24/05/2013

A semana na Collectors Room

Um resumo de tudo o que publicamos nessa semana, pra você ficar por dentro de tudo e ter assunto no seu final de semana:

Novas músicas: “Halo of Blood” do Children of Bodom, “Kingdom of the Lost” do Black Star Riders, “Kingmaker” do Megadeth, “Let the Truce Be Known” do Orphaned Land, “The Sinister Supremacy” do Darkane, “Mystic Highway” de John Fogerty, “Out of Time” com Chester Bennington (do Linkin Park) estreando no Stone Temple Pilots, “Pocket Change” do Alabama Shakes, “Not Hopeless” do The Winery Dogs e “Through Our Darkest Days” do Mercenary.

Novos clipes: “Honor Never Dies” do Hatebreed, “Second Bite of the Apple” do Beady Eye, a nova versão ao vivo de “Turbo Lover” do Judas Priest e “Crisântemo” do Emicida.

Novos reviews: analisamos os novos discos do Queensrÿche de Geoff Tate, Frequency Unknown, e o primeiro álbum do Black Star Riders, All Hell Breaks Loose.

Novos lançamentos: o The Clash anunciou um novo box e uma nova coletânea e o Red Fang confirmou que lançará o seu terceiro álbum no segundo semestre.

Notícias: o Black Sabbath divulgou um vídeo animal mostrando como foi feita a capa do seu aguardado novo disco, Shavo Odadjian (baixista do System of a Down) falou demais e revelou sua insatisfação com a situação atual da banda, Rob Halford está com um problema de saúde e foi obrigado a usar cadeira de rodas temporariamente, fábrica de gaitas de boca lança instrumento em homenagem a John Lennon, o Metallica lançou o primeiro trailer do seu filme 3D, streaming do primeiro disco da banda canadense Monster Truck, e, pra fechar, Bob Dylan completou 72 anos.

R.I.P.: nesta semana perdemos Ray Manzarek, do The Doors, e Trevor Bolder, do Uriah Heep.

Shows: foi definida a data de início das vendas para o show do Iron Maiden em Curitiba e o The Winery Dogs anunciou quatro shows no Brasil em julho.

Colunas e Especiais: publicamos a terceira parte da série As Velhas Caras do Hard e uma nova edição da coluna Tímpano, falando sobre os primeiros anos do Barão Vermelho.

Por Ricardo Seelig


Black Star Riders: crítica de All Hell Breaks Loose (2013)

Adoro Thin Lizzy. O grupo do falecido vocalista e baixista Phil Lynott é uma das trilhas da minha vida. Ouvi muito, e ainda ouço. Considero as guitarras gêmeas da banda o ápice no assunto. Ninguém jamais chegou perto dos caras nesse quesito, o que, aliado à forma de cantar única de Lynott, que parecia conversar com o ouvinte enquanto narrava as letras, transformou o Thin Lizzy em uma banda única. Pra fechar, julgo o grupo injustiçado e pouco reconhecido. Na minha opinião, o Thin Lizzy deveria ser uma banda gigante, reconhecida como um dos mais importantes nomes da história do hard rock, com a sua influência sendo sentida de maneira profunda em todo o gênero. Potencial comercial para isso nunca faltou, porém, o problema crônico dos músicos com drogas - motivo da morte de Phil - foi decisivo para que o Lizzy não alçasse vôos maiores.

Parceiro de Lynott desde os primeiros anos de banda, e companheiro do vocalista no mergulho profundo em heroína e outros entorpecentes, Scott Gorham é um sobrevivente. Exímio guitarrista, dono de grande bom gosto e uma capacidade impressionante para criar belas melodias, Gorham é também o único remanescente e a ponte que liga o Thin Lizzy de Lynott ao Black Star Riders, nome que a atual formação da banda adotou quando decidiu gravar um novo álbum com canções inéditas. Decisão acertada, diga-se de passagem, já que Lynott era o centro do grupo, e ele não faria sentido sem ele.

Ao lado de Scott Gorham no Black Star Riders estão Ricky Warwick (vocal e guitarra), Damon Johnson (guitarra), Marco Mendonza (baixo) e Jimmy DeGrasso (bateria) - um time que impõe inegável respeito. Na produção de All Hell Breaks Loose, primeiro disco do quinteto, o mais do que rodado Kevin Shirley, com trabalhos para nomes como Iron Maiden, Dream Theater, Joe Bonamassa e Black Country Communion. E por trás de tudo, a gigante Nuclear Blast, hoje a principal gravadora de heavy metal do planeta.

All Hell Breaks Loose foi gravado em janeiro em Los Angeles e traz onze músicas. A sensação ao colocar a bolacha para tocar é a de se estar ouvindo um novo álbum do Thin Lizzy, principalmente pela semelhança incrível entre os vocais de Warwick e de Lynott. Longe de ser um trabalho oportunista, All Hell Breaks Loose soa honesto aos ouvidos, é um álbum gostoso de escutar e, como cereja do bolo, entrega algumas canções muito acima da média.

