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19 de fev de 2019

O dia em que o Black Sabbath e o Led Zeppelin gravaram juntos

terça-feira, fevereiro 19, 2019

Tony Iommi já declarou mais de uma vez que o Black Sabbath realizou uma jam com o Led Zeppelin durante os anos 1970, e que esse encontro foi gravado. O problema é que o guitarrista do Sabbath não faz ideia de onde e com quem essas fitas podem estar.

A história é a seguinte: as duas bandas se reuniram durante uma sessão de gravação no final de 1973, época em que o Sabbath já havia lançado os discos Black Sabbath (1970), Paranoid (1970), Master of Reality (1971) e Vol. 4 (1972), e estava gravando o seu então novo álbum, Sabbath Bloody Sabbath, que chegou às lojas em 1 de dezembro de 1973. Já o Led Zeppelin tinha no currículo naquela época os clássicos Led Zeppelin (1969), Led Zeppelin II (1969), Led Zeppelin III (1970), Led Zeppelin IV (1971) e Houses of the Holy (1973). De acordo com Iommi, John Bonham queria tocar a pesadíssima "Supernaut", uma das melhores músicas de Vol. 4, mas quando as duas bandas pegaram nos instrumentos o que rolou foi uma jam gigantesca.


Segundo o guitarrista: "John queria tocar 'Supernaut', mas acabamos indo para uma jam. Nós estávamos no meio da gravação do álbum Sabbath Bloody Sabbath, e esse encontro acabou com aquela sessão no estúdio. Quando tocávamos nos clubes, Bonzo às vezes aparecia e ele queria levantar e tocar conosco. A primeira vez dissemos: 'Ok, venha então'. Daí ele se levantou, tocou a bateria de Bill e acabou por destruí-la, o que deixou Bill muito chateado. Nas outras vezes em que encontramos John e ele perguntava se podia subir ao palco, Bill na hora respondia com um sonoro 'não' e não deixava ele chegar perto da sua bateria".




Quando o Led Zeppelin quase completo apareceu no estúdio em que o Black Sabbath estava gravando o seu novo disco, Bill Ward ficou compreensivelmente apreensivo. "A situação rapidamente ficou muito louca por uns 30 minutos, porque não só Bonzo estava no estúdio, mas também Robert Plant e John Paul Jones. Jimmy Page não veio junto, mas eu gostaria que ele estivesse presente. E o Bonzo não parava de chutar a porra da minha bateria!", contou Ward ao Rock Cellar em 2011.


O encontro tinha, na verdade, um objetivo maior: o Led Zeppelin queria levar o Black Sabbath para o seu próprio selo, o Swan Song, que seria lançado no ano seguinte, 1974, e teve como lançamento inaugural o álbum de estreia do Bad Company. "Fomos muito amigos do Led Zeppelin, especialmente de Robert Plant e John Bonham. Eles queriam que estivéssemos na gravadora Swan Song, mas não conseguimos fazer isso funcionar", relembra Tony Iommi.


Bill Ward afirmou que nada desse encontro foi gravado, ao contrário do que pensa Iommi. "Houve um momento durante aquela jam onde todos nós meio que entendemos essa ideia maluca e dissemos: 'Vamos colocar algo na fita'. Mas nada aconteceu e nenhuma fita rolou. Nada foi gravado. Acredito que em um determinado momento Geezer e Robert até escreveram alguma coisa juntos, mas isso era algo pessoal entre eles. As gravações do Black Zeppelin nunca existiram". Já Tony Iommi acredita que elas existam: "Eu sei que foi gravado, e adoraria ouvir o que tocamos juntos. A fita deve estar em algum lugar".




Levando-se em conta que o encontro entre o Black Sabbath e o Led Zeppelin ocorreu dentro de um estúdio e durante as gravações de Sabbath Bloody Sabbath (alguns acreditam que, na verdade, a reunião entra as duas bandas aconteceu nas sessões de Sabotage, de 1975), é bastante provável que ela tenha sido registrada. Pensa comigo: você é o engenheiro de som, o produtor do disco, e de repente vê duas das maiores bandas da época tocando juntas dentro de um estúdio. O que o impediria de apertar o botão REC?


