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8 de dez de 2016

Os 25 melhores discos de 2016 na opinião da Collectors Room

quinta-feira, dezembro 08, 2016

2016 foi um ano difícil. Um ano longo, com um número elevado de notícias desagradáveis mundo afora e especialmente neste país tropical, que a cada dia se revela mais surreal. Um ano em que a música, mais do que nunca, foi essencial como companhia e combustível para seguirmos em frente, sentido uma emoção de cada vez, vivendo um dia após o outro.

Seguindo o que fizemos nos anos anteriores, chegou a hora de publicarmos a nossa lista de melhores discos do ano. Antes, porém, vale mencionar, como curiosidade, quais discos foram apontados como os melhores pelo site nos últimos sete anos. Vamos a eles: 

2009 Mastodon - Crack the Skye
2010 Rotting Christ - Aealo
2011 Machine Head - Unto the Locust
2012 Baroness - Yellow & Green
2013 Daft Punk - Random Access Memories
2014 Criolo - Convoque seu Buda
2015 Steven Wilson - Hand. Cannot. Erase.

Como acontece todos os anos, 2016 também foi repleto de boa música. Não faltaram álbuns de qualidade, ao contrário do que seguem pensando as mentes saudosistas e preguiçosas de uma grande parte dos ouvintes de música, principalmente aqueles que gostam de rock. É o paradoxo do nosso tempo: agora que temos tudo na palma da mão, literalmente a um clique de distância, não nos damos ao trabalho de pesquisar novidades e ir atrás de novos sons pra tirar a poeira do ouvido. Enfim …

Abaixo estão os 25 discos que, na nossa opinião, foram os melhores deste 2016 que está chegando ao fim. Tem de tudo, como sempre. Música boa e de qualidade, acima de gêneros, rótulos e estilos. E, lá no final, uma playlist com 116 canções vindas de 116 discos lançados durante 2016, pra você fazer a trilha deste final de ano.

Vem com a gente, a música é por nossa conta! 

Ah: não se esqueça de postar o seu top 10 de 2016 nos comentários.


25 Syd Arthur - Apricity

Rock psicodélico com ecos da cena de Canterbury, movimento que marcou o progressivo na década de 1970. Andamentos pouco convencionais saem da bateria totalmente jazz, enquanto a banda tem a capacidade de embalar praticamente tudo com uma sempre bem-vinda cara pop. Delicioso do início ao fim!


24 Dawes - We’re All Gonna Die

Equilibrando influências setentistas, country rock e o sempre presente tempero folk, o Dawes esculpiu um disco talhado para tocar nas rádios FM mundo afora - se elas ainda tivessem a força de outrora. Muito agradável, o quinto álbum do quarteto é uma dica certeira para a sua coleção.


23 Beware of Darkness - Are You Real?

Segundo álbum do trio californiano Beware of Darkness, Are You Real? trouxe a banda bebendo no blues rock e entregando canções deliciosas como “Dope”. Paixão explícita pelos riffs, bem encaixadas influências psicodélicas e um ótimo trabalho de composição só podiam dar nisso: um dos melhores discos do ano.


22 Sturgill Simpson - A Sailor’s Guide to Earth

Sturgill Simpson é um dos caras que está renovando o country ao unir o tradicional gênero norte-americano a estilos como o blues, o pop, o folk e a música psicodélica. O resultado é uma sonoridade original e com forte personalidade, rica em detalhes e esculpida com enorme talento.


21 Natural Child - Okey Dokey

Southern rock chapado, trilha na medida pra pegar a estrada sem pressa, sem rumo e sem destino. Quer coisa melhor? Recomendo fortemente a audição do novo disco deste trio de Nashville.


20 DeWolff - Roux-Ga-Roux

Quarto álbum destes holandeses, que fazem um som que bebe nos timbres das décadas de 1960 e 1970, influências psicodélicas e uma pegada hard rock bem legal. Música muito boa, mas pouco conhecida. Ouça já!


19 The Rolling Stones - Blue & Lonesome

Rolling Stones tocando blues: tem como dar errado? Não, e não deu. Com mais de 50 anos de carreira e com músicos em sua sétima década de vida, os Stones gravaram o seu melhor álbum em anos e anos e anos. Pra ouvir sem pressa e na boa.


