25 de nov de 2011

Rock oculto: você acredita em magia negra?

sexta-feira, novembro 25, 2011

Por Dom Lawson, da Metal Hammer
Tradução de Ricardo Seelig

Quando você vê imagens de TV da década de 1960 ou do início dos anos 70, ir a um culto ou uma reunião de bruxaria era quase como ir a um clube do livro ou a uma aula de tricô, porque isso naquela época era um lugar comum”, sugere Lee Dorrian. Ele é o frontman do lendário Cathedral, uma das bandas mais influentes e importantes do metal nos últimos 20 anos. Dorrian também é o fundador da Rise Above Records, uma gravadora que mantém laços de longa data com o rock oculto. “As pessoas não tinham internet e nem jogos de computador. Os garotos então liam livros de Tolkien e Dennis Wheatley e assistiam os filmes de terror da Hammer. Estava tudo por ali, foi isso”.

Foi uma época em que ocultismo emergiu no rock com uma frequência surpreendente. Estudiosos do período recordam com carinho de álbuns como a estreia dos americanos do Coven em Witchcraft Destroys Minds & Reaps Souls (1969), In Cauda Semper Stat Venenum (1969) dos italianos do Jacula e o folk lisérgico dos britânicos do Comus em First Utterance (1971), todos discos que procuravam evocar um sentimento de terror espectral e subversão satânica nos ouvintes, fazendo soar o alarme nos gabinetes dos auto-proclamados protetores da moralidade ocidental. Os Rolling Stones brincando com ideias ocultas em Their Satanic Majesties Request (1967) podem ter causado um leve alarme no mainstream, mas o verdadeiro rock oculto aspirava ir além de imagens superficiais, trazendo uma leva de perigo para o mundo do rock pesado.



O verdadeiro rock oculto – ao contrário dos flertes de certas bandas com pentagramas vendidos como souvenirs em grandes arenas – é apenas uma subcultura menor. E como qualquer subcultura, é claro, existe somente e principalmente para aqueles dispostos a arranhar a superfície e cavar um pouco mais fundo.

Black Widow foi a banda óbvia que todo mundo ouviu falar, mas o interesse dos caras pelo ocultimo durou apenas um disco”, diz Dorrian, referindo-se ao grupo de Leicester cujo debut, Sacrifice, alcançou a posição 32 nas paradas em 1970 e tocou na edição daquele ano do Festival da Ilha de Wight. “Mas havia toneladas de outros nomes, como o Zior, cuja cantora Keith Bonsor era aparentemente uma ocultista séria e experiente. Há uma história de que ela foi executada em uma missa negra e nunca mais foi vista desde então. Não sei se isso é verdade. As pessoas sempre mencionam o Coven também, e bandas italianas como Jacula e Antonious Rex como nomes que levaram o ocultismo mais a sério. Até mesmo Mick Ronson, em um de seus singles solo, tem um b-side chamado “Powers of Darkness”, que é um grande faixa de rock oculto”.


O Black Widow voltou à ativa em 2007 após um hiato de 34 anos, e atualmente estão divulgando um novo álbum de estúdio, Sleeping with Demons, lançado este ano. Antes disso, o grupo lançou o ao vivo Demons of the Night Gather to See Black Widow Live (2008). Eles permanecem como os padrinhos do rock oculto, e seu hino “Come to the Sabbat” é a única música da primeira fase do gênero que teve algum impacto perceptível sobre o rock mainstream. 

O frontman Clive Jones admite as suas crenças espiritualistas e o fascínio pela feitiçaria, mas também reconhece que o Black Widow abandonou o caminho das trevas rapidamente após a sua estreia, em 1970, porque a negatividade de sua música poderia prejudicar as ambições do grupo. “Depois de Sacrifice tivemos que mudar de direção, mas eu não queria fazer isso, porém havíamos tido muita má sorte”, lembra ele. “Nós fomos banidos pela BBC, que não queria tocar as nossas músicas. Estávamos partindo para uma turnê pelos Estados Unidos, mas Charles Manson fez o que eles classificaram como “assassinatos de magia negra” e, de repente, não nos deixaram mais entrar no país. Nosso manager também agenciava o Black Sabbath na época, e os enviou em nosso lugar. Agora estamos de volta à magia negra, mas desta vez queremos mostrar que ela pode ser divertida. Nem todo mundo adora o demônio e gosta de sacrificar ovelhas”.


