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17/10/2014

Wovenwar: crítica de Wovenwar (2014)

O Wovenwar é fruto de toda a confusão em que Tim Lambesis, vocalista do As I Lay Dying, transformou a sua vida. Preso por planejar o assassinato de sua esposa, o músico forçou os demais integrantes a darem uma pausa na banda. Mas não em suas carreiras, como atesta o Wovenwar. Os demais músicos juntaram forças com o vocalista Shane Blay e tocaram o barco adiante.

O resultado é o autointitulado álbum de estreia do Wovenwar, lançado no início de agosto pela Metal Blade. De modo geral, as 15 faixas do play apresentam similaridades com o As I Lay Dying, e não havia como ser diferentes, afinal 80% dos integrantes são os mesmos. No entanto, a principal característica que diferencia o som dos dois quintetos é a maior acessibilidade do Wovenwar em relação ao As I Lay Dying. As canções são mais pegajosas, com refrãos sempre marcantes e doses às vezes até exageradas de melodia. Em certos momentos, daria até para classificar a música do Wovenwar como uma espécie de metalcore pop, se é que isso existe.

Mas não se assuste, pois, apesar do possível estranhamento inicial, o disco soa bastante agradável e com diversos bons momentos. Há grandes canções por aqui, como “All Rise”, “Death to Rights”, “Ruined Ends” e “Identity”, e que cairão como uma luva nos órfãos do AILD. Porém, várias faixas acabam soando açucaradas demais, transmitindo a incômoda sensação de uma banda presa à uma fórmula - no caso, riff com melodia, versos agressivos e refrão novamente melodioso. Não que isso seja de todo ruim, mas o fato é que, tirando as canções acima citadas e mais outras poucas, o álbum não chegar a empolgar como se esperaria.

O Wovenwar, de uma maneira sadia e refrescante, também tenta sair do comum e trilha caminhos até inéditos se compararmos com o As I Lay Dying. Exemplos disso são faixas como “Father/Son” e “Prophets”, composições contemplativas e que fogem totalmente do que se esperaria encontrar em um álbum com o envolvimento de músicos com tal background. Ainda que não acerte necessariamente na mosca, essa atitude é bem-vinda e mostra uma sempre saudável inquietude artística.

Com o Wovenwar, os fãs do As I Lay Dying continuam tendo uma banda para chamar de sua. E, a julgar pelo tamanho da encrenca em que Lambesis se meteu, está aqui o futuro de seus antigos companheiros - e, espera-se, também de seus fãs.

Nota 6,5 


Revocation: crítica de Deahtless (2014)

Tenho um fraco pela melodia. Heavy metal faz parte da minha vida. Portanto, quando a melodia se une ao peso, e vice-versa, há uma grande possibilidade de que o resultado agrade meus ouvidos. É quase covardia, até diria. Por todos esses motivos, Deathless, novo álbum da banda norte-americana Revocation, é meu novo caso de amor sonoro. Um death/thrash técnico, bem executado, construído a partir de doses generosas de peso e melodia. Não tem como ser ruim.

E, é claro, não é. Deathless soa consistente do início ao fim, com canções fortes e que cativam de imediato. São riffs grooveados, bateria criativa e repleta de bumbos duplos, tudo amarrado com variações rítmicas sempre presentes, que fazem as canções transitarem por diversos caminhos.

Pra quem gosta desse death/thrash melódico e que bebe sem medo no groove, trata-se de um prato cheio. O vocal de Brett Bamberger acaba sendo uma espécie de cereja no bolo, com o timbre gutural do moço indo de tons médios até alguns mais agudos, mas sem nunca ultrapassar aquele limite que faz com que alguns vocalistas de metal extremo soem como bruxas amaldiçoadas e desafinadas.

Entre as influências, percebe-se a presença de elementos em comum com Sylosis, Death, Morbid Angel e até mesmo Deicide. E, em certos trechos, a destemida experimentação na linha de nomes como Mastodon também bate ponto. Tudo isso constrói uma sonoridade não apenas consistente, como já comentado, mas sobretudo empolgante e inspiradora.