O fato é que essas gravações nunca vieram à tona, e seria demais se elas fossem descobertas. Enquanto isso não acontece, nos resta apenas imaginar como isso seria ouvindo esse já clássico mashup:


Assista ao trailer do filme que conta a história do Mötley Crüe

terça-feira, fevereiro 19, 2019

Foi divulgado nesta terça, 19/02, o primeiro trailer de The Dirt - Confessions of the World´s Most Notorious Rock Band, filme que conta a história do Mötley Crüe. A história é baseada no livro The Dirt, publicado em 200, e estreará dia 22 de março na Netflix.

Dirigido por Jeff Tremaine, o filme é estrelado por Daniel Webber (Vince Neil), Douglas Booth (Nikki Sixx), Machine Gun Kelly (Tommy Lee) e Iwan Rheon (Mick Mars).


Assista ao trailer abaixo:

18 de fev de 2019

Discoteca Básica Bizz #146: Guns N' Roses - Appetite for Destruction (1987)

segunda-feira, fevereiro 18, 2019

Coube a eles resgatar o romantismo de ser bad boy. Afinal, na segunda metade dos anos 1980 faltava cara de mau no meio dos chorosos alternativos. E para combater isso não havia nada melhor do que a trilogia sexo, drogas e rock and roll, revisada de tempos em tempos. O Guns assumiu a missão de devolver o gosto da subversão ao rock. Não foram poucos os que, inspirados pelas atitudes da banda, tiraram a jaqueta de couro do armário e compraram um Jack Daniels no primeiro boteco. Era de novo a hora e a vez de o cabelo crescer.

O grupo surgiu quando Axl Rose (nome artístico de William Bailey), um adolescente de passado problemático, fã de Queen e Electric Light Orchestra, cruzou o caminho do guitarrista Izzy Stradlin. Corria o ano de 1985. O local do encontro foi a cidade de Los Angeles, uma espécie de templo do rock norte-americano dos anos 1980. O nome Guns N’ Roses foi tirado de duas antigas bandas da dupla: L.A. Guns e Hollywood Roses.

Os outros agregados da gangue foram mais que suficientes para alimentar a imagem punk do grupo. O guitarrista Slash (nome verdadeiro: Saul Hudson) era filho de figurões da indústria fonográfica. O baixista Duff McKagan se orgulhava de ter roubado 133 carros num passado não muito remoto. E o baterista Steven Adler vivia chapado de álcool e heroína.


Essa turma preencheu uma lacuna de celebridades e entusiasmo no rock. Os requisitos? Shows viscerais, declarações politicamente incorretas e uma postura pra lá de arrogante. Chegaram rapidamente ao status de banda grande e viraram capa de revista. O então carismático vocalista Axl Rose povoou sonhos adolescentes por todo o planeta. Depois de Appetite for Destruction, esse mesmo Axl virou um chato, esquecendo o rock com baladas épicas entediantes.

Porém, antes de seu ego sair do controle, o Guns lançou um clássico indiscutível. O sucesso resultou em comparações inevitáveis com o Aerosmith. Appetite for Destruction acerta na mosca a massa roqueira, com suas músicas pegajosas com boas doses de pop. Hits instantâneos - como "Welcome to the Jungle", "Sweet Child O’Mine" e "Paradise City" - pegaram muito bem na época, agradando igualmente à menininha inocente e ao cervejeiro encrenqueiro.

O que marca o disco é a despretensão nas letras e na atitude. Axl demonstra personalidade nas melodias, abusando de sua voz rasgada. A sessão rítmica é eficaz. Mas cabe a Slash, porém, o mérito de desequilibrar a receita. Em Appetite for Destruction ele se consagra com riffs certeiros e solos muito inspirados - como o de "Sweet Child O’Mine". Méritos também a Izzy Stradlin, um verdadeiro hitmaker, primeira grande baixa da banda.