Na verdade, o rock oculto nunca morreu realmente, mas foi se tornando uma força mais visível nos últimos anos. Uma nova onda de bandas que compartilham muitas das características dos grupos pioneiros, tanto musical quanto filosoficamente, liderada pelo Ghost, da Suécia, e pelo Devil's Blood, da Holanda, começou a atrair uma nova geração de fãs, principalmente da cena do heavy metal. Junto a outros nomes como Ancient Wisdow, Hexvessel, Blood Ceremony e Devil, têm o seu foco na época da Hammer e Dennis Wheatley. O metal, é claro, mergulhou em satanismo e temas de horror sobrenatural durante décadas a partir do ponto de partida do Black Sabbath até a agressão do Slayer, passando pelo culto à queima de igrejas das bandas de black metal norueguesas no início dos anos 90. O que esses novos grupos parecem oferecer, no entanto, é uma rejeição mais forte à modernidade, com a música evitando o excesso tecnológico em favor de timbres quentes e analógicos e uma psicodelia desenfreada.

Apesar de não exibir qualquer desejo real de desviar-se do confotável underground do heavy metal, o Ghost começou a desenvolver uma reputação formidável e tornou-se, para desespero de seus admiradores ferrenhos, uma espécie de “banda buzz” nos círculos de rock mainstream. Certamente isso se deve muito à ajuda que os suecos tem recebido de figuras significativas do metal como James Hetfield e Phil Anselmo, que endossaram publicamente a sua admiração pela banda. O grupo construiu cuidadosamente a sua imagem – anônimos, sem rosto, figuras sombrias lideradas por um demônio que se assemelha a um religioso -, o que também garante que eles se distingam do manual de identidade padrão do heavy metal. “O que estamos fazendo no Ghost, como um conceito, é uma homenagem à velha música oculta”, afirma Nameless Ghoul, o porta-voz oficial da banda. “Há uma fixação por essa onda de rock oculto que está rolando, e eu acho que isso é muito baseado na ideia de que se trata de algo retrô. Esperamos que o Ghost seja apreciado como um fenômeno elétrico do rock teatral”.


O Ghost, de alguma forma, conseguiu se infiltrar nos escalões superiores do mundo do heavy metal sem comprometer a sua visão. De acordo com o editor da Metal Hammer, Alexander Milas, eles simplesmente se aproveitam da essência do metal. “O heavy metal e o macabro não são estranhos um ao outro, mas é certamente o espírito teatral do Ghost, uma homenagem ao Kiss, King Diamond, Alice Cooper e outros artistas que os inspiraram, que faz com que tenham tanto apelo junto aos fãs de metal”, diz Milas. “Eles são a soma de tudo o que tem gerado apelo no heavy metal desde que o Black Sabbath cativou os fãs de música que não conseguiam entrar em sintonia com a época hippie e queriam algo mais sombrio e pesado. O Ghost encarna o que é ser heavy metal, e sua música é simplesmente sublime”.

É claro que parte da razão pela qual o rock oculto tinha um impacto tão grande há 40 anos é que, naqueles dias, ele parecia genuinamente assustador, da mesma forma que os filmes de terror da Hammer pareciam reais e hoje são consideradas obras kitsch. Nas décadas seguintes, porém, as artes e o entretenimento alcançaram extremos que seriam impensáveis em 1970. Uma banda como o Ghost não choca mais as pessoas, independentemente de eles serem classsificados como verdadeiros servos de Belzebu ou não. “Se nós acreditamos no diabo? A coisa mais importante é que o diabo acredita em nós”, diz, sem nenhuma expressão, Ghoul. “Há uma aura blasfema que rodeia tudo o que fazemos. Queremos que o nosso público entre em nosso mundo negro, em algo que vai além. Queremos que o Ghost seja percebido como algo quase cinematográfico, assim como alguém que vai ao cinema para assistir A Profecia ou O Exorcista. Tudo deveria ser, supostamente, ultra-diabólico”.

