14 de dez de 2018

As 25 melhores HQs de 2018 segundo a Collectors Room

sexta-feira, dezembro 14, 2018

2018 foi um ano paradoxal para a indústria de quadrinhos brasileira. Ao mesmo tempo em que nunca tivemos tantos lançamentos nas bancas e livrarias, vimos o mercado editorial se afundar em uma crise sem precedentes e que gerou o fechamento da FNAC e está levando a Livraria Cultura e a Saraiva pelo mesmo caminho.

Enquanto isso não se resolve, seguimos lendo quadrinhos todos os dias. E aqui já deixo claro: a lista abaixo apresenta a minha opinião pessoal a respeito das obras que li durante o ano, e apenas isso. Ela não pretende ser definitiva e outros adjetivos arrogantes tão comuns aos ditos “influenciadores”. Até porque ninguém consegue ler tudo que é lançado, seja pela limitação do bolso ou pela escassez de tempo. Além disso, várias HQs celebradas que saíram este ano não chegaram às minhas mãos, seja por ainda não tê-las adquirido ou pelo simples fato de as editoras não terem enviado um exemplar.

Dito isso, abaixo estão as 25 melhores HQs de 2018 na opinião da Collectors Room. O critério para escolha foi bem simples: o título precisava ser inédito no Brasil. Encadernados compilando arcos e republicações ganharam uma lista à parte, leia aqui.

Divirtam-se, e coloquem as suas listas nos comentários!


25 Conto de Areia, de Ramón K. Perez (Archaia/Pipoca & Nanquim)

Este é um quadrinho diferente. Adaptação para a nona arte de um roteiro esquecido de Jim Henson (criador dos Muppets e Vila Sésamo) e Jerry Juhl, Conto de Areia ganhou forma de HQ pelas mãos do ilustrador Ramón K. Perez. E o trabalho é de cair o queixo. Mas onde se encaixa o “diferente" da primeira frase? Na forma como a história é contada. O texto aqui quase não existe e é praticamente dispensável. O que importa é a arte de Pérez, que enche os olhos em todas as páginas e apresenta uma narrativa gráfica poucas vezes vista. E não se preocupe caso você não tenha entendido a história - pouca gente entendeu, acredite.


24 Deuses Americanos: Sombras, de Neil Gaiman e P. Craig Russell (Dark Horse/Intrínseca)

P. Craig Russell (O Anel de Nibelungo, Hellboy, Sandman) adaptou para os quadrinhos o livro mais conhecido e celebrado de Neil Gaiman. E o resultado vale a pena. A história da Gaiman é fantástica, como todo mundo que já leu a obra sabe, e aqui ganha o acompanhamento visual da arte e da narrativa gráfica de Russell, que já havia realizado trabalho semelhante na HQ de Coraline e em outros títulos de Gaiman. As capas com as lindas ilustrações de David Mack são a cereja do bolo. A série terá mais dois encadernados, que devem sair en 2019 pela Intrínseca.


23 Refugiados: A Última Fronteira, de Kate Evans (Verso/Darkside Books)

A inglesa Kate Evans realizou em Refugiados um trabalho que pode ser colocado na mesma prateleira das obras de Joe Sacco, maior nome do “quadrinho reportagem”. Mostrando a realidade de um dos maiores flagelos deste início de século XXI - a questão dos milhares de refugiados que fogem de seus países em busca de uma vida melhor em uma nova pátria -, Evans foca a sua história na chamada Selva de Calais, imenso acampamento levantado na cidade portuária francesa de Calais. A arte é crua, a narrativa não tem filtros, o texto é forte. E a história é tocante até a alma. Uma HQ necessária e que faz pensar.


22 Imaginário Coletivo, de Wesley Rodrigues (Darkside Books)

O Brasil é um país de talentos singulares. E essa característica, é claro, também é claramente perceptível nos quadrinhos. Imaginário Coletivo é a primeira HQ de Wesley Rodrigues, e foi publicada em uma linda edição pela Darkside Books. A história bebe no realismo fantástico para entregar uma trama que traz doses imensas de surrealismo atreladas a uma forte crítica social. Com lindas ilustrações que muitas vezes parecem conduzidas muito mais pelo coração do que pelo lápis, Wesley "chegou chegando" com uma obra que conversa com a realidade e mostra o quanto o nosso cotidiano não está tão longe assim da mais estranha ficção.


21 Batman & Flash: O Bóton, de Tom King, James Williamson, Jason Fabok e Howard Porter (DC/Panini)

Esta história dá início (ou sequência, se considerarmos o volume único DC Renascimento como ponto de partida, você decide) à inclusão dos personagens de Watchmen no Universo DC. E, independentemente de essa ser ou não uma boa ideia, o que lemos em O Bóton é demais! Na prática,o que temos é uma HQ de investigação com doses enormes de ação, como a já clássica luta entre o Batman e o Flash Reverso. Não sei o que me espera e nem o que a DC pretende com O Relógio do Juízo Final, mas essa passagem pelo Bóton foi uma das leituras mais divertida do ano, com certeza.


20 DC Encontra Looney Tunes, de Tom King, Lee Weeks e outros (DC/Panini)

Os encontros entre os super-heróis da DC e personagens de outros universos sempre rendem boas histórias. É o caso dessa HQ. Nomes malucos do mundo dos Looney Tunes como Pernalonga, Coiote, Papa-Léguas e outros dividem espaço com Batman, Mulher-Maravilha, Ajax e toda a turma. Os grandes momentos estão em quatro encontros: Lobo ajudando o Coiote e caçar o Papa-Léguas, a Mulher-Maravilha confrontando o Diabo da Tasmânia e, notadamente, na história que une Eufrazino e Frangolino ao caçador de recomepensas Jonah Hex e na disputa entre Batman e Hortelino, que fecha o encadernado. Divertidíssimo!


19 Trillium, de Jeff Lemire (Vertigo/Panini)

Trillium não é apontada como um dos melhores trabalhos de Jeff Lemire e não possui o mesmo status de Condado de Essex, por exemplo. No entanto, para um cara como eu, que não é versado no universo do escritor canadense, a experiência de leitura foi recompensadora. O que lemos, em sua essência, é uma história de amor que atravessa os limites do tempo. A arte peculiar de Lemire e a colorização com aspecto aquarelado tornam a experiência ainda mais forte. Mesmo que um pouco confusa em certas passagens, Trillium é uma HQ que faz pensar sobre o que realmente importa: o que somos e o que queremos nessa nossa passagem pelo mundo.