18 Blackberry Smoke - Like an Arrow

Quinto álbum desta banda norte-americana, um dos melhores nomes do southern rock atual. A influência do country se faz mais presente que nos discos anteriores, acompanhada pela pegada estradeira característica de músicos que passaram a vida com Lynyrd Skynyrd, Allman Brothers e Black Crowes na orelha.


17 Crobot - Welcome to the Fat City

Terceiro disco deste quarteto natural da Pensilvânia. Hard rock com timbres gordurosos, riffs inspirados e refrãos sob medida. Redondinho como os álbuns anteriores, Welcome to the Fat City mostra que o Crobot chegou pra ficar - e cair no gosto de quem gosta de uma boa pauleira!


16 Lady Gaga - Joanne

Forte e consistente, Joanne poderá chocar os ouvidos mais conservadores de alguns dos fãs de uma das grandes artistas pop de nosso tempo justamente por apostar em uma sonoridade e uma abordagem que contrasta com a imensa maioria daquilo que é classificado hoje em dia como música pop. No entanto, está justamente nessa coragem em trilhar outro caminho a sua principal virtude. Com uma coleção ótimas canções, Lady Gaga deu um passo decisivo em sua carreira e entregou, simultaneamente, o seu melhor e mais pessoal disco. 


15 Oceans of Slumber - Winter

Um disco de metal banhado em generosas doses de melancolia, com um instrumental fortíssimo e a bela voz da cantora Cammie Gilbert como cereja do bolo. Mas não é apenas um álbum de metal. Trata-se de um trabalho com uma sonoridade ampla e sempre cativante, que mostra o quão rica a música pesada ainda pode ser.


14 Rebel Machine - Nothing Happens Overnight

Com inspiração e tendo como referências nomes como o The Hellacopters, este quarteto natural de Porto Alegre foi responsável por um dos grandes discos lançados em 2016. Rock não tem nacionalidade, rock tem atitude e energia, e esses ingredientes não faltam em Nothing Happens Overnight. Ainda não conhece o Rebel Machine? Então vá ouvir agora mesmo - prometo que não conto pra ninguém esse deslize seu ;-)


13 SIMO - Let Love Show the Way

Let Love Show the Way é um daqueles álbuns perfeitos pra pegar a estrada e seguir sem rumo. Se você gosta de rock com pegada de blues, periga encontrar aqui a sua nova banda favorita.


12 Rival Sons - Hollow Bones

O Rival Sons segue firme e forte na descoberta da sua identidade com Hollow Bones. O quinto disco do quarteto californiano mostra a banda experimentando ainda mais, e é o melhor trabalho do grupo ao lado do ótimo Head Down, de 2012.


11 Tedeschi Trucks Band - Let Me Get By

Um trabalho excelente, que escorre musicalidade pelos poros. Um daqueles discos que agradam não apenas fãs dos mais variados gêneros, mas, sobretudo, quem é apaixonado pela música de modo geral.


10 Cattarse - Black Water

Porto Alegre, 2016. Mas pode chamar de Los Angeles, 1971. Essa é a sensação ao ouvir o segundo disco do trio gaúcho Cattarse. O álbum traz um hard rock vigoroso, que bebe direto e sem filtro da fonte de nomes como Cactus, Grand Funk Railroad e Black Sabbath. Música pesada, agressiva, vigorosa e com culhões, tudo embalado em uma mixagem poeirenta, que deixa o som ainda mais interessante.


9 Joe Bonamassa - Blues of Desperation

Sempre tive um ranço com o Bonamassa. Talvez o visual de economista CDF do bluesman norte-americano tenha influenciado na minha avaliação, o que é bem provável. Mas com Blues of Desperation a barreira foi quebrada. Peso, solos absolutamente incríveis e um disco legal pra caramba.


8 Opeth - Sorceress

Sorceress apresenta referências de álbuns como Ghost Reveries (2005) e Blackwater Park (2001) enquanto explora as inspirações que ganharam destaque nessa nova fase da carreira dos suecos. O resultado é um disco com uma musicalidade diversa, refletida em excelentes canções que, como convém à tradição da banda, nunca apresentam medo de experimentar.


7 Metallica - Hardwired … To Self-Destruct

Hardwired … To Self-Destruct é o auto-resgate do Metallica. É a banda percebendo a força de sua história, o tamanho de sua importância e bebendo em sua própria fonte de ideias, clichês e fórmulas. E isso é feito de uma forma tão autêntica, sem buscar pretensas (e muitas vezes pretensiosas) inovações, que faz o resultado ser algo verdadeiro como a banda não soava há anos.