Quer se trate de uma expressão sincera de culto a crenças diabólicas ou simplesmente uma boa desculpa para usar uma máscara assustadora e irritar alguns cristãos, o rock oculto pode fornecer um antídoto para o mundo da música, cada vez mais sem alma, cínico e interessado apenas no lucro, perfeição e poder. Talvez o mais importante é que os seus novos expoentes parecem ter abandonado táticas de choque em favor de uma abordagem mais sutil e persuasiva, digna da serpente do Éden. “Se você não é um consumidor de metal e olha para uma revista com o Ghost, você certamente irá pensar que eles soam de maneira demoníaca e extrema”, diz Lee Dorrian. “Mas o que eles fazem é um rock clássico muito bonito, com grande melodias. Tudo sobre eles é contraditório, mas funciona. Há uma verdadeira magia sobre a banda. Abraçar o ocultimo é como ser tomado por uma força esotérica, algo parecido em como a música funciona, certo?”.


24 de nov de 2011

Enquete da semana: o melhor álbum de metal de 1993

quinta-feira, novembro 24, 2011

Era barbada, e o resultado confirmou: Chaos A.D., do Sepultura, levou de lavada e foi eleito pelos nossos leitores como o melhor álbum de heavy metal lançado em 1993. Na sequência, outro representante brasileiro: Angels Cry, a estreia do Angra.

Quatro álbuns tiveram uma quantidade semelhante de votos, e disputaram até o final a terceira posição. Savatage, Carcass, Death e Cynic, todos com discos fantásticos nesse ano, fizeram bonito.

E a minha crítica vai para os poucos votos dados aos discos de black metal presentes na enquete. Brasileiro não curte esse estilo? Clássicos do Darkthrone, Immortal, Satyricon e Dissection passaram batido, com votações muito pequenas.

Confira o resultado abaixo:

Sepultura – Chaos A.D. - 38%
Angra – Angels Cry – 18%
Savatage – Edge of Thorns - 11%
Carcass – Heartwork – 10%
Death – Individual Thought Patterns - 9%
Cynic – Focus – 7%
Darkthrone – Under a Funeral Moon – 3%
Immortal – Pure Holocaust - 2%
Dissection – The Somberlain – 1%
Satyricon – Dark Medieval Times - 1%

E, como sempre, quero saber a opinião de vocês, então solte o verbo nos comentários.

Os 20 melhores álbuns de stoner segundo a Decibel

quinta-feira, novembro 24, 2011

Em sua edição #35, de setembro de 2007, a revista norte-americana Decibel, uma das publicações mais respeitadas do cenário heavy metal em todo o mundo, publicou uma lista com os 20 melhores álbuns de stoner de todos os tempos.

Olha só como ficou o top 20 da Decibel:

  1. Black Sabbath – Masters of Reality (1971)
  2. Electric Wizard – Dopethrone (2000)
  3. Sleep – Jerusalem (1999)
  4. Kyuss – Blues for the Red Sun (1992)
  5. Black Sabbath – Black Sabbath (1970)
  6. Queens of the Stone Age – Queens of the Stone Age (1998)
  7. Trouble – Psalm 9 (1984)
  8. Blue Cheer – Vicenbus Eruptum (1968)
  9. Melvins – Bullhead (1991)
  10. Hawkwind – Space Ritual (1973)
  11. Masters of Reality – Masters of Reality (1988)
  12. Witchfinder General – Death Penalty (1982)
  13. Monster Magnet – Spine of God (1991)
  14. Cathedral – The Ethereal Mirror (1993)
  15. Saint Vitus – Born Too Late (1986)
  16. Leaf Hound – Growers of Mushroom (1971)
  17. The Obsessed – Lunar Womb (1991)
  18. Acrimony – Tumuli Shroomaroom (1997)
  19. High on Fire – Surrounded by Thieves (2002)
  20. Fu Manchu – In Search Of … (1996)

E aí, concorda? Discorda? Deixe a sua opinião nos comentários!

Head Cat: crítica de 'Walk the Walk … Talk the Talk' (2011)

quinta-feira, novembro 24, 2011

Nota: 8,5

O rock é, antes de tudo, diversão. Portanto, um disco que nasceu do puro prazer dos músicos envolvidos só pode ser muito legal, ainda mais com o líder da parada sendo ninguém mais ninguém menos que o lendário Lemmy Kilmister, o dono do Motörhead.

