6 de dez de 2014

O rock, a música e a vida

sábado, dezembro 06, 2014
Em 13 de julho será comemorado mais um Dia Mundial do Rock, data criada na década de 1980 em homenagem ao Band Aid, iniciativa idealizada pelo músico Bob Geldolf e que reuniu diversos grandes nomes do rock inglês no single beneficente “Do They Know It’s Christmas?”, lançado em 1984 e o precursor das reuniões de artistas em prol de uma causa - o USA for Africa e seu “We Are the World” chegaram às lojas um ano depois, em 1985.

Inspirado pela data, olhei para o passado e mergulhei fundo na memória buscando lembranças, experiências e momentos que explicam a minha relação com o rock. E fazendo esse exercício consegui pinçar aquelas que foram as bandas e artistas mais importantes na minha imersão seguida de paixão à primeira vista e convertida, rápida e definitivamente, em amor para toda a vida.

O relato a seguir não possui nenhum valor científico, tampouco busca ser minimamente definitivo, afinal, como você bem sabe, música é algo subjetivo, que está ligado intimamente à memória afetiva e às experiências de cada um. Pra mim foi assim, mas para você, tenho certeza, foi ou será diferente.

Quando era adolescente, eu só ouvia heavy metal. Aí conheci os Beatles e percebi que havia muito mais além daquele mundo cercado por peso e camisetas pretas. John, Paul, George e Ringo me apresentaram um novo mundo, onde não havia limites entre gêneros e estilos. Assim, ainda em choque, bati de frente com o Led Zeppelin e os poucos preconceitos que ainda tentava conservar com afinco caíram por terra e nunca mais voltaram a ver a luz do dia. A banda era tão intensa, tão forte, que durante anos e ainda hoje, ao escutar seus discos, sinto um pontapé violento no peito. Sensação semelhante a que me foi proporcionada ao ouvir pela primeira vez o Black Sabbath ainda com o rosto cheio de espinhas, e ficar fascinado por aquele mundo construído por riffs contagiantes e por uma voz desafinada, mas cheia de carisma. Se o heavy metal continua fazendo parte dos meus dias no alto dos meus 40 anos, eis aí os culpados.

Então, como um sopro de renovação e uma cachoeira multi-colorida, mergulhei no oceano sem fundo do Pink Floyd, entrando em transe e liberando doses maciças de dopamina a cada audição. Bem estar que foi intensificado ao conhecer, meio sem querer mas sem querer abrir mão desde então, o rock de cabaré movido a piano e exageros de Freedie Mercury e o Queen. Quem nunca se emocionou ao ouvir “Bohemian Rhapsody” jamais experimentou o poder inebriante da música.

Força essa responsável não apenas por manter os Rolling Stones na estrada desde o início dos tempos, como também o combustível que queima e mantém aceso infinitamente o apelo cativante das canções destes ingleses há séculos. Experimente mostrar “Satisfaction” para uma criança e você verá. Jagger e Richards deram ao mundo a mais perfeita definição do rock and roll, ainda que os irmãos Young e seu AC/DC há tempos dividam o posto e são merecedores da mesma definição que acabei de atribuir a Mick e Keith.

Mas, sem aviso e de surpresa, Eric Patrick Clapton repentinamente revelou que as seis cordas da guitarra poderiam fazer surgir sons impossíveis, característica que seu fã, um jovem negro norte-americano chamado James Marshall Hendrix, levou muito além, colocando o mundo aos seus pés com experimentos e um talento único e jamais visto desde então.

E tudo não estaria completo sem uma viagem pelas estradas norte-americanas, partindo da Califórnia e chegando na Flórida, mais precisamente à pequena Jacksonville, terra natal de uma das mais emblemáticas bandas e do mais impressionante trio de guitarras já visto nesse e em todos os outros mundos. É claro que estou falando do Lynyrd Skynyrd e suas imortais criações como “Free Bird”, “Simple Man”, “Sweet Home Alabama” e “That Smell”.

E no caminho, parando para comer algo e beber a sempre bem-vinda cerveja gelada, cruzamentos marcantes com gênios como Elton John, David Bowie, Bob Dylan, Chuck Berry, Elvis Presley e Neil Young, além de diversão infinita com nomes que fazem parte da minha, da sua e da vida do inconsciente coletivo como The Who, The Doors, The Byrds, Creedence Clearwater Revival, Allman Brothers, Deep Purple, Eagles e mais um monte de gente boa.

Sem aviso e sempre refrescantes, os desvios e atalhos que surgiram pelo caminho me levaram para outros universos que hoje soam indispensáveis e complementares uns aos outros, como o jazz de um certo Miles, o blues certeiro do amigo Muddy, o funk de Herbie e o soul de Sam, Otis, Wilson e Aretha.

O bom disso tudo é que a estrada está longe, bem longe, de terminar. Há apenas um belo e longo horizonte à frente, me levando em alguns momentos para o futuro, em outros para o passado, mas sempre naquela que parece não apenas a direção certa, mas a sonoridade que a minha vida e o meu espírito precisam ouvir naquele período.

Por tudo isso e mais um pouco, a música é a companhia constante, a amiga presente, a conselheira experiente, a amante insaciável, o beijo arrebatador e o colo reconfortante. Sem ela os dias ficariam sem graça e o mundo não faria sentido.

Em apenas uma frase, tudo e nada além: MÚSICA É VIDA.

Por Ricardo Seelig

Crítica do livro Black Sabbath - Destruição Desencadeada, de Martin Popoff

sábado, dezembro 06, 2014
Em 2008, publicamos uma matéria sobre o livro Black Sabbath Doom Let Loose: An Illustrated History, escrito pelo jornalista e pesquisador canadense Martin Popoff - leia aqui. Pois bem: passados cinco anos, a obra ganha uma caprichada edição brasileira lançada pela Darkside Books.

