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17 de jan de 2017

Review: Sepultura - Machine Messiah (2016)

terça-feira, janeiro 17, 2017

Décimo-quarto álbum do Sepultura, Machine Messiah foi lançado neste início de 2017, mais precisamente dia 13 de janeiro. A produção é de Jens Bogren (Opeth, Soilwork, Amon Amarth) e foge da experimentação de timbres - principalmente em relação aos vocais - que incomodaram muita gente (este que vos escreve incluso) em The Mediator Between Head and Hands Must Be the Heart (2013).

É louvável que o Sepultura siga lançando discos, ainda que, de modo geral, todos os álbuns da fase com Derrick Green soem meio homogêneos. Explico: os oito registros com o vocalista norte-americano são trabalhos sólidos, sempre com boas ideias e inovações pontuais, que funcionam não apenas como expressões artísticas, mas também como veículo para mostrar que os músicos seguem vivos e inquietos.

A questão é que, por mais que esses álbuns sejam interessantes e, em alguns casos, acima da média (acho a trilogia Dante XXI, A-Lex e Kairos o pico de criatividade dessa fase da carreira da banda), eles não possuem algo que faça com que o Sepultura se destaque das dezenas, centenas e inúmeras bandas mundo afora. Não há mais o mojo e o molho de outros tempos - e, por favor, não me confundam com uma viúva dos irmãos Cavalera, que ao meu ver, principalmente o Max, tornaram-se caricaturas de si mesmos com o passar dos anos. Resumindo: o Sepultura se tornou uma banda comum.

Todos são excelentes músicos, não é isso que está em discussão neste texto. O que tenho pensado bastante é no quanto um disco como Machine Messiah ou qualquer outro dos trabalhos recentes do quarteto impacta não apenas o público - fãs são fãs e sempre querem algo novo de seus ídolos, no fim das contas - mas, principalmente, o cenário metálico em todo o mundo. O que Machine Messiah, ou Roorback, ou Against, trazem ou trouxeram de novo para o heavy metal mundial? Que influência eles tiveram no metal como um todo? Qual o impacto desses discos? Analisando de maneira fria e imparcial, por mais que a resposta possa soar até meio ofensiva, ela é clara: praticamente nenhuma.

Machine Messiah não é um disco ruim, assim como nenhum álbum do Sepultura com Derrick o é. Como já dito neste mesmo texto, trata-se de um álbum competente, com algumas boas ideias e as inovações sempre presentes, mas que, analisado à luz do cenário metálico como um todo, tem pouca - ou quase nenhuma - significância. 

E isso, para uma banda que foi, ao lado do Pantera, a mais influente do metal em meados dos anos 1990, é preocupante e extremamente broxante.

16 de jan de 2017

A formação do gosto musical

segunda-feira, janeiro 16, 2017

Ao discutirmos o gosto por determinado artista, banda, álbum ou música preferida, há sempre aquele conflito que acalora a discussão em um dilema que aparentemente parece insolúvel. Afinal, o gosto é “objetivo” ou “subjetivo”?Várias e várias vezes lá estamos nós naquela interminável discussão na mesa de bar, faculdade ou internet tentando desqualificar aquele amigo ou amiga que não gosta de determinado artista. Por sua vez, parece que essa discussão nunca chegaria a um consenso, deixando sempre um clima de rivalidade e conflito criando um contingente de inimizade entre fãs de bandas diversas, tais como Metallica, por exemplo, contra aqueles que curtem Megadeth. A primeira é melhor, dizem uns, a segunda que é, dizem outros. Segue a partir daí inumeráveis listas de artistas/bandas subestimados, superestimados, melhores, piores, etc, que são alvo de polêmica entre fãs mais “ortodoxos”.