O Guns N’ Roses ainda tem a chance de mostrar novamente suas armas no eventual novo álbum que Axl está preparando. Mas, com a confirmada notícia da demissão de Slash, a tendência é desandar a maionese de vez.

Texto escrito por Gastão Moreira e publicado na Bizz #146, de setembro de 1997

15 de fev de 2019

A segunda etapa do relançamento da discografia do Iron Maiden em CD

sexta-feira, fevereiro 15, 2019

O Iron Maiden está relançando a sua discografia em CD, e a segunda leva de títulos chegará às lojas a partir de 22 de março. Batizada como The Studio Collection - Remastered, a série vem com a remasterização de áudio em alta resolução realizada em 2015.

Esta segunda parte traz as novas edições de Powerslave (1984), Somewhere in Time (1986), Seventh Son of a Seventh Son (1988) e No Prayer for the Dying (1990), todas em digipack. E assim como na primeira, aqui temos um box especial com os discos, que vem acompanhado por um patch exclusivo e um boneco de Eddie com o visual futurístico da era Somewhere in Time na escala 1:24.

Steve Harris falou sobre os relançamentos: "Já fazia um bom tempo que queríamos revisitar esses discos, e fiquei encantado com a remasterização que fizemos em 2015. Eu acho que eles tem o melhor som que nossos álbuns já tiveram, e era justo que fossem disponibilizados em CD agora também."

Aos interessados, os discos já estão em pré-venda na loja oficial da banda studiocollection.ironmaiden.com



Discoteca Básica Bizz #145: Small Faces - Ogdens' Nut Gone Flake (1968)

sexta-feira, fevereiro 15, 2019

Dizem que um disco perfeito é aquele que serve como trilha sonora para um período. E se essa trilha se restringe apenas a um determinado local? Foi o que aconteceu com Ogden’s Nut Gone Flake, lançado em 1968 pela banda Small Faces. De saco cheio com a badalação em cima de Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band, dos Beatles, o grupo liderado pelo guitarrista e vocalista Steve Marriott elaborou um álbum tipicamente londrino para que os ingleses curtissem a ressaca do verão do amor.

O disco representa também uma transição na carreira da banda, formada em 1965 em torno das figuras de Marriott e de Ronnie Lane (baixo e vocais), dois viciados em música negra americana. Com o passar do tempo, porém, eles se interessaram por explorar seu passado inglês. Em vez de Muddy Waters e Motown, ouviam gente como George Formby (músico-comediante, uma espécie de Juca Chaves da terra da rainha).

De maior banda mod da Inglaterra (aqueles caras que estavam por dentro de tudo e se vestiam de forma impecável), os Small Faces se tornaram uma espécie de apóstolos do rock de cabaré. Ogden’s Nut Gone Flake traz uma mistura dessas influências e referências. Soul e psicodelia ainda estão presentes no som do Small Faces, mas diluídas em meio a um amalucado show de variedades londrino. Algumas das melhores canções que Steve Marriott e o falecido Ronnie Lane escreveram estão neste álbum. A faixa-título, por exemplo. Trata-se de uma instrumental atmosférica, cheio de phaser e outros efeitos. O disco segue com outras maravilhas, como a apaixonada balada "Afterglow", a cínica "Rene" e a otimista "Song of a Baker".


O grande hit desse trabalho foi "Lazy Sunday". Com seu refrão no estilo de músicas que tocavam em pubs e vocal tão carregado e londrino que chega a ser incompreensível, a canção nos convida a um típico passatempo inglês: curtir o domingão sem fazer nada. Só que, no caso, com muito ácido na cabeça.

O lado B é preenchido por uma suíte chamada "Happiness Stan", que foi dividida em seis partes. Para dar um clima verdadeiro de music hall, o grupo chamou para unir as faixas o comediante Stanley Unwin, que narra tudo de uma forma bem particular.

Ogden’s Nut Gone Flake foi o último momento de glória para os Small Faces. Depois do lançamento do álbum, a banda partiu para uma turnê pela Austrália, que ficou marcada por pouco público e muita zona entre os músicos. Marriott deixou o grupo de uma maneira original: no palco, enquanto os músicos improvisavam uma jam. Formou o Humble Pie ao lado de Peter Frampton e virou um ser errante durante anos até morrer num incêndio, em 1991.

