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20 de fev de 2017

O grunge matou o hard rock?

segunda-feira, fevereiro 20, 2017

Esse assunto polêmico permeia os debates e as rodinhas de conversa de tempos em tempos. Sempre que algum disco clássico do grunge de sucesso faz aniversário é levantada a questão: qual foi a importância do estilo no mundo? O gênero matou o hard rock e o heavy metal? Kurt Cobain e sua turma merecem estar no hall de bandas grandes? Em alguns momentos tal discussão é levada como um Fla-Flu, cada um levantando a bandeira para o seu lado sem analisar algumas questões relevantes.

O contexto histórico

No inicio dos anos 1990, novas tecnologias que eram introduzidas no mercado forçavam a mudança no estilo de vida dos consumidores de música. Os jovens necessitavam de uma maneira de curtir suas músicas em qualquer lugar, sem a necessidade de levar uma vitrola para todos os lados. Surgia assim o compact disc, que nós conhecemos como CD. O CD colocou no mundo a possibilidade de qualquer pessoa que tivesse um microcomputador (outra tecnologia que começava a se popularizar) pudesse salvar e reproduzir suas músicas sem a necessidade de comprar uma cópia original do disco. Na época, a indústria musical era focada exclusivamente na venda de vinis e as bandas excursionavam para divulgar seu trabalho e suas músicas, e com isso vender mais discos, já que não havia internet e a forma de consumir música era bem diferente do que nos dias de atuais.

O que parecia ser uma revolução para as gravadoras se tornou uma verdadeira dor de cabeça. As bandas passaram a vender muito menos que costumavam e a rentabilidade das empresas caía vertiginosamente. A indústria musical precisava assim de uma nova fórmula que retomasse o lucro e evitasse a falência.


O foco da mídia

Numa era sem internet, a única forma de saber sobre bandas e novos grupos era através da TV, rádio e revistas. Durante os anos 1980, a MTV e a imprensa em geral se apaixonou pela fórmula glam e headbanger. Todo adolescente na época sonhava em ser como Rocky Balboa ou adentrar um bar ao som de "Looks That Kill” do Mötley Crüe, quebrar uns copos na cabeça de uns valentões e conseguir conquistar o coração de uma loira de parar o trânsito. Além disso, é preciso lembrar que estávamos no meio da Guerra Fria e o estilo estadunidense de vida precisava se sobressair - logo, festas, bebidas, consumismo e excessos eram bem-vindos.

Porém, as coisas começaram a mudar com o passar dos anos e a fórmula glamurosa que vendia como água outrora passou a não funcionar mais, principalmente devido às próprias gravadoras que empurravam bandas e mais bandas com nome e estilo semelhante. Na época existiam bandas como Big Wolf, Big Heat, Big Cock, Big Mouth, Bigg Mouth, Big Chill ou até mesmo China Blue (do Canadá), China Blue (dos Estados Unidos) e China Doll (do Reino Unido). Todas com nomes parecidos e som mais idênticos ainda, sem falar que a indústria tentavam empurrar “novos Guns N' Roses, Whitesnake, Def Leppard”, além de outras cópias que não tinham a mesma qualidade dos originais.

Era preciso, então, oxigenar a música trazendo novos estilos e referências. Logo, a mídia virou sua atenção para novas bandas que traziam uma fórmula de fazer música completamente diferente do estilo glam. As festas, bebidas e sorrisos nos rostos foram substituídos pela depressão, melancolia, aflição, angústia e outros sentimentos totalmente opostos.


Mas e aí, matou ou não matou?

Não, querido leitor, ninguém matou ninguém. Um movimento artístico com a grandiosidade e importância como o hard rock não desaparece de um dia para o outro. Pode, sim, em alguns momentos não lançar trabalhos expressivos, como foi durante os anos de 1995-1999, época em que diversas bandas clássicas tentaram reinventar seu estilo e derraparam vergonhosamente como os Scorpions, Def Leppard e até mesmo o Kiss, além de bandas novas e desconhecidas que surgiam e não conseguiam explodir devido à mudança do foco da mídia. Entretanto, o gênero não morreu, conseguiu se reinventar e trouxe novas características.

A importância do grunge e o renascimento de um estilo

É inegável a importância do grunge no mundo. As épocas mudam, as pessoas mudam e novos estilos são inseridos e ganham popularidade. O grunge abriu as portas para que toda pessoa pudesse fazer sua própria música sem estar preso às garras e vontades das gravadoras. Sem falar que o estilo proporcionou mudança para muitas bandas que estavam sentadas no comodismo, obrigando assim com que elas buscassem novas sonoridades e referências, além de gerar novas bandas e novos estilos - por exemplo o movimento stoner, que agregou a sujeira que o grunge redescobriu com o hard rock dos anos 1970.

Com a globalização e a internet, não é mais necessário o foco da mídia para que um estilo obtenha reconhecimento e popularidade. Atualmente o foco esta na música pop e o rock foi deixado de lado. Há espaço para todos e atualmente descobrimos diversas bandas de hard rock que lançam álbuns todo mês, em diversos segmentos. Há bandas revivalistas dos anos 1970, bandas de AOR, entre outras fórmulas dentro do mesmo estilo, mantendo assim viva a chama do movimento mais importante e popular da história do rock and roll.




A última loja de CDs

segunda-feira, fevereiro 20, 2017

Eu compro CDs. Compro vinis também, mas compro muito mais CDs. Quando menciono o fato em qualquer conversa, não há quem consiga disfarçar a surpresa. É uma frase que desperta a curiosidade alheia. As reações variam de “Mas por quê?” a “Nossa, mas por quê…?”, passando por “Eu hein, por quê?”. Pagar por música nos dias hodiernos é um conceito meio alienígena à maioria das pessoas. Sobre o compact disc, em tempos de playlists, torrents e streamings, a fidelidade a um formato fonográfico dado como morto e enterrado causa estranheza ainda maior. (Eu mesmo,  já em 2002, escrevia sobre a “morte do CD”.) Ninguém tem mais CD player, nem no computador. Ninguém mais quer CDs, nem de graça.

Ninguém, não; eu os quero. E sigo comprando-os, principalmente usados, mas de vez em quando novos também. Por sua praticidade, pelo fato de eu ser um cara apegado ao formato físico e sobretudo pela relação custo/benefício. Por que dar R$ 80 num LP se o CD custa R$ 20, ou às vezes menos?

Para achar CDs novos por R$ 20, ou às vezes menos, eu vou à loja Escuta Som, no Centro do Rio. Fica (ou ficava — o futuro agora é incerto, como vocês verão) na Rua do Rosário, quase esquina com Primeiro de Março, pertinho de onde tinha um (lindo) prédio antigo com uma agência do Bradesco que foi demolido. Nenhuma ida ao Centro é completa sem uma passadinha na Escuta Som. O espaço é pequeno e fica menor ainda com os balcões apinhados de CDs, organizados hoje da seguinte forma: na parede à esquerda de quem entra, artistas internacionais; no balcaozão no meio, de um lado, mais discos internacionais; do outro, nacionais. Na parede à direita, CDs brasileiros. Tudo a R$ 10. Coisas novas, algumas até lacradas, misturadas a usados e, eventualmente, uma ou outra raridade. No último cantinho à direita, algumas ofertas especiais: lançamentos recentes em CD, DVD e blu-ray, discos que na Cultura ou na Fnac não saem por menos de R$ 35 ou R$ 40 oferecidos a R$ 18, R$ 20, R$ 25. Transbordados para a calçada, outros dois balcões oferecem mais pilhas de CDs, esses a R$ 5 cada. Aí a tranqueira impera, mas se você tiver tempo disponível, sempre dá pra pegar alguma coisa. Na minha última visita, por cinquinho eu descolei essa pequena pérola. Importado, hein!


O dono da loja era o Cláudio. Eu conheci o Cláudio quando minha coleção de CDs, que hoje me causa sérios transtornos por falta de espaço, cabia toda numa única e pequena prateleirinha. Pelos idos de 1994, eu vivia duro, tinha acabado de comprar meu primeiro CD player (um discman genérico vagabundíssimo) e tentava catar todo e qualquer trocado para atravessar a Baía de Guanabara e ir à loja do Cláudio. Era a época em que eu brincava de ser DJ em uma boate em Niterói, botando som toda quinta-feira; o nome da festa era Quinta dos Infernos. Chegava em casa na madruga e acordava cedo, contava os trocados arrecadados na noite anterior e partia para o Cláudio. Havia até uma aura de clandestinidade nessas excursões. Pois a loja ainda não era a Escuta Som, era apenas uma portinha no terceiro andar de um prédio de escritórios na Buenos Aires (a uma esquina da Rua do Rosário). O porteiro olhava desconfiado e perguntava: “Vai lá no Cláudio, né?”, enquanto verificava meu RG. Claro. O dia bom de ir era a sexta-feira, quando, segundo o próprio Cláudio, “chegavam as novidades”. Era quando, milagrosamente, os CDs que na Grammophone ou nas Americanas custavam R$ 18, R$ 21 eram vendidos a R$ 5 (importados a R$ 10). Como? Além de alguns esquemas meio nebulosos com as gravadoras, Cláudio ainda revendia CDs de segunda mão… e era um dos principais revendedores dos discos “promocionais” recebidos pelos jornalistas cariocas.

Passaram-se as décadas. De lá pra cá, o CD, que estava no auge naqueles distantes anos 1990, veio levando lambadas que o feriram de morte: pirataria física, Napster, iPod, Spotify. Até o vinil levantou da tumba para pisar no irmão mais novo. Suas vendas não param de cair e entre 2000 e 2015, o número de unidades comercializadas encolheu quase 75%. E eu com isso? Eu continuei indo ao Cláudio. Acompanhei-o em suas andanças (acho que antes da Escuta Som ele chegou a abrir uma outra loja, ali pelas redondezas) e sempre fazia uma visitinha. Seus concorrentes sumiram. Quer dizer, ainda existe um ou outro sebo no Centro, mas nunca chegaram a ser concorrência ao Cláudio, nem em preço, nem em acervo. Com o tempo, passei não apenas a comprar, mas também levava umas coisinhas pra vender e trocar.

Em pleno ano 2017, quem visita a Escuta Som tem motivos para duvidar desses papo de “o fim do CD”. A loja está sempre lotada. Tem a freguesia habitual, malucos como eu, que frequentam a loja pra ver as novidades e jogar conversa fora. A maioria é de cinquentões e quarentões, mas de vez em quando aparece uma molecada. E tem gente que, pasmem, ainda entra em loja de disco cantarolando uma música e pergunta ao vendedor quem é o artista que a interpreta, e se ele tem o disco pra vender.

Quer dizer, quem visitava. Hoje, uma segunda-feira, 13 de fevereiro, fiquei sabendo que o Cláudio morreu no fim de semana. Teve uma trombose, parecia ter se recuperado, mas piorou de repente e se foi. Eu estive na Escuta Som menos de duas semanas antes, bati um papo rápido com ele, e levei o Shabba e mais umas tranqueiras. Parei para olhar minhas estantes de CDs e nem consegui dimensionar exatamente quantos títulos foram comprados na mão do Cláudio. Centenas, decerto. É quando você percebe que o cara, a quem na verdade você não conhecia — só via ali, nas visitas ocasionais — faz, sim, parte importante da sua vida, por ter lhe proporcionado o acesso a outras partes importantes da sua vida. O azulzinho do Weezer eu comprei lá (e depois dei pra uma garota e tive que comprar outro). O Grand Prix do Teenage Fanclub, eu comprei lá. Muita MPB. Uma leva boa de discos do Sinatra da fase Capitol. Muitos discos de black music (aliás, o estilo favorito do Cláudio). Uma caixa com todos os álbuns do Madness (e que custou, adivinhem, R$ 10). Montes de trilhas sonoras. A edição de 45º aniversário do The Velvet Underground and Nico. Paixões mais recentes, como Kendrick Lamar e Tame Impala.

Pois é, falam tanto do fim do CD, há tantos anos, e o CD não acabava nunca porque o Cláudio não deixava. Agora, já não sei mais.

Por Marco Antonio Barbosa



Soldados norte-americanos são proibidos oficialmente de ouvir KoRn e Slipknot

segunda-feira, fevereiro 20, 2017

Em um memorando compartilhado no Twitter por Geoffrey Ingersoll, um marine norte-americano, vemos a curiosa mensagem informando aos integrantes das forças armadas dos Estados Unidos que cinco bandas estão banidas e proibidas de serem escutadas nas instalações do Exército, Aeronáutica e Marinha: KoRn, Nickelback, Slipknot, Smash Mouth e Creed.

O assunto do memorando fala em “terríveis grupos de rock”, que a partir do dia 14 de fevereiro estão proibidos de serem escutados nas instalações do Departamento de Defesa.

É o metal resgatando a sua tradição de ser ofensivo contra o sistema? Comente, por favor.


Confirmado: Tool está em estúdio gravando novo disco

segunda-feira, fevereiro 20, 2017

Sem lançar material inédito há mais de dez anos, ao que tudo indica o Tool irá saciar a sede de novidades dos fãs em breve. Uma postagem no site oficial da banda confirma que os caras estão reunidos e trabalhando no sucessor de 10,000 Days, último disco de estúdio do grupo, lançado no distante 2 de maio de 2006.

A mensagem publicada pelo Tool diz o seguinte: “Ao falar com Danny (Carey, baterista) ontem à noite, ele me disse que a banda levou alguns de seus equipamentos para um lugar maior, o mesmo local onde Maynard (James Keenan, vocal) está trabalhando nos vocais do material novo.”

Há anos o Tool está envolvido nos mais diversos rumores, que vão desde brigas entre os integrantes até interesses distintos entre os músicos. Após retornar aos palcos em janeiro de 2016 para uma turnê pelos Estados Unidos, ao que tudo indica a volta agora se dará também nos estúdios.

18 de fev de 2017

Novo documentário conta a história do black metal norueguês

sábado, fevereiro 18, 2017

Será lançado dia 11 de abril pela Soundview Media Partners o documentário Blackhearts. O material conta a história da influente e polêmica cena black metal norueguesa, e será disponibilizado em DVD e em formato digital.

Blackhearts é focado na vida de três fãs apaixonados pelo black metal, e segue o trio enquanto conta a história da cena que surgiu na Noruega no final da década de 1980 e início dos anos 1990 e ficou famosa pela associação direta ao satanismo, queima de igrejas e pela morte de pelo menos 25 pessoas. 

O trio é formado pelo iraniano Sina, pelo colombiano Hector e pelo grego Kaiadas, que viajam e se encontram na Noruega, a meca do gênero. Sina é o único músico iraniano de black metal conhecido. Hector é um devotado satanista que organiza um ritual para vender sua alma ao diabo. E Kaiadas é um cara de extrema-direita que conseguiu um assento no parlamento grego de dia, enquanto toca na banda Near Mataron à noite. O grego já foi condenado a vinte anos de prisão por estar ligado a uma organização criminosa. 

Enquanto conta a ascenção e auge da cena norueguesa, o documentário mostra a relação dos três personagens principais com o estilo, em uma abordagem bastante interessante para quem se interessa pelo gênero. 


O filme ganhou o prêmio de Melhor Documentário Internacional na última edição do festival Sound on Screen, além de ter recebido menção honrosa do júri do festival Nordic/Docs de 2016 e outros prêmios.

Assista ao trailer de Blackhearts abaixo:

17 de fev de 2017

Papa Emeritus fala sobre o novo disco do Ghost e a provável troca de todos os integrantes

sexta-feira, fevereiro 17, 2017

Em entrevista ao Metal Wani, Tobias Forge, o vocalista por trás do Papa Emeritus do Ghost, revelou que a banda sueca passará grande parte de 2017 gravando o seu novo disco, que deverá ter um direcionamento mais sombrio. O álbum começará a ser gravado em agosto, logo após o final da atual turnê dos mascarados.

Sobre o novo disco, Papa revelou: “As ideias para o novo disco apontam um direcionamento mais sombrio, porque estamos indo por um caminho e uma temática diferentes. É uma pegada mais soturna. Meliora supostamente refletia uma espécie de utopia/distopia sobre a sociedade moderna, enquanto este novo disco será um pouco mais apocalíptico, com um retorno aos tempos medievais - o que, obviamente, é algo associado à escuridão. No metal e e no metal extremo você tem uma miríade de discos que exploram temas relacionados à Idade Média, mas a ideia para este novo álbum é combinar as coisas. Então, onde a maioria desses discos explora liricamente a morte e assuntos relacionados à ela, o nosso foco será na sobrevivência. Trabalhar constantemente com esses temas contrastantes será a diferença. Se você encontra um álbum de metal que é sobre a peste negra e a morte, você ouvirá apenas sobre a morte - tudo fica muito no preto e só nele. Considero que uma das minhas forças motrizes para escrever um disco com um tema sobre esse é justamente o oposto: a sobrevivência. Será um disco sombrio. Será mais pesado que os últimos? Não sei ainda. Mas sempre temos melodias e canções que não são tão pesadas. Do meu ponto de vista, vendo tudo do lugar onde estou e sabendo o que vem por aí, posso dizer que vai ter esses dois aspectos da nossa sonoridade. Será um disco pesado, com muitos elementos de metal, e também teremos canções mais lentas e leves”.

Sobre o crescente rumor de que todos os músicos do Ghost serão demitidos após a atual turnê, restando apenas o vocalista, Tobias “Papa Emeritus” Forge afirmou: “De um ponto de vista prático, você está interessado, por um lado, em preservar a sua sonoridade e os elementos que compõe o seu som. E, obviamente, quer progredir dentro desse universo. Eu acho que um dos segredos por trás de nossa musicalidade é não ter que manter, necessariamente, sempre as mesmas seis pessoas, o que ajuda. É sempre uma benção e uma maldição quando você tem essas bandas clássicas ao longo da história do rock, onde é preciso que os quatro indivíduos originais estejam reunidos para que o som soe exatamente como precisa - se um não está presente, as coisas acabam não saindo como deveriam. Felizmente, nós não temos esse problema. Porque a performance do Ghost em cima de um palco e a gravação dos discos do Ghost em estúdio nunca foram realmente a mesma coisa. Para que possamos preservar o nosso som não precisamos necessariamente da presença de um ou outro músico. Não precisamos confiar em alguém específico, as pessoas vêm e vão. E isso é bom. No Queens of the Stone Age é a mesma coisa: tudo gira em torno de Josh Homme, então tudo soa como Queens of the Stone Age, independentemente de quem esteja na banda naquela momento. Acho que a nossa situação é semelhante”.

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