8 de abr de 2011

Minha Coleção – Ben Ami Scopinho: 2 mil discos com todas as facetas do heavy metal!

sexta-feira, abril 08, 2011

Por Ricardo Seelig

Essa edição da Minha Coleção é especial para quem curte heavy metal: bati um papo com o meu brother e parceiro no Whiplash! Ben Ami Scopinho, um dos caras que mais entende e conhece som pesado no Brasil.

Ben falou sobre a sua coleção, que é um verdadeiro acervo para quem quer conhecer as mais variadas vertentes do hard rock e do heavy metal, e deixou clara a sua paixão pela música – além de contar umas histórias pra lá de divertidas.

Aumente o som, acomode-se na cadeira e boa leitura!

Ben, em primeiro lugar, apresente-se aos nossos leitores: quem você é e o que você faz?


Olá, pessoal. Meu nome é Ben Ami Scopinho – o nome é complicado, então muitos me chamam simplesmente de Ben. Nasci na capital paulista em 1970, mas moro em Florianópolis desde 1991. É aqui que montei minha família e trabalho como técnico gráfico e ilustrador. Ah, atualmente estou atualizando meus conhecimentos nestas áreas e fazendo Design Gráfico na Univali.

Também colaboro na seção reviews do site Whiplash! desde meados de 2004, e nos últimos anos também tenho encarado entrevistar as bandas novatas e veteranas de nosso país. Basicamente, sou um cara simples e que ama a vida como ela é.

Qual foi o seu primeiro disco? Como você o conseguiu, e que idade você tinha? Você ainda tem esse álbum na sua coleção?

Bom, comecei a curtir rock and roll quando o Kiss veio tocar por aqui, em 1983. A primeira coisa que escutei foi uma fita-cassete do Creatures of the Night, lançada no ano anterior e emprestada por um colega da escola. Aquela música, mais o visual dos caras, me fisgou no ato! Eu era uma criança que morava no interior paulista, Rio Claro, e não sabia de nada, achava que o “cara da estrela” era uma mulher, acredita nisso? (risos)

Na época estavam aparecendo os primeiros videoclipes na TV, e foi aí que conheci o W.A.S.P.. E foi dessa banda que comprei meu primeiro disco em vinil, o auto-intitulado de 1984, cheio de caveiras, lâminas, tubos e sangue! Eu devia ter uns 13 anos, e acompanho a carreira dos caras até hoje. E é claro que esse disco está em minha coleção, e no mais perfeito estado de conservação!

Você lembra o que sentiu ao adquirir o seu primeiro LP?

Ah, cara ... Digamos que passei MUITO tempo apreciando todos os detalhes da obra, e (tentando) mostrar para meus irmãos, que nunca entenderam ou se interessaram pelo assunto. O Tony Richards me impressionou muito, e acho que foi o melhor baterista que passou pela banda.

Esse aspecto, o da curiosidade, me acompanha até hoje. Sempre que compro um disco vou logo esmiuçando os detalhes, pareço uma criança com um brinquedo novo - e aposto que alguns dos leitores sentem a mesma coisa.

Porque você começou a colecionar discos, e com que idade você iniciou a sua coleção? Teve algum momento, algum fato na sua vida, que marcou essa mudança de ouvinte normal de música para um colecionador?

Ouvinte normal? Quando a coisa se torna uma paixão, esse conceito de “normalidade” toma outro rumo. Não curto esportes, mas creio que os torcedores de futebol saibam o que é isso, certo?