O que tentaremos propor aqui é dar uma resposta a essa discussão. Podemos iniciar com uma breve definição prévia: a formação do gosto musical é fundamentalmente social. Isto quer dizer que o gosto não é “objetivo”, nem “subjetivo”. Parece confuso, mas vamos seguir adiante. Existe um argumento complexo que foi elaborado em um ramo dentro dos estudos na filosofia (e, posteriormente, até mesmo na ciência), reproduzida por especialistas em crítica artística, artistas profissionais, entre outros agentes que estão inseridos na esfera social da arte (e suas subdivisões, literária, cinematográfica, musical etc.), que seriam os estudos denominados de “estética”, a qual considera uma avaliação sobre a obra de arte como algo à parte da existência humana e, portanto, passível de ser avaliada “objetivamente”. Assim, a obra de arte teria o seu significado, sua existência como algo em si. A pintura, a música clássica ou filme do renomado diretor Andrei Tarkovski seria belo por natureza, sublime e fugidia à sensibilidade das pessoas ignorantes que não conseguiriam captar tamanha beleza. No entanto, colocar que a arte possui um valor em si mesma revela uma ilusão. A existência das contradições nos distintos gostos entre pessoas, grupos e classes sociais mostra que a obra não possui um valor “objetivo”, uma essência mesma sem que um ser humano tenha feito alguma atribuição a ela. Se houvesse uma natureza própria que poderia ser medida e avaliada “objetivamente”, existiria um consenso no gosto musical. Como bem podemos notar, não existe consenso na realidade, mas divergências e conflitos.

O outro lado do problema seria a “subjetividade”, o que nos leva ao relativismo. O gosto passaria pelos sentimentos, as experiências e a sensibilidade de cada um que se identifica com aquilo de maneira singular. Dessa maneira, a obra de arte seria um problema de perspectivas diferentes, em que cada indivíduo seleciona aquilo que lhe convém e agrada. Portanto, devemos ser tolerantes e aceitar as diferenças musicais, ou seja, não existe uma hierarquia na formação dos gostos que poderia estabelecer uma diferença entre obra de arte “ruim” ou “boa”, “popular” ou “elite”. Afinal, todas são músicas. Podemos dizer que existe dentro desse dilema um momento de verdade. Sem dúvidas, cada ser humano é singular, histórico e possui sentimentos, concepções e ideias derivadas de sua trajetória de vida; mas, dentro das diferenças, há também o que é comum. A partir do que é comum, ou homogêneo, que começaremos a revelar a formação do gosto musical.

Como colocado anteriormente em nossa definição prévia, o gosto é formado socialmente. Podemos entender dessa definição que são os seres humanos que atribuem valor aos “seres” (objetos, ações, pessoas, ideias etc.). Assim, o que leva a uma pessoa a valorar (dar valor próprio) determinada obra de arte? Esse critério é determinado pelas condições histórico-particulares da sociedade em questão. Podemos ver que grande parte da música que ouvimos é um produto capitalista que precisa ser vendido, distribuído e divulgado pelos artistas para que cheguem aos nossos ouvidos. A demanda para realizar tamanha tarefa exige um capital comercial (empresas especializadas em vender discos, iPod’s, vinis, etc.) que possa comercializar a música produzida. Um capital fonográfico (gravadoras como a EMI, SONY, WARNER, entre outras) que mediria a relação entre o artista e o público, no qual se coloca determinadas exigências na seleção das músicas que chegarão até nós, bem como forma e conteúdo, na duração da música, o single (faixa lançada de forma separada do disco), a mensagem que as letras vão repassar ao público, como também a composição dos arranjos, a interpretação, a melodia que podem variar do mais trivial ao complexo. E, por fim, ainda temos o capital comunicacional, o que envolve a divulgação das músicas por meio de programas de TV, festivais, rádio, internet, entre outros lugares. 

Além dessa chamada indústria da música produzida pela nossa sociedade, cada vez mais movida pelo capital, existe também a formação de blocos diferentes do público ouvinte, o que designaremos como distinção social. A distinção social nos revela a especificidade que é criada na determinação de qual segmento social a música será direcionada. Temos um público mais intelectualizado que valora a técnica, o arranjo, ou seja, uma música mais complexa. Dentro desse estilo podemos destacar o jazz, música instrumental, rock progressivo e música clássica. Temos também a música trivial (ou mais comumente conhecida como música “brega”), que seria a música “popular”. Os arranjos são mais simples, a mensagem e a interpretação são mais fáceis de serem assimilados. Na música mais complexa exige-se uma reflexão maior, concentração e interpretação. Na música trivial não há tanta exigência, tal como vemos na música sertaneja, funk “ostentação” e derivados. Portanto, a distribuição da música é diferenciada dentro de uma determinada população, variando dentre desses blocos: intelectualizado e popular. Dentro disso, acrescentamos que, geralmente, as classes privilegiadas compõem o primeiro bloco, enquanto as classes desprivilegiadas compõem o segundo, e também existem outras subdivisões nos blocos entre grupos sociais, tais como os punk’s, “metaleiros”, evangélicos, diferenças regionais, etc.

