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23 de out de 2018

Review: Michael Romeo - War of the Worlds Pt. 1 (2018)

terça-feira, outubro 23, 2018

24 anos após o lançamento de seu primeiro álbum solo, The Dark Chapter, o guitarrista Michael Romeo retorna com um novo disco pra chamar só de seu. War of the Worlds Pt. 1 é um trabalho conceitual inspirado no clássico conto de H.G. Wells publicado em 1898 e dramatizado por Orson Welles em um programa de rádio em 1938. A história recebeu inúmeras adaptações nas mais diversas mídias e é um dos textos mais influentes da cultura pop.

Michael Romeo, que está com a sua banda principal, o Symphony X, em pausa devido ao acidente sofrido pelo vocalista Russell Allen durante uma turnê do Adrenaline Mob em julho de 2017, decidiu então aproveitar as férias forçadas e lançar um trabalho solo. Para tanto, chamou o trio Rick Castellano (vocal), John DeServio (baixo, Black Label Society) e John Macaluso (bateria, Ark, TNT, Malmsteen), e assumiu ele mesmo os teclados e orquestrações. Este é o primeiro álbum que Romeo lança desde o mais recente disco do Symphony X, o excelente Underworld (2015).

O que chama a atenção, logo de cara, é a inclusão de elementos não muito comuns ao metal, como EDM e dubstep, além das orquestrações. Percebe-se um esforço de Romeo em propor caminhos e soluções que saiam do lugar comum e tragam algo de novo, equilibrando esse desejo por inovação com o universo musical já conhecido dos fãs. Dessa maneira, o que temos é um disco muito pesado, técnico, com foco na guitarra e que traz ideias surpreendentes. A ótima performance da banda ajuda Michael a colocar esta primeira parte de A Guerra dos Mundos em um nível superior, com destaques igualitários para os três músicos convidados.

As dez faixas apresentam uma qualidade homogênea e formam um conjunto bastante coeso, que demonstra o talento e a capacidade criativa de Micael Romeo, que a propósito também assinou a produção, igualmente muito bem feita. Entre as canções, destaque para “Fear the Unknow”, “Black”, para a união entre metal e dubstep presente na ótima “F*cking Robots”, a animalesca “Djinn" e “Oblivion”. Há duas instrumentais - “Introduction" e “War Machine” -, ambas muito boas. Outro ponto que merece menção é o ótimo encaixe das orquestrações, que dão um clima cinematográfico para a obra, reforçando ainda mais a associação com o clássico de H.G. Wells.

Enquanto o Symphony X não retorna, War of the Worlds Pt. 1 é uma ótima pedida. O disco acabou de ser lançado no Brasil pela Hellion Records e agradará em cheio os fãs da banda. E ainda tem mais: Romeo declarou que a segunda parte do projeto está praticamente pronta e será lançada provavelmente em 2019.

Ótimo!


Primeiro título da Disney pós-Editora Abril será publicado pela Panini

terça-feira, outubro 23, 2018

A Panini lançará no final de novembro o título Mickey Mouse 90 Anos - Livro Ilustrado Oficial. Trata-se de um álbum de figurinhas celebrando os 90 anos do Mickey e que contará com 36 cards e 276 figurinhas, sendo 60 delas especiais. O álbum será publicado em capa dura e trará uma HQ inédita do personagem. Com preço nada amigável - R$ 62,90, formato 23,7 x 29,3 cm e 12 envelopes de figurinhas inclusos -, chegará no final de novembro às bancas de todo o país.

Há rumores de que a Panini assumirá a publicação dos títulos da Disney no Brasil, após a empresa norte-americana romper o contrato com a Editora Abril devido aos problemas que a empresa da família Civita atravessa já há alguns anos. Ainda não há confirmação se isso acontecerá, no entanto sabe-se que desde o final do contrato com a Abril a Panini negocia com a Disney os direitos de publicação dos títulos aqui no país. Analisando o mercado, percebe-se que não existe outra editora com poder econômico e alcance semelhantes e que possa concorrer com a empresa italiana nesta negociação envolvendo os títulos da Disney.


Se isso ocorrer, e pessoalmente eu torço para que a Panini assuma a Disney por aqui, além da qualidade já conhecida dos títulos teremos também a expansão do domínio - para não dizer o quase monopólio - de mercado da editora. No momento em que o mercado de quadrinhos passa por uma crise séria, com queda de vendas e fechamento de players (FNAC se retirou do Brasil, Cultura e Saraiva vivem uma séria crise econômica, isso sem falar no fechamento constante de bancas em todos os cantos do país), o abocanhamento de uma fatia ainda maior do mercado por uma única editora não parece ser uma atitude saudável para o setor. Sei que o meu comentário traz pensamentos contrastantes - torço para a Panini assuma a Disney, porém fico preocupado com o impacto disso no mercado -, mas coerência não é o forte do Brasil no momento, convenhamos.

Vamos aguardar e ver o que irá acontecer.

