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19 de set de 2018

O novo disco de Mark Knopfler

quarta-feira, setembro 19, 2018

Mark Knopfler, o Dire Straits, lançará dia 16 de novembro o seu nono álbum solo. Down the Road Wherever é o sucessor de Tracker (2015) e será disponibilizado pelo próprio selo do vocalista e guitarrista, o British Glove, com distribuição da Universal Music.

Down the Road Wherever vem com quatorze canções inéditas gravadas no próprio estúdio do músico, em Londres. A banda que acompanha Mark no álbum conta com o chapa dos tempos do Dire Straits, o tecladista Guy Fletcher, que também responde pela produção do disco ao lado de Knopfler. Os outros músicos são Jim Cox (teclado), Nigel Hitchcock (saxofone), Tom Walsh (trompete), John McCusker (violino), Mike McGoldrick (flauta e sopros), Glenn Worf (baixo), Ian Thomas (bateria) e Danny Cummings (percussão). 

Os guitarristas Richard Bennett (Billy Joel, Barbra Streisand) e Robbie McIntosh (The Pretenders, Paul McCartney), mais o trombonista Trevor Mires, fazem participações especiais, enquanto o quarteto formado por Lance Ellington, Kris Drever, Beverley Skeete e Katie Kissoon é o responsável pelos backing vocals.


O disco será lançado CD simples, LP duplo (com uma faixa bônus), CD deluxe (com duas faixas extras) e em um box que inclui o álbum em LP e CD deluxe. Essa caixa vem com um EP de 12 polegadas com quatro músicas bônus, uma print da capa e tablaturas de algumas faixas.

Para quem quer saber mais sobre a carreira solo de Mark Knopfler e também sobre o Dire Straits, vale a pena assistir ao programa Heavy Lero, produzido pelo canal Kazagastão, onde Gastão Moreira e Clemente Nascimento falam tudo sobre a banda:

Review: W.A.S.P. - W.A.S.P. (1984)

quarta-feira, setembro 19, 2018

Tendo no vocalista, baixista e guitarrista Blackie Lawless a sua figura principal, o quarteto W.A.S.P. (o significado da sigla varia entre White Anglo-Saxon Protestant ou We Are Sexual Perverts, dependendo da fonte consultada) é um dos nomes mais idolatrados do metal norte-americano. Ainda na ativa, a banda segue lançando álbuns. Porém, nenhum deles alcançou o status do seu disco de estreia.

Lançado em 17 de agosto de 1984, W.A.S.P., o álbum, apresentou a banda ao mundo. Na época, o grupo era formado por Lawless (vocal e baixo), Chris Holmes (guitarra), Randy Piper (guitarra) e Tony Richards (bateria). Blackie, Chris e Randy foram os responsáveis pela criação do W.A.S.P., que nasceu em Los Angeles em 1982. Produzido por Blackie Lawless e Mike Varney, o disco vendeu mais de 500 mil cópias nos Estados Unidos e chegou à posição 74 do Billboard 200, puxado principalmente pelo hit “I Wanna Be Somebody” e pela polêmica em torna da música “Animal (Fuck Like a Beast)”.

Composta por Lawless, “Animal (Fuck Like a Beast)” seria inicialmente a faixa de abertura do primeiro álbum do W.A.S.P. e foi o primeiro single do grupo. O compacto com a faixa chegou às lojas em abril de 1984 pela Music for Nations. Em uma matéria publicada pela Kerrang! em 1997, Blackie revelou que a ideia nasceu ao ver uma foto de dois leões acasalando. Essa imagem foi transposta para a frase inicial da letra, que canta "I've got pictures of naked ladies, lying on their beds”, evoluindo então para um relato sobre a performance sexual das meninas. O próprio Lawless, no entanto, mais tarde entraria em contradição ao comentar que a letra foi inspirada no apetite sexual de sua esposa na época. Enfim, o fato é que “Animal (Fuck Like a Beast)” foi banida depois que a banda assinou com a Capitol Records, que se recusou a incluir a música no primeiro disco do grupo. Décadas mais tarde, Blackie Lawless passou a não cantar mais a faixa ao vivo devido às suas crenças religiosas.