Olha, desde que adquiri o W.A.S.P. em 1984, já sabia que iria comprar muitas outras coisas. O disco ficava sozinho lá na prateleira, e havia tanto espaço ... Era algo comum entre alguns amigos, comprar um disco, gravar cassetes e escutarmos todos juntos. Ainda não podíamos beber cervejas, mas permanecia um senso de união entre garotos meio solitários e que não faziam questão de participar de festinhas dançantes, algo corriqueiro entre o resto da turma. Não tínhamos tantas garotas como eles, mas éramos felizes! (risos)

Neste sentido, o maior problema era morar no interior e conseguir discos que fugissem do convencional. O que mais tinha nas prateleiras era Sabbath, Judas, Iron, Ozzy e uma porrada de grupos de hard rock. Na época, não tínhamos muito acesso às informações e nem imaginávamos como existiam tantas bandas mundo afora! Tanto que, quando escutei o Metallica e o Megadeth pela primeira vez, fiquei de cara com tanta distorção. Não imaginava que alguém pudesse tocar daquele jeito, não soavam como nada do que eu conhecia até então.


Alguém da sua família, ou um amigo, o influenciou para que você se transformasse em um colecionador?

Não, não, isso é algo que me aconteceu naturalmente. Acho que, sob alguns aspectos, eu e alguns amigos é que acabamos influenciando outras pessoas ao nosso redor (risos)! Existia certa rixa entre a gente e o pessoal que escutava o chamado rock brazuca, mas era algo saudável, pois eles queriam que escutássemos Legião Urbana ou Capital Inicial, e nós queríamos que eles escutassem Ozzy Osbourne ou Inocentes. Não tinha jeito de uma parte conquistar a outra, e cada um ia para sua casa e escutava o que lhe apetecia.

Inicialmente, qual era o seu interesse pela música? De que gêneros você curtia? O que o atraía na música?

Sempre gostei de música, e na época meu único acesso era o rádio. No final dos anos 70 e comecinho da década seguinte o que imperava era a disco music, que eu detestava. Era muito alegre, dançante, sem jeito!

Desde garoto, geralmente o que me atraía era a melancolia do Simon & Garfunkel e Cat Stevens. Era minha mãe passando roupas e eu ao lado escutando o rádio. Uma boa lembrança ... Depois veio o hard rock, o heavy metal, um pouco de punk e o gótico, coisas do submundo inglês dos anos 70 e 80. Minha família já não entendia mais nada ...

Quantos discos você tem?

Cara, me divorciei há uns três anos e me desfiz de parte de minha coleção, pois era uma época de mudanças e havia muita coisa que eu não escutava mais. Doei, vendi e troquei isso tudo, mas creio que atualmente minha discoteca tenha cerca de uns 2.000 itens, entre vinis e CDs. E nada de disco pirata, por favor!

Os DVDs também não me atraem. Tenho uns poucos, e alguns nem assisti ainda. Não tenho paciência para ficar na frente da televisão vendo aquelas imagens cuidadosamente editadas e todas bonitinhas.

Qual gênero musical domina a sua coleção? E, atualmente, que estilo é o seu preferido? Essa preferência variou ao longo dos anos, ou sempre permaneceu a mesma?

Tenho praticamente todos os subgêneros no que se refere ao hard rock e heavy metal. Alguns estilos eu não aprecio, mas estão lá para referência. Inicialmente eu curtia basicamente o metal tradicional e o hard rock, que era o que encontrava no interior. Quando voltei para São Paulo, conheci as grandes galerias e aí ferrou, minha pequena coleção se expandiu muito nessa época.

Mas a realidade é que estou sempre resgatando algo entre os grupos precursores e, principalmente, entre as novas bandas obscuras, em especial pela Europa Oriental e Rússia. Assim, atualmente o heavy metal extremo ocupa um lugar bastante especial em minha vida, e há algum tempo venho adquirindo muita coisa legal do chamado southern rock - o The Outlaws não sai do meu aparelho.

Sou um colecionador de discos neste sentido, de sempre procurar por trabalhos que muitos não dão muita atenção, entende?


Vinil ou CD? Quais os pontos fortes de cada formato, para você?

(Risos) Essa pergunta sempre vai gerar discussões, certo? Olha, acho que qualquer cara que começou sua coleção com discos em vinil sempre terá um carinho todo especial por esse formato. As capas, grandonas, sempre serão um atrativo a mais, e ficar girando aquela bolacha preta entre as mãos também possui certo charme! Ainda nos dias de hoje compro discos em vinil, geralmente de hard rock, usados e importados. São meio caros, mas compensam. Mas a qualidade do áudio dos CDs é muito melhor, convenhamos!