18 Paraíso Perdido, de Pablo Auladell (Huacanamo/Darkside Books)

Escrito pelo poeta inglês John Milton em 1667, Paraíso Perdido é uma das maiores obras da literatura universal. Sua influência na forma como enxergamos a figura de Deus e, principalmente, do Diabo, é profunda em toda a cultura ocidental. Essa HQ traz a adaptação para os quadrinhos da épica obra de Milton realizada pelo quadrinista espanhol Pablo Auladell. A obra é densa, sombria e lindamente ilustrada com um traço que a princípio parece perturbador e estranho, mas que depois se revela totalmente alinhado com a história. E tudo fica ainda mais forte com a incrível edição que a Darkside Books publicou e que é, certamente, uma das mais belas HQs já lançadas aqui no Brasil em se tratando de projeto gráfico e tudo que o envolve. Tanto pela história quanto pelo acabamento, Paraíso Perdido é uma obra extremamente indicada pra quem curte quadrinhos.


17 Batman: Cavaleiro Branco, de Sean Murphy (DC/Panini)

Nessa série de oito edições (e cujo quinto volume está saindo agora em dezembro), o roteirista e ilustrador norte-americano Sean Murphy (Punk Rock Jesus) traz uma nova interpretação para o Batman e todo o universo de Gotham City. Na história criada por Murphy, o Coringa assume o papel de bem feitor enquanto o Cavaleiro das Trevas passa a ser visto com olhos não tão amigáveis pelos cidadãos de Gotham. O roteiro é bem escrito, mas o destaque é a arte de cair o queixo de Murphy, com ótimas sacadas e ilustrações que estão entre as melhores que Batman e sua turma receberam nos últimos anos.


16 Cebolinha: Recuperação, de Gustavo Borges (Mauricio de Sousa/Panini)

Um dos maiores méritos das Graphic MSP é dar projeção e colocar em destaque novos talentos do universo de quadrinhos brasileiro. E Gustavo Borges é um dos mais promissores da atual geração. Em Recuperação, o gaúcho conta uma história que fala tanto com os pequenos quanto com os adultos, expondo problemas que afetam Cebolinha e sua família e que fazem parte do cotidiano de milhões de brasileiros país afora. Com uma arte ao mesmo tempo estilizada e um tanto cartunesca, porém sempre cheia de personalidade, Gustavo Borges entregou uma HQ que diverte e faz pensar na mesma proporção. Mais uma bola dentro da Graphic MSP!


15 Batman, de Tom King (DC/Panini)

O roteirista Tom King está fazendo história em seu run no Batman. Humanizando o personagem de uma maneira poucas vezes vista antes, retirando a aura de invencível que inúmeros escritores colocaram no alter ego de Bruce Wayne ao longo dos anos, King usa o romance do Cavaleiro das Trevas com a Mulher-Gato para revelar, edição após a edição, novas camadas da personalidade pra lá de complexa de um dos maiores personagens dos quadrinhos. E tudo isso escrito com rara sensibilidade e doses generosas de inspiração. Quem está esperando a série ser encadernada para ler só daqui há alguns anos está perdendo um dos melhores momentos da história do morcego de Gotham.


14 Jessica Jones, de Brian Michael Bendis e Michael Gaydos (Marvel/Panini)

Essa aqui é até covardia. Bendis fez uma pequena revolução quando publicou Alias no início dos anos 2000. A história da problemática detetive Jessica Jones foi o primeiro título do selo Marvel MAX, focado em leitores adultos. Quase duas décadas depois, ele retorna à personagem ao lado da mesma equipe que fez de Alias um dos clássicos modernos da Marvel: o ilustrador Michael Gaydos, o colorista Matt Hollingsworth e o capista David Mack. A história segue com a pegada crua da série original, e agora mostra Jessica investigando também o que aconteceu com o universo Marvel após as Guerras Secretas arquitetadas por Jonathan Hickman e as consequências de tudo que rolou. Excelente!


13 Paper Girls 2, de Brian K. Vaughan e Cliff Chiang (Image/Devir)

Brian K. Vaughan vive uma fase especialmente inspirada. Além da já clássica Saga, o roteirista natural de Cleveland entrou de cabeça nos anos 1980 em Paper Girls. O que temos aqui é uma grande homenagem aos filmes pipoca daquela década, em uma história que une ficção científica e viagem no tempo enquanto conta a jornada de um grupo de garotas pré-adolescentes. A arte de Cliff Chiang, que ilustrou a Mulher-Maravilha de Brian Azzarello nos Novos 52, é muito expressiva e usa tons quase monocromáticos para contar a história. Se você curtiu Stranger Things, encontrará em Paper Girls uma certa equivalência em forma de HQ.


12 O Xerife da Babilônia, de Tom King e Mitch Gerards (Vertigo/Panini)

Esta HQ é escrita por um dos mais celebrados roteiristas da atualidade, o norte-americano Tom King. É uma saga compilada em dois encadernados, e que mostra um agente da CIA no Iraque logo após a queda de Saddam Hussein. E King, veja só, é um ex-agente da CIA. Xerife da Babilônia assemelha-se a um ótimo filme de ação, conta com diálogos inspirados e com a arte (e consequente narrativa gráfica) de tirar o fôlego de Mitch Gerards. Um trabalho excelente, muito melhor que os infinitos títulos de super-heróis que chegam todos os meses nas bancas e, paradoxalmente, muito menos falado do que eles - o que não deixa ser ser um recorte interessante do leitor brasileiro de HQs, mas isso é assunto pra outro dia.


11 Demolidor, de Charles Soule e Goran Sudzuka (Marvel/Panini)

O advogado Matt Murdock e seu alter ego, o Demolidor, são sempre personagens interessantes. Coloque um roteirista minimamente competente e já teremos algo agradável para ler. Porém, Charles Soule é mais do que apenas competente. Advogado assim como Murdock, Soule cria uma saga que reconecta o Demolidor à Cozinha do Inferno e Nova York depois do período ensolarado em San Francisco, escrito por Mark Waid. E faz mais: Soule coloca Murdock como o centro do universo do personagem, levando o Demolidor para o banco dos réus e causando uma decisão que pode impactar todo o universo Marvel. A arte de Goran Sudzuka é a cereja do bolo, dinâmica e repleta de ação, que fica ainda mais evidenciada pelo trabalho de colorização exemplar. Mais uma vez, o ditado faz sentido: se é do Demolidor, leia sem medo.


10 Senhor Milagre, de Tom King e Mitch Gerards (DC/Panini)

Contada em doze partes, essa história do Senhor Milagre criada pela dupla Tom King e Mitch Gerards foi celebrada pela crítica e elogiada pelos leitores. Quando essa rara sinergia acontece, algo especial está em nossas mãos, não há dúvida. Maior artista de fugas do multiverso, Scott Free tem uma vida tranquila quando enfrenta o maior desafio de todos: escapar da própria morte. Absolutamente incrível!


