4 de mai de 2016

Os 20 discos de metal e hard rock mais vendidos nos EUA em 2016


Lista compilada pelo Metal Insider, e que revela aspectos bem interessantes. O principal talvez seja o fato de o álbum mais vendido de rock e metal no mercado norte-americano em 2016 é de uma banda que praticamente passa batido aqui pelo Brasil: o Disturbed. Há anos extremamente popular nos Estados Unidos, o quarteto liderado pelo vocalista David Draiman é figura rara em sites, revistas e nas conversas entre metalheads tupiniquins, que seguem preferindo sonoridades mais tradicionais e preferencialmente vindas da cena europeia. Dentro dessa linha de raciocínio estão também outros nomes que são bastante populares entre os ianques e ainda não pegaram de vez aqui no Brasil, como Five Finger Death Punh, Shinedown, Killswitch Engage, Asking Alexandria e Disturbed.

Outro ponto que chama a atenção é a presença de diversos títulos do Metallica, colocando quatro álbuns entre os vinte mais vendidos até agora em 2016, o que demonstra a enorme força que a banda possui na indústria musical. Dystopia, novo do Megadeth, também merece destaque, em uma belíssima segunda colocação, assim como o último do Anthrax, For All Kings

Entre os títulos de catálogo, além dos álbuns do Metallica chamam a atenção duas compilações - uma do Journey (provavelmente puxada pelo efeito Glee, seriado que transformou “Don't Stop Believin'" em um hino maior do que já era, dando uma proporção gigantesca para a canção) e outra do Guns N’ Roses (o retorno já dá resultado, como previsto) - e os multi-platinados Back in Black e Slippery When Wet, eternos campeões de vendas do AC/DC e do Bon Jovi, respectivamente.


Abaixo, a lista com os 20 discos de hard rock e metal mais vendidos no mercado norte-americano em 2016 (até agora, é claro), bem como a quantia de cópias comercializadas de cada título:

Disturbed, Immortalized (Warner Bros) 112,500 sold
Megadeth, Dystopia (Tradecraft/uME) 108,400 sold
Metallica, Metallica (Blackened), 90,000 sold
Deftones, Gore (Reprise) 80,400 sold
Five Finger Death Punch, Got Your Six (Prospect Park) 58,500 sold
Metallica, Master of Puppets (Blackened) 58,200 sold
Anthrax, For All Kings (Megaforce) 57,500 sold
Shinedown, Threat to Survival (Atlantic) 54,500 sold
Metallica, …And Justice For All (Blackened) 54,250 sold
Killswitch Engage, Incarnate (Roadrunner) 52,250 sold
Dream Theater, Astonishing (Roadrunner) 50,000 sold
Metallica, Ride the Lightning (Blackened) 47,000 sold
Journey, Greatest Hits (Columbia) 45,650 sold
Nirvana, Nevermind (Interscope) 40,600 sold
AC/DC, Back in Black (Columbia) 40,000 sold
Guns N’ Roses, Greatest Hits (Interscope) 38,500 sold
Asking Alexandria, The Black (Sumerian)  38,000 sold
Guns N’ Roses, Appetite For Destruction (Interscope) 34,500 sold
Bon Jovi, Slippery When Wet (Island) 33,200 sold
Nirvana, Unplugged in New York (Interscope) 33,100 sold

3 de mai de 2016

Três novas bandas pra você ouvir: The Blank Tapes, Moldragon e Rei Pelicano


Como todo site de música, recebemos muitos e-mails com releases de novas bandas por aqui. E tem tanta banda boa procurando que resolvemos criar uma seção pra divulgar tudo isso pra você, que nos acompanha. 

A ideia é a seguinte: todo material de novas bandas (com um mínimo de qualidade, é claro) que chegar aqui pra gente via e-mail será repassado para os leitores do site. De preferência, que as músicas e/ou vídeos estejam hospedadas no YouTube, porque assim facilita bastante o trabalho de passar adiante. E você, que está lendo este post, é nosso convidado pra colocar nos comentários a sua opinião e veredito sobre cada um desses novos artistas, dizendo se eles tem futuro, potencial, dando dicas, essas coisas. Tudo com educação e argumentos, é claro.

Pra começar, o The Blank Tapes tem como cabeça o multi-instrumentista norte-americano Matt Adams. O lançamento é do selo gaúcho Honey Bomb Records e o som é um indie/alternativo com influência de folk dos anos 1960. Interessante.




Já o Moldragon é um trio que vem de Porto Alegre, canta em inglês e é um lançamento da Lezma Records. A proposta aqui é um som low-fi, com guitarras e violões e um ar bem melancólico, além da onipresente estética indie.




Enquanto isso, o Rei Pelicano vem de São Paulo e acaba de lançar o EP O Que Nos Cerca, com cinco canções inéditas. Letras em português, bonitos arranjos, backing vocals pontuando tudo em um som com influência de Arctic Monkeys e ecos tímidos da psicodelia dos Mutantes. Gostei bastante do som!

Radiohead: assista ao clipe da inédita “Burn the Witch”


O Radiohead vem causando nas redes sociais nos últimos dias. A banda apagou todo o conteúdo de seus perfis sem aviso prévio e acaba de surpreender todo mundo com um vídeo do que deve ser uma das canções do seu novo disco.

“Burn the Witch” vem com um belo clipe em stop motion dirigido por Chris Hopewell e, ao que tudo indica, estará  no novo álbum da banda inglesa, ainda sem título. O disco será o sucessor de The King of Limbs, lançado em 2011.

Assista ao clipe de “Burn the Witch” abaixo:

Um papo revelador com Vitão Bonesso no Veja Música


Sergio Martins, que na minha opinião é o melhor e mais completo crítico musical do Brasil, recebe nessa semana no seu programa Veja Música o radialista Vitão Bonesso, apresentador do programa Backstage e um dos mais longevos divulgadores do heavy metal no Brasil.