Existe algum instrumento musical específico que o atrai quando você ouve música?

E agora? Muitas bandas possuem instrumentistas que conseguem se destacar durante a audição, mas sempre me pego procurando pelo som do baixo, que muitas vezes fica escondido, em especial nos discos de metal extremo, o que é uma sacanagem.

Qual foi o lugar mais estranho onde você comprou discos?

Caray, acho que foi numa loja de móveis usados. Fui comprar um armário para restaurar e fazer uma pátina, e saí de lá com uns discos, em vinil e CD, que estavam perdidos por lá. E não paguei nada por eles, o proprietário era um velhote que olhou para aquilo e falou: “Ah, pode levar de lambuja, nem sei como isso apareceu aqui na loja”!

Qual foi a melhor loja de discos que você já conheceu?

Bom, a Galeria do Rock é imbatível, ainda que tenha visto muitos CDs piratas em algumas lojas de lá. Uma vergonha ... Há anos não vou para lá, mas o atendimento da Hellion sempre foi excelente! Aqui em Floripa temos uma excelente loja, a tradicional Roots Records, e nesse meio tempo creio que se formou um natural círculo de boas amizades entre os proprietários e consumidores. Pô, só falta eles venderem bebida alcoólica no balcão!


Seria uma boa (risos)! Ben, Conte-me uma história triste na sua vida de colecionador.

Triste? Não há muitas, mas em dezembro de 1990, no dia em que encerrei meus estudos em São Paulo, estava com uma grana sobrando e resolvi torrar tudo na Galeria do Rock. Saí de lá feliz da vida e com um pacote imenso de vinis! Mas, quando saí do metrô da Bresser, começou a maior chuva e eu com o pacote pesadão, cheio de plásticos, sobre a cabeça, para tentar me proteger de tanta água. Fui atravessar uma avenida larga e movimentadíssima, e quando estava bem no meio dela passou uma garotinha linda, e demos a maior paquerada (essa palavra ainda existe?) no meio do aguaceiro. Não dava para parar ali e, ainda andando, olhei de novo para trás … ela também olhou!

Resultado: eu tropecei na sarjeta, a pilha de discos voou ao chão, as sacolas se rasgaram, discos se espalharam na chuva e algumas capas se danificaram. Um monte de gente ao redor, fiquei puto e nem dava para morrer de vergonha, pois ainda tinha que escutar os discos! E sabe o mais engraçado? Enquanto juntava os discos e os cacos do meu orgulho ferido, olhei de novo, e a menina ainda estava caminhando, mas rindo do meu tombo. E ria tanto que a infeliz também acabou tropeçando na calçada do outro lado da rua! Não caiu, mas saiu patinando. (risos)

Terminei de recolher os discos, agora meio reconfortado e já não me importando se nunca mais fosse vê-la. Mas fiquei chateado com as capas dos discos, com tantas pontas dobradas e raladas. E o Manilla Road, tão caro, agora estava rachado, inferno!

Como você organiza a sua coleção? Dê uma dica útil para os nossos leitores.

Não há mistério. Colocar os itens em ordem alfabética e cronológica, e tentando separá-los por estilo. CDs em prateleiras apropriadas e na posição horizontal, os vinis na vertical. Manuseá-los com as mãos sempre limpas, evitar a poeira e manter os discos dentro das respectivas capas. Coisas simples, mas incrivelmente eficazes. E, como moro no litoral, considero importante colocar todas as capas em embalagens plásticas, o que ajuda a evitar a salinidade da região. Para finalizar, uma lista com os itens da coleção.

Além da música, que outros fatores o atraem em um disco?

A música sempre estará em primeiro lugar, o resto é consequência. A história por trás da concepção de alguns discos muitas vezes também conta, e é claro que uma arte de capa ou um projeto gráfico interessante sempre atrairá algumas atenções.