Com o título nacional de Black Sabbath - Destruição Desencadeada, o livro está à disposição nas livrarias e é recomendadíssimo não apenas para os fãs da banda, mas também para toda e qualquer pessoa que se interessa pela história do rock e do heavy metal. Suas 448 páginas preenchem uma lacuna no mercado editorial brasileiro, fazendo juz ao subtítulo A História Completa e contando, com riqueza de detalhes, a trajetória da banda mais importanda do rock pesado.

Popoff é uma sumidade, e seu trabalho como pesquisador e escritor especializado em heavy metal é diferenciado. Isso se reflete em todo o livro, que traz centenas de informações até então inéditas ao grande público. Com uma maneira de escrever hipnotizante, o canadense conduz o leitor por todos os guetos da rica história do Sabbath, construindo uma narrativa fascinante e épica.

Em relação à edição original, há algumas observações a serem feitas. O livro lançado em 2008 tinha outro formato, maior e quase quadrado, e suas páginas coloridas de papel couchê traziam literalmente centenas de imagens de itens de memorabília coletados junto aos colecionadores do grupo. A edição brasileira é diferente, e, apesar de não seguir o caminho citado, tem inúmeras qualidades. O que temos em nossas livrarias é um tomo com capa dura semelhante à belíssima edição nacional da biografia do Led Zeppelin, Quando os Gigantes Caminhavam Sobre a Terra. Com acabamento gráfico diferenciado, o livro impressiona pelo esmero com que a Darkside Books tratou a obra de Popoff e, por conseguinte, o legado do Black Sabbath. Perde-se um pouco pela opção da impressão em preto e branco, mas é perfeitamente compreensível tal decisão, uma vez que a impressão totalmente em cores deixaria o livro com um preço proibitivo e fora do alcance de grande parte do público a quem ele é dirigido.

Merece destaque também, além do rico acabamento gráfico, a introdução exclusiva da edição brasileira, a cargo de Andres Kisser, e a adição de um capítulo exclusivo, dedicado ao lançamento e à repercussão do álbum 13, lançado em junho passado.

Uma das mais belas e completas biografias musicais já lançadas no Brasil, Black Sabbath - Destruição Desencadeada é um deleite e um item essencial para quem gosta de rock, heavy metal e literatura. E mostra, acima de tudo, o cuidado com que a Darkside Books, sua editora, tratou a obra de Martin Popoff, demonstrando grande respeito pelos fãs.

Um dos melhores livros sobre música lançados no Brasil este ano - se não for o melhor.

Por Ricardo Seelig

Uma Temporada no Inferno com os Rolling Stones: a história de Exile on Main Street

sábado, dezembro 06, 2014


Robert Greenfield esteve no olho do furacão. Entre 1970 e 1972 editou, diretamente de Londres, a tradicionalíssima revista Rolling Stone, uma das mais importantes e influentes publicações musicais daquela época. Sua experiência com o contato direto e quase diário com artistas que se tornaram ícones de gerações o levou a escrever sobre suas aventuras, gerando obras obrigatórias para quem se interessa pela história da música pop, como A Journey through America with the Rolling Stones, Bill Graham Presents: My Life Inside Rock and Out, Dark Star: An Oral Biography of Jerry Garcia, Timothy Leary: A Biography, entre outros.

O mais recente livro de Greenfield, Uma Temporada no Inferno com os Rolling Stones (título original: Exile on Main St.: A Season in Hell with The Rolling Stones) conta em detalhes um dos períodos mais complicados da carreira dos Stones. No início dos anos setenta a banda estava literalmente falida, em um reflexo direto do contrato que haviam assinado com o empresário Allen Klein, famoso tanto por elevar as carreiras de seus contratados a um novo patamar, quanto por desviar somas exorbitantes desses mesmos artistas. Da mesma maneira que havia feito com os Beatles, Klein submeteu os Rolling Stones a um rígido controle financeiro, só fazendo chegar aos músicos somas muito pequenas de dinheiro, e ainda assim somente após insistentes pedidos.


Quando perceberam, os Stones eram escravos de Klein. Com a ajuda do príncipe austríaco Ruper Ludwig Ferdinand vu Loewenstein-Wertheim-Freudenberg, amigo pessoal de Mick Jagger, consultor financeiro da banda e diretor do banco mercantil britânico Leopold Joseph, o grupo traçou uma estratégia para, simultaneamente, se ver livre das garras sedentas de Klein e do apetite absurdo do leão inglês, que abocanhava inacreditáveis 93% dos rendimentos gerados pelo conjunto. Para se ter uma ideia, pelos cálculos de Loewenstein, Klein devia 17 milhões de dólares ao grupo. Se hoje essa quantia já é fabulosa, imagine há quase quarenta anos atrás.

Os advogados dos Stones, sob a orientação de Loewenstein, sentaram-se com os representantes de Allen Klein e, após uma sessão final de negociações que durou 36 horas ininterruptas, fecharam um acordo onde Klein pagaria 2 milhões de dólares ao grupo e ficaria com as masters e os direitos de editoração de toda a obra gravada pelos Rolling Stones até 1970, incluindo não apenas tudo o que já havia sido lançado pelo grupo, mas também gravações inéditas registradas no período. Ou seja, Klein estava rindo à toa, enquanto os Stones precisavam imediatamente resolver suas finanças.


A solução encontrada pelo grupo foi partir para um auto-exílio na França, onde gravariam um disco e, logo em seguida, sairíam em turnê. Um a um, cada integrante da trupe dos Stones partiu para a costa francesa. A base do grupo foi estabelecida na mansão alugada por Keith Richards em Vila Nellcote, transformada em quartel-general durante a estada francesa da banda e que, segundo histórias contadas por moradores locais, havia servido de refúgio para nazistas em fuga após a Segunda Guerra Mundial.

Para quem vê de fora, tudo parecia estar entrando nos eixos, certo? Afinal, você é um dos maiores rockstars do mundo, toca na maior banda do planeta, seu último álbum foi aclamado pela crítica (o excelente Sticky Fingers, de 1971) e você está prestes a gravar o seu próximo disco em uma enorme mansão às margens da costa meditarrânea. O problema é que nem tudo eram flores para os Rolling Stones naquele momento.