O papo, repleto de histórias interessantes e causos de bastidores, além de revelações sobre o mercado da música pesada no Brasil, pode ser assistido neste link.

Vale a pena!

Axl e AC/DC: ouça 11 minutos do ensaio do cantor com a banda


O áudio não é dos melhores, mas nos vídeos abaixo dá pra ouvir o AC/DC ensaiando com Axl Rose nos vocais, tocando as clássicas “Hells Bells”, “Back in Black” e “Hell Ain’t a Bad Place to Be”. Fica clara a proximidade dos timbres de Axl e Brian Johnson, o que me faz crer que a união dará muito sucesso.

Vale lembrar que a estreia da parceria entre o vocalista do Guns N’ Roses e a lendária banda australiana será neste sábado, 7 de maio, em show no Passeio Marítimo de Algés, em Lisboa.

Desert Trip: confirmado festival reunindo lendas do rock na Califórnia


Especulado nos últimos dias, o Desert Trip foi finalmente confirmado hoje. O festival acontecerá nos dias 7, 8 e 9 de outubro em Indigo, no deserto californiano, no mesmo local onde há anos ocorre o Coachella, e contará com um cast formado exclusivamente por ícones do rock and roll.

O evento terá o seu início na sexta, 7 de outubro, com Bob Dylan e Rolling Stones. No sábado, a festa começa com Neil Young e depois vem Paul McCartney. E no domingo teremos The Who e Roger Waters fechando o festival.

Todas as seis bandas tocarão depois do sol se pôr e realizarão um show completo. 





Discoteca Básica Bizz #044: Gang of Four - Entertainment! (1979)



"Se os membros do Clash eram os guerrilheiros urbanos do rock and roll, os da Gang of Four eram teóricos do movimento revolucionário", já dizia o Truser Press Record Guide, com acerto. Uma primeira leva do pós-punk britânico - que trouxe essas duas bandas e o PiL, entre outras - se atirava com a mesma fúria contra os fundamentos da sociedade burguesa, fossem eles destrutíveis ou não. Não eram. Mas isso só se soube depois.

As marcas da artilharia ainda estão aí. Uma das mais eloquentes é Entertainment!, primeiro LP da Gang, que viria a ser chamado pelo Melody Maker de “o guia jovem para sobrevivência em tempos de recessão" (!). 

O grupo surgiu em 1977 na cidade portuária e industrial de Leeds. O baterista Hugo Burnham, o guitarrista Andy Gill e o vocalista Jon King - todos egressos da universidade local - recrutaram Dave Allen (esse, o único proletário de verdade da banda) para o baixo. E em poucos meses já lançavam um primeiro LP, Damaged Goods, pelo selo independente Fast Products. O sucesso de crítica do disco e o furor que as apresentações ao vivo sempre causavam em clubes ou escolas deixaram a EMI interessada no grupo. A "camarilha dos quatro" (xingamento cunhado pelo governo chinês para o grupo político da viúva de Mao Tse Tung, expurgada do poder tempos depois da morte do marido) se garantiu, exigindo da gravadora - a mesma que rompeu com os Sex Pistols em 1976 - controle total sobre o produto: repertório, capa, produção e divulgação. A EMI pagou para ver.



O aperitivo já causou encrenca: o single "At Home He's a Tourist" esbarrou na censura do programa de TV Top of the Pops, por uma referência, na letra, a camisinhas. O LP confirmou a porrada. Numa espécie de lapidação do diamante cristalizado no carvão punk, o som da Gang não é mero suporte para textos de agitação. Ele é político: sintético, reduzindo ao mínimo essencial, valorizando cada elemento musical e não fazendo concessões a fórmulas ou estilos convencionalmente aceitos - ainda que seja perfeitamente rock. A base sonora das faixas resume-se praticamente a baixo e bateria - uma cozinha que conseguiu juntar de forma única simplicidade, criatividade e peso - e é apenas pontuada pela guitarra de Gill, pelos vocais e por uma eventual escaleta (monocórdica) de King. Apesar das intervenções brutais dos instrumentos, o silêncio também é ostensivamente usado na texto musical, criando climas inusitados a partir da formação mais tradicional do rock.

Gill, o guitarrista, uma das promessas da década (não realizada desde que ele se afastou para tratar de um câncer), mantém-se nos acordes - ao contrário dos próximos discos da banda, onde predominariam riffs e notas musicais como "Natural's Not in It" e "Damaged Goods" (regravada), que, por incrível que pareça, resumem-se a dois acordes básicos de guitarra - todo o clima se baseia na dinâmica dos instrumentos. 

Mas Gill também tinha outras cartas na manga (ou entre os dedos). Basta observar suas intervenções insólitas no (anti) funk "Not Great Men" ou o puro noise que encerra "Guns Before Butter", numa dissonância que também aparece em "Ether" e "Glass". No início de "Anthrax", parece que iremos escutar a versão de "Star Spangled Banner" de Jimi Hendrix, tal a brilhante manipulação do feedback. Mas logo surge um beat tribal de Allen e Burnham, seguido da dupla vocalização de King e Gill (à maneira de "The Murder Mistery", do terceiro LP do Velvet Underground).

Um perfeito veículo para a visão (eminentemente marxista) da banda, a da "política em microcosmo" das relações humanas em uma sociedade capitalista: o casamento como posse, o trabalho alienado, a tortura como rotina (nas prisões políticas) e a rotina como tortura, lá e cá. 

Num lampejo de inconformismo: that's not entertainment!

(Texto escrito por Celso Pucci e Alex Antunes, Bizz #044, março de 1989)