Opeth: crítica do álbum 'Heritage' (2011)


Nota: 8,5

O novo álbum do Opeth dividirá os fãs. A razão é simples: esqueça aquele grupo que uniu com maestria o death metal ao rock progressivo. Em Heritage, o Opeth fez uma escolha ousada e arriscada, deixando para trás a sonoridade dos primeiros anos e apresentando um novo caminho. A capa simboliza bem essa mudança: a árvore é a banda atual, enquanto as raízes fazem alusão ao passado.

Mais setentista do que nunca, o grupo liderado pelo vocalista e guitarrista Mikael Akerfeldt não apenas trouxe para o primeiro plano as influências progressivas que sempre estiveram em sua música, mas focou todos os seus esforços criativos no gênero. É isso que irá causar estranhamento aos fãs. Não há vocais guturais, o peso é moderado, não existem passagens extremas. Banhado pela obra dos gigantes prog, o Opeth encara seus fãs e os desafia explicitamente. De fato, o disco exige uma certa bagagem e conhecimento musical para ser apreciado em sua totalidade. “Famine” tem um clima meio Jethro Tull. “Marrow of the Earth” tem harmonias que remetem ao Wishbone Ash. Trechos puramente inspirados no jazz surgem sem cerimônia.

Dono de uma beleza arrebatadora, Heritage mostra um grupo de inegável talento e inquieto por natureza dando um passo gigantesco rumo a um novo caminho sonoro. Analisando a música apenas pela música, sem comparações com o passado, apenas uma conclusão é possível: estamos diante de um trabalho excelente.

Se você compartilha a mesma curiosidade e apetite efervescentes de Akerfeldt e sua turma, irá adorar. Porém, se está esperando um disco de metal como a banda já gravou inúmeras vezes, recomendo que ouça os trabalhos antigos.

Coragem, ousadia e talento: essas três palavras definem um dos grandes álbuns de 2011!

Faixas:
  1. Heritage
  2. The Devil's Orchard
  3. I Feel the Dark
  4. Slither
  5. Nepenthe
  6. Hasprocess
  7. Famine
  8. The Lines in My Hand
  9. Folklore
  10. Marrow of the Earth


Comentários

  1. Tenho muita vontade de conhecer o Opeth, logo, gostaria de saber qual seria o melhor disco para começar minha coleção da banda. Sempre falam tão bem da mistura do Death com progressivo(para falar a verdade tenho pouca bagagem em death metal).

    Cheguei em uma das lojas de cd aqui na tijuca (RJ) e me deparei com alguns cds do Opeth, porém, pela minha falta de conhecimento sobre os melhores, preferi não arriscar, e acabei comprando o black country communion 2 ...

    Bem, se puderem me dar um feedback, desde já agradeço!

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  2. Vitor, uma indicação pra começar a curtir Opeth é bem complicado. Mas na minha opinião você fez uma boa escolha. Opeth não é uma banda muito regular, não tem um som fechado como Cannibal Corpse, por exemplo. Só digo que, pra ouvir o Heritage, tem que ter uma cabeça mais aberta pra afirmar "Isso é Opeth."

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  3. Vitor,
    Com Opeth vais ter um problema: Todos os álbuns são bons!! :)
    São 10 no total, todos com a sua personalidade, daí a escolha ser muita difícil…
    Se chegares a ouvir todos, vais achar o Damnation e o Heritage, um pouco descontextualizados dos restantes, mas igualmente bons!
    Outra coisa, não vai ser fácil. Será necessário que ouças uma, duas, três ou mais vezes até ficares addicted!
    Começa por esta ordem, mas ATENÇÃO!! É apenas uma opinião minha. Outras pessoas podem estar totalmente em desacordo. Vê na internet em fóruns por exemplo!

    1º Still Life
    2º Damnation
    3º Ghost Reveries

    Boas audições! Vais gostar! ;)

    Abraço

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  4. Obrigado pelas dicas! Vou dar uma olhada no Still Life e no Ghost Reveries. Até a próxima!

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  5. Oi Vitor...
    Use a net para conhecer o som...
    baixe os discos...ouça e compre se vc gostar...
    Abraço

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  6. Ta ae um álbum que já nasceu polemico. Desde o anuncio do Mikael de que não haveria gutural muita gente ja ficou de pé atras, mesmo com um damnation(que é lindo d+) no histórico. Em seguida veio a capa, que eu achei muito boa, cheia de detalhes e tal, e la vem mais gente descendo a lenha. Eu gostei dele da primeira vez que ouvi, tive uma sensação boa enquanto as musicas rolavam, e cada vez que ouço descubro alguma coisa diferente. Häxprocess, Folklore e Marrow of the Earth são as minhas favoritas por enquanto.

    Quanto a recomendar um álbum para começar a ouvir é algo meio dificil, porque como disseram a cima cada album tem uma caracteristica propria. Eu comecei pelo watershed, que acho sensacional, talvez para quem não esteja acostumado com death metal seja uma bom inicio, pois tem uma boa parcela de voz limpa.

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