Minha Coleção: direto de Campo Grande, Cleison Reinhardt mostra os seus discos


De colecionador pra colecionador, faça uma breve apresentação para os nossos leitores.

Meu nome é Cleison Reinhardt, tenho 45 anos, sou Psicólogo e nasci na gelada, mas ótima cidade de Curitiba. Hoje moro em Campo Grande, no Mato Grosso do Sul. Minha história com a música começou bem cedo, aos 7 anos de idade, ouvindo os programas de rádio que meus avós escutavam. Me lembro de ficar prestando atenção quando os locutores apresentavam as músicas que tocariam enquanto brincava. Foi a partir daí que conheci artistas como Roberto Carlos, Fábio Jr., Gal Costa, Elvis Presley, John Lennon, Abba, Bee Gees, Elton John, dentre tantos outros (pois é, tocavam essas músicas no rádio naquela época). O contato com o rock viria bem mais tarde, em um momento pós Rock in Rio 1985, juntamente com a explosão do rock nacional dos anos 80. Bandas como Titãs, Barão Vermelho, Blitz e cantores solo como Lulu Santos e Léo Jaime puxaram essa vibe roqueira digamos assim, mas ainda adormecida para as grandes bandas estrangeiras.

Quantos discos você tem em sua coleção?

1.310 CDs, 320 discos de vinil e 167 shows/documentários.

Quando você começou a colecionar discos?

Minha primeira fita K7 foi um Roberto Carlos/1983, que contém os hits “O Côncavo e o Convexo” e “O Amor é a Moda”. Meu primeiro LP também foi um Roberto Carlos/1984, com o sucesso radiofônico “Caminhoneiro”. Já o primeiro LP comprado com meu próprio dinheiro foi uma coletânea do Elvis Presley com o título de 10 Anos Sem o Rei do Rock/1987. O detalhe é que ainda possuo todos esses materiais. Mas acho que colecionar, foi a partir de quando comecei a ter meu próprio dinheirinho. 


Você lembra qual foi o seu primeiro disco? Ainda o tem em sua coleção?

Um LP de Roberto Carlos de 1984, e ainda o possuo. Um presente de natal de meu querido avô Claudio.

Quando caiu a ficha e você percebeu que não era só um ouvinte de música, mas sim um colecionador de discos?

Acredito que desde que ganhei meu primeiro LP. Depois só pedia discos de presente. Quando recebi meu primeiro salário, a primeira coisa que comprei foi um disco. Daí por diante não parei mais. Enquanto pessoas sonham em comprar uma Ferrari, lutar pelo seu milhão ou simplesmente adquirir umas roupas de marca, eu compro discos. É um grande prazer!

Como você organiza a sua coleção? Por ordem alfabética, de gêneros ou usa algum outro critério?

Primeiro por gênero, e depois por ordem alfabética.



Onde você guarda a sua coleção? Foi preciso construir um móvel exclusivo pra guardar tudo, ou você conseguiu resolver com estantes mesmo?

No começo era naqueles suportes de plástico para CDs e gavetas para os vinis. Mas devido a quantidade elevada, hoje eu possuo uma estante de parede projetada para armazenar os CDs e dois hacks para os vinis.

Que dica de conservação você dá para quem também coleciona discos?

Organização e limpeza contínua.

Você já ouviu tudo que tem? Consegue ouvir os títulos que tem em sua coleção frequentemente?

Sim, já ouvi tudo o que tenho. Mas hoje ouço aleatoriamente, tipo quando um artista faz aniversário eu escolho um título e ouço, ou quando leio sobre tal banda vou lá e ouço, ou simplesmente ouço de acordo com o ânimo. Mas ouço música diariamente. Isso é fato.


Qual o seu gênero musical favorito e a sua banda preferida?

Meu gênero favorito é o rock clássico, seguido do blues. Já uma banda favorita é complicado, mas posso aqui fazer um top 10: Elvis Presley, The Beatles, The Rolling Stones, Van Halen, Cream/Eric Clapton, Deep Purple, Rush, Pink Floyd, Iron Maiden e Barão Vermelho.

De qual banda você tem mais itens em sua coleção?