Mas o álbum é muito mais do que isso. A estreia do W.A.S.P. é um ótimo registro de um período e que o hard rock e o heavy metal andavam de mãos dadas, construindo uma sonoridade acessível e pesada que muitos críticos classificam como heavy rock ou hard ’n’ heavy. O fato é que suas músicas trazem um excelente trabalho de composição, surpreendente para uma banda com apenas dois anos de vida. O W.A.S.P. já nasceu maduro, e muito disso se deve à capacidade criativa e ao talento de Blackie Lawless.

O título acaba de ser relançado em CD no Brasil pela Hellion Records em uma edição que traz, além das dez músicas originais, mais três músicas bônus: “Animal (Fuck Like a Beast)”, “Show No Mercy” e “Paint It Black”. Ouvindo o play, fica claro o porque de o W.A.S.P. ser idolatrado até os dias de hoje. Muito além das histórias de bastidores, que alcançaram o seu mais icônico momento na entrevista de um Chris Holmes bêbado e chapado para o documentário The Decline of Western Civilization Part II: The Metal Years, a banda foi uma das mais inventivas e competentes agremiações do hard rock ianque. E, ainda que a produção tenha deixado o disco um tanto datado (o que é absolutamente normal, afinal estamos falando de um álbum gravado há mais de trinta anos), o CD segue proporcionando uma ótima audição que só reafirma a importância do quarteto.

Aproveite o relançamento de W.A.S.P. no Brasil e encorpe a sua coleção com uma das estreias mais icônicas do metal oitentista.



Discoteca Básica Bizz #119: Steppenwolf - Steppenwolf (1968)

quarta-feira, setembro 19, 2018

Em sua autobiografia, John Kay diz: "Estávamos encurralados numa sufocante imagem de uma banda de motoqueiros machões".

O estrondoso sucesso da canção "Born to Be Wild", de certa forma, ofuscou a decisiva obra do quinteto Steppenwolf. Mas nunca é tarde para redescobrir que, ladeando um tesouro musical - que se alinhou como um hino de escapismo de uma época em que despontava a Guerra do Vietnã, os assassinatos de John Kennedy e Martin Luther King, mais a ascensão de Richard Nixon -, residia um autêntico oceano de maestria.

Criado a partir das cinzas do Sparrow, grupo que de 1965 a 1967 vestiu o blues e o folk nas mais chapadas improvisações, o Steppenwolf era pilotado através da voz gutural de Kay (nascido em 1944 na cidade de Tilsit, na ex-Alemanha Oriental, e exilado no Canadá a partir de 1958). O grupo lançou 21 compactos, nove álbuns originais, um disco ao vivo e quatro compilações. De 1967 a 1972, eles gravaram álbuns prolíficos (como Steppenwolf 7, de 1970), conceituais (For Ladies Only, de 1971) e políticos (Monster, de 1969). E de 1974 a 1976 registraram esquecidas pérolas (vide Slow Flux, de 1974), mas nada tão contundente quanto o primeiro álbum - Kay depois diria que eles jamais conseguiram recuperar o raw sound daquele disco.

Pura verdade. A bateria de Jerry Edmonton, os teclados de Goldy McJohn, o baixo de Rushton Moreve e a guitarra de Michael Monarch, junto à garganta de ferro de Kay, profetizavam diretrizes para o heavy rock, enaltecendo e transfigurando o blues e se lançando numa psicodelia ocasional e cáustica.


À parte a imortal "Born to Be Wild" (composição do ex-Sparrow Mars Bonfire, irmão de Jerry), haviam ainda recriações de clássicos ("Hoochie Coochie Man”, de Willie Dixon), resgate de gênios obscuros (“The Pusher”, controversa ode à maconha de Hoyt Axton), baladas existenciais (“Desperation”, que se transformou na mais brilhante cover do Humble Pie) e até pop psicodélico (“A Girl I Knew”).