6 Beyoncé - Lemonade

O sexto álbum de um dos maiores nomes da música pop apresentou uma mudança de rumo significativa. Sobre um instrumental fortemente influenciado pela música negra de sul dos Estados Unidos, vinda de berços sonoros como Nova Orleans, Beyoncé abordou temas como racismo, feminismo e suas origens, em um disco com surpreendente conteúdo político para uma artista de seu porte. Como bem brincou um amigo: com Lemonade, os norte-americanos descobriram, aterrorizados, que Beyoncé é negra. Maior elogio que esse, não há!


5 David Bowie - Blackstar

Um trabalho sensacional, que fecha com maestria uma das mais consistentes, inovadoras e influentes trajetórias da história do rock. Você nos deu muito mais do que poderíamos sonhar, David. Obrigado por tudo.


4 Gojira - Magma

O passo seguinte na evolução desta banda francesa, com uma sonoridade que mescla doses iguais de peso, groove e inovação. O melhor disco de metal do ano.


3 The Baggios - Brutown

Brutown é o melhor disco do The Baggios. E isso é um feito e tanto por um motivo bem simples: os álbuns anteriores já eram muito bons. Temos aqui uma banda que sabe o que quer, com ideias originais e claras que levam a sua música por caminhos cheios de personalidade. Em se tratando de rock cantado em português, o melhor disco de 2016, fácil!


2 Michael Kiwanuka - Love & Hate

Segundo trabalho deste soulman britânico, que também bebe na herança do folk em diversos momentos. Um álbum ambicioso e com um discurso bastante forte (e necessário), que entrega tudo o que se propõe. Música como entretenimento e ferramenta para um mundo melhor em pleno 2016? Sim, temos - e das boas.


1 Ina Forsman - Ina Forsman


Uma voz de arrepiar, uma banda sólida e canções que transbordam inspiração. O disco de estreia desta cantora finlandesa é um primor, trazendo blues e soul em embalagens aconchegantes como não ouvíamos desde Amy Winehouse. Incrível e delicioso, em todos os sentidos!

Os 50 melhores discos de 2016 segundo a Terrorizer

quinta-feira, dezembro 08, 2016

Fechando a publicação das listas de melhores discos de 2016 das principais publicações musicais do planeta, trazemos as escolhas da revista inglesa Terrorizer. Todas as listas de melhores discos de 2016 estão neste link, pra você conferir.

A Terrorizer é publicada mensalmente desde 1993 e tem o seu foco no metal extremo. Curiosidade: o primeiro número da revista, lançado em outubro de 1993, trouxe o Sepultura na capa. A editora responsável pela publicação é a Dark Arts Ltd.

Abaixo estão os melhores discos do ano segundo a Terrorizer - o texto original foi dividido em três partes (parte 1, parte 2 e parte 3).

Divirtam-se:

50 Testament - Brotherhood of the Snake
49 Krypts - Remnants of Expansion
48 Sabaton - The Last Stand
47 The Wounded Kings - Visions in Bone
46 Slabdragger - Rise of the Dawncrusher
45 Horseback - Dead Ringers
44 Kvelertak - Nattesferd
43 Wardruna - Rudaljod-Ragnarok
42 Wretch - Wretch
41 Katatonia - The Fall of Hearts
40 The Devin Townsend Project - T’anscendence
39 Conan - Revengeance
38 Dälek - Asphalt For Eden
37 Bölzer - Hero
36 Graf Orlock - Crime Traveller
35 Rotting Christ - Rituals
34 Interment - Scent of the Buried
33 Inter Arma - Paradise Gallows
32 Darkher - Realms
31 Bossk - Audio Noir
30 Gadget - The Great Destroyer
29 Swans - The Glowing Man
28 Ihsahn - Arktis
27 Inquisition - Bloodshed Across the Empyrean Altar Beyond the Celestial Zenith
26 Deströyer 666 - Wildfire
25 Alcest - Kodama
24 Purson - Desire’s Magic Theatre
23 The Body - No One Deserves Happiness
22 Boss Keloid - Herb You Enthusiasm
21 Gojira - Magma
20 Wormrot - Voices
19 Urfaust - Empty Space Meditation
18 Graves at Sea - The Curst That Is
17 Anaal Nathrakh - The Whole of the Law
16 Opeth - Sorceress
15 Vektor - Terminal Redux
14 Blood Incantation - Starspawn
13 Discharge - End of Days
12 The Dillinger Escape Plan - Dissociation
11 Deathspell Omega - The Synarchy of Molten Bones
10 Nails - You Will Never Be One of Us
9 Oranssi Pazuzu - Värähtelijä
8 Cult of Luna & Julie Christmas - Mariner
7 Cobalt - Slow Forever
6 SubRosa - For This We Fought the Battle of the Ages
5 40 Watt Sun - Wider Than the Sky
4 Trap Them - Crown Feral
3 Oathbreaker - Rheia
2 Darkthrone - Arctic Thunder
1 Neurosis - Fires Within Fires




