22 de abr de 2012

Ainda sobre o Metal Open Air



Vou ser sincero com vocês: cansei de tudo o que envolve esse Metal Open Air. O nível de picaretagem e má fé dos promotores do evento chegou ao ponto de ontem, sábado 21/04, eles cancelarem o festival e depois voltarem atrás e cancelarem o cancelamento. Eu nunca vi isso antes!


Depois, Felipe Negri, um dos falcatruas, responsável pela Negri Concerts, foi nas redes sociais dizer que ele e sua namorada haviam sido sequestrados e espancados por Natanael Ferreira Jr e sua gangue da Lamparina Produções, a outra empresa (ir)responsável pelo evento - leia aqui.


Para explicar para as milhares de pessoas que estavam em São Luís para assistir aos shows porque as bandas foram cancelados em sequência, Negri, Natanael e toda a corja envolvida na produção e organização do MOA simplesmente não deram as caras, e ainda não tocaram no assunto enquanto escrevo este texto, no domingo, 22/04, pela manhã. Estranho, não? 


E tem mais: ao invés de se justificar sobre tudo o que ocorreu, Felipe Negri fez o caminho inverso e saiu ameaçando e discursando que não distribuirá mais credenciamento para todos os sites e revistas que falaram mal do MOA. Não vai mais ter cobertura dos shows promovidos pela Negri Concerts - isso se eles saírem -, é isso, então? Como se a culpa pelo não pagamento das passagens e dos cachês das bandas fosse da Collector's Room, da Van do Halen, do Whiplash. Sim, nós todos, juntos e ao mesmo tempo, enviamos dezenas de SMS para todos os músicos e ordenamos que eles não viessem para o Brasil. Acorda, 171!!!


Enquanto isso, o esquizofrênico e perturbado Edu Falaschi, vocalista do Almah - e não do Angra, apesar de ele, e só ele, ainda acreditar nisso -, segue lançando textos mal escritos e repletos de contradições pela internet. Sinceramente, esse cara tem sérios problemas psicológicos ou vive totalmente fora do ar em um mundo paralelo alimentado apenas pelo seu próprio ego. Já o castrato bombado Thiago Bianchi faz de conta que não é com ele e posta dezenas de fotos de São Luís em suas redes sociais, dizendo o quanto a cidade é linda. Na boa Thiago, eu sei disso, a cidade é realmente demais, e é uma pena que ela tenha ficado marcada pela má fé dos caras da Lamparina e da Negri, que devem, na minha opinião, responder na justiça por tudo o que fizeram.


Para piorar mais ainda, as bandas já começam a olhar o Brasil com outros olhos. O Blind Guardian, em seu comunicado oficial sobre o cancelamento de sua apresentação no MOA, deixou claro que vai pensar duas vezes antes de aceitar convites parecidos. O freak show realizado no Maranhão - e que ganhou o apropriado apelido de Migué Open Air - virou notícia também nos dois principais sites sobre heavy metal em todo o mundo, o Bravewords e o Blabblermouth, expondo ao ridículo - não sem motivo, diga-se de passagem - a cena do nosso país.


Tudo o que publicamos nos últimos dias sobre o festival vai se revelando verdade para as pessoas - porque, para nós aqui da Collector's, a coisa já estava bem clara desde quando começaram a surgir os primeiros problemas, na quinta-feira, dia 19/04, apesar de que era difícil imaginar que tudo chegaria ao ponto que chegou - leia tudo o que publicamos sobre o MOA aqui.


Que esse show de horrores sirva de lição para todos que estão envolvidos com heavy metal aqui no Brasil - fãs, imprensa e músicos. Que tudo isso marque um novo início, mais transparente e profissional. 


Falando exclusivamente da imprensa, temos que ser menos fãs e mais isentos, imparciais. É só assim que chegaremos ao profissionalismo. Chega de troca de favores, de permutas. Quer um texto para a sua revista? Então me pague em dinheiro, e não pela "exposição" e "credibilidade" que eu vou conseguir - essas duas coisas eu conquisto sozinho. A banda do seu amigo fez um disco ruim e quer que você avalie? Que bom, então escreva, com todas as letras, que o disco é ruim e diga porque. Não passe a mão na cabeça. Você quer apoiar as bandas nacionais? Eu também quero, mas não é dando nota 10 para todo disco lançado por uma banda brasileira que você vai fazer as nossas bandas se desenvolverem - muito pelo contrário.


Ninguém detém o monopólio da comunicação, das informações, sobre heavy metal aqui no Brasil. Isso é um fato, e quem pensa diferente disso tem que atualizar, e muito, o seu modo de ver as coisas.


É preciso mais isenção, mais distanciamento. É preciso menos corporativismo e tapinhas nas costas dos amigos e "parceiros".


Enfim, é preciso mais profissionalismo - das bandas, da imprensa, dos promotores. Enfim, de todo mundo. Quem sai ganhando com isso são os fãs e toda a cena.

7 comentários:

Tite disse...

Já falei e repito acho difícil após a data de hj a "Negri" como "produtora continuar existindo, vão sumir devido as ações judiciais e quando a poeira baixar voltarão com outro nome....