Walk the Walk … Talk the Talk, lançado no Brasil pela Hellion Records, é o segundo álbum do supergrupo Head Cat, que une Lemmy (vocal e baixo), Danny Harvey (guitarra, Lonesome Spurs e The Rockats) e Slim Jim Phantom (bateria, Stray Cats). O nome da banda, como você percebeu, é uma brincadeira com os grupos principais do trio.

O alto astral se mantém nas faixas do disco. A música é um rockabilly pesado e cheio de energia, perfeito para ouvir em alto e bom som naquelas reuniões animadas com os amigos.

Dez das doze faixas são versões para clássicos do rock, indo desde releituras de canções conhecidas como “Crossroads” (de Robert Johnson, imortalizada pelo Cream), “Something Else” (Eddie Cochran), “Let It Rock” (Chuck Berry) e “Shakin' All Over” (Johnny Kids and The Pirates), até o resgate de composições históricas mas um tanto esquecidas hoje em dia, como “It'll Be Me” (Jerry Lee Lewis), “You Can't Do That” (Beatles) e “Say Mama” (Gene Vincent). No meio disso tudo o trio ainda se aventura em duas inéditas, a ótima “American Beat” e “The Eagle Flies on Friday”.

Redondinho, simpático e alto astral, Walk the Walk … Talk the Talk é diversão do início ao fim. Duvida? Então faça o teste, chame os amigos para um churrasco regado à cerveja gelada e coloque o disco para rolar. Depois você me conta como foi …


Faixas:
  1. American Beat
  2. Say Mama
  3. I Ain't Never
  4. Bad Boy
  5. Shakin' All Over
  6. Let It Rock
  7. Something Else
  8. The Eagle Files on Friday
  9. Trying to Get to You
  10. You Can't Do That
  11. It'll Be Me
  12. Crossroads

Metal Open Air: veja quais bandas serão anunciadas nos próximos dias

quinta-feira, novembro 24, 2011

Ontem, dia 23/11, era a data prevista para o anúncio do primeiro lote de bandas que tocarão no Metal Open Air, festival que ocorrerá em São Luís do Maranhão nos dias 20, 21 e 22 de abril de 2012. No entanto, devido à desistência da ICS, empresa que promove e é dona da marca Wacken, a Negri Concerts e a Lamparina Produções divulgaram um comunicado oficial dizendo que os contratos tiveram que ser revistos, e que o anúncio das atrações será atrasado em alguns dias.

Porém, não apenas um, mas vários passarinhos, me contaram que serão divulgados nos próximos dias os nomes de 14 atrações que já assinaram contrato para tocar no Metal Open Air. Quer saber quem são? Então respire fundo:

Accept
Anthrax
Destruction
Europe
Exodus
Gamma Ray
Grave Digger
Kreator
Motörhead
Napalm Death
Obituary
Saxon
Sonata Arctica
Testament

É uma escalação de respeito, sem dúvida. Ainda faltam 6 nomes para fechar nas 20 bandas internacionais prometidas pelos promotores do festival, mas sem dúvida anima, e muito, qualquer fã de metal. No meu caso, adorei o fato de Aceept, Anthrax e Exodus estarem na escalação.

Sentiu falta do Manowar, que havia sido citado em diversos rumores anteriores? A explicação para o grupo não estar na lista acima é simples: os caras foram contatados, mas responderam negativamente por “não estarem vivendo um bom momento”.

É claro que, mesmo curtindo as prováveis primeiras 14 atrações do festival, faltam nomes de maior peso e tamanho, os chamados headliners. Estou falando de grupos como Judas Priest, Metallica, Black Sabbath, Iron Maiden, capazes, sozinhos, de deslocar uma multidão de fãs. Eles, possivelmente, aparecerão em anúncios futuros – pelos menos é o que se espera.

Não há nada confirmado oficialmente ainda, mas é muito provável que esses 13 nomes sejam divulgados nos próximos dias. E aí, curtiu? 

