29 de nov de 2014

Crítica do livro A Batalha Pela Alma dos Beatles, de Peter Doggett

sábado, novembro 29, 2014

Existem inúmeros livros sobre os Beatles. Centenas, milhares de obras já analisaram a carreira da banda e de seus integrantes, partindo dos mais variados pontos e chegando às mais diversas conclusões. No entanto, nenhum é como A Batalha Pela Alma dos Beatles (Your Never Give Me Your Money: The Beatles After the Breakup, no título original em inglês), escrito pelo jornalista inglês Peter Doggett. O autor conta, através de uma pesquisa extensa e com grande riqueza de detalhes, a colossal disputa jurídica que envolveu John Lennon, Paul McCartney, George Harrison, Ringo Starr e praticamente qualquer pessoa que tenha cruzado o caminho dos Beatles, após o anúncio do fim do grupo, em 1970.

Baseado em inúmeras entrevistas com os quatro e com dezenas de pessoas que tiveram relacionamento com a banda e seus músicos (assistentes, familiares, roadies, jornalistas, amigos, ...), A Batalha Pela Alma dos Beatles é um livro notável ao lançar inúmeros focos de luz sobre os bastidores de um conflito épico e quase desconhecido do público em geral.

Traçando perfis profundos de Lennon, McCartney, Harrison e Starr, além de Yoko Ono, Linda McCartney, Brian Epstein (primeiro empresário), Allen Klein (substituto de Epstein e segundo empresário do grupo), Lee e John Eastman (respectivamente sogro e cunhado de Paul, e também responsáveis por seus negócios) e os funcionários mais próximos da banda, Doggett revela como os Beatles foram se dissolvendo lentamente desde a morte de Epstein em 1967, passando por longos confrontos jurídicos durante toda a década de 1970 e 1980, processo esse que resultou em rusgas e diferenças profundas e praticamente intransponíveis entre John, Paul, George e Ringo, além de uma contenda aparentemente infinita entre os clãs Lennon e McCartney.

A leitura proporciona um mergulho profundo na mecânica interna dos Beatles, esmiuçando não só como funcionava a banda legalmente, mas também como eram as relações entre seus integrantes. A forma como a Apple, empresa criada pelo quarteto e que tinha como objetivo ser o início de uma nova forma de fazer negócios, se metamorfoseou ao longo das décadas é impressionante, indo de ícone da contracultura à gigante do capitalismo.

Salta aos olhos a inocência que envolveu os negócios dos Beatles ao longo de sua carreira. A época era outra, mas a forma quase amadora com que a banda conduziu suas finanças e assinou contratos que depois se transformaram em enormes dores de cabeça, impressiona. A chegada do controverso Allen Klein ao universo Beatle, substituindo o falecido Brian Epstein, apenas realçou ainda mais os problemas administrativos do grupo. Notório por sua fama de mau caráter, Klein obteve o apoio quase incondicional de John, George e Ringo, e, simultaneamente, a antipatia imediata de Paul, razão pela qual as disputas entre os músicos acabaram indo parar nas cortes inglesas.

Outro ponto que merece destaque e surpreende o leitor é o quão próximo de se reunir o quarteto esteve em diversas ocasiões até a morte de Lennon, em 8 de dezembro de 1980. Encontros não divulgados, intenções mútuas de aproximação, parcerias não finalizadas: o que não faltaram foram contatos pessoais e criativos entre os quatro músicos durante toda a década de 1970, deixando a banda a um passo de concretizar o sonho de milhões de fãs em todo o planeta.

Extremamente bem escrito e riquíssimo em informações, A Batalha Pela Alma dos Beatles é um livro sensacional. Não apenas uma obra indicada para fãs dos Beatles, mas, sobretudo, uma aula esclarecedora sobre como funciona a máquina administrativa e financeira por trás de uma grande banda, movida a milhares de contratos e zilhões de advogados.

O sonho acabou em 1970, mas aqui ele mostra a sua verdadeira face, nem sempre agradável, porém sempre surpreendente.

Altamente recomendável!

Por Ricardo Seelig

Led Zeppelin: crítica do livro Quando os Gigantes Caminhavam Sobre a Terra, de Mick Wall

sábado, novembro 29, 2014

Tudo que cerca o Led Zeppelin, mesmo passados mais de 30 anos do encerramento das atividades da banda com o falecimento do baterista John Henry Bonham em 25 de setembro de 1980, continua sendo superlativo. Basta relembrar da comoção que foi o show realizado na O2 Arena em dezembro de 2007 e os impressionantes números de venda que Celebration Day, o registro dessa apresentação, ao redor do planeta quando do seu lançamento, em 19 de novembro do ano passado.

Pois bem. Uma história tão grandiosa e repleta de lendas e mistérios como a vivida por Jimmy Page, Robert Plant, John Paul Jones, John Bonham, o manager Peter Grant, seu assistente e leão de chácara Richard Cole e todos que cruzaram o caminho do Led Zeppelin em seus pouco mais de dez anos de vida merecia um registro à altura. Ele existe, e se chama Quando os Gigantes Caminhavam Sobre a Terra, biografia escrita pelo jornalista inglês Mick Wall lançada originalmente na Europa e nos Estados Unidos em 2008 e um ano depois aqui no Brasil.

Mick Wall é um dos jornalistas de rock mais conhecidos e respeitados do Reino Unido. Iniciou a sua carreira na extinta revista Sounds em 1977. Passou pela Virgin Records, fez parte da equipe que criou a Kerrang!, foi editor da Classic Rock e é presença frequente em diversos documentários e programas sobre música. Além disso, iniciou em 1986 uma bem sucedida carreira como escritor, retratanto nas páginas de seus livros as histórias de ídolos como Ozzy Osbourne, Guns N’ Roses, Status Quo, Bono e diversos outros. São de Wall os dois principais livros publicados até hoje sobre o Metallica (Enter Night - Metallica: The Biography, lançado em 2012 no Brasil com o título de Metallica: A Biografia) e Iron Maiden (Run to the Hills: The Authorised Biography, obra inexplicavelmente ainda inédita em nosso país, conhecido em todo o planeta por ser o lar de uma das maiores e mais apaixonadas legiões de fãs do Maiden - alô editoras, abram o olho!).

Quando os Gigantes Caminham Sobre a Terra saiu por aqui em uma belíssima edição publicada pela Larousse. Com capa dura - diferente da original -, papel diferenciado e impressão primorosa de suas 520 páginas, é um deleite para qualquer fã de rock. Mick Wall conta a história sempre partindo de flashbacks montados a partir de sua imensa pesquisa, entrevistas e depoimentos. A prosa de Wall, escritor de mão cheia e que sabe como prender o ouvinte, faz a já fantástica trajetória do Led Zeppelin ficar ainda mais mítica.

Partindo do início do grupo, do exato momento em que Jimmy Page se viu sozinho nos Yardbirds e saiu em busca dos músicos para montar a banda dos sonhos que tinha formatado em sua mente, Wall conta, com grande riqueza de detalhes, tudo o que envolveu o Led Zeppelin em sua pouco mais de uma década de vida. Estão no livro os triunfos, os sucessos, e também o lado negro do quarteto, seja nas depravadas e antológicas experiências com groupies, no consumo industrial de bebidas e drogas, na violência e truculência com que Peter Grant e Richard Cole tratavam qualquer pessoa que cruzasse seus caminhos.

 

Um dos maiores méritos do livro de Wall é mergulhar, de maneira inédita, no interesse de Jimmy Page pela obra de Aleister Crowley e o ocultismo, tão comentado mas pouquíssimo documentado. O livro dedica um longo capítulo, com mais de 50 páginas, para esmiuçar a fundo o envolvimento de Page com Crowley e a magia, e em como a paixão do guitarrista pelo assunto influenciou a carreira da banda. Esse capítulo é exemplar, lançando luz sobre um aspecto da vida de Page sempre cercado por sombras.