Gostei muito de Deathless. Está rolando sem parar nos meus ouvidos. Dê no play abaixo e você correrá o risco de viver uma experiência parecida.

Nota 8


16/10/2014

Ouça “Something for Nothing”, nova música do Foo Fighters

A faixa faz parte de Sonic Highways, oitavo álbum da banda de Dave Grohl, com data de lançamento marcada para o dia 10 de novembro. Detalhe: o riff que surge no meio da canção é bastante semelhante ao de "Holy Diver", do falecido Dio.

Dê play e diga aí: gostou?


A opinião da Metal Hammer sobre o novo disco do Slipknot

Aqui é onde a especulação termina e a realidade de um Slipknot sem o saudoso Paul Gray e a usina de força Joey Jordison vem à tona. A preocupação principal dos fãs é bem simples: o novo álbum será um bom disco do Slipknot? Pode, talvez, se igualar aos trabalhos anteriores? E, devido ao fato de a maioria das composições ser de autoria da dupla Corey Taylor e Jim Root, não soaria demasiadamente similar ao Stone Sour?

A verdade é que a partir do título, passando pela arte da capa e chegando até à sujeira e fúria que impulsiona seus riffs mais cruéis, .5 The Gray Chapter é, em todos os aspectos, um álbum do Slipknot, embora afetado pelos acontecimentos recentes da história da banda. As músicas têm mais em comum com Vol. 3: (The Subliminal Verses) (2004) e All Hope is Gone (2008) do que com os dois primeiros discos do grupo. 

Se você quer o Slipknot brutal e violento de outrora, há muito para os seus ouvidos neste disco. “Sarcastrophe” soa como uma enxurrada dissonante de facas afiadas, com blastbeats impiedosos e ataques selvagens de Sid Wilson. “AOV" arranca em alta velocidade e lembra Slayer: um thrash frenético com vocais ensandecidos de Corey e um coro no estilo de “Dead Memories”. “Skeptic” é o tributo mais flagrante a Paul Gray e a mais próxima de Iowa, com riffs furiosos e atonais que vão e voltam.

Mas o melhor ficou para o final. “Custer" abre com um riff sangrento, “Be Prepare for Hell” passa por trechos atmosféricos assustadores e “The Negative One” é uma das melhores faixas gravadas pelo Slipknot em anos. Os ruídos perturbadores e a percussão maluca de “Kill Pop” e “Lech”, a grotesca balada “Goodbye" e a emocionante e fúnebre “If Rain is What You Want” podem ser interpretadas, em certos aspectos, como momentos criativos questionáveis de Taylor e Root. Na verdade, o disco é dominado pelo pesadelo de samplers de Craig Jones, pela efervescência do DJ Sid Wilson e a visão distorcida de Shawn Crahan. E há, sem dúvida, menos momentos de conservadorismo melódico do que nos anteriores All Hope is Gone e Vol. 3.

Respondendo às perguntas lá do início: sim, este é um bom disco do Slipknot. Está no mesmo nível de All Hope is Gone, mas não é um dos melhores álbuns da banda. E não, não soa semelhante ao Stone Sour em nenhum momento. Uma bad trip com trechos de intensidade insana: é assim que soa o Slipknot em 2014, e isso é bom pra caramba.

(Dom Lawson, Metal Hammer)

(Tradução de Ricardo Seelig)


14/10/2014

O velho que acabou, o novo que quer chegar

A hora de pendurar a chuteira é complicada. Saber o momento exato de parar, de deixar o tempo cuidar da sua obra enquanto você descansa sobre os merecidos méritos ao invés de dedicar a sua energia para colocar abaixo o que levou anos para construir, é algo bastante difícil. No meio artístico, na música mais especificamente, temos vários exemplos de bandas e artistas que, mesmo que ainda continuem gravando discos e fazendo shows, soam irrelevantes artisticamente há anos - nos casos mais extremos, há décadas.

É fácil afirmar, por exemplo e sem pensar muito, que o Scorpions é uma dessas bandas. Os alemães há tempos vivem de reciclagem, regravando antigos clássicos nos mais variados formatos, reembalando-os e vendendo-os novamente aos sempre famintos fãs - que, em grande parte, jogaram o senso crítico no lixo, trocando-o por uma paixão cega e irrestrita.