Ronnie Lane, por sua vez, recrutou o guitarrista Ron Wood e o cantor Rod Stewart (ex-Jeff Beck Group) e mudou o nome do grupo para Faces. Depois trabalhou ao lado de Pete Townshend e de outros artistas até ser consumido pela esclerose múltipla - mal que o matou em 4 de junho de 1997.

Ouvido hoje, Ogden’s Nut Gone Flake nos remete a uma época em que a juventude da Inglaterra começava a se orgulhar de sua cultura. Não é muito diferente do que anda acontecendo agora com Oasis, Blur e outros, certo?

Texto escrito por Paulo Cavalcanti e publicado na Bizz #145, de agosto de 1997

Os dois novos lançamentos da Darkside Books trazem histórias aclamadas de terror

sexta-feira, fevereiro 15, 2019

Os fãs de mangás que apostaram no escuro com a DarkSide® Books já foram arrebatados pelas bizarrices e delírios do mestre Junji Ito em Fragmentos do Horror. E pediram mais. Muito mais. Agora é hora de embarcar em uma jornada por um conto de fadas dark assinado pelo aclamado mangaká Nagabe, no mangá de A Menina do Outro Lado

Em um país dividido entre pessoas normais e seres amaldiçoados, Shiva é uma menininha que foi acolhida por uma estranha criatura meio animal e meio humana. Sensei, como é chamado, não pode ser tocado e vive fora da cidade. 

A Menina do Outro Lado é uma fábula sobre a criação do afeto e o amor entre duas criaturas tão diferentes, mas com muito a compartilhar. Uma trama atual sobre a condição do diferente e da falta de aceitação. Sobre largar seus medos e enfrentar a vida com um novo olhar. 

Com uma arte delicada, que explora luz e escuridão, Nagabe apresenta um mangá rico em detalhes que não hesita em adquirir tons mais sombrios e peculiares conforme a história se desenrola. Está tudo aqui: a dualidade do preto e do branco, do bem e do mal, do animal e do humano, do lado de dentro e de fora.

Um mangá tão caprichado que ser nenhum, amaldiçoado ou não, consegue botar defeito.


Elas vivem nas sombras, ocultas nas trevas da noite, habitando os cantos mais obscuros de nossas mentes. Conhecemos algumas delas através de superstições, fábulas e lendas urbanas. Ou, quem sabe, por meio de contos sinistros sussurrados de geração para geração. Elas. As criaturas estranhas.

Acomode-se ao redor da fogueira e tente não temer os vultos sinistros na escuridão. A DarkSide® Books vai contar uma história para você. Uma não, várias. Uma mais aterrorizante do que a outra. E todas elas podem ser encontradas nas páginas de O Mundo de Lore: Criaturas Estranhas.  

Originado do premiado podcast Lore — cujos episódios se inspiram nas famosas creepypasta dignas de pesadelos —, o livro de Aaron Mahnke encontrou seu verdadeiro lar na editora mais tenebrosa do Brasil.  

Compartilhando detalhes fascinantes sobre monstros assustadores e bizarros, O Mundo de Lore: Criaturas Estranhas explora o encanto que nós, humanos, temos por saber o que já houve de fantástico neste mundo em que vivemos. Seja um vilarejo europeu onde gremlins tocam o terror ou uma casa nos Estados Unidos assombrada por um boneco chamado Robert. 

As belíssimas ilustrações de M.S. Corley aumentam ainda mais o ar de encantamento que percorre todo o texto. E o “mundo” do título vem bem a calhar: além do podcast de sucesso que contabiliza mais de 180 milhões de reproduções e do livro de arrepiar, o projeto foi transformado em série pela Amazon Prime Video, e já conta com duas temporadas disponíveis em português no Brasil. 

A verdade realmente pode ser mais apavorante do que a ficção. Mas quem tem um coração dark batendo no peito gosta — e inclusive pede mais.  

O primeiro conto está disponível no blog da Darkside. 