Além do caos financeiro causado pela parceria com Allen Klein, o quinteto enfrentava outros problemas. Keith Richards e Anita Pallenberg, sua namorada e futura esposa, com quem teria dois filhos, estavam afundados em heroína, consumindo a droga como quem masca chicletes. Por outro lado, Mick Jagger estava prestes a se casar com a modelo Bianca Perez Morena de Macias – futura senhora Bianca Jagger –, e logo depois veria o nascimento de sua primogênita, Jade. Bill Wyman e Charlie Watts, acompanhados de suas respectivas esposas, mantinham uma distância sadia da mansão de Keith, enquanto Mick Taylor, ao mesmo tempo em que gravava passagens fenomenais com sua guitarra nas canções que iriam figurar em Exile on Main St., era assombrado por suas inseguranças e medos, revelando os primeiros sinais que o levariam, mais tarde, a sair do grupo.

O relato de Robert Greenfield está repleto de detalhes que apenas quem viveu, pessoal e intimamente, aquele período em Vila Nellcote poderia contar. Seu texto é ágil e fácil, tornando a leitura do livro uma experiência empolgante. Página após página, somos apresentados a personagens que faziam parte do cotidiano dos Rolling Stones naquela época, nomes como Marianne Faithful, o pequeno Marlon – filho de Keith e Anita –, Gram Parsons, o fotógrafo Michael Cooper (autor da capa de Their Satanic Majesties Request), Marshall Chess (herdeiro da Chess Records e responsável por tocar a recém criada Rolling Stones Records), o produtor Andy Johns, Tony Sanchez (o folclórico Tony Espanhol, traficante pessoal dos Stones e chapa de Keith), Jean de Breteuil (playboy e aristocrata francês, cujos serviços como traficante incluem, segundo os mais bem informados, a dose de heroína que causou a overdose fatal de Jim Morrison em Paris), o bon vivant Tommy Weber e seus filhos Jake e Charlie (como curiosidade, vale dizer que Jake Weber faz o papel, atualmente, do marido de Patricia Arquette na série Medium, transmitida no Brasil pela Sony), além de inúmeros outros que vão surgindo como coadjuvantes ao longo do livro.



A aventura dos Stones se revela uma jornada sem fim. Sob o sol escandante do litoral francês, enquanto Keith e Anita se entopem de heroína, Mick e Bianca se mudam para Paris para curtir sua lua de mel. O tal disco, a razão pela qual o grupo se mudou para a França, fica infinitamente em segundo plano, deixado de lado enquanto os Glimmer Twins e sua trupe tinham outras prioridades. Aos poucos o ambiente de Villa Nellcote revela-se um inferno, com os Stones embarcando em uma viagem caótica, turbinada pela dependência cada vez maior de Keith Richards. A produtividade de Keith, tradicionalmente a força motriz por trás das composições do grupo, acaba comprometida pelo seu vício cada vez maior, com o guitarrista assumindo um comportamento similar aquele que tanto criticava em Brian Jones, quando esse último aparecia pra lá de chapado nas sessões de gravação da banda. Para constar, Keith só colocaria um fim em seu romance com a heroína no final da década de 1970, após ser preso no Canadá com 28 gramas da droga e ser condenado pela justiça local.

E assim os dias se arrastam. Ideias esparsas surgem de tempos em tempos, e os demais integrantes tentam evoluí-las, quase sempre sem a presença de Keith e Mick. Enquanto isso, pessoas cada vez mais estranhas transformam-se em visitantes habituais de Villa Nellcote, como os traficantes corsos que mais parecem personagens do filme Homens de Preto, isso sem falar em toda a fauna freak local.

Enquanto Keith isola-se cada vez mais, Anita dá asas a sua paranóia e vai tornando a vida de todos na casa uma sucessão de causos inacreditáveis. Obcessiva por natureza, a linda modelo que marcou a vida de três Stones (além de Richards, Anita Pallenberg manteve romances com Brian Jones e Mick Jagger) assume, a princípio, o papel de rainha louca da mansão, mas aos poucos as suas atitudes se transformam em piada entre os frequentadores da casa, fazendo com que Anita vire apenas mais um personagem curioso na rica galeria de tipos esquisitos de Vila Nellcote.

Em algumas passagens o livro de Greenfield assemelha-se a um romance policial, repleto de intrigas e tramas paralelas. A relação entre os moradores de Nellcote e sua interação com a comunidade que os cerca gera inevitáveis conflitos. Greenfield narra esses encontros de forma bastante detalhada, prendendo a atenção do leitor com histórias que, em alguns momentos, parecem saídas de contos quixotescos.


Para mim, dois aspectos do texto de merecem uma pequena crítica. O primeiro é que ao ler a orelha e os trechos da contracapa do livro, têm-se a sensação de que Uma Temporada no Inferno com os Rolling Stones tratá muito mais detalhes e curiosidades sobre o comportamento dos Stones naquele período do que realmente traz. Ou seja, a propaganda promete mais do que o livro realmente entrega. Pode ser apenas uma sensação pessoal minha, que sempre fui um devorador da intimidade mórbida de meus ídolos, mas tenha a impressão que se Greenfield fosse um pouco mais fundo e, sobretudo, tivesse a coragem de publicar tudo o que realmente viu, o livro seria melhor do que já é.


A outra questão é o esforço contínuo que Robert Greenfield faz para desacreditar toda e qualquer informação que tenha como fonte Tony Espanhol. Tudo bem que as memórias de um traficante naquele início dos anos setenta não configuram, realmente, uma fonte das mais confiáveis, mas daí eu pergunto: no que elas se diferem das lembranças de quem estava do outro lado do barco, vivendo o cotidiano daqueles dias, geralmente entorpecido com os produtos que Tony fornecia? O ranço de Greenfield me soa mais como uma lance pessoal, uma antipatia em relação ao fornecedor habitual dos Stones, do que qualquer outra coisa.