A importância da compreensão das condições de formação do gosto musical nos mostra o significado de suas origens sociais e históricas sobre como determinado estilo/artista/banda começou a ser divulgado de forma massiva nos meios sociais e, por conseguinte, chegou até os nossos ouvidos, sendo apreciados e valorados em nossa vida. Podemos tomar como exemplo o estilo musical conhecido como rock, o qual se tornou amplamente divulgado em muitas regiões do Brasil, mas é amplamente cantado em inglês e influenciado por bandas dos Estados Unidos e Europa (principalmente Inglaterra). Mesmo que outras bandas da Argentina, Chile, Brasil ou Finlândia possam ter como ambição criar uma banda de rock, a linha de composição seguirá o idioma anglófono. Isto não quer dizer que o inglês é mais “bonito”, “melódico” ou qualquer problema desse gênero. Essa questão revela apenas que o rock se tornou um estilo extremamente popular, divulgado nos países de todo mundo e a origem disso se encontra nos interesses do capital (fonográfico, comunicacional e comercial/industrial) por trás. A explicação do desenvolvimento de determinado estilo, popularização e divulgação em determinados países e épocas históricas foge ao interesse desse breve texto, pois demandaria muito espaço. 

Assim, ouvir determinado artista/banda/cantor nos mostra a formação da música como um fenômeno social, que se torna cada vez mais homogêneo em nossa sociedade. Aqui no Brasil, como na Inglaterra, encontramos ouvintes de Metallica ou Megadeth, dentre outras bandas de sucesso. As turnês dessas bandas são lucrativas ao redor de quase todo o mundo. São bandas que conseguem tocar em estádios lotados, terem vendagens lucrativas de discos e consolidarem um estilo (thrash metal), aparentemente “impopular”, tornando-o conhecido ao redor de todo o mundo. Portanto, o nosso gosto é formado através dessas influências, por meio de determinadas condições sociais e históricas, que possibilitam conhecermos determinados artistas ou bandas, de determinado país. Gostar ou não de uma música/artista mostra para nós nossos interesses, pertencimento de classe, sentimentos e ideias que temos sobre a realidade. 

Em suma, a música é sempre determinada pela realidade social em que estamos inseridos. Podemos gostar ou não das letras de rap, funk, rock ou sertanejo, odiar ou adorar ouvir aquele rock progressivo ou thrash metal com nossos amigos, mas o fundamental é perceber que cada estilo é transitório, histórico e particular da sociedade em que vivemos. Fica assim a discussão para novas reflexões e comentários sobre o assunto.

Por Felipe Andrade

10 de jan de 2017

Dropkick Murphys: entrevista exclusiva com o baterista Matt Kelly

terça-feira, janeiro 10, 2017

Em sua primeira visita ao Brasil, em 2014, vocês tocaram em suas datas sold out em São Paulo. Esperavam ser tão bem recebidos aqui por aqui?

Não, realmente a recepção do público foi uma surpresa, e das mais agradáveis. Ficamos muito satisfeitos com o amor demonstrado por nossos fãs brasileiros.

Vocês chegaram a preparar algo especial para esses novos shows aqui no Brasil?

Fizemos uma boa mistura com músicas dos últimos vinte anos, para que as pessoas possam curtir e provar de tudo.

Vocês certamente já responderam essa, mas lá vai: de onde surgiu a ideia de unir o punk com a música celta, que resultou em algo tão original e cativante como o Celtic Punk?

Foi quase por acidente. Quando um amigo ouviu a nossa primeira canção, "Barroom Hero", disse que soava como se os Pogues estivessem socando os Ramones. Eu acho que foi um som não intencional, mas fazia sentido ao olharmos para as nossas origens. Então penso que fomos expandindo lentamente o nosso Oi! e punk para incluir influências celtas. Isso já havia sido feito antes pelos Pogues e depois pelo Pist´n´Broke, mas acho que conseguimos encontrar o nosso próprio som usando a mesma forma.

