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17 de jan de 2019

“Ghost Love Score” e a emoção que vem

quinta-feira, janeiro 17, 2019

Algumas músicas são capazes de emocionar até mesmo uma pedra. E “Ghost Love Score”, do Nightwish, certamente é uma delas. Lançada em 2004 em Once, quinto álbum da banda finlandesa, chamou a atenção desde o início devido à união perfeita entre o heavy metal, o aspecto sinfônico e os vocais operísticos de Tarja Turunen. No entanto, Tarja deixou a banda após a turnê do disco, e o Nightwish entrou em uma espécie de limbo, retomando as atividades somente em 2007 com Dark Passion Play e Anette Olzon colo vocalista. Só que tinha um problema: Anette não casou muito bem com a banda, e acabou também deixando o grupo.

É aí que uma força da natureza chamada Floor Jansen entra na história. Nascida em 21 de fevereiro de 1981, Floor é holandesa e assumiu os vocais do Nightwish de maneira definitiva, colocando a banda do tecladista Tuomas Holopainen em outro nível.

Isso é claramente perceptível através das performances ao vivo de “Ghost Love Score” com Floor Jansen nos vocais. É algo de cair o queixo, de impressionar até os mais experientes professores de técnicas vocais e levar às lágrimas quem está assistindo. 

A versão definitiva de “Ghost Love Score” foi gravada no Wacken Open Air em 2013 e teve o seu vídeo disponibilizado pela banda e pela gravadora Nuclear Blast. O que assistimos é algo realmente surreal, com uma performance irretocável da banda e com Floor brilhando de uma maneira intensa. A forma como ela canta é absolutamente brilhante, demonstrando toda a sua técnica vocal e controle absoluto sobre sua voz. Gosto especialmente de toda a parte final da música, após a pausa sinfônica no meio da canção. A partir deste momento tudo entra em um crescendo constante, levando a um ápice absolutamente incrível e que tem como protagonista Floor Jansen.

Abaixo está o vídeo para você assistir “Ghost Love Score” ao vivo, além de pessoas reagindo à performance e vídeos de Tarja e Anette cantando a mesma música, em que é possível perceber o quanto Floor subiu o nível. É emocionante - assista e sinta:

Mais de 40 anos depois, a lendária Casa das Máquinas lançará um novo disco

quinta-feira, janeiro 17, 2019

Em entrevista ao Tenho Mais Discos que Amigos!, o tecladista Mário Testoni Jr. confirmou que a lendária Casa das Máquinas, um dos principais nomes do rock brasileiro durante os anos 1970, lançará um novo álbum em 2019. Este será o primeiro disco da banda em 43 anos, desde o icônico Casa de Rock, que saiu em 1976. A curta discografia do grupo conta ainda com Casa das Máquinas (1974) e Lar de Maravilhas (1975), todos muito bons e com o status de clássicos do rock brazuca.

A banda é formada atualmente por Testoni e Mário Franco Thomaz (bateria), únicos remanescentes das formações de décadas passadas, que agora contam com a companhia de João Luiz (vocal), Marcelo Schevano (guitarra, também do Carro Bomba) e Fábio César (baixo).

O novo trabalho será lançado no segundo semestre em CD, LP e nos formatos digitais. E a primeira prévia, a faixa “Nova Casa”, pode ser conferida abaixo:

Geddy Lee dá pistas que um novo álbum solo vem por aí

quinta-feira, janeiro 17, 2019

Promovendo o seu livro Geddy Lee’s Big Beautiful Book of Bass, o baixista e vocalista do Rush foi perguntado se tem planos de gravar um novo álbum solo, já que a banda canadense encerrou as atividades. A resposta de Geddy irá animar os fãs: "Bem, isso é certamente possível. Eu meio que me abriguei nessa coisa do livro nos últimos dois anos e meio. E agora que isso está feito, depois de terminar a turnê de promoção, vou começar a pensar em escrever algumas músicas”.

O músico, que está com 65 anos, gravou apenas um álbum solo. My Favorite Headache foi lançado em novembro de 2000 e contou com as participações do guitarrista Ben Kink (k.d. lang) e do baterista Matt Cameron (Pearl Jam, Soundgarden). O disco mais recente do Rush foi Clockwork Angels, de 2012.