23 de nov de 2011

Não existe nada de bom no heavy metal atual? Mais uma vez, a gente prova que você está errado!

quarta-feira, novembro 23, 2011

Dando sequência à série de posts sobre as novas caras do heavy metal, essa semana trago mais 10 bandas. Ponderei em colocar o Ghost na lista porque pensava que todo mundo já conhecia o grupo, mas, para a minha surpresa, muita gente nunca ouviu os caras, então mudei de ideia.

O que você vai ler abaixo são dez indicações de grupos que fazem heavy metal, hard rock e música de qualidade agora, nesse momento, e você provavalmente não conhece.

Então, acomode-se na cadeira, aumente o volume e diga o que achou dessas dez bandas nos comentários. E, é claro, mande mais dicas de novos sons!

Ghost

Uma série de matérias sobre as novas caras do heavy metal não estaria completa sem o Ghost. Essa banda sueca veio ao mundo em 2008, e tem apenas um disco em sua curta carreira. Opus Eponymous foi lançado em 18 de outubro de 2010 na Europa, mas só chegou ao mercado norte-americano três meses depois, em 18 de janeiro de 2011. Os caras fazem um som que é influenciadíssimo, na parte instrumental, pelo Blue Öyster Cult, enquanto o timbre do vocalista Papa Emeritus remete ao estilo de King Diamond. Fechando o pacote, composições cativantes, letras explicitamente satânicas e um visual elaboradíssimo, com o cantor vestido como uma espécie de papa satânico e os demais músicos com os rostos escondidos atrás de capuzes. Um dos melhores discos dos últimos anos, e já com status de clássico.


Red Fang

Quarteto de Portland, Estados Unidos, o Red Fang tem apenas um álbum, Murder the Mountains, lançado esse ano pela Relapse. O som é aquele típico stoner que se equilibra entre o hard rock e o heavy metal, tudo com um agradável sabor setentista. Com um bom humor gigantesco, a banda tem clipes engraçadíssimos, que dão cara para a sua ótima música. Um dos melhores nomes saídos dos EUA nos últimos anos, sem dúvida.


Volbeat

Apesar de já estar na estrada há mais de 10 anos, essa banda dinamarquesa ainda não pegou no Brasil. Já com status de grande na Europa, onde são figura fácil nos inúmeros festivais que rolam por lá, o Volbeat tem quatro discos de estúdio e um ao vivo. O som se destaca por ser ao mesmo tempo pesado e com um surpreendente tempero pop. Mas antes de dar play nos vídeos abaixo, um aviso: a banda é viciante, então não me responsabilizo se você passar os próximos dias ouvindo apenas os caras!


Myrath

Esse quinteto natural da Tunísia segue a linha dos israelenses do Orphaned Land, executando um heavy metal temperado com acentuados sabores orientais. Já com três discos no currículo – Hope (2007), Desert Call (2010) e Tales of the Sands (2011) -, o grupo vem conquistando cada vez mais espaço, e tem tudo para ser um dos nomes mais falados em um futuro bem próximo. Fique de olho!


Graveyard

Dona de uma dos melhores álbuns de 2011, a banda sueca Graveyard sobe a passos largos para se tornar uma das preferidas de quem curte hard rock com aquela típica sonoridade setentista. Com apenas dois discos – Graveyard (2007) e Hisingen Blues (2011) -, o quarteto mostra que tem talento de sobra. Em tempo: o sensacional Hisingen Blues ganhará lançamento nacional via Hellion Records em breve!


Fleshgod Apocalypse

Da Itália vem uma das bandas mais originais dos últimos anos. O Fleshgod Apocalypse une o lado mais brutal e extremo do death metal com a sofisticação e a riqueza melódica e harmônica da música clássica. O resultado é um som único, intenso e inquietante. Os dois discos do grupo – Oracles (2009) e Agony (2011) – merecem uma audição atenta, pois são obras, no mínimo, impressionantes.


Samsara Blues Experiment

Alemães, os caras do Samsara Blues Experiment unem o peso característico do do hard à psicodelia, criando algo como um stoner embebido em generosas doses de ácido. Ao vivo a banda voa ainda mais alto, soando como uma autêntica jam band, levando às suas composições ao limite. Com dois discos na bagagem – Long Distance Trip (2010) e Revelation & Mystery (2011) -, é a banda perfeita para aquele seu amigo que acha que nada de bom foi produzido depois de 1972.


