Minha Coleção: conheça o imenso acervo de Gabriel Orlandi, de Florianópolis


De colecionador pra colecionador, faça uma breve apresentação para os nossos leitores.

Sou Gabriel Orlandi. Tenho 42 anos. Não me vejo muito como colecionador, mas quando olho para meus CDs, filmes, HQs, vinis, pedais de guitarra e guitarras, acho que não tenho muito como negar isso (risos). Gosto muito de jazz e rock progressivo, mas tenho discos de pop, rock, música clássica e outras tranqueiras. 

Quantos discos você tem em sua coleção?

Não sei bem, não costumo contar. Já tive bem mais, mas hoje acho que tenho uns 3 mil CDs, uns 400 vinis, umas 500 HQs, uns 200 DVDs de música e uns 250 filmes.

Quando você começou a colecionar discos?

Não lembro bem em que época comecei a "colecionar" discos. Só queria ouvir novas músicas, aí fui acumulando. Acho que posso dizer que o início mais sério foi quando consegui meu primeiro emprego, em 1999, mas tenho vários discos que comprei antes.



Você lembra qual foi o seu primeiro disco? Ainda o tem em sua coleção?

Sim. No meu aniversário de 8 anos, em 1982, ganhei o Dynasty do Kiss da minha madrinha. Tenho ele até hoje, com dedicatória!! Vale pra mim mais do que o autógrafo dos próprios caras do Kiss! (risos)

Quando caiu a ficha e você percebeu que não era só um ouvinte de música, mas sim um colecionador de discos?

Ainda não caiu essa ficha, mas acho que quando começamos o grupo de ouvintes de música chamado Os Camangas, ou quando tu me convidou para esta entrevista.

Como você organiza a sua coleção? Por ordem alfabética, de gêneros ou usa algum outro critério?

Os CDs estão "quase" em ordem alfabética. Os discos que começam com a letra A estão juntos, os que começam com a letra B também estão juntos e assim sucessivamente, e os discos do mesmo artista estão juntos, mas dentro da letra é um vale tudo danado.



Onde você guarda a sua coleção? Foi preciso construir um móvel exclusivo pra guardar tudo, ou você conseguiu resolver com estantes mesmo?

Guardo meus CDs e LPs na sala, tem que estar próximos do som. As HQs estão em um quartinho específico pra isso. Os CDs e vinis tem um móvel criado pra eles, o resto ainda é uma festa … mas logo vão ter o seu próprio móvel.

Que dica de conservação você dá para quem também coleciona discos?

Muito cuidado com o sol e poeira. Limpeza, carinho, pouco sol e que sejam utilizados. Disco só pra bonito não serve. Tem que ouvir!!!

Você já ouviu tudo que tem? Consegue ouvir os títulos que tem em sua coleção frequentemente?

Já ouvi tudo. Admito que muitos só ouvi uma ou duas vezes, mas fico agoniado enquanto não ouço o que comprei. Consigo ouvir com bastante frequência. 




Qual o seu gênero musical favorito e a sua banda preferida?

Jazz e progressivo. Gosto muito de Coltrane, Miles Davis, Pat Metheny, King Crimson, Yes, Keith Jarrett, Genesis, Frank Zappa  ...vou parar por aqui.

De qual banda você tem mais itens em sua coleção?

Tenho praticamente todos os discos do Miles Davis, do Pat Metheny, tenho todos do King Crimson (inclusive vários boxes limitados), Wynton Marsalis, todos do Yes, muitos do Frank Zappa. Acho que a maior coleção em número de discos é do King Crimson mesmo. Cada box destes tem mais de 20 discos, então acaba sendo a maior.

Quais são os itens mais raros, e também aqueles que você mais gosta, na sua coleção?

Tenho uma caixa, bem recente aliás, do Pink Floyd, que não se vê muito por aqui. Tenho edições japonesas em vinil do Coltrane e alguns discos autografados (Peter Brötzmann, Gonzalo Rubalcaba, Kenny Wollesen, dentre outros). Mas nada impossível de encontrar.