7 de dez de 2016

2016 em 116 músicas

quarta-feira, dezembro 07, 2016

O ano está chegando ao fim. Um ano longo, difícil, com muitas pedras pelo caminho. Um ano em que a música, mais do que nunca, foi uma companheira fundamental para superarmos as batalhas do dia a dia.

Repassando esse 2016 atordoado e confuso, preparamos uma playlist com faixas vindas de discos lançados nos últimos 12 meses. São 116 canções dos mais variados gêneros: tem rock, tem blues, tem metal, tem jazz, tem pop, tem country, tem rap. E, acima de tudo, tem música boa.

A dica é a de sempre: se você gostou de alguma faixa, procure ouvir o disco inteiro da banda ou artista que a compôs. Assim, você amplia o seu vocabulário musical, conhece novos sons e deixa o seu dia ainda mais interessante.

Vem com a gente nesse aventura. Garantimos que a trilha sonora é de primeira :-)

6 de dez de 2016

Leia o review de Dave Mustaine para o novo disco do Metallica

terça-feira, dezembro 06, 2016

O TeamRock pediu a Dave Mustaine que escrevesse um review para o álbum mais recente do Metallica. Eis o que o líder do Megadeth e ex-membro da banda teve a dizer:

Sempre tive capacidade de apreciar o talento do Metallica. Toda banda possui seus pontos fortes e fracos. Pessoalmente, de tudo que ouvi até agora, considero o novo álbum bom. Muitas pessoas criticaram o fato de Kirk Hammett e Robert Trujillo não terem composto. Mas, às vezes, é simplesmente inevitável. Teria adorado vê-los contribuindo. Amo o Infectious Grooves e o Suicidal Tendencies (bandas anteriores de Trujillo), assim como as linhas que Kirk escreveu no Exodus. Porém, quando se está em estúdio, as coisas podem acontecer de outra forma e as melhores ideias acabam escolhidas. É o que todos desejam.

Em relação à produção, é uma coisa muito pessoal. O lixo de um homem é o tesouro de outro. Por exemplo, sei que muitos realmente gostam de Rick Rubin e seus métodos de trabalho. O respeito muito, acho que o que ele faz realmente funciona junto a bandas como o The Cult. Mas, quando é com bandas de metal, não se traduz da mesma forma. Hardwired possui uma sonoridade diferente de, por exemplo, St. Anger. E ficou muito bom, em minha opinião. Eles demoraram oito anos para fazê-lo, então, fico feliz que os fãs estejam gostando, já que somos uma comunidade pequena.

Ver todo o Big Four lançando grandes discos em 12 meses é muito legal. A grande questão é se as forças existentes nos permitirão fazer mais alguns shows conjuntos. Estamos preparando coisas para Ásia e Estados Unidos ano que vem, mas se houver a possibilidade, provavelmente reconsideraríamos, pois é sempre divertido, além de um grande evento. Ver quatro das maiores bandas de todos os tempos no mesmo palco é algo para se contar aos netos.



Os 50 melhores discos de 2016 segundo a Metal Hammer

terça-feira, dezembro 06, 2016

A inglesa Metal Hammer é a principal e mais importante revista especializada em heavy metal do planeta. Publicada mensalmente desde 1983, possui edições locais em diversos países como Noruega, Espanha, Grécia, Polônia e Itália, entre outros.

Fundada há 33 anos, a Metal Hammer é publicada atualmente pela TeamRock, mesma editora que coloca nas bancas a Classic Rock, Prog e The Blues Magazine. Além disso, desde 2003 a revista promove o The Golden Gods Awards, premiação realizada em Londres anualmente e que agracia os principais nomes da música pesada.