Alguém já viu a capa do Destructive Device, liberado pelo MindFlow em 2008? É de muito bom gosto. Outra banda que se preocupa muito com o aspecto visual de suas obras é o Cradle of Filth, há alguns trabalhos de cair o queixo, como Live Bait For the Dead, de 2002. De qualquer forma, o que tem de discos com capas horrorosas por aí, mas com uma música excelente ...


Quais são os itens mais raros da sua coleção?

Cara, nunca tive interesse em singles, edições especiais, capas alternativas, essas coisas todas que atraem tantos colecionadores. É legal, mas, como já mencionei, a música sempre foi o fator fundamental na escolha dos álbuns que vou adquirir. É claro que, depois de algum tempo, alguns discos adquirem algum valor, mas com a internet podemos achar cada um deles com certa facilidade.

Mas, ainda assim, acho que o item mais raro é o single "Animal (Fuck Like a Beast)", que o W.A.S.P. lançou em 1984 e possui apenas duas canções. O W.A.S.P. pegou pesado com o título e teve dificuldades para lançá-lo na época, e quem acabou liberando esse trabalho foi a Music For Nations, que colocou o disco enfiado em um saco plástico preto. Está no formato picture disc, com um porco escrotal de um lado, e do outro a imagem da banda. Atualmente, Blackie Lawless se recusa a cantar essa canção, não acha correto a garotada cantando sobre pelos pubianos (risos)! O tempo realmente transforma as pessoas!

Para mim, o valor desse single é mais sentimental, pois ganhei de um cara que considero um irmão, e que também é um grande fã da banda. E, mesmo assim, ele me deu esse registro. Tá na foto aí!

Você tem ciúmes da sua coleção?

Ciúmes, não. Já fui muito exigente, mas atualmente sou um cara cuidadoso que não se importa em emprestar alguns discos se a pessoa se comprometer em entregá-lo em alguns poucos dias e nas mesmas condições em que o recebeu. Prefiro não ser um escravo das coisas materiais, elas estão aí para serem desfrutadas por todos aqueles que merecerem a oportunidade.

Mas, se alguém pisar na bola, dificilmente terá a mesma chance comigo. Já aconteceu antes: emprestei o Theatre of Pain (1985), do Mötley Crüe, e o mesmo voltou cheio de glacê de bolo. Incrível o desleixo, e nem me convidaram para a festa! Como o ‘amigão’ não se importou em me reembolsar, passou muitos anos pedindo outros discos, e a insistência de nada adiantou, pois não levou mais nada de minha prateleira.

Quando você está em uma loja procurando discos, você tem algum método específico de pesquisa, alguma mania, na hora de comprar novos itens para a sua coleção?

Bom, já disse que tenho uma predileção por bandas desconhecidas do grande público. Assim, durantes minhas pesquisas, vou acrescentando em uma lista os itens que sei que comprarei assim que surgir a oportunidade e, assim, vou fechando a discografia das que mais curto.

E, sempre que estou viajando, procuro uma loja ou sebos para comprar algo nas cidades em que vamos parando. E minha esposa, escudeira fiel, sempre está lá comigo, ajudando na busca, dando opiniões e também pagando a conta (risos)! No ano passado passamos por Goiânia e lá tem um monte de lojas que parecem ter parado no tempo. Compramos muitos vinis e CDs que eu procurava há tempos, e escutamos muito Badlands e Copperhead (ótima banda norte-americana que mistura hard com rock sulista) pelas estradas que levam à Chapada dos Veadeiros.

O que significa ser um colecionador de discos?

Putz, e agora? Em dias de download, isso não quer dizer muita coisa. Creio que somos uma espécie em vias de extinção! De qualquer forma, permanece como um hobby saudável e uma forma de arquivar bons momentos que a vida me proporcionou. Muitos dos meus discos têm alguma história particular, e adoro escutá-los quando tenho um tempo livre, beber um vinho, fumar meu cachimbo e namorar. Quer coisa melhor, principalmente quando se tem uma companheira disposta a compartilhar esses prazeres contigo?