Mas esses pequenos deslizes não desmerecem, em nenhum momento, a qualidade do livro. Uma Temporada no Inferno com os Rolling Stones é uma obra indicadíssima para quem se interessa pela história do rock e de um de seus principais protagonistas, e uma de suas maiores qualidades é justamente trazer uma visão de dentro para fora, com o relato de quem viveu aquela época na mesma sintonia dos músicos. Sem dúvida, uma ótima obra sobre aquela que, desde sempre, é conhecida como a maior banda de rock do mundo.

5 de dez de 2014

Collectors Room Apresenta: Blacktop Mojo

sexta-feira, dezembro 05, 2014
Eles são texanos.

O Lynyrd Skynyrd é uma de suas principais influências.

A referência atual é o Black Stone Cherry.

O som mistura hard com uma pegada heavy. 

O release informa que os principais hobbys da banda são caçar crocodilos e atirar com suas espingardas.

O primeiro disco, I Am, foi lançado recentemente, recebeu ótimas críticas e pode ser ouvido no player abaixo:

Os melhores discos de 2014 na opinião de Max Cavalera e outros músicos

sexta-feira, dezembro 05, 2014
A série é tradicional no Metal Sucks e sempre rende listas interessantes e curiosas. Os caras vão atrás de alguns dos principais artistas do universo heavy metal e fazem a clássica pergunta: quais foram os melhores discos do ano na sua opinião?

Abaixo, publicamos algumas listas. E neste link você pode acompanhar todas que o Metal Sucks está colocando no ar.

Max Cavalera

1 The Acacia Strain - Coma Witch
2 Incite - Up in Hell
3 Lody Kong - Dreams and Visions
4 Noisem - Consumed
5 Full of Hell / Merzbow (Split)
6 Code Orange Kids - I Am King
7 Hour of Penance - Regiticide
8 Aborted - Necrotic Manifesto
9 Killer Be Killed - Killer Be Killed
10 Cavalera Conspiracy - Pandemonium

Tommy Rogers (Between the Buried and Me)

1 Junius - Days of the Fallen Sun
2 The Faint - Doom Abuse
3 Thom Yorke - Tomorrow's Modern Boxes
4 Abigor - Leytmotif Luzifer
5 Kasabian - 48:13
6 Mutoid Man - Helium Head
7 Swans - To Be Kind
8 Weezer - Everything Will Be Alright in the End
9 Wovenhand - Refractory Obdurate
10 1349 - Msssive Cauldron of Chaos

Alan Averill (Primordial)

1 Wovenhand - Refractory Obdurate
2 Nick Cave – Push the Sky Away
3 Dead Congregation - Promulgation of the Fall
4 Kriegsmaschine – Enemy of Man
5 Sólstafir - Otta
6 Bolzer – Aura
7 Unit Black Flight – Tracks from the Trailer
8 Necros Christos – Nine Graves
9 Satan – Life Sentence

JR Hayes (Pig Destroyer)

1 Eyehategod - Eyehategod
2 Agents of Abhorrence – Relief
3 Kitty – Impatiens
4 Old Crow Medicine Show – Remedy
5 Full of Hell / Merzbow (split)

Torkjell Rød (Audrey Horne)

Mastodon – Once More ‘Round the Sun
2 Rival Sons – Great Western Valkyrie
3 Chris Robinson Brotherhood – Phosphorescent Harvest
4 Steve Nicks – 24 Karat Gold
5 Foo Fighters – Sonic Highways
6 Every Time I Die – From Parts Unknown
7 Rancid – Honor is All We Know
8 Against Me! – Transgender Dysphoria Blues
9 Bob Mould – Beauty and Ruin
10 Fucked Up – Glass Boys

Os melhores discos de metal de 2014 segundo o PopMatters

sexta-feira, dezembro 05, 2014
O Popmatters publicou a sua lista com o melhor do metal em 2014. 15 títulos, listados abaixo, e com comentários sobre cada uma das escolhas na matéria original.

Um ótimo painel com alguns dos sons mais interessantes do metal durante o ano - com exceção da m … do Babymetal, é claro.

Abaixo, o top 15 de 2014:

15 Witch Mountain - Mobile of Angels
14 Babymetal - Babymetal
13 Dawnbringer - Night of the Hammer
12 Midnight - No Mercy for Mayhem
11 Ghost Brigade - IV: One With the Storm
10 Panopticon - Roads to the North
9 Mournful Congregation - Concrescence of the Sophia
8 Behemoth - The Satanist
7 Godflesh - A World Lit Only by Fire
6 Judas Priest - Redeemer of Souls
5 Agalloch - The Serpent and the Sphere
4 YOB - Clearing the Path of Ascend
3 Pallbearer - Foundations of Burden
2 Triptykon - Melana Chasmata
1 Opeth - Pale Communion

4 de dez de 2014

Os melhores discos de 2014 na opinião de João Renato Alves

quinta-feira, dezembro 04, 2014
O João é o cara que toca a Van do Halen, o principal site brasileiro de notícias sobre rock e heavy metal. Um trabalho árduo, que exige esforço e dedicação diários, e vem colhendo frutos cada vez maiores. Conheço o João Renato já há algum tempo e o cara é uma das pessoas mais íntegras que encontrei neste meio - o que, vale sempre a pena dizer, é um caso raro, infelizmente.

Como fazemos todos os anos, convidamos o João para participar do nosso melhores do ano, e aqui vão as suas indicações (clique nos links para ouvir os discos).

2014 foi um ano bacana e diversificado no terreno musical. Muita coisa boa do classic rock ao metal extremo. Segue o top 10 de minha autoria, que não tem pretensão alguma de ser referência, apenas é uma amostra de várias coisas boas que passaram pelos meus tímpanos este ano.