O retrato do grupo no auge, hipnotizando plateias em turnês gigantescas pelos Estados Unidos durante a primeira metade da década de 1970 também demonstra a razão que faz do Led Zeppelin uma banda gigantesca e profundamente influente na cultura norte-americana até hoje. Apesar de ingleses, sobre a orientação do astuto e competente Grant o grupo focou todas as suas forças no início da carreira no mercado americano, e essa decisão se mostrou acertada, com os discos do Led batendo recordes e estabelecendo novos padrões de vendas, e também de público, não só nos Estados Unidos, mas em todo o planeta.

Mick Wall não esteve preso a nenhuma limitação ao fazer a sua pesquisa para escrever Quando os Gigantes Caminhavam Sobre a Terra. Isso faz com que o livro não se furte de documentar o quão profundos foram os problemas de toda a banda, e também de Peter Grant e Richard Cole, com as drogas. Page e Bonham sempre foram os mais descontrolados, vivendo a persona de rock stars ao extremo, enquanto Plant e, principalmente, John Paul Jones, eram mais controlados - pero no mucho. O vício de Jimmy Page em álcool, cocaína e heroína o levou ao fundo do poço durante a década de 1980, a forma que o músico encontrou para superar a morte do parceiro de banda e de vida, Bonzo.

A vida pós-Led dos músicos também merece muita atenção de Wall. Esmiuçando a carreira solo de Robert Plant, mostrando o trabalho de produtor e arranjador de John Paul e relatando a busca por um novo caminho de Page, o livro demonstra como, apesar de separados, os três músicos sempre tiveram os seus destinos cruzados ao longo dos anos. É possível perceber, ao chegar ao fim da leitura, as razões que fazem com que Plant não queira retomar o seu posto e reativar a banda ao lado de Page, e, ao entender os motivos do vocalista, é impossível não simpatizar com o seu lado.

Quando os Gigantes Caminhavam Sobre a Terra é a melhor biografia sobre uma banda de rock já publicada, superando até mesmo The Beatles, o gigantesco tratado escrito por Bob Spitz e que conta com quase 1.000 páginas.

Se você gosta de música, de rock, de literatura, ou simplesmente de uma jornada épica e que beira o inacreditável, irá se deliciar com Quando os Gigantes Caminhavam Sobre a Terra.

Recomendadíssimo!

28 de nov de 2014

Gêneros musicais e suas definições

sexta-feira, novembro 28, 2014
O post que publicamos sobre os gêneros predominantes no Rock in Rio levantou várias dúvidas nos leitores sobre a maneira como classificamos os artistas. “Isso não é rock, é pop. Isso não é pop, é rock”. E por aí vai ...

Por esse motivo, fomos atrás e estamos trazendo para vocês uma matéria com a definição, de forma clara e didática, a respeito das características dos gêneros mais populares de música. Abaixo, você tem explicações e exemplos do que é e pode ser classificado como blues, jazz, rock, pop, hard rock e heavy metal.

Para quem quer se aprofundar mais no assunto, indicamos a excepcional página de gêneros do Rate Your Music, que foi a nossa principal referência para definir os estilos e para os exemplos apontados em cada um deles. Boa leitura!

Blues - O blues tem a sua origem no final do século XIX, nas comunidades negras do sul dos Estados Unidos. Ele se desenvolveu a partir dos chamados spirituals, canções que os negros cantavam enquanto realizavam seus trabalhos. Sua estrutura padrão se dá sobre uma progressão de 12 compassos, mas há muitas variações sobre esse ponto de partida.

Na primeira metade do século XX, o blues agregou elementos do jazz e do rhythm & blues, desenvolvendo-se em uma série de sub-gêneros como Delta Blues, Chicago Blues e outros. Depois da Segunda Guerra Mundial, diversos artistas, a maioria vinda da cena de Chicago, eletrificou o gênero, influenciando de forma decisiva o nascimento do rock and roll, do hard rock e do heavy metal.

Exemplos: Robert Johnson, Son House, Nina Simone, Muddy Waters, John Mayall, Albert King, Stevie Ray Vaughan, John Lee Hooker, B.B. King, Buddy Guy.

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Jazz - O jazz se originou no início do século XX também no sul dos Estados Unidos, como uma espécie de variante do ragtime e do blues. Rapidamente conquistou o público, transformando-se em um dos gêneros mais populares da década de 1930, em grande parte graças ao sucesso do swing.

Após a Segunda Guerra Mundial houve uma mudança, com as tradicionais big bands sendo substituídas por grupos menores liderados por um músico específico. Nesse período, durante a década de 1950, surgiram o bebop e o jazz modal, além do jazz cubano e o brasileiro. Ainda na década de 1950, o free jazz começou a tomar forma, e, com a explosão do rock nos anos 1960, encontrou o seu formato clássico durante a década de 1970, com o fusion e o jazz funk.

Apesar das inúmeras mudanças apresentadas em mais de 100 anos, um elemento sempre marcou o jazz: a improvisação.

Exemplos: Miles Davis, John Coltrane, Charles Mingus, Dave Brubeck, Eric Dolphy, Sonny Rollins, Art Blakey, Cannonball Adderley.

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Rock - O rock reúne diversos estilos. Suas origens estão na década de 1940, quando a guitarra elétrica começou a se sobressair em gêneros como o Chicago Blues. Em sua forma original, tratava-se de um tipo de música que normalmente utilizada a estrutura verso-refrão com um ritmo de contratempo e tendo a guitarra como elemento principal, com o instrumento soando de forma mais pesada e mais rápida do que o modo como era utilizado até então. De modo geral, trata-se de um gênero onde a guitarra predomina, acompanhada pelo baixo e pela bateria. Junta-se a isso a associação, desde os seus primórdios, com uma atitude contestadora e de rebeldia em relação aos valores vigentes.

O rock explodiu nos anos 1950, tornando-se extremamente popular. Nos anos 1960, a invasão britânica de novas bandas como os Rolling Stones, Kinks e The Who consolidou a força do estilo.

Ao longo dos anos o rock se desenvolveu por vários caminhos, fazendo surgir novos sub-gêneros como o hard rock, o heavy metal, o punk rock e o prog, só para ficar nos mais populares.

Exemplos: Rolling Stones, The Kinks, Pink Floyd, Radiohead, Pixies, The Doors, The Clash.


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Pop - O termo pop deriva do adjetivo popular. A música pop tem a sua origem na década de 1950, e é uma derivação do rock and roll. Como gênero musical, trata-se de um estilo bastante eclético e que, muitas vezes, traz para o seu universo elementos de outros gêneros, como rock, dance music, música latina, country e cultura urbana. Os artistas do estilo caracterizam-se por produzir canções de curta e média duração que se desenvolvem sobre um formato básico - o famoso verso e refrão. Outra característica são os refrões fortes e grudentos, o farto uso de melodia e o emprego de ritmos cativantes.

O termo pop, apesar do que parecem pensar as gerações mais novas de ouvintes, nunca carregou e continua não tendo nada de depreciativo.

Exemplos: Beatles, Beach Boys, David Bowie, Smiths, Arcade Fire, Men at Work, Prince.

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Hard Rock - O hard rock surgiu no final dos anos 1960 a partir do blues rock e do rock de garagem. Seus elementos principais são vocais agressivos e a guitarra distorcida turbinada por power chords.

Artistas: The Who, Cream, Deep Purple, Led Zeppelin, Queen, Pearl Jam, Guns N’ Roses, Thin Lizzy, AC/DC.

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Heavy Metal - A origem do heavy metal é controversa, mas a maioria dos pesquisadores tem como consenso apontar a estreia do Black Sabbath, lançada em 1970, como o marco zero do gênero. Influenciado por grupos como Cream, Stones, Led Zeppelin e The Who, uma nova geração de músicos elevou ainda mais o peso e aumentou o volume de seus instrumentos, fazendo surgir um estilo ainda mais agressivo.

A associação com temas ocultos é outra característica do heavy metal, com o uso predominante de letras que falam sobre temas sombrios.