Na sua opinião, o que mudou da época em que você começou a comprar discos para os dias de hoje, onde as lojas estão em extinção? Do que você sente saudade?

Bom, certamente a maior parte da nova geração nunca entrou em uma loja para comprar discos, e isso culminou no fechamento de muitas portas. Mas, convenhamos, se uma loja não consegue se manter vendendo discos, amplie sua área de atuação! Venda também acessórios, camisetas, sejam persistentes e criativos, pô!

Não tenho saudades dos velhos tempos. É claro que gosto de relembrá-los, mas entendo que tudo na vida está em transformação. Então, se os discos físicos acabarem, verei as opções que o futuro proporcionará. Por ora, ainda tenho onde comprar discos – as lojas online estão cheias deles! – e mantenho por perto alguns bons amigos para escutar e trocar ideias sobre o assunto.

Você é um dos mais conhecidos e respeitados jornalistas especializados em heavy metal do Brasil, com um trabalho pra lá de elogiável no site Whiplash!. Porque você começou a escrever sobre música?

Agradeço pelas palavras, mas não me vejo assim não, Seelig. É claro que é gratificante receber elogios inesperados de pessoas, muitas vezes influentes no ramo, mas sou apenas mais um cara, entre tantos outros, que contribui de alguma forma para a cultura underground.

Como colecionador, eu sempre gostei de ler resenhas, e muitas vezes essa seção demorava a ser atualizada no Whiplash!. Então resolvi escrever meu primeiro texto, de uma banda que eu gostava muito, mas que tinha lançado um disco que achei esquisito pra cacete. Foi em 2004, no disco Focusing Blur (Vintersorg), e eu, novato e folgado, insisti para o João Paulo (diretor do site) colocar a resenha em um lugar de destaque (folgado mesmo!!!). O João sempre foi muito acessível e deve ter gostado, pois logo passou a me enviar discos para colaborar efetivamente com o resto da equipe fixa.

De lá para cá muita coisa mudou no Whiplash!, conheci pessoas interessantes, fui refinando meus textos e continuo escrevendo resenhas e entrevistando bandas brasileiras que estão lançando seus discos. Tenho pouco tempo, mas estamos aí, tentando sempre melhorar em algum aspecto.

Qual é a sua metodologia para escrever uma resenha? Que aspectos você avalia em um disco quando vai resenhá-lo?

Olha, com exceção das armações, eu nutro profundo respeito por qualquer disco que me prontifico a resenhar. Aquilo não é somente um CD, é a extensão dos sonhos e fruto do trabalho de muitas pessoas. Conheço músicos que reduziram as refeições de seu dia-a-dia para juntar grana e pagar uma mixagem e masterização decentes. Seria uma irresponsabilidade de minha parte ser leviano quanto a isso.

Tendo isso em mente, o resto é fácil. Parte da ideia que move uma resenha, em especial a dos discos independentes, é tentar melhorar a cena musical do futuro próximo e, assim, ser objetivo ao verificar os prós e contras de um trabalho é importante. É claro que alguns trabalhos te pegam de jeito e você se envolve emocionalmente com a música, talvez mais do que o ideal, mas fazer o quê?


Sobre a cena metálica brasileira atual, o que há de melhor e o que há pior, na sua opinião?

O que há de melhor são nossas bandas, sem dúvidas. Nossos músicos são verdadeiros guerreiros que driblam a desigualdade da batalha com uma criatividade que, muitas vezes, não se observa em outras nações. Os caras estão correndo atrás e lançando obras incríveis, e em grande número!

O pior? Mais fácil ainda. É a insistência que parte de nosso público possui em ignorar a força que a cultura brasileira possui. Os romanos já dominavam grandes partes do planeta enquanto a Inglaterra ainda engatinhava, e herdamos essa latinidade, então, qual o motivo que gera esse complexo de inferioridade e subserviência em relação ao que vem de fora? Convenhamos, se existem pessoas interessadas em investir no pagode e sertanejo, é porque seus respectivos públicos estão lá, lotando os shows. Então, se o rock and roll não alcança esses índices não culpem a falta de espaço para shows de hard rock e heavy metal autorais, culpem seus colegas que não aparecem para prestigiar esses eventos.