Wilko Johnson & Roger Daltrey – Going Back Home

Inicialmente, seria a despedida de Wilko, que recebeu expectativa de poucos meses de vida graças a um câncer no pâncreas. Hoje o cenário mudou, após cirurgia experimental que parece ter sido bem sucedida. Mas o que realmente  interessa é que Going Back Home é um petardo, que faz o ouvinte vibrar e se emocionar. São menos de 35 minutos de música em 11 faixas. Suficiente para colocar o disco no topo.

Uganga – Opressor

Há tempos que os mineiros já se colocaram no topo da cena nacional em termos de qualidade e originalidade. Opressor é um passo adiante, um caldeirão de influências do hardcore ao metal em seus subgêneros com resultado mais que digno. Uma prova de que o som pesado em português não apenas é uma realidade como deveria receber atenção bem maior, especialmente do público.

Chrome Division – Infernal Rock Eternal

Após bater na trave nos discos anteriores, Shagrath e sua turma acertaram a mão de vez na quarta tentativa. É aquele rock vigoroso, com pegada heavy e melodias na medida certa, com certa atmosfera estradeira oferecendo o clima necessário para apreciação. Minha música preferida de 2014 está nele, a impagável “(She’s) Hot Tonight”.

Adrenaline Mob – Men of Honor

O primeiro era bom, porém meio repetitivo. A saída de Mike Portnoy e a entrada de AJ Pero parece ter forçado o Adrenaline Mob a ser mais direto em Men of Honor. E deu certo. A pegada fulminante produziu bons sons, alguns que poderiam até figurar nas rádios rock da vida. O caminho foi encontrado, resta saber se será seguido nos próximos capítulos.

Winger – Better Days Comin’

O melhor disco desde o retorno da banda. O hard rock pesado e direto é a base, mas há espaço para momentos prog e até mesmo passagens mais pop, lembrando a carreira solo de Kip Winger. Tudo feito com extremo bom gosto por músicos muito acima da média que não se tornaram meros firulentos exibidos.


De todas as recentes revelações, a que mais me agradou. Blues rock pegado, com incursões bem executadas pelo metal dos primórdios. O quarteto comandado pela poderosa vocalista Elin Larsson não tem medo de soar retrógrado e ganha o jogo pela autenticidade que imprime, algo muito difícil de acontecer com quem se aventura por águas já navegadas. Alvoroço justificado.

Mr. Big - ...The Stories We Could Tell

Inicialmente, os músicos do Mr. Big não se reuniriam este ano. A prioridade seria o Winery Dogs e carreiras solo. Mas a doença do baterista Pat Torpey forçou uma mudança de planos. Sorte que, mesmo com atropelos, a inspiração estava em alta. O grupo mergulhou em suas raízes e lançou um trabalho ainda melhor que seu antecessor, o já ótimo What If... .

Unisonic – Light of Dawn

Com a tensão da estreia quebrada, Michael Kiske sentiu-se mais à vontade para se reaproximar da abordagem sonora que o consagrou. Como consequência, o segundo álbum do Unisonic traz um tracklist bem mais coeso em comparação ao primeiro. Vários momentos fazem verter lágrimas nos fãs mais ferrenhos da era Keepers, especialmente por aquele gogó que ainda está tinindo.

Slash – World on Fire

Definitivamente, apenas uma coisa justificaria uma volta do Guns N’ Roses: grana, muita grana. Especialmente para Slash, que segue lançando bons discos desde que saiu da banda e não precisa lidar com egocentrismo (que sejamos justos, não vem apenas de Axl). World on Fire tem o mérito de ser longo sem enjoar, como tem acontecido com trabalhos recentes de outras bandas, como Aerosmith e Judas Priest, para citar dois monstros sagrados.

Kix – Rock Your Face Off

Confesso nunca ter sido grande fã da banda. Mas seu primeiro álbum de inéditas desde 1995 é um deleite para adeptos do hard rock, tanto setentista quanto oitentista. Músicas guiadas por riffs de primeira, melodias marcantes e influências saudáveis de AC/DC, Aerosmith e Rolling Stones mostram que Steve Whiteman e companhia não perderam a manha de criar sons simples, diretos e marcantes.

Não entraram, mas poderiam estar lá:

Vandenberg’s Moonkings – Moonkings
Edguy – Space Police Defenders of the Crown
Killer Be Killed – Killer Be Killed
The Quireboys – Black Eyed Sons
Ace Frehley – Space Invader
Overkill – White Devil Armory
Jeff LaBar – One for the Road
Accept – Blind Rage
Slipknot - .5: The Gray Chapter
Machine Head – Bloodstone & Diamonds

3 de dez de 2014

Os 50 melhores álbuns de 2014 segundo a Classic Rock Magazine

quarta-feira, dezembro 03, 2014
A revista inglesa Classic Rock traz em sua nova edição a aguardada lista com os melhores discos do ano na opinião da sua equipe. Entre nomes veteranos e novos talentos que carregam o rock em suas veias, a publicação montou uma lista interessante e que serve de guia para audições prazerosas nas próximas semanas.

Com vocês, os 50 melhores álbuns de 2014 segundo a Classic Rock Magazine:

