar guitarra, Sammy Hagar apenas cantou em 5150, deixando o trabalho das seis cordas exclusivamente para Eddie. Ele passaria a gravar as guitarras base no álbum seguinte, OU812, lançado em 1988

- a capa de 5150 traz uma nova versão da tradicional logo da banda, presente na capa dos dois primeiros discos, com um design mais curvado que o anterior

- a imagem da capa traz um fisiculturista erguendo o globo terrestre. O modelo da foto é o atleta norte-americano Rick Valente, apresentador do programa BodyShaping, transmitido pela ESPN na época. Na contracapa, temos o globo terrestre sobre o atleta, que não conseguiu suportar o peso do objeto, que está quebrado e revela a banda em seu interior


- 5150 foi recebido pela crítica de maneira ambígua. O choque pela ausência de David Lee Roth e pela acentuação das características AOR presentes no álbum anterior, o multiplatinado 1984, levaram a reviews medianos. Robert Christgau, do The Village Voice, escreveu que o disco “provavelmente será uma experiência frustrante”. Já Tim Holmes, da Rolling Stone, deu 3 de 5 estrelas para o disco e afirmou que “Eddie e Sammy falam o mesmo idioma” no disco, o que o torna especial

- foram lançados cinco singles para promover 5150: “Best of Both Worlds”, “Dreams”, “Love Walks In”, “Summer Nights” e “Why Can’t This Be Love”. O único a alcançar a primeira posição foi “Why Can’t This Be Love”, que liderou o Album Rock Tracks da Billboard


- “Why Can’t This Be Love” foi lançada como single no Peru com o título alterado para “Porque Esto No Puede Ser Amor”

- o single de “Best of Both Worlds” traz em seu lado B uma versão ao vivo para “Rock and Roll”, do Led Zeppelin

- “Dreams" saiu no Equador com o single trazendo o título traduzido para o espanhol: “Sueños" 

- 5150 alcançou o primeiro lugar no Billboard 200, superando o álbum anterior, 1984, que havia alcançado apenas a segunda posição na parada norte-americana


- o disco vendeu mais de 6 milhões de cópias somente nos Estados Unidos e é o terceiro mais vendido de toda a carreira do Van Halen, ficando atrás apenas da estreia e de 1984, ambos com vendas estimadas em 10 milhões de cópias cada


Review: Ayreon - The Source (2017)

quarta-feira, abril 26, 2017

São dezessete músicas, distribuídas em um álbum duplo com 90 minutos de duração. Ou seja: se você não é fã de rock progressivo, de canções longas, de alternância de climas e de refinamento técnico (seja instrumental ou vocal), esse disco não é para você. No entanto, caso você seja apenas um apreciador de boa música, daqueles que não se prendem a rótulos ou gêneros específicos, o novo disco do Ayreon tem tudo para chegar e ficar na sua vida.

The Source é o nono álbum do projeto concebido e encabeçado pelo compositor, vocalista, guitarrista e multi-instrumentista holandês Arjen Anthony Lucassen. Sucessor de The Theory of Everything (2013), o disco traz uma seleção de músicos em participações especiais: James LaBrie (Dream Theater), Simone Simons (Epica), Floor Jansen (Nightwish), Hansi Kürsh (Blind Guardian), Tobias Sammet (Avantasia, Edguy), Tommy Kaverik (Kamelot), Russell Allen (Symphony X, Adrenaline Mob) e Tommy Rogers (Between the Buried and Me), entre outros, revezam-se nos vocais. Na parte instrumental, Paul Gibert (Mr. Big) encabeça uma também estrelada lista de convidados que conta com nomes como Joost van den Broek (piano e piano elétrico, ex-After Forever), Mark Kelly (sintetizador, Marillion), Guthrie Govan (guitarra, The Aristocrats e ex-Asia), entre outros.

Seguindo a tradição da banda, The Source é um álbum conceitual, com cada vocalista interpretando o papel de um personagem. A banda volta a explorar uma história de ficção científica no novo disco, e na cronologia do grupo The Source se encaixa como o prequel de 01011001, sétimo trabalho da banda, lançado em 2008. Ou seja, a história contada em 01011001 tem o seu início em The Source. O álbum marca a estreia do Ayreon em sua nova gravadora, a holandesa Mascot Label Group.