Mas essa é uma apatia que se estende a praticamente todos os níveis – político, econômico, cultural, etc – de nossa sociedade, infelizmente. Reclamamos muito e pouco fazemos de concreto para que as mudanças ocorram. Mas tenho fé que chegaremos lá.

O que você acha desse papo de que música boa só existiu nos anos 1960 e 1970, e de que hoje não se faz música de qualidade?

De maneira nenhuma! Isso é coisa de saudosista, Seelig! É claro que nesses períodos aí tudo podia ser mais desafiador, muita coisa ainda estava sendo descoberta, mas cada geração possui características e sempre vão gerar bons e maus frutos.

Se a boa música ficou limitada somente os anos 1960 e 1970, alguém me explique o motivo de, no caso do rock pesado, o mesmo ter apresentado tantas subdivisões a partir da década de 1980? Oras, o pessoal estava explorando e também descobrindo novas formas de se expressar. É só comparar o cenário musical de cada década e observar qual delas gerou mais música. O público somente cresce ao redor do globo, e isso só pôde acontecer pelo fato de as bandas atuais terem seus atrativos, e que são muitos.

Agora, cara, eu sou fanático pelos discos ao vivo da década de 70! Possuem um astral que, por motivos óbvios, não conseguiram ser reproduzidos posteriormente! At Fillmore East (The Allman Brothers Band, 1971), Live (Foghat, 1977) ou Double Live Gonzo! (Ted Nugent, 1978) são incríveis!

Qual é o melhor disco de 2011, até o momento?

Uma banda gaúcha chamada Carniça lançou um Temple's Fall ... Time to Reborn que é um arregaço! Um trio verdadeiramente headbanger!

Ben, muito obrigado pelo papo. Pra fechar, o que você está ouvindo e recomenda aos nossos leitores?

Valeu, Seelig! Foi um prazer participar da Collector´s Room, que tive a oportunidade de acompanhar desde que era uma simples ideia. Lembro-me de você propondo sua criação à equipe do Whiplash!, a coisa realmente vingou e continua crescendo. O que seria do Homem sem suas ideias, não?

Bom, deixo um abraço aos leitores e, sobre os discos, vou evitar os clássicos que todos conhecem e citar cinco nomes nacionais e cinco gringos que escutei nos últimos dias:

Nacionais:
Sad Art of Smiling - Ynis Vitrin (Rio Grande do Sul)
Memories of War - Red Front (São Paulo)
Rock na Veia - Motorocker (Paraná)
Madgator - Madgator (São Paulo)
Gigsaw - Sub Rosa (Minas Gerais)

Internacionais:
Red Silent Tides - Elvenking (Itália)
Aealo - Rotting Christ (Grécia)
Tao - Crushing Sun (Portugal)
Parasignosis - Mitochondrion (Canadá)
Razor - Onheil (Holanda)
Easton Hope - Orden Ogan (Alemanha)

Foo Fighters: review do álbum Wasting Light (2011)!

sexta-feira, abril 08, 2011

Por Ricardo Seelig

Cotação:
****1/2

Onze faixas construídas a partir de riffs ganchudos. Onze refrões fortes, daqueles que a gente, sem perceber, canta junto. Um desfile de composições uma melhor que a outra. Um disco que você ouve e fica marcando o ritmo com o pé a todo momento, faz viradas de bateria pelo ar, bate cabeça empolgado, aumenta o volume a todo instante. Esse é Wasting Light, o excelente novo álbum do Foo Fighters.