Também foi neste álbum que Kay se afirmou como um real militante da contracultura. O meio-ambiente ("The Ostrich"), a liberdade ("Berry Rides Again") e o inconformismo ("Take What You Need") eram as pautas deste obstinado justiceiro que, mesmo na pior fase da sua vida - de 1980 a 1984, quando diversos impostores e ex-integrantes regurgitavam para se apropriar do nome do grupo -, defendeu a qualquer custo a sua imaculada concepção: um animal chamado Steppenwolf.

Texto escrito por Fernando Naporano e publicado na Bizz #119, junho de 1995

Novo livro de fotografias repassa a carreira de Ronnie James Dio

quarta-feira, setembro 19, 2018

Um novo livro fotográfico sobre a carreira de Ronnie James Dio chegará às livrarias em dezembro. A Life in Vision traz o vocalista em inúmeros cliques capturados pelo fotógrafo Frank White e será lançado dia 7 de dezembro.

O material traz fotografias desde o primeiro show do Rainbow nos Estados Unidos, em 1975, e vai colhendo imagens de Dio até 2009, um ano antes de sua morte. Há dezenas de fotos do músico com o Black Sabbath, com o Heaven & Hell e com a sua própria banda.

O livro será lançado em uma edição convencional e também em uma edição customizada de 500 cópias que virá em um box com prints de algumas fotos.

Não há previsão de publicação no Brasil.


Discos solo dos músicos do Kiss comemoram 40 anos e são reunidos em box

quarta-feira, setembro 19, 2018

Lançados em 18 de setembro de 1978, os quatro álbuns solo dos integrantes do Kiss na época - Paul Stanley, Gene Simmons, Ace Frehley e Peter Criss - serão relançados em um box chamado The Solo Albums - 40th Anniversary Collection. A nova edição será disponibilizada apenas em LPs de 180 gramas e chegará às lojas dia 19 de outubro pela Casablanca/UMe.

A prensagem será limitada a 2.500 cópias, que já estão em pré-venda exclusivamente através da loja oficial do Kiss e na The Sound of Vinyl. Os discos são coloridos, seguindo o seguindo padrão: o de Gene vem em vinil vermelho, o de Paul em roxo, o de Ace em azul e o de Peter em verde. Todos eles estão acondicionados em um luxuoso slipcase preto fosco que traz diversas imagens de cada um dos músicos ao lado da logo da banda. As novas edições também trazem pôsteres com as capas dos álbuns e outros mimos.


18 de set de 2018

Review: Dee Snider - For the Love of Metal (2018)

terça-feira, setembro 18, 2018

Voz do finado Twisted Sister, Dee Snider lançou no final de julho o seu quarto álbum solo, For the Love of Metal. O trabalho foi produzido por Jamey Jasta, vocalista do Hatebreed, e conta com as participações especiais de Howard Jones (ex-Killswitch Engage e atualmente no Light the Torch), Mark Morton (Lamb of God), Alissa White-Gluz (Arch Enemy), Charlie Bellmore (Kingdom of Sorrow) e da dupla Joel Grind e Nick Bellmore (ambos do Toxic Holocaust). O disco saiu lá fora pela Napalm Records e ganhou uma edição nacional via Hellion Records.

For the Love of Metal é, com sobras, o álbum mais pesado de toda a carreira de Dee Snider, incluindo aí os discos gravados ao lado do Twisted Sister. Associado ao lado mais hard do metal, o vocalista pesou a mão neste novo trabalho. A produção de Jasta e a participação de nomes do metal contemporâneo contribuíram não apenas para a agressividade das músicas, mas sobretudo para modernizar o som de Snider. Tudo soa atual e é devidamente embalado pelo vocal cheio de personalidade de Dee. 