Perguntado sobre qual a diferença entre hard rock e heavy metal, o respeitado apresentador norte-americana Eddie Trunk, do That Metal Show, saiu com essa definição: “Hard rock fala sobre festa, é uma música ensolarada. Já o metal é mais soturno e sombrio, além de mais pesado, e pede que você use, quase automaticamente, roupas pretas”.

Artistas: Black Sabbath, Iron Maiden, Metallica, Judas Priest, Slayer, Mercyful Fate, Dio.

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O making off de Use Your Illusion e a desintegração do Guns N' Roses

sexta-feira, novembro 28, 2014
Nós fomos fazer aqueles shows abrindo para os Rolling Stones. Éramos grandes fãs dos Stones, então foi ótimo para nós. Chegamos lá, e cada um deles tinha a sua própria limousine, o seu próprio trailer, o seu próprio advogado. Lembro de olhar para Izzy e falar 'cara, nós nunca vamos ser assim'. Seis meses depois, estávamos iguais a eles”.

Duff McKagan inclina-se para frente e, com as duas mãos, puxa o seu cabelo para trás. Duas décadas se passaram, mas ele continua confuso com a rapidez com que as coisas aconteceram para os cinco integrantes do Guns N' Roses. O último a sair, aguentando de maneira heróica até agosto de 1997, Duff tenta puxar na memória os fatos dos primeiros anos, antes da banda sair dos trilhos. “Não sei exatamente o que aconteceu, e olha que eu estava lá”, reflete o baixista.

Por alguns breves e brilhantes meses de 1991 – para ser mais preciso, a partir da meia-noite do dia 17 de setembro -, o Guns N' Roses alcançou um momento raro: eles eram a maior banda do mundo. Naquele dia, Donald Trump estava em uma limousine com cinco lindas modelos rumo à Tower Records em Manhattan, para comprar as suas cópias de Use Your Illusion I e Use Your Illusion II, os novos álbuns do Guns que, pela primeira vez na história da indústria da música, haviam sido lançados simultaneamente. Centenas de lojas nas grandes cidades ao redor do planeta abriram à meia-noite para vender os discos. Slash, que estava partindo em uma viagem para a Tanzânia, interrompeu sua ida ao aeroporto para fazer uma parada na Tower da Sunset Boulevard, em Los Angeles, para, escondido atrás dos vidros do carro, ver os álbuns serem vendidos no mesmo local onde, dez anos antes, policiais o haviam detido por roubar fitas k7. “Foi um momento mágico”, relembra o guitarrista.

Quando ele voltou algumas semanas depois, Use Your Illusion I havia vendido 770.000 cópias e era o número 1 da Billboard, enquanto Use Your Illusion II tinha vendido outras 685.000 e estava na segunda posição. “Nós havíamos alcançado o topo do mundo”, fala Alan Niven, o manager do Guns N' Roses naquela época. “Quando isso acontece, você cria a sua própria forma de lidar com a situação. É difícil alcançar esse status, e, quando você finalmente o alcança, é muito fácil perder o controle”.

Ele havia perdido o seu. Niven tinha sido despedido pelo Guns N' Roses em maio de 1991, alguns meses antes de os álbuns chegarem às lojas. Como faria com Slash, Duff, Izzy, Steven e Axl, o sucesso havia cobrado de Alan o seu preço. “Ele afetou a todos. Veja o que aconteceu. A banda nunca mais gravou um álbum significativo. Izzy saiu fora alguns meses depois. Voltando aquele ponto, o que aconteceu foi que o Guns passou de uma banda jovem com grande reconhecimento e sucesso para, basicamente, ser a banda de Axl”.

Os integrantes do Guns N' Roses sempre estavam arrumando encrenca, isso era parte do charme do grupo. Tom Zutaut, um jovem executivo que havia assinado o contrato entre a banda e a Geffen em 1986, lutava para manter o grupo ativo e unido antes mesmo de eles lançarem o primeiro disco. A estratégia de Alan Niven era baseada na que Peter Mensch e Cliff Burnstein haviam adotado com o Metallica, outra banda muito difícil de trabalhar: primeiro o underground, depois quem sabe um disco de ouro com o segundo álbum, e, se tudo desse certo, platina e tudo mais depois. “Ninguém imaginava que eles iam estourar logo de cara. Se alguém dissesse isso, seria chamado de louco”, conta o manager.

O plano de Niven era construir primeiro uma reputação na Inglaterra, para ganhar credibilidade nos Estados Unidos. Quando o Guns N' Roses tocou em Donington em 1988, havia vendido apenas 7 mil discos. Uma semana depois do show, o número pulou para 75 mil. Na primavera de 1988, Appetite for Destruction era imbatível, e nenhuma estratégia havia previsto isso. O resultado de milhões e milhões de discos vendidos foi desorientador, aterrorizando todos na banda. “Não posso falar pelos outros caras, mas eu saí de uma espécie de cigano que não tinha nada direto para as turnês com o Guns, onde nada mais importava. Eu não sabia lidar com aquilo, não tinha experiência. O resultado foi que me afundei em drogas, e, quando nos reunimos para o segundo disco, eu estava completamente desorientado”, conta Slash.

Todos nós compramos nossas casas, e tínhamos nossos próprios amigos que viviam dizendo: 'cara, você é quem mantém a banda unida'”, recorda Duff. “E lá estávamos nós. Não sabíamos o que pensar. Nada como aquilo havia acontecido antes com qualquer um de nós. O disco finalmente estourou nos Estados Unidos um ano depois de ter feito sucesso em todo o mundo. Quando voltamos para Los Angeles, íamos para os clubes e todos estavam vestidos iguais a gente. Imagine-se voltando para a sua cidade como um fenômeno cultural. As pessoas vestidas iguais a você. A sua música tocando sem parar. Você sai para fazer compras e a sua foto está na capa da Rolling Stone, as pessoas olham para a revista e para você e surtam. E tudo isso acontecendo no supermercado que você frequentou durante toda a sua vida”.

Alan Niven não precisou ser um estudioso da história do rock para entender o que deveria fazer a seguir. Ele apagou incêndios e, enquanto fazia isso, encontrou tempo para gravar e lançar um mini-álbum, G N' R Lies (1988). “Uma das coisas que tenho orgulho dessa época é que nenhum integrante da banda morreu sob a minha supervisão”, conta Niven, lentamente. “Foi um grande esforço. Você tinha que lutar, mas apenas eles venceriam a guerra. Slash teve uma overdose na minha casa uma vez. Tirei o vômito de sua boca, dei um banho, deixei ele limpo. E, quando ele finalmente ficou bem, chamou um táxi e foi direto para a casa de seu traficante. Esse era o tipo de situação que você tinha que enfrentar. Você ligava para Axl e falava: 'Venha até o escritório, você tem uma entrevista com a Guitar Player'. E não havia nenhuma entrevista. Ele chegava, você o colocava em um carro e o mandava para o Hawaí, onde ele não poderia ser encontrado. Nós fazíamos esse tipo de coisa”.


Coloquei Stevem em um avião uma noite, e ele foi para a primeira clase gritando 'nós vamos morrer, o avião vai cair'. Steven foi convidado a se retirar da aeronave na mesma hora. Voltamos para Los Angeles e ele foi até o seu traficante, e lá estávamos nós ferrados novamente”, lembra Alan.

Bandas são como delicados ecossistemas. Mudar uma parte afeta as outras de maneira imprevisível. Como Steven Adler já afirmou inúmeras vezes nos últimos anos, o Guns N' Roses e Appetite for Destruction foram algo único. “Nós cinco éramos como irmãos. E o que os irmãos fazem? Eles brigam!”, diz Adler. O Guns N' Roses era uma banda encrenqueira, e o maior encrenqueiro do Guns era Steven. “Ele se deu mal e nós não conseguimos trazê-lo de volta”, fala Duff, que mantém contato até hoje com o baterista. “Tínhamos uma espécie de código não escrito, íamos buscá-lo para fazer um show ou uma gravação. Diversas vezes nós mesmos demos uma geral uns nos outros. Era como um código de honra entre ladrões. Mas Steven sempre precisava ser trazido de volta, de novo e de novo. Eu e Slash dissemos para ele várias vezes: 'Cara, estamos falando com você. Se trouxermos você até aqui e você foder com tudo, nós vamos acabar com você! Veja quem está falando com você. Nós precisamos uns dos outros, e estamos preocupados com o que você anda fazendo'. Foi de partir o coração, mas o avisamos inúmeras vezes”.