Quatro anos de silêncio separam Wasting Light de Echoes, Silence, Patience & Grace, o disco anterior do grupo. Para a gravação do play, a banda chamou o produtor Butch Vig – o mesmo dos clássicos Nevermind (1991) do Nirvana e Dirty (1992) do Sonic Youth, e que havia trabalhado com os caras anteriormente apenas em duas faixas da coletânea Greatest Hits, lançada em 2009. Wasting Light foi gravado em um estúdio com equipamentos analógicos, montado na garagem da casa de Dave Grohl. O álbum marca também o retorno do guitarrista Pat Smear, e é o primeiro com a sua participação desde The Colour and the Shape (1997).

Além disso, há também as participações especiais do ex-parceiro de Nirvana Krist Novoselic tocando baixo e acordeão em “I Should Have Known”, de Bob Mould (Hüsker Dü, Sugar) na guitarra e fazendo backing em “Dear Rosemary”, Rami Jaffee (Wallflowers) tocando piano, teclado e órgão, Jessy Greene (que já trabalhou com o Wilco e vários outros grupos) no violino e cello, e Fee Waybill (The Tubes) nos backing vocals.

Apesar de contar com uma já longa carreira – o grupo está na estrada há 16 anos, desde 1995 -, o Foo Fighters sempre lançou discos que primavam pela inconstância. Explico: todos os álbuns da banda tem excelentes músicas (poucas) e composições medianas (a imensa maioria). É claro que o grupo marcou época e conseguiu mostrar a sua força e talento através de ótimas faixas como “My Hero”, “Everlong”, “Big Me”, “Learn to Fly”, “All My Life” e “Times Like These”, mas elas estão espalhadas ao longo de sua discografia. Nunca o Foo Fighters havia lançado um disco tão consistente, forte e empolgante quanto Wasting Light.

“Bridge Burning” abre o disco de maneira excelente, descarregando riffs sobre o ouvinte. Muita energia em uma ótima música, com um grande refrão. O clima segue lá em cima com “Rope”, já conhecida pelos fãs graças ao clipe que ganhou. De novo os riffs ditam o ritmo de canção, com linhas vocais muito bem encaixadas por Dave Grohl.

“Dear Rosemary”, com participação de Bob Mould, é uma das melhores do disco. Grudenta, com cara de single, hit certo, daquelas faixas que cativam na primeira audição. Nela percebe-se o quanto Dave Grohl deixou de ser, há tempos, apenas o ex-baterista do Nirvana e transformou-se em algo muito maior. Suas composições, que unem elementos do hard rock e do pop para construir uma sonoridade pra lá de cativante, tem personalidade própria e não encontram paralelo no rock atual.

“White Limo” é outra já conhecida, uma paulada sônica que ganhou um clipe esperto com a participação de Lemmy Kilmister, brother de Dave. Essa faixa difere das demais por focar mais na pancadaria, sem o tradicional tempero pop que sempre acompanhou o grupo.

A sensacional “Arlandria” é uma das melhores de Wasting Light, com um ótimo refrão. Já a semibalada “These Days”, dona de um gigante apelo radiofônico, foi feita para ser cantada junto nos shows e começar o dia com o pé direito.

A força de Wasting Light impressiona. O disco vai entregando ao ouvinte uma sucessão de composições do mais alto nível, fazendo com que seja difícil dizer qual delas é a melhor. Quando um álbum de inéditas se parece com uma coletânea de grandes sucessos – como é o caso de Wasting Light -, a razão é simples: isso só acontece porque ele é muito bom!

O riff forte de “Back & Forth” introduz outra grande canção, mais uma vez com um ótimo refrão. “A Matter of Time” segue o mesmo caminho, mas com uma cara um pouquinho mais pop. “Miss the Misery” merece ser ouvida no seu carro, com o vento no rosto e a todo volume, sem destino nem hora pra chegar.

A balada “I Should Have Known”, com Krist Novoselic no baixo, contrasta com a energia cortante das demais composições, e traz o baixão do antigo parceiro bem na cara, estourando os alto-falantes. O encerramento é no mais alto nível, com a excelente “Walk”, uma das melhores faixas do disco, com Dave Grohl cantando de forma arrepiante.