Liricamente, The Source conta a origem dos Forever, raça alienígena recorrente no universo criado por Lucassen para o Ayreon. O disco é dividido em quatro partes, quatro capítulos, quatro movimentos: The Frame, The Aligning of the Ten, The Transmigration e The Rebirth, cada um deles com pouco mais de 20 minutos de duração. No encarte do álbum, cada capítulo conta com um texto introdutório escrito pelo personagem The Historian, interpretado por James LaBrie.

Com exceção da faixa de abertura, “The Day That the World Breaks Down”, que passa dos 12 minutos, o restante das composições varia entre três e sete minutos, característica que deixa o disco mais dinâmico, facilitando a assimilação de uma obra pretensiosa sim, mas que em nenhum momento almeja ser inalcançável para ouvintes não iniciados.

A mixagem e masterização do trabalho também merecem destaque, entregando uma sonoridade atual, é claro, mas com timbres que não escondem a inspiração nos melhores momentos da história do prog, um gênero que sempre primou pela excelência técnica nos mais variados aspectos.

“The Day That the World Breaks Down”, música que abre o disco, é facilmente um dos melhores momentos de toda a carreira do Ayreon. Orgânica, fluída e dinâmica, transforma os seus mais de 12 minutos em uma sensação bem menos extensa, porém não menos intensa. Com participação de todo o time de vocalistas, é um presente recompensador para quem acompanha o trabalho da banda há tempos. E, na parte final, conta com uma mudança de clima a partir de uma passagem conduzida pelo baixo que é sensacional - só ouvindo para entender. 

Aliás, “The Day That the World Breaks Down” apresenta a proposta musical pela qual as demais faixas irão se desenvolver, trazendo influências diretas do rock progressivo setentista e também algumas coisas da cena prog da década de 1980, e adornando essa base com toques de heavy metal, hard rock e AOR. A canção que inicia o disco, e que é o seu principal alicerce, vai da cena da Canterbury até o prog AOR do Kansas, por exemplo, em uma amplitude sonora que comprova, mais uma vez, a excelente gama de influências de Lucassen. E, como é habitual nos álbuns do Ayreon, pelo menos aos meus ouvidos, o desenvolvimento da proposta apresentada se desenrola como o enredo de uma ópera, como o roteiro de uma peça de teatro, em uma abordagem musical que é sempre bastante visual. 

Por todos esses motivos, a parcela de leitores que espera encontrar em um texto como esse uma lista faixa a faixa, com as características de cada canção, ou uma seleção dos momentos preferidos do autor, poderá se sentir frustrado. Pois, no meu entendimento, The Source, assim como todo bom disco de rock progressivo, não pode ser avaliado através de enxertos, de faixas isoladas, mas sim como um todo. E, nesse sentido, Arjen Anthony Lucassen segue sendo, com justiça, um dos nomes mais celebrados do prog, do prog metal ou seja lá de qual maneira você prefira chamar a sua música.


Um disco excelente e que, certamente, será uma bela companhia durante todo o ano.

Assista a palestra do criador do Whiplash no TED

quarta-feira, abril 26, 2017

João Paulo Andrade, o criador do Whiplash.net, o maior site sobre rock e heavy metal em língua portuguesa, participou do TEDx realizado em São Luís, versão local do aclamado TED, em março de 2017.

No vídeo, JPA fala sobre a história do Whiplash, como tudo foi feito e os desafios de manter um site deste porte durante mais de 20 anos. 

Interessante reparar que essa matéria do João Paulo surge um dia após publicarmos uma longa entrevista com outro João, o Renato, da Van do Halen, onde ele explica os motivos que o levaram a tomar a decisão contrária à do JPA: encerrar o seu site.

Assista abaixo:

25 de abr de 2017

Entrevista: João Renato Alves, da Van do Halen, fala sobre o fim de um dos maiores sites de rock do Brasil

terça-feira, abril 25, 2017

Há alguns dias publicamos uma matéria falando sobre os cinco anos do fatídico Metal Open Air, o maior 171 da história do metal nacional, e em como praticamente nada mudou desde então. Citamos no texto o iminente encerramento da Van do Halen, site que é nosso parceiro há longos anos e é, hoje, a principal fonte de notícias sobre rock e heavy metal aqui no Brasil. 

Como muitas pessoas ficaram surpresas com essa informação, batemos um papo com João Renato Alves, o criador e editor da Van, onde ele fala sobre os motivos que o levaram a tomar tal decisão e conta como foi a experiência de estar à frente do site durante todos esses anos.

