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02/09/2014

Buena vista, buena música, buena vida

Eles eram gigantes. Maior, apenas o talento que emanava de seus corpos, como notas musicais soltas ao vento. A música que produziam hipnotizava as pessoas. Era bela, linda, de arrepiar o coração. 

Então, tudo mudou. O mundo, de repente, era outro. Da noite para o dia todos sentiram na carne o que era viver, literalmente, em uma ilha. O público minguou. Junto com o reconhecimento, com a fama, com o grana.

Estavam lá, zumbis vivos que olhavam para o passado com orgulho e saudade, mas tinham que lutar dia a dia em um presente que era muito diferente.

Veio então, subitamente, alguém para resgatá-los deste torpor. Para dar a todos o lugar merecido, o palco para o seu talento, o público para adorá-los, de novo e outra vez. 

Ry Cooder chamou diversos artistas cubanos que haviam sido famosos décadas antes, levou-os ao estúdio e gravou um disco divino. Buena Vista Social Club foi lançado em 16 de setembro de 1997. Lá se vão 17 anos. E continua lindo de doer. Uma música que beira o divino, interpretada por verdadeiras divindades vivas: Compay Segundo, Ruben González, Ibrahim Ferrer, Omara Portuondo e grande elenco.

Poucas vezes a música soou tão verdadeira, tão pura, tão bela.


Música do Dia: Shuggie Otis - Bootie Cooler



01/09/2014

A banda de uma geração

Fui a uma festa à fantasia sábado. Em uma casa com cabana, que fica em um terreno que mais parece uma chácara. No Campeche, aqui em Floripa. Era o aniversário da mãe do Matias, a Carla, que estava de Bruxa do 71. O Chico, o pai 2 do meu pequeno, foi de Slash. E o Matias de ninja. Eu, normal.

Tinha som e bandas ao vivo. E a primeira que tocou, com uma gurizada bem nova, entrou emendando três ou quatro sons do Strokes direto. Tem maneira melhor de medir o impacto de um grupo do que esse? O guitarrista parecia uma versão loura do Julian Casablancas, com cara de sono, cabelo desgrenhado e calça apertada. E tocava direitinho. Bem direitinho.

O Strokes nunca me bateu muito. Mas sempre vi a galera mais nova do que eu louca pelo Is This It, disco de estreia dos nova-iorquinos, lançado em 2001, acho. No fim das contas, apesar de não curtir muito, é bom ver que uma banda que foca o seu som em guitarras, solos e afins segue firme e forte no coração de um monte de gente.


Se alguém tiver uma explicação mais profunda para tudo isso, um tratado musical e comportamental a respeito, pode postar nos comentários. Vou gostar de ler e vai me ajudar a entender melhor essa coisa toda dos Strokes. 

Atrasado, mas vai.


Música do Dia: Porcupine Tree - Time Flies



29/08/2014

Opeth e o disco do ano

O Opeth cansou de ser uma banda de heavy metal. Encheu o saco. E se reinventou. Se transformou em um combo com o melhor que o prog rock setentista produziu, vivo e em plena década de 2010. 

Heritage já era ótimo. Pale Communion é sublime. Mikael Akerfeldt é único. Um geniozinho em um mar cada vez mais sem sal e raro em personagens com talento similar ao seu.


Não ganha nota 10. Ganha nota 14. Porque agora é oficial: podem fechar o ano porque ninguém irá lançar um disco melhor.


Explorando, sugando e lucrando com a paixão dos fãs

O Iron Maiden anunciou o relançamento de sua discografia em discos de vinil de 180 gramas. Os discos clássicos, até o Seventh Son (1988), mais os singles do período. Deve ser a décima vez que isso ocorre. A centésima, ou talvez até mesmo a milésima. Em CD, em LP, no caralho a quatro.

E sempre nesses oito primeiros álbuns - os sete de estúdio e mais o Live After Death. É a banda atestando que o resto da sua carreira não importa. Nada, nem pra eles. Apesar de discos muito bons como Brave New World e The Final Frontier.

E os fãs, cegos, idiotas e todos os demais adjetivos possíveis, vão comprar de novo. E mais uma vez. E quantas vezes a banda decidir relançar.

Ninguém mais compra discos. Não há mais razão para ter discos. O formato físico morreu, e já faz tanto tempo que nem cheirar mal ainda cheira.

Mas o Maiden segue investindo nesse formato. Bem, não necessariamente nesse formato. O Maiden segue investindo na exploração da paixão cega de seus fãs, fiéis desde sempre. Lança cerveja, camiseta, poster, o que der na telha, todos os anos. E novas versões de seus discos de tempos em tempos. 

Já deu. Invistam em outra coisa, Steve e Bruce. Já ficou chato bater na mesma tecla, sempre e cada vez mais. Parem. Todo mundo já tem esses discos. E no mínimo em umas três ou quatro versões diferentes. Olhem para frente. Desapeguem do passado. 

Mas aí vai ser preciso desapegar da grana. E essa, vamos admitir, vai ser difícil.

Postura lamentável de uma banda que parece mais preocupada em ficar sentada vendo os números de suas receitas aumentarem do que em produzir algo novo. 


Vou ali tomar uma Coca-Cola. Ouvindo Ali Farka Touré, bluesman africano falecido em 2006 e que atualmente tem muito mais a me dizer do que Harris, Dickinson e companhia.