Os grandes momentos do trabalho são a ótima “Bound for Glory”, primeiro single, que resgata com precisão a tradição do Thin Lizzy e reapresenta a sonoridade da banda irlandesa para a nova geração. Grande faixa! O nível segue bom com “Kingdom of Lost”, cheia de influências celtas (outra característica do Lizzy), que empolga principalmente pela interpretação de Ricky Warwick, apesar de perder pontos pelo refrão meio bobo. “Hoodoo Voodoo” tem cara de futuro single, e é daquelas faixas que, ao começar a rodar, você aumenta o volume instantaneamente e de maneira instintiva.

O restante do tracklist apresenta força, alternando acertos (“Valley of the Stones”, “Before the War”, “Someday Salvation”, "Blues Ain't So Bad")) com outros onde a inspiração deixou a desejar (caso da fraca faixa-título). Porém, em todos os momentos, o que se percebe é uma leveza, um bom astral saindo das caixas de som, fruto do prazer que levou os músicos a se arriscarem largando os shows puramente saudosistas compostos por canções escritas há mais de trinta anos e entrarem no estúdio para escrever novas composições que, a princípio, não teriam nada a agregar às suas carreiras.

All Hell Breaks Loose está longe de ser uma obra de arte, porém é um disco muito agradável e simpático, divertido e perfeito para escutar com os amigos, batendo um papo e tomando algumas cervejas geladas. E ainda, de quebra, traz de volta uma das mais cativantes sonoridades que o rock já viu nascer.

Phil Lynott aprovaria.

Nota 7,5






Faixas:
1 All Hell Breaks Loose
2 Bound for Glory
3 Kingdom of the Lost
4 Bloodshot
5 Kissin’ the Ground
6 Hey Judas
7 Hoodoo Voodoo
8 Valley of the Stones
9 Someday Salvation
10 Before the War
11 Blues Ain’t So Bad


Por Ricardo Seelig


Tímpano: a força do Barão Vermelho

Salve Jorge foi a novela que todos amaram odiar. Uma das piores em horário nobre.

Pouco se salvou. Talvez a abertura, que foi uma das mais bem produzidas que eu já vi, o Rei Roberto Carlos dando as cartas novamente com “Esse Cara Sou Eu” e, claro, “Sorte ou Azar”, a última parceira inédita dos nossos Jagger e Richards tupiniquins: a dupla Cazuza/Frejat.

Linda letra e arranjos, belo solo. Cada acorde com cheiro de saudade. Essa canção - reza a lenda - foi “encontrada” quando a banda digitalizava o áudio do álbum homônimo de 1982, produzido pelo inesquecível Ezequiel Neves.

Essa canção me faz viajar uns 10 anos para o passado. Eu tocando contrabaixo em uma banda chamada Carne de Pescoço, que tinha como repertório principal os três primeiros discos do Barão: Barão Vermelho, de 1982, Barão Vermelho 2, de 1983 e Maior Abandonado, de 1984.

Era a banda no auge - o Barão, é claro.

A lista de canções destes três discos é tão memorável, contestadora e roquenrou em essência, que daria para escrever um livro de tanta coisa boa.

E bem que poderia servir de referência para essas novas bandas ...

Mas, vou aqui, apenas citar o meu disco favorito, o de 1982.

É um dos melhores discos de roquenrou já lançados no Brasil. Vale a pena comprar a versão remasterizada de 30 anos: “Posando de Star”, “Down em Mim”, “Conto de Fadas”, “Billy Negão”, “Certo Dia na Cidade”, “Rock'n Geral”, “Ponto Fraco”, “Por Aí”, “Todo o Amor que Houver Nessa Vida”, “Bilhetinho Azul” e as faixas bônus “Sorte e Azar”, “Nós” e “Por Aí (Take Alternativo)”. Uma melhor que a outra.

Destaque para a letra de “Rock'n Geral”, que exemplifica bem a pegada do álbum de estreia dos caras:

Rock'n geral é até mais tarde
Sem hora marcada
Armando assim um carnaval full time
Rock'n geral é bem alto
Pra se ouvir de qualquer nave
Ou de um coração meio surdo que não sabe amar
Rock'n geral é apaixonado

Neném sem pecado querendo mamar

São canções com toda urgência necessária dos clássicos: crus, com entortadas de compasso de Cazuza, letras geniais - concebidas antes de tal termo se tornar banal -, guitarras maravilhosas do Frejat e aquele climão de ensaio gravado. Uma pérola perdida no tempo, mas que continua a fazer a cabeça e embalar os tímpanos de quem curte um rock by Brazil.

E o resto? Bom, o resto é sorte e azar.