Foi lamentável. Mas a banda precisava entrar em estúdio e gravar um disco, com todos trabalhando duro. Tentamos entrar nos eixos durante um ano, e cada um foi fazendo a sua parte, mas Steven … ele não conseguia sair do buraco em que tinha se metido e voltar para a banda. Acabamos percebendo que não dava mais para continuar e que, quem sabe, fosse melhor ir atrás de outro baterista”, conta Slash.

No verão de 1990 a porta continuava aberta, mas toda vez que Adler ia ao estúdio não rolava. Ou ele estava bêbado demais ou chapado demais para tocar. A banda então procurou um advogado, que redigiu um documento comunicando para Adler que ele havia sido demitido. Steven ficou assustado, mas o efeito durou pouco. “Durante todo o tempo em que Matt Sorum gravou o disco, nós pensamos que Steven estaria de volta. Então percebemos que isso não iria acontecer. Eu não estaria sendo honesto com você se dissesse que sabíamos o que estávamos fazendo”, confessa Duff. “De maneira alguma Steven era menos importante. Demitir um integrante de uma banda é muito doloroso. É algo muito frustrante. Devo confessar que ainda fico vermelho de raiva com o que Steven fez a si mesmo”, diz Niven.

Adler relembra este momento, admitindo a fase negra que atravessava: “Cara, eu estava fodido e nunca vou negar isso, porque era óbvio que eu estava perdido. Mas eu não era o único. Lembro de um dia em que Slash me chamou até o estúdio e tocou 'Civil War' – acho que era essa. Eu estava me tratando com um bloqueador de opiáceos que um médico havia me receitado, mas ainda tinha muita heroína no meu organismo e eu estava me sentido muito mal. Tentei tocar por 20 minutos, mas não consegui. Eu estava muito fraco e não conseguia acertar o tempo. Slash e Duff começaram a gritar comigo e disseram que eu havia fodido com tudo. Recebi uma ligação algumas semanas depois e fui até o escritório, onde havia um monte de papéis e contratos para eu assinar. Foi então que percebi que havia sido demitido. Tive que entrar na justiça para receber os royalties e os créditos pelas músicas que ajudei a compor”. Em 1993, Steven Adler recebeu 2,25 mihões de dólares pela sua colaboração nos dois Use Your Illusion. Porém, ele não foi creditado em nenhuma faixa dos álbuns.


Adler foi sacado do Guns em 11 de julho de 1990, sendo considerado incapaz de continuar na banda devido ao seu vício em álcool e drogas. Porém, por muitos anos circulou uma história que dizia que o real motivo da sua demissão teria sido um incidente com a esposa de Axl Rose na época, Erin Everly, que foi encontrada nua na casa de Steven, azedando de vez o relacionamento com o vocalista. Em uma entrevista de 1992, Axl declarou que Everly foi encontrada sem roupas e ele teve que chamar a emergência. “Ela passou uma noite na UTI porque o seu coração havia parado de bater graças a Steven. Ela estava histérica e ele deu speedball para ela. Erin nunca tinha usado drogas antes, e ele deu a ela uma mistura de cocaína com heroína”, contou Axl.

Em uma entrevista para o site Metal Sludge em 2006, Adler negou ter dado drogas para Erin, dizendo que estava em sua casa fazendo uma jam com o guitarrista do Hanoi Rocks, Andy McCoy, quando a esposa de McCoy chegou com Everly já intoxicada. “Eu chamei a ambulância e a salvei, mas a vaca da esposa do Andy disse para Axl que eu dei heroína para ela. Ele me ligou e disse que estava me esperando com uma arma e iria me matar”.

Me contive para não fazer algo com ele”, falou Axl para Del James, em 1992. “Protegi Steven de ser morto por gente da sua própria família. Eu o salvei de ir ao tribunal porque a sua mãe me procurou e disse que seria responsável pelos seus atos”.

Axl estava totalmente convencido de que Erin havia tido uma overdose”, conta Niven. “Isso veio a calhar, não? Essa história ajudou todo mundo. Não foi nenhuma surpresa chegarmos ao ponto de considerar seriamente ir atrás de um novo cara para a função”.

Com Steven havia uma química. Outros poderiam tocar bateria, mas não como Steven tocava. “Deixa eu dizer uma coisa. Steven não era o melhor baterista do mundo. Duff tinha até que mostrar como ele deveria tocar às vezes. Mas ele tinha uma qualidade única, que era a sua parte na magia do Guns N' Roses: ele fazia tudo com entusiasmo. Matt era um baterista muito competente, mas ele não podia substituir Steven nesse aspecto. Ele era muito bom, mas tinha uma mão muito pesada. Matt não tinha o feeling que Steven tinha. Mas nós queríamos Steven de volta? Não, é claro que não!”, relata Alan Niven.

Izzy Stradlin, cuja guitarra enchia de groove o som do Guns N' Roses, também sentiu a ausência de Steven Adler na banda. “Havia uma grande diferença”, declarou Izzy para a revista Musician em 1992. “A primeira vez que percebi o que Steven fazia pela banda foi em 1987, quando ele quebrou a mão em Michigan dando um soco em uma parede. Chamamos Fred Coury, do Cinderella, para o show seguinte, em Houston. Ele tocou tecnicamente muito bem, mas as músicas soaram absolutamente horríveis. Elas foram escritas com Steven na bateria, e o seu senso de ritmo as fez soar como todos conhecem. Quando ele se foi, tudo ficou inacreditavelmente estranho”.

O substituto de Adler, Matt Sorum, não era tão estranho ao grupo e já possuía um pouco de química dentro de si, como o próprio Sorum contou para Mick Wall: “E lá estava eu substituindo um baterista viciado, certo? Mas ele usava heroína, e eu cocaína”. Porém, Sorum era capaz de controlar o seu estilo de vida. Foi apenas nos últimos anos que Steven Adler finalmente admitiu que não tinha condições de continuar, e que a banda tomou a decisão certa em colocá-lo para fora. Este processo teve início quando Adler participou do reality show Celebrity Rehab with Dr. Drew, em 2008. “Durante vários anos culpei Slash, Duff, Izzy e Axl pelo que estava acontecendo comigo, mas quando comecei a trabalhar com o Dr. Drew Pinsky aprendi que precisava falar sobre todas aquelas coisas e colocá-las para fora do meu organismo. Eu precisava pedir desculpas para Slash por culpá-lo por tudo que aconteceu comigo. Até fazer isso, era como se eu não fosse capaz de seguir em frente. Depois de falar tudo o que queria para Slash, agora posso seguir a minha trajetória”, admite Adler.

Olhando para trás, acho que perder Steven foi um dos fatores que fizeram a banda se desintegrar. Mas, de qualquer forma, Axl foi o maior responsável por tudo. Steven foi só a ponta do iceberg”, afirma Slash.


Algo que o Guns N' Roses sempre teve foi música. Eles podiam estar chapados, mas não estavam parados – ainda. Ao contrário do que aconteceu em G 'N R Lies, material não era o problema. “November Rain”, talvez a canção essencial de Use Your Illusion, nasceu antes de Axl entrar na banda. Uma demo acústica com vinte minutos de duração havia sido gravada no estúdio Sound City, em Los Angeles. “Don't Cry”, Axl recorda, foi a primeira faixa que a banda compôs junto, uma canção sobre a namorada de Izzy: “Ele gostava muito dela. Eles acabaram, e nós estávamos sentados do lado de fora do Roxy quando ela apareceu para se despedir de todos. Escrevemos 'Don't Cry' em uns cinco minutos”.

