26 de set de 2016

Scatterbrain e a diversão no heavy metal

segunda-feira, setembro 26, 2016

Antes de a MTV chegar em casa lembro de sintonizar, na minha velha Telefunken, a TV Gazeta (canal 11em São Paulo) e assistir ao Clip Trip. Por incrível que pareça, conheci muita banda legal por causa do programa, assim como no Som Pop da TV Cultura. Front 242, Kraftwerk, Suicidal Tendencies, Cro-Mags, L7 e uma cacetada de outros conjuntos chegaram a mim por esses programas. 

Estamos falando de uma época onde a Rock Brigade era a “bíblia” para conhecer o material sobre metal que chegava ao Brasil, telefones eram investimentos caríssimos, orelhões eram abundantes, os supermercados remarcavam os preços dos produtos todos os dias e não havia a menor menção à ideia do que se tornaria a internet hoje, principalmente se você fosse de um bairro pobre e afastado em Guarulhos.

Foi nesse cenário que fui apresentado à uma das bandas mais marcantes da minha pré-adolescência, o Scatterbrain. O grupo surge após o término da banda de thrash Ludichrist. Uma de suas principais características é, claro, o humor, além de seus membros se mostrarem músicos acima da média. A banda, embora conhecida como thrash, não tinha o menor receio em brincar com outros ritmos, do rap ao funk, do doo-wop ao neoclássico, tudo fazia parte da “brincadeira”.


A estreia Here Comes Trouble (1990) é um álbum muito divertido de se ouvir. Os destaques ficam para "Earache My Eye", cover de Cheech & Chong que recebe um tratamento ímpar por parte da banda, e "I'm With Stupid”, que fala sobre o crescimento de uma segunda cabeça!!! 

"Down With The Ship" é uma espécie de colagem com um monte riffs que passam por Metallica, Led Zeppelin, Deep Purple e Aerosmith, entre outros. Além da divertidíssima "Don´t Call Me Dude”, com sua introdução brincando com uma canção de 1961 do cantor Dion chamada “Runaround She”.

Ouvir Here Comes Trouble hoje, 26 anos depois, me remete a uma época de diversão no rock, onde D.R.I., S.O.D., Anthrax, Suicidal Tendencies, Fishbone, Red Hot Chili Peppers, Primus, Faith No More, Mr. Bungle e Ugly Kid Joe faziam parte de uma mesma fita K7 sem maiores problemas.

Abaixo está o clipe de “Don't Call Me Dude”, e recomendo a audição do disco de estreia - e também do segundo, Scamboogery (1991), ambos disponíveis nos serviços de streaming. Realmente espero que se divirtam.



Por Daniel Matos Vianna

Novos clipes do HammerFall, In Flames e Raveneye

segunda-feira, setembro 26, 2016

Pra começar a semana com música, três novos clipes. O HammerFall vem com “Hammer High”, música que estará no novo disco dos suecos, intitulado Built to Last e com data de lançamento marcada para 4 de novembro pela Napalm Records. Power metal com coro épico: é pegar a espada a partir para a batalha!

Conterrâneos do HammerFall, mas com uma proposta sonora muito diferente, o In Flames lançou o clipe de “The Truth”, música que estará em seu novo disco, Battles. O álbum chegará às lojas dia 11/11. Metal moderno, com flertes com o pop que ficam ainda mais evidentes devido ao coro infantil presente na canção. Gostei bastante.

Fechando o pacote temos o Raveneye, trio inglês que lançou o seu disco de estreia dia 23 de setembro. A proposta, nas palavras da própria banda, é produzir um blues rock moderno e com toques de Muse e Royal Blood. O resultado é um som pesado e cativante, atual pra caramba e com potencial pra conquistar corações e mentes. O primeiro disco dos caras, intitulado Nova, acaba de sair pela Frontiers Records.

Assista “Conquer Or Die”, novo clipe do Megadeth

segunda-feira, setembro 26, 2016

O Megadeth surpreendeu ao produzir um clipe para “Conquer Or Die”, faixa instrumental presente em seu último disco, Dystopia. 

O vídeo dá grande destaque para Kiko Loureiro, tanto na parte acústica inicial, composta pelo brasileiro, quanto no restante da canção.

Nas palavras do chefão Deve Mustaine: “Kiko é capaz de tocar vários instrumentos. Ele tem muito do que Chris Poland e Marty Friedman eram capazes de fazer”.

O vídeo está no player abaixo:

23 de set de 2016

A semana: heavy metal indígena, cerveja inteligente e o bar temático de Tim Burton

sexta-feira, setembro 23, 2016

Nossa passada geral pela semana, com tudo de interessante e legal que lemos e assistimos não só sobre música, mas também sobre cultura pop.