Blood Ceremony

Espécie de versão headbanger do Flautista de Hamelin, o Blood Ceremony vem do Canadá. A figura central da banda é a bela Alia O'Brien, responsável pelos vocais e pela flauta, que dá uma cara única ao som do grupo. Com dois discos já lançados – Blood Ceremony (2008) e Living with the Ancients (2011) -, o Blood Ceremony agrada pela intensa musicalidade, que vai do doom metal ao rock psicodélico. Ouça e apaixone-se!


Devil

Essa banda norueguesa lançou o seu primeiro disco agora em 2011. Time to Repent recebeu críticas positicas e vem chamando a atenção por apresentar um heavy metal bastante influenciado por nomes como Black Sabbath e Pentagram. Ou seja, o lance aqui é aquele metal sombrio e escuro típico dos anos setenta, baseado nos riffs de guitarra. Ouça, você vai adorar!


Kyng

Esse trio californiano acabou de lançar o seu primeiro disco, o excelente Trampled Sun. O som é aquele clássico stoner com enormes doses de testosterona, que vai do hard ao heavy metal sem maiores cerimônias. A principal influência dos caras é o Black Sabbath. A banda tem talento e sabe criar composições cativantes, como o hit “Falling Down”. Para mim, um dos melhores discos do ano.


22 de nov de 2011

Mastodon: máscara com a capa do último álbum

terça-feira, novembro 22, 2011

O Mastodon lançou mais um produto em sua loja oficial. Agora, a banda liberou para os seus fãs uma máscara com a criatura que está na capa de seu último álbum, o sensacional The Hunter.

A máscara, produzida com um material plástico grosso, foi totalmente feita e pintada à mão, e será disponibilizada em uma quantidade limitada. Cada uma das unidades será numerada, atiçando ainda mais os colecionadores.


MaYan: crítica do álbum 'Quarterpast' (2011)

terça-feira, novembro 22, 2011

Nota: 8,5

O MaYan é um projeto criado e capitaneado por Mark Jansen, conhecido em todo o mundo pelo seu trabalho no Epica e no After Forever. Aqui, Jansen criou uma banda de death metal sinfônico onde explora a sua fascinação pela civilização Maia. Ao lado de Mark estão os parceiros de Epica Simone Simmons, Isaac Delahaye (guitarra) e Ariën van Weesenbeek (bateria), além de Floor Jansen (ex-After Forever), Henning Basse (vocal, Sons of Seasons), Frank Schiphorst (guitarra), Rob van der Loo (baixo) e Jack Driessen (teclado).

Na capa do disco, abaixo do título, há a frase “Death Symphonic Metal Opera”, e ela resume com perfeição o que as faixas de Quarterpast entregam ao ouvinte. As composições são longas e cheias de mudanças de andamento e climas, proporcionando uma sonoridade surpreendente. Em relação ao Epica, o som do MaYan é muito mais pesado, soturno e até mesmo extremo, revelando uma faceta não tão explorada por Mark Jansen.

O foco é o heavy metal. Passagens orquestrais e coros estão sempre presentes, mas o metal é que dá as cartas em todas as composições. Essa característica faz com que algumas composições soem próximas ao que o Dimmu Borgir vem fazendo em seus últimos álbuns, mas com uma bem-vinda dose menor de grandiloquência e muito menos pomposo.

Os vocais guturais de Jansen são um destaque à parte, assim como o excelente trabalho de guitarra e a bateria criativa de Weesenbeek. Vozes guturais contrastam com as intervenções quase divinas e angelicais de Simone Simmons e Floor Jansen, enquanto que, na parte instrumental, os riffs de guitarra exploram todo o expectro do death metal, amparados por batidas agressivas e blast beats.

O trabalho de composição foi muito bem feito, e o resultado é um tracklist consistente, onde o destaque está no conjunto. Mesmo assim algumas faixas acabam se sobressaindo, como a abertura com “Symphony of Aggression”, “Course of Life”, “Drown the Demon” e o single “War on Terror”.

Quarterpast é um disco muito bom, que mostra um dos músicos mais criativos do metal atual explorando a faceta mais extrema de sua musicalidade. Uma grata surpresa que vale o play, e com o repeat acionado!