9 O Legado de Júpiter - Livro Dois, de Mark Millar e Frank Quitely (Image/Panini)

Mark Millar sabe contar uma história. Isso é inegável. Um dos mais prolíficos roteiristas da atualidade, Millar traz em O Legado de Júpiter uma nova interpretação para uma velha pergunta: como seria o mundo se os super-heróis realmente existissem? O roteiro apresenta uma abordagem bastante criativa e que é amplificada pela arte soberba de Quitely. As soluções encontradas pelo artista para dar forma aos poderes dos personagens e para as situações que eles vivem faz de O Legado de Júpiter não só mais um grande momento de Millar como, sobretudo, um dos melhores trabalhos da carreira de Frank Quitely. Leia, é imperdível!


8 Os Flintstones, de Mark Russell e Steve Pugh (DC/Panini)

Dentre os vários títulos que trazem roupagens novas e mais atuais para os personagens de Hanna-Barbera, Os Flintstones é a melhor, de longe. Mark Russell desenvolveu um roteiro repleto de críticas sociais e alfinetadas irônicas ao mundo moderno. O resultado é um quadrinho muito acima da média, que coloca pulgas e pulgas atrás da orelha do leitor enquanto conta histórias divertidas e que sempre trazem algo que faz pensar. A arte de Pugh é outro ponto forte, com caracterizações expressivas e cativantes dos clássicos Fred, Wilma, Barney, Beth e os outros vários personagens.


7 Verões Felizes 3: A Senhorita Estérel, de Zidrou e Jordi Lafebre (Dargaud/SESI-SP)

O que temos na série Verões Felizes é a antítese das HQs de super-heróis: nada de ação sem limites, massaveísmo explícito e roteiros que só conduzem a batalhas (pseudo) épicas. Verões Felizes é um quadrinho francês que fala sobre a vida. Os momentos simples da vida que não damos valor quando acontecem, mas que morremos de saudade quanto mais o tempo nos afasta deles. Aqui, a história gira em torno de uma viagem de férias com os avós e a família em torno da qual a série é contruída. E no meio disso tudo, doses e doses de feeling e emoção. Em suma: uma história simples, boa pra caramba e que ilumina qualquer dia ruim.


6 Jeremias: Pele, de Rafael Calça e Jefferson Costa (Mauricio de Sousa/Panini)

Jeremias: Pele é a história em quadrinhos mais importante publicada por artistas brasileiros em 2018. A Graphic MSP que traz o simpático Jeremias como personagem principal fala sobre uma das questões mais sérias da nossa sociedade: o racismo. Rafael Calça construiu um roteiro que só poderia ter sido escrito por quem experimentou na pele o que é ser negro em um país como o Brasil, que nega suas origens e insiste em afirmar que não é racista, mesmo com dezenas de notícias e situações todos os dias mostrando o contrário. Um quadrinho sensacional, repleto de uma verdade dolorida e que conversa com todas as idades.


5 Visão, de Tom King (Marvel/Panini)

Em seu único trabalho para a Marvel até o momento, Tom King conseguiu conceber uma pequena joia em forma de HQ. Visão é uma história calcada em doses generosas de filosofia, que apresenta o andróide integrante dos Vingadores querendo viver como um ser humano e criando ele mesmo uma família (de andróides, logicamente) para realizar o seu objetivo. Mas as coisas não saem como o esperado e somos apresentados então a uma sequência de acontecimentos trágicos e chocantes que mostram o quanto a vida pode ser complicada, seja você feito de carne e osso ou circuitos. Como diria um amigo: “Isso aqui é ouro!”. Ele nunca esteve tão certo.


4 Thor, de Jason Aaron e Russell Dauterman (Marvel/Panini)

Jason Aaron escreveu uma saga tão incrível para A Poderosa Thor que conseguiu transformar a antes questionada personagem em uma unanimidade entre os leitores. Jane Foster assumiu o posto de Deusa do Trovão em uma jornada de cair o queixo, que conta com ilustrações surreais de Russell Dauterman. À prova do purismo saudosista e do sexismo besta de uma parcela considerável dos "nerds".


3 A Arte de Charlie Chan Hock Chye, de Sonny Liew (Pantheon/Pipoca & Nanquim)

A Arte de Charlie Chan Hock Chye é praticamente uma aula sobre a história das histórias em quadrinhos. Sonny Liew relata o conturbado cenário político de Singapura através da figura de um quadrinista. E faz isso utilizando as mais variadas técnicas, indo de ilustração a composições com fotos, passando pelo caminho por inúmeras variações de traço conforma o tempo avança através das décadas. Um trabalho grandioso que faz o queixo cair e bater com força no chão, e que ganhou uma edição simplesmente incrível a cargo da editora Pipoca & Nanquim. Obrigatória, e ponto final!


2 Saga, de Brian K. Vaughan e Fiona Staples (Image/Devir)

Desde que foi lançada pela Image, em 2012, Saga frequenta as listas de melhores HQs dos sites norte-americanos. Desde que começou a ser publicada no Brasil pela Devir, em 2014, Saga é presença certa nas listas de melhores quadrinhos do ano elaboradas pelo pessoal deste cada vez mais estranho país tropical. E, se depender do que Brian K. Vaughan e Fiona Staples estão fazendo, esta constante não será alterada tão cedo. Saga é, sem exageros e desde já, uma das melhores HQs dos últimos dez, quinze, vinte anos. E além. Um épico em quadrinhos, uma aula de roteiro e um desfile de páginas e páginas deslumbrantes. Gaste bem o seu dinheiro, pare de ler títulos superestimados e mergulhe no que realmente vale a pena.


1 Black Hammer, de Jeff Lemire e Dean Ormston (Dark Horse/Intrínseca)

Um grupo de personagens nada funcional, preso em uma fazenda de uma cidade do interior. Este é o resumo de Black Hammer, a homenagem de Jeff Lemire ao universo dos super-heróis. Uma mulher de meia idade, alcoólatra e presa no corpo de uma pré-adolescente. Um alienígena tentando aceitar a sua sexualidade. Um grande herói do passado tendo que lidar com a velhice. Lemire parte de personagens claramente inspirados em clássicos dos quadrinhos (Shazam, Ajax, Capitão América, Monstro do Pântano e outros) e vira seus arquétipos de cabeça pra baixo, apresentando uma abordagem original e cativante. Os dois primeiros volumes da série - Origens Secretas e O Evento - foram os melhores quadrinhos publicados no Brasil em 2018 e merecem todos os elogios que têm recebido. E em 2019 tem mais, já que a Intrínseca confirmou os próximos volumes da saga. Tem cara de clássico!



