[Carrossel][carousel][6]

7 de dez de 2016

2016 em 116 músicas

quarta-feira, dezembro 07, 2016

O ano está chegando ao fim. Um ano longo, difícil, com muitas pedras pelo caminho. Um ano em que a música, mais do que nunca, foi uma companheira fundamental para superarmos as batalhas do dia a dia.

Repassando esse 2016 atordoado e confuso, preparamos uma playlist com faixas vindas de discos lançados nos últimos 12 meses. São 116 canções dos mais variados gêneros: tem rock, tem blues, tem metal, tem jazz, tem pop, tem country, tem rap. E, acima de tudo, tem música boa.

A dica é a de sempre: se você gostou de alguma faixa, procure ouvir o disco inteiro da banda ou artista que a compôs. Assim, você amplia o seu vocabulário musical, conhece novos sons e deixa o seu dia ainda mais interessante.

Vem com a gente nesse aventura. Garantimos que a trilha sonora é de primeira :-)

6 de dez de 2016

Leia o review de Dave Mustaine para o novo disco do Metallica

terça-feira, dezembro 06, 2016

O TeamRock pediu a Dave Mustaine que escrevesse um review para o álbum mais recente do Metallica. Eis o que o líder do Megadeth e ex-membro da banda teve a dizer:

Sempre tive capacidade de apreciar o talento do Metallica. Toda banda possui seus pontos fortes e fracos. Pessoalmente, de tudo que ouvi até agora, considero o novo álbum bom. Muitas pessoas criticaram o fato de Kirk Hammett e Robert Trujillo não terem composto. Mas, às vezes, é simplesmente inevitável. Teria adorado vê-los contribuindo. Amo o Infectious Grooves e o Suicidal Tendencies (bandas anteriores de Trujillo), assim como as linhas que Kirk escreveu no Exodus. Porém, quando se está em estúdio, as coisas podem acontecer de outra forma e as melhores ideias acabam escolhidas. É o que todos desejam.

Em relação à produção, é uma coisa muito pessoal. O lixo de um homem é o tesouro de outro. Por exemplo, sei que muitos realmente gostam de Rick Rubin e seus métodos de trabalho. O respeito muito, acho que o que ele faz realmente funciona junto a bandas como o The Cult. Mas, quando é com bandas de metal, não se traduz da mesma forma. Hardwired possui uma sonoridade diferente de, por exemplo, St. Anger. E ficou muito bom, em minha opinião. Eles demoraram oito anos para fazê-lo, então, fico feliz que os fãs estejam gostando, já que somos uma comunidade pequena.

Ver todo o Big Four lançando grandes discos em 12 meses é muito legal. A grande questão é se as forças existentes nos permitirão fazer mais alguns shows conjuntos. Estamos preparando coisas para Ásia e Estados Unidos ano que vem, mas se houver a possibilidade, provavelmente reconsideraríamos, pois é sempre divertido, além de um grande evento. Ver quatro das maiores bandas de todos os tempos no mesmo palco é algo para se contar aos netos.



Os 50 melhores discos de 2016 segundo a Metal Hammer

terça-feira, dezembro 06, 2016

A inglesa Metal Hammer é a principal e mais importante revista especializada em heavy metal do planeta. Publicada mensalmente desde 1983, possui edições locais em diversos países como Noruega, Espanha, Grécia, Polônia e Itália, entre outros.

Fundada há 33 anos, a Metal Hammer é publicada atualmente pela TeamRock, mesma editora que coloca nas bancas a Classic Rock, Prog e The Blues Magazine. Além disso, desde 2003 a revista promove o The Golden Gods Awards, premiação realizada em Londres anualmente e que agracia os principais nomes da música pesada.

Abaixo está a lista com os 50 melhores discos de 2016 segundo a Metal Hammer - matéria original aqui:

50 Of Mice & Men - Cold World
49 Abbath - Abbath
48 Oranssi Pazuzu - Värähtelijä
47 Venom Prison - Animus
46 Wovenhand - Star Treatment
45 Oceans of Slumber - Winter
44 Bölzer - Hero
43 Touché Amoré - Stage Four
42 Jonestown - Aokigahara
41 Kvelertak - Nattesferd
40 Anthrax - For All Kings
39 Vektor - Terminal Redux
38 Giraffe Tongue Orchestra - Broken Lines
37 Blood Incantation - Starspawn
36 Every Time I Die - Low Teens
35 Winterfylleth - The Dark Hereafter
34 King 180 - La Petite Mort or a Conversation with God
33 Heck - Instructions
32 Inter Arma - Paradise Gallows
31 SubRosa - For This We Fought The Battle of Ages
30 BabyMetal - Metal Resistance
29 Deströyer 666 - Wildfire
28 Dream Theater - The Astonishing
27 Alter Bridge - The Last Hero
26 Bury Tomorrow - Earthbound
25 Oathbreaker - Rheia
24 Skuggsjá - Skuggsjá
23 Periphery - Periphery III: Select Difficulty
22 Aldest - Kodama
21 Neurosis - Fires Within Fires
20 Wardruna - Runaljod-Ragnarok
19 Rotting Christ - Rituals
18 Avenged Sevenfold - The Stage
17 Katatonia - The Fall of Heart
16 Killswitch Engage - Incarnate
15 Testament - Brotherhood of the Snake
14 Deftones - Gore
13 Nails - You Will Never Be One of Us
12 The Devin Townsend Project - Transcendence
11 Grand Magus - Sword Songs
10 Metallica - Hardwired … To Self-Destruct
9 Black Peaks - Statues
8 Ihsahn - Arktis
7 KoRn - The Serenity of Suffering
6 The Dillinger Escape Plan - Dissociation
5 Letlive - If I’m the Devil …
4 Meshuggah - The Violent Sleep of Reason
3 Opeth - Sorceress
2 Architects - All Our Gods Have Abandoned Us
1 Gojira - Magma


5 de dez de 2016

Show: Black Sabbath | 5 de dezembro de 2016 | Estádio do Morumbi | São Paulo

segunda-feira, dezembro 05, 2016

A noite prometia: a última vez que veríamos Ozzy Osbourne, Tony Iommi e Geezer Butler juntos num palco sul-americano. Depois de um dia de calor intenso, uma queda brutal de temperatura no final da tarde acompanhada de ventos frios, chuviscos e tempestades veio dar o tom macabro apropriado a um especialmente emocionante show do Black Sabbath. O público atendeu à expectativa e encheu o estádio do Morumbi. Só o cenário poderia ser melhor.

Não é novidade ao paulistano que o Morumbi é um estádio obsoleto, numa área da cidade mal servida de transporte público ou de ruas adequadas ao fluxo das mais de 60 mil pessoas que foram ao show do Black Sabbath. A estrutura da casa do São Paulo Futebol Clube também não é boa: para entrar e sair, não há portões em quantidade razoável para dar vazão rápida às filas. Do lado interno há poucos banheiros para a alta demanda, precários e de difícil acesso, opções reduzidas e escassas de alimentação. A visibilidade é ruim em quase todos os setores, com arquibancadas e cadeiras muito distantes do palco, bem como um setor “premium” que divide quase pela metade a pista sobre o gramado.

Todos detalhes que atrapalham a plena experiência, mas pouco influem na atuação da banda em cima do palco. A percepção, porém, piora quando a qualidade de som deixa a desejar como neste domingo. A guitarra de Tony Iommi por vários momentos embolava com o baixo de Geezer Butler. A bateria de Tommy Clufetos demorou a sair dos PAs com o peso necessário, ao contrário da proeminência muitas vezes descabida para o teclado do escondido Adam Wakeman. O volume geral variava conforme a intensidade do vento e da chuva. Apenas a voz de Ozzy, inconfundível como sempre, reinava soberana.

Antes, porém, tivemos o Rival Sons que, por quarenta minutos, quase passou despercebido do público no estádio. Ainda que telões indicando apenas o nome do grupo sem mostrá-lo não tenham colaborado, o descaso também denota um pouco da má vontade do roqueiro típico paulistano com bandas novas, brasileiras ou não. Enquanto os americanos conquistam cada vez mais adeptos no mundo fazendo seu rock retrô soar organicamente moderno com uma altiva performance de palco de seu vocalista Jay Buchanan, as pessoas em geral preferiram ficar conversando nas enormes filas de bebida como se estivessem num boteco ouvindo um Emmerson Nogueira da vida. Azar o delas.


O Black Sabbath entrou no palco quase pontualmente às oito e meia da já fria noite. Um vídeo meio nebuloso com cidades sendo destruídas no telão não preparava tão bem a atmosfera quanto o vento e a garoa que já castigavam o público quando Tony Iommi empunhou sua guitarra e pudemos ouvir, com certa dificuldade, aquelas três malditas notas infernais da canção auto-intitulada que revolucionou o mundo e abriu a apresentação do grupo neste domingo.