Os Rolling Stones, Eric Clapton (coleção completa), Van Halen (coleção completa), Pink Floyd (coleção Completa) e Elvis Presley

Quais são os itens mais raros, e também aqueles que você mais gosta, na sua coleção?

Não tenho nenhuma raridade, não. Mas tenho um Vinil dos Rolling Stones que é uma coletânea de baladas dos anos 60 chamada Heartbreakers, lançada em 1982. Acho que isso é raro. Já os itens que mais gosto acho que é minha coleção de Roberto Carlos em vinil, um box do Pink Floyd (Discovery) com toda a sua coleção de discos em CD, minha coleção de CDs do Van Halen, um box do Clapton em CD (Crossroads) e dois DVDs importados  de capa dura do Elvis Presley (Aloha From Hawai e Comeback 68). Em suma, gosto de tudo. 




Você é daqueles que precisa ter várias versões do mesmo disco em seu acervo, ou se contenta em completar as discografias das bandas que mais curte?

Tendo uma versão já está bom, mas é claro que ter duas é interessante, tipo uma versão em CD com bônus tracks e outra em Vinil. Mas gosto de completar as coleções das bandas ou artistas solo de que mais curto. 

Além de discos (CDs, LPs), você possui alguma outra coleção?

Como colecionador, apenas discos. Mas gosto muito de ler e de cinema também, então possuo bastante livros e filmes, mas não como colecionador.

Em uma época como essa, onde as lojas de discos estão em extinção, como você faz para comprar discos? Ainda frequente alguma loja física ou é tudo pela internet?

Hoje em dia está mais complicado, principalmente aqui em Campo Grande. Desde guri sempre curti frequentar lojas de discos e essa prática está cada vez menor. Porém, compro muito pela internet e também em sebos, principalmente em Curitiba, na Savarin Records. Compro também na Die Hard e Aqualung, em São Paulo. 

Que loja de discos você indica para os nossos leitores? 

Eu indico a Savarin Records em Curitiba, a Die Hard e a Aqualung em São Paulo (Galeria do Rock), e pela internet a Amazon (importados).

Qual foi o lugar mais estranho em que você já comprou discos?

Acho que foi em uma feirinha de antiguidades em Florianópolis.


O que as pessoas pensam da sua coleção de discos, já que vivemos um tempo em que o formato físico tem caído em desuso e a música migrou para o formato digital?

A maioria das pessoas acha legal, mas não compreendem muito bem o sentido da coisa. Outros acham loucura. 

Você se espelha em alguma outra coleção de discos, ou outro colecionador, para seguir com a sua? Alguém o inspira nessa jornada?

Não. Eu comecei sozinho e assim sigo minha jornada de colecionador. Mas o importante é saber que você jamais terá tudo. Senão perde a graça. Devagar e sempre.

Qual o valor cultural, e não apenas financeiro, que você vê em uma coleção de discos?

Você disse tudo, o valor é cultural. É um valor afetivo, mais do que o valor material. Para mim, minha coleção faz parte da minha história de vida, da formação de meu caráter, de meus valores. Minha coleção de discos faz parte das minhas memórias enquanto indivíduo. É como se fosse a trilha sonora da minha vida.


Vai chegar uma hora em que você vai dizer "pronto, tenho tudo o que queria e não preciso comprar mais discos", ou isso é uma utopia para um colecionador?

Como eu já respondi acima, o importante é saber que você jamais terá tudo. Senão perde a graça. Para nós colecionadores, nunca vai acabar. Isso é um prazer. Faz parte da vida. 

O que significa ser um colecionador de discos?

Para mim significa que você se importa com alguma coisa, nesse caso a música, a arte, a cultura. A música é minha vida, me faz bem, faz parte do meu eu. A música humaniza e aproxima as pessoas. 

Qual o papel da música na sua vida?

Tudo! Música é minha vida! 

Pra fechar: o que você está ouvindo e o que recomenda para os nossos leitores?

No momento estou ouvindo muito o acervo de Ney Matogrosso e Chico Buarque. Também estou ouvindo muito o novo e excelente álbum do Gov’t Mule (Revolution Come...  Revolution Go) e a banda inglesa  ELF (banda do Dio no início dos anos 70). Recomendo toda a discografia do Gov’t Mule. Que banda!

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