14 de fev de 2019

Você nunca mais vai olhar para os seus discos da mesma maneira

quinta-feira, fevereiro 14, 2019

Toda pessoa que gosta de música também adora capas de discos. Elas são icônicas, marcantes, históricas. Fazem parte das nossas vidas.

Toda essa história ganha uma nova dimensão através de um divertidíssimo perfil do Twitter chamado Álbuns com Traduções Literais (siga aqui). Criado em setembro de 2018, os caras postam capas clássicas e facilmente reconhecíveis devidamente traduzidas para o português. E, como não poderia deixar de ser, com doses elevadas de humor. Eles também tem página no Facebook.

Adorei o perfil e já sigo. E abaixo estão algumas das melhores sacadas pra você se divertir e dar boas gargalhadas. 

Vai lá!






















O novo álbum e a nova música do Whitesnake

quinta-feira, fevereiro 14, 2019

O novo álbum do Whitesnake, Flesh & Blood, será lançado dia 10 de maio pela Frontiers. O disco é o sucessor de Forevermore (2011). No meio de ambos, a banda gravou The Purple Album (2015), só com versões para clássicos do Deep Purple.

O primeiro álbum com canções inéditas do Whitesnake em sete anos vem com treze músicas e é também o décimo-terceiro disco da banda de David Coverdale. Ao lado do vocalista estão os guitarristas Reb Beach e Joel Hoekstra, o tecladista Michele Luppi, o baixista Michael Devin e o baterista Tommy Aldridge.


O álbum terá também uma edição deluxe em CD+DVD que contará com cinco faixas bônus.


Abaixo você confere o tracklist completo de Flesh & Blood e também assiste ao vídeo do primeiro single, a música "Shup Up & Kiss Me":


1. Good to See You Again 

2. Gonna Be Alright 
3. Shut Up & Kiss Me 
4. Hey You (You Make Me Rock) 
5. Always & Forever 
6. When I Think of You (Color Me Blue) 
7. Trouble is Your Middle Name 
8. Flesh & Blood 
9. Well I Never 
10. Heart of Stone 
11. Get Up 
12. After All 
13. Sands of Time

Discoteca Básica Bizz #144: Hüsker Dü - Warehouse: Songs and Stories (1987)

quinta-feira, fevereiro 14, 2019

Uma grande banda que acaba antes da decadência e ainda faz uma obra-prima no último disco. Sonho de roqueiro obsessivo? Não, existiu o Hüsker Dü. Warehouse: Songs and Stories saiu em 1987. O Dü foi para turnê, o empresário (David Savoy, um daqueles caras que colocam a tranqueira no furgão) se matou, o trio de Saint Paul (Estados Unidos) descobriu que não se topava mais e o óbito chegou. Mas em Warehouse, eles mandam bala naquilo que os Pixies souberam trabalhar depois - e que o Nirvana incorporou para se tornar a maior banda do mundo (em 1991, Bob Mould recusou o convite do então verdinho Kurt Cobain para produzir Nevermind. Sobrou para Butch Vig).

Desde 1979 o Dü capitaneava a legião “vamos-lá-na-raça" do rock independente. Os primeiros discos do trio formado por Bob Mould (guitarra, vocais), Grant Hart (bateria, vocais) e Greg Norton (baixo) não passavam de coices hardcore - em Land Speed Record (1982), seu álbum de estreia, eles executam dezessete canções em meros 26 minutos. Um dia o trio estalou que podia juntar barulho com uma sacada pop, coisa que outros nem sabiam (por preconceito, rebeldia ou falta de talento) que era possível, e acabou por entrar definitivamente na história do punk rock americano.

O Hüsker Dü foi uma das primeiras bandas pós-punk americanas dos anos 1980 a assinar com uma grande gravadora - o império Warner o capturou em 1986. Depois de soltarem o belo (e surpreendentemente otimista) Candy Apple Grey, Mould e Hart abriram o registro para jorrar Warehouse.