16 de jan de 2019

Review: Prophets of Rage - Prophets of Rage (2017)

quarta-feira, janeiro 16, 2019

O Prophets of Rage é a união dos instrumentistas do Rage Against the Machine - o guitarrista Tom Morello, o baixista Tim Commerford e o baterista Brad Wilk - com os rappers B-Real (do Cypress Hill) e Chuck D (do Public Enamy), mais o DJ Lord (também do Public Enemy). Ou seja: sai o discurso de Zack de la Rocha e entra a poesia igualmente contestadora de Chuck e Real. Musicalmente, o que sai das caixas é a sonoridade de uma das mais importantes e originais bandas dos anos 1990 turbinada pelos versos de duas das das mais lendárias vozes do rap.

Logicamente, tudo isso faz com que o auto-intitulado primeiro disco da banda tenha a política como tema principal das letras, ainda mais por ter sido lançado em 2017, logo após a eleição de Donald Trump como presidente dos Estados Unidos. O álbum, que foi ignorado pelas gravadoras brasileiras, finalmente está chegando ao mercado nacional em uma iniciativa digna de elogios da Hellion Records, que foi atrás de um título que a representando brasileira da Fantasy Records não teve interesse em disponibilizar por aqui.

O CD vem com doze faixas e foi produzido por Brendan O’Brien (Pearl Jam, Bob Dylan, AC/DC). Há momentos em que a herança do Rage Against the Machine ganha destaque, como em “Living on the 110”, e outros onde a banda parece querer fugir da identidade sonora de outrora. Isso faz com que algumas canções acabem perdendo força e vaguem por um caminho sem muito foco, como fica claro no trio de faixas que abre o disco - “Radical Eyes”, “Unfuck the World” e “Legalize Me”. Essas faixas não trazem a raiva e a indignação nas interpretações vocais que se esperaria de uma união entre forças artísticas tão provocadoras.

Muito dessa sensação vem da abordagem que Morello adotou na guitarra. Ele não utiliza as notas marcantes dos tempos do RATM, onde a sua guitarra era quase percussiva e os acordes despejavam uma espécie de rap faiscante, e tampouco trilha caminho semelhante ao Audioslave, onde alternou momentos de peso explosivo com outros de puro lirismo. É louvável, e perfeitamente entendível, que um instrumentista do calibre de Morello não queira se repetir, no entanto a maneira como ele coloca a sua guitarra na maioria das canções deste primeiro álbum do Prophets of Rage deixa a sensação de que a coisa poderia render muito mais do que efetivamente rendeu.

Independente desses aspectos, o fato é que trata-se de um trabalho marcante e até mesmo histórico por reunir músicos que sempre tiveram um discurso semelhante e que aqui juntaram forças para expressar o que sentem em relação ao momento atual do mundo.

Novo álbum de Suzi Quatro

quarta-feira, janeiro 16, 2019

A veterana Suzi Quatro lançará no final de março o seu décimo-sexto disco. No Control é o sucessor de In the Spotlight (2011) e traz onze músicas, a maioria fruto da colaboração da vocalista e baixista com seu filho, Richard Tuckey.

No Control será lançado pela SPV/Steamhammer dia 29 de março em CD digipak, LP duplo, download e nos serviços de streaming. Confira o tracklist abaixo:

1. No Soul/No Control 
2. Going Home 
3. Strings 
4. Love Isn't Fair 
5. Macho Man 
6. Easy Pickings 
7. Bass Line 
8. Don't Do Me Wrong 
9. Heavy Duty 
10. I Can Teach You to Fly 
11. Going Down Blues

15 de jan de 2019

Playlist: Sério que é Cover?!?

terça-feira, janeiro 15, 2019

Algumas canções estão tão impregnadas em nossas vidas e no inconsciente coletivo que temos impressões erradas sobre elas. "O que importa é quem canta, não quem compõe", como diria um amigo. Por isso, essa playlist é uma homenagem aos compositores de alguns dos maiores clássicos do rock, do pop e da música em geral, que deram ao mundo músicas que foram eternizadas nas vozes de outros artistas.

A ideia aqui é elencar a primeira gravação de grandes hits, a gravação original de músicas que ficariam muito mais conhecidas anos mais tarde através de outros nomes.

Se você tiver sugestões, mande nos comentários e elas serão incluídas na playlist.

Divirta-se (e surpreenda-se)!

Review: Vakan - Vagabond (2018)

terça-feira, janeiro 15, 2019

Vagabond é o disco de estreia da banda gaúcha Vakan, e foi disponibilizado nos apps de streaming em 2018, ganhando versão física em CD no final do ano. O álbum é o sucessor do EP Freeze! (2012) e chega para apresentar o quarteto natural de Santa Maria para todo o Brasil.