Abaixo está a lista com os 50 melhores discos de 2016 segundo a Metal Hammer - matéria original aqui:

50 Of Mice & Men - Cold World
49 Abbath - Abbath
48 Oranssi Pazuzu - Värähtelijä
47 Venom Prison - Animus
46 Wovenhand - Star Treatment
45 Oceans of Slumber - Winter
44 Bölzer - Hero
43 Touché Amoré - Stage Four
42 Jonestown - Aokigahara
41 Kvelertak - Nattesferd
40 Anthrax - For All Kings
39 Vektor - Terminal Redux
38 Giraffe Tongue Orchestra - Broken Lines
37 Blood Incantation - Starspawn
36 Every Time I Die - Low Teens
35 Winterfylleth - The Dark Hereafter
34 King 180 - La Petite Mort or a Conversation with God
33 Heck - Instructions
32 Inter Arma - Paradise Gallows
31 SubRosa - For This We Fought The Battle of Ages
30 BabyMetal - Metal Resistance
29 Deströyer 666 - Wildfire
28 Dream Theater - The Astonishing
27 Alter Bridge - The Last Hero
26 Bury Tomorrow - Earthbound
25 Oathbreaker - Rheia
24 Skuggsjá - Skuggsjá
23 Periphery - Periphery III: Select Difficulty
22 Aldest - Kodama
21 Neurosis - Fires Within Fires
20 Wardruna - Runaljod-Ragnarok
19 Rotting Christ - Rituals
18 Avenged Sevenfold - The Stage
17 Katatonia - The Fall of Heart
16 Killswitch Engage - Incarnate
15 Testament - Brotherhood of the Snake
14 Deftones - Gore
13 Nails - You Will Never Be One of Us
12 The Devin Townsend Project - Transcendence
11 Grand Magus - Sword Songs
10 Metallica - Hardwired … To Self-Destruct
9 Black Peaks - Statues
8 Ihsahn - Arktis
7 KoRn - The Serenity of Suffering
6 The Dillinger Escape Plan - Dissociation
5 Letlive - If I’m the Devil …
4 Meshuggah - The Violent Sleep of Reason
3 Opeth - Sorceress
2 Architects - All Our Gods Have Abandoned Us
1 Gojira - Magma


5 de dez de 2016

Show: Black Sabbath | 5 de dezembro de 2016 | Estádio do Morumbi | São Paulo

segunda-feira, dezembro 05, 2016

A noite prometia: a última vez que veríamos Ozzy Osbourne, Tony Iommi e Geezer Butler juntos num palco sul-americano. Depois de um dia de calor intenso, uma queda brutal de temperatura no final da tarde acompanhada de ventos frios, chuviscos e tempestades veio dar o tom macabro apropriado a um especialmente emocionante show do Black Sabbath. O público atendeu à expectativa e encheu o estádio do Morumbi. Só o cenário poderia ser melhor.

Não é novidade ao paulistano que o Morumbi é um estádio obsoleto, numa área da cidade mal servida de transporte público ou de ruas adequadas ao fluxo das mais de 60 mil pessoas que foram ao show do Black Sabbath. A estrutura da casa do São Paulo Futebol Clube também não é boa: para entrar e sair, não há portões em quantidade razoável para dar vazão rápida às filas. Do lado interno há poucos banheiros para a alta demanda, precários e de difícil acesso, opções reduzidas e escassas de alimentação. A visibilidade é ruim em quase todos os setores, com arquibancadas e cadeiras muito distantes do palco, bem como um setor “premium” que divide quase pela metade a pista sobre o gramado.

Todos detalhes que atrapalham a plena experiência, mas pouco influem na atuação da banda em cima do palco. A percepção, porém, piora quando a qualidade de som deixa a desejar como neste domingo. A guitarra de Tony Iommi por vários momentos embolava com o baixo de Geezer Butler. A bateria de Tommy Clufetos demorou a sair dos PAs com o peso necessário, ao contrário da proeminência muitas vezes descabida para o teclado do escondido Adam Wakeman. O volume geral variava conforme a intensidade do vento e da chuva. Apenas a voz de Ozzy, inconfundível como sempre, reinava soberana.