O disco apresenta um trabalho de composição exemplar e uma parte instrumental sensacional, o que resulta em canções fortes e coesas - apenas uma tem mais de 4 minutos. É uma pedrada atrás da outra, com riffs sendo cuspidos e criando bases amparadas pelo uso frequente do pedal duplo. Em certos momentos, Dee revisita o seu histórico hard sem perder a abordagem moderna que permeia o álbum, como é possível ouvir em “American Made”.

As 12 músicas, dispostas em pouco mais de 41 minutos, constróem um trabalho sólido e agradável para qualquer fã de música pesada. Dee Snider conseguiu em For the Love of Metal atualizar a sua música preservando elementos essenciais de sua história - estão aqui as linhas vocais sempre redondas e os refrãos contagiantes, por exemplo -, e isso é um feito e tanto para um artista de 63 anos que viveu o seu auge comercial durante os anos 1980.

Uma bela surpresa, ouça!

Emicida lança nova música e celebra 10 anos de carreira com material ao vivo

terça-feira, setembro 18, 2018

Emicida divulgou nesta terça-feira, 18/09, seu novo single. “Inácio da Catingueira” vem com o discurso social característico e conta com instrumental feito pelo DJ Duh, parceiro de longa data do rapper. A produção é do Laboratório Fantasma.

O disco mais recente de Emicida, o ótimo Sobre Crianças, Quadris, Pesadelos e Lições de Casa, saiu em 2015 e sucedeu a estreia do músico, O Glorioso Retorno de Quem Nunca Esteve Aqui (2013). Celebrando uma década de carreira, Emicida lançará em outubro o ao vivo 10 Anos de Triunfo, que será disponibilizado em vídeo.

“Inácio da Catingueira” conta com um lyric video dirigido por André Maciel, artista plástico e ilustrador que fundou o estúdio Black Madre Atelier. Assista abaixo:

Próximos lançamentos da Panini

terça-feira, setembro 18, 2018

Com base nos títulos registrados pela Panini no ISBN, dá pra ter uma ideia dos próximos lançamentos da editora. Então, vamos aos principais.

Soldado Desconhecido, de Garth Ennis com arte de Kilian Plunkett, traz o escritor inglês revisitando o personagem criado por Robert Kanigher e Joe Kubert em 1966, para a DC Comics. Ennis escreveu uma minissérie que foi publicada em quatro edições em 1997, e que mostra uma abordagem mais sombria da original. Na trama, vemos um agente da CIA em maquinações acontecidas após a Segunda Guerra Mundial e durante a Guerra Fria. A série foi publicada no Brasil pela editora Metal Pesado dentro da revista Vertigo DC, em dois volumes lançados em dezembro de 1997 e fevereiro de 1998. O material será lançado pela Panini em um volume único de 116 páginas.


Outra novidade é Os Nomes, escrita por Peter Milligan e com arte de Leandro Fernandez. As cores são da brasileira Cris Peter. O material vem com 200 páginas e é classificado como um thriller contemporâneo. A série é considerada uma espécie de encontro entre Kill Bill e O Lobo de Wall Street, e promete um roteiro repleto de ação e massaveísmos. O material é inédito no Brasil.


Magneto: Inversão, de Cullen Bunn e Javier Fernandez, é a sequência de Magneto: Infame, encadernado publicado pela Panini em outubro de 2017. O segundo volume traz a conclusão da série e vem com 136 páginas.


Demolidor: Amor e Guerra é uma história escrita por Frank Miller e ilustrada por Bill Sienkiewicz, e que foi publicada no Brasil pela Editora Abril em 1988 dentro da série Graphic Novel.  O roteiro traz Vanessa, esposa do Rei do Crime, em coma e sem perspectivas de melhoras. Desesperado, o criminoso sequestra um renomado médico e tenta recuperar a esposa. Ainda não há informação sobre o número de páginas e se essa nova edição trará alguma história adicional.