A sequência foi um deleite para os fãs. Enquanto uma tempestade desabava sobre nossas cabeças e prejudicava a visão e o som, aumentava a empolgação a cada mínimo acorde reconhecível de “Fairies Wear Boots”, “Into the Void”, “After Forever”, “Snowblind” e ”Behind the Wall of Sleep”, que soavam como uma aula a tantos imitadores do som típico do Black Sabbath nesses últimos quase cinquenta anos, mesmo sentida a ausência de Bill Ward - Tommy Clufetos é um baterista sólido suficiente para qualquer ótima banda de metal, mas é gritante a falta daquele swing jazzístico único da formação original, até hoje ainda não reproduzido a contento nos inúmeros seguidores no doom metal ou stoner rock, nem pelo próprio grupo nesta noite.

De resto, foi um típico show do Sabbath, sem surpresas para o iniciado, não por isso menos emocionante. Ignorando o celebrado disco 13 e com um telão alternando imagens ora psicodélicas, ora distópicas, ao longo de pouco mais de uma hora e meia clássicos foram executados beirando à perfeição para um público animado, que se atrapalhava e se divertia nas palmas ao cantar em jogral com Ozzy os versos de “War Pigs”, ou explodia catártico ao solo de baixo de Geezer Butler que iniciou “N.I.B.” para um dos coros mais bonitos da noite em seu macabro refrão, ou ainda ao entoar a plenos pulmões as melodias da morosa “Iron Man” e da apocalíptica “Children of the Grave”, até a frenesi final avassaladora da incendiária “Paranoid”.


Nem tudo foram flores, como a inaceitável qualidade de som ou o insosso solo de bateria de quase dez intermináveis minutos de Clufetos, introduzido por “Rat Salad”, e até mesmo “Dirty Women”, um momento em que a banda claramente se divertia nas constantes mudanças de andamento enquanto segurava a base para o longo solo improvisado de Tony Iommi, que em vez de embasbacar o público, já exausto pelas condições climáticas, começava a dispersar mais do que nas intermináveis acrobacias do baterista pouco antes.

Todos detalhes insignificantes quando presenciamos o entrosamento absurdo de Iommi e Butler ao reproduzir todos aqueles sons que permeiam em maior ou menor grau toda a nossa coleção de discos de rock, cativados pelo carisma inabalável de Ozzy Osbourne, com sua característica voz já desgastada e sua alegria contagiante de quem, como seus dois velhos parceiros, não sabe o que teria feito da vida se não estivesse ali tocando juntos, talvez pelas últimas vezes.

É difícil apostar na seriedade da turnê de despedida quando uma raposa dos negócios musicais como Sharon Osbourne está envolvida, apesar de o tempo não correr a favor dos músicos e não haver muitos motivos para vender grandiosamente uma futura turnê de reunião. Também é improvável crer num retorno futuro à América do Sul, que só foi agraciado pela presença da formação quase original uma década e meia após sua tão esperada reunião.

Contudo, num ano em que a mortalidade de nossas referências culturais se evidencia com vários chutes na boca do estômago, quando deixamos o Morumbi encharcados pela chuva e, perdão pelo clichê, de alma lavada, éramos gratos não só pelo ótimo show ou pela carreira lendária de riffs eternos, ou ainda todo um estilo musical que esses hoje senhores de Birmingham criaram há quase meio século, mas por podermos guardar na memória a imagem do Black Sabbath triunfante, como os detentores de um legado tão importante merecem.

Por Thiago Martins


Os 20 melhores discos de 2016 segundo o Ultimate Classic Rock

segunda-feira, dezembro 05, 2016

O Ultimate Classic Rock é um site especializado em rock clássico, no ar desde 2011. Ele é publicado pela Towsquare Media, empresa norte-americana de mídia online baseada na cidade de Greenwich, no estado de Connecticut, e que tem em seu portfolio sites como o Loudwire e o Noisecreep.

