Coleção Original Album Series: para conhecer boa música ou presentear os amigos

Com a premissa de reunir cinco discos clássicos de determinado artista ou grupo em uma única embalagem, a série Original Album Series começa a ganhar terreno e despertar a curiosidade dos poucos e bons que ainda nutrem paixão pelos discos. O catálogo já conta com nomes de peso do rock ao jazz e, em alguns casos, acertou em cheio na seleção dos álbuns. Devido ao formato, que despreza a existência de encartes e livretos — os CDs vêm em capinhas individuais de papelão, imitando mini LPs —, talvez não seja a melhor opção para colecionadores hardcore. Mas só a iniciativa de colocar de volta no mercado obras que há tempos não viam saída ou eram difíceis de encontrar já deve ser encarada como algo louvável.

 
Nos últimos três meses adquiri três desses boxes — a preços bem convidativos, diga-se de passagem — e eu não poderia estar mais satisfeito. O primeiro deles foi o do Faith No More, que reúne os quatro álbuns de estúdio da fase Mike Patton - The Real Thing (1989), Angel Dust (1992), King for a Day, Fool for a Lifetime (1995) e Album of the Year (1997), além do ao vivo Live at the Brixton Academy (1990). Então, resolvi presentear o meu velho com o volume dedicado a Tom Jobim, que inclui The Wonderful World of Antonio Carlos Jobim (1964), Love, Strings and Jobim (1966), A Certain Mr. Jobim (1965), Urubu (1975) e Terra Brasilis (1980).

Até que me deparei com este aqui, em promoção imperdível. Não pensei duas vezes. Em Alice Cooper Original Album Series, o foco nos clássicos dá lugar ao foco nos primórdios. Com isso, álbuns que teriam presença garantida num top 5 da Tia Alice — como Welcome to My Nightmare (1975) e Trash (1989) — cedem a vez para os entediantes Pretties For You (1969) e Easy Action (1970). Completam a lista Love It to Death (1971), Killer (1971) e School's Out (1972). Ou seja, o box compreende cinco dos sete discos registrados pelo Alice Cooper quando o nome se referia ao grupo e não à figura de seu vocalista.

Talvez o disco mais importante do box set seja Love It to Death, lançado em fevereiro de 1971. A história nos conta que depois do fiasco de Pretties for You e Easy Action, o produtor Bob Ezrin foi chamado para tornar o som do Alice mais redondo e acessível. Em Love It to Death, a banda disse adeus à psicodelia em favor de um som mais cru, um rock baseado em guitarras e refrões, visando colocar em prática o conceito de apresentações visuais — ou abrir as portas do circo dos horrores, tanto faz. O toque de Midas de Ezrin deu ao Alice seu primeiro hit, "I'm Eighteen", e pavimentou o caminho do grupo para o mainstream. Entre as prediletas dos fãs estão "Is It My Body?" e "Ballad of Dwight Fry", que é, provavelmente, a primeira canção do repertório de Alice a qual podemos conferir o adjetivo “teatral”.


Vale destacar que a capa de Love It to Death lançada em Original Album Series é a versão clean — a original foi censurada devido à ilusão de ótica provocada pelo polegar direito de Alice. E eu duvido que você não enxergue um pênis ao primeiro contato visual (vá até o Google e dê uma conferida).

Em time que está ganhando não se mexe, certo? Pois bem, em um espaço de dez meses, Alice e Ezrin reapareceriam nas paradas com Killer, cujo lado A no vinil inclui nada menos que "Under My Wheels", "Be My Lover", "Halo of Flies" e "Desperado", escrita em tributo a Jim Morrison, morto em julho daquele ano.

O intervalo entre Killer e seu sucessor foi ainda menor — apenas sete meses. Embalado por sua faixa-título, School's Out teve alta expressão em vendas e colocou a Titia em segundo lugar no Billboard 200.

Vale mencionar que a qualidade do áudio é estupenda, principalmente se rememorarmos o quão toscas eram as gravações da época.

Coleciono discos há mais de uma década, portanto, me sinto em condições de afirmar que Original Album Series, seja você roqueiro ou jazzista, é muito mais do que uma opção de presente bacana a preço baixo — é uma excelente oportunidade de conhecer mais a fundo (e pagando pouco) a obra de artistas e bandas que fizeram a diferença.

Por Marcelo Vieira

Comentários

  1. Valeu pela dica! São magníficos os box's...comprei o do Tom Jobim para minha namorada.

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  2. Comprei um do Van Halen com 3 cds...

    Estou namorando esse do Faith No More e outro do Pantera faz um tempo já...

    Mas o lance de não te rencartes e tal é meio foda pra quem curte isso...

    É bem o que foi escrito aí em cima, ótimo presente e ótimo custo benefício, mas se você é colecionador, passe longe...

    Boa matéria!!!

    Aliás, algo aconteceu, porque a frequência de materias diminuiu...

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  3. Eu comprei um box dessa serie com os cd's do A-ha e dei de presente de aniversario pra minha irmã. Ela adorou!!! Lembro de ter encontrado dessa serie box com cd's do Fleetwood Mac, Pantera, Dream Theater e America. Pretendo comprar alguns dos citados acima num futuro proximo!!

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  4. Eu comprei o do ZZ Top porque os preços dos cd's individuais estavam muito altos.

    Esse box do Alice Cooper, eu achei entediante por causa dos dois primeiros, mas no fundo vale a pena para quem não tem nada e quer colecionar porque os dois primeiros álbuns individuais são caríssimos na casa dos R$ 70,00 cada.

    Para mim já não é interessante porque três eu já tenho e como os dois primeiros eu já ouvi e não gostei e por isso jamais os comprarei. E tem um detalhe no caso do Alice Cooper, o encarte, pois nos cd's eles não tem nada são sequinhos então desse ponto de vista compensa.

    É uma opção relativamente mais barata.

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  5. Me interessei em comprar o do ZZ Top, mas não tenho certeza se a versão é a original da década de 70 ou se é aquele versão com um som de bateria horrendo da década de 80.

    Sei que no exterior tem um box com a masterização original, mas a chance desse box nacional ser dessa versão é pequena.

    Mas essa coleção é muito legal, tenho alguns na mira.

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  6. Oi Diego
    O Som da caixinha do ZZtop é do mix oitentista tosco...se te incomoda passe bem longe
    A falta de encartes é chato...poderia fazer que nem o do System of Down que é barato e tem os encartes...
    A caixinha de papelão eu acho muito legal...pois imita um mini LP e não fica acumulando riscos e nem quebra que nem as caixas normais (plástico) de CDs

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  7. Valeu a dica Fabio RT, me incomoda muito este som...hehehe

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  8. Muito legal mesmo! Eu tenho esse box aí do Alice Cooper. Recomendo! Ótimo 'custo benefício'...

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  9. Comprem pela amazon.uk...sai mais barato que no Brasil e ainda tem muuuuuuuito mais titulos! Fica a dica! Abraço

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  10. Bom mesmo, comprei o do Dream Theater por um preço especial no Submarino...na Galeria do Rock está quase o dobro.

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  11. Tenho o do little feat e do Dr. john que são importados , é legal , mas quando achar o cd com encarte vou adquirir.

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  12. Este comentário foi removido pelo autor.

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  13. Os caras reclamam que a venda de CDs está diminuindo, mas não baixam o preço. Uma caixinha dessas na Inglaterra sai por 12 libras (36 a 40 reais), aqui por 74 reais (edição nacional) dá pra entender?

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