Os 50 melhores discos de 2018 na opinião da Rolling Stone

sexta-feira, dezembro 14, 2018

Principal e mais importante revista sobre música do planeta, a Rolling Stone foi fundada em 1967 e está em circulação desde o dia 9 de novembro daquele ano. Já são 51 anos de publicação ininterrupta da edição norte-americana, que acabou levando a versões próprias de diversos países como Alemanha, Espanha, México, Austrália, África do Sul e outros, incluindo aí até mesmo a edição brasileira.

Com a publicação da lista de melhores do ano da Rolling Stone - cuja matéria original você pode ler aqui -, encerramos a divulgação das listas de fim de ano dos principais veículos do jornalismo musical mundial. No total, levamos até você 27 listas diferentes, totalizando literalmente centenas de álbuns dos mais variados gêneros e que formam um belo painel do que de melhor a música nos deu durante 2018. Para ver todas as listas, clique aqui.

Estes foram os 50 melhores discos de 2018 na opinião da Rolling Stone:

50 CupcakKe - Ephorize
49 Esperanza Spalding - 12 Little Spells
48 The Carters - Everything is Love
47 Father John Misty - God’s Favorite Customer
46 Sleep - The Sciences
45 Robyn - Honey
44 Jeff Tweedy - Warm
43 Lil Wayne - Tha Carter V
42 Ashley McBryde - Girl Going Nowhere
41 Amanda Shires - To the Sunset
40 Parquet Courts - Wide Awake!
39 Nine Inch Nails - Bad Witch
38 Eric Church - Desperate Man
37 Tierra Whack - Whack World
36 Stephen Malkmus and The Jicks - Sparkle Hard
35 Elvis Costello & The Imposters - Look Now
34 Courtney Barnett - Tell Me How You Really Feel
33 Neko Case - Hell-On
32 David Byrne - American Utopia
31 Rosalía - El Mal Querer
30 Free Cake For Every Creature - The Bluest Star
29 Superchunk - What a Time to Be Alive
28 Florence + The Machine - High as Hope
27 Noname - Room 25
26 Snail Mail - Lush
25 Rae Sremmurd - SR3MM
24 Kali Uchis - Isolation
23 U.S. Girls - In a Poem Unlimited
22 John Prine - The Tree of Forgiveness
21 Beach House- 7
20 The Beths - Future Me Hates Me
19 Hop Along - Bark Your Head Off, Dog
18 Vince Staples - FM!
17 Lucy Dacus - Historian
16 Soccer Mommy - Clean
15 J Balvin - Vibras
14 Mitski - Be the Cowboy
13 Janelle Monáe - Dirty Computer
12 Brandi Carlile - By the Way, I Forgive You
11 Paul McCartney - Egypt Station
10 Drake - Scorpion
9 Kurt Vile - Bottle It In
8 Lady Gaga & Bradley Cooper - A Star is Born
7 Pusha T - Daytona
6 Travis Scott - Astroworld
5 Ariana Grande - Sweetener
4 Pistol Annies - Interstate Gospel
3 Camila Cabello - Camila
2 Kacey Musgraves - Golden Hour
1 Cardi B - Invasion of Privacy

13 de dez de 2018

Darkside Books lança adaptação em quadrinhos de conto de Stephen King publicado pela Marvel

quinta-feira, dezembro 13, 2018

A Darkside Books anunciou o lançamento de N, adaptação em quadrinhos de um conto de Stephen King conduzida pela dupla Marc Guggenheim e Alex Maleev. O material foi publicado pela Marvel em 2008 e é inédito no Brasil.

Em N somos apresentados à história do Dr. Bonsaint, um psicanalista que cometeu suicídio e cuja irmã tenta entender os motivos. Nessa investigação, ela encontra os relatos da sessões do médico e descobre um paciente chamado N, que sofre de um grave problema de TOC (Transtorno Obsessivo-Compulsivo). O conto bebe bastante no universo de H.P. Lovecraft e foi inspirado em O Grande Deus Pan, livro do escritor galês Arthur Machen. 

Marc Guggenheim escreveu diversas histórias dos X-Men, Wolverine e Homem-Aranha, enquanto Alex Maleev tem um dos seus trabalhos mais celebrados ao lado de Brian Michael Bendis no já clássico arco do Demolidor escrito pelo roteirista.

N chega em uma edição de capa dura,128 páginas e formato 17,5x26, com tradução do onipresente Érico Assis. O material conta com o acabamento gráfico de excelência que é uma das marcas registradas da Darkside. Além disso, a edição brasileira vem com uma caixa protetora, dando um toque ainda mais incrível para a HQ.

O material já está em pré-venda no link baixo.

Todd McFarlane confirma: Spawn será relançado no Brasil

quinta-feira, dezembro 13, 2018

Em um bate-papo com fãs brasileiros realizado no Reddit, o roteirista e ilustrador canadense Todd McFarlane respondeu várias perguntas sobre a sua carreira e soltou uma notícia há muito aguardada pelos leitores brasileiros.

Nas palavras do artista: “Os quadrinhos do Spawn estarão a caminho em breve, acabei de assinar o acordo! Os quadrinhos do SPAWN voltarão ao Brasil. Será feito um anúncio em breve”. Confira a matéria original aqui

Segundo McFarlane, Spawn, o seu personagem mais conhecido e um dos principais quadrinhos da Image, voltará a ser publicado no Brasil. O Soldado do Inferno não tem uma série regular no país há dez anos, desde que a Pixel Media deixou de publicar as suas histórias em 2008. Após isso, a HQM lançou um encadernado chamado Spawn: Herança Maldita em agosto de 2012, a essa foi a última publicação do personagem por aqui. Entre 1996 e 2005, a criação de McFarlane teve uma revista mensal pela Editora Abril que teve 150 números. 

Spawn foi criado por Todd McFarlane em 1992, e a popularidade do personagem foi um dos maiores responsáveis por tornar a editora que Todd criou ao lado de outros artistas que haviam saído da Marvel, a Image, viável financeiramente.

Ainda não há informações sobre qual editora relançará Spawn aqui no Brasil, mas a notícia é ótima pra quem é fã do personagem.


12 de dez de 2018

Novo ao vivo de King Diamond traz o clássico Abigail na íntegra e sairá no Brasil pela Hellion Records

quarta-feira, dezembro 12, 2018

O novo ao vivo da lenda King Diamond ganhará lançamento nacional pela Hellion Records. O material chegará às lojas no início de 2019.