Abaixo estão os 20 melhores discos de 2016 na opinião do Ultimate Classic Rock - matéria original aqui:

20 Eric Clapton - I Still Do
19 Graham Nash - This Path Tonight
18 Steven Tyler - We’re All Somebody From Somewhere
17 Neil Young - Earth
16 Bob Weir - Blue Montain
15 Bonnie Raitt - Dig in Deep
14 Jeff Beck - Loud Hailer
13 Neil Young - Peace Trail
12 Sting - 57th & 9th
11 Elton John - Wonderful Crazy Night
10 Bob Dylan - Fallen Angels
9 The Monkees - Good Times!
8 Iggy Pop - Post Pop Depression
7 Mudcrutch - Mudcrutch 2
6 Green Day - Revolution Radio
5 Metallica - Hardwired … To Self-Destruct
4 Leonard Cohen - You Want It Darker
3 The Rolling Stones - Blue & Lonesome
2 Paul Simon - Stranger to Stranger
1 David Bowie - Blackstar




Livro: Viva La Vida Tosca, de João Gordo e André Barcinski

segunda-feira, dezembro 05, 2016

Escrito em parceria com o jornalista André Barcinski (autor de Barulho - Uma Viagem pelo Underground do Rock Americano, Pavões Misteriosos - 1974 a 1983: A Explosão da Música Pop no Brasil, Guia da Culinária Ogra: 195 Lugares para Comer Até Cair e Zé do Caixão - Maldito: A Biografia), Viva La Vida Tosca é autobiografia do lendário João Gordo e está chegando às livrarias de todo o Brasil pela Darkside Books. 

Com capa dura, 320 páginas, inúmeras fotos e um projeto gráfico de tirar o chapéu (quem já leu algum livro lançado pelo Darkside sabe da excelência editorial dos caras), o livro conta toda a vida de João Francisco Benedan, partindo de sua infância, passando pela trajetória com o Ratos de Porão e chegando à transformação do vocalista de uma das maiores bandas punk do Brasil em um ícone da cultura pop brasileira, processo que se deu através dos inúmeros programas que Gordo apresentou na MTV.

Barcinski entrevistou João Gordo durante dezoito meses, extraindo memórias e histórias que nem o próprio músico lembrava. Além disso, conversou com familiares, amigos e companheiros de banda e trabalho, conseguindo montar um painel biográfico bastante abrangente. Narrado em primeira pessoa, o livro não esconde nada, expondo os medos, a relação profunda com as drogas, as tretas e as situações quase surreais pelas quais João passou em toda a sua vida.

A relação com a família é contada com uma transparência até então inédita. Com um pai autoritário e com sérios problemas de temperamento, João sempre teve um conflito com o seu progenitor. De uma família de classe média baixa, veio ao mundo logo após o golpe militar de 1964 e viveu a sua adolescência durante os anos 1970 e 1980. O retrato da família de João é aterrador, com problemas causados por ambas as partes, e que mexem profundamente com o leitor.


Autêntico até o último fio de cabelo, João Gordo relata suas experiências com a cena punk de São Paulo, seus conflitos com as diferentes facções que formavam um movimento que ficou mais conhecido pela violência do que pela ideologia, e em como isso acabou o afastando do punk e o aproximando da comunidade do metal. As inúmeras turnês do Ratos pela Europa são outro destaque, com o contraste entre jovens brasileiros sem maiores expectativas e experiências sendo expostos a um universo totalmente novo.

O fato é que o Ratos de Porão passou anos e anos trabalhando duro e do seu próprio jeito, construindo uma sólida reputação mundo afora, o que tornou João Gordo uma figura conhecida em vários pontos do mundo. Isso fez com que o vocalista tivesse uma relação próxima com diversos músicos das mais variadas bandas, e isso é contado em detalhes.

Acima de tudo um sobrevivente, João Gordo não esconde isso em nenhum momento, contando de maneira forte todos os problemas pelos quais passou, e como foi salvo por amigos e amigas em diversas oportunidades. A transformação iniciada por duas sérias situações que colocaram a sua vida em risco e geraram longos períodos de internação na UTI foram aos poucos mudando a visão das coisas, culminando com a chegada de Vivi, sua esposa, e de seus dois filhos, Victória e Pietro.

Divertido e revelador, Viva La Vida Tosca é um livro excelente e que você lê de uma tacada só. Suas mais de trezentas páginas voam em suas mãos, graças ao texto muito bem construído e à história de seu protagonista, que parece escrita por um roteirista em momento de grande inspiração. E é, além disso, um documento justo a um dos músicos e personagens mais importantes do rock brasileiro, dono de uma trajetória que foi se adaptando aos diferentes momentos e prioridades de sua vida.

Uma das melhores biografias que já li, fácil.

FOLLOW @ INSTAGRAM

ONLINE

PAGEVIEWS

PESQUISE