Alan Niven afirma que muito material havia sobrado das sessões de Appetite for Destruction, incluindo “You Could Be Mine”, “Back Off Bitch”, “Bad Obsession” e “The Garden”. Além disso, Slash, Duff e Izzy era compositores muito prolíficos e rápidos. Slash relembra aquele tempo: “Estávamos em minha casa em Walnut Drive, nas montanhas Laurel Canyon. Compilamos mais de trinta faixas em uma noite. Essa foi a única vez, pelo menos que eu lembro, em que fizemos algo do tipo. Apenas eu, Izzy, Duff e Axl. Fechamos em 30 canções. Essa foi a única sessão de composição da história da banda em que todos nós ficamos na mesma sala. Foi algo muito emocionante. A próxima coisa que precisávamos fazer era sair à procura de bateristas. Lembro de assistir Matt com o The Cult e pensar que ele era o único bom baterista que eu havia visto, então liguei para ele e o chamei para conversar. Começamos ensaiando esse material, e logo entramos em estúdio. Fizemos a base juntos, e tudo aconteceu muito rápido. Mas, como tínhamos muito material, acabou sendo uma jornada épica”.

Slash tinha uma composição de 18 minutos, “Coma”, que havia escrito quando estava completamente chapado. Duff fez “So Fine”, e Izzy trouxe os seus tradicionais rocks: “Pretty Tied Up”, “Double Talkin' Jive”, “You Ain't the First”, “14 Years” e “Dust 'N' Bones”. Slash continua: “E tínhamos ainda as faixas compostas por Axl, que eu nunca havia escutado antes. Coisas que ele havia escrito com West Arkeen”. Arkeen, um personagem selvagem do tipo que você só poderia conhecer durante os anos 80 e que morreu de overdose em 1997, foi o co-autor de “The Garden”, “Bad Obsession” e “Yesterdays”, além de “It's So Easy”, de Appetite for Destruction. Del James, amigo de Axl, também foi creditado em “Yesterdays” e “The Garden”. “Eu era um grande amigo de West, mas nunca escrevi nada com ele”, conta Slash. “Nós saímos e fizemos algumas jams juntos, mas em apenas em algumas canções eu permaneci por perto, com Axl e todos tocando juntos. West e Axl, Del e Duff: aquilo era mais do que eu gostaria, porém eu não me importava, desde que as composições fossem boas e eu pudesse fazer algo com elas. 'It's So Easy' foi uma das faixas que, quando ouvi pela primeira vez em sua versão original, não achei grande coisa, mas então peguei e mudei algumas coisas e ela ficou como todos conhecem. 'The Garden' era realmente muito boa, mas não me importei com isso. Eu estava preocupado com a devassidão de merda em que estava me metendo. Se todo mundo estava ocupado, não havia ninguém me observando enquanto eu fazia o que estava fazendo”.

Enquanto a existência da banda era precária, a sua situação continuava extraordinária. Appetite for Destruction seguia vendendo milhões, e o hiato do grupo possibilitou a Alan Niven fazer coisas que nunca havia feito antes. O sucesso na indústria da música, assim como o sucesso em qualquer tipo de negócio, tornou possível qualquer coisa que qualquer um deles desejasse. “Eu estava sendo muito pressionado por David Geffen, que me perguntava quando o disco ficaria pronto”, conta Niven. “Ele queria lançar o álbum antes de vender a Geffen, beneficiando-se assim das vendas para valorizar ainda mais a sua companhia. Quando você estima que Use Your Illusion rendeu cerca de 100 milhões de dólares em todo o mundo apenas nas primeiras semanas após o seu lançamento, você pode imaginar o tamanho dessa pressão”.

Por conta disso, Alan decidiu que era preciso renegociar o contrato da banda com a Geffen. Ele sabia que os managers do Whitesnake e do Aerosmith também tentaram fazer isso depois que as duas bandas venderam mais de 5 milhões de cópias de seus últimos álbuns, mas deram com os burros n'água. David Geffen era reconhecidamente durão e difícil, mas Niven também. Use Your Illusion era a sua arma nuclear e, em um jantar com Eddie Rosenblatt, presidente da Geffen, Niven apertou o botão. “Depois de fazer Eddie beber uma dúzia de taças de vinho, fui pra cima dele e disse: 'Odeio acabar esta noite com você surtando comigo, mas você precisa levar uma mensagem para David: enquanto não renegociarmos o contrato, ele não terá o disco'”. Niven conseguiu o que queria, retornando com uma solução lucrativa para a abundância de material que o Guns havia escrito. Ao invés de um álbum quádruplo, o tipo de exagero que poderia arruinar a carreira da banda, Use Your Illusion seria lançado como dois discos duplos, que chegariam às lojas no mesmo dia. Era o típico truque da indústria musical que fazia com que a banda transmitisse uma espécie de respeito pelos fãs, quando, na verdade, estava gerando não uma, mas duas grandes fontes de renda para os envolvidos.

Nós havíamos alcançado números incríveis com Appetite for Destruction”, conta Niven. “Eu estava muito nervoso com a possibilidade de vendermos 2 milhões de álbuns duplos, quando havíamos vendido 12 milhões de cópias de Appetite. Tive um encontro com Rosenblatt, e ele puxou um pedaço de papel e disse: 'Escreva aí o que você acha que devemos fazer'. Acreditem ou não, escrevi que achava que venderíamos 4 milhões de cada álbum duplo, o que significava 8 milhões de discos. Isso seria, disse para ele, uma continuação digna para Appetite, e não um fracasso”.




O que Niven e a banda também perceberam foi que Use Your Illusion era mais do que um disco (ou dois), mas sim um grande evento, um acontecimento que colocou uma banda já única ainda mais distante das outras. Além das mudanças de formação e da evolução sonora, a estética do Guns N' Roses também havia mudado. O estilo dos anos 80, com caveiras, ossos, armas e crucifixos foi deixado para trás, e uma nova identidade visual mostrou o Guns alinhado com a sua época. Era a banda se aproximando de algo que sempre evitou: a arte.

Axl Rose tinha se tornado um entusiasta de Mark Kostabi, um controverso artista nova-iorquino que havia colocado o conceito de “art factory” de Andy Warhol em um outro nível, abrindo um estúdio chamado Kostabi World onde contava com equipes de assistentes que produziam milhares de pinturas. “Axl realmente se apaixonou pelo trabalho de Kostabi, mas aquilo tudo era uma farsa. Ele colocava outras pessoas pintando backgrounds enquanto roubava imagens de obras clássicas e as colocava sobre esses backgrounds. Axl amou esse conceito, e queria usar uma das obras de Kostabi na capa. E, é claro, pagou uma fortuna para isso”, conta Niven.


A capa de Use Your Illusion era baseada em um detalhe da obra The School of Athens, de Raphael, um clássico da Renascença exposto no Vaticano. Ela foi finalizada em 1511, e, de acordo com o que Niven apurou, estava livre de direitos autorais há séculos. “Então eu pensei: ótimo, quando lançarmos o merchandising não precisaremos pagar nada a Kostabi, já que a obra é de domínio público. Mas Axl havia pago uma fortuna por obras que poderia ter, basicamente, de graça. Sempre abro um sorriso quando penso que Axl deu um cheque enorme para esse Mark Kostabi quando ele poderia ter uma pintura similar de Del James pagando apenas um punhado de dólares”.

Apesar de os créditos reconhecerem que o disco havia consumido um período de dois anos e passado por sete estúdios diferentes, uma das características mais marcantes de Use Your Illusion foi a velocidade com que a estrutura básica das faixas foi gravada. “Eu estava realmente feliz com a quantidade de material, afinal gravamos a estrutura básica de 30 canções em apenas 30 dias, isso tudo com um novo baterista. Mas então nós fodemos com tudo”, diz Slash. “Depois das faixas guias prontas, passei três semanas só gravando as guitarras, o que, levando-se em conta que eram trinta músicas, até que foi rápido. Mas tudo caiu por terra quando começamos a colocar os sintetizadores. Eu nunca concordei com essa coisa de sintetizadores. Embora pense que algumas coisas ficaram brilhantes, era algo totalmente novo, e foi o início do fim. Foi o começo de um processo que parecia eterno. A gente passava dias sem fazer nada, de vez em quando íamos ao estúdio e gravávamos algo. A maior parte do processo estava terminado. Muito do que foi feito depois, na pós-produção, realmente não precisaria ter sido feito. Aquilo foi muito decepcionante para mim”.