Formado por Matheus Oliveira (vocal), Alexandre Marinho (guitarra), Natanael Couto (baixo) e Lucas Oliveira (bateria), o Vakan executa um power metal que tem como principais referências nomes como Iron Maiden, Helloween e Angra. O diferencial da banda está na inserção de elementos da música tradicional gaúcha ao peso do heavy metal, gerando assim um aspecto étnico e folk que dá um gosto todo especial ao seu som.


Vagabond vem com 13 faixas, sendo que algumas delas funcionam como interlúdios. A produção é super bem feita e ressalta o bom trabalho de todos os integrantes. A banda varia entre canções que são mais focadas no power metal tradicional como “Beyond Makind”, “Russian Roulette” e “Euphoria”, e outras onde traz para a ordem do dia as já citadas influências de música gaúcha. É nesse segundo momento que o álbum ganha força e apresenta ao ouvinte algo praticamente inédito. Que fique claro: as músicas com a pegada mais tradicional são boas e bem executadas, porém não trazem praticamente nada que já não tenha sido feito antes. Mas quando mergulha nas raízes da cultura musical do Rio Grande do Sul, daí sim o Vakan encontra um som próprio e que constrói a personalidade de sua música.

Destaques para a parte final do disco, a partir da curta instrumental “Interlude: Eremita”, onde temos sete faixas em que o metal caminha lado a lado com a música tradicionalista, rendendo belíssimos momentos, com destaque para a ótima “Presumption of Guilt”. 

Vagabond é uma boa estreia, que mostra uma banda com talento, grande potencial e ótimas ideias. O tempo de estrada deve tornar a sonoridade do Vakan ainda mais forte e azeitada, com o desenvolvimento mais profundo dos dois aspectos de sua música, gerando assim um caminho ao mesmo tempo original e cativante.

Discoteca Básica Bizz #134: A Checkered Past - The 2 Tone Collection (1993)

terça-feira, janeiro 15, 2019

Mistura de selo independente e organização não-governamental, composto de bandas multirraciais, o 2 Tone foi a arma encontrada pelos adolescentes ingleses para torpedear a onda de racismo - leia-se skinheads - e o governo mão-de-ferro de Margaret Thatcher. "Este é basicamente um lugar em que o preto e o branco brincam juntos", define Pauline Black, vocalista do Selecter. A história do movimento está em A Checkered Past - The 2 Tone Collection, CD que reúne todos os singles lançados pelo selo, de 1979 a 1986.

Musicalmente, a receita do 2 Tone fundia a energia primal gerada pelos punks ingleses com o balanço do ska - ritmo que ferveu a Jamaica nas décadas de 1950 e 1960 e que se mudou de mala e cuia para a Inglaterra. Com a posse dos ingredientes, faltava um mestre-cuca para a receita não desandar. E ele apareceu sob a forma do tecladista Jerry Dammers.

Dammers montou os Automatics - definidos como heavy reggae - ao lado do guitarrista Lynval Golding e do baixista Horace Panter. Dois anos depois o grupo mudou para Special A.K.A. e recrutou os vocalistas Terry Hall e Neville Staples e o guitarrista Roddy Radiation, para lançar o single "Gangsters". Era julho de 1979. Começava o 2 Tone.

"Gangsters" foi o cartão de visitas para conhecer a ideologia do movimento. A melodia citava o proto-reggae "Al Capone", do veterano Prince Buster, e a letra denunciava aqueles que queriam "se dar bem" no mundo musical.


Mas havia outros grupos com o mesmo ideal de Dammers. Tinha o som pop de Madness, o ska com influências de soul music do Beat (English Beat, para os americanos) e o Selecter. O selo ainda engrossou suas fileiras com o trombonista jamaicano Rico Rodriguez. Em 1979, já rebatizada como Specials, a turma de Dammers lança "A Message to You Rudy", reggae paleolítico de Daddy Livingstone. O Madness solta "The Prince" e vira superstar. The Beat entra nas paradas com a versão de "Tears of a Clown", de Smokey Robinson. Em 1980, o 2 Tone capitalizava 250 mil singles vendidos e sete músicas na parada inglesa.

A boa fase se estenderia até o ano seguinte, quando Specials e The Selecter encerraram suas atividades. Dammers reformou o Special A.K.A., que perpetuou o clássico "Nelson Mandela". O Beat deu origem ao General Public e ao Fine Young Cannibals. O Madness só se deu por vencido em 1986. Mas aí o estrago já havia sido feito.