É o mesmo caso por exemplo das torcidas de futebol: "O ministério público proibiu a Mancha Verde de e decretou sua extinção" Logo depois surgiu a Mancha ALVI Verde...

Unknown disse...

É isso aí Ricardo, chega de bater no peito e posar de herói da cena, de músico injustiçado e na hora de cumprir com seus deveres e obrigaçoēs agir como um moleque. A música e o entretenimento dos fãs só exige amor e paixão, mas de quem quer tirar disso seu ganha pão tem que agir com profissionalismo e competência. Será que esse Felipe Negri tem noção do que ele provocou? Da repercussão dessa palhaçada que foi esse MOA, das pessoas prejudicadas? Parece que não, pois pelo jeito o cara de pau ainda quer continuar a promover shows por aqui. A gora cabe aos fãs que não são idiotas boicotarem qualquer evento que esse cara estiver a frente, dessa forma vamos ver se realmente os "metaleiros como diz o Falschi" são realmente um público inteligente. Parabéns pela cobertura desse desastre.

Pedro Martins disse...

Gostei bastante das partes do final 'A banda do seu amigo fez um disco ruim e quer que você avalie? Que bom, então escreva, com todas as letras, que o disco é ruim e diga porque.' e 'É preciso mais isenção, mais distanciamento. É preciso menos corporativismo e tapinhas nas costas dos amigos e "parceiros".'

O povo precisa aprender que críticas podem ser construtivas, podem mostrar falhas e pontos de melhorias. Muitos músicos acham que suas músicas são boas o suficiente e que não precisam de uma "polida" para melhorar. Muitos gostam de colocar longos trechos de instrumentais sofisticados, mas não percebem que isso pode deixar uma música que tinha tudo para ser legal em uma coisa maçante. Outros, pelo contrário, acham que quanto mais tosco, melhor.

Enquanto o pessoal não aprender a assimilar críticas para melhorar, nunca teremos bandas de fato boas para o mercado externo. Basta ver quantas se lançaram lá fora e que deram retorno. Quem conseguiu isso foram aquelas que agiram profissionalmente. Desde o tempo do Sepultura era assim, mas ainda hoje muitos pecam pelo amadorismo.

abusername disse...

Quase 10 anos atrás aconteceu algo muito semelhante na cena do metal nacional envolvendo uma suposta gravadora chamada Frontline Records que veio com uma enchurrada de promessas e acabou envolvendo bandas como Shadowside, Akashic (uma das maiores promessas do Brasil que tinha o Marco De Ros como um dos integrantes), Fates Prophecy, Silent, Exhort, Transfixion, Destra, Astra (essa que acabou tomando uma postura semelhante ao do Edu Falaschi e Thiago Bianchi de "vamos nos dar bem" que acabou saindo pela culatra), além das classicas Harppia, Atomica e muitos outros nomes internacionais, revistas, produtores e profissionais do meio numa falcatrua muito semelhante e quase tão grande quanto essa do MOA. Essas coisas nunca deveriam ser esquecidas pois prova que de tempos em tempos sempre vão aparecer pessoas com essa índole destruindo um trabalho que foi construido durante anos com o tão judiado e injustamente desvalorizado nome do METAL nacional.

SCOBAR disse...

Também destaco essa parte:

"Falando exclusivamente da imprensa, temos que ser menos fãs e mais isentos, imparciais. É só assim que chegaremos ao profissionalismo. Chega de troca de favores, de permutas. Quer um texto para a sua revista? Então me pague em dinheiro, e não pela "exposição" e "credibilidade" que eu vou conseguir - essas duas coisas eu conquisto sozinho. A banda do seu amigo fez um disco ruim e quer que você avalie? Que bom, então escreva, com todas as letras, que o disco é ruim e diga porque. Não passe a mão na cabeça. Você quer apoiar as bandas nacionais? Eu também quero, mas não é dando nota 10 para todo disco lançado por uma banda brasileira que você vai fazer as nossas bandas se desenvolverem - muito pelo contrário."

---> é uma pena que por escrever JUSTAMENTE ISSO nos comentários deste MESMO blog, recentemente, fui censurado e sofri críticas, inclusive do próprio Ricardo. Vai entender... mas, novamente, parabéns pelo texto. Como já disse, parece que o blog vem evoluindo :)

biscoitagem disse...

Texto muito bom!

rafavrin disse...

Realmente tudo isso foi a prova de incompetência em todas as áreas neste país. Sim, existem competentes em todos os lugares, mas por quê a picaretagem sempre vence? Eu tenho a resposta. Pporque a sociedade é covarde e não toma as rédeas da situação, esperando sempre que alguém faça algo por todos. Isso se reflete na política, no futebol, nos festivais. Onde estavam os órgãos responsáveis pela fiscalização do evento? Se não havia condições sanitárias já é o motivo para a não realização da festa. Isso já basta. É preciso cobrar das autoridades, pois correr atrás dos picaretas é chover no molhado. As pessoas que foram a este lixo devem se sentir envergonhadas e processar os organizadores e aténo estado, que não fiscalizou e não tomou as atitudes necessárias para não permitir que acontecesse uma tragédia. Já chega. Heavy Metal é atitude. Quero ver agora quem são os verdadeiros headbangers.

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