Mas falar do Scorpions é fácil. Bem fácil. Na verdade, o grupo alemão é um dos exemplos mais claros disso. Um caso óbvio e quase obsceno, pra falar a verdade. Todo mundo sabe, todo mundo vê, todo mundo está cansado de saber que eles não tem mais nada a oferecer. Se duvidar, até os próprios músicos sabem disso.

Então, vamos falar de outros nomes, casos não tão extravagantes assim, mas que também já deveriam ter parado há bastante tempo. O Pink Floyd, por exemplo, informou que irá encerrar as suas atividades após o lançamento do álbum The Endless River, que sairá dia 7 de novembro. A pergunta que cabe aqui é a seguinte: mas a banda ainda estava viva? Não só pelo intervalo de 20 anos entre o futuro novo trabalho e The Division Bell, seu antecessor, de 1994. Artisticamente, a banda não lança nada de relevante desde The Wall, de 1979. Ou seja, 35 anos atrás. Só quem é muito fã aguentou discos sonolentos como The Final Cut (1983) e os insossos A Momentary Lapse of Reason (1987) e o de 1994. Ao vivo, o grupo liderado por David Gilmour seguiu apresentando um dos maiores espetáculos da terra, mas em estúdio a história foi outra. Só eu penso assim?

Há inúmeros casos de bandas cultuadas que ainda se mantém na ativa, seja pela saúde mental de seus integrantes ou pelo bem de suas contas bancárias, e que não entregam nada bom, no nível do que já fizeram, faz tempo. Pegue os dedos de sua mão e comece a contar: Metallica, Maiden, Purple, Aerosmith, Slayer, Megadeth, Lynyrd Skynyrd, … . A lista é grande e recheada de nomes consagrados e importantes, que praticamente rastejam atualmente, soando a milhas do que já mostraram serem capazes de produzir.

E o pior: o público, ao invés de ligar o "simancol" que os artistas não tem, embarca junto em enganações anêmicas como o patético Megadeth atual, ou o rastejante e auto indulgente Metallica, que se realimenta dos brilhos do passado em novas embalagens - shows, filmes, documentários e o que mais vier à tona. 

Sério que você, que gosta de música, se contenta com apenas isso? Não quer sons mais desafiadores, mais originais, mais alinhados com a realidade que você vive atualmente? Não quer música nova e diferente? Prefere andar pra frente com a cabeça afundada lá atrás, nas notas de sempre? É uma escolha, claro, e individual, por isso não vou ser eu que irei criticar a trilha que você quer para os seus dias. Mas me soa um desperdício deixar a trilha da sua vida no repeat enquanto milhares de novos sons estão por aí, pelo ar, esperando para chegar aos seus ouvidos.

Como fã de música, me sinto frustrado e incompleto se ficar ouvindo apenas as mesmas bandas de sempre. Algo que fiz no passado, mas que soa totalmente fora do lugar no mundo atual, onde uma simples pesquisa nos Spotifys da vida revela um rico e empolgante universo sonoro inédito, e em poucos segundos.

Enquanto seguirmos assim, o terrível classic rock seguirá firme e forte, preguiçoso e previsível, igual aos seus ouvintes.

Abaixo, alguns sons diferente pra dar um refresh nos ouvidos, todos lançados em 2014 e que talvez você ainda não conheça. E me indiquem alguns também. 


Exodus: crítica de Blood In Blood Out (2014)

O crescimento do mercado classic rock/metal e o aumento da demanda por bandas que se encaixam nessa denominação mudou o curso da carreira de diversos grupos. O Exodus é um deles. Os últimos anos da banda liderada pelo guitarrista Gary Holt foram excelentes artisticamente. De Tempo of the Damned (2004) até Exhibit B: The Human Condition (2010), o quinteto da Bay Area emplacou uma sequência de quatro excelentes álbuns de estúdio, isso sem contar Let There Be Blood (2008), regravação do clássico Bonded by Blood (1985) com os vocais de Rod Dukes, dono do posto até então.

