25 de mai de 2016

Sala de Som | O blues selvagem de Rory Gallagher


Neste vídeo, falo um pouco sobre a carreira do genial guitarrista irlandês Rory Gallagher, um dos maiores nomes do blues rock.

Assista, compartilhe, comente e deixe o seu like.

24 de mai de 2016

Dillo: assista ao criativo clipe de “Mamãe, Mamãe”


O excelente Dillo, vocalista e guitarrista brasiliense cujo trabalho indicamos recentemente no Sala de Som, nosso canal no YouTube, lançou o clipe da faixa “Mamãe, Mamãe”, dando fim a um hiato de quatro anos sem material inédito.

A canção, vencedora da categoria Melhor Letra no Festival de Música da Rádio Nacional FM em 2015, ganhou um clipe muito criativo, cheio de metalinguagem e com uns toques de surrealismo. Cantada a partir do ponto de vista de uma garota que está passando pela puberdade, a canção é uma ótima prévia do novo disco do artista, intitulado apenas Dillo e com data de lançamento prevista para o mês de julho.


A direção é de André Gonzales (vocal do Móveis Coloniais de Aracaju) em parceria com o fotógrafo André Miranda. Assista abaixo, porque vale muito a pena!

Reviews: Miles Davis, Amon Amarth, Ace Frehley, Cyndi Lauper e Criolo


Uma passada geral em alguns discos lançados nas últimas semanas e que ainda não foram comentados aqui no site. Reviews rápidos e diretos, pra você sacar o que cada um contém e atiçar a curiosidade para ouvi-los. 


Bom apetite!


Miles Ahead Soundtrack (2016)

Trilha sonora do filme dirigido e estrelado por Don Cheadle, e que conta a história do genial Miles Davis. Canções de Miles intercaladas com diálogos do filme. A trilha traz onze faixas do lendário jazzista, começando em 1953 e indo até 1981. Algumas estão editadas - casos de “Solea”, “Seven Steps to Heaven”, “Nefertiti”, “Duran”, “Black Satin” e “Black Seat Betty” -, e funcionam como pinceladas generosas no vasto catálogo de Miles. E ainda temos clássicos do quilate de “So What”, brilhando em todo o seu esplendor. Completam o tracklist canções do pianista Taylor Eigsti e quatro novas composições escritas por Robert Glasper, pianista e produtor norte-americano, com destaque para “What's Wrong With That?”, onde Glasper toca ao lado de Keyond Harrold, Herbie Hancock, Wayne Shorter, Esperanza Spalding, Antonio Sanchez e Gary Clark Jr. Nunca ouviu Miles Davis? Nunca escutou jazz? Essa trilha pode ser um primeiro passo para se apaixonar pelo gênero.


Amon Amarth - Jomsviking (2016)

Décimo álbum da banda sueca, um dos principais expoentes do metal viking. Produção do respeitado Andy Sneap (Opeth, Trivium, Dimmu Borgir) em um trabalho conceitual que versa sobre os jomsvikings, uma ordem de mercenários do século X. Liricamente, histórias de heroísmo, lutas, confronto e derramamento de sangue. Musicalmente, enormes doses de melodia caminham lado a lado com peso e brutalidade, criando canções cinematográficas e altamente cativantes. Um dos melhores discos do Amon Amarth.


Ace Frehley - Origins, Vol. 1 (2016)

Novo álbum solo do lendário guitarrista da formação clássica do Kiss, uma espécie de Keith Richards do hard rock. O disco traz doze releituras para clássicos do rock, passando por canções do Cream, Rolling Stones, Jimi Hendrix, Free, Thin Lizzy, Steppenwolf e do próprio Kiss. Com participações especiais de Slash, Lita Ford, Mike McCready e John 5, além do chapa Paul Stanley, o Spaceman gravou um disco honesto e que explora as suas principais influências. Rock dos bons e pra lá de divertido!


Cyndi Lauper - Detour (2016)

Caso você não acompanhe o que Cyndi Lauper andou fazendo nos últimos anos, o susto em ouvir seu novo disco será grande. Após se aventurar por álbuns de blues, a cantora que ficou famosa pelo pop vigoroso na segunda metade da década de 1980 aposta em country e em um tempero western em seu novo álbum. Ainda que o resultado não seja brilhante, Detour mostra a versatilidade de Cyndi, seja explorando novas sonoridades ou dividindo o microfone com nomes como Willie Nelson, Emmylou Harris, Vince Gill, Jewel e Alison Krauss. Vale a audição.


