1 de jun de 2011

Dynahead: review do álbum 'Youniverse' (2011)!



Por Ricardo Seelig


Nota: 8,5


Liberdade é não ter medo da sua própria imaginação. E o Dynahead não tem receio algum de desbravar os caminhos onde a sua criatividade o pode levar. Eis aqui uma banda que se desafia, e leva o ouvinte a tiracolo nessa jornada.


O grupo, criado em Brasília em 2004 e formado por Caio Duarte (vocal), Pablo Vilela (guitarra), Diogo Mafra (guitarra), Diego Teixeira (baixo) e Rafael Dantas (bateria), lançou o seu debut em 2008, Antigen, e agora chega ao seu segundo disco, Youniverse.


O que ouvimos nas onze faixas de Youniverse é um heavy metal ousado, inovador e, devido a essas duas qualidades, em certos momentos até esquisito aos ouvidos dos fãs mais tradicionais. A única constante no som do Dynahead é o metal, o peso, já que o resto é totalmente imprevisível. Essa característica requer do ouvinte uma cumplicidade para curtir a música do grupo. Você precisa estar disposto a ser surpreendido, a ser desafiado, a ser levado a lugares onde nunca esteve. E uma coisa eu posso garantir: se você deixar isso acontecer, a viagem será fantástica!


Há elementos de nomes como Pantera, System of a Down e Alice in Chains na sonoridade do Dynahead – além de resquícios de thrash e prog - , mas essas influências são apenas algumas das múltiplas facetas da música do grupo. O apetite para desbravar caminhos sempre originais, a inquietude em não se conformar com a solução mais fácil, a variedade de opções que os caras têm na manga para sempre levar o seu som pelos mais improváveis trajetos são os fatores que tornam Youniverse um disco que aponta para o futuro do heavy metal - e, em certos momentos, para um período tão à frente que beira o ineditismo.


O ápice da convergência de todos esses múltiplos elementos ocorre em “Inception”, uma faixa excelente, que surpreende o ouvinte durante toda a sua duração. Outros bons momentos ocorrem em “Eventide”, “Confinement in Black”, “Circles” e “Way Down Memory Lane” - essa última com direito até a uma agradável passagem meio bossa nova, meio samba.


A ótima produção merece menção, assim como a bela capa, criada por Gustavo Sazes, artista brasileiro que já desenvolveu artes para bandas como Angra, Arch Enemy, Firewind, Krisiun, Legion of the Damned, Spiritual Beggars e inúmeras outras.


O Dynahead posiciona-se na vanguarda do estilo com Youniverse, assumindo para si a responsabilidade de explorar as possibilidades e iluminar os caminhos que o metal trilhará nos próximos anos. Se conseguirem manter o ótimo nível de Youniverse, o seu futuro será brilhante.




Faixas:
1. Ylem
2. Eventide
3. Inception
4. Unripe One
5. Confinement in Black
6. Circles
7. My Replicator
8. Repentance Hour
9. Way Down Memory Lane
10. Redemption
11. Onset

4 comentários:

Rubens disse...

Banda bem promissora e ousada em uma cena onde prevalece a mesmice.

E como os trabalhos de artistas brasileiros em capas de bandas está ficando bom!

Agora mudando de assunto, Ricardo voce concorda com o Regis Tadeu em Relação ao Metal Melódico?

Ele disse hoje na sua coluna coisas bem interessantes e cometeu o absurdo de comparar o The Agonist com o After Forever.

Assim ele é legal sabe muita coisa, entretanto... chamar as cantoras do Symphonico Metal de pseudo-líricas é palhaçada.

Eu ainda não entendi qual é a birra dele com o Manowar. As letras, as roupas, as atitudes do grupo e fãs? e o som do Manowar não me lembra em nada Power Metal, apesar das letras.

Rubens disse...

Por outro lado ele é ótimo abordando Soul,Jazz,Blues,Pop,Samba
Rock Clássico.

Mas quando entra no cenario Metal ai eu já ligo o alarme que vem absurdo por ai.

Ele fala que é fã de Opera, mas eu nunca vi ele abordando o genero.

Ricardo Seelig disse...

Rubens, não concordo com o Regis em várias coisas, e uma delas é a opinião dele sobre o heavy metal melódico.

Eu acho que o estilo está estagnado há anos. O disco do Symfonia, por exemplo, que gerou uma expectativa grande, é mais do mesmo. Mas, dentro do estilo, ainda existem bandas muito interessantes e que merecem espaço. Uma delas é o Kamelot, por exemplo, que faz um trabalho muito bom. O Avantasia também é muito legal, apesar de não curtir muito o direcionamento mais hard rock dos últimos discos. O Gamma Ray segue fazendo bons discos, e o SoulSpell, aqui no Brasil, também tem gravado álbuns de alta qualidade.

Agora, metal sinfônico não é a minha praia. Agonist, After Forever ... não ouço. Gostava de Nightwish, acho 'Once' um discão, mas desde que a Tarja saiu perdi interesse pelo estilo.

Espero ter respondido a tua pergunta, e o Dynahead é realmente excelente.

Ricardo Seelig disse...

O Regis, pelo que eu sinto, gosta de metal clássico, das bandas clássicas. Entre as mais recentes, seja pela agressividade ou pela variedade de caminhos que a coisa tomou, me parece que ele não curte muito.

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