O Dropkick Murphys sempre teve um posição política clara. Agora, com a eleição de Donald Trump, vocês pretendem intensificar o discurso contra os Republicanos, ainda mais devido ao caso envolvendo o uso sem autorização de uma canção da banda, "I´m Shipping Up to Boston", por Scott Walker, governador do Wiscosin?

Não. Não vejo Trump utilizando nenhuma de nossas músicas para promover suas ideias. Eu não sou anti-Republicano, assim como não sou anti-Democrata. Acho que nosso país está dividido o suficiente para que as pessoas tratem seus partidos políticos como times de futebol e quem pensa diferente como um inimigo, ao invés de apenas dois pontos de vista diferentes para o mesmo assunto. Se Trump ajudar a promover mais empregos ao nosso país e reconstruir a indústria, então isso será algo positivo. Agora é esperar pra ver no que vai dar.

O que você conhece de música brasileira, especialmente sobre as cenas rock e punk brasileiras?

Eu sei que o punk, o Oi! e o hardcore, assim como o thrash metal, são muito populares no Brasil desde os anos 1980, embora me entristece admitir que não conheço muitas bandas além de Virus 27, Histeria, o clássico Ulster, e um par de nomes mais novos como Blind Pigs e Belfast.


Depois de quatro anos sem nada inédito, vocês estão lançando nesse início de 2017 o seu novo álbum, 11 Short Stories of Pain & Glory. O que os fãs podem esperar desse novo disco?

É um disco duro e áspero, com letras sobre assuntos que nos interessam. Estamos muito orgulhosos do trabalho e esperamos que nossos fãs mantenham esse sentimento em seus corações tanto quanto nós.

As vendas de CDs, LPs e de outros formatos físicos caíram muito com a popularização dos downloads e dos serviços de streaming. Tendo essa realidade em mente, ainda vale a pena gravar novos discos?

Sim. Nós sempre gravaremos discos, e teremos o cuidado de colocar as músicas em uma boa ordem, para que, quando o álbum for ouvido, ele flua bem. Tempos, sons e emoções são sempre levados em conta na hora de colocar um novo álbum em ordem.

Em qual país em que vocês ainda não tocaram e gostariam de realizar um show?

Eu adoraria tocar no Egito, Índia, Coreia, China, Indonésia e na África do Sul. Acho que seria muito interessante ter contato com essas culturas, conhecer a arquitetura, as pessoas e os nossos fãs (caso existam) nesses lugares.

Que banda você curte e os fãs não fazem nem ideia?

Steely Dan! É o que chamam de guilty pleasure para mim.

Pra fechar: que música você indicaria para uma pessoa que nunca ouviu nada do Dropkick Murphys?

Eu provavelmente teria que recomendar "Worker´s Song" e "The Warrior´s Code". Ambas possuem muitos dos diferentes elementos do nosso som, incorporando a instrumentação diferente que usamos e que torna a nossa música exclusiva. Muito obrigado pela entrevista, e saudações aos nossos fãs brasileiros.

9 de jan de 2017

Os 25 melhores discos de 2016 segundo os leitores da Collectors Room

segunda-feira, janeiro 09, 2017

Foram quase 400 participantes, que votaram nas opções disponíveis em nossa pesquisa sobre os melhores discos lançados em 2016. Como era esperado, a briga pelo topo ficou polarizada entre dois títulos, mas tivemos ótimas surpresas no resultado final.

Obrigado a todos que participaram. Foi muto gratificante conhecer a opinião de vocês sobre tudo que rolou na música no ano que acabou, assim como será ótimo e motivador ter a companhia de cada um aqui no site durante todo esse ano que se inicia.


Nos próximos dias, devagar e sem pressa, a Collectors Rom irá retomar o seu ritmo normal, com dicas de artistas, bandas, álbuns, matérias e tudo mais que faz você acompanhar o seu site favorito. Vamos juntos em mais uma temporada cheia de descobertas!