50 California Breed - California Breed
49 Amplifier - Mystoria
48 Ming City Rockers - Ming City Rockers
47 Uriah Heep - Outsider
46 Work of Art - Framework
45 Walter Trout - The Blues Came Callin’
44 Ginger - Albion
43 Urban Voodoo Machine - Love, Drink and Death
42 Flying Colors - Second Nature
41 Magnum - Escape From the Shadow Garden
40 Goat - Commune
39 Crobot - Something Supernatural
38 The Black Keys - Turn Blue
37 John Mellencamp - Plain Spoken
36 Mastodon - Once More Round the Sun
35 The War on Drugs - Lost in the Dream
34 David Crosby - Croz
33 Electric Wizard - Time to Die
32 Blues Pills - Blues Pills
31 H.E.A.T. - Tearing Down the Walls
30 Lucinda Williams - Down Where the Spirit Meets the Bone
29 Messenger - Illusory Blues
28 Chrissie Hynde - Stockholm
27 Buzzcocks - The Way
26 Ryan Adams - Ryan Adams
25 Billy Idol - Kings and Queens of the Underground
24 Benjamin Booker - Benjamin Booker
23 Syd Arthur - Sound Mirror
22 Leonard Cohen - Popular Problems
21 Kill It Kid - You Owe Nothing’
20 Orange Goblin - Back From the Abyss
19 The Gaslight Anthem - Get Hurt
18 Judas Priest - Redeemer of Souls
17 Lionize - Jetpack Soundtrack
16 Blackberry Smoke - Leave a Scar
15 Joe Bonamassa - Different Shades of Blue
14 Anathema - Distant Satellites
13 Augustines - Augustines
12 Tom Petty - Hypnotic Eye
11 Wilko Johnson & Roger Daltrey - Going Back Home
10 Hiss Golden Messenger - Lateness of Dancers
9 Opeth - Pale Communion
8 Black Stone Cherry - Magic Mountain
7 Ace Frehley - Space Invader
6 Slash - World on Fire
5 Bruce Springsteen - High Hopes
4 AC/DC - Rock or Bust
3 Robert Plant - Lullaby and … The Ceaseless Roar
2 Royal Blood - Royal Blood
1 Rival Sons - Great Western Valkyrie

+ R.I.P. Ian Patrick McLagan (12/05/1945 - 03/12/2014) +

quarta-feira, dezembro 03, 2014
Faleceu hoje o tecladista inglês Ian McLagan. Famoso por seu trabalho no Small Faces e no Faces, McLagan foi uma das figuras principais da banda que contava com Rod Stewart e Ron Wood nos anos 1970. Ian participou também de trabalhos com os Rolling Stones, Keith Richards, Bob Dylan, Bruce Springsteen, Izzy Stradin e Billy Bragg, entre outros.


O música tinha 69 anos e sofreu um acidente vascular cerebral.

Collectors Room Apresenta: Kill It Kid

quarta-feira, dezembro 03, 2014
Ingleses. Tocando blues rock. Com uma voz feminina. E outra masculina.

Kill It Kid. Este é o nome da banda. Que lançou o seu debut auto-intitulado em 2009, sucedido de outros dois plays, Feet Fall Heavy (2011) e You Owe Nothing (2014). Todos muito bons. As referências passam por Black Keys, um que de Janis Joplin, aliando melodia e rispidez. 

O último álbum recebeu uma senhora nota 9 da Classic Rock Magazine.

Abaixo, pra curtir:

Novo sistema de comentários

quarta-feira, dezembro 03, 2014
Seguindo a dica e o pedido de diversos leitores, implantamos um novo sistema de comentários no site utilizando a plataforma Disqus, já bastante popular em diversos outros veículos. Ela torna mais fácil a interação entre os usuários, bem como o compartilhamento e a socialização dos debates sobre cada post.

Os comentários do sistema anterior seguem ativos na aba Seja o Primeiro a Comentar / Comente Esta Matéria da página principal, onde consta o resumo do post.

Qualquer dúvida, estamos aí pra ajudar, orientar e aprender juntos.

Os 10 melhores discos de 2014 segundo a Time Magazine

quarta-feira, dezembro 03, 2014
A tradicional revista norte-americana Time, uma das mais influentes dos Estados Unidos, publicou a sua lista com os melhores discos do ano. Títulos que já se tornaram figuras frequentes nas listas de outros veículos marcam presença, mostrando a força de alguns títulos. Para ler a matéria original, clique aqui

Abaixo, o top 10 da Time:

10 Azealia Banks - Broke With Expensive Taste
9 Ryan Adams - Ryan Adams
8 Jenny Lewis - The Voyager
7 Against Me! - Transgender Dysphoria Blues
6 Lana Del Rey - Ultraviolence
5 Perfume Genius - Too Bright
4 Taylor Swift - 1989
3 Alt-J - This is All Yours
2 St. Vincent - St. Vincent
1 FKA Twigs - LP1

Checklist #004

quarta-feira, dezembro 03, 2014
Passada semanal na banca. Nesta edição, destaque para Robert Plant na capa da nova Relix, os 10 anos da morte de Dimebag Darrell na Total Guitar e os 30 anos da Metal Hammer grega.

Acesse os sites das publicações para acessar versões para tablets ou comprar online.







2 de dez de 2014

Os melhores discos de 2014 na opinião de Márcio Grings

terça-feira, dezembro 02, 2014
Conheço o Márcio Grings há alguns anos. Não pessoalmente, mas através de outro fator tão forte quanto: o emocional. A identificação de gostos musicais similares, que nos ensinam e mostram, mutuamente, sons e caminhos a seguir. Admiro muito o trabalho do Grings. Jornalista, escritor, radialista. E que nesse 2014 lançou a excelente rádio online On the Rocks, cheia de gente boa e com uma das melhores programações da rede - não por acaso, assinada por ele.

Com a palavra, então, o grande Grings com o seu parecer sobre a música em 2014.

2014 foi um ano de bons lançamentos. Em comparação aos últimos dois anos, dessa vez tive dificuldade de selecionar minha lista. Ouvi muitos álbuns interessantes nos doze meses passados. No entanto, na hora da areia escorrer pela ampulheta, a malha fina deixou 10 discos que tirei o chapéu. Você pode até não concordar comigo, no entanto, eis um bocado de álbuns que valem a sua audição. Todos os trabalhos selecionados possuem canções na grade musical da On the Rocks.

Meus agradecimentos ao amigo Ricardo Seelig, homem que comanda o site Collector’s Room, um dos melhores portais de informação sobre música deste país, plataforma aonde essa lista também será publicada.

Para ouvir os álbuns selecionados, clique no título de cada trabalho. 