Izzy Stradlin também se afastou, distanciando-se dos demais à medida em que as gravações iam evoluindo. “Eu gravei a estrutura das faixas, e então Slash fez a parte dele em mais ou menos uns dois meses. Quando Axl começou a gravar os vocais, fiz as malas e voltei para Indiana”. Duff fala pausadamente: “Bem, Axl é um perfeccionista. É isso que faz dele um grande artista, e também o produto final ficar excelente, mas acaba sendo irritante trabalhar com uma pessoa assim. Não há como apressar as coisas com ele. Em 'November Rain', em particular, ele nos torturou. O perfeccionismo, até aquele momento, não era uma característica da banda”.

Axl tinha a sua visão sobre o que havia criado”, declarou Matt Sorum para Mick Wall. “Quando nós começávamos a trabalhar ao meio-dia, a coisa funcionava. Havia um monte de bebidas no estúdio, e a heroína havia sido deixada de lado – Slash e Izzy tinham parado de usá-la. Em compensação, estávamos cheirando muita cocaína. Deixar um monte de drogas na frente de Axl nunca era a coisa mais inteligente a ser feita”. As sessões de gravação foram se prolongando cada vez mais, e a banda começou a rachar. “Eram noites intermináveis. Nós começávamos entre 6 e 7 da noite. Axl só queria saber das suas canções, 'November Rain' e 'Don't Cry'”, conta Sorum.


A aprendizagem é algo belo. É tentador olhar para Use Your Illusion pelo ponto de vista da banda e assistir Axl tomando o controle e exigindo a sua vingança contra o mundo, vivendo todas as fantasias de rock star que tinha quando era apenas um garoto em Indiana. Mas a verdade é bem mais complexa. “Quando era mais jovem, ele tocava e compunha no piano. Canções como 'Goodbye Yellow Brick Road' e 'Funeral for a Friend', de Elton John, tiveram um grande impacto sobre Axl. Ele queria alcançar aquele nível, e qualquer pessoa que já é um ídolo e se espelha em alguém, no fundo do seu coração quer superar quem o inspirou”, analisa Alan Niven.

Use Your Illusion tinha “November Rain” e “Estranged”, duas composições ambiciosas sobre temas que sugeriam a natureza obsessiva de Axl Rose. “November Rain” era uma canção sobre “ter um compromisso com um amor não correspondido”, segundo declarou o próprio Axl. “Estranged” reconhecia isso e ia além, mostrando um cara que foi jogado para fora do seu universo e não tinha escolha, pois tudo que ele desejava simplesmente não aconteceu. Essa grandiosidade tinha o seu contraponto em faixas violentas e diretas como “Get in the Ring”, “Right Next Door to Hell” e “Back Off Bitch”, que continham letras explícitas que não disfarçavam a raiva de seus compositores. Essa era uma área em que cada um se expressava de maneira própria. “Acho que Axl estava cansado de uma maneira mesquinha. Ele já havia feito algo similar em 'One in a Million', mas quanto mais você cresce maiores as coisas ficam. Ele estava atacando seus vizinhos e os jornalistas, então eu pensei: 'Axl, o seu mundo se resume a isso?'”, provoca Alan Niven.

Axl respondeu a essas provocações de forma direta em 1992: “'Back off Bitch' é uma canção de dez anos atrás. Escrevi as palavras que me vieram à mente quando eu pensava no sexo feminino. Eu odiava as mulheres. Basicamente, fui rejeitado pela minha mãe desde que nasci. Ela preferia o meu padastro e apenas assistia enquanto ele me batia, a não ser quando a coisa passava muito do ponto, daí ela vinha me abraçar. Ela nunca fazia nada. A minha avó tinha problemas com homens. Descobri que ela saía com vários caras quando tinha 4 anos, e tive problemas com a minha própria sexualidade por causa disso. Então, o que eu fiz foi escrever o que sentia nessas canções”.

Use You Illusion I e II tornaram-se trabalhos que mostravam a abundância de sua época. São álbuns auto-indulgentes e exagerados, criados por caras que, durante o processo, não ouviram a palavra “não” muitas vezes. Tudo neles foi feito sem medo e remorso, e ambos contém algumas das melhores canções que o Guns N' Roses gravou. Use Your Illusion também coloca em perspectiva os outros dois principais lançamentos da banda, como uma linha clara separando Appetite for Destruction de Chinese Democracy.

A gente sabia que tinha superado Appetite for Destruction de alguma maneira”, contou Axl à revista Hit Parader logo após o lançamento. “O primeiro disco foi feito do nosso jeito, e foi um grande sucesso. Agora, tínhamos poder para fazer qualquer coisa que quiséssemos. Eu nunca enxerguei Use Your Illusion como dois álbuns separados, mas sim como um único trabalho. Para mim, ele soa perfeito com suas trinta canções. Tudo o que nós decidimos gravar para o álbum, nós gravamos”.

Bob Clearmountain fez a mixagem, enquanto Mike Clink foi o engenheiro de som. “Axl se mudou para o estúdio e só Deus sabe o que ele fez com Bob”, conta Alan Niven. “Era como ter um maluco colado no seu pescoço. Bob Clearmountain é um dos meus heróis, mas a mixagem que ele fez deixou as faixas sem vida”. Tom Zutaut então sugeriu que Bill Price, que quase havia produzido Appetite for Destruction quando a banda planejava gravar o disco em Londres, fizesse o trabalho. Price entregou então um mix “pesado, na cara e muito forte” de “Right Next Door to Hell”, e ganhou o trabalho. “Foi um processo muito longo”, relembra Price. “A última meia dúzia de faixas foi gravada, incluindo os overdubs de vocal e guitarra, em diversos estúdios espalhados pelos Estados Unidos quando eles tinham uma folga entre os shows, porque a turnê já tinha começado. Eu apresentava a mixagem para a banda voando pelos EUA com uma caixa cheia de fitas DAT, que tocava para eles no backstage”.

Eu nunca mais tinha sentado e escutado as faixas até elas estarem finalizadas, então fazia muito tempo que eu não ouvia aquelas composições”, conta Slash. “Havia coisas lá atrás que eu não tinha gostado, mas ouvindo as faixas percebi que o trabalho havia sido muito produtivo e que a banda estava, de certa forma, em harmonia. Hoje em dia eu penso que, para mim como guitarrista, foi divertido gravar tudo aquilo. Sinto que toquei realmente bem naqueles discos”.


Alan Niven recorda de um longo fim de semana com Slash, quando ele entendeu que as coisas tinham mudado. Aquele delicado ecossistema que Steven Adler fazia parte não existia mais. “Fazemos escolhas todos os dias. Em Use Your Illusion, Slash fez uma escolha e eu entendi perfeitamente, mas não aceitei. Uma noite, eu e ele estávamos sentados sozinhos em sua casa em Laurel Canyon e ele ficou lamentando o que Axl estava fazendo com a banda. Ele sentia que aquele não era o Guns N' Roses, a banda com a qual ele havia se comprometido. Ele achava que uma uma composição com aquele estilo épico era apropriada, mas várias nessa linha não. Olhei para ele e disse: 'Então você tem que deixar isso claro'. Slash respondeu: 'Axl está no comando agora'”.