Texto escrito por Sergio Martins e publicado na Bizz #134, de setembro de 1996

Os LPs mais vendidos nos Estados Unidos em 2018

terça-feira, janeiro 15, 2019

As vendas de discos de vinil cresceram 14,6% nos Estados Unidos, maior mercado fonográfico do mundo, em 2018. No total, foram comercializados 16,8 milhões de LPs no país, de acordo com a Nielsen Music, instituição responsável pelo levantamento de dados relativos à indústria musical no mercado norte-americano.

O ranking de LPs mais vendidos é dominado por títulos de catálogo considerados clássicos, com exceção do Panic! at the Disco (que foi lançado em 2018) e da trilha de Guardiões da Galáxia (se bem que essa trilha é composta por canções antigas de bandas e artistas clássicos). Foi divulgado também o ranking com os singles mais vendidos no período (os famosos compactos de 7 polegadas), e nesse caso também temos uma dominância de canções mais antigas, com exceção de algumas bem-vindas novidades de nomes como Sleep, Chris Cornell e Paul McCartney.

Abaixo você confere os top 10 com os álbuns e os singles de vinil mais vendidos nos Estados Unidos em 2018.

TOP 10 SELLING VINYL ALBUMS OF 2018 IN U.S.  
1 Soundtrack, Guardians of the Galaxy: Awesome Mix Vol. 1 - 84,000
2 Michael Jackson, Thriller - 84,000
3 Fleetwood Mac, Rumours - 77,000
4 The Beatles, Abbey Road - 76,000
5 Prince and The Revolution, Purple Rain (Soundtrack) - 71,000
6 Pink Floyd, The Dark Side of the Moon - 67,000
7 Bob Marley and The Wailers, Legend: The Best Of… - 61,000
8 Queen, Greatest Hits - 60,000
9 Amy Winehouse, Back to Black - 59,000
10 Panic! at the Disco, Pray for the Wicked - 59,000
Source: Nielsen Music, for the tracking period Dec. 29, 2017 through Jan. 3, 2019.

TOP 10 SELLING VINYL SINGLES OF 2018 IN U.S.  
1 The Beatles, "Yellow Submarine" - 10,000
2 Prince, "Nothing Compares 2 U" - 9,000
3 Led Zeppelin, "Rock and Roll"/"Friends" - 8,000
4 Sleep, "Leagues Beneath" - 5,000
5 Chris Cornell, "When Bad Does Good" - 4,000
6 David Bowie, "Let's Dance" (Full Length Demo) - 4,000
7 Paul McCartney, "I Don't Know"/"Come On To Me" - 4,000
8 U2, "Hold Me, Thrill Me, Kiss Me, Kill Me" - 3,000
9 The Jimi Hendrix Experience, "Burning of the Midnight Lamp" - 3,000
10 John Williams, "The Rebellion Is Reborn" - 3,000
Source: Nielsen Music, for the tracking period Dec. 29, 2017 through Jan. 3, 2019.

Primeiro álbum solo de Keith Richards ganha reedição especial

terça-feira, janeiro 15, 2019

Lançado em 1988, Talk is Cheap é o primeiro álbum solo de Keith Richards com os X-Pensive Winos. O disco será relançado em 29 de março em uma edição deluxe cheia de mimos e com faixas bônus.

O álbum traz uma banda de peso, como nomes como Bobby Keys, Sara Dash, Waddy Wachtel, Charley Drayton, Steve Jordan, Ivan Neville e participação especial de Mick Taylor.

Entre os mimo incluídos no lançamento estão o LP original de 180 gramas remasterizado, LP de 180 gramas com as faixas bônus, dois singles de 7 polegadas "Take It So Hard / I Could Have Stood You Up" e "Make No Mistake / It Means a Lot", CD original remasterizado, CD com seis faixas bônus, livro capa dura de fotos do arquivo pessoal de Keith, nova entrevista de Keith, comentários de Anthony De Curtis, tourpass, palheta e dois pôsteres.

Confira abaixo o tracklist e também ouça “My Babe”, uma das faixas bônus incluídas no pacote:

1. Big Enough
2. Take It So Hard
3. Struggle
4. I Could Have Stood You Up
5. Make No Mistake
6. You Don t Move Me
7. How I Wish
8. Rockawhile
9. Whip It Up
10. Locked Away
11. It Means a Lot

Disco extra
1. Blues Jam
2. My Babe
3. Slim
4. Big Town Playboy
5. Mark on Me
6. Brute Force

14 de jan de 2019

Quadrinhos: Paper Girls 3, de Brian K. Vaughan e Cliff Chiang

segunda-feira, janeiro 14, 2019

O terceiro encadernado de Paper Girls, série escrita por Brian K. Vaughan e ilustrada por Cliff Chiang, está sendo lançado pela Devir e mantém o alto nível apresentado pela série até agora. O roteiro conta a aventura de quatro garotas que partem do ano de 1988 em uma viagem pelo tempo, indo para o futuro e o para o passado enquanto tentam entender o que está acontecendo, com direito a aliens, monstros, gadgets eletrônicos, religião e muito mais na receita.