Antes, porém, tivemos o Rival Sons que, por quarenta minutos, quase passou despercebido do público no estádio. Ainda que telões indicando apenas o nome do grupo sem mostrá-lo não tenham colaborado, o descaso também denota um pouco da má vontade do roqueiro típico paulistano com bandas novas, brasileiras ou não. Enquanto os americanos conquistam cada vez mais adeptos no mundo fazendo seu rock retrô soar organicamente moderno com uma altiva performance de palco de seu vocalista Jay Buchanan, as pessoas em geral preferiram ficar conversando nas enormes filas de bebida como se estivessem num boteco ouvindo um Emmerson Nogueira da vida. Azar o delas.


O Black Sabbath entrou no palco quase pontualmente às oito e meia da já fria noite. Um vídeo meio nebuloso com cidades sendo destruídas no telão não preparava tão bem a atmosfera quanto o vento e a garoa que já castigavam o público quando Tony Iommi empunhou sua guitarra e pudemos ouvir, com certa dificuldade, aquelas três malditas notas infernais da canção auto-intitulada que revolucionou o mundo e abriu a apresentação do grupo neste domingo.

A sequência foi um deleite para os fãs. Enquanto uma tempestade desabava sobre nossas cabeças e prejudicava a visão e o som, aumentava a empolgação a cada mínimo acorde reconhecível de “Fairies Wear Boots”, “Into the Void”, “After Forever”, “Snowblind” e ”Behind the Wall of Sleep”, que soavam como uma aula a tantos imitadores do som típico do Black Sabbath nesses últimos quase cinquenta anos, mesmo sentida a ausência de Bill Ward - Tommy Clufetos é um baterista sólido suficiente para qualquer ótima banda de metal, mas é gritante a falta daquele swing jazzístico único da formação original, até hoje ainda não reproduzido a contento nos inúmeros seguidores no doom metal ou stoner rock, nem pelo próprio grupo nesta noite.

De resto, foi um típico show do Sabbath, sem surpresas para o iniciado, não por isso menos emocionante. Ignorando o celebrado disco 13 e com um telão alternando imagens ora psicodélicas, ora distópicas, ao longo de pouco mais de uma hora e meia clássicos foram executados beirando à perfeição para um público animado, que se atrapalhava e se divertia nas palmas ao cantar em jogral com Ozzy os versos de “War Pigs”, ou explodia catártico ao solo de baixo de Geezer Butler que iniciou “N.I.B.” para um dos coros mais bonitos da noite em seu macabro refrão, ou ainda ao entoar a plenos pulmões as melodias da morosa “Iron Man” e da apocalíptica “Children of the Grave”, até a frenesi final avassaladora da incendiária “Paranoid”.


Nem tudo foram flores, como a inaceitável qualidade de som ou o insosso solo de bateria de quase dez intermináveis minutos de Clufetos, introduzido por “Rat Salad”, e até mesmo “Dirty Women”, um momento em que a banda claramente se divertia nas constantes mudanças de andamento enquanto segurava a base para o longo solo improvisado de Tony Iommi, que em vez de embasbacar o público, já exausto pelas condições climáticas, começava a dispersar mais do que nas intermináveis acrobacias do baterista pouco antes.

Todos detalhes insignificantes quando presenciamos o entrosamento absurdo de Iommi e Butler ao reproduzir todos aqueles sons que permeiam em maior ou menor grau toda a nossa coleção de discos de rock, cativados pelo carisma inabalável de Ozzy Osbourne, com sua característica voz já desgastada e sua alegria contagiante de quem, como seus dois velhos parceiros, não sabe o que teria feito da vida se não estivesse ali tocando juntos, talvez pelas últimas vezes.

É difícil apostar na seriedade da turnê de despedida quando uma raposa dos negócios musicais como Sharon Osbourne está envolvida, apesar de o tempo não correr a favor dos músicos e não haver muitos motivos para vender grandiosamente uma futura turnê de reunião. Também é improvável crer num retorno futuro à América do Sul, que só foi agraciado pela presença da formação quase original uma década e meia após sua tão esperada reunião.

Contudo, num ano em que a mortalidade de nossas referências culturais se evidencia com vários chutes na boca do estômago, quando deixamos o Morumbi encharcados pela chuva e, perdão pelo clichê, de alma lavada, éramos gratos não só pelo ótimo show ou pela carreira lendária de riffs eternos, ou ainda todo um estilo musical que esses hoje senhores de Birmingham criaram há quase meio século, mas por podermos guardar na memória a imagem do Black Sabbath triunfante, como os detentores de um legado tão importante merecem.

Por Thiago Martins


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