Os melhores discos de março segundo a equipe da Collectors Room

Mais uma novidade no site: a partir de agora, publicaremos todos os meses uma lista com os melhores álbuns lançados nos últimos 30 dias segundo a nossa equipe. Cada um dos redatores apontará um título e fará uma breve resenha do mesmo, tornando o caminho mais fácil para você saber o que vale a pena ouvir. Além de novos discos, valem também edições especiais, boxes e afins.

Para começar, os melhores discos lançados em março.

Morbus Chron - Sweven

Se no debut Sleepers in the Rift (2011) o Morbus Chron apostava alto nos ensinamentos de Entombed, Grave, Carnage e Dismember, tornando-se até um forte candidato ao posto de clássico contemporâneo da escola sueca do death metal, com Sweven a banda rompe esse caráter de simples tributo, extrapola a zona de conforto e expande com louvor as fronteiras do gênero. Ousa e acerta justamente por não se prender em uma fórmula vigente. Uma fórmula de sucesso, mas já um pouco cansada. Apesar de depender de algumas audições para ser entendido por completo - a princípio, dá a impressão de ser pouco energético e não tão contundente -, Sweven cresce ao ponto em que vai sendo destrinchado. Em seguida, torna-se uma obra-prima. Uma pedra rara. O disco mais desafiador de 2014 até agora. E também o melhor. (Guilherme Gonçalves)

Pantera - Far Beyond Driven 20th Anniversary Deluxe Edition
Comemorando os vinte anos de seu disco mais bem sucedido, o Pantera soltou no final de março uma edição especial de Far Beyond Driven. A nova versão traz as 12 faixas originais e mais um CD extra com nova músicas gravadas ao vivo em Donington, em 1994. O álbum resgata uma das sonoridades mais originais, influentes e inovadoras do heavy metal, encerrada abruptamente com o assassinato de Dimebag Darrell em 2004. Passadas duas décadas de sua gravação, Far Beyond Driven segue soando como um soco na cara, um pataço no estômago, um sacode geral. Faixas como “Becoming”, “5 Minutes Alone” e, principalmente, “I’m Broken”, são provas vivas do poder de fogo do Pantera no auge dos seus poderes. Indicadíssimo! (Ricardo Seelig)

Destrage - Are You Kidding Me? No.

Imagine que este quinteto italiano convide você para acompanhar como o seu novo disco é preparado. Primeiramente, você deve separar um post hardcore com ares progressivos no melhor estilo Protest The Hero e misturar com a complexidade rítmica de um Between The Buried and Me, em cima de uma forma untada com aquela quebradeira inesperada típicas do SiKth ou do Strapping Young Lad. Feito isso, em uma tigela separada adicione livremente o avant garde a lá Diablo Swing Orchestra ou Dog Fashion Disco, pitadas de technical death metal e dubstep orquestrado extraído do mais fino Born of Osiris, além de milimetricamente calculadas doses de música tradicional italiana e espanhola. Junte tudo e cubra com o bom humor satírico típico da safra noventista de um Faith No More ou um Green Jelly.  O resultado? Bem, uma massa disforme, de coloração esquisita e com odor que praticamente contrai o nariz. Mas basta provar apenas por um segundo a receita de Are You Kidding Me? No. para que se convença de que está a frente de um dos mais intrigantes e dinâmicos trabalhos do ano até o momento (talvez desta década). Apesar dos controversos ingredientes, é como se, ao ser absorvido, cada um dos sabores apareça de forma totalmente encaixada em seu devido momento. Você apenas quer repetir a degustação, com medo de que alguma das sensações tenha passado despercebida. O Destrage pode ter iniciado sua carreira como uma banda de post hardcore e thrash metal, apenas com ligeiras inserções destas influências citadas acima (vide Urban Being, de 2009, e The King is Fat’n’Old, de 2010), mas foi em 2014 que chutaram o balde de uma vez por todas com Are You Kidding Me? No.. E o balde foi direto na minha testa, na sua testa, e na testa de todos que não esperavam algo realmente genuíno já no início do ano. (Rodrigo Carvalho)

Cage The Gods – Badlands

A edição de janeiro da Classic Rock aponta o Cage The Gods como uma das grandes promessas para 2014 — "these British rockers could be huge", assegura a publicação. De fato, o quarteto mostra para o que veio em Badlands, seu disco de estreia, lançado no último dia 25. O som é como se fosse um tratado entre o velho e o novo — o vocal Peter Comerford busca incessantemente soar feito um Jon Bon Jovi das antigas enquanto a instrumental de timbres gordos e potentes sintoniza com o hard rock contemporâneo. Faltou apenas alguém gabaritado para lapidar as músicas que, certas horas, pecam por serem jovens demais. Mas se a largada foi dada com tamanha qualidade, só nos resta esperar tempos ainda melhores ao longo da prova. O vídeo para a música "Favourite Sin", previamente lançada num EP em novembro do ano passado, já ultrapassou as 20 mil visualizações no YouTube e a banda está confirmada no line-up do próximo Download Festival, em junho. (Marcelo Vieira)

Equipe Collectors Room

Comentários

  1. lista boa....mas onde esta o Dirge com seu espetacular "hyperion"? esse play é o melhor de 2014!

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  2. Esse disco do Destrage ficou muito bom mesmo! "... cubra com o bom humor satírico típico da safra noventista de um Faith No More...", tive essa mesmíssima sensação! Aliás, a menção ao PTH foi totalmente pertinente; me lembraram, também, o Dillinger Escape Plan, na versatilidade do vocalista, principalmente.

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  3. @ Manga Edu:

    O Hyperion do Dirge é um absurdo, mesmo! Era uma das minhas três opções ao escolher o melhor álbum de março, e o Destrage venceu pela singularidade.

    @ Patrick

    Com certeza, o The Dillinger Escape Plan é outra referência fortíssima no som deles! Principalmente no caos sonoro hehehe.

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  4. Rodrigo esse play do Destrage é uma loucura! huehuahe o que é isso cara? um excelente play! vlw pela dica!

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  5. Mais dicas legais para quem segue o site e fica perdido na hora de escolher o que ouvir. Obrigado!

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  6. Estava pra mandar um email pedindo pra vocês falarem do Destrage, mas vocês foram mais rápidos!

    Descobri a banda um pouco depois to The King Is Fat'N'Old e esperava ansiosamente por esse disco. E eles conseguiram me deixar estupefados!

    Até agora, o melhor disco de 2014, na minha opinião.

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