Mas como o que importa é o passado e não o futuro, o que vale é o que os fãs querem e não as possíveis pretensões artísticas dos músicos, lá veio a mudança: mandaram o ótimo Dukes embora e chamaram de volta o intempestivo e encrenqueiro Steve Zetro Souza, fora da banda desde 2004, após participar do petardo Tempo of the Damned. Algo semelhante, para termos de comparação, ao que o Anthrax fez ao dispensar John Bush e chamar de volta Joey Belladonna. 

Com tudo isso explicado, vamos aos fatos: o novo disco do Exodus, Blood in Blood Out, explica com perfeição o que é uma parcela do metal e do mercado fonográfico atual. Ele é voltado para fãs saudosistas, para pessoas que tiveram a banda como parte importante de suas vidas e buscam resgatar este sentimento. Nada contra, mas fica claro que a banda, com esse movimento, trabalha buscando apenas o contentamento desses fãs, não fazendo o mínimo esforço para cativar novos ouvintes. E dá-lhe fórmulas feitas: “blood" pra lá, “blood” pra cá (o culto a Bonded by Blood parece que forçou o Exodus a colocar a palavra em praticamente todos os seus discos …), participações especiais (o ex-Kirk Hammett, que deixou a banda em 1983 pra fazer história e fortuna, e Chuck Billy, vocal do Testament) e regravação de um "clássico" obscuro do metal oitentista (no caso, “Angel of Death”, do Angel Witch). 

As canções vão na mesma pegada, seguem o mesmo posicionamento. São faixas que não são ruins, mas que também não dizem muito aos ouvidos da maioria. Thrash com pegada clássica, deixando totalmente de lado as doses certeiras de groove que haviam turbinado a música do Exodus nos últimos anos, deixando-a muito mais agressiva e pesada. Soma-se isso ao fato de Zetro Souza fazer parte daquela parcela de fãs de Pato Donald que cantam em bandas de metal (e que, particularmente, não me agradam), e temos um resultado final apenas mediano. Fiquei imaginando, enquanto o play rolava, em como o timbre de Dukes casaria muito melhor com as composições, mas essa não foi a escolha de Holt e companhia.

Entre as onze faixas, alguns destaques óbvios: a música título, “Collateral Damage” (a melhor, com coros no refrão que resgatam as influências punk e hardcore da música do Exodus), “Salt the Wound”, com Kirk e Gary desafiando-se nas seis cordas, e “Food for the Worms". “BTK”, canção que conta com a participação de Chuck Billy, acaba decepcionando pelo pouco uso do cantor do Testament, que fica restrito ao refrão.

Olha, tem gente que vai adorar Blood In Blood Out e afirmar aos quatro ventos que trata-se de um dos melhores álbuns do Exodus. Não é o meu caso. Achei o disco apenas mediano, com um foco demais no passado e com o objetivo claro e evidente de agradar apenas os fãs mais saudosistas. No final das contas, não dá para criticar duramente a banda por seguir este caminho, afinal, no mercado atual, pouquíssimos ouvintes ainda gastam seu dinheiro em LPs e CDs, e a grande maioria deste povo é formado por bangers das antigas e que ainda não foram seduzidos por outras formas de consumir música, como o streaming, por exemplo. Assim, o Exodus reenquadra a sua carreira e foca exclusivamente em um público, deixando de lado todo o restante. Uma estratégia discutível e até certo ponto suicida, mas que terá seus defensores, principalmente aqui no Brasil, onde o mercado gira sempre ao redor dos mesmos nomes.

Ouça, mas não espere nada de outro mundo.


Nota 6


10/10/2014

Rádio Sangue nos Ouvidos

Uma playlist com mais de 500 faixas (mas em construção e expansão constante) dedicada exclusivamente ao metal. Groove, death, black, thrash, metalcore. Agressividade e peso em uma seleção feita pra quem gosta de som pesado, recheada de nomes que você conhece e outros tantos que talvez ainda não tenham chegado até você.

Funciona assim: selecione a execução aleatória e aperte o play. Assim, você terá uma programação sempre diferente.

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