Slash fala sobre o assunto: “Eu sempre achei Axl um cara difícil, mas nós o controlávamos. Nós éramos cinco indivíduos, mais Alan e Tom Zutaut, então nós decidíamos o que iríamos fazer. Mas então perdemos Steven, e depois Alan. Era uma situação muito delicada, que iria explodir em algum momento. Alan não iria mais limpar a merda que Axl fazia, e Axl não suportava isso. Era uma guerra. Hoje em dia vejo que não era nada divertido, mas a única coisa que podíamos fazer era recusar tudo o que Axl queria. Não acho que isso seria muito produtivo, mas, olhando em perspectiva, o que nós acabamos fazendo foi tolerar um monte de coisas só para continuarmos juntos. No final, acabamos criando um monstro. Acho que, provavelmente, teríamos acabado antes. Não concordei com a contratação de Doug Goldstein como manager, no lugar de Alan. Sabia que ele era um verme”.

Com a mixagem sendo feita por Bill Price, Axl chamou Niven para conversar e comunicou que ele não trabalhava mais para a banda. “A primeira coisa que Axl fez depois de me demitir foi garantir que os direitos sobre o nome da banda ficassem bem longe dos outros integrantes (Axl ganhou na justiça a propriedade sobre a marca Guns N' Roses no início dos anos 90). Isso diz muito sobre o que estava acontecendo. Axl estava tomando o controle. Com Doug Goldstein, tudo ficava mais fácil para ele”, conta Niven.

Três meses depois de eu sair Izzy arrumou as malas, porque não havia mais uma banda. Ele não se sentia mais parte do Guns N' Roses. Para mim, Izzy era o coração e a alma do grupo”, conclui Alan Niven.

Alan era alguém em quem eu confiava. Já Doug eu sabia que era um cara que colocaria um lado contra o outro. Em outras palavras, ele dizia uma coisa para mim e outra para Axl. Além disso, puxava o saco de Axl o tempo todo. Eu estava consciente disso. Nós tínhamos uma turnê mundial pela frente. Mesmo quando perdemos Izzy, eu falei: 'vamos em frente!'. Mas quando a tour acabou e chegou a hora de entrar em estúdio novamente foi impossível, pois Izzy não estava lá, Steven não estava lá, e a minha cabeça também não. A dura realidade era que a distância entre Axl e eu havia crescido muito, e era impossível começar de novo”, conta Slash.

Axl, é claro, via as coisas de maneira diferente. Em uma de suas raras declarações sobre o assunto, declarou para a Rolling Stone: “É como diz aquele velho ditado: 'não compre um carro de seus amigos'. Naquela banda todos queriam dirigir, e quase conduziram o grupo para um precipício”.


Estamos em outubro de 2010, e Duff McKagan está em uma de suas costumeiras visitas a Londres. Ele está em uma reunião com o seu manager, discutindo assuntos de sua carreira. No final do encontro, o manager pergunta: “E então, você vai tocar hoje à noite?”. “Eu?”, responde o baixista, que logo continua: “Cara, você sabe muito bem porque eu estou aqui, foi você que agilizou tudo isso”. Duff arruma as suas coisas e pega a chave de sua suíte. Ele ouviu falar que um hóspede furioso está no mesma andar que o seu, e logo descobre que o tal hóspede é Axl. Eles não tocam juntos há 13 anos. “Nós fizemos grandes coisas no passado, e agora vamos tocar juntos novamente. Eu estava meio cansado disso. Fiquei bebendo um Red Bull e pensando em algumas coisas. Depois de tocar novamente com Axl hoje à noite, terei que falar sobre isso em todas as entrevistas daqui pra frente, e isso será um saco”, diz um resignado Duff.

A maneira como Axl se relaciona com as pessoas às vezes é genial, e eu sempre adorei isso nele. Algumas coisas podem ser frustrantes, e você também pode se frustar com a situação. A turnê de Use Your Illusion não foi feita só de grandes momentos. Se eu tenho vergonha dos últimos anos em que estive na banda? Sim, por muito tempo eu tive. Mas quando você começa algo você tem uma responsabilidade sobre aquilo. Teve momentos em que eu deveria ter caído fora, mas daí eu retomava a razão e continuava. Acho que eu sempre fui a voz da razão dentro da banda”.

Duff McKagan continua sendo o elo de ligação entre os cinco músicos. Apesar de não querer falar sobre sua relação com Axl (“é algo pessoal”, diz ele), o baixista passou um longo tempo com o vocalista nessa visita a Londres. Alguns meses antes, Duff tocou com Steven Adler. Ele também é muito próximo de Izzy. “Ele tem uma vida realmente cool. Lembro de quando Izzy ficou sóbrio, assisti a tudo. Foi no início dos anos 90, enquanto a gente estava na estrada. O momento em que ele ficou em paz consigo mesmo também foi o momento em que percebi que ele não continuaria conosco por muito tempo. Izzy é um grande cara, e uma influência muito positiva na minha vida”.

As vendas de Use Your Illusion I e Use Your Illusion II estão atualmente na faixa de 15 milhões de cópias. A turnê do álbum, que se estendeu por anos, rendeu mais alguns milhões de dólares. O preço disso tudo é fácil de perceber. Alan Niven mudou-se para o Arizona e manteve-se afastado da indústria da música até recentemente. Izzy Stradlin continua firme em seu próprio mundo, e possui uma já respeitável carreira solo. Axl Rose gastou 17 anos e 11 integrantes para produzir outro álbum do grupo. E Guns N' Roses continua o nome mais forte associado às carreiras de Slash e Duff.

Passei vinte anos usando drogas”, conta Steven Adler, “mas tenho um novo começo agora. Meu livro mostra todas as minhas cagadas e os meus medos. Era algo que eu precisava fazer para mostrar pra todo mundo a grande mentira em que a minha vida havia se transformado”.

Muitas pessoas adoram dizer que é maravilhoso quando o seu trabalho é aquilo que você adora fazer”, conta Alan Niven. “Um monte de gente passa a vida toda com medo do anonimato. Mas quando você alcança a fama, você percebe que é tudo uma grande ilusão. Quando o seu anonimato está comprometido, você percebe o valor que ele tinha. Eu tive uma grande depressão depois que saí disso tudo”.

Você sabe”, analisa Slash, “quando eu olho para trás, vejo que foi algo monumental. A primeira coisa que penso é como nós conseguimos fazer dois álbuns incríveis com tanta merda acontecendo. Acho que os dois volumes de Use Your Illusion, se você conhece a história por trás dos discos, são trabalhos muito vitoriosos”.

Estes discos polarizaram as pessoas. Eu entendo e estou em paz com isso”, diz Duff enquanto se prepara pra pegar outro avião, desta vez de volta para a sua casa em Seattle. “Sempre me perguntam quando vamos nos reunir. Bem, nenhum de nós afirmou que faria isso. Acho que as pessoas querem que a gente volte para terem a sua juventude de volta. O título Use Your Illusion é muito apropriado para quem pensa dessa maneira”.


(Texto escrito Por Jon Hotten, com tradução de Ricardo Seelig)
(matéria publicada originalmente na Classic Rock 160, de junho de 2011)



27 de nov de 2014

AC/DC: crítica de Rock or Bust (2014)

quinta-feira, novembro 27, 2014
O AC/DC tem 41 anos de carreira. Eu acabei de completar 42. Nesse tempo todo, a banda foi parte importante da minha vida. O grupo foi um dos responsáveis por me apresentar o mundo do rock. Os dois primeiros discos que comprei foram dos australianos - `74 Jailbreak e For Those About to Rock (We Salute You). Ou seja, temos história. Eles e meus ouvidos.

Um amigo definiu o AC/DC, em uma conversa regada a cerveja, como a mais perfeita definição do rock and roll. Não tem como não concordar. Os riffs certeiros, os solos inspirados, as linhas vocais simples, os refrãos contagiantes, o baixo pulsante, a batida reta. Tudo isso está presente em Rock or Bust, décimo-sexto álbum da turma dos irmãos Young. 

Produzido novamente por Brendan O’Brien - o mesmo do ótimo Black Ice, de 2008 -, Rock or Bust é aquilo que o AC/DC sempre foi: uma banda de rock, e apenas isso. São onze faixas, todas compostas por Angus e Malcolm, como de costume. Rocks básicos, embebidos de blues em certos momentos, recheados de groove em outros. 