Songs for the Dead Live virá em uma edição de colecionador com 2 DVDs e 1 CD. O título traz dois shows completos, com o vocalista apresentando o clássico Abigail (1987) na íntegra. As apresentações foram gravadas no festival belga Graspop Metal Meeting em junho de 2016 e no Fillmore, na Filadélfia, em novembro de 2015. Ambos os concertos contam com uma banda acima de qualquer suspeita: os guitarristas Andy LaRocque e Mike Wead, o baixista Pontus Egberg e o baterista Matt Thompson. Além das músicas de Abigail, o tracklist traz também canções do Mercyful Fate e de outros discos do King, como “Welcome Home”, “Halloween" e “Eye of the Witch”.

A Metal Blade Records lançará Songs for the Dead Live dia 25 de janeiro nos Estados Unidos, e logo na sequência o título ganhará a sua edição nacional pelas mãos da Hellion.

Abaixo você confere o tracklist completo e o trailer do material:

Graspop Metal Meeting track-listing
1. Out from the Asylum
2. Welcome Home
3. Sleepless Nights
4. Halloween
5. Eye of the Witch
6. Melissa
7. Come to the Sabbath
8. Them
9. Funeral
10. Arrival
11. A Mansion in Darkness
12. The Family Ghost
13. The 7th Day of July 1777
14. Omens
15. The Possession
16. Abigail
17. Black Horsemen
18. Insanity

The Fillmore track-listing
1. Out from the Asylum
2. Welcome Home
3. Sleepless Nights
4. Eye of the Witch
5. Halloween
6. Melissa
7. Come to the Sabbath
08. Them
09. Funeral
10. Arrival
11. A Mansion in Darkness
12. The Family Ghost
13. The 7th Day of July 1777
14. Omens
15. The Possession
16. Abigail
17. Black Horsemen
18. Insanity

Todos os detalhes de Yellow Submarine, a nova HQ da Darkside Books

quarta-feira, dezembro 12, 2018

A Darkside Books está lançando a adaptação em quadrinhos do clássico Yellow Submarine, desenho animado e disco dos Beatles. O material faz parte da comemoração dos cinquenta anos de uma das ideias mais legais do Fab Four. A adaptação foi feita por Bill Morrison, desenhista dos Simpsons e ex-editor da lendária revista MAD. 

Yellow Submarine foi concebido como um longa metragem de animação e chegou aos cinemas em julho de 1968. A trilha do filme foi lançada pelos Beatles em janeiro de 1969 e traz a icônica faixa título, composta por John Lennon e Paul McCartney e cantada pelo baterista Ringo Starr. Outras canções de destaque são “All Together Now”, “Hey Bulldog” e a linda “All You Need is Love”, um dos hinos pacifistas da década de 1960.

A edição brasileira de Yellow Submarine vem em capa dura e com todo o cuidado editorial característico da Darkside Books. A HQ será publicada no formato 20x30 centímetros e tem 112 páginas coloridas. O graphic novel foi publicada originalmente em agosto de 2018 pela Titan Comics no mercado americano, e em tempo recorde ganhou uma linda edição nacional.



Os 50 melhores discos de 2018 segundo a Classic Rock Magazine

quarta-feira, dezembro 12, 2018

Considerada por muitos como a melhor revista sobre rock do planeta, a Classic Rock Magazine lançou a sua primeira edição em 1998 e faz parte da mesma editora que publica a Metal Hammer, a Prog e a The Blues Magazine. O foco é no rock e em suas variações, abrangendo tanto nomes clássicos como artistas atuais.

A lista de melhores de 2018 da Classic Rock está na edição da janeiro da publicação, mas você já fica sabendo agora quais foram as escolhas dos caras.

Estes são os melhores discos de 2018 na opinião da Classic Rock Magazine:

50 Vega - Only Human
49 Tax the Heat - Change Your Position
48 Monster Truck - True Rockers
47 Phil Campbell and The Bastard Sons - The Age of Absurdity
46 Black Stone Cherry - Family Tree
45 Vodun - Ascend
44 Corrosion of Conformity - No Cross No Down
43 Turbowolf - The Free Life
42 Uriah Heep - Living the Dream
41 Brothers Osborne - Port Saint Joe
40 Reef - Revelation
39 Ace Frehley - Spaceman
38 Massive Wagons - Full Nelson
37 Howlin Rain - The Alligator Bride
36 The Record Company - All of This Life
35 David Crosby and The Lighthouse Band - Here If You Listen
34 Manics Street Preachers - Resistance is Futile
33 Blackberry Smoke - Find a Light
32 Andrew WK - You’re Not Alone
31 Ash - Islands
30 Joe Bonamassa - Redemption
29 FM - Atomic Generation
28 DeWolff - Thrust
27 A Perfect Circle - Eat the Elephant
26 Ginger Wildheart - Ghost in the Tanglewood
25 Nine Inch Nails - Bad Witch
24 Nashville Pussy - Pleased to Eat You
23 Myles Kennedy - Year of the Tiger
22 Walking Papers - WP2
21 Monster Magnet - Mindfucker
20 Low Cut Connie - Dirty Pictures
19 Orange Goblin - The Wolf Bites Back
18 The Sheepdogs - Changing Colours
17 The Damned - Evil Spirits
16 Saxon - Thunderbolt
15 The Temperance Movement - A Deeper Cut
14 Greta Van Fleet - Anthem of the Peaceful Army
13 Billy F. Gibbons - The Big Bad Blues
12 Stone Temple Pilots - Stone Temple Pilots
11 Steve Perry - Traces
10 Idles - Joy As an Act of Resistance
9 Alice in Chains - Rainier Fog
8 Fantastic Negrito - Please Don’t Be Dead
7 The Magpie Salute - High Water I
6 Slash feat Myles Kennedy & The Conspirators - Living the Dream
5 Halestorm - Vicious
4 Judas Priest - Firepower
3 Ghost - Prequelle
2 The Struts - Young & Dangerous
1 Clutch - Book of Bad Decisions

11 de dez de 2018

Os melhores discos de 2018 na opinião de João Renato Alves, da Van do Halen

terça-feira, dezembro 11, 2018

ATENÇÃO: NÃO É UMA LISTA DE MELHORES ÁLBUNS DO ANO! 

Onde está tal disco? Faltou aquele, esqueceu o outro...”. Não esqueci, apenas não entrou. Não faltou, eu não quis colocar. Como escrito, é a minha lista, só isso, não possui a intenção de ser um decreto oficial sobre nada. 