Tem reviews, séries, discos, quadrinhos, questionamentos, religião, cerveja e muito mais.

Divirta-se!

VÍDEOS

Tudo sobre a abertura de Game of Thrones




Heavy Lero sobre o Sepultura




Bandas de Floripa: Munõz no Palco Célula



Tudo sobre Luke Cage, o novo herói da Marvel na Netflix




Retrospectiva Hellblazer




Os 10 melhores quadrinhos do Coringa




Érico Assis e os desafios do tradutor de quadrinhos







O ABBA e o heavy metal

sexta-feira, setembro 23, 2016

Criou-se no senso comum do headbanger brasileiro a ideia de que o rock e o metal são estilos de música não mainstream, que não se misturam ou podem sofrer influências de outros gêneros (pop, country, reggae e etc), que tratam-se de estilos puros, originais e sem frescuras (não sei onde), uma verdadeira perseguição ao que convencionamos chamar de “metal ou rock de verdade”. 

Pois bem: todo sabemos que o negócio não bem assim. O rock ou heavy metal (considerando algumas exceções) é tão “mainstream” quanto qualquer outro estilo de música, basta olhar as vendagens, números oficiais de público e renda dos chamados “monstros do rock” - isso sem contar todo aparato comercial que os cercam. Sobre a influência de outros estilos, e mesmo apesar de muitos torcerem o nariz, isso já é algo consolidado, até porque acredito que só aqui no Brasil que o público rock /metal acha que esses músicos são “heavy metal total”, que cresceram ouvindo exclusivamente metal ou que estão envelhecendo escutando heavy metal 24 horas por dia.

A intenção desta postagem é exatamente proporcionar uma reflexão sobre a linha tênue que teoricamente nos separa de outros gênero, em específico a música pop. No intuito de poder contribuir para o debate, podemos mencionar a importância e influência do ABBA entre alguns músicos/bandas de heavy metal.

Formado por Benny Andersson, Anni-Frid Lyngstad, Björn Ulvaeus e Agnetha Fältskog em 1972, o grupo sueco ABBA foi um dos nomes mais expressivos e representativos da indústria da música no século XX. Seus arranjos elaborados, vocais harmonizados e melodias cativantes proporcionaram à banda uma midiatização até então nunca antes alcançada por um artista europeu, servindo para pavimentar o caminho de tantos outros grupos suecos nas décadas de 1980 e 1990 ( Roxette, Ace of Base, entre outros).

É fato que o ABBA teve grande influência no mundo do rock/metal pelo mundo, sobretudo nos países europeus. Várias bandas já fizeram versões de suas músicas, entre quais podemos destacar nomes como Helloween, Yngwie Malmsteen, Metallium, Avantasia, entre outros.

Os alemães do Helloween prestaram seu tributo aos suecos regravando "Lay All Your Love on Me" , presente em seu álbum de covers Metal Jukebox, lançado em 1999.




Já o mega virtuoso guitarrista sueco Yngwie Malmsteen gravou “Gimme! Gimme! Gimme!” (com os vocais de Mark Boals), faixa que pode ser conferida na coletânea Anthology 1994-1999.



A banda de power metal Metallium participou do álbum A Tribute to ABBA (que ainda conta com Sinergy, At Vance, Morgana Lefay, entre outros) com a faixa  "Thank You for the Music”, em 2001.



Também em 2001, os suecos do Therion causaram grande surpresa ao entregar sua versão para “Summer Night City" (faixa bônus do álbum Secrets of the Runes). Afinal de contas, como soaria uma música influenciada pela disco music tocada por uma banda do chamado metal sinfônico?




Por fim, Tobias Sammet e seu Avantasia regravaram “Lay All Your Love on Me" e lançaram a versão no EP Lost in Space (Part I), de 2007.




E você? O que achou? Horrível? Inadmissível? Blasfêmia? Ou simplesmente sujeitos que entendem a música enquanto arte/entretenimento e não se limitam em explorar suas musicalidades e influências diversas?

Bom, tirem suas conclusões!.



Discos da semana: novo do Opeth, raridades de Bruce Springsteen e o retorno do Kansas

sexta-feira, setembro 23, 2016

Hoje chegam às lojas e aos serviços de streaming muitos discos interessantes - isso sem falar nos que ainda não foram lançados oficialmente mas já estão rolando na rede. 

Entre os destaques temos o aguardado novo álbum do Opeth, uma compilação de raridades de Bruce Springsteen, o retorno do lendário Kansas, o segundo álbum do Deap Vally, Kai Hansen reunindo os amigos em seu primeiro álbum solo e o cultuado Darkthrone saindo da toca.