Criolo - Ainda Há Tempo (2016)

Ainda Há Tempo é a regravação do primeiro álbum de Criolo, lançado em 2006, atualizando a sua sonoridade com uma nova produção, a cargo do parceiro Daniel Ganjaman. Limpando o excesso do disco original (das 22 faixas, apenas 9 estão na nova versão), essa nova versão resgata boas canções desconhecidas do público e dá um tratamento mais adequado às ideias do início da carreira do rapper. Indicado principalmente pra quem é fã da faceta mais hip hop do artista, que em discos como Nó na Orelha (2011) e Convoque Seu Buda (2014) experimentou com diversos outros gêneros (na maioria dos casos com resultados excelentes, diga-se de passagem), deixando um pouco de lado a sonoridade pela qual surgiu. Enquanto não vem o novo disco, Ainda Há Tempo aplaca a sede.

Discoteca Básica Bizz #047: Talking Heads - Talking Heads: 77 (1977)



Uma história verdadeira: era uma vez uma banda que, sem sombra de dúvida, merecia ter os seus quatros primeiros álbuns em qualquer lista de melhores de todos os tempos. Sob este aspecto, além de sua formação relativamente recente, este fato se tornaria ainda mais incrível ao constatar-se que seus membros - depois de incursões solo e/ou com outros músicos e grupos - voltariam a se reunir para apresentar durante a década seguinte um sólido trabalho que, se já não possuía o mesmo teor inovador de sua fase anterior, ainda primava pela coesão e integridade.

Pois bem. O nome desta banda era Talking Heads e os álbuns acima citados intitulavam-se Talking Heads: 77 (1977), More Songs About Building and Food (1978), Fear of Music (1979) e Remain in Light (1980). Estes três últimos LPs, porém, já contavam com as mãos do não-músico Brian Eno na produção. Eno, que anteriormente havia produzido uma fita demo com o Television - algo como uma banda-gêmea dessa primeira fase dos Heads -, partiu desta experiência abortada para uma profícua e crescente colaboração com as cabeças falantes e especialmente com seu band leader, David Byrne (que se estenderia inclusive ao LP My Life in the Bush of the Ghosts, feito em colaboração com Eno em 1980). Esta conjunção levaria o som dos Heads para oceanos musicais nunca dantes navegados e, em sua gradativa fusão de sons eletrônicos com polirritmia percussiva, influenciaria de modo incisivo o panorama da música pop dos anos 1980.

No entanto, a gênese dessa estética já estava condensada na despojada instrumentalização e na força das composições de seu LP de estreia, Talking Heads: 77. Um álbum que transcendia por sua criatividade os próprios limites do cenário insurgente do punk-rock nova-iorquino, depurando esta energia através da sutileza instrumental e com isso conseguindo um resultado excepcionalmente original dentro de um contexto de absoluta efervescência criativa, em que despontavam nomes como Patti Smith, Ramones, Blondie e outros que tornaram legendário o então obscuro clube noturno CBGB, em Nova York.



No caso dos Heads, o núcleo inicial surgiu quando David Byrne decidiu formar uma banda, junto com seu colega da Rhode Island School of Design, Chris Frantz, também baterista. Eles chegaram a fazer algumas apresentações, às vezes denominando-se The Artistics, e outras, The Autistics. Mas a ideia só tomou fôlego quando convocaram a namorada de Chris, Martina Weymouth, para o baixo, e mudaram-se para Nova York, em 1974. Já como Talking Heads, o trio começou a se destacar no circuito local, mas foi a entrada de Jerry Harrison (ex-Modern Lovers) na segunda guitarra e teclados que daria um formato definitivo ao som da banda.

Com essa formação eles entraram em um pequeno estúdio durante janeiro de 1977 para as sessões de gravação de seu primeiro LP, um álbum extraordinário, dadas as circunstâncias em que foi feito. O clima no estúdio era de tensão permanente entre a banda e um dos produtores, Tony Bongiovi, que a princípio queria outros músicos tocando os instrumentos no disco por não considerá-los suficientemente competente. Por seu lado, Byrne recusava-se a gravar qualquer vocal com a presença de Bongiovi no estúdio. 

Por sorte, nesse impasse prevaleceu a concepção da banda, que forjou uma trama musical ímpar para as canções de Byrne, repletas de observações cortantes a respeito das relações interpessoais ("Tentative Decisions", "The Book I Read", "Pulled Up") e perpassadas pela mais fina ironia ("No Compassion", "Don't Worry About the Government"). 

Em resumo, um álbum único, assim como cada um dos três que o sucederam. Ou, como afirmava o próprio Byrne em "Psycho Killer": "diga algo uma vez / para que dizê-lo novamente?”.