Comecemos pelo Top 10:


10 Corrosion of Conformity – No Cross No Crown

A reunião com o vocalista e guitarrista Pepper Keenan injetou novo gás no C.O.C. O dinamismo das músicas é surpreendente, com o disco se deixando ouvir sem maiores obstáculos, até mesmo para quem não é tão conhecedor da obra do grupo. E é claro, o quarteto reafirma a importância de riffs bem colocados.


9 Judas Priest – Firepower

Corrigindo alguns exageros do anterior, Redeemer of Souls, o Judas Priest lança seu disco mais relevante em muitos anos. Trazendo a tradição do passado e misturando com uma produção altamente contemporânea, Rob Halford e companhia mostram o que sabem fazer de melhor. Caso realmente seja a despedida, ela é mais do que digna. Embora, os resultados favoráveis, tanto em termos de qualidade quanto de repercussão, possam vir a alterar os planos. Força, Glenn Tipton!


8 Tremonti – A Dying Machine

Em seu quarto álbum, o projeto comandado pelo guitarrista Mark Tremonti (Alter Bridge), aqui também responsável pelos vocais, alcança o auge. Conceitual, A Dying Machine une peso e momentos cativantes, passeando por várias vertentes do metal e do hard rock com performance irrepreensível no aspecto técnico e apelo emocional latente.


7 Cancer Bats – The Spark That Moves

Misturando Black Sabbath (a quem possuem um tributo chamado Bat Sabbath, com os mesmos integrantes) e hardcore com maestria, os canadenses seguem pelo bom caminho em seu sexto disco de inéditas, disponibilizado sem prévio anúncio, “no susto”. Músicas curtas e certeiras, que cativam e se completam, transformando a audição completa em agradáveis 34 minutos. Para ouvir bem alto, acompanhando os riffs e batidas. Destaque para as mudanças de andamento repentinas, que tornam tudo ainda mais interessante.


6 Dizzy Reed – Rock ‘N’ Roll Ain’t Easy

Enquanto um novo trabalho de inéditas do Guns N’ Roses parece sonho distante dos fãs, o tecladista Dizzy Reed oferece um disco energético e cheio de canções marcantes. Trazendo parcerias com Ricky Warwick (Black Star Riders), Richard Fortus e Del James, o álbum se deixa ouvir sem maiores dificuldades e faz ter vontade de deixar no repeat.


5 Little Caesar – Eight

Apesar de não ter sido alçado ao sucesso como vários colegas de geração, o Little Caesar nunca decepciona. Em seu sexto disco de inéditas – a conta para chamá-lo de Eight inclui o EP de estreia e um trabalho ao vivo – o grupo não abre mão do hard rock setentista com pegada rock and roll e melodias irresistíveis. A voz de Ron Young não perdeu nada em comparação ao passado e os músicos demonstram consistência invejável.


4 Lucifer – Lucifer II

Johanna Sadonis retorna, trazendo Nicke Andersson (The Hellacopters, Entombed) como parceiro no segundo disco de sua banda. As influências psicodélicas e dark da estreia dão espaço a um hard setentista da melhor qualidade, com alusões ao rock dos 1960s e, até mesmo, aos primórdios do heavy metal, quando o gênero ainda caminhava amparado pelos citados anteriormente. Fica a expectativa para sabermos se a cantora vai mudar novamente todo o lineup para o próximo ou seguirá com o time montado para o atual.


3 Ghost – Prequelle

Em seu quarto álbum, Tobias Forge consegue validar inúmeros argumentos. Acima de todos, a relevância de sua banda. Logo a seguir, a ideia de que ainda é possível criar melodias em um formato convencional e, ainda assim, conservar o frescor da novidade. Prequelle coloca o Ghost de vez no panteão dos grandes grupos do rock/metal contemporâneo. E o teste do tempo está cada vez mais tendencioso a ser favorável. Mais pop? Sim. E não há nada de mal nisso.


2 The Struts – Young & Dangerous

Não é preciso de muito para se deixar contagiar pelo som praticado pelo The Struts. Como dito pelo Ricardo Seelig, da Collectors Room, se o Greta Van Fleet remete ao Led Zeppelin, o quarteto inglês vai te fazer lembrar do Queen instantaneamente, adicionado algo de Def Leppard, The Darkness, Slade, Mott the Hoople e toda a geração do glam britânico setentista. Daqueles discos que faz a expressão rock and roll ficar piscando em sua mente durante a audição.


1 Alice in Chains – Rainier Fog

Por mais que alguns fãs não consigam assimilar a presença de William DuVall no lugar que pertenceu a Layne Staley, o Alice in Chains segue sua carreira da forma mais digna possível, sempre oferecendo material de qualidade. Rainier Fog não se distancia do padrão de qualidade tradicional, oferecendo melodias belas e melancólicas, acompanhadas por aquele jogo de vozes característico e instrumental que vai do mais cristalino à sujeira sem esforços.


Agora, em ordem alfabética, outros 34 que valem a conferida.

All That Remains – Victim of the New Disease
É complicado avaliar um álbum onde o aspecto emocional acaba se sobressaindo. Entre as gravações e o lançamento de Victim of the New Disease, o All That Remains perdeu o guitarrista e membro fundador Oli Herbert. Porém, mesmo se a tragédia não tivesse ocorrido, é impossível não elogiar a banda pelo grande trabalho, alternando agressividade e melodias com total perfeição. Se é o fim de uma era, o desfecho foi em alto estilo.

Amorphis – Queen of Time
Dificilmente o Amorphis decepciona. Aqui, não fugiu à regra. O novo disco usa os guturais com maior frequência em comparação aos mais recentes, além de ter composições com duração mais longa. Nada que venha a causar estranhamento nos fãs da banda finlandesa, que mais uma vez mostra o lado belo da melancolia e transmite a sensação de pertencimento ao ouvinte.

Axel Rudi Pell – Knights Call
Não, o novo disco de Axel Rudi Pell não é nada diferente dos anteriores em termos estruturais. Porém, as composições estão bem melhores, com melodias marcantes e execução soberba. Boa pedida para fãs de hard/heavy. O melhor do guitarrista alemão em um bom tempo. Só a última música não precisava ter sido tão descaradamente chupada de “Stargazer”, mas enfim...

Bad Wolves – Disobey
O álbum de estreia do grupo formado por ex-membros do Devildriver e In This Moment, entre outros, acabou sendo mais divulgado pela relação com a morte de Dolores O’Riordan – ela gravaria os vocais para a versão de “Zombie”, mas faleceu um dia antes. Mas a banda merece ser ouvida pela sua bela mistura de elementos modernos e melodias certeiras, com efeitos e teclados na medida certa, criando o ambiente para um belo trabalho de guitarras e vocais.