Aos interessados, o título já está disponível na Amazon:

Review: FB1964 - Störtebeker (2017)

terça-feira, outubro 23, 2018

Com a chegada do Avantasia e o lançamento do seu disco de estreia - o já clássico The Metal Opera (2001) -, a proposta de unir o heavy metal a uma abordagem tanto musical quanto lírica inspirada na tradição das grandes óperas ganhou cada vez mais adeptos. No entanto, projetos realmente bons seguindo essa abordagem não foram muitos, convenhamos.

Felizmente, o FB1964 quebra a sina. Idealizado pelo guitarrista alemão Frank Badenhop, o grupo conta a história do corsário Klaus Störtebeker, um dos mais famosos piratas teutônicos, que viveu entre os anos 1300 e 1400. Seu novo disco, Störtebeker, vem com doze músicas e traz as participações especiais de nomes como Bobby Ellsworth (Overkill), David DeFeis (Virgin Steele), John Gallagher (Raven), Chris Boltendahl (Grave Digger), Udo Dirkschneider (ex-Accept), Gerre Jeremia (Tankard), Henning Basse (Firewind) e Ronnie Romero (Rainbow), além dos guitarristas Gary Holt (Slayer, Exodus), Jeff Loomis (Nevermore, Arch Enemy), Nita Strauss (Alice Cooper), John Norum (Europe), Axel Rudi Pell, David T. Chastain e Victor Smolski (Rage). Um time de respeito, e que entrega um ótimo trabalho.

Sob a batuta de Badenhop, a banda evolui seguindo uma estrutura que vai apresentando a história, e os convidados, aos poucos. O trabalho de composição é muito bem feito e intercala excelentes faixas instrumentais entre as canções, recurso que gera interlúdios que tornam a história ainda mais forte. Em termos de estilo, o que ouvimos é um metal com os dois pés no lado mais tradicional do gênero, porém sem soar ultrapassado. Há peso, grandes riffs e agressividade, assim como momentos de velocidade e outros mais calmos. A carga dramática do álbum é impressionante e consegue transportar o ouvinte para as batalhas e confrontos vividos por Störtebeker, assim como levar aos momentos mais contemplativos do personagem principal.

Para tornar tudo ainda mais forte, a edição nacional lançada pela Hellion Records vem com um encarte com nada mais nada menos que 32 páginas que apresenta a história, traz as letras e fala sobre todo o projeto. 

Störtebeker é um lançamento inesperado, já que nunca tinha ouvido falar deste projeto e acredito que ele é desconhecido também da maioria dos leitores do site. No entanto, a qualidade final deste disco é inegável, e traz aquela ótima sensação que tanto apreciamos ao ouvir um álbum de metal que reafirma nossa crença no estilo.

Quadrinhos: Blood - Uma História de Sangue, de J.M. DeMatteis e Kent Williams

terça-feira, outubro 23, 2018

Há muitas teorias sobre o que acontece a nós, seres humanos, após a morte. Tudo se encerra nela? É o fim de nossa experiência corpórea? Ou seria um recomeço? Para quem acredita em reencarnação, há a teoria de que vivenciamos a vida neste mundo, retornamos para outro lugar após a morte e, com as experiências que adquirimos em nossas vidas, voltamos como seres mais completos e melhores.

De modo geral, o que o escritor J.M. DeMatteis e o ilustrador Kent Williams propõem em Blood - Uma História de Sangue, é semelhante a isso. Partindo da figura do vampiro, um dos arquétipos mais populares do mundo ocidental, a dupla conta uma história de amor que é também o relato de almas gêmeas que buscam o paraíso a cada nova vida. Na introdução escrita especialmente para a nova edição brasileira, lançada pela Pipoca & Nanquim, DeMatteis explica que o rumo da história foi dado pelo seu subconsciente, já que ele, de maneira consciente, deixou que as ideias fluíssem de sua mente sem um roteiro pré-concebido ou uma estrutura que levaria até um final já pré-definido. Em suma: a história se contou sozinha.



Já em relação à arte, Kent Williams entrega belíssimos painéis pintados e muito influenciados pelo Expressionismo alemão da década de 1920. Os quadros de Williams trazem os personagens sempre em expressões marcantes, doloridas e impactantes, mas, acima de tudo, belas. A narrativa usa muito da condução artística para cativar o leitor de maneira profunda, tocando o coração de quem lê e fazendo com que a identificação com o que está sendo mostrado nas páginas seja muito forte.

Para contextualização história, é importante mencionar que Blood foi publicada pelo selo Epic da Marvel em 1987. Este selo era voltado para o público adulto e destinado a obras autorais dos criadores. Mais tarde, a DC republicou Blood pela Vertigo em 1996. No Brasil, Blood foi publicado pela Editora Abril em quatro edições entre o final de 1990 e o início de 1991, e também em uma edição encadernada lançada em 1991. Desde então, estava fora de catálogo.


A edição da Pipoca & Nanquim é, como de praxe, primorosa. O material vem em capa dura, formato 17,2 x 26,2 cm, papel couché e 196 páginas, e conta com verniz na capa, introdução exclusiva escrita por DeMatteis e galeria de capas. 