Boa leitura!


João, quem acompanha você através das redes sociais já sabe há algum tempo que a Van do Halen acabará nos próximos meses. O que o levou a tomar essa decisão?

A resposta mais simples e direta é que tenho esposa e duas crianças que dependem de mim. Não posso chegar e dizer “desculpem, não vou mais colaborar com as despesas e vou viver de rock”. Nos últimos dois anos, especialmente, a crise se agravou, anunciantes sumiram e ficou difícil se manter. Chega uma hora que é preciso cair na real de vez. Também há outros fatores pessoais, como meu desejo de retomar a vida acadêmica. Fui até a pós-graduação e parei tudo para me dedicar ao site. Sinto falta do meio e pretendo retomar.

Você não pensou em repassar esse legado para as mãos de outra pessoa ou equipe, para que a história da Van seguisse sendo feita por novas mãos?

Não pensei nisso, acho que a Van tinha uma característica muito pessoal. Outra pessoa não conseguiria conservar isso.

O site já tem data para encerrar as atividades?

Tenho compromisso comercial até o dia 17 de maio com uma banda que anunciou. Depois, pode rolar a qualquer momento. Talvez no dia seguinte mesmo.

Que papel você acha que a Van do Halen teve durante a sua existência, dentro desse mundo estranho e com gente esquisita que é o jornalismo musical brasileiro - principalmente o especializado em heavy metal?

Acho que incomodamos um monte de gente. Esse era o objetivo. Nada de jornalismo para agradar, seja fãs, assessorias ou bandas. Uma pena que, de modo geral, a coisa seja totalmente diferente, com pessoal se deslumbrando com qualquer coisa, dando nota alta, estabelecendo parâmetros baixos. Tornei-me um descrente na profissionalização, ela não acontecerá enquanto a turma do tapinha nas costas existir.


Durante todo esse período, certamente você construiu relações duradouras com diversas pessoas e sites. O que você destacaria dessa troca de ideias entre indivíduos como nós, doentes e aficcionados por música que se dispõe, apesar de todos os percalços, a manter um site do porte da Van do Halen, por exemplo?

Até que não, na verdade. São poucas as pessoas com quem realmente tenho contato, justamente por conta do que foi citado na pergunta anterior. Nunca gostei de andar em grupos, tenho amizades com poucas pessoas do meio. Acho que a comunicação é algo legal, porém, sempre vai haver alguém vindo atrás de algum favor. Tanto que, em determinado momento, estabeleci uma regra de não misturar minhas redes pessoais com as da Van. Quem quisesse falar de trabalho, apenas por lá. Meu Facebook pessoal era para minha família e amigos.

Assim como fez amigos, certamente você também pisou em vários calos de diversas pessoas ao longo dos anos. Nesse aspecto, quais brigas valeram a pena comprar, e quais só causaram desgastes e nada mais?

Acho que toda briga vale a pena comprar, pois você tenta fazer aquilo que é certo ou, ao menos, acredita ser. Mesmo assim, acho que nunca houve uma briga no sentido de atacar a pessoa, foi mais um choque de ideias, além das corriqueiras demonstrações de amadorismo e picaretagem.

Conta aí pra quem tem a ideia de criar e manter um site como a Van do Halen: como era o seu dia a dia à frente de um dos sites de música mais acessados do Brasil? Você seguia um método de trabalho organizado aí no seu home office, ou ia postando as coisas na medida em que elas iam acontecendo?

A rotina mudava às vezes, mas normalmente costumava acordar cedo e ir até quase meia-noite. Quando havia algum evento marcante, a coisa não tinha hora para terminar. Não tinha como ser organizado em nossa proposta de trabalho. Até por isso, não tem como continuar de outro modo.

O quanto viver longe de um grande centro, e, principalmente, de São Paulo, o principal mercado do metal aqui no Brasil, influenciou o modo como você produziu o site durante todos esses anos?

Acho que nos tirou dos grupos de “donos da cena”, aqueles que não falam o que pensam por lembrar da credencial para o show, o CDzinho de graça, a parceria com o cara da revista, da promotora de eventos, etc...

O que você gostaria de ter feito e não fez? Tipo: o que você gostaria de ter publicado, de ter escrito, para a Van, e acabou não colocando no ar?