Esses foram os 25 melhores discos de 2016 na opinião dos nossos leitores:


25 Oceans of Slumber - Winter - 8,8%

24 Katatonia - The Fall of Hearts - 9,6%
23 Radiohead - A Moon Shaped Pool - 9,6%
22 Joe Bonamassa - Blues of Desperation - 11,2%
21 Blackberry Smoke - Like an Arrow - 11,4%
20 Alter Bridge - The Last Hero - 11,4%
19 Charles Bradley - Changes - 11,7%
18 Spiritual Beggars - Sunrise to Sundown - 11,9%
17 Eric Clapton - I Still Do - 11,9%
16 Iggy Pop - Post Pop Depression - 13%
15 Tedeschi Trucks Band - Let Me Get By - 14,8%
14 Amon Amarth - Jomsviking - 15,3%
13 Ghost - Popestar - 15,6%
12 Volbeat - Seal the Deal & Let´s Boogie - 15,8%
11 Anthrax - For All Kings - 16,1%%
10 Zakk Wylde - Book of Shadows II - 16,6%
9 Blues Pills - Lady in Gold - 17,7%
8 Testament - Brotherhood of the Snake - 21%
7 The Rolling Stones - Blue & Lonesome - 21,6%
6 Rival Sons - Hollow Bones - 25,5%
5 David Bowie - Blackstar - 26,8%
4 Gojira - Magma - 28,1%
3 Opeth - Sorceress - 29,9%
2 Megadeth - Dystopia - 37,7%
1 Metallica - Hardwired ... To Self-Destruct - 46%

15 de dez de 2016

Obrigado pelo ótimo ano, e um convite especial pra você

quinta-feira, dezembro 15, 2016

Foi um ano bem legal aqui no site. Em 2016 a Collectors Room retomou o seu caminho com força total, passou por uma grande reformulação visual e abriu as portas para novos colaboradores. Pessoalmente, desde o início do site lá em 2008, esse foi um dos meus anos favoritos por aqui. Todo o retorno que você, que acessa o site todos os dias, deu às matérias e textos que publicamos durante os últimos doze meses, foi um combustível não apenas revigorante, mas muito necessário e que mostrou que todo o trabalho que a gente faz aqui, repleto de tesão e paixão, vale muito a pena.

Vamos dar uma parada neste final de ano. Férias, descanso, numa relax, numa tranquila, numa boa. Uma recarga nas baterias pra voltar com tudo em 2017. A previsão é que o site volta à sua programação normal lá pela terceira semana de janeiro, mais ou menos no dia 19 de janeiro aproximadamente. Sei, longos trinta dias, mas um tempo em que a ideia é parar, curtir meu filho, minha família e tudo o que faz a vida valer a pena todos os dias.

Então, um muito obrigado por estar junto com a gente por mais um ano, dividindo a sua paixão pela música e pela cultura pop conosco, em uma troca de ideias que é, em essência, o que torna o trabalho de todos envolvidos com a Collectors Room uma atividade cada vez mais recompensadora.

E temos um convite especial pra você: participe da nossa pesquisa de melhores do ano. Abaixo listamos mais de 80 discos lançados em 2016, que achamos muito legais e que estamos colocando na mesa para que você faça as suas escolhas e nos ajude a chegar aos melhores do ano na opinião dos leitores da CR. Você pode votar em quantos discos quiser, e também seria bem legal se você nos ajudasse levando essa pesquisa aos seus amigos, convidando-os a também participar e apresentando a Collectors Room para a sua turma.

Um grande abraço a todos, boas festas e que 2017 seja um ano ótimo para todos nós!

Review: The Neal Morse Band - The Similitude of a Dream (2016)

quinta-feira, dezembro 15, 2016

Esta resenha é escrita com um mês de atraso e na mesma semana que um dos maiores nomes do rock progressivo nos deixa: Greg Lake (King Crimson, Emerson, Lake and Palmer). Mas a morte dele não me fez apenas lamentar que perdemos mais uma lenda. Fez-me pensar quanta coisa boa as pessoas deixam de curtir por quererem sempre uma cópia do passado.

Uma dessas coisas é The Similitude of a Dream, décimo-nono álbum do vocalista, tecladista e guitarrista estadunidense Neal Morse, e o segundo lançado sob o nome The Neal Morse Band – um grupo que junta ele, o lendário baterista Mike Portnoy, o antigo parceiro e baixista Randy George e dois músicos relativamente desconhecidos, mas bastante rodados e habilidosos: o tecladista Bill Hubauer e o guitarrista Eric Gillette.