Lucinda Williams - Down Where the Spirit Meets the Bone

A temática de Down Where the Spirit Meets the Bone explora com profundidade o blues, country, soul e folk. Uma mistura que os gringos gostam de definir em gênero como “Americana”. Até um Grammy foi criado para essa categoria. E Lucinda Williams consegue transitar com propriedade num território totalmente masculino, e mais: – dá pra dizer, com o perdão da frase conclusiva, que essa veterana de 61 anos fez “um álbum de homem”. Na verdade, a cantora já vinha pontualmente lançando bons discos. Agora, Lucinda acaba de nos apresentar sua obra-prima. Basta ouvir canções como “Protection”, “Foolisheness”, “Stand Right by Each Other” e “It’s Gonna Rain” para o ouvinte mais desatento sacar que está em plena audição de um clássico do nosso tempo.


Beck - Morning Phase

Sea Change é um dos meus álbuns favoritos de Beck. Na verdade, é o único CD que tenho na prateleira. Quando o músico disse em entrevistas que estava preparando uma espécie de continuação desse disco, minha sobrancelha deu uma leve estremecida. E Morning Phase não apenas soa semelhante ao trabalho feito em 2002, como também o supera. Oscilando entre o otimismo e a melancolia, Morning Phase não deixa de ser um disco surpreendente pelo fato de Beck ser um artista com múltiplas possibilidades e desdobramentos. No entanto, tudo soa simples, quase sempre acústico e com uma sonoridade próxima à virada das décadas de 1960/70. São os violões e as canções que tornam esse álbum um daqueles discos que nos fazem acreditar que Beck ainda é um dos responsáveis pela salvação da lavoura.


Ele foi guitarrista do Black Crowes, atuou como sideman de nomes como Ben Harper e Booker T, gravou com Izzy Stradlin, tocou com o Gov’t Mule e produziu dois álbuns do countryman Ryan Bingham. Ou seja, Marc Ford já rodou pra caramba, e sempre foi considerado um guitarrista de mão cheia. Na verdade, Holy Ghost é seu quinto álbum solo, e podemos dizer sem medo de errar que Marc colocou nas prateleiras um disco que dá gosto de ouvir. Holy Ghost tem boas doses de country, acena para o folk, incide com o rock, transita de leve numa levada bluesy marota, mas acima de tudo é um daqueles trabalhos perfeitos para ouvintes cancioneiros. E Ford toca de tudo: piano, banjo, pedal steel, teclado Fender Rhodes na maciota, violão e um pouco de guitarra, resultando num álbum feito para deixar rolar no player da primeira à última faixa.


Jack White é um dos heróis da música neste século. O cara tem uma gravadora, relança discos de bluesmen esquecidos, vai publicar livros e, além do mais, faz álbuns que revelam um artista completo por trás do homem de negócios. Quando fiz a primeira audição de Lazaretto, tinha certeza que ele estaria postulando nessa lista dos dez melhores do ano. E além do mais, seu segundo trabalho solo ainda é uma caixinha de surpresas no formato em vinil - ou melhor, ultra vinil. O bolachão toca do lado contrário, possui holograma e as faixas bônus são ouvidas no selo do disco. Quanto ao teor musical, tudo aquilo que conhecemos de Jack. Influências zeppelinianas, imersão no country, blues, todas aquelas brincadeiras antigas de divisão de instrumentos nos canais, e a divertida mistureba familiar para quem o acompanha desde o White Stripes.

David Crosby - Croz


Vinte anos após Thousand Roads, David Crosby lançou um álbum de inéditas que faz jus ao seu legado musical. Pra quem lança uma média de um álbum por década, Croz gerou toda uma expectativa na crítica e público. E não decepcionou. Com produção cuidadosa de seu filho, James Raymond, que também divide as composições com o pai, o disco se assemelha um pouco com a sonoridade dos três álbuns solo anteriores e quase nada com seus trabalhos feitos com Crosby, Stills, Nash & Young. Croz abre com a participação de Mark Knopfler e seu inconfundível timbre de guitarra ressoando em “What’s Broken”. Canções como “The Clearing”, “Slice of Time” e “See that Baggade Down” garantem o tíquete para a satisfação.


Robert Plant foi um dos meus primeiros ídolos no rock. Impossível desassociar sua figura como vocalista do Led Zeppelin. Quanto à trajetória solo do cantor inglês, bem, frequentemente dialoga muito pouco com aquilo que estamos carecas de ouvir do Led. Ainda bem. Pra começo de conversa, Lullaby and … The Ceaseless Roar é disparado um dos melhores trabalhos lançados por Plant - só perde para Fate of Nations, de 1994. Mesmo com referências folclóricas britânicas, o disco soa moderno, etéreo e úmido. A sobreposição de instrumentos percussivos pode incomodar alguns, e acredito que o álbum careça de espaços vazios e de limpeza. Posso estar enganado. Agora, a forma como Plant está cantando nos faz acreditar que reencontrou sua voz na maturidade. Ouça “A Stolen Kiss” e entenda com clareza o que acabei de dizer.


O criador de Standing in the Breach é um daqueles caras que muita gente talvez ainda não conheça. Apesar de ser um veterano, um dos responsáveis pela criação do chamado "som da Califórnia" no início dos anos 1970, brother do pessoal do Eagles e um compositor de mão cheia, ele é um daqueles artistas que parecem evitar os holofotes. Depois de seis anos sem um álbum de inéditas, Jackson Browne saiu da toca. E as canções de Standing in the Breach certamente irão agradar os velhos fãs, como também podem ser a porta de entrada para um público que ainda não ouviu sua música. Se formos tentar definir seu estilo, Jackson oscila entre o soft rock, o country, melodias que pegam de primeira, violões como carro-chefe e uma voz suave que funciona perfeitamente como elo entre todas essas ligações. Basta ouvir “The Birds of St. Marks”, faixa um do álbum, e você será fisgado de primeira. Vai por mim.