Mesmo não apresentando a força de Black Ice, trata-se de um bom disco, que irá agradar os fãs. Os problemas enfrentados pela banda na pré-produção, decorridos da demência de Malcolm Young, certamente influenciaram nesse aspecto. Soma-se isso aos perrengues recentes de Phil Rudd com a justiça neozelandesa, e você tem um quadro complexo pra caramba onde o que menos se esperava seria um álbum com canções inéditas - mas ele está aqui.

Entre as faixas, destaque para a grudenta música-título e “Play Ball” (primeiro single). Como pontos negativos, canções pouco inspiradas e até certo ponto repetitivas como “Got Some Rock & Roll Thunder” e “Hard Times”, onde a banda mostra ter sentido o turbulento período recente. Para efeito de comparação, o tracklist não tem a mesma força apresentada no último trabalho, que era recheado de grandes canções.

Resumindo, Rock or Bust não faz feio na forte discografia do AC/DC. É inferior aos clássicos, como era de se esperar, e até mesmo mediano, porém soa mais agradável aos ouvidos do que os álbuns lançados no final da década de 1980, por exemplo.

O tempo passa. O rock segue. E a vida, também.


Nota 6

Collectors Room Apresenta: Trigger Hippy

quinta-feira, novembro 27, 2014
O baterista e o guitarrista do Black Crowes. O ex-guitarrista do Black Crowes. E Joan Osborne, a loira do hit “One of Us”. 

O Trigger Hippy não consegue ser ruim. Não tem como.

Formado em 2009, desde então o grupo se apresenta ao vivo. O disco de estreia, no entanto, foi lançado apenas em 30 de setembro deste ano. E apenas como nome da banda na capa, como manda o figurino.

O que temos é um rock puxado para o blues, com acento country em alguns momentos. Vocais masculinos e femininos se alternam no comando. Tudo muito bem feito. Tudo muito bom. Em alguns momentos, a música do Trigger Hippy fica próxima a da Tedeschi Trucks Band. E isso é, como você bem sabe, um tremendo de um elogio.

Pegue seu carro e saia sem rumo e sem pressa de chegar. A trilha você já tem.

Lollapalooza Brasil 2015 revela atrações de cada dia do festival

quinta-feira, novembro 27, 2014
Já publicamos o line-up do Lolla Brasil 2015, que acontece nos dias 28 e 29 de março de 2015 no Autódromo de Interlagos, em São Paulo. Agora chegou a vez de conhecer a escalação de atrações em cada um dos dias do evento.

No sábado os destaques são Jack White, Robert Plant, Kasabian, St. Vincent e Boogarins. E no domingo, a coisa vai ferver com Pharrell Williams, Interpol, Smashing Pumpkins, O Terno e Scalene. Isso tudo na opinião deste que vos escreve, é claro.


Na imagem acima, a escalação diária completa do Lolla 2015.

26 de nov de 2014

Uncut revela a sua lista de melhores discos de 2014

quarta-feira, novembro 26, 2014
A revista inglesa Uncut divulgou em sua nova edição a sua lista com os melhores discos de 2014. Nomes que já estão presentes nas escolhas de outras publicações marcam presença, além de algumas surpresas.

O The War on Drugs já está pintando como favorito pra levantar o caneco, hein …

Abaixo, os 50 melhores álbuns de 2014 na opinião da Uncut:

50 Wild Beasts - Present Tense
49 Robyn Hitchcock - The Man Upstairs
48 Morrissey - World Peace is None of Your Business
47 Allah-Las - Worship the Sun
46 Willie Watson - Folk Singer, Vol. 1
45 Kate Tempest - Everybody Down
44 Thom Yorke - Tomorrow’s Modern Boxes
43 East India Youth - Total Strife Forever
42 Mogwai - Rave Tapes
41 Mark Lanegan Band - Phantom Radio
40 Lee Bains III & The Glory Fires - Dereconstructed
39 Future Islands - Singles
38 Fennesz - Bécs
37 Willie Nelson - Band of Brothers
36 La Roux - Trouble in Paradise
35 Drive-By Truckers - English Oceans
34 Chris Forsyth & The Solar Motel Band - Intensity Ghost
33 Sturgill Simpson - Metamodern Sounds in Country Music
32 Merchandise - After the End
31 Tune-Yards - Nikki Nack
30 Spoon - They Want My Soul
29 Jack White - Lazaretto
28 The Black Keys - Turn Blue
27 Ben Watt - Hendra
26 Steve Gunn - Way Out Weather
25 Sleafords Mods - Divide and Exit
24 Tweedy - Sukierae
23 Ariel Pink - pom pom
22 Beck - Morning Phase
21 Earth - Primitive and Deadly
20 Stephen Malkmus and The Jicks - Wig Out at Jagbags
19 Hurray for the Riff Raff - Small Town Heroes
18 Swans - To Be King
17 Lucinda Williams - Down Where the Spirit Meets the Bone
16 Gruff Rhys - American Interior
15 Rosanne Cash - The River & The Thread
14 Real Estate - Atlas
13 Ty Segall - Manipulator
12 Caribou - Our Love
11 Toumani Diabaté & Sidiki Diabaté - Toumani & Sidiki
10 Sun Kil Moon - Benji
9 St. Vincent - St. Vincent
8 Damon Albarn - Everyday Robots
7 Hiss Golden Messenger - Lateness of Dancers
6 Robert Plant - Lullaby and … The Ceaseless Roar
5 Sharon Von Etten - Are We There
4 FKA Twigs - LP1
3 Aphex Twin - Syro
2 Leonard Cohen - Popular Problems
1 The War on Drugs - Lost in the Dream

Os 50 melhores discos de 2014 segundo a NME

quarta-feira, novembro 26, 2014
A tradicional NME revelou na edição desta semana a sua aguardada lista com os melhores de 2014. As escolhas da revista, como sempre, trazem uma predominância de nomes novos e recentes, seguindo a linha editorial da New Musical Express.

Abaixo, o top do ano pela NME:

50 Julian Casablancas + The Voidz - Tyranny
49 Interpol - El Pintor
48 Temples - Sun Structure
47 Gruff Rhys - American Interior
46 Twin Peaks - Wild Onion
45 Honeyblood - Honeyblood
44 Perfect Pussy - Say Yes to Love
43 Freddie Gibbs and Madib - Piñata
42 Hookworms - The Hum
41 Manic Street Preachers - Futurology
40 Bombay Bicycle Club - So Long, See You Tomorrow
39 Protomartyr - Under Color of Official Right
38 Alt-J - This is All Yours
37 Thom Yorke - Tomorrow’s Modern Boxes
36 Goat - Commune
35 Parquet Courts - Sunbathing Animal
34 Sun Kil Moon - Benji
33 Wild Beasts - Present Tense
32 Childhood - Lacuna
31 Sharon Von Etten - Are We There
30 Warpaint - Warpaint
29 Alvvays - Alvvays
28 Morrissey - World Peace is None of Your Beeswax
27 Jungle - Jungle
26 Perfume Genius - Too Bright
25 Lana Del Rey - Ultraviolence
24 Angel Olsen - Burn Your Fire For No Witness
23 Kasabian - 48:13
22 Swans - To Be Kind
21 FKA Twigs - LP1
20 Jack White - Lazaretto
19 Royal Blood - Royal Blood
18 Kate Tempest - Everybody Down
17 Todd Terje - It’s Album Time
16 Iceage - Plowing Into the Field of Love
15 Eagulls - Eagulls
14 Run the Jewels - Run the Jewels 2
13 Damon Albarn - Everyday Robots
12 Death From Above 1979 - The Physical World
11 Future Islands - Singles
10 Ex Hex - Rips
9 Sleaford Mods - Divide and Exit
8 Jamie T - Carry on the Grudge
7 Merchandise - After the End
6 La Roux - Trouble in Paradise
5 Caribou - Our Love
4 Aphex Twin - Syro
3 The War on Drugs - Lost in the Dream
2 Mac DeMarco - Salad Days
1 St. Vincent - St. Vincent

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