Este disco, conceitual e baseado no livro The Pilgrim’s Progress (John Bunyan), mostra uma evidente evolução em relação ao álbum anterior, The Grand Experiment (2015). Por mais que o lançamento do ano passado já tenha sido feito sob um sistema de banda “de verdade”, e não apenas com os músicos se adequando às composições de Neal, ele ainda soava como uma obra solo de Neal Morse.

Em The Similitude of a Dream, contudo, a formação soa muito mais entrosada, com uma forte química entre os integrantes, concedendo-a um ar mais de “Neal Morse e amigos” – sim, a marca Neal Morse ainda é onipresente, ou a banda não levaria seu nome. E depois que você assiste ao making of do álbum, tudo fica mais claro. Dá para ver com clareza a fluência musical que eles demonstraram em estúdio, a maneira como todos estavam bem à vontade sozinhos com seus instrumentos ou gravando em grupo.

O documentário retratou a concepção do álbum de forma tão honesta que até um desentendimento entre Portnoy e Morse foi tornado público – o baterista era contra fazer um disco duplo porque o Dream Theater, sua ex-banda, já havia lançado um trabalho conceitual duplo no começo do ano (The Astonishing) e ele temia comparações. Um medo um tanto tolo – são duas obras musicalmente bem diferentes, lançadas por grupos que não estão exatamente perdendo a virgindade nessa coisa de disco duplo.

Enfim, falemos da música do álbum em si: The Similitude of a Dream justifica sua calorosa recepção pela crítica. Não o colocaria no pedestal de lançamento do ano como alguns estão fazendo, mas é obviamente um discaço, e todo aquele entrosamento enaltecido parágrafos acima resultou em mais de 20 faixas, totalizando quase duas horas de rock.

Elas variam de breves peças leves e acústicas como a abertura “Long Day” e “The Dream”, a trabalhos de média duração com riffs mais pesados e instrumentação mais complexa como “City of Destruction”, “Draw the Line” e “So Far Gone”. Outras faixas trazem seus charmes próprios: o solo de saxofone de Bruce Babad em “Shortcut for Salvation”, os toques country em “Freedom Song”, o solo de baixo em “I’m Runnin” … Sem falar nas instrumentais “Overture”, “The Slough” e “The Battle”.

Mesmo que você não se identifique com todas, certamente encontrará ao menos algum momento de prazer auditivo neste disco. E a banda faz isso tudo sem perder foco e coesão. Você consegue visualizá-los o tempo todo da maneira que foram retratados no making of: livres, leves e soltos. Graças a Dio, Mike Portnoy foi vencido pelos outros quatro membros e o álbum rendeu os dois discos que sempre foi destinado a render. E como eu não resenhei The Grand Experiment, aproveito para registrar comentários sobre os dois novos músicos da banda:

- o tecladista Bill Hubauer acaba um pouco ofuscado por Neal Morse, cujo instrumento principal é o próprio teclado, embora nos clipes deste álbum ela seja mais visto empunhando guitarras ou violões. Mas o trabalho apresentado até aqui dirime qualquer dúvida quanto ao seu talento. Soube criar harmonias e melodias que se encaixaram bem em todas as canções.

- o jovem guitarrista Eric Gillette teve relativamente mais destaque. No começo do ano passado, antes mesmo do The Grand Experiment, Portnoy comentou o quanto Eric Gillette se parecia com seu “antigo parceiro de crime” – era uma óbvia referência a John Petrucci, seu ex-colega de Dream Theater. A referência se revelou precisa. A influência que o barbudo exerce sobre Eric é grande – às vezes, grande demais. Em alguns momentos o que se ouve é uma tentativa de imitar os dedilhados de Petrucci. O solo de “Breath of Angels”, por exemplo, parece uma junção dos solos de “The Best of Times” e “The Ministry of Lost Souls”, ambas do Dream Theater. Por outro lado, recai sobre ele grande parte da responsabilidade da qualidade do disco, especialmente por executar bem todos os riffs e por saber casar o som de sua guitarra com os teclados, que sempre desempenham papel fundamental na música de Neal Morse.

Um exemplo de rock progressivo bem feito, um exemplo de trabalho duplo e conceitual. Uma aula de instrumentação e composição. Podemos até discutir se este é o “álbum progressivo do ano”. Mas não podemos discutir sua beleza, nem sua qualidade.


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