Em termos de publicação, nada me vem à cabeça. Gostaria de poder ter remunerado os colaboradores, que são meus amigos, alguns até da vida fora da internet, que se dispuseram a me ajudar. Fico triste em não poder ter feito isso.


Qual foi a matéria mais acessada da história da Van?

A morte do Lemmy. Os acessos fizeram o site cair e, como era tarde da noite, fiquei com medo de perder a página. Mas, após alguns minutos, se normalizou.

E quais foram as mais marcantes, na sua opinião?

De novo, a morte do Lemmy, foi uma comoção gigante. Por ele ser um cara que unia desde o pessoal do rock clássico ao metal extremo, acabou se tornando uma bonita demonstração de carinho, mesmo em um momento tão triste.

Nós fomos parceiros próximos ao longo dos anos, com a Collectors e Van trocando matérias e apoiando um ao outro em todos os momentos. Com a chegada dos cinco anos do fatídico Metal Open Air, o maior fiasco da história do metal nacional, como você avalia o impacto desse evento não apenas na história da Van, mas no modo como você passou a enxergar a cena metal brasileira a partir de então?

Foi um momento em que muitas pessoas passaram a nos conhecer por termos sido os únicos sites que realmente bateram de frente com o que estava acontecendo. Em termos de cena, realmente esperava que alguma coisa mudasse. Mas não foi o que aconteceu, a picaretagem segue à solta e o público tem muita culpa disso, pois segue com a mentalidade de “se rolar um som e tiver umas cevas, tá beleza”. Recentemente, em um outro evento aconteceu quase a mesma coisa e o pessoal tava na página do evento pedindo para liberar a cerveja na entrada. Enquanto esse tipo de pensamento de boi de abate não mudar, de nada adianta a gente lutar pelo que é certo. Infelizmente, vejo que a coisa piorou muito.


Nós sabemos os vícios nada sadios da imprensa metálica nacional, a maioria deles mantida distante do grande público e conhecida apenas por quem é do meio. Tendo isso em vista, como você avalia o jornalismo especializado em heavy metal aqui no Brasil? Ele existe? Quem faz mais mal do que bem para a cena? E existe alguém realizando um trabalho interessante e que vale a pena acompanhar, na sua opinião?

Há pessoas fazendo, mas em algum momento elas acabam se afastando. Justamente porque não dá para seguir em frente, chega a dar asco. Assessoria que te chama de amigo e te manda abraço... cadê a relação profissional? Não consigo identificar quem é pior, é um ciclo do qual todos fazem parte. Não tenho acompanhado o pessoal mais novo, então não sei bem quem está fazendo um bom trabalho. Problema é que eles serão esmagados se não souberem “jogar o jogo”.

Olhando para toda essa história, o que valeu a pena durante todos esses anos à frente da Van, e o que não valeu? Quais os pontos mais positivos de toda essa experiência, e quais foram os aspectos negativos de tudo isso?

Acho que tudo valeu a pena. Sei que as respostas acima pareceram amarguradas, mas não tenho nada do que me arrepender. Atingimos um público que pode não ter sido tão grande, mas foi muito fiel. Demos algum tipo de visão a artistas que fogem do trivial. Acho que isso é o que vale, no fim das contas.

Com o fim da Van, quais são os seus planos daqui pra frente, João? Qual será o próximo capítulo da sua vida? Pretende se afastar definitivamente da imprensa musical, ou pensa em escrever um ou outro texto esporadicamente?

Ainda não sei bem, mas estou disposto a tudo. Aliás, deixo claro que faço outras coisas além de falar sobre música, já trabalhei em diversas áreas do jornalismo, desde esporte até policial. Se alguém quiser entrar em contato, meu email é jrenato83@hotmail.com.

Pra encerrar, qual o conselho que você daria para quem quer criar e encabeçar um projeto como esse, um site de notícias sobre rock com atualização diária, como a Van do Halen foi?

Não faça sozinho. Nos últimos 8 anos, eu nunca tive férias. Jamais tirei mais que dois dias seguidos longe do site. Tenha uma equipe, defina uma linha editorial e mande ver. Aí vai de cada um querer se adequar ao jogo ou não.