Além disso, foram confirmadas as sequências de séries que já estão em andamento pela editora, como os terceiros volumes de Escalpo (de Jason Aaron) e Providence (de Alan Moore), e a conclusão de Batman - O Príncipe Encantado das Trevas (de Enrico Marini).




Helloween tocará no Rock in Rio

terça-feira, setembro 18, 2018

O Helloween tocará no Rock in Rio 2019, de acordo com informação veiculada pelo jornal Destak. O festival acontecerá entre os dias 27, 28 e 29 de setembro e 4, 5, 6 e 7 de outubro, no Rio de janeiro.

A banda alemã retornará ao Brasil pela segunda vez com a sua atual formação, que conta com Michael Kiske, Andi Deris, Kai Hansen, Michael Weikath, Sascha Gerstner, Markus Grosskopf e Daniel Löble. O septeto planeja gravar um novo álbum de estúdio, seguindo um direcionamento similar ao apresentado nos dois volumes do clássico Keeper of the Seven Keys, discos que moldaram a sonoridade do power metal contemporâneo.

Scorpions, Muse, Pink e Anitta já estão confirmados no Rock in Rio 2019. Negociações adiantadas estão acontecendo com o Iron Maiden, que deve ser anunciado em breve no festival.

17 de set de 2018

Topando com Bruce Springsteen em uma banca de revistas

segunda-feira, setembro 17, 2018

Collection: 1973-2012 é uma das oito compilações lançadas por Bruce Springsteen em toda a sua carreira. Cronologicamente, trata-se da sétima coletânea do The Boss. Antes dela tivemos Greatest Hits (1995), o box com 4 CDs Tracks (1998), 18 Tracks (1999), o CD triplo The Essential Bruce Springsteen (2003), Greatest Hits (2009) e o CD duplo The Promise (2010). E mais recentemente ainda saiu Chapter and Verse (2016), acompanhando a sua autobiografia.

A compilação traz 18 canções que repassam a discografia de Springsteen até 2012, iniciando com “Rosalita (Come Out Tonight)”, música de seu segundo disco - The Wild, The Innocent & The E Street Shuffle (1973) - e indo até “Wrecking Ball”, música que dá título ao álbum lançado em 2012. Para quem não conhece a obra de Springsteen trata-se de uma excelente porta de entrada, já que vem com alguns de seus principais hits e conta também com músicas meio lado B. Entre os principais hits de Bruce, talvez a grande ausência seja “The River”.

O disco saiu no Brasil em uma versão digipak com direito a um grande encarte com as letras e informações sobre as músicas. Não sei se está ainda em catálogo, mas a minha edição encontrei em uma banca de revistas que também comercializa CDs aqui em Florianópolis, e acabou saindo por um valor baixíssimo. Ele chega para fazer companhia ao meu acervo de Springsteen, que já conta com os álbuns Darkness on the Edge of Town (1978), We Shall Overcome: The Seeger Sessions (2006), Magic (2007), Working on a Dream (2009), Wrecking Ball (2012) e High Hopes (2014), além da coletânea tripla The Essential Bruce Springsteen (2003). Uma curiosidade: conversando com a proprietária, acabei descobrindo que trata-se da primeira banca de jornais de Floripa e funciona há 110 anos, sendo que a simpática senhora é a responsável por ela há 44 anos. Aos curiosos, está localizada na Praça XV, a popular Praça da Figueira, em frente ao ponto de táxi.

Sempre achei que a obra de Bruce Springsteen é pouco conhecida do público brasileiro. Além de Born in the U.S.A. (1984), seu multiplatinado sétimo álbum que foi sucesso em todo o mundo e teve a sua letra interpretada de maneira errada pela maioria dos ouvintes aqui no Brasil - ela não traz um discurso ufanista e nacionalista, como muitos pensam, mas sim uma crítica à política intervencionista do governo norte-americano -, pouco se ouviu do catálogo de Bruce por aqui. É claro que a barreira da língua é determinante nesse caso, principalmente por Springsteen ser um compositor que aborda de maneira frequente em suas letras os problemas do cotidiano da sociedade americana. No entanto, um cara que possui mais de 45 anos de carreira, lançou 18 álbuns e vendeu mais de 65 milhões de discos só nos Estados Unidos, além de fazer shows antológicos, merecia ser mais reconhecido por todos que gostam de música.