Assim: o Foo Fighters nunca gravou um álbum como Wasting Light antes. Tudo aquilo que se ouvia em doses pingadas nos outros trabalhos do grupo toma conta do disco. São onze ótimas faixas, formando um CD absurdamente consistente, forte, que pega o ouvinte pelo pescoço, joga-o contra a parede e faz ele ficar apaixonado perdidamente. Dave Grohl e sua gangue gravaram o seu melhor disco, disparado!

Se você gosta de rock, esse é o álbum de 2011!


Faixas:
1 Bridge Burning
2 Rope
3 Dear Rosemary
4 White Limo
5 Arlandria
6 These Days
7 Back & Forth
8 A Matter of Time
9 Miss the Misery
10 I Should Have Known
11 Walk

Rolling Stones: cover de Dylan com Bill Wyman em homenagem a Ian Stewart!

sexta-feira, abril 08, 2011

Por Ricardo Seelig

Mick Jagger, Keith Richards, Ron Wood e Charlie Watts entraram em estúdio na companhia do baixista original do grupo, Bill Wyman, que deixou a banda em 1992, para gravar uma versão de “Watching the River Flow”, de Bob Dylan, em homenagem ao falecido pianista Ian Stewart, considerado o sexto Stone e falecido em 12 de dezembro de 1985. A música está no álbum Boogie 4 Stu: A Tribute to Ian Stewart, do pianista Ben Waters, que será lançado no próximo dia 11 de abril.

Agora, atenção: além da reunião histórica dos Stones, o álbum conta com a participação de nomes como PJ Harvey, Jools Holland, Glyn Johns e outros em releituras de clássicos de Ray Charles, Led Zeppelin e outros ícones.

Ouça abaixo a excelente reunião dos Stones com Bill Wyman em “Watching the River Flow”:


Dream team do black metal reunido em festival norueguês!

sexta-feira, abril 08, 2011

Por Ricardo Seelig

Vai estar na Europa no final de agosto? Tem planos de dar uma banda pela Noruega? Então anote na agenda: nos dias 24 e 27/08 acontecerá na cidade norueguesa de Bergen a derradeira edição do já tradicional festival Hole in the Sky, só com bandas de black metal.

O evento histórico contará com shows de Immortal, Mayhem, Satyricon, Enslaved, Ghost, Marduk, Saint Vitus e Devil - um verdadeiro 'dream team' do metal extremo.

Não dá pra perder, não é mesmo?

Então prepare seu corpse paint e mergulhe nessa jornada pela escuridão!

Ozzy: vídeo oficial sobre o show em São Paulo!

sexta-feira, abril 08, 2011

Por Ricardo Seelig

Depois de postar um vídeo oficial sobre a sua passagem por Porto Alegre no último dia 30 de março, Ozzy colocou no ar mais um episódio da sua OzTV, dessa vez focando no show que ocorreu em São Paulo no último dia 2 de abril.

O vídeo é excelente, e mostra o respeito de Ozzy por seus fãs.

Todos os shows da atual turnê do vocalista pelo Brasil terão vídeos exclusivos, e você verá todos aqui na Collector´s.



Lançamentos da semana - Especial Record Store Day 2011!

sexta-feira, abril 08, 2011

Por Ricardo Seelig

Falta pouco mais de uma semana para o Record Store Day 2011, que acontecerá no próximo dia 16 de abril. Pra quem não sabe, o Record Store Day, ou o Dia da Loja de Disco, é um evento criado pelas lojas de discos independentes dos Estados Unidos há alguns anos, onde, em um único dia, são lançados itens - principalmente LPs - em tiragens limitadas e que só são vendidos nas lojas participantes do evento.

Isso faz com que, após o Record Store Day, esses discos pintem em sites como eBay - quando aparecem, o que é difícil - a valores muito altos, devido à raridade dos registros.

Para dar tempo de você se preparar, comprar a passagem e reservar o hotel - já que o Record Store Day rola só nos Estados Unidos, em lojas de costa a costa -, seguem abaixo os principais lançamentos dessa edição de 2011.

Portanto, separe a grana e viva as lojas de discos!


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