Você é daqueles que precisa ter várias versões do mesmo disco em seu acervo, ou se contenta em completar as discografias das bandas que mais curte?

Não. Gosto de completar a discografia, mas com a melhor cópia que eu possa ter daquela obra. Gosto de ter a última versão remasterizada, ou a cópia japonesa do vinil. Tem disco que eu já comprei umas 8 vezes (Tales from Topographic Oceans do Yes, por exemplo).

Além de discos (CDs, LPs), você possui alguma outra coleção?

Filmes, pedais de guitarra e guitarras.

Em uma época como essa, onde as lojas de discos estão em extinção, como você faz para comprar discos? Ainda frequente alguma loja física ou é tudo pela internet?

Frequento sebos, a Roots Records aqui em Floripa, lojas em São Paulo ou em qualquer outro lugar que eu for viajar - e, obviamente, a internet.




Que loja de discos você indica para os nossos leitores? 

Aqui em Floripa a Roots, o Sebo Elemental e as feiras de discos (principalmente os discos vendidos pelo Paulinho, que é um monstro na busca por preciosidades).

Qual foi o lugar mais estranho em que você já comprou discos?

Estranho?!? Se tá vendendo discos já não é mais estranho, mas costumo comprar discos do Paulinho (meu fornecedor oficial de vinis). Aí vamos até a casa dele e pegamos tudo que dá. Pode ser considerado um lugar bem estranho (risos).

O que as pessoas pensam da sua coleção de discos, já que vivemos um tempo em que o formato físico tem caído em desuso e a música migrou para o formato digital?

Normalmente o pessoal fica bem impressionado, e logo depois vem aqueles comentários: "nossa tu ouve isso tudo?” ou, "o meu pai tinha vários desse bolachões, isso é uma raridade né?".




Você se espelha em alguma outra coleção de discos, ou outro colecionador, para seguir com a sua? Alguém o inspira nessa jornada?

Tem algumas coleções excelentes por aí, a do Zimmer, a do Rudy, e o restante dos Camangas tem vários itens impressionantes, mas sempre busco aquilo que eu acho legal, sem me preocupar com comparações.

Qual o valor cultural, e não apenas financeiro, que você vê em uma coleção de discos?

Tem um valor inestimável. Minha vida está marcada por várias destas obras, e acredito que a minha formação como ser humano está intimamente ligada as minhas opções músicas e culturais em geral. 

Vai chegar uma hora em que você vai dizer "pronto, tenho tudo o que queria e não preciso comprar mais discos", ou isso é uma utopia para um colecionador?

Nunca vai chegar essa hora. Sou um incentivador de coisas novas. Todo dia ouço, leio e vejo coisas fantásticas e que merecem a minha atenção. E enquanto existir gente produzindo arte de qualidade, vou ter interesse em ter acesso a isso.



O que significa ser um colecionador de discos?

Significa dar valor a nossa história, cultivar o maior patrimônio da humanidade que é a sua própria existência! Isso está gravado em todos estes discos, livros e filmes. O melhor do ser humano está aí, e não se pode deixar de dar valor àquilo que nos torna melhores.

Qual o papel da música na sua vida?

São duas coisa indissociáveis. Toco em banda, ouço música e vivo cada sentimento contido nessas obras, de forma que não consigo separar uma coisa da outra.  



Pra fechar: o que você está ouvindo e o que recomenda para os nossos leitores?

Constantemente faço semanas (que acabam sendo duas, três ou quatro semanas), do mesmo artista. Agora estou em uma semana NICK CAVE. Esse cara é um artista genial!! A carreira dele é brilhante e melhora a cada disco. Recomendo muito que ouçam o último disco, que se chama Skeleton Tree, em conjunto com o filme One More Time With Felling, que ele documentou as gravações do disco. É emocionante! Uma destas coisas que me deixa feliz de estar vivo pra poder ter contato com uma obra tão sensacional quanto esta.

Recomendo também que mesmo na tristeza sejam felizes!!!

Obrigado pela oportunidade.

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