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01/09/2014

A banda de uma geração

Fui a uma festa à fantasia sábado. Em uma casa com cabana, que fica em um terreno que mais parece uma chácara. No Campeche, aqui em Floripa. Era o aniversário da mãe do Matias, a Carla, que estava de Bruxa do 71. O Chico, o pai 2 do meu pequeno, foi de Slash. E o Matias de ninja. Eu, normal.

Tinha som e bandas ao vivo. E a primeira que tocou, com uma gurizada bem nova, entrou emendando três ou quatro sons do Strokes direto. Tem maneira melhor de medir o impacto de um grupo do que esse? O guitarrista parecia uma versão loura do Julian Casablancas, com cara de sono, cabelo desgrenhado e calça apertada. E tocava direitinho. Bem direitinho.

O Strokes nunca me bateu muito. Mas sempre vi a galera mais nova do que eu louca pelo Is This It, disco de estreia dos nova-iorquinos, lançado em 2001, acho. No fim das contas, apesar de não curtir muito, é bom ver que uma banda que foca o seu som em guitarras, solos e afins segue firme e forte no coração de um monte de gente.


Se alguém tiver uma explicação mais profunda para tudo isso, um tratado musical e comportamental a respeito, pode postar nos comentários. Vou gostar de ler e vai me ajudar a entender melhor essa coisa toda dos Strokes. 

Atrasado, mas vai.


Música do Dia: Porcupine Tree - Time Flies



29/08/2014

Opeth e o disco do ano

O Opeth cansou de ser uma banda de heavy metal. Encheu o saco. E se reinventou. Se transformou em um combo com o melhor que o prog rock setentista produziu, vivo e em plena década de 2010. 

Heritage já era ótimo. Pale Communion é sublime. Mikael Akerfeldt é único. Um geniozinho em um mar cada vez mais sem sal e raro em personagens com talento similar ao seu.


Não ganha nota 10. Ganha nota 14. Porque agora é oficial: podem fechar o ano porque ninguém irá lançar um disco melhor.


Explorando, sugando e lucrando com a paixão dos fãs

O Iron Maiden anunciou o relançamento de sua discografia em discos de vinil de 180 gramas. Os discos clássicos, até o Seventh Son (1988), mais os singles do período. Deve ser a décima vez que isso ocorre. A centésima, ou talvez até mesmo a milésima. Em CD, em LP, no caralho a quatro.

E sempre nesses oito primeiros álbuns - os sete de estúdio e mais o Live After Death. É a banda atestando que o resto da sua carreira não importa. Nada, nem pra eles. Apesar de discos muito bons como Brave New World e The Final Frontier.

E os fãs, cegos, idiotas e todos os demais adjetivos possíveis, vão comprar de novo. E mais uma vez. E quantas vezes a banda decidir relançar.

Ninguém mais compra discos. Não há mais razão para ter discos. O formato físico morreu, e já faz tanto tempo que nem cheirar mal ainda cheira.

Mas o Maiden segue investindo nesse formato. Bem, não necessariamente nesse formato. O Maiden segue investindo na exploração da paixão cega de seus fãs, fiéis desde sempre. Lança cerveja, camiseta, poster, o que der na telha, todos os anos. E novas versões de seus discos de tempos em tempos. 

Já deu. Invistam em outra coisa, Steve e Bruce. Já ficou chato bater na mesma tecla, sempre e cada vez mais. Parem. Todo mundo já tem esses discos. E no mínimo em umas três ou quatro versões diferentes. Olhem para frente. Desapeguem do passado. 

Mas aí vai ser preciso desapegar da grana. E essa, vamos admitir, vai ser difícil.

Postura lamentável de uma banda que parece mais preocupada em ficar sentada vendo os números de suas receitas aumentarem do que em produzir algo novo. 


Vou ali tomar uma Coca-Cola. Ouvindo Ali Farka Touré, bluesman africano falecido em 2006 e que atualmente tem muito mais a me dizer do que Harris, Dickinson e companhia.


Rádio Mas Que Nada

Sempre quis ter um programa de rádio. Apresentar, tocar, falar. Compartilhar o amor sempre crescente que sinto pela música. O prazer que se renova a cada dia como ouvinte.

Já fiz das minhas. Um amigo tinha um programa em uma rádio nos tempos da adolescência, e frequentemente a programação ficava por minha conta. Por uns tempos, supri essa necessidade com um podcast semanal, que acabou chegando ao fim por incapacidade técnica e de tempo.

Tudo isso pra dizer que a coisa está mais viva do que nunca. Ainda que não do jeito que você imagina. O Spotify, serviço de streaming de música, é uma maravilha. Mudou o meu modo de consumir música. Não lembro a última vez que coloquei um CD pra tocar, e nem quando o toca-discos lá de casa deu o seu último giro. E, apesar disso, vivo um dos momentos em que mais tenho escutado música. O dia todo. Todo dia.

No iPhone, o Spotify me acompanha em qualquer lugar, com o fone de ouvido sempre esquentando as orelhas. Em casa, o iPad tem o seu bluetooth sincronizado com o som, e pronto: o mundo se abre.

Gosto de utilizar esses serviços de streaming fazendo playlists, criando seleções musicais sobre estilos e épocas. Criei uma chamada Mas Que Nada, e lá fui jogando músicas que gosto, que fizeram história, que estou conhecendo, que estou pesquisando. Sou um nerd musical, em alguns momentos beirando a fixação doentia. Tal qual ir de página em página no livro 1001 Discos para Ouvir Antes de Morrer, ver que álbum está ali, ir no Spotify e ouvir faixa por faixa, inserindo as que gosto na playlist do MQN. Fiz a mesma coisa com o meu perfil no RYM

E assim a coisa foi, e continua indo. Até o momento já são quase 2.600 músicas, totalizando 158 horas de música. O que dá seis dias e meio tocando direto, sem repetir nenhuma faixa. 

Tem rock, uns jazz-funk, bastante blues, pop, funk, soul. Coisa boa, que eu gosto, e que não assusta ninguém. 

Onde a rádio entra nisso tudo? Assim, ó: todo dia, acesso essa playlist, coloco no modo aleatório e ela me faz companhia o dia todo. Não sei o que irá tocar, o que virá a seguir. É sempre bom, sempre surpreendente. 

E assim a vida segue, com muita música, em todo lugar e cada vez mais.


Usando (e abusando) da ilusão

Isso não acontece mais. Mas uma vez aconteceu. Uma, pelo menos.

O ano era 1991. Lembro bem. O Guns N’ Roses, então indo a passos largos ocupar o posto de maior banda de rock do mundo, lançava o seu terceiro disco, Use Your Illusion. Na verdade, os seus terceiros discos, já que a obra veio em dois volumes, ambos duplos, totalizando 30 canções inéditas espalhadas por 4 LPs. Um orgasmo auditivo.

Lá no interior, em uma cidade perto de onde nasci, anunciaram uma festa no clube local. A atração principal era a seguinte: iriam tocar o novo disco do Guns na íntegra, na ordem, pela primeira vez. Não havia internet, não havia download, não existia streaming. Ninguém havia escutado ainda. E lá fomos nós.

UYI tocou na íntegra. Primeiro o 1, depois o 2. E de novo. E mais uma vez.

Uma experiência muito legal e, no mínimo, curiosa, principalmente para quem não viveu a época e hoje tem todas as músicas do mundo na ponta dos dedos.


Lembrei agora disso tudo, enquanto ouvia “Pretty Tied Up”, uma das minhas preferidas de Axl, Slash e companhia.