Quem sabe você também não esbarra com um disquinho simpático de Bruce pelo caminho e aproveita para dar os primeiros passos na obra desse músico incrível. Posso afirmar que a satisfação será garantida.


Amon Amarth lança documentário e material ao vivo

segunda-feira, setembro 17, 2018

Sairá em novembro o DVD e Blu-ray The Pursuit of Vikings: 25 Years in the Eye of the Storm, com um documentário sobre os 25 anos de carreira do Amon Amarth e o vídeo com a performance da banda sueca no festival alemão Summer Breeze, em 2017.

O grupo está trabalhando também em novas músicas, e o plano é lançar um álbum inédito em 2019. O disco mais recente, Jomsviking, saiu em março de 2016 e chegou ao primeiro lugar na Alemanha e a Áustria, além de alcançar a 19ª posição na Billboard.

The Pursuit of Vikings: 25 Years in the Eye of the Storm será o segundo material  oficial em vídeo do Amon Amarth. Antes, a banda havia lançado Wrath of the Norsemen em 2006.

Discoteca Básica Bizz #118: John Coltrane - A Love Supreme (1965)

segunda-feira, setembro 17, 2018

Eleito Disco do Ano pela crítica especializada quando lançado em fevereiro de 1965, consagrado hoje por jazz rappers (na coletânea Red, Hot & Cool), A Love Supreme, a obra-prima de John Williams Coltrane (1926-1967), ultrapassa os limites de seu estilo e tem uma sintonia extraordinária com os anos 1990. Talvez por ser um exemplo raro de expressão da espiritualidade na música moderna, Coltrane permanece a grande referência de todo músico interessado em desenvolver as técnicas de improvisação e, com isso, expressar "algo mais" por meio de seu instrumento.

Nos anos 1950, John Coltrane cruzou seu sax tenor sucessivamente com os trompetes de Dizzy Gillespie e Miles Davis e com o piano de Thelonious Monk. Com o primeiro aprendeu a lidar com influências musicais do resto do mundo. Com o segundo chegou à perfeição formal de sua expressão, enquanto o terceiro ensinou-lhe a ousadia. Além de gravar discos tão importantes quanto Kind of Blue (com Miles em 1959), Coltrane forjou uma técnica musical revolucionária que lhe permitiu explorar tonalidades nas escalas altas e desencadear avalanches de harmonias em níveis inéditos.


Fruto do trabalho de aprimoramento em conseguir alcançar estados de puro transe obsessivo, essa técnica de execução: (1) levou o instrumentista a tocar solos cada vez mais longos; (2) fez com que os músicos de seu conjunto tocassem simultaneamente linhas melódicas diferentes, o que acabou desembocando no free jazz, movimento do qual Coltrane foi mentor; (3) facilitou as combinações de sua música com as escalas orientais, as texturas sonoras e os ritmos vindos da Índia e da África.

Alternando o sax tenor e o soprano a partir de 1960, na busca de um leque maior de cores, Coltrane alcançou a plenitude artística ao formar seu quarteto definitivo: Elvin Jones (bateria), McCoy Tyner (piano) e Jimmy Garrison (baixo), algo expresso nas quatro peças de A Love Supreme, onde mescla a energia do bop e a suavidade do cool. Os temas criam uma nova ordem modal, onde silêncio, texturas e moods valorizam-se numa estrutura aberta, livre. Coltrane administra o caos para instaurar uma dimensão cósmica.

Trinta anos depois, as possibilidades do disco ainda estão para ser exploradas, enquanto o pop enfrenta um tremendo impasse criativo.

Texto escrito por Jean-Yves de Neufville e publicado na Bizz #118, de maio de 1995

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