O som do LP, segundo álbum duplo da carreira do Hüsker Dü (o primeiro foi a obra-prima de barulheira conceitual Zen Arcade, de 1984), é de chorar. Paredes de guitarra mouldianas como reboco da cozinha firme de Norton e Hart, vocais humanos (de urros a sussurros) com harmonias bastardas dos Beatles. E coloridos de ritmo em que convivem valsa-punk ("She Floated Away"), 1-2-3-4 ramonesístico (a suprema "Could You Be the One") e rockabilly desnorteado ("Actual Condiction").

As letras seguram ainda mais. O Dü montou um mosaico da vida corriqueira: ansiedades, paixões em desenvolvimento e/ou mal resolvidas ("Could You Be the One", "Standing in the Rain", "Ice Cold Ice"), responsabilidades assumidas ("Charity, Chastity, Prudence and Hope"), desmoronamentos emocionais ("She Floated Away") e pequenas alegrias ("These Important Years").

Mould, homossexual discreto que se recusa a levantar bandeiras, tem sensibilidade para escrever feridas abertas que se aplicam a heteros, homos e pessoas que assistem a comerciais das facas Ginsu de madrugada. Basta prestar atenção no cenário descrito em "Standing in the Rain", que narra o fora levado por Mould num encontro - quem não passou por uma situação dessas? Hart não fica atrás. Com compositores desses, como a banda acabou?

Como? Não sei. Acabou. Mould formou e separou o Sugar no meio de sua carreira solo. Hart montou uma banda, Nova Mob, que entrou em parafuso e está só também. O bigodudo Greg Norton hoje é um mero chefe de cozinha depois que o Hüsker Dü passou a ter começo, meio e fim.

Texto escrito por Marcelo Orozco e publicado na Bizz #144, de julho de 1997

13 de fev de 2019

Jordan Rudess anuncia álbum solo com participações especiais de peso

quarta-feira, fevereiro 13, 2019

O tecladista do Dream Theater, Jordan Rudess, anunciou o lançamento de um novo álbum solo chamado Wired For Madness. O disco chegará às lojas dia 19 de abril e fará companhia a uma lista de mais de dez trabalhos autorais gravados pelo músico desde os anos 1990. O trabalho é o sucessor de The Unforgotten Path, que saiu em 2015.

Wired For Madness traz convidados como os bateristas Marco Minnemann, Rod Morgenstein e Elijah Wood, os guitarristas Vinnie Moore, Guthrie Govan e Joe Bonamassa e os companheiros de Dream Theater, James LaBrie e John Petrucci.


Um lyric video com um trecho da faixa "Wired For Madness Pt. 1" foi divulgado e pode ser assistido abaixo:


12 de fev de 2019

O que os músicos compram quando vão em uma loja de discos?

terça-feira, fevereiro 12, 2019

Se você gosta de música, provavelmente já ouviu falar da Amoeba Music, a maior loja de discos dos Estados Unidos e, para muitos, a maior loja de LPs, CDs e qualquer outro formato em todo o planeta. A primeira unidade da Amoeba começou a operar em 1990 em San Francisco, e desde então a rede abriu unidades em  outras cidades norte-americanas como Los Angeles e Berkeley. 

Pois bem. A Amoeba possui um canal no YouTube bem interessante, e um dos quadros mais legais se chama What's in My Bag? (O que tem na minha sacola?). A ideia é simples: ponto de peregrinação de colecionadores de todo o planeta, a loja também é muito frequentada por músicos. Então, toda vez que alguém famoso aparece por lá (seja músico, ator, escritor, ...), eles dão um jeito de produzir um vídeo para a série.


Esses vídeos também são legais pois mostram o quão variado é o cardápio musical de quem trabalha e vive de música. Um cara que toca em uma banda de metal extremo, por exemplo, não ouve só metal extremo.


Abaixo estão alguns dos melhores vídeos da série, pra você se divertir e se surpreender com as escolhas dos seus ídolos. E vale a dica: pra quem não sabe inglês, é só ligar as legendas do próprio YouTube.