18 curiosidades sobre Heaven and Hell, um dos melhores discos do Black Sabbath

terça-feira, abril 25, 2017

Heaven and Hell, um dos melhores discos e um dos mais adorados trabalhos do Black Sabbath, comemora 37 anos de vida neste dia 25 de abril de 2017. Para comemorar, além de ouvir o álbum em um volume acima do recomendado, listamos 18 curiosidades sobre o disco.

- Heaven and Hell é o nono álbum de estúdio do Black Sabbath

- o disco, lançado em 25 de abril de 1980, marcou a estreia da nova formação da banda, com Ronnie James Dio substituindo Ozzy Osbourne nos vocais. Toni Iommi, Geezer Butler e Bill Ward seguiram em seus postos habituais

- quem apresentou Ronnie James Dio a Tony Iommi foi Sharon Arden (que mais tarde se casaria com Ozzy e ficaria conhecida como Sharon Osbourne). O primeiro encontro entre o vocalista e o guitarrista aconteceu em 1979, após Dio sair do Rainbow e Iommi estar na procura de um substituto para o instável Ozzy

- o álbum foi produzido por Martin Birch, no primeiro trabalho do produtor inglês com o grupo - ele também assinaria o disco seguinte, Mob Rules (1981). Pra quem não sabe, Birch é um dos maiores produtores da história do rock e marcou época em álbuns de bandas como Deep Purple, Whitesnake, Wishbone Ash e Iron Maiden

- Martin Birch foi o primeiro cara de fora da banda a produzir sozinho um disco do Black Sabbath desde Master of Reality. Todos os discos anteriores haviam sido produzidos pela própria banda, com o auxílio de outros produtores

- o disco foi gravado no Criteria Studios, em Miami, mesmo local em que o Black Sabbath gravou Technical Ecstasy (1976). Algumas gravações foram feitas também no Studio Ferber, em Paris



- a icônica capa do álbum é uma pintura do artista norte-americano Lynn Curlee inspirada em uma fotografia de 1928 que mostrava algumas mulheres vestidas como anjos e fumando cigarros em uma folga de um trabalho universitário. A obra tem o título de Smoking Angels e se tornou uma das imagens gráficas mais conhecidas da mitologia do Black Sabbath

- a ilustração da contracapa do disco, que traz toda a banda, foi criada pelo artista norte-americano Harry Carmean



- o álbum traz oito faixas, todas compostas pela banda e com letras escritas por Ronnie James Dio

- “Children of the Sea”, uma das melhores músicas do disco, chegou a ter uma versão demo gravada com a voz de Ozzy. No entanto, essa versão inicial possuía uma letra diferente e outra linha melódica nos vocais

- foram lançados três singles para promover Heaven and Hell. O primeiro saiu antes do disco e trouxe “Children of the Sea / Lady Evil”, o segundo veio em julho de 1980 com “Neon Knights” e uma versão ao vivo para “Children of the Sea”, e o terceiro chegou às lojas em dezembro de 1980 com “Die Young” e uma “Heaven and Hell” ao vivo



- Geoff Nicholls, parceiro de longa data de Tony Iommi, participa do disco tocando teclado. Heaven and Hell foi a sua estreia como músico de estúdio do Black Sabbath. Mais tarde, em 2004, Nicholls seria efetivado como membro permanente da banda. Ele faleceu em 29 de janeiro deste ano

- sucesso comercial e de crítica, Heaven and Hell alcançou a posição número 28 da Billboard e vendeu mais de 1 milhão de cópias somente nos Estados Unidos

- na Inglaterra, o disco chegou à nona posição nas paradas e foi o primeiro álbum do Black Sabbath a receber a certificação Prata, vendendo mais de 60 mil cópias. As vendas continuaram subindo, e o álbum ganhou Disco de Ouro da British Phonographic Industry em abril de 1982, marcando as 100 mil cópias comercializadas. Heaven and Hell é o único álbum do Black Sabbath a possuir essas duas certificações de vendas do mercado inglês 

- na Argentina, o disco ganhou uma versão em fita-cassete lançada em 1986 e com o título traduzido para o espanhol, Cielo e Infierno



- Heaven and Hell teve um impacto duradouro na história do Black Sabbath, e é considerado, de maneira justa, como um dos melhores discos da banda inglesa. Isso pode ser verificado pela quantidade de covers para as suas faixas. A música que dá nome ao trabalho foi regravada por nomes como Solitude Aeturnus (em 1998), Benedictum (2006), Manowar (2010) e Stryper (2011)