Behemoth – I Loved You At Your Darkest
Fãs mais conservadores da obra de Nergal torceram o nariz para algumas mudanças propostas neste álbum. Mas a relevância do Behemoth como um grupo de vanguarda se justifica a cada música, sem medo de arriscar e evoluir. Não é o melhor que a banda já lançou, mas garante lugar de destaque na discografia, valendo a pena ouvir repetidas vezes e se permitindo descobrir novidades.


Black Label Society – Grimmest Hits
Após uma série de discos repetitivos, Zakk Wylde retomou o bom caminho desde Catacombs of the Black Vatican. Em Grimmest Hits, o guitarrista e vocalista faz uma boa mescla dos momentos mais pesados e os intimistas, com melodias marcantes. E por mais que seja uma de suas características históricas, não dá para negar que a diminuição de harmônicos artificiais trouxe um novo ar às composições.

Blackberry Smoke – Find a Light
Com mais um trabalho de categoria, o Blackberry Smoke se estabelece definitivamente como principal nome do southern rock atual. Um exemplo de como se fazer música simples e cativante – o frontman Charlie Starr já declarou que não há preparativos, o grupo simplesmente entra em estúdio quando sente ter boas músicas. Daqueles discos que te levam em uma viagem, você nem vê o tempo passar e já dá vontade de apertar o play de novo.

Blaze Bayley – The Redemption of William Black (Infinite Entanglement Part III)
Finalizando a história iniciada em 2016, Blaze Bayley segue a pegada do heavy metal tradicional, com melodias marcantes, execução simples e eficiente, conseguindo fugir da armadilha da previsibilidade. O trabalho se deixa ouvir sem maiores dificuldades, exceto para quem, talvez, ainda tenha um pré-julgamento em relação à voz do cantor. Aí não tem jeito.

Chrome Division – One Last Ride
Em sua despedida – até quando? – o grupo que conta com Shagrath (Dimmu Borgir) como sua figura mais destacável encerra atividades trazendo o mesmo hard/rock and roll com melodias e refrães marcantes de toda a curta discografia. As referências aos anos 1980 são facilmente perceptíveis, até mesmo com passagens facilmente identificáveis de clássicos do estilo. Valeu enquanto a viagem durou.

City of Thieves – Beast Reality
Em seu primeiro full-length, o power trio britânico empolga, com um hard/rock and roll de categoria, abrilhantado pela produção do conceituado Mike Fraser (AC/DC, Aerosmith, Slipknot). Se mantiver essa linha de qualidade, tem tudo para entrar no hall das bandas que manterão o estilo vivo pelas próximas gerações. Trilha sonora adequada para festas e afins.


The Dead Daisies – Burn It Down
O entrosamento e a formação, um time bem azeitado de figuras destacáveis do hard rock, contribuíram para que o The Dead Daisies lançasse um de seus melhores discos. Canções inspiradas e marcantes preenchem o tracklist, um deleite para quem aprecia bons riffs e melodias. Agora é esperar que o lineup se estabilize, algo pouco recorrente na história da banda.

Destinia – Metal Souls
O guitarrista japonês Nozomu Wakai chamou o vocalista Ronnie Romero (Rainbow, Lords of Black, CoreLeoni), o baixista Marco Mendoza (The Dead Daisies, Black Star Riders, Whitesnake) e o baterista Tommy Aldridge (Ozzy Osbourne, Whitesnake, Gary Moore, Black Oak Arkansas) para executar um heavy metal tradicional eficiente, sem novidades, mas com muita energia e melodias certeiras.

Greta Van Fleet – Anthem of the Peaceful Army
É muito natural que os primeiros discos de uma banda contenham várias referências às suas influências. Até por isso, não me incomoda o fato de o Greta Van Fleet soar como o Led Zeppelin. Ao contrário, fica a torcida para que o quarteto se descubra e ganhe uma identidade nos próximos trabalhos. Por hora, vale ressaltar que as músicas são excelentes, mostrando o talento dos envolvidos.

Groundbreaker – Groundbreaker
Duas gerações do AOR, representadas pelo vocalista Steve Overland (FM) e o multi-instrumentista Robert Sall (Work of Art, W.E.T.) uniram forças para um dos melhores discos do gênero em 2018. Cheio daqueles clichês que o fã do estilo já deve imaginar, mas ainda assim, com um ar de frescor e muito bem executados. Que não seja o único fruto da parceria.

Immortal – Northern Chaos Gods
A separação profissional de Abbath e Demonaz, deixando a banda sob controle do segundo, resgatou o que o Immortal tinha de mais obscuro e épico a oferecer. Trazendo clara influência dos trabalhos iniciais, o grupo promove o mix de brutalidade e melodia que sabe fazer como poucos. Poucas vezes o surrado discurso de retorno às raízes fez tanto sentido em se tratando de um disco.


Korpiklaani – Kulkija
Para muitos pode ser difícil embarcar na viagem sonora proposta pelos finlandeses do Korpiklaani. Mas assim que você se adapta, flui de maneira impecável. Kulkija não promove grandes mudanças na sonoridade do grupo. Porém, se mostra uma audição ainda mais agradável de seu antecessor direto, Noita. Agora, não dá para negar que a barreira do idioma realmente pode ser um empecilho para quem não está acostumado.

Leaves’ Eyes – Sign of the Dragonland
O primeiro full-length do grupo com a vocalista Elina Siirala surpreende, pela desenvoltura e capacidade de fazer algo novo em um estilo combalido pelo tempo. Alexander Krull acaba ficando um pouco de lado no contexto geral, o que pode incomodar os fãs do lado mais dark da sonoridade. Mesmo assim, a qualidade das composições se sobressai.

Lordi – Sexorcism
Apesar de não ostentar o mesmo sucesso da década passada, a banda finlandesa segue oferecendo material de qualidade, com direto a uma subida de patamar nos últimos dois lançamentos. Sem a preocupação de agradar a grande mídia, Mr. Lordi e seus asseclas oferecem um disco cheio de referências sexuais e aquela hard/heavy grudento de sempre.

Metal Allegiance – Volume II: Power Drunk Majesty
Corrigindo alguns exageros da estreia, o projeto que reúne Alex Skolnick, David Ellefson e Mike Portnoy explora as melhores características dos convidados especiais e acerta em cheio. Destaque para algumas “pegadinhas” em meio às faixas, prestando tributo a clássicos do rock/metal através da inserção de algum riff/solo/batida facilmente reconhecível e associável.