Por Fabiano Nicaretta


Queensrÿche: crítica de Frequency Unknown (2013)

O Queensrÿche protagonizou no ano passado uma novela de separação das mais vergonhosas dos últimos anos, superando inclusive toda a exposição que o Dream Theater se submeteu quando da saída de Mike Portnoy (afinal de contas, o baterista não tentou cuspir em ninguém), resultando na dissolução da banda e, por decisões legais, a existência de dois Queensrÿche: um liderado pelo vocalista Geoff Tate e o outro com os membros remanescentes, mais o recém contratado vocalista Todd La Torre.


Pois bem, o Geoff Tate’s Queensrÿche não demorou para recrutar um lineup respeitável e anunciar o lançamento do primeiro álbum, batizado de Frequency Unknown, uma obra que levantou controvérsias desde a sua capa, até a produção final, e vem sendo considerado um dos piores discos já feitos pela banda.


"Cold", a primeira faixa liberada para audição, apesar de todas as reclamações geradas por causa da mixagem desleixada, apresentava certo apelo musical e cumpria bem o seu papel de divulgação do álbum, com riffs e melodias simples, uma progressão natural se analisarmos o que o Queensrÿche havia feito em Dedicated to Chaos (totalmente direcionado por Tate, aliás). Uma faixa mediana, mas que mantinha a esperança de que o disco trouxesse ideias melhores, certo? Ledo engano.


Desencontrada e definitivamente sem nada a acrescentar sob nenhum aspecto, a excessivamente distorcida "Dare" é um hard rock mal gravado e sem a inspiração necessária, assim como a vexatória semi-balada "Give It to You", aonde você passa a duvidar severamente da qualidade vocal de Geoff Tate atualmente, tamanha a quantidade de efeitos utilizada para maquiar a sua voz no processo de mixagem. A fraquíssima "Slave" remete aos primórdios do Queensrÿche, quando os elementos de heavy rock e metal tradicional eram bem mais presentes, com um instrumental bem construído, mas sem o acompanhamento melódico necessário.


"In the Hands of God" segue o mesmo caminho e tem interessantes ideias, com um grande potencial, mas novamente os problemas de produção fazem com que soe como uma gravação amadora, e atrapalham um pouco a identificação de todos os seus elementos. A cadenciada "Running Backwards", que remete vagamente ao Savatage em seu período transacional, é um dos raros realmente bons momentos em Frequency Unknown, bem diferente da enfadonha "Life Without You", que parece ter saído de algum lugar do início dos anos noventa, com esquisitas passagens de guitarra e melodias vocais recicladas que parecem sequer encaixar com o que o resto da banda está tocando.


Apesar do grande potencial e com um bonito instrumental, o resultado final de "Everything" se assemelha a uma sucessão de coitos interrompidos, com diversas passagens que poderiam ter sido realmente memoráveis se tivessem recebido maior atenção e desenvolvidas com maior cuidado. Sensação semelhante pode ser encontrada em "Fall", música que parece crescer ao longo de seus poucos minutos, mas no final, sem qualquer destino considerável. Apenas o encerramento do álbum com "The Weight of The World" é mais um dos poucos momentos que chamam a atenção, com um interessante desenvolvimento musical, digno dos músicos que participam desse projeto.


Porém, o saldo final de Frequency Unknown chega quase a ser incompreensível, tamanho é o desencontro musical que pode ser ouvido ao longo das dez faixas nessa nova fase de um dos Queensrÿche (e não estamos sequer considerando as regravações de quatro clássicos que acompanham o tracklist original – e a medida soa como uma péssima jogada para tentar vender mais discos, depois de toda a confusão da separação da banda). As composições soam incompletas, feitas às pressas, deixando uma impressão que as primeiras demos foram simplesmente gravadas da forma mais básica possível, deixando de lado importantes detalhes que poderiam engrandecer e amadurecer as ideias do álbum.


Além disso, com uma produção digna de pena e uma mixagem que virou motivo de piada pela própria banda, também é perceptível como Geoff Tate parece estar com as suas habilidades vocais ainda mais prejudicadas, muito, mas muito aquém em relação ao que foi ouvido no último do Queensrÿche como uma banda só, o excessivamente apelativo Dedicated to Chaos (que mesmo com todas as suas falhas, ainda é muito superior a esse novo disco).


Frequency Unknown falha miseravelmente em praticamente todos os aspectos, com raros momentos aproveitáveis, e, mesmo que as alcunhas de “pior disco já gravado” sejam um tanto quanto exageradas, eles quase chegaram lá. Que os próximos passos sejam melhores.

Nota 1


Faixas:
01. Cold
02. Dare
03. Give It To You
04. Slave
05. In The Hands of God
06. Running Backwards
07. Life Without You
08. Everything
09. Fall
10. The Weight of the World
11. I Don’t Believe In Love
12. Empire
13. Jet City Woman
14. Silent Lucidity


Por Rodrigo Carvalho, do Progcast


Bob Dylan, 72 anos

Certas vezes me pergunto: por que gosto tanto da música de Bob Dylan? As respostas devem estar soprando na droga do vento que assoviou cruelmente na minha janela às seis e meia da matina. Vento idiota (e frio) que me acordou nessa sexta-feira nebulosa e tingida de cinza aqui desse lado do planeta, em Santa Maria, Rio Grande do Sul, Brasil. 13° marca o termômetro. Um cara como eu poderia ser fã de Caetano Veloso, por exemplo, mas não. Me entendam: qualquer frase ou fragmento de uma letra do bardo norte-americano me dizem muito mais do que qualquer “gosto de te ver, leãozinho” de Caetano. Com Bob Dylan aprendi que a música não tem bandeira, e nesse terreno, sinto muito, cada dia que passa sou mais Dylanesco.

Dylan foi um dos inventores da música pop no formato que conhecemos hoje. Se os Beatles criaram o corpo elétrico do rock and roll, Dylan foi o homem que lhe deu um cérebro decente. O bardo foi pioneiro em muitas coisas. Em primeiro lugar inventou a si mesmo, para ao longo das décadas se reinventar dezenas de vezes. Ele foi primeiro a colocar uma música nas paradas com mais de três minutos (“Like a Rolling Stone”). O primeiro a lançar um álbum duplo, a mostrar uma foto desfocada na capa e a compor uma canção que tomasse conta de todo um lado do LP (tudo isso está em Blonde on Blonde, de 1966). Foi o primeiro a inventar o lado acústico de um álbum. Foi o primeiro a bolar um vídeoclipe e criou o rap antes de Gil Scott-Heron trocar os livros pela música (ouça “Subterranean Homesick Blues”, lançada em 1965).

Foi o primeiro ser pirateado e o primeiro a oficializar seus bootlegs. Foi o primeiro músico pop que se sujeitou a ser documentado num filme (Don’t Look Back). Foi o primeiro artista vinculado ao rock a desengessar a música country (Johnny Cash apostou suas fichas no amigo). Com a ajuda de David Geffen, foi o primeiro a esgotar os ingressos de uma turnê pelo correio, antes mesmo da internet sonhar em existir (em 1974, ao lado da The Band). Foi o primeiro a virar um box set (Biograph, lançado em 1985). Foi o primeiro músico a ser indicado ao Nobel de Literatura.

Não foi o primeiro em vender a alma, nem foi o último a encontrar Jesus num quarto de hotel, mas Dylan sempre foi uma espécie de profeta da música que passou por todos os tipos de provações, e apesar de crucificado várias vezes, sobreviveu para narrar suas histórias. Dylan não autorizou ninguém a contá-las - isso nunca! -, nada de apóstolos ou novos Messias, afinal, não existe um novo Dylan! O velho Robert Allen Zimmerman ainda está vivo e prestes a iniciar a segunda perna de sua turnê de 2013. Domingo ele toca na Flórida.


Longe de muitos dos seus colegas de profissão, nosso herói não vive à sombra do passado. Bob ainda consegue lançar álbuns de relevância e figurar nas listas dos melhores do ano - Tempest, seu último disco, lançado em setembro de 2012, ficou na quarta posição na lista da Rolling Stone.

Escritor, cineasta, poeta, radialista, artista plástico ... Sua vida ainda é um enigma, suas músicas ainda inspiram, seu mau humor é engraçada, sua obra continua pulsando, mesmo passados mais de 50 anos do pontapé inicial de uma carreira brilhante.

Salve Bob Dylan, 72 anos nesta sexta-feira, 24 de maio de 2013.

Vou colocar Nashville Skyline pra girar no toca-discos.

Por Márcio Grings


Na íntegra: ouça Furiosity, o novo álbum do Monster Truck

Hard rock dos bons na íntegra pra vocês. A banda canadense Monster Truck liberou o streaming completo do seu primeiro disco, Furiosity, que será lançado no próximo dia 28 de maio pela Dine Alone. O debut sucede os EPs Monster Truck (2010) e The Brown EP (2011). Mais sobre o grupo nessa edição do Collectors Room Apresenta.

Aumenta que é rock pesado de verdade, sem frescuras :-)

Por Ricardo Seelig


23/05/2013

“Crisântemo”, o novo clipe de Emicida

Emicida lançou hoje o seu novo clipe, para a faixa “Crisântemo”. Denso, o clipe conta uma história muito pessoal da vida do rapper: a morte de seu pai quando ele ainda era apenas uma criança. Destaque para a arrepiante participação de Dona Jacira, mãe do artista.

A bela direção é de Fred Ouro Preto.

Assista abaixo:



Por Ricardo Seelig