Abaixo você tem breves comentários sobre os principais lançamentos desta semana.


The Sword - Low Country

Novo EP do The Sword, trazendo versões acústicas para 10 das 15 faixas do último disco dos norte-americanos, High Country. Tudo com uma pegada melancólica e um certo tempero country. Vale ouvir.


Bruce Springsteen - Chapter and Verse

Compilação que acompanha a recém lançada autobiografia de Bruce, intitulada Born to Run. O disco traz 18 faixas, sendo cinco delas inéditas, incluindo as primeiras gravações de Springsteen em 1966, faixas raras, b-sides e grandes hits. Boa porta de entrada para o universo sonoro de The Boss.


Airbourne - Breakin’ Outta Hell

Quarto álbum da banda australiana, conhecida por muitos devido à grande semelhança com o AC/DC, principalmente por causa do timbre do vocalista John O’Keeffe. Hard rock dos bons, apesar de pouco original.


Kansas - The Prelude Implicit

Primeiro álbum com canções inéditas do Kansas em 16 anos. O décimo-quinto disco da lendária banda prog também é o primeiro desde Drastic Measures (1983) sem o vocalista, tecladista e fundador Steve Walsh, que se aposentou em 2014. Em seu lugar está Ronnie Platt. As músicas já liberadas mostraram que os caras estavam com fome e parece vir um álbum gratificante para os fãs.


Phish - Big Boat


Novo álbum do grupo norte-americano Phish, uma das mais cultuadas jam bands do mundo. A receita segue a mesma: sonoridade rica e repleta de elementos de gêneros como prog, folk, country e blues, formando um universo musical interessantíssimo e que tem como ingrediente chave a improvisação.


Ian Hunter - Fingers Crossed

Novo trabalho do veterano vocalista inglês, que fez história nos anos 1970 com o Mott the Hoople. Dica certeira para rockers saudosistas e fãs de classic rock.


Deap Vally - Femejism

Segundo álbum do duo Deap Vally. Só pra contextualizar, dá pra dizer que é uma espécie de Black Keys de saias. Blues rock e garage rock cru e viciante, na medida pra ouvir com o volume no máximo e com uma cerveja gelada na mão.


Hansen & Friends - Three Decades in Metal

Primeiro álbum solo de Kai Hansen, vocalista e guitarrista que fez história no Helloween e no Gamma Ray e pode ser considerado um dos pais do power metal - metal melódico aqui no Brasil. O disco traz participações especiais de chapas de Kai como Ralf Scheepers, Tobias Sammet, Michael Kiske, Roland Grapow, Marcus Bischoff, Michael Weikath e Hansi Kürsch. Se você é fã do gênero, já sabe que é obrigatório!


Every Time I Die - Low Teens

Oitavo álbum da banda norte-americana, um dos principais nomes do metalcore atual. Produção de Will Putney (Body Count, The Acacia Strain, Bury Tomorrow). Paulada certeira!


Opeth - Sorceress

Décimo-segundo disco do Opeth. Mais uma vez a banda se reinventa, inserindo mais peso em relação aos discos anteriores e uma onipresente atmosfera stoner. Um dos grandes álbuns deste 2016, com certeza e sem nenhuma dúvida!


Darkthrone - Arctic Thunder

Novo disco de um dos maiores ícones do black metal norueguês. O décimo-sexto álbum do Darkthrone traz um retorno à sonoridade característica da banda, que nos lançamentos mais recentes andou se aventurando pelo ares do metal punk. Devotos adorarão!


Neurosis - Fires Within Fires

Primeiro trabalho do Neurosis em quatro anos, o disco marca a estreia do Neurosis em sua nova gravadora, a Neurot Recordings. Produção de Steve Albini e apenas cinco faixas, totalizando pouco mais de 40 minutos de música.


The Agonist - Five

Quinto disco da banda canadense, conhecida por dar ao mundo Alissa White-Gluz, atual vocalista do Arch Enemy. Five é o segundo álbum do The Agonist com Vicky Psarakis nos vocais. Death metal melódico violento e pra bater cabeça.


Almah - E.V.O.

Novo álbum da banda do vocalista Edu Falaschi, ex-Angra. O grupo conta também com Marcelo Barbosa, substituto (temporário?) de Kiko Loureiro no Angra enquanto o brasileiro estiver no Megadeth. Os primeiros reviews são muito positivos.


Pixies - Head Carrier


Sexto disco da lendária banda natural dos Estados Unidos, um dos maiores e mais influentes nomes do indie rock. A produção é de Tom Dalgety, que produziu o novo EP do Ghost, Popestar. Rock direto ao ponto, como sempre.

Por Ricardo Seelig

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