(Texto escrito por Celso Pucci, Bizz #047, junho de 1989)

23 de mai de 2016

Sala de Som | 5 discos pra começar a ouvir heavy metal


A ideia deste vídeo é indicar 5 discos para quem nunca escutou heavy metal e quer começar a ouvir o gênero.

Assista, compartilhe, deixe o seu like, e nos comentários dê dicas de outros títulos pra quem quer começar a escutar metal.

Quadrinhos: Cavaleiro das Trevas III e Mulher-Maravilha: Sangue



Cavaleiro das Trevas III - A Raça Superior é, como o próprio título já antecipa, a terceira parte da aclamada e clássica série criada por Frank Miller em 1986, e que redefiniu o Batman a partir de então. Após uma controversa continuação lançada em 2001, Miller retorna ao universo futuro (e apocalíptico) de seu Batman em uma história desenvolvida ao lado do roteirista Brian Azzerello (100 Balas, Hellblazer). A série, que começou a ser publicada no mercado norte-americano em novembro de 2015, chega agora ao Brasil através da Panini, e seguindo o mesmo formato dos Estados Unidos: 8 edições mensais de 36 páginas em formato americano, com capa cartão e papel couché. Cada edição vem com uma mini-revista em seu interior, com uma história curta focada em um personagem específico e que complemente a trama principal.

Neste primeiro volume (que está nas bancas com quatro opções de capa diferentes) somos apresentados à trama, com foco na Mulher-Maravilha e os frutos da sua relação com o Superman, enquanto Batman está, supostamente, morto. A arte de Andy Kubert emula o traço caracteristicamente disforme de Miller, enquanto o próprio Frank assina a arte da primeira mini-revista, focada no Átomo e seu microverso.

O enredo é apresentado e mostra-se bastante interessante, atiçando a curiosidade do leitor e deixando pontas que serão desenvolvidas nas próximas edições. Vale dizer que a série ainda está em desenvolvimento nos Estados Unidos (por lá os quatro primeiros números já chegaram às bancas), o que é um ponto a mais para a Panini, que decidiu não esperar o final da publicação no mercado norte-americano para lançar DK III no Brasil. 

Aguardemos os próximos números, já que esse primeiro volume se mostrou muito interessante.



Mulher-Maravilha: Sangue, escrita por Brian Azzarello e com arte de Cliff Chiang, compila o arco inicial da heroína na iniciativa Os Novos 52, reboot implantado pela DC Comics em 2011 e que tinha o objetivo de reintroduzir seus personagens para um novo público, reiniciando suas cronologias e, em alguns casos, até mesmo suas origines. Pessoalmente, curti muito tudo que já li dos Novos 52, e com a Mulher-Maravilha não foi diferente.

Sangue é um volume em capa dura com 160 páginas e papel couché, que reúne  seis primeiras edições da revista Wonder Woman, publicada originalmente em 2011. Aliás, essa é a única crítica negativa do material: por que demorar cinco longos anos para lançar no mercado brasileiro um material que foi instantaneamente aclamado lá fora? 

A história, repleta de ação e com uma arte excepcional a cargo de Chiang, mostra Diana em um arco bastante interessante enquanto reconta a origem da Mulher-Maravilha, com diferença substanciais em relação à origem clássica da personagem. Explorando os mitos e deuses gregos, o enredo de Azzarello é excelente, prendendo o leitor a cada diálogo. O trabalho editorial primoroso deixa tudo ainda mais forte, evidenciando a qualidade de todo o material. É a típica história recomendada para quem quer iniciar a ler quadrinhos e quer saber mais sobre a personagem (que ganhará um filme solo no ano que vem e ficou em evidência após Batman vs. Superman). 

Agora, é esperar que a Panini lance os próximos volumes em breve aqui no Brasil, já que este arco foi publicado em seis encadernados nos Estados Unidos. Recomendadíssimo!

Bob Dylan: na capa da nova Mojo (que vem com um LP duplo!)


A nova edição da revista inglesa Mojo traz o lendário Bob Dylan em sua capa. A publicação conta a história do clássico Blonde on Blonde, um dos primeiros álbuns duplos da história do rock, lançado em 16 de maio de 1966. 

A revista está disponível em duas versões: com o tradicional CD que sempre a acompanha e também em uma tiragem limitada de 3.500 cópias que vem com um pôster original de 1966 e um LP duplo gatefold com a compilação montada pela publicação em vinil amarelo. Demais, não?

O novo número da Mojo vem também com uma matéria especial sobre Prince e textos sobre Sean Lennon, Fugazi, The Beach Boys, Al Jourgensen e outros.