Discoteca Básica Bizz #143: Pixies - Doolittle (1989)

terça-feira, fevereiro 12, 2019

A confissão de Kurt Cobain bate com o depoimento de outro monstro sagrado, David Bowie: "Fiquei puto quando escutei Nevermind pela primeira vez. A dinâmica das músicas era totalmente roubada dos Pixies!".

Essa genial brincadeira não é invenção do cantor e guitarrista Charles Michael Kitteridge Thompson IV. Indubitavelmente, porém, foi o quarteto que ele fundou em Boston que a elevou ao status de arte pop. Filho de pentecostais, Charles - ou Black Francis, como assinava na época - era um gordinho esquisito que amava Hüsker Dü (outra influência decisiva do Nirvana), ficção científica e a língua espanhola (fez intercâmbio em Porto Rico). Quando se juntou ao guitarrista Joey Santiago (filipino de nascimento), à baixista Kim Deal e ao baterista David Lovering para formar o Pixies, finalmente conseguiu botar para fora a confusão reprimida que insistia em gargalhar além de seu subconsciente.

Há quem prefira Surfer Rosa (1988), primeiro álbum do grupo, que ajudou a criar o mito do produtor Steve Albini. Mas o segundo, Doolittle, de 1989, tem um apelo irresistível. Contrariando o esnobismo underground do selo inglês 4AD, com quem tinham contrato, os Pixies trabalharam com som limpo, estruturas simples, senso melódico apurado (Elton John elogiou) e refrãos fortes.

Popular e doentio, quando saiu Doolittle foi interpretado pelo Melody Maker como um disco que tematizava a inutilidade da linguagem e a repulsa ao corpo. Parece pretensioso, mas faz sentido. E, igualmente importante, é divertidíssimo. O título referiria-se ao Dr. Doolittle, que, quem teve infância sabe, tinha o dom de falar com os animais. Era para ser Whore (prostituta), mas Francis achou "católico demais, ou bobamente anticatólico". Preferiu o homem que falava com as bestas, conceito que traduz seu estilo adoravelmente demente de cantar, um diálogo com monstros interiores.


Já na primeira faixa, "Debaser", Black Francis incorpora um freak adolescente urrando de excitação depois de ter assistido ao filme Un Chien Andalou, de Luis Buñuel, e tentando transmiti-la para uma colega: "Garotinha, é tão legal... ha ha ha ho! Fatiando os globos oculares... ha ha ha ho! Não sei de você, mas eu sou ‘un... chien andalousia’! Quero crescer para ser um pervertor." A voz de Kim Deal ecoa Francis ironicamente sexy: "Pervertor!"

Em "Hey", os grunhidos e gemidos dos dois fazendo sexo animal - a música é mais nirvanesca do que o próprio Nirvana - encaixaria perfeita em In Utero, com as vozes de Kurt e Courtney. "Tame" começa falando em "lábios de Cinderela", mas em poucos segundos explode num grito psicopata: "Você é tão mansa!". Kim geme, Francis arfa, as guitarras uivam, e todos (inclusive o ouvinte) chegam juntos a um orgasmo sonoro.

Em várias faixas as guitarras surf de Joey e Black prenunciam o revival promovido pelo locadora boy Quentin Tarantino. David Lovering canta um delicioso deboche sixties, "La La Love You".

"Monkey Gone to Heaven" tem celos, cordas, backing vocals celestiais de Kim Deal e uma desconcertante equação na letra: primata em desacerto com a natureza + numerologia bíblica = apocalipse. A poesia de Francis é tão brilhante quanto os desenhos melódicos de sua guitarra: "Beijei sereias, cavalguei o El Niño, andei pela areia com crustáceos, numa onda de mutilação". O produtor Gil Norton chegou a ficar assustado com alguns versos, mas Francis o tranquilizou: "É tudo bobagem, eles não querem dizer nada, são só sons que eu junto". Pois sim. Confiram a travadíssima "I Bleed": "Alto feito o inferno, um sino toca atrás do meu sorriso, sacode meus dentes e, esse tempo todo, enquanto os vampiros se alimentam, eu sangro".

Texto escrito por Pedro Só e publicado na Bizz #143, de junho de 1997

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