Faixas:
  1. Symphony of Aggression
  2. Mainstay of Society
  3. Quarterpast
  4. Course of Life
  5. The Savage Massacre
  6. Essenza di te
  7. Bite the Bullet
  8. Drown the Demon
  9. Celibate Aphrodite
  10. War on Terror
  11. Tithe

21 de nov de 2011

Metal Open Air: algumas questões sobre o “Wacken” brasileiro

segunda-feira, novembro 21, 2011

Antes de mais nada, faço questão de deixar duas coisas bem claras. Em primeiro lugar, acho que já passou da hora de o Brasil ter um festival anual e exclusivo de heavy metal, nos moldes do Wacken Open Air e outros festivais europeus. Em segundo, não vejo problema algum em ele ser fora de São Paulo e da região sudeste. Muito pelo contrário, simpatizo com essa ideia.

Agora, vamos aos fatos. Como vocês sabem, todo mundo que consome heavy metal no Brasil só fala de uma coisa: a possível realização de um fesival em São Luís do Maranhão. A notícia surgiu no site da produtora do evento, foi amplificada através do maior e mais lido site de metal do país – o Whiplash – e alcançou até a página do Consulado Alemão em nosso país, que publicou uma matéria a respeito. Ou seja, tudo indica que o festival irá ocorrer, mas é preciso discutir alguns pontos.

Seria um sonho ter uma edição do Wacken, o maior e mais importante festival de heavy metal do mundo, em nosso país, mas algumas dúvidas fizeram com que surgissem umas pulguinhas atrás de cada uma das minhas orelhas. Por isso, entrei em contato com pessoas do meio, dei uma investigada nos bastidores e coletei algumas informações a respeito, que vou compartilhar com vocês.

A ICS, empresa que produz o Wacken na Alemanha, tem interesse em realizar uma edição do festival em nosso país há anos. Inclusive, diversos rumores surgiram ano após ano sobre uma possível versão do festival em nosso país, mas nunca saíram do papel. Dessa vez, no entanto, a própria ICS estava envolvida na realização. A ideia dos alemães era realizar um grande festival na região sudeste ou, em segundo caso devido aos custos, um festival menor e itinerante que passaria, a princípio, pelas cidades de São Paulo, Rio de Janeiro, Buenos Aires e Santigo do Chile.

Aqui no Brasil, a ICS entrou em contato com a Negri Concerts, uma das mais respeitadas produtoras de shows de nosso país, responsável por inúmeros eventos na capital paulista e em outras cidades brasileiras. Além disso, o empresário maranhense dono da Lamparina Produções também estava envolvido desde o início, e não abriu mão de que o festival tivesse como local a sua terra natal. Até aí nenhum problema. As negociações entre a ICS, a Negri e o empresário evoluíram e se desenvolveram, mas chegaram em um ponto onde a coisa emperrou. Foi realizado um levantamento de custos para se chegar à quantia necessária para tirar o festival do papel, bandas foram sondadas – aquela enquete no Whiplash era, na verdade, uma sondagem informal para sacar quais dos grupos sugeridos pelos organizadores em um primeiro momento possuem mais público em nosso país -, mas, ao se chegar a um número final, aconteceu algo inesperado. Ao ver os custos estimados para a produção do Wacken aqui no Brasil – e sim, o festival iria se chamar Wacken Brasil -, a ICS desistiu do projeto por julgar que tudo ficou muito caro e seria inviável. A saída da ICS do jogo complica as coisas porque os caras, além de produtores do Wacken, são uma das empresas mais respeitadas do ramo em todo o mundo, o que garante a seriedade de qualquer evento junto não só às bandas, mas a todas as pessoas envolvidas. Ao deixar o projeto, a ICS também deixa um ponto de interrogação sobre a sua realização ou não.

Inegavelmente, os custos para realizar o festival em São Luís do Maranhão são mais baixos do que para realizar o mesmo evento em São Paulo. Mas então, como os caras se retiraram do projeto devido aos custos elevados? Por uma razão muito simples: segundo as informações que obti, não existe nenhuma empresa no Maranhão, ou naquela região, com experiência e know-how suficientes para tirar do papel um evento desse porte. Toda a mão de obra, equipe técnica e equipamento necessários teriam que ser trazidos de São Paulo, encarecendo – e muito – o custo final. Isso fez com que a ICS saísse do projeto.