Rich Robinson - The Ceaseless Light

O guitarrista Rich Robinson não é a estrela dos Black Crowes. Quem figura nessa posição sem dúvida é seu irmão, Chris. E se ele montou uma banda para sobreviver ao hiato dos Crowes (Chris Robinson Brotherhood), Rich resolveu criar um novo álbum solo. The Ceaseless Light é um disco onde podemos reconhecer o cheiro da banda que o tornou famoso. É o caso de “I Know You”, como também percebemos quem é o responsável por certas caipirices acústicas na discografia da banda. Ouça temas como “Down the Road”, “Trial and Faith” e “In You” e comprove. Mas nada supera a beleza de “One Road Hill”, um som que já garantiria o pódio de The Ceaseless Light. E no mais, se o Black Crowes não lançou nenhum álbum 2014, tolo de você que ainda não ouviu o que Rich anda fazendo enquanto o irmão se perde em psicodelias ultrapassadas.


O ex-líder do Screaming Trees não vive à sombra de seu passado. Tanto que, hoje, o trabalho de Mark Lanegan passa longe daquilo que ele fez a frente de uma das bandas que forjou o chamado som de Seattle. Inclusive, Phantom Radio se aproxima da cena pós-punk inglesa. Ouça temas como “Judgement Time” e “Floor of the Ocean” que a ficha cairá instantaneamente. Outro detalhe: se compararmos Phantom Radio com trabalhos anteriores como Blues Funeral, dá pra afirmar que esse talvez seja o mais pop de seus discos. Não vejo problemas nisso. O que fica claro é que Lanegan parece ter definitivamente encontrado seu caminho. E quando temos no tracklist uma música como “I Am a Wolf”, fica fácil concluir que Nick Cave e Tom Waits encontraram um sucessor.

Willie Nelson - Band of Brothers

Willie Nelson é um daqueles sujeitos insubstituíveis. Para falar de Band of Brothers, um de seus dois álbuns lançados esse ano, vou me deter em apenas uma música: “The Wall”. Quantas vezes passamos da medida e damos com a cara na parede? Incansáveis como velas romanas que queimam tudo ao redor. As coisas acontecem muito rápido, você montado num foguete, voando baixo. Só para quando bate.  E quando quebramos a cara na droga do muro, o seu mundo desaba. No entanto, é estranho, nenhum som é emitido. Não há cicatrizes e nada de sangue. É como se o silêncio e a falta de evidências fosse a sua pena. No final das contas, apenas você sabe que se esborrachou. Em outra música, ele diz: “Metade do mundo pensa que somos loucos / A outra metade quer ser como nós”. Por favor, Willie Nelson pra presidente.

Ah, e de bônus, segue abaixo aquela que pra mim foi a grande canção pop de 2014. "Sailing" está em Man on the Rocks, disco lançado por Mike Oldfield. No tema, o guitarrista/tecladista conta com a participação de Luke Spiller, vocalista e líder do grupo britânico The Strutts. Quando eu lembrar de 2014, vou lembrar dessa música

+ R.I.P. Robert Henry Keys (18/12/1943 - 02/12/2014) +

terça-feira, dezembro 02, 2014
Faleceu nesta terça o lendário saxofonista norte-americano Bobby Keys. Integrante “paralelo” dos Rolling Stones desde 1964, Keys participou de diversos álbuns clássicos do grupo - como Let It Bleed, Sticky FingersExile on Main St. -, além de inúmeras turnês com a banda. Keys era um dos amigos mais próximos de Keith Richards, seu companheiro de banda, copo e tudo mais.

Além dos Stones, Bobby participou de trabalhos de lendas do porte de B.B. King, John Lennon, George Harrison, Chuck Berry, Dr. John, Eric Clapton, Faces, Lynyrd Skynyrd, Marvin Gaye e muitos outros.


Bobby Keys faleceu em sua casa, no Tennessee, às vésperas de completar 71 anos, em decorrência de cirrose.

Stereogum revela a sua lista de melhores de 2014

terça-feira, dezembro 02, 2014
O site Stereogum divulgou a sua aguardada lista de melhores discos do ano. O top 50 pode ser visto abaixo, e a matéria original está neste link.

E aí, curtiu?

50 Parquet Courts - Sunbathing Animal
49 St. Vincent - St. Vincent
48 Tops - Picture You Staring
47 Thou - Heathen
46 Spoon - They Want My Soul
45 You Blew It! - Keep Doing What You’re Doing
44 Sturgill Simpson - Metamodern Sounds in Country Music
43 LVL Up - Hoodwink’d
42 Triptykon - Melana Chasmata
41 Vince Staples - Hell Can Wait
40 Tinashe - Aquarius
39 Caribou - Our Love
38 Horrendous - Ecdysis
37 Mitski - Bury Me At Makeout Creek
36 The Men - Tomorrow’s Hits
35 Flying Lotus - You’re Dead!
34 How to Dress Well - What is the Heart?
33 Aphex Twin - Syro
32 Future Islands - Singles
31 Ty Segall - Manipulator
30 Todd Terje - It’s Album Time
29 Ariel Pink - Pom Pom
28 Fucked Up - Glass Boys
27 Cloud Nothings - Here and Nowhere Else
26 Jessie Ware - Tough Love
25 Woods of Desolation - As the Stars
24 Chumped - Teenage Retirement
23 Perfume Genius - Too Bright
22 Taylor Swift - 1989
21 Young Thug, Birdman & Rich Homie Quan - Rich Gang: Tha Tour Part 1
20 Strand of Oaks - Heal
19 Real Estate - Atlas
18 Eric Church - The Oursiders
17 Jenny Lewis - The Voyager
16 EMA - The Future’s Void
15 YG - My Krazy Life
14 Against Me! - Transgender Dysphoria Blues
13 Swans - To Be Kind
12 Lana Del Rey - Ultraviolence
11 YOB - Clearing the Path to Ascend
10 Merchandise - After the End
9 FKA Twigs - LP1
8 Nux Vomica - Nux Vomica
7 Sharon Von Etten - Are We There
6 White Lung - Deep Fantasy
5 Angel Olsen - Burn Your Fire For No Witness
4 Wye Oak - Shriek
3 Sun Kil Moon - Benji
2 The War on Drugs - Lost in the Dream
1 Run the Jewels - Run the Jewels 2

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