The Night Flight Orchestra – Sometimes the World Ain’t Enough
Amber Galactic, trabalho anterior do projeto, entrou no meu Top 10 do ano passado. O novo fica um degrauzinho abaixo, mas ainda conta com momentos excelentes, mostrando que o pessoal do metal era chegado em uns blockbusters oitentistas. Agora é esperar que as bandas principais dos músicos possam ceder mais espaço para a realização de shows.


Nita Strauss – Controlled Chaos
Pessoalmente falando, discos de música instrumental não me conquistam facilmente. Porém, sempre há exceções. Como este belo trabalho da guitarrista de Alice Cooper, esbanjando técnica sem transformar as composições em mera ponte para malabarismos. As melodias são fáceis e cativantes, fazendo com que os 38 minutos de duração do play se tornem uma experiência muito agradável.

Nordic Union – Second Coming
Ronnie Atkins dificilmente erra a mão, seja com o Pretty Maids ou para onde empresta sua vez. O segundo fruto da parceria com o músico e produtor Erik Martensson (Eclipse, W.E.T.) traz o eficiente hard/heavy europeu praticado pelas bandas dos protagonistas misturado a um aspecto melancólico que oferece melodias grandiosas e grudentas.

Orange Goblin – The Wolf Bites Back
Em seu nono full-length, a banda inglesa de stoner metal percorre sua tradicional estrada, com incursões ao blues, doom e hard rock. O vocalista Ben Ward é o grande destaque, com seu registro diversificado e potente. Um exemplo de como ultrapassar vinte anos de carreira ainda sendo criativo e relevante no cenário musical.

The Sheepdogs – Changing Colours
Um dos que ficou mais próximo de entrar no Top 10, o grupo canadense já está em seu sexto full-length, mostrando uma eficiente dobradinha de classic e southern rock. Apesar do tracklist de 17 faixas, o disco dura apenas 49 minutos, contando com várias vinhetas e junções, se deixando escutar de maneira saborosa. Destaque para os duos de guitarra. Em 2019, a banda vai abrir a turnê norte-americana do Rival Sons.

Sinbreed – IV
Se a sua praia é aquele power metal que se popularizou nos anos 1990, aqui está um disco imperdível. Marcando as estreias do vocalista Nick Holleman (Vicious Rumors) e do guitarrista Manuel Seoane (Mago de Oz), o grupo que também conta com o baterista Frederik Ehmke (Blind Guardian) executa sua tarefa com destreza e oferece uma dose de nostalgia sem soar como mero pastiche do que já foi feito no estilo.

Sunstorm – The Road to Hell
Apesar de ter obtido muito mais repercussão com Rainbow, Yngwie Malmsteen e Deep Purple, Joe Lynn Turner tem no Sunstorm seus melhores trabalhos. Quinto full-length do projeto, The Road to Hell retoma o caminho traçado no segundo, o insuperável House of Dreams. AOR com saudáveis doses de hard rock estão incluídos no menu. O trabalho saiu enquanto o cantor se recuperava de um problema cardíaco e serviu como um bom modo de manter seu nome em evidência.

The Temperance Movement – A Deeper Cut
Em seu terceiro disco, a banda britânica atinge a maturidade, dando uma cara própria e deixando as influências como breve nota de rodapé. O blues/hard rock soa irresistível no swing das músicas mais cadenciadas e emocionante nas baladas. Vale citar que o vocalista Phil Campbell – não confundir com o homônimo guitarrista do Motörhead – se sobressai, em alguns momentos soando como se tivesse o DNA de Steven Tyler em suas cordas.


The Unity – Rise
Enquanto Kai Hansen voltou para onde sempre quis estar, o guitarrista Henjo Richter e o baterista Michael Ehré resolveram traçar um novo caminho juntos. E é uma pena que poucos fãs do Gamma Ray realmente prestaram atenção no The Unity, que chega a seu segundo disco mostrando um hard/heavy poderoso, com melodias e refrães marcantes. Para apertar o play e curtir de ponta a ponta.

Uriah Heep – Living the Dream
Não dá para esperar que uma banda com cinquenta anos de carreira vá reinventar a roda a esta altura. Sendo assim, o Uriah Heep mantém a classe e qualidade tradicional em seu novo disco. Living the Dream reúne várias das marcas registradas do grupo – especialmente na fase com o vocalista Bernie Shaw – e se deixa ouvir sem maiores atropelos do início ao fim.

Vega – Only Human
A banda inglesa de melodic rock/AOR segue com a pontualidade que caracteriza seus conterrâneos, lançando um álbum de inéditas a cada dois anos desde 2010. E o quinto acaba sendo o melhor, reunindo composições marcantes, execução indefectível e fugindo do lugar comum em que o grupo se colocava até então. Fãs do estilo irão se deliciar a cada faixa.

The Vintage Caravan – Gateways
O trio islandês explora novos caminhos, acrescentando passagens cheias de groove e pitadas progressivas – acentuadas pela maior presença de teclados – sem perder sua identidade claramente influenciada pelo hard/blues rock minimalista dos anos 1970. Arrival, o anterior, ainda é uma apresentação melhor para quem não está familiarizado, mas Gateways não faz feio e merece a conferida.


Voodoo Circle – Raised on Rock
Com quase tanto "love" quanto o Whitesnake – 4 das 11 faixas possuem títulos contendo a palavra –, o guitarrista Alex Beyrodt mostra que continua dominando a forma de fazer hard rock classudo e bem executado. A estreia do vocalista Herbie Langhans (Sinbreed, Avantasia) quase nem é notada, já que ele mantém o estilo de David Readman. Se não contar, ninguém sequer nota.

W.E.T. – Earthrage
Em seu terceiro álbum de inéditas, o projeto que tem Jeff Scott Soto, Robert Sall (Work of Art) e Erik Martensson (Eclipse) na linha de frente retoma a constância do primeiro. O melodic rock/AOR aparece bem “mais europeu” desta vez, com aquele toque quase melancólico nos arranjos, dando um sabor todo especial. Recomendado para fãs do estilo – e dos protagonistas – além de servir como boa apresentação aos marinheiros de primeira viagem.

Warrel Dane – Shadow Work
É uma pena que este disco não tenha sido devidamente finalizado, devido à morte de seu protagonista. Pois o resultado do que pôde ser feito nas oito faixas presentes é interessante o suficiente para colocá-lo aqui. Warrel mostra as qualidades que o colocaram como um dos melhores intérpretes de sua geração e a banda, composta por músicos brasileiros, oferece uma performance caprichada no que lhe compete.

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