Além disso, gente importante envolvida com o mercado heavy metal no Brasil foi sondada pelos alemães sobre a viabilidade de realizar o festival no Maranhão, e todos os consultados levantaram algumas questões que poderiam dificultar a produção do Wacken na região nordeste, como o clima extremamente quente e úmido, a falta de estrutura médica e hospitalar e outras ressalvas. Aqui, deixa eu fazer um comentário pra deixar uma coisa bem clara: essa não é uma opinião minha, mas das pessoas consultadas pelos gringos. Não conheço São Luís e não sei absolutamente nada sobre a estrutura da cidade. Não tenho nada contra os maranhenses e, por extensão, toda a região nordeste, muito pelo contrário, como já disse no início deste texto.

A questão atual é que o Wacken brasileiro, que, por essas razões, precisou mudar de nome e agora se chama Metal Open Air, está em uma situação delicada. A ICS publicou um comunicado no site oficial do Wacken dizendo que não tem nada a ver com o festival. Já a Lamparina e a Negri divulgaram também um comunicado oficial declarando que estão juntas a uma “grande produtora internacional”, mas não deram o nome dessa tal produtora. Pelo histórico do festival em nosso país, que já foi anunciado e cancelado algumas vezes nos últimos anos, é normal que, mesmo tomados pela empolgação, não só o público, mas também a imprensa brasileira especializada em metal, fique desconfiada com isso tudo.

Eu, sinceramente, espero que tudo se resolva e que nós possamos ter um grande evento totalmente dedicado ao heavy metal aqui no Brasil, porém, devido a tudo o que aconteceu nos últimos dias, recomendo que a alegria e o entusiasmo que tomavam conta de todos dêem lugar a uma visão mais cautelosa até segunda ordem. No momento, o que temos é um grande ponto de interrogação sobre o assunto, portanto deixo aberto esse espaço para que os envolvidos na realização Metal Open Air possam nos dar a real sobre como está o andamento da produção. E, claro, peço que todos vocês que lêem o blog compartilhem nos comentários tudo o que souberem ou vierem a descobrir sobre o Metal Open Air, para que juntos a gente consiga lançar um feixe de luz sobre tudo isso.

Lollapalooza Brasil: confira o line-up final do festival

segunda-feira, novembro 21, 2011

Perry Farrell, vocalista do Jane's Addiction e idelizador do Lollapalooza, esteve pessoalmente hoje pela manhã na coletiva de imprensa que anunciou oficialmente as atrações da primeira edição brasileira do festival.

O Lollapalooza Brasil acontecerá no Jockey Club, em São Paulo, nos dias 7 e 8 de abril de 2012. Serão cinco palcos diferentes, por onde passarão Foo Fighters, Arctic Monkeys, Jane's Addiction, MGMT, TV On the Radio, Calvin Harris, Cage the Elephant, Band of Horses, Joan Jett and the Blackhearts, Foster the People, Friendly Fires, Gogol Bordello, Peaches, Tinie Tempah, Crystal Method, Thievery Corporation, Skrillex, Bassnectar, Pretty Lights, PerryEtty vs Carl Cox e Rhythm Monks.

As bandas nacionais que tocarão serão O Rappa, Plebe Rude, Wander Wildner, Marcelo Nova, Cascadura, Pavilhão 9, Tipo Uísque, Suvaca de Prata, Veiga & Salazar, Balls, Blubell, Velhas Virgens, Garage Fuzz, Marcio Techjun e Daniel Brandão. A organização do evento informou ainda que os grupos brasileiros se apresentação durante todo o dia e não apenas no período das 10 às 15 horas, conforme divulgado pelo cantor Lobão – que se recusou a participar do festival – nesse final de semana.

A previsão é que o público de cada um dos dias fique em torno de 70 mil pessoas. Os ingressos começam a ser vendidos à meia-noite dessa terça-feira, no site do Lollapalooza Brasil.

A maior atração é, sem dúvida alguma, o Foo Fighters, que gravou um dos melhores discos de 2011 – o excelente Wasting Light – e voltará ao Brasil naquele que é, provavelmente, o ponto mais alto de sua carreira.


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