O terceiro volume reúne as edições 11 a 15 da série, que sai nos Estados Unidos pela Image. A edição da Devir vem com 128 páginas, papel couchê e capa cartão, seguindo o belo padrão gráfico adotado nos dois volumes anteriores.

A história segue com um ritmo contagiante, prendendo o leitor com desdobramentos e consequências que são apresentados em uma velocidade constante. A sensação de estar assistindo a uma espécie de Sessão da Tarde transposta para as páginas de uma HQ permeia toda a leitura. Assim como as protagonistas, não sabemos muito bem o que está acontecendo e somos surpreendidos com o mesmo impacto que elas. Vaughan segue inserindo e intensificando a pegada feminina do texto, apresentando situações de identificação entre as personagens e as novas caras que surgem nesse volume, além de colocar os homens como antagonistas e retratá-los de maneira atemorizante, com ilustrações propositalmente assustadoras. E no meio disso tudo as meninas precisam enfrentar uma questão ainda mais atemorizante: a chegada da puberdade, com a descoberta da primeira menstruação. Todos esses aspectos deixam as relações entre as quatro protagonistas muito mais densas e profundas.



Cliff Chiang mantém o seu traço característico, e o trabalho de cores segue a mesma abordagem apresentada nos volumes anteriores, com variações de tom que conferem um clima bastante agradável para as páginas. Artisticamente, Paper Girls é uma HQ que enche os olhos, com um trabalho de ilustração irrepreensível. E o texto de Brian K. Vaughan vai na mesma linha, com diálogos muito bem construídos e que conferem um ar de autenticidade para toda a trama.

A Devir já confirmou o lançamento do quarto volume de Paper Girls para 2019, dando sequência a uma das mais aclamadas HQs dos últimos anos, vencedora de três Eisner Awards. Ou seja: se você não está lendo, está perdendo um dos melhores títulos disponíveis no mercado brasileiro de quadrinhos.

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13 de jan de 2019

Quadrinhos: N., de Stephen King, Marc Guggenheim e Alex Maleev

domingo, janeiro 13, 2019

Só o fato de ser uma adaptação de um conto escrito por Stephen King e contar com ilustrações de Alex Maleev já bastaria para chamar a atenção para N., graphic novel lançada pela Darkside Books. Porém, o roteiro aborda um tema que foi banalizado pelos tempos atuais e merece bastante atenção.


O assunto principal de N. é o transtorno obsessivo-compulsivo (T.O.C.), distúrbio de comportamento que afeta um número cada vez maior de pessoas e que se caracteriza por uma ansiedade crescente e que só é aplacada se o indivíduo realizar tarefas específicas, que podem ir desde a contagem do número de passos até o trabalho, a verificação constante de portas e janelas, manias de organização e um sem número de variáveis. T.O.C. não é ficar irritado porque as lombadas da sua coleção de quadrinhos não seguem um padrão. T.O.C. é uma perturbação séria e que, em casos extremos, dizima a saúde mental dos pacientes e pode levar até mesmo à morte.




É o que vemos em N. A história conta o caso de um estranho paciente atendido por um psiquiatra e que mostra sinais crescentes de transtorno obsessivo-compulsivo, que começaram a se manifestar após ele visitar uma determinada propriedade no interior dos Estados Unidos. A degradação mental a que o personagem passa a cada página é intensificada pela arte de Maleev, sempre bastante expressiva e adequada a tramas onde os personagens enfrentam situações extremas, como vimos em sua parceria com Brian Michael Bendis na aclamada fase de ambos no Demolidor. O texto de Marc Guggenheim mantém a essência do conto de King e evolui progressivamente, causando incômodo no leitor por apresentar um quadro cada vez mais preocupante. A questão é que a solução encontrada pelos envolvidos é extrema e chocante, o que torna N. uma HQ pesada, sombria e um tanto perturbadora.


A edição da Darkside é linda, vem com uma luva protetora e capa dura, em um trabalho gráfico que mantém a qualidade já tradicional da editora.


Ao final da leitura, o que temos é um quadrinho que foge totalmente do universo de super-heróis característico do Marvel e traz para discussão um assunto que faz parte da vida de um número cada vez maior de pessoas. Ótima leitura, recomendo!


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