- Iron Savor, Queensrÿche e Anthrax regravaram “Neon Kinghts”, enquanto Jorn Lande fez uma competente versão de “Lonely is the Word” no álbum Unlocking the Past (2007) 


- uma das homenagens mais bonitas à Heaven and Hell e ao próprio Dio foi feita por Robb Flynn, do Machine Head. Após a morte do icônico vocalista, o líder do Machine Head gravou um vídeo com uma linda releitura acústica para “Die Young”

Review: Vários Artistas - Sem Palavras (2017)

terça-feira, abril 25, 2017

No release de Sem Palavras, o jornalista Leonardo Vinhas, produtor executivo do projeto, cita uma declaração de João Donato, na qual o músico brasileiro declara que “letra é coisa que a indústria da música inventou para ajudar a vender disco”. Não deixa de ser verdade, mas também está longe de ser uma revelação fundamental e que vá mudar o seu jeito de consumir música.

Sem Palavras é o novo lançamento do Selo Scream & Yell, braço do site comandado pelo jornalista Marcelo Costa desde o início dos anos 2000 - acessa lá. O disco traz doze bandas brasileiras, pouco conhecidas do grande público em sua maioria, fazendo releituras instrumentais para canções de grandes nomes como Astor Piazzolla, Iron Maiden, Black Sabbath, Ramones e mais um monte de gente. Isso mesmo: sem versos, sem letras, sem palavras. Só acordes e arranjos e notas e ideias expressos através da interação entre os instrumentos. Um trabalho bastante original e que você deveria tirar um tempo para ouvir.

Conheço pessoas que não conseguem conceber a música sem vocais. Acho isso uma limitação a qual qualquer indivíduo que diz gostar de música deveria ser imune. E não tem nada de elitista ou algo do tipo nessa conclusão. Assim como “música instrumental” não é um gênero, limitar-se a um estilo ou formato de expressão musical me parece tolo e superficial. 

O que temos em Sem Palavras, como já dito, é um trabalho de uma riqueza sonora apaixonante, onde ideias nascidas em um país distante como a Inglaterra, por exemplo, ganham novos contornos através de um músico do interior do Rio Grande do Sul para quem o Iron Maiden significa tudo e mais um pouco - mesmo esse cara não tocando heavy metal, mas sim música tradicionalista gaúcha. Essa é a ideia, esse é o caminho.


Ao se deixar impactar por algo tão belo e tocante, você acaba se permitindo experimentar outros sons através de uma plataforma que não é exatamente a convencional pela qual a música chega aos ouvidos de grande parte do público hoje em dia - três minutos, melodias derivativas e um refrão pegajoso, só pra constar. Entre as doze faixas de Sem Palavras tem rock, tem pop, tem fusion, tem jazz - tem tudo. E tudo muito bom, o que torna a digestão do disco suave e redonda.

Há destaques, é claro, como em qualquer forma de expressão artística. No entanto, fico aqui com os meus preferidos, guardo as faixas que mais gostei para mim enquanto espero você descobrir quais são as suas. É por aí que a coisa funciona: cada um traz o seu background, a sua história na música, e com ele vai caminhando para diferentes trajetos - alguns familiares, outros desconhecidos e hipnotizantes.

Sem Palavras é um projeto importante por documentar a riqueza da música brasileira atual, seja ela instrumental ou não. Ouça, conte para os amigos, faça esse disco chegar ao maior número de pessoas possível. Elas irão lhe agradecer pelo presente.

Faixas:
1 Ruído/MM - Buenos Aires, Hora Certo (Astor Piazzola)
2 Yangos - The Trooper (Iron Maiden)
3 Esperando Rei Zula - Always On My Mind (Brenda Lee)
4 Muntchako - Emoções (Roberto Carlos)
5 Pata de Elefante - Monkey Man (Rolling Stones)
6 Os Skrotes - Black Sabiá (Symptom og the Universe) (Black Sabbath)
7 Magabarat - The Telephone Call (Kraftwerk)
8 Félix Robatto - Wipe Out
9 Camarones Orquestra Guitarrística - Private Idaho (The B-52’s)
10 Terremotor - Baja (The Astronauts)
11 Mauricio Candussi - Chacarera de las Piedras (Atahualpa Yupanqui)
12 Camarones Orquestra Guitarrística - Rockaway Beach (Ramones)




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