Se você procura um HQ que vá muito além do trivial e traga questionamentos que transcendem o mundo físico, Blood: Uma História de Sangue tem todos os ingredientes para conquistar o seu coração.

Compre com desconto abaixo:

22 de out de 2018

Novo capítulo de A Liga Extraordinária, de Alan Moore, é publicado no Brasil

segunda-feira, outubro 22, 2018

A editora Devir anunciou o lançamento de A Liga Extraordinária Apresenta: Nemo - As Rosas de Berlim, quadrinho que traz Alan Moore e Kevin O’Neil dando sequência ao universo dos clássicos heróis da era vitoriana. O título é a sequência de Nemo, publicado aqui no Brasil em 2015.

Com 64 páginas, capa dura e formato 20x5 x 27,5 cm, a história se passa no ano de 1941 e traz Janni Nemo, filha do lendário Capitão Nemo, indo a Berlim durante a Segunda Guerra Mundial resgatar a sua filha. A edição traz o encontro de Jenni com os Heróis do Crepúsculo, a versão da Liga Extraordinária apenas com heróis alemães.

As Rosas de Berlim está em pré-venda, com desconto, no link abaixo:

Quadrinhos: Imaginário Coletivo, de Wesley Rodrigues

segunda-feira, outubro 22, 2018

O realismo mágico - ou realismo fantástico, como alguns preferem - é uma escola literária que surgiu na América do Sul no início do século XX. A sua principal característica é fundir o universo mágico à realidade, mostrando elementos irreais e estranhos como algo natural e corriqueiro. E esses elementos são apresentados de forma intuitiva, sem a necessidade de explicações. Eles são porque são, e ponto final. O realismo fantástico surgiu como uma reação aos regimes ditatoriais latino-americanos, utilizando o elemento mágico como reforço das palavras contrárias aos regimes totalitários.


O maior clássico do estilo é o fenomenal Cem Anos de Solidão, livro do escritor colombiano Gabriel García Márquez publicado em 1967 e uma das maiores obras da literatura mundial. Na obra de García Márquez, alguns personagens ficam surpresos ao se depararem com elementos fantásticos, mas os aceitam sem maiores questionamentos e agem como se aquilo pudesse acontecer naturalmente. Ao adentrar no texto de García Marquez somos apresentados a fatos como a peste da insônia, a morte e o retorno à vida, uma mulher que sobe aos céus e outros fatos.


Imaginário Coletivo, HQ escrita e desenhada pelo brasileiro Wesley Rodrigues, bebe no realismo fantástico para entregar uma história de quadrinhos que é uma grande e arrebatadora fábula sobre a busca pela liberdade. Em suas quase 500 páginas somos apresentados a uma vaca que quer ser uma pássaro, e faz tudo para realizar o seu sonho. Wesley faz uso também de outros dois elementos marcantes da literatura para contar a sua história. O primeiro é a referência ao igualmente clássico A Revolução dos Bichos, livro escrito pelo inglês George Orwell e publicado em agosto de 1945, que conta a revolta dos animais contra a corrupção humana. E o outro é o antropomorfismo (também utilizado por Orwell), que é a atribuição de características humanas ao seres não humanos. Só que Rodrigues faz o uso inverso: ele atribui características de animais aos humanos, em uma metáfora que reduz cada personagem à sua essência mais oura. É o caso da vaca citada anteriormente: que outro animal um indivíduo sonhador poderia ser que não um pássaro?

A arte de Wesley Rodrigues é explosiva e expressiva, e beira o cartum em alguns momentos. As páginas exibem movimento e vida, e pulsam como se tivessem vontade própria. O texto, afiado e certeiro, é quase um elemento secundário na narrativa, que é toda focada na ilustração e utiliza as palavras apenas como complemento na maior parte do tempo.

O que temos, em sua essência, é a vaca sonhadora tendo o papel de catalisadora dos sonhos de toda uma comunidade. Ela é a combustível, a faísca que faz com que os moradores de um pequeno povoado, que são explorados por um rei sanguinário e que não se importa com eles, corram atrás dos seus sonhos. Utilizando outra referência, lembramos do saudoso Raul Seixas - “Sonho que se sonha só / É só um sonho que se sonho só / Mas sonho que se sonha junto / É realidade” - e assistimos aos personagens literalmente transformarem o mundo.


A edição da Darkside Books é belíssima, em um livro de capa dura com verniz na capa e 472 páginas de belíssima impressão, onde a arte incrível de Wesley Rodrigues ganha vida e transmite toda a sua força.

Mais que uma excelente HQ, Imaginário Coletivo é uma leitura extremamente indicada para o momento em que vivemos, onde a polarização política está levando o Brasil para caminhos desconhecidos e, infelizmente, cada vez mais extremos. Seria ótimo se o realismo fantástico ficasse apenas nas páginas de Wesley e García Marquez, mas, ao que tudo indica, ele será cada vez mais necessário para encararmos a realidade nada promissora dos anos que virão.

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19 de out de 2018

Review: Soulfly - Ritual (2018)

sexta-feira, outubro 19, 2018

Vou direto ao ponto: na minha opinião, o melhor disco do Soulfly é Enslaved (2012), onde a banda de Max Cavalera pisou fundo no peso e, com a presença do baterista David Kinkade (Borknagar), entregou o seu trabalho mais agressivo e completo. Na época, o quarteto tinha também o parceiro de sempre Marc Rizzo e o baixista Tony Campos (Fear Factory, Ministry, Asesino).

Corta pra 2018. Depois de dois discos discutíveis - o fraco Savages (2013) e Archangel (2015) -, a banda retorna ao seus melhores momentos com Ritual. O décimo-primeiro álbum do Soulfly traz a Max e Marc ao lado do baterista Zyon Cavalera (um dos filhos do ex-frontman do Sepultura e integrante do grupo desde 2012) e o baixista Mike Leon (que entrou em 2015), que faz a sua estreia em um CD do Soulfly. O play conta também com as participações especiais de Randy Blythe (vocalista do Lamb of God, em “Dead Behind the Eyes”) e Ross Dolan (vocalista do Immolation, em “Under Rapture”).

Ritual é bom porque traz o Soulfly investindo novamente em doses cavalares de peso, deixando de lado os experimentalismos que marcaram o início da carreira da banda e que volta e meia retornam. O que temos nas dez faixas do disco é um metal atual, moderno e construído com muito groove. É a receita que fez o Sepultura se destacar lá na primeira metade dos anos 1990 elevada a enésima potência, porém sem as batidas tribais e com um foco maior no lado mais extremo do metal. Além da óbvia e sempre presente influência do thrash, o disco traz canções que beiram o death e até mesmo o black metal - basta ouvir a dobradinha “The Summoning” e “Evil Empowered” para perceber isso.

Um fator determinante para o impacto está na mixagem e na produção, que deixou para trás a sonoridade mais crua dos dois álbuns anteriores - e que prejudicou Savages - e fez surgir em seu lugar uma parede sonora repleta de tons graves em uma muralha pesadíssima, onde todos os instrumentos soam bastante distintos. A evolução Zyon na bateria também é outro ponto forte, com o herdeiro de Max mostrando que a tradição da família Cavalera no metal mundial está garantida.

Com um tracklist muito bom, Ritual tem destaques individuais como a faixa-título (a única a remeter, ainda que de maneira bem sutil, aos primeiros anos da banda), a dupla de músicas com os convidados (Blythe em “Dead Behind the Eyes” e Dolan em “Under Rapture”, ambos trazendo elementos da sonoridade de suas bandas) e a dupla pancadaria de “The Summoning” e “Evil Empowered”, duas das melhores músicas já gravadas pelo quarteto. Há de se mencionar também a improvável aproximação de Max com o lado mais calmo de sua musicalidade em “Soulfly XI”, a tradicional faixa instrumental que fecha os discos do grupo. Desa vez, a banda trilha por uma espécie de jazz indígena, e o resultado é de cair o queixo.

Max Cavalera é um dos maiores e mais influentes músicos da história do metal mundial. Ainda que a sua carreira apresente períodos irregulares aqui e ali, quando o vocalista e guitarrista acerta a mão tudo ganha uma dimensão arrebatadora. Em Ritual, esse foi o caso. Discaço!

Review: Greta Van Fleet - Anthem of the Peaceful Army (2018)

sexta-feira, outubro 19, 2018

Anthem of the Peaceful Army é, provavelmente, o disco de uma banda de rock mais aguardado dos últimos anos. Álbum de estreia do quarteto norte-americano (From the Fires, que saiu o ano passado, reunia os dois primeiros EPs do grupo), o trabalho vem com onze músicas inéditas e dividirá opiniões.

A principal questão em torno do Greta Van Fleet é a semelhança, muitas vezes exagerada, com o Led Zeppelin. E isso não se dá somente pela aproximação entre o timbre do vocalista Josh Kiszka e o de Robert Plant. Ela é bastante perceptível também em outros aspectos. A abordagem do guitarrista Jake Kiszka deixa claro que ele é um grande fã de Jimmy Page. O timbre da bateria de Danny Wagner não faz questão de esconder a inspiração no do falecido John Bonham, assim como as frequentes viradas que Danny encaixa nas canções também trazem à mente a imagem do saudoso Bonzo. E o trabalho de composição é, inegavelmente, influenciado pelo Led Zeppelin.

Mas o Greta Van Fleet não se resume apenas a isso. A canção de abertura, “Age of Man”, por exemplo, aponta para um outro caminho. E ela, certamente, não foi escolhida como a primeira do disco à toa. O clima é meio gospel, transportando o ouvinte para uma igreja no meio dos Estados Unidos, sensação ampliada pelo uso certeiro do órgão. Uma balada crescente e muito bem feita, com refrão na medida para levantar estádios e que funciona como um ótimo cartão de visitas. 

Percebe-se um esforço em trilhar caminhos sonoros que diminuam a associação com o Led Zeppelin, e eles funcionam em canções como “Watching Over”, na ótima “Lover, Leaver” (uma das melhores do disco) e na linda “Brave New World”, na minha opinião a melhor música de Anthem of the Peaceful Army. No outro lado da moeda, mesmo quando não consegue dissociar-se da banda de Jimmy Page e Robert Plant, o Greta Van Fleet dá ao ouvinte ótimas canções como “The Cold Wind”, “When the Curtain Falls”, “You're the One” e “The New Day”.

No saldo geral, Anthem of the Peaceful Army é um bom disco e que mostra uma evolução em relação From the Fires. Como já dito, o Greta Van Fleet explora outras influências sonoras que deixam claro que a banda não tem apenas uma carta na manga. O caso do GVF me lembra bastante o que aconteceu com o Rival Sons, outra banda que foi bastante associada ao Led Zeppelin no início de sua carreira. Em Before the Fire (2009) e Pressure & Time (2011), o Rival Sons incomodava pela semelhança (para não dizer quase plágio) do universo sonoro do Zeppelin. Foi só a partir do seu ótimo terceiro disco, Head Down (2012), que os caras conseguiram encontrar a sua própria sonoridade, e conquistaram isso com maturidade e sem perder as influências que moldam a sua música. Essa tentativa de construção de uma identidade sonora própria é perceptível no disco de estreia do Greta Van Fleet, e aponta para que os próximos discos apresentem essa identidade de maneira mais efetiva. Ainda assim, Anthem of the Peaceful Army revela-se um álbum muito consistente e repleto de ótimas canções, algo que é muito saudável e importante para uma banda em início de carreira como o GVF.

Para concluir, deixo com vocês um pensamento: será que a associação que fazemos entre esses jovens norte-americanos e o Led Zeppelin não diz menos sobre o Greta Van Fleet e muito mais sobre o próprio Led Zeppelin e a falta que sentimos de uma banda tão mitológica e grandiosa como foi o quarteto formado por Jimmy Page, Robert Plant, John Paul Jones e John Bonham? Fico com a segunda opção.

18 de out de 2018

Bone, clássico de Jeff Smith, é relançado no Brasil

quinta-feira, outubro 18, 2018

Um dos mais cultuados quadrinhos dos anos 1990, Bone, de Jeff Smith, está sendo relançado no Brasil pela editora Todavia, com tradução de Érico Assis. O material terá três volumes coloridos, sendo que o primeiro deles, intitulado O Vale ou Equinócio Vernal, já está disponível para venda.

Definido por um amigo colecionador de quadrinhos como “a união entre Animaniacs com O Senhor dos Anéis”, Bone ganhou 10 prêmios Eisner e 11 prêmios Harvey, duas das principais premiações de quadrinhos do planeta, e foi publicado em 25 países.

A trama conta a história dos primos Fone, Phoney e Smiley, que ao serem expulsos da cidade de Boneville se veem perdidos num enorme deserto. Eles acabam chegando ao Vale, uma região misteriosa e repleta de criaturas fantásticas. Ao lado da garota Espinho, da vovó Ben e do Grande Dragão Vermelho, os primos se verão embrenhados em um conflito entre os cidadãos de Vale e um exército de ratazanas liderado pelo temível Kingdok. Ao mesmo tempo, forças infinitamente mais tenebrosas parecem ressurgir das sombras e uma grande guerra se anuncia no horizonte. Esta edição reúne os três primeiros volumes da saga.


A série nunca foi publicada em sua totalidade aqui no Brasil. O título passou primeiro pelas mãos da Via Lettera, que lançou quatorze edições entre dezembro de 1998 e abril de 2010, além de um encadernado em 2008. Em março de 2015 a HQM assumiu a publicação, mas ficou em apenas um volume de 144 páginas.

Bone: O Vale ou Equinócio Vernal vem com 448 páginas coloridas e capa mole, e será lançado dia 5 de novembro. A pré-venda pode ser feita abaixo:

Review: Riot - Fire Down Under (1981)

quinta-feira, outubro 18, 2018

Uma das bandas mais influentes do metal do final dos anos 1970 e início da década de 1980 também é, paradoxalmente, uma das menos lembradas pelos “fãs" do estilo. Estou falando do quinteto norte-americano Riot, responsável por algumas pérolas lançadas naquela época e que inseriram novos ingredientes ao então cada vez mais popular som pesado.

Ainda que os dois primeiros discos da banda sejam bem legais - Rock City (1977) e Narita (1979) -, inegavelmente foi o terceiro álbum que colocou o Riot definitivamente na história. Lançado em 9 de fevereiro de 1981, Fire Down Under é, sem exagero, um dos grandes discos do metal oitentista. Em um tempo onde ainda não existiam nomes como Helloween e outras bandas que são, de maneira correta, identificadas como precursoras do power metal, o Riot trouxe a união entre um som potente e repleto de melodia com letras sobre temas tirados de histórias de fantasia, dando sequência ao que o Rainbow de Ronnie James Dio e Ritchie Blackmore havia feito em canções como “Kill the King”, por exemplo.

Fire Down Under tem dez faixas, e entre elas estão clássicos como “Swords and Tequila”, “Altar of the King” e “Outlaw", todas mostrando a afiada união entre os vocais e a interpretação inspirada de Guy Speranza e as guitarras da dupla Mark Reale e Rick Ventura - o baixista Kip Leming e o baterista Sandy Slavin completavam a banda na época.

Esse clássico do metal dos anos 1980 foi relançado no Brasil pela Hellion Records com direito a duas faixas bônus - “Struck by Lightning” e “Misty Morning Rain” - e está disponível novamente nas lojas. É uma ótima oportunidade para conhecer um excelente disco que acabou sendo injustiçado pelo tempo, ou de completar a coleção com uma das jóias da coroa. Em ambos os casos, imperdível!


Greta Van Fleet: ame ou odeie, mas fale de mim

quinta-feira, outubro 18, 2018

É bem comum que acenemos positivamente quando uma banda se parece com algo que gostamos, principalmente quando nos traz um sentimento nostálgico, nos fazendo viajar no tempo. É maneiro quando você está diante de algo que lembra muito o Black Sabbath, o Kiss, o Thin Lizzy, o Queen, Rush, Nirvana, Iron Maiden, AC/DC, Metallica, Beatles, Stooges, Ramones, Pistols, Joy Division, Pink Floyd, Stones, Cream , Lynyrd Skynyrd, Radiohead, Slayer, Motörhead … ufa! É tanta banda que adoramos que dava um post só com nossas influências (e todas com estampas disponíveis em nossa loja, é claro!

O exemplo da hora e que nós, da Contra Grife, temos o orgulho de dedicar esse post, é a banda Greta Van Fleet, que nem lançou um disco completo e tem sido apontada como a salvação do rock. O maior motivo: a assustadora semelhança com uma das maiores bandas que pisaram a terra: o Led Zeppelin.

A similaridade faz com que o Greta Van Fleet divida opiniões. O que não impede que, mesmo por curiosidade, seus vídeos viralizem exponencialmente. Para ter uma ideia, o vídeo da música “Highway Tune” tinha 15 milhões de visualizações em maio último. Atualmente caminha para os 30 milhões, número surreal para qualquer banda, que dirá uma bem jovem e nova como eles.

É normal que diante de tanto “frisson”, a classe musical comece a dar seu ponto de vista sobre o som dos caras. Há quem goste, há quem não goste. Mas o GVF (como já são chamados) não depende de aprovação, seus integrantes estão vivendo o momento, tocando o terror.


O quarteto formado pelos irmãos Josh, Jake e Sam Kiszka (vocal, guitarra e baixo, respectivamente) e com Danny Wagner na bateria, vai muito além das comparações. Robert Plant e Elton John são entusiastas do trabalho do grupo. Elton, inclusive, os colocou na festa do Oscar. Plant, por sua vez, ficou enciumado quando Josh alegou que sua influência era mais para o lado do Aerosmith do que para o do Led. Sério?

Depois de dois EPs lançados - compilados no CD/LP From the Fires (2017) - e prestes a colocar na roda seu primeiro trabalho de estúdio, Anthem of the Peaceful City, que terá lançamento mundial dia 19/10, a banda se prepara para alçar vôos maiores, que com certeza atingirão altitude de cruzeiro e levarão o grupo em uma longa e feliz carreira. 

E nesse clima de novidade e opiniões divididas, a Contra Grife foi atrás do que pensa o pessoal ligado ao grupo e à cena musical internacional, bem como grandes expoentes da nossa guerreira música nacional. Vamos lá!


Robert Plant
“Há esta banda de Detroit chamada Greta Van Fleet, eles são o Led Zeppelin I. Um belo cantor, eu o odeio (disse Plant em tom de piada). Ele roubou a voz de alguém que conheço muito bem, mas o que pode ser feito? Ao menos ele tem um pouco de estilo, pois ele disse que se baseou no Aerosmith.” finalizou Plant enquanto virava os olhos em tom de brincadeira.

Slash
“Fiquei realmente feliz em assistir o GVF. Gostaria que não soassem tanto como o Led, mas ainda assim a ideia de quatro garotos subindo ao palco e mandando ver com apenas alguns amps e um kit de bateria é realmente inspirador. Isto faz com que um monte de garotos por aí e que estejam fazendo a mesma coisa tenham esperança de chegar a algum lugar.”

Jason Bonham
“Entrei em alerta por causa de toda aquela coisa sobre o Led Zeppelin. Mas teria me irritado se eu fosse o Robert Plant. Eu ficaria aborrecido se dissessem que ele, Josh (vocalista do Greta), soa como o Robert. Plant não canta assim. Ele era fantástico e ainda é, mas quando jovem, sua voz era muito melhor, porém de uma maneira diferente. Comparam os dois apenas por ele cantar alto e fazer o lance dos gestos com as mãos. Mas eu tenho receio de toda esta atenção que a banda está atraindo. Isto vai acabar com eles. Desejo o melhor para o GVF. As pessoas deveriam gostar da banda pelo que são e não ficar tentando comparar com o Zeppelin, pois isto vai acabar com eles. Às vezes estas coisas machucam. Acredite em mim, eu sei como funciona, pois imagine minha situação. Ser baterista tendo como pai o John Bonham, as comparações são a coisa mais difícil de ser superada. Desejo tudo de bom pra eles, mas acho que eles soam mais como o Black Crowes do que com o Led Zeppelin.”

Tom Hanks
“Estou feliz em anunciar que o novo álbum do Greta Van Fleet está aprovado.”

Alice Cooper
“Há bandas agora – olhe para o Greta Van Fleet. É uma banda que disse: ‘Faz muito tempo que o Led Zeppelin estava por perto, vamos ser o Led Zeppelin’. As pessoas estão prontas para um novo Led Zeppelin, então o rock de guitarra, mais uma vez, vai assumir a liderança.”

Joe Satriani
“Tenho ouvido essa jovem banda, Greta Van Fleet, e estou realmente gostando da exuberância que estou escutando.”


Felipe Toscano – chefe da produtora Abraxas, responsável pelo lançamento e shows de grandes nomes da cena independente mundial e nacional
“Acho bem fraco. Imita Led Zeppelin de uma forma tosca. As músicas são simples demais, falta originalidade, você não parece estar ouvindo uma banda nova, mas sim um Led Zeppelin cover, uma tentativa de Led.”

Ricardo Coser Seelig – Jornalista musical
“Gosto, acho um som bem legal. E acho massa que uma banda de rock ganhe a dimensão que eles estão ganhando. Gostei do primeiro disco, só achei que poderiam se descolar um pouco da influência do Led Zeppelin. Penso que esse descolamento virá com o tempo e com a experiência que já estão acumulando, tanto que nas músicas já divulgadas do novo disco percebe-se uma tentativa consciente de afastamento da banda de Jimmy Page. Resumindo: é uma boa banda e merecem os elogios que recebem.”

Flavio Flu Santos – De Falla
“Prefiro o original”.

Pepe Bueno – Tomada, Pepe Bueno & Os Estranhos, Denny Caldeira
“Fui ouvindo aos poucos o som dos moleques e logo pensei: “Caraca, igual ao Led”. Eu adoro Led. Peguei o disco todo para ouvir e curti. Os moleques sabem tocar e acho que com tempo ainda vão pegar mais personalidade ao som e ficarem mais autênticos.”

Junior Bocão – Mopho
“Não é novidade para ninguém que o rock corre nas veias de uma gurizada desde cedo nos EUA. Apesar de o gênero não ser o mais popular nas rádios ou streaming americanos, nunca deixou de produzir bandas interessantes e inovadoras. Para mim, o Greta Van Fleet é uma banda legal, mas não tem nada de novo. Tem uma turma mais antiga que há muito tempo não se atualiza sobre a cena do rock, brasileira e mundial. Aí quando ouve algo que desperte seu saudosismo, já corre para as redes sociais comentar, aclamar. Na real prefiro ouvir Alabama Shakes,  Amo Amo, Gary Clark Jr., até mesmo o rockinho pop dançante das irmãs Haim, ao menos mais alternativos. Independentemente das minhas preferências, uma coisa é certa: a molecada do Greta Van Fleet manda muito bem, mas não acredito que vão seguir esta sombra por muito tempo.”

Eduardo Cunha – Radialista da Ipanema FM e da Dinâmico FM
“Gosto muito. Para não gostar, só se não gostar de Led.”

Cristiano Wortmann – Hangar, Zerodoze
“Eu acho o som dessa gurizada fantástico. Os riffs de guitarra são matadores e as músicas também. Uma voz incrível! Um sopro de vida para o rock.”

Jonas Cáffaro – Matanza, Lâmmia
“Eu acredito muito que exista a salvação do rock. Mas eles são bastante influenciados pelas bandas clássicas que eu gosto. Só acho que eles precisam achar o som deles. O que eu ouvi é muito cópia de Led Zeppelin.”


Luciano Cunha –  Ilustrador, quadrinista e criador do personagem O Doutrinador, que em breve irá estrear nos cinemas
“Cara, eu gosto da banda, mas acredito que ela não tem personalidade nenhuma, sabe? É apenas uma cópia de riffs e passagens do Zeppelin. O Rival Sons, por exemplo, bebe do legado de Page e companhia com bastante frequência, mas consegue empregar personalidade própria ao seu som, não se tornando uma mera emulação do Zeppelin. Mas uma coisa realmente muito boa no GVF é que eles podem trazer uma nova legião de fãs adolescentes, soterrados pelo pop insosso atual, para a música verdadeiramente de qualidade de outrora. Isso não tem preço.”

Christian Santos – Comunidade Nin-Jitsu, Pedrada Afu, Ipanema FM
“Bah! Delicado, cara! Te confesso que ouvi algumas vezes e não consegui seguir em frente. Por um lado me deixa feliz por ser uma molecada fazendo rock sólido, mas acho que chega a ser comédia o quanto eles imitam o Led. Uma coisa é referência, outra é caricatura. Sei lá! O que veio na minha cabeça é aquela frase óbvia: prefiro ouvir o próprio Led. Mas eu penso que se eles desencanarem do Led, podem ser muito mais relevantes.”

Marcelo Gross – Cachorro Grande
“Eu acho uma grata surpresa! Numa época em que precisamos de novos ícones no rock, o fato deles se parecerem bastante com o Led na fase do primeiro disco vejo como uma coisa boa, pois é uma excelente referência. Acredito que com o tempo eles vão achar seu próprio caminho, misturando cada vez mais as influências. Gostei e ouvi bastante o primeiro disco, estou ansioso para ouvir o que vem pela frente. Essa gurizada promete!”

Jonnata Doll – Jonnata Doll e os Garotos Solventes
“Essa banda eu não gosto, não me pegou o coração. White Stripes, por exemplo, lembrava Zeppelin, mas era muito autêntico ao mesmo tempo. Não acho isso do Greta Van Fleet.”

Pedro Porto – Ultramen
“Quando ouço GVF tenho a sensação agradável de estar ouvindo um (bom) disco perdido do Led, que foi encontrado e remixado no século XXI. A eficiência da banda em reproduzir o clima dos discos do Led é incrível. Grandes compositores, excelentes performers. O único problema é que ter uma personalidade própria é essencial para uma banda garantir sua relevância no cenário musical.  Acredito que quando um artista assume a personalidade de outro, tende a ser esquecido com o tempo.”

Marcos Kleine – Ultraje a Rigor, Pad
“Então, mano! Minha opinião é meio na contra-mão, achei ok. Mas é muito igual ao Led, prefiro ouvir Led, que amo (risos). Não comprei a lógica deles, achei muito parecido. Muita gente me mostrou mas eu falei: Porra! É igual (risos).”

Jacques Maciel – Rosa Tattooada
“Uma bela surpresa! Garotos jovens com grandes influências e tocando muito. A prova de que o rock está vivo e sempre estará! Sou fã.”

Thedy Correa – Nenhum de Nós
“Gosto pra caramba! Moleques com uma referência de respeito e com capacidade para deixar essa influência vir a tona sem pagar mico. ”

A Contra Grife deseja toda sorte do mundo para essa garotada. Acreditamos que, indiferentemente de comparações, sempre é bom ouvir uma boa banda de rock causando furor na mídia. O rock precisa disso. Cada vez mais. E é fato que eles terão uma difícil tarefa pela frente: se manterem no estardalhaço, com o peso da assustadora similaridade nas costas.



Conheça o incrível projeto Rap em Quadrinhos

quinta-feira, outubro 18, 2018

Idealizado pelo Youtuber Gil Santos - o cara do canal Load Comics e que entrevistei aqui no site há um tempo - e pelo ilustrador Wagner Loud, o projeto Rap em Quadrinhos fez uma bela homenagem a vários rappers brasileiros, retratando-os como ícones das histórias em quadrinhos.

As ilustrações tiveram como referência capas icônicas de quadrinhos da Marvel e da DC, e uniram com inspiração e sensibilidade dois mundos repletos de aficcionados: a música e os quadrinhos. Load conta como é o processo criativo da dupla: "Eu sou responsável pela ligação das personalidades, escolho o herói e o MC, aí converso com o Loud e, quando chegamos em um acordo, ele desenha. É bem como criação de uma HQ: eu sou roteirista e ele o quadrinista”.

Loud fala sobre como tudo surgiu: "Eu já tinha feito uma série mesclando personagens Marvel com personalidades do punk rock, chamado Punk Rock em Quadrinhos. Fiz uma exposição na Central Panelaço, loja do João Gordo do Ratos de Porão. Desde aquela época eu queria fazer alguma coisa pro rap e conversando com o Load (que também gosta muito dos dois assuntos) a gente se animou pra começar o Rap em Quadrinhos. Basicamente a gente conversa, lista artistas que a gente gosta, o Load separa tudo e pensa no que cada herói tem a ver com cada MC. Fechando isso eu desenho e pronto. A gente tem tentado sempre mesclar a personalidade e o que cada personagem tem a ver com o MC. Perdemos um tempinho conversando e tentando chegar ao melhor possível pra não ser apenas o desenho pelo desenho”.

Load explica mais sobre o projeto: "Para dar o pontapé inicial escolhemos o Emicida como Miles Morales. Assim como o Miles Morales, o Emicida representa a nova geração e a mudança do cenário todinho. Foi mais ou menos essa linha de pensamento que eu segui. O Brown, por exemplo, sempre representou o Capão assim como o Pantera sempre representou Wakanda, e fora tudo que o Brown significa pro rap em questão de luta e representatividade. As ligações de cada artista vai da personalidade, de coisas em comum. Black Alien é um cara bem culto cheio de referências em suas letras, então pensamos nele como Dr. Estranho, muito por causa de uma de suas músicas chamada 'Universo Paralelo’”.

Divulgadas através das redes sociais dos idealizadores, a iniciativa reverberou enormemente nas redes sociais e levou à uma mostra na Central Panelaço, loja de João Gordo localizado em São Paulo.

Abaixo você confere as lindas ilustrações criadas por Wagner Loud, em um trabalho que encerrou o seu primeiro ciclo e, segundo